sábado, 29 de junho de 2013

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Das auto


Homenagem aos lutadores


POR FELIPE SILVEIRA

O momento é de análise, né? Fora as astrológicas, confusas e apressadas dos primeiros dias, pipocaram na internet, nos últimos dias, algumas mais densas. Eu, particularmente, recomendo a do meu mestre Samuel Lima (foi meu professor de Jornalismo no Bom Jesus/Ielusc antes de ir para a Universidade de Brasília - UnB), publicada no Observatório da Imprensa (aqui), e a da socióloga Marilena Chauí, que dispensa apresentações (aqui). Então, aproveitando o momento, vou fazer a minha também (leiam os deles depois de ler e comentar o meu, por favor).

Sem ser tão denso e um pouco mais personalista, quero antes destacar e parabenizar meus amigos do Movimento Passe Livre (MPL) e de esquerda em geral. Não exatamente por colocar cinco mil pessoas na rua para lutar pelo direito ao transporte coletivo. Quero parabenizar pela luta de quase dez anos aqui em Joinville. Pelas reuniões com apenas três pessoas. Por não terem “arregado” depois de ser preso e de perder emprego por causa da luta. Por terem sido expostos de maneira violenta na TV por apresentadores retardados. Por terem familiares perseguidos por capangas de vocês sabem quem.

Foram muitos os sacrifícios dessa galera e aqui citei só alguns exemplos. Porém, durante a semana pensei muito nisso. Queria encontrar os amigos para dizer isso, dizer que o sacrifício deles foi muito importante para o que está acontecendo e para o que vai acontecer. Quem ler isso aqui vai saber se é pra si ou não. Destaquei o papel desses caras no começo do texto porque também faz parte da análise.

Apesar de comemorar os resultados até aqui, essa luta está apenas começando. O tema passou a fazer parte da pauta, para a população e para o governo. E falta a mídia fazer a sua parte também. Acredito, no entanto, que o movimento em prol do direito de ir e vir e contra a exploração do transporte público sai muito fortalecido.

Não acredito que o movimento anti-corrupção e outros do tipo saiam da mesma forma dessa luta. Eles pegaram carona e vão descer no primeiro ponto. Até porque a corrupção não é algo que tenha exatamente uma solução. A pauta anti-corrupção, em si, não existe. Algumas medidas podem atenuar, mas o buraco é bem mais embaixo.

Já o movimento em prol do transporte verdadeiramente público, gratuito e de qualidade depende de ações e de coragem. E eu volto aqui a destacar a coragem de todos que estão nessa luta há anos, principalmente aqueles que fizeram e fazem grandes e pequenos sacrifícios por isso. Esse post é apenas uma homenagem pra vocês e um desejo de boa luta na que vem pela frente.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

PEC 37. Não há o que comemorar.

POR FABIANA A. VIEIRA

 Depois daquela cena toda que vi na noite de terça-feira no plenário da Câmara dos Deputados, tive uma certeza. O povo gosta mesmo é do espetáculo.

Sim, por mais que todas essas manifestações tragam um quê de indignação, fica claro que o povo estava só esperando uma amostra da competência dos nossos representantes. E eles responderam bravamente.

Mas a verdade é que essa pauta não será a salvação para o fim da corrupção. Aliás, o arquivamento da PEC 37 não vai fazer nem cócegas nesse assunto.

A sensação é que foi uma vitória acachapante contra a corrupção, mas a realidade é que tudo ficou como já estava. Ou seja, o poder de investigação criminal não é exclusivo da Polícia Federal, nem do Ministério Público. Aliás, o Ministério Público nunca teve essa prerrogativa. Para ter essa legitimidade terão que regulamentar isso ainda, através de um projeto de Lei Complementar (parece que já está tramitando no Congresso).

O Congresso, que de bobo não tem nada, precisava dar uma demonstração de que entendeu o recado das ruas e pegou uma das principais reivindicações para mostrar que está alinhado com o povo. E por que escolheram bem a PEC 37? Porque a PEC 37 poderia ser arquivada sem danos para ninguém.

Não mudou absolutamente nada, nem mudaria se fosse aprovada, pois certamente o MP não deixaria de investigar, como hoje já faz sem nenhuma determinação constituinte para isso. A Constituição assegura ao MP a possibilidade e o dever de acompanhar a investigação da polícia. Na prática as coisas são assim: a polícia investiga. o MP acusa, o advogado defende e o juíz ou juri julga.

Eu fico me perguntando porque o povo abraçou com tanta força essa causa. Na verdade tudo não passava de uma disputa entre delegados da Polícia Federal e promotores do Ministério Público. Daí veio um lobby gigantesco intitulado PEC da Impunidade. Aliás, quem foi o marketeiro gênio que pensou nisso? E mais ainda, quanto será que custou essa campanha da PEC da Impunidade? Camisetas, panfletos, parafernalhas. Quem pagou? Quem poderia investigar isso?

