quarta-feira, 24 de maio de 2017

Joinvilenses não ligam para Santa Catarina

POR FELIPE SILVEIRA
O bairrismo joinvilense é impressionante. A cidade catarinense tem no governo estadual Raimundo Colombo, alvo de diferentes pedidos de impeachment na Assembleia Legislativa. O principal secretário do governo caiu, depois de aparecer, junto ao chefe, na delação da JBS. Também apareceram na caguetagem os senadores Paulo Bauer (PSDB) e Dário Berger. Mas qual é o joinvilense que liga pra isso? Não sei se tem 10 em 500 mil.

Mas fala qualquer coisa de Joinville pra ver? “Fora, forasteiros”. Ou pior: faça uma crítica ao bairro do cidadão para ver. Recentemente criamos um movimento para mudar o nome do bairro Costa e Silva, que faz uma homenagem, bizarra, ao general-ditador. A reação tem sido violenta. Tem gente que nem sabe o que é, mas abraçou a defesa da ditadura com unhas e dentes.

O povo daqui não gosta de discutir muito as coisas. Estamos sendo explorados por duas empresas sem licitação que operam o transporte? “Sim, mas olha o tamanho de Joinville, a maior do estado blá blá blá”.

Não que Joinville não fale dos seus problemas. Porém, problema para joinvilense é buraco de rua e falta de policial. Gravidez na adolescência? Crescimento dos números da AIDS? Falta de oportunidades para os jovens? Déficit habitacional gigante? Especulação imobiliária? Gentrificação? São temas que não viralizam, que nem chega a ser pauta no debate.

O bairrismo tacanho leva a uma preguiça intelectual que nos impede o desenvolvimento social e nos leva a tomar decisões ruim. Tanto é que, se dependesse de Joinville, Aécio Neves seria eleito, assim como foram Raimundo Colombo, Paulo Bauer, Marco Tebaldi...

Vale lembrar:

Agora é hora de FORA, TEMER e DIRETAS JÁ!

Um problema sério, um conselho diferente

POR ET BARTHES
Câncer de mama? Eis uma boa forma de mostrar como se faz. É usar um homem. Uma forma divertida de tratar um assunto sério.



terça-feira, 23 de maio de 2017

Mito.


Cabeça vazia é a oficina do tinhoso (sim, aquele com a faixa presidencial)

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
O Brasil já foi considerado o país do futuro. O problema é que na prática insiste em ser um país sem futuro. Se tivesse que fazer um diagnóstico meio à pressa, diria que há uma explicação muito razoável: é que o país tem uma das piores direitas do planeta (talvez a pior). No Brasil, a direita é mais burra, mais intolerante e tem maior tendência para o irracionalismo.

A maior expressão desse estado de indigência mental está, por exemplo, nos heróis que ela escolhe. É só gente inútil do ponto de vista intelectual. Para evoluir qualquer país precisa de inteligência, bom senso e massa crítica. É tudo o que falta a essa direita. E onde os neurônios são preguiçosos, opera o besteirol. Quer exemplos práticos? Então, vamos ver alguns highligths mais recentes. Tem para todos os (des)gostos.

- Rachel Sheherazade diz que Hitler fundou o PT na Alemanha. Ah... que falta fazem umas aulinhas de história.
- Marcelo Madureira diz que foi apanhado de surpresa pela ligação de Aécio à corrupção. Zeus! Ele nunca tinha ouvido falar em Furnas, no aeroporto nas terras do tio ou nos milhões da saúde mineira?
- Lobão sai em defesa de Temer e assume a tese das gravações fraudadas. Mais alguém, além dele e do próprio Temer, acredita?
- Janaína Paschoal diz que “prometi a Tancredo Neves que olharia pelo país e confesso que acreditei que os netos dele também tinham esse sentimento”. Será que também vai ter áudio?
- João Doria rejeita Aécio Neves. “É estarrecedor um senador da República utilizar essa linguagem. Palavras de baixíssimo calão. É absolutamente lamentável”. Uai! Palavrão é corrupção.
- Diogo Mainardi dá um furo jornalístico: Joesley comprou deputados com o objetivo de impedir o impeachment de Dilma. É... pelo visto a coisa funcionou direitinho.
- Roberto Jefferson, em prisão domiciliar, mas “miraculosamente” convertido em oráculo dessa direita apatetada, diz que o PT quer diretas já porque pode ainda contar com a ajudinha das urnas eletrônicas. Hã!?
- Alexandre Frota diz que “o açougueiro da JBS é sócio de Lulinha tem Lula por trás de tudo isso”. Qual dos dois é Lulinha? O Joesley ou o Wesley?
- Carlos Bolsonaro, o filho mais atrapalhado de Jair Bolsonaro, elogia o talento do pai como gestor: “a JBS faz o maior trambique já visto com o seu dinheiro com todos os governos, via BNDES, e você falando que Bolsonaro não manja nada de economia”. Putz. Bolsonaro para ministro da Economia já!

O problema dessa direita no Brasil é não ser uma força convencional, com a pretensão de ocupar lugar no arco político. Pelo contrário, essa gente está totalmente fora do eixo. É uma direita, em muitos casos extrema, que não está disposta a contribuir com soluções. É gente que gosta do fuzuê, de bagunça, de anarquia (não confundir com os anarquistas, por favor). Tudo o que pretende é impor a agenda do atraso. Enfim, cabeça vazia é a oficina do tinhoso (sim, aquele com a faixa presidencial).

É a dança da chuva.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Segurança pública: soluções simples diminuem ambiente de guerra


POR JORDI CASTAN

O tema que proponho é segurança.
No Brasil, a média é de 32,4 assassinatos por 100 mil habitantes. A ONU considera que o índice de normalidade seria de 10 a cada 100 mil. Santa Catarina apresenta uma média percentual de 7.5 mortes a cada 100 mil habitantes. Entre os números divulgados, destaque para Joinville que, com uma taxa de 7,7 por 100 mil habitantes, é a campeã do Estado. E nem tivemos maior repercussão desta noticia, que nós deixa tão malparados e apreensivos.

Destaque também para a vizinha Jaraguá do Sul, com a menor taxa de homicídios entre os municípios de maior porte, com 1.2 a cada 100 mil habitantes. A diferença entre os dois valores é tão significativa que não há nada a acrescentar. É importante destacar que os dados não se referem ao total de homicídios. Neste caso, a liderança de Joinville seria o resultado lógico de ser a cidade mais numerosa do estado. Como os dados se referem a mortes por cada 100 mil habitantes, é possível comparar alhos com alhos e bugalhos com bugalhos.

O tema da segurança - ou melhor dizendo, a falta dela - é grave. E com frequência é o principal motivo pelo qual os turistas desistem ou desconsideram o Brasil como destino turístico. A pergunta que me fizeram nestes dias, de passagem pela Colômbia: como vocês fazem? Essa pergunta vindo de um colombiano, que viveu durante mais de 50 anos uma guerra cívil no seu pais, não deixa de ser irônica.

O aumento descontrolado da violência é resultado de uma longa série de elementos e listá-los aqui não é o objetivo deste texto. Mas interessa citar exemplos que têm dado bons resultados no sentido de reduzir ou conter a violência. Exemplos simples, econômicos e que funcionam.

No Equador, todos os taxis estão equipados com duas câmaras de vídeo internas e dois botões de pânico, um para o passageiro e outro para o motorista. Como resultado, os assaltos a motoristas de táxi reduziram sensivelmente. O ultimo homicídio de um taxista em Quito foi resolvido em menos de 72 horas e os culpados presos. Tanto os taxistas como os usuários se sentem seguros e aprovam o sistema. As câmaras pertencem à municipalidade, que as instala em todos os táxis. As câmaras transmitem constantemente imagens para a central de segurança unificada. 





A ideia de unificar as policias é outro tema tabu aqui por estes lados. As imagens são projetadas na central do 911, o número da polícia no país. Se houver uma emergência, tanto o motorista como o passageiro podem acionar o botão de pânico, que dispara o alarme na central. O táxi, localizado por um sistema de GPS, a mesma tecnologia que utiliza o UBER e outros aplicativos semelhantes, informa a posição de cada carro em cada momento e permite que a polícia possa intervir.