Mais do mesmo, fico com a sensação de que o povo finge que exerceu sua cidadania, o Congresso finge que trabalhou alinhado com a opinião pública, a imprensa finge que fez seu papel esclarecedor e o gigante finge que acordou!

E agora, José?

POR CLÓVIS GRUNER

Não pensei em nenhum teórico ou cientista político em especial nestas últimas duas semanas; foi Drummond quem me ocorreu. Nos primeiros dias, ainda eufórico com as manifestações, lembrei de “Mãos dadas” e de sua resistência muito gauche em ser o “poeta de um mundo caduco”. À medida que a semana e as dúvidas avançaram, lembrei de “José”, aquele sem nome, que zomba dos outros, que ama e protesta, que marcha sem saber ao certo o porquê ou para onde. 


Ainda é cedo para fazer um balanço das manifestações sem correr o risco de ser desmentido pelas ruas. Se a história é um conhecimento provisório, ainda mais efêmera é uma história que tenta apreender o agora, o tempo presente. Assumido o risco, rascunho algumas considerações acerca dos desdobramentos mais imediatos de uma movimentação que, iniciada para reivindicar a revogação de aumentos nas passagens do transporte público, extrapolou em alguns poucos dias sua demanda original. Do que li e ouvi, três temas me chamaram especialmente a atenção. De um lado, o temor que se espalhou principalmente pelas redes sociais, de que a mobilização popular estaria a ser manipulada para forçar uma crise institucional com vistas a uma tentativa de golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. Na esteira da tal ameaça golpista, discutiu-se exaustivamente o caráter difuso e disperso das mobilizações, sua falta de rumo, a ausência de um “foco” e, por fim, a tão propalada “guinada conservadora”. Mas como diria Jack: vamos por partes.

ALGUÉM VIU UM GOLPE POR AÍ? – Um espectro rondou parte da esquerda nos últimos dias: a mobilização, principalmente virtual, em torno ao “Fora, Dilma!”, interpretado por muitos como indício da gestação de um golpe a comprometer nossa ordem democrática e institucional. Houve quem, inclusive, compara-se as manifestações à “Marcha da família com Deus pela liberdade”, resposta de uma classe média conservadora, já aquela época cansada, ao que considerava uma ameaça comunista urdida nos gabinetes do governo João Goulart. Embora acredite que não sejam poucos os setores que certamente festejariam um golpe e a deposição de Dilma Roussef – basicamente, os mesmos cansados de sempre – não acredito que estejamos à beira de um. O golpe é paranoia de petistas que, desacostumados com as ruas, agora as temem, confortavelmente sentados em seus gabinetes e bibliotecas. Aliás, vale registrar que não lembro de nenhum dos agora alarmados governistas acusando golpismo quando a UNE foi às ruas e, portando faixas e cartazes com “Fora FHC”, pediu o impeachment de um presidente também eleito democrática e legitimamente.

O contexto era outro e a UNE não contava com o apoio da imprensa e da mídia? Vá lá. Mas ainda acho que a esquerda institucionalizada e governista superestima o poder das mídias tradicionais. Apesar dela e da verdadeira campanha de ódio movida contra Lula, por exemplo, ele se reelegeu em 2006 – em plena crise do chamado “Mensalão” –, elegeu Dilma em 2010 e Haddad prefeito de São Paulo no ano passado, apesar da ampla e oportuna cobertura midiática do julgamento do “Mensalão”. Além disso, e apesar das muitas ressalvas ao pronunciamento da presidenta, até onde minha memória alcança esta foi uma das primeiras vezes que um mandatário se dirigiu à nação em um momento de crise usando coerentemente as prerrogativas do cargo: Lula teria colocado uma camiseta do MPL, um boné do MST e organizaria um comício; FHC chamaria os manifestantes, assim como os aposentados, de vagabundos; Itamar Franco aproveitaria o barulho para tomar um chopinho ao ar livre com os estudantes. Dilma falou como presidenta, o que pode não significar muita coisa a médio e longo prazos (não há, afinal, garantias de que será cumprido tudo o que foi anunciado), mas serviu, naqueles dias, como uma resposta oficial – e insisto no “oficial” – às demandas das ruas. Sobre a convocação de um plebiscito para a reforma política, proposta apresentada pelo governo depois de recuar da constituinte, há ainda muito a esclarecer.