Simples e efetivo. Aliás, vendo este exemplo lembrei de quando a Conurb administrava a rodoviária e propusemos instalar câmaras de monitoramento na área de embarque dos táxis. O objetivo evidente era o de aumentar a segurança dos taxistas. Pouco tempo antes um taxista tinha sido brutalmente assassinado. Estações rodoviárias são pontos vulneráveis de segurança. Há movimentação de passageiros honestos e também de outros passageiros que tem outros interesses e objetivos. O curioso foi a oposição dos taxistas a instalação das câmaras, na época fiquei pensando por que motivo seriam contrários a instalação de sistemas de segurança pensados para melhorar a sua e a dos passageiros.  

Segurança é um tema complicado no Brasil, em que cada vez temos menos claro quem está de que lado. É possível melhorar. Sim.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Marcelo Madureira: de humorista a motivo de piada

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Os eventos dos últimos anos fizeram (re)surgir uma série de personagens lamentáveis. Gente com limitações intelectuais, valores éticos maleáveis e, em alguns casos, que se orienta por comportamentos agressivos. E há um ponto comum a muitos: são pessoas que tiveram alguma projeção mediática e hoje estão no limbo.

Lobão, Roger ou Alexandre Frota, por exemplo, são ícones dessa lista de inutilidades artísticas e políticas, entre outros menos cotados. Há uma tentativa de voltar aos holofotes pela via da política. Mas a gestão de carreira parece não ser o forte dessa gente. Porque acabam sempre acantonados em discursos reacionários e intolerantes (passe a redundância). 

Mas poucos são tão patéticos quando Marcelo Madureira, que teve os seus dias no Casseta & Planeta e hoje se arrasta por aí a fazer figuras tristes. Eis o estilo do discurso: “Seu vagabundo, Lula da Silva, nós não temos medo! Sua ladrona, sua vagabunda, mentirosa, Dilma Rousseff, nós não temos medo! Seu Gilmar Mendes, nós não temos medo (…) Vagabundo!”. Zeus!!!

O problema com Marcelo Madureira é que virou motivo de piada. Isso é a morte do artista, ainda mais do humorista. E agora, depois da revelação, com provas, da corrupção de Aécio Neves, ele vem posar de “velhinha de Taubaté”: era, talvez, a única pessoa no país que não sabia dos problemas do “Mineirinho” com a corrupção.

Os filmes abaixo mostram dois momentos na vida do ex-humorista. No primeiro, defende a candidatura de Aécio Neves, sob o argumento de que o tucano “reúne todos os requisitos para ajudar a colocar este país de novo nos trilhos”. Num segundo momento, fala da decepção e da surpresa por ver Aécio Neves envolvido em problemas de corrupção.

Diz o ex-casseta: “para mim é chocante ver o candidato que eu apoiei, a pessoa que eu acreditei, estar envolvido nessas negociatas”. Pobre Marcelo. Ficou decepcionado. E surpreendido. E eis que enfim temos uma piada. Mas é o próprio Madureira o motivo. Pois então tenho um surpresa ainda maior para ele: existe uma coisa chamada Google. É só ir até lá e pesquisar “Aécio Neves corrupção”. São apenas 860 mil entradas como resultado...






quinta-feira, 18 de maio de 2017

Não dê ouvidos: o lema da gestão autossuficiente



POR FAHYA KURY CASSINS

Eu me perguntava porque uma cidade não ouve seus cidadãos. Parece-me claro que ela deva ser feita, dia a dia, para quem nela vive – e não para quem deseja mandar nela. Obviamente que os cidadãos precisam de emprego, escolas, hospitais, lugares onde trabalharão e onde gastarão seu dinheiro, fazendo a cidade prosperar. Porém, a cidade deve ser feita pensando no melhor para as pessoas, não para lucros e interesses escusos de alguns poucos. Qualquer um, longe de qualquer teoria academicista ou sociológica, pode perceber isso.