UMA DEMOCRACIA SEM PARTIDOS – Falou-se demais, a meu ver, sobre as muitas “caras” das manifestações, a falta de foco e de objetivos claros, sobre quem se apropriou de que e com que fins. Ora, essa dispersão não é apenas um traço intrínseco às democracias, mas é em grande medida uma resposta a um crescente distanciamento entre o governo e os movimentos sociais. Pode-se acusar e mesmo ridicularizar a presença de grupos e indivíduos de direita, a levantar bandeiras genéricas, quando não mesmo oportunistas – nas redes sociais criou-se, para designá-los pejorativamente, a designação“coxinhas”. Mas não se pode perder de vista que nos últimos anos as políticas e decisões do atual governo, via de regra, foram tomadas unilateralmente, não raro contrariando e negligenciando reivindicações de parcelas significativas da sociedade. Se a opção de Lula foi incorporar muitas das demandas sociais à esfera do Estado, com o que isto acarreta de bom e ruim, a de Dilma foi simplesmente virar-lhes as costas, recusando reconhecer a legitimidade dos movimentos sociais como interlocutores do governo.

Como o governo, também os partidos políticos foram colocados em xeque. Em sua defesa, não faltou quem afirmasse que não se constroi uma democracia sem partidos. Pode ser. Mas também não se constroi uma democracia apenas com eles, nem se  a consolida quando a maior parte dos partidos já não representa as vontades e demandas de um número expressivo de cidadãos: hoje, no Brasil, a maioria dos partidos se encontra tão distante da dinâmica e da realidade das ruas e dos movimentos sociais, que os eleitores não apenas se veem incapazes de diferenciar uns e outros, como não se sentem representados pela maioria deles. É o caso de aboli-los? Não. Mas torço para que as manifestações dos últimos dias não apenas os obriguem a repensarem sua relação com os cidadãos, marcada quase sempre pelo oportunismo eleitoreiro. Mas, principalmente, torço para que a energia das ruas sirva para fortalecer mecanismos mais diretos de participação democrática, criando e qualificando novas alternativas para o debate público.

O AVANÇO CONSERVADOR – Em 2010, durante o segundo turno das eleições presidenciais, um amigo me perguntou o que eu achava do clima tenso daqueles dias. Respondi algo como: “estamos em uma guerra. Não chegou o momento do enfrentamento, mas eu não tenho dúvidas que estamos em uma guerra”. Ainda não tínhamos Malafaia nem uma tal psicóloga cristã a espumar o ódio contra as minorias, gays em especial; ainda não tínhamos Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias; foi antes da desocupação de Pinheirinho; da militarização dos morros cariocas; foi antes de Belo Monte e da violência crescente contra as comunidades indígenas. Mas havia alguma coisa no ar, e não eram aviões de carreira.

Uma ex-orientanda me chamou a atenção para o equívoco conceitual e histórico de falar em um “avanço fascista”, preferindo a ele o termo “conservador”. Concordo. E tal avanço existe? Acho que sim. Ele é novo? Acho que não. Ele já estava por aí há três anos, quando praticamente todo o debate eleitoral do segundo turno foi pautado pela agenda conservadora e assistimos a candidatura de José Serra e o PSDB aderirem aos grupos fundamentalistas, ao passo que Dilma Rousseff e o PT se mostravam incapazes de oferecer uma alternativa verdadeiramente progressista. Temerosos de confrontar os grupos religiosos, Dilma e o PT sinalizavam já o rumo que o governo tomaria depois da candidata eleita. Sejamos francos: se se pode responsabilizar em grande medida José Serra e o tucanato pela força política que tem hoje estes grupos; se eles começaram a história, Dilma e o PT não são menos responsáveis, porque a continuaram.

O que assistimos nos últimos dias não é, a meu ver, fato novo. O avanço conservador chegou às ruas, o que o torna mais visível e certamente mais ameaçador, porque ele traz consigo a intolerância, o autoritarismo e o ódio, além da violência. Mas ele não apareceu agora, nem é uma invenção ou consequência da movimentação das últimas semanas. A tendência agora, acredito, é o paulatino esvaziamento das manifestações. Pautas conservadoras e oportunistas não sobrevivem e prosperam, menos porque incapazes de encontrar ressonância, e mais porque ir às ruas depende de capacidade de mobilização e esforço, o que não é exatamente a especialidade da nossa direita, ainda muito cansada. Além disso, os movimentos e reivindicações sociais não podem viver apenas em função de passeatas: se há temas que pedem a ocupação das ruas, há aqueles que precisam encontrar ou construir outras alternativas de mobilização.

Por outro lado, a retomada da “normalidade” não significa, necessariamente, o fim do enfrentamento, que continuará a se dar por outros meios, também nas ruas, mas não apenas nelas. Afinal, não estamos mais em 2010, e agora temos Malafaia e aquela psicóloga a estimular o ódio; uma bancada evangélica que elegeu Marco Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias; tivemos a desocupação de Pinheirinho; a militarização dos morros cariocas; temos Belo Monte e a violência crescente contra as comunidades indígenas. Temos uma direita raivosa e ressentida e um governo refém do monstro que ajudou a criar. Se eu acreditava que em 2010 estávamos em uma “guerra fria”, acho que a partir de agora é necessário estarmos prontos para os muitos enfrentamentos que virão.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Uma Copa do Mundo das religiões

Igreja Maradoniana: candidata ao título
POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Ora, parece que o pessoal não quer mais a Copa do Mundo no Brasil (aliás, já disse que se quiserem mandar para Portugal pode ser uma boa ideia, porque o país está a precisar de dinheiro). Mas acho uma injustiça para o pessoal que gosta de futebol e que certamente estava com muitas expectativas para 2014.

Então fiquei a matutar numa solução para os que gostam de futebol. E foi no dia da aprovação da cura gay, quando os religiosos mostraram toda a força, que a solução veio à mente. Pô, já que o Brasil tem tantos religiosos, talvez devesse pensar em algo nesse plano. Mas foi no domingo, com o sucesso do jogo entre o JEC e os padres de Joinville que repesquei uma ideia: vamos promover uma Copa do Mundo dos religiosos.


Sem falsa modéstia, considero uma ideia divinal, porque o Campeonato Mundial de Futebol Inter-religiões pode levar todos à harmonia. E mais: dava uso para os estádios que já estão construídos. A competição seria exatamente como a Copa do Mundo, realizada a cada quatro anos, com 32 equipes em competição.

O planeta tem um exagero de religiões, o que obrigaria à disputa de eliminatórias. Só poderiam participar os monoteístas, porque não é justo uma equipe ter mais de um deus a dar aquela forcinha. Os ateus comuns, por motivos óbvios, não poderiam disputar o campeonato. Mas os ateus que transformaram o ateísmo numa religião talvez pudessem tentar um lugar.


Para evitar a corrupção de árbitros, eles seriam todos recrutados entre os monges shaolin. Os caras não se interessam por coisas materiais e seria difícil suborná-los (nunca se sabe quando vai aparecer um Moloch para fazer merda). E os shaolin sabem artes marciais, o que sempre dá muito jeito em caso de algum jogador tentar agredir o árbitro.


Os jogos seriam transmitidos pelas rádios e televisões da Igreja do Reino de Deus, com as receitas distribuídas por todos os participantes. É claro que as outras equipes teriam de pagar os 10% do dízimo televisivo. Mas é um preço baixo a pagar só para não ter que aguentar as narrações do Galvão Bueno.


É de prever grandes clássicos quando a bola rolar. Católicos x Protestantes. Mórmons x Islâmicos. Hinduístas x Xintoístas. Ah... e por fim, a grande sacada da competição: o deus da equipe campeã tinha de ser considerado o manda-chuva por quatro anos e todo mundo tinha de respeitar as leis. Sem brigas.

De Salvador a Imperador, tem de tudo

POR GABRIELA SCHIEWE





Voltando a falar de esporte, não que eu entenda mais acerca, mas nesse caso os meus pitacos não são tão furados.

A Seleção está nas graças do povo e graças a quem????? Mais uma vez o "salvador" Felipão é o mais adorado e reverenciado.

A verdade é que, se ele é ou não o maior responsável e se realmente é bom, não tenho bem certeza. Mas foi o cara que deu jeito. O Brasil voltou a ganhar e, principalmente, ganhar das seleções do primeiro escalão.

Existem outros fatores, é claro, e o principal é o fato do tempo conjunto de treino dos jogadores e uma mesma equipe em vários jogos, mas que o técnico está fazendo a diferença, inevitável afirmar que sim.

Pode parecer balela, mas parece que existe um clima mais agradável na Seleção. Vocês não acham? Eu perguntando já no negativo fica difícil responder quem sim... hehehe.

E olha, estou achando que vem um caneco por aí, está com cara de que o Brasil leva a Copa das Confederações. Aí Felipão vira rei.

Agora, mais uma vez, na minha opinião, Julio Cesar destoa. Gente, já passou o momento dele, não me passa segurança alguma e acho que nem pra zaga do Brasil. Mas vamos continuar orando, rezando, pregando, como melhor couber a sua crença.







O que falar do Imperador Adriano, que parece nunca perder a majestade?

Poupe-me. Logo o meu Inter querer contratá-lo? Já estava em parafusos, ainda bem que a negociação rolou escada abaixo.