Por que, então, uma cidade ignora terminantemente seus moradores? Por que as reivindicações destes são desprezadas? E, para tentar chegar a algum lugar, o que podemos fazer para alterar a situação estabelecida?

Lembram que em Joinville havia o sistema da Ouvidoria? Bem, não dá pra dizer que resolvia, mas era alguma coisa. Lá, após um breve cadastro, você registrava a denúncia/queixa/elogio e acompanhava o processo. Visualizava para qual órgão havia sido encaminhado, qual a resposta, etc.. Nem sempre era satisfatório, mas existia um meio de comunicação. Curiosamente, às vésperas da eleição do ano passado, o sistema foi implodido. Deixou, simplesmente, de existir. Do nada, sem nenhuma explicação. Qual o interesse em mascarar o descaso com milhares de queixas e sugestões? Com o sistema fora do ar, tudo foi zerado.

Os processos que estavam em andamento também sumiram, e um aviso explicava que, se você quisesse saber sobre o sucedido, deveria enviar um contato pelo novo formulário ou ligar no famigerado 156. O novo sistema, por outro lado, é um formulário básico do qual você não tem acompanhamento algum. Como um “Contato” de um site ou blog qualquer. E do qual você não receberá resposta alguma. Contudo, no começo do ano (lembram?) saiu uma nota no jornal local que o Udo havia achado interessante a sugestão, via Ouvidoria, de um cidadão que sugeria a inversão dos sentidos da Blumenau e da João Colin. Estudos foram solicitados. Tudo parece tão surreal que quase nem dá pra comentar.

Fica difícil. Aí você pode tentar ir até o órgão responsável pelo problema que você tem e, com muita (mas muita) insistência alguém deixará você “protocolar” (sério, não existe um sistema unificado de protocolo, há um mero “carimbo” de uma secretária qualquer) a sua solicitação – e será uma árdua espera por qualquer tipo de resposta, o mais provável é nem saberem do que se trata. Ou você pode tentar, sei lá, me deem ideias. Porque eu realmente não sei.

Numa cidade que não realiza fiscalização, que não tem os equipamentos necessários (vide a lenda do decibelímetro), que não consulta as pessoas afetadas pelas implantações e mudanças que faz (em vias públicas, órgãos, fundações, secretarias, etc.), que não investiga denúncias, e que, enfim, ignora arrogantemente o cidadão, só resta estar jogada às obras mal feitas e ao descaso contínuo.

Às vezes a gente se ilude, como quando eu fiz este abaixo-assinado para levar pessoalmente aos responsáveis pelos transtornos no trânsito do entorno do Mercado Municipal. Porque parece que muitos cidadãos não se importam em não ser ouvidos e preferem aceitar bovinamente sua situação de súditos de uma prefeitura que, se trabalha, é só para os interesses de alguns ou para fazer lambanças que nos custam caro (em tempo, paciência, dinheiro). E quando alguém tenta fazer algo as iniciativas são igualmente desprezadas.

(o texto estava pronto e segunda-feira me deparei com o do Jordi, que vem bem a calhar, e também o último artigo da Raquel, sobre a falta de manutenção e tal: a discussão não pode morrer)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Nenhum gestor se importa com a água. Pior ainda, nem a população.

POR RAQUEL MIGLIORINI
O Jornal A Notícia desse 17 de Maio de 2017 mostra os novos financiamentos pleiteados pela Prefeitura de Joinville. O primeiro financiamento é do BID, com US$70 milhões para a macrodrenagem do rio Itaum-Açu, instalação de rede coletora de esgoto no Bairro Vila Nova e a construção do Parque Piraí, também no Vila Nova. O segundo vem do Fonplata, com US$ 40 milhões, para a construção da Ponte Adhemar Garcia/Boa Vista. Aqui a atenção tem que ser redobrada  pois estamos falando de uma área de preservação permanente (APP) com manguezais e que exige um licenciamento ambiental de alto nível, com pessoas capacitadas que visem minimizar os impactos ambientais causados pela obra.

Esses financiamentos dependem da aprovação do Senado e da Câmara de Vereadores e são processos que, embora necessários para o município, são muito complexos.