Na minha opinião, isso não passa de jogada de marketing dos empresários do Adriano, pois de tempo em tempo, desde que ele saiu do Corinthians e teve aquela passagem ridícula pelo Flamengo, vemos notícias de que ele está sendo sondado por tal clube e termina no mesmo lugar.

Salvo engano, teve até um bafafá que ele iria para o Madureira para recuperar a forma física.

O Adriano não quer mais saber de jogar futebol e os seus empresários, para continuar ganhando uns "troquinhos" com o seu pupilo, tentam, a qualquer custo, mantê-lo na mídia.







É, parece que dessa vez a Krona está no caminho do ouro (vai ver bateu um papo com o Udo).

A primeira fase da Liga Nacional terminou na segunda-feira última e a equipe tricolor ficou no primeiro lugar e com o recorde de pontuação na primeira fase que, até então era do Santos de 2011.

Parabéns, Krona Futsal, que tem alegrado sobremaneira a torcida joinvilense, fazendo belos espetáculos no "palco da dança"!






E a Seleção Espanhola leva o seu apelido a ferro e fogo. La Fúria foi de streap-poker a controle voando pelas suas "garotas".

A "furiosa" do Salgueiro fica no chinelo diante desta fúria de castanholas!

Os espanhóis podem economizar nos gols dentro de campo, mas no extra-campo, pelo jeito, são matadores.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O povo saiu às ruas. E agora?

POR JORDI CASTAN

Fora a beleza do espetáculo que os brasileiros ofereceram, com bandeiras, cartazes e faixas criativas na tomada das ruas, é muito provável que nada mude, mesmo depois da prova de força destes dias. Mesmo que os R$ 0,20 ou R$ 0,10 dos descontos (dependendo da cidade) proporcionados pela redução dos impostos federais PIS-Cofins, talvez sejam reincorporados à planilha de custos que compõe a tarifa, em momento eleitoral ou político mais oportuno.

Sem lideranças e sem objetivos claros há um risco elevado que todo o esforço tenha sido inútil. Puro desabafo travestido de manifestação popular que, se não fosse pela presença policial violenta, pareceria mais com uma alegre quermesse, festa junina ou a celebração de alguma vitória esportiva, observada na ausência dos tradicionais bêbados e de musica estridente, que sinalizavam a importância e transcendência do momento.

É preciso muito mais para mudar o país, mas foi um bom começo. Tirar o joinvilense da zona de conforto numa tarde chuvosa tem muito mérito. Apesar da falta de prática. Há gerações que não sabem o que é uma manifestação de tal dimensão. Quantos guardam na memória o correr da polícia? Terem ido para a rua reivindicar. Ou até mesmo de ter vivenciado tal momento? Especialmente em Joinville isso tem um significado adicional.

A pergunta que muitos fazemos: e agora que acontecerá? Qual é o passo seguinte? O nosso histórico recente faz pensar em quem aposte que nada vai mudar, terá muitas mais chances de acertar.

O único ponto claro, e que deveria merecer análises melhores é o silêncio ensurdecedor dos políticos que, num misto de perplexos ou amedrontados, colocaram suas barbas de molho. Sua desaparição do cenário é prova concreta que alguma coisa mudou, inclusive a suposição que possam ter culpa no cartório.

A maior mudança pode ainda a vir acontecer se a mobilização se mantiver crescente. Mas político é por natureza um animal oportunista, com enorme capacidade de adaptação. Não deverá demorar muito para que alguns tentem capitalizar este movimento, cujo maior mérito reside, justamente, na sua aparente anarquia, falta de liderança e no amalgama de vários setores da sociedade e a variedade de reivindicações que aglutina. É bom lembrar que a classe media não tem muita prática, é nova nisso. Justamente a turma do MPL, com mais experiência e mais calejados, estava nadando de braçada,

O curioso será se for justamente essa nova classe media que surgiu nos últimos anos no país, que acabe por promover, com a sua ida as ruas, as reformas que o Brasil tanto precisa e que demoram. Seria irônico que a classe média criada a partir do seu acesso ao consumo insista em querer, além de tela plana, carro e viagem ao exterior. Indica um novo “arranjo hierárquico das necessidades humanas e vêm à tona impulsos mais elevados”, como o fim da corrupção, serviços públicos de qualidade, uma reforma política entre outras reivindicações. Justamente essa classe média que está, aos poucos, descobrindo que além de ser uma força econômica pelo seu peso no mercado é também uma força política.


Se fosse político teria muito medo. Porque se a sociedade descobrir a força que tem de verdade, muita coisa poderia mudar rapidamente e os políticos poderiam ser transformados no inimigo público número um. Representam, salvo honrosas exceções, “o pior do pior”. Aquilo contra o que as pessoas estão dispostas a ir à luta.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A rua NÃO é a maior arquibancada do Brasil

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

Ao contrário do que muitos podem pensar, a rua não é a maior arquibancada do Brasil. O comercial de uma montadora de automóveis que diz "vem pra rua porque a rua é a maior arquibancada do Brasil", utilizando-se da música do grupo "O Rappa", apenas transfigura e esconde uma realidade vista por nós, brasileiros, todos os dias. Talvez influenciados por estas intervenções na grande mídia, e também pelo espírito de torcedor inflamado com a Copa das Confederações, muitos levaram a ideia de arquibancada para as últimas caminhadas passivas (travestidas de manifestações), as quais ainda acontecem por todo o país. Necessitamos desconstruir esta lógica e mostrar que a rua é o maior palco do Brasil.

Antes de continuarmos, faz-se necessária a disposição do significado da palavra arquibancada e da palavra palco:


arquibancada
sf (arqui+bancada) 1 Bancada principal. 2 Série de assentos dispostos em fileiras, em diversos planos, empregados em estádios e circos, para acomodar, com boa visibilidade, grande quantidade de espectadores.

palco
sm (ital palco) 1 Estrado, tablado. 2 Lugar, no teatro, onde os atores representam. 3 Lugar onde sucede algo dramático, impressionante ou solene; cenário.


Em qualquer espetáculo, seja ele de qual ordem for, temos "os que fazem a coisa acontecer" e "os que assistem à coisa acontecendo". No futebol, por exemplo, a arquibancada acompanha os 22 jogadores correrem atrás da bola, respeitando regras pré-estabelecidas, conduzidas por juízes. Só assiste à coisa acontecer. Quando o jogo acaba, o resultado não muda e o torcedor que está na arquibancada é obrigado a aceitar pacificamente ordeiramente passivamente aquilo que aconteceu no palco, pois a sua função é apenas assistir e dar apoio moral, gritando, xingando, levando cartazes, etc. Levando isto em consideração, não podemos ir para a rua com a lógica da arquibancada.

Precisamos entender que a rua é o espaço para fazermos as transformações que queremos. Na rua como palco, somos os jogadores, decidimos sobre tudo e construímos a nossa vida. É nela que as desigualdades sociais tornam-se evidentes (e por muitas vezes fechamos os olhos). O mais desastroso nisso tudo é que as pessoas que foram para as ruas nas últimas semanas, em sua grande maioria, não acostumadas a encarar a rua como palco e como aquelas "que fazem a coisa acontecer", levaram todo o sentimento que possuíam da arquibancada consigo. É notório que o palco se tornou lugar de movimentos difusos, nacionalistas ao extremo (do jeito que o pensamento ditatorial adora), com palavras de ordem motivacionais como "o gigante acordou", e pedindo pra alterar aquele jogador que supostamente não estaria bem na partida, só porque o comentarista pediu para tirar (vide o "Fora Dilma"). Ao final das partidas, torcedores reclamam dos seus times, dizendo que "está tudo errado" e que "tudo" precisa ser mudado.

Por outro lado, a rua precisa ser o espaço das manifestações fortes, pontuais, e que visem acabar com as desigualdades provenientes das mais diversas ordens. A rua, no fim das contas, não deve ser espaço de "um bando de desocupados" para ser um "espaço democrático". A rua deve ser um "lugar de todos", e não apenas "lugar dos automóveis". Muito menos o lugar de comemorações. A rua é o cenário para afirmarmos aquilo que queremos ser enquanto sociedade.

sábado, 22 de junho de 2013

Melhor comentário da semana







...o que será instalado é um crematório, não uma churrascaria de carne humana. Você já viu um crematório em funcionamento? Não tem nada de fumaça saindo, não é uma fornalha onde jogam um cadáver no fogo e fica um tiozão vestido de gaúcho cuidando do assado... Informe-se melhor sobre o assunto, não caia nas balelas emitidas pelo senso comum. em Momentos filosóficos dos leitores

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ocupar as ruas não é crime!


POR CLÓVIS GRUNER

Diverti-me nestes dias de ruas ocupadas a imaginar o que diriam nossa mídia e formadores de opinião dos 150 colonos que, numa noite de dezembro de 1773, disfarçados de índios, lançaram ao mar quilos de chá trazidos da Inglaterra, depois que um decreto real tornou obrigatório seu consumo e proibiu a produção interna. A maioria os acusaria de vândalos: nossos veículos reclamariam os privilégios da coroa inglesa, e como fazem mal jornalismo, acusariam logo os índios; Arnaldo Jabor enfatizaria, teatralmente, que se tratavam apenas de “saquinhos de chá”, para depois pedir desculpas pelo erro: os baderneiros, afinal, não eram índios. E não faltariam os comentários anônimos no Chuva Ácida, a defender furiosamente que os militares britânicos acertassem tiros na testa dos bárbaros, fossem índios ou colonos.

Claro, pouco importa se aqueles poucos insurgentes estivessem dando, se não o primeiro, mas um passo decisivo no processo que culminaria, dali a três anos, com a independência dos Estados Unidos. Querem proclamar a independência? Proclamem-na, mas em fila indiana, mantendo a ordem e com respeito à propriedade. “Peraí!”, reclamarão logo os defensores da História com “H” maiúsculo, “então justo você, historiador, está a comparar Thomas Jeferson com estudantes levando vinagre na mochila, a independência americana com as manifestações de rua no Brasil?”. Sim e não. Não porque os contextos são outros e uma análise madura precisaria levar em conta suas especificidades. Além disso, ainda não sabemos o que será e esperar da movimentação das últimas semanas, ao passo que conhecemos o fim da história da Revolução Americana.

Por outro lado, se incorro no pecado do anacronismo, o faço movido por uma boa razão. Há um elemento comum entre o Boston Tea Party e a movimentação das últimas semanas: os colonos americanos não sabiam (assim como os insurgentes da Primavera dos Povos, em 1848; os operários do ABC, no final dos anos 1970; ou os jovens tunisianos em 2010, entre outros exemplos), e não podiam saber, que suas ações teriam repercussões para além do imaginado e desejado. Eles desconheciam que em parte graças ao seu gesto, a história trilharia outros e imprevisíveis itinerários. Já se falou muito sobre as mobilizações. Do que li, uma das mais lúcidas análises foi publicada pelo jornal espanhol El País. Não pretendo retomá-la aqui ipsis litteris, mas esboçar algumas considerações, certamente provisórias, a partir de inquietações surgidas na esteira das manifestações.

O passe livre é possível? – Não estou inteiramente seguro disso, embora me incline a achar que sim. Há estudos e experiências, inclusive em cidades brasileiras, que respondem positivamente a pergunta. Há outros a afirmar o contrário. Na segunda-feira, dois líderes do MPL paulistano compareceram ao programa Roda Viva. Além de expor a fragilidade intelectual e política de nossos jornalistas, a entrevista serviu para desfazer alguns mal entendidos e reforçar o caráter engajado e lúcido da movimentação: mesmo que, pontualmente, a reivindicação seja pela revogação dos aumentos nas tarifas do transporte público (o que já foi feito, de maneira oportunista, em Joinville, e nesta semana em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba), a luta é mais ampla. Porque em jogo estão alguns direitos fundamentais, entre eles a humanização das cidades, a mobilidade urbana e a ocupação do espaço público. E garantir o acesso ao transporte público é condição fundamental ao exercício destes direitos.

O gigante acordou? – Não, porque nunca estivemos adormecidos. A estratégia de descaracterizar e despolitizar a movimentação foi o coringa dos grupos conservadores – e eu falo dos governos, da mídia, seus colunistas e muitos de seus leitores – quando a estratégia de criminalização não funcionou. Trocando em miúdos: depois que a violência policial, elogiada pelo governador Geraldo Alckmin, negligenciada pelo prefeito Fernando Haddad e incentivada por editoriais, colunistas e blogueiros, mostrou-se um tiro no pé, os mesmos que autorizaram e legitimaram o uso da força trataram rapidamente de tentar pautar o movimento, atribuindo-lhe outros sentidos e significados. E como se não bastasse ver gente como Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Arnaldo Jabor e Felipe Pondé ridiculamente tentando tornar-se os porta vozes da indignação, eles o fazem ignorando nossa história, mesmo a mais recente. Nunca fomos um “povo pacífico” – e a lista de revoltas, rebeliões e movimentos insurgentes, desde os tempos de colônia portuguesa, estão aí a atestar isso –, e não deixamos de ocupar as ruas e os campos do país. Mesmo o MPL não apareceu do nada: ele foi criado em 2005, e somou forças a outras movimentações sociais, urbanas e rurais, tais como os Sem Terra e Sem Teto, as marchas das vadias, os movimentos LGBT e negro, etc... Tampouco é novidade a violência policial: ela é rotina nas periferias do país, principalmente. Somos nós que não a vemos.

E agora? – A mais inquietante e mais difícil das perguntas. Justamente porque é um fenômeno novo, é difícil dizer com clareza para onde ele vai. Não vai mudar o país, não como talvez esperam alguns: no final da passeata, não nos aguarda a revolução. E no momento é isto o que mais me emociona e estimula. Atravessando a movimentação, como alguma coisa incontrolável e certamente não planejada, está um discurso que tensiona não apenas as velhas maneiras de pensar e fazer política, mas também as formas tradicionais de liderança, as velhas mídias, nossa ainda frágil democracia, nosso regime representativo, a crescente neutralização, se não o esvaziamento, do espaço público, etc... É óbvio que um movimento em grande parte espontâneo e difuso, acabaria por atrair gente de interesses e demandas igualmente difusos. É também uma estratégia da direita ampliar as reivindicações para desviar a atenção do que é realmente importante, transformando as manifestações em uma versão inchada da tentativa patética de indignação que foi o “Cansei”. Não me espanta ver os logradouros tomados por reacionários e conservadores. Espanta-me, sim, ver e ler gente de esquerda com medo das ruas. A pluralidade faz parte da democracia e ela é inevitável. Se quisermos ver as ruas ocupadas preferencialmente pelas demandas da esquerda – e de uma esquerda libertária, não alinhada a partidos e governos –, temos de gritar mais alto que eles: não, não se trata de uma luta "contra a corrupção" (só corruptos são a favor da corrupção), ou "contra tudo o que está aí" (quem é contra tudo, acaba por não ser a favor de nada), porque estas bandeiras atendem a um jogo eleitoreiro, partidário e midiático, e não há julgamento do mensalão que mude esta percepção. O crescimento das manifestações não deveria servir de trampolim à atitudes protofascistas, ao oportunismo e ao patriotismo vazio. Mas nelas cabem reivindicações necessárias, tais como denunciar o crescente desrespeito aos direitos humanos pelo alinhamento do Estado aos interesses conservadores e religiosos.

Talvez isso tudo não dê em nada? – Depende do que se entende por “dar em nada” e do que se espera quando milhares vão às ruas. Depende, em suma, do que se entende por e se espera do político. A política, pelo menos a que se vive cotidianamente nas ruas, é imprevisível, e o futuro é indisciplinado. Embora acredite que mudar a posição inicialmente irredutível e autoritária de alguns governantes e, por extensão, a de parte da polícia, e obrigar a mídia a adotar outro discurso seja suficientemente significativo, acredito também que há momentos em que o simples gesto já traz em si seu sentido e justificativa, independente do depois. Acho que vivemos nestes últimos dias um desses raros momentos, em que é preciso gritar, em alto e bom som, que ocupar as ruas não é crime, é um direito. E a isso se chama democracia.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Vereador perdeu? E agora?

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Faz alguns dias, escrevi aqui um texto sobre o processo judicial que o presidente da Câmara de Vereadores de Joinville, João Carlos Gonçalves, moveu contra a professora Ana Vavassori. Numa das passagens do texto advertia para o perigo de que ele viesse a perder a causa e sair desmoralizado do episódio: afinal, o vereador é um servidor do cidadão e não é de bom tom sair por aí a processar o patrão-cidadão por dá cá uma palha.

Agora a sentença saiu e a queixa do vereador não teve provimento*. Mas além disso, o juiz Gustavo Marcos de Farias produziu um momento que pode ser considerado uma aula sobre a mais elementar democracia. E também uma chamada de atenção para que homens públicos aprendam a conviver com as críticas. É essa parte da mensagem da decisão que reproduzo aqui ipsis literis:

“In casu, a meu ver, na qualidade de Presidente da Câmara de Vereadores desta Cidade, o requerente assumiu cargo de notoriedade e de cunho político. Assim, entendo ser inerente a tal função maior tolerância a manifestações de pensamento de eleitores. Por certo esta tolerância não significa liberdade irrestrita do eleitor em expor seu pensamento, porquanto o direito de expressão tem limites: mérito da presente ação. No entanto, a pretensão liminar de proibição de exposição do pensamento da primeira ré e de dados que constam da fonte: Portal da Câmara de Vereadores de Joinville, não há como ser deferida porque, conforme já referido, um político deve tolerar com maior benevolência revoltas e inconformismos explanados através de críticas. Outrossim, inviável, no mundo dos fatos, a coibição total da circulação do comentário porquanto o ‘compartilhamento’ de outros usuários é natural na rede social em questão”. 

Fiquei a saber que ainda há a possibilidade de recurso. O que deixa o vereador numa saia ainda mais justa, como avisei no texto anterior. Se não recorre, fica comprovado que cometeu um erro político.  Se recorre, mesmo com a negativa inicial e as chances duvidosas de reverter a decisão, vai dar continuidade a um caso onde só tem a perder dinheiro e prestígio político.

Já disse que a Justiça não é a minha praia. Mas justiça é: o juiz apenas referendou o que a opinião pública já intuía. Democracia é uma coisa chata, né?


* pedido de antecipação de tutela