Muito mais simples, porém desdenhados pelo governo de Joinville, é o Programa de Pagamentos Por Serviços Ambientais (PSA), implantado com sucesso por muitos municípios brasileiros que se preocupam com a preservação de seus mananciais e biomas ameaçados de extinção, como a Mata Atlântica. Gestores que enxergam a importância do PSA  entendem os benefícios que a preservação traz para a cidade e quanto de recursos financeiros serão economizados futuramente. Aqui podemos abrir um parênteses para deixar claro que a instalação da rede coletora de esgoto no Vila Nova não faz parte desse tipo de visão que mencionei. Essa ação é exigência do BID para a liberação do dinheiro.

Os leitores desse blog já sabem que 70% da água consumida em Joinville vem do Rio Cubatão. Observe o curso do rio, utilizando o link do Google Maps, desde Garuva até a captação, na Estrada Dona Francisca, pela Cia. Águas de Joinville.

O novo Código Florestal ((Lei nº 12.651) permite, desde 2012, o desmatamento de APP em propriedades de até 4 módulos fiscais, ou seja, os pequenos produtores. Observando o curso do Rio Cubatão fica evidente o desmatamento para plantio de lavouras, eucalipto, lagoas de peixes, residências, parcelamentos irregulares. Salvo os dois últimos, os demais poderiam ter deixado a mata original ou reflorestado e serem compensados pelo PSA. A conta do prejuízo seria dividida entre todos os munícipes, que usufruiriam de água de qualidade, e não cairia só no colo do produtor. Hoje , quem paga a conta, são os cidadãos joinvillenses que bebem água com inseticidas, herbicidas, adubos químicos, antibióticos e fungicidas. E o rio recebe uma grande quantidade de solo fértil, que provoca assoreamento e a conseqüente diminuição da quantidade de água.

Foi apresentado ao prefeito Udo Döhler, ainda no primeiro mandato, um projeto para saneamento eficiente na área rural, PSA e gerenciamento de resíduos da área rural. Se pensar que o  bem mais precioso de uma cidade, água de qualidade, não é prioridade, não sei o que é gestão. Pior do que o prefeito ou a equipe gestora não se preocuparem com o assunto,  é o silêncio da população, mesmo quando alertada sobre os fatos. O que será preciso acontecer  para que esse assunto se torne pauta nas ruas da cidade, na Câmara de Vereadores, nos meios de comunicação? Pelo andar da carruagem, já é bom irmos pensando em outro financiamento que será usado  para recuperação da bacia do Cubatão. E US$ 70 milhões será troco.

A publicidade tem as suas armadilhas

POR ET BARTHES
Sobre a publicidade e a morte. No Reino Unido,
a rede de fast food McDonald’s lançou um filme em que o personagem principal é
um garoto órfão a falar com a mãe e a tentar saber se era parecido com o pai 
morto. E os dois nada têm em comum. A não ser, claro, o hambúrguer da marca.
O filme não agradou e gerou revolta nas redes
 sociais. Ao ponto de ontem a marca anunciar a retirada da campanha do ar. A
publicidade tem as suas armadilhas.

terça-feira, 16 de maio de 2017

A culpa é da Marisa. A loja, claro...

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
“Se a sua mãe ficar sem presente, a culpa não é da Marisa”. Todos vimos o anúncio das lojas Marisa, publicado no Instagram da empresa, depois do depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Lava Jato. E fica a pergunta. O que passa pela cabeça dos responsáveis pela comunicação da loja? Porque foi um raciocínio bovino.

É certo que os anúncios de oportunidade (quando se aproveita a repercussão de algum fato) exigem rapidez na decisão. E às vezes há precipitações. Mas há coisas que são óbvias. O trocadilho com o nome da loja e da mulher do ex-presidente tinha tudo para dar problemas. Até porque hoje a publicidade é mais do que fazer anúncios. É fazer “brand building” (construção da marca).

O fato é que a marca saiu chamuscada do episódio. Num ambiente de acesa bipolarização política, em troca de uma gracinha a marca alcançou a rejeição de pelo menos metade dos eleitores. E não deve ter conseguido a adesão da outra metade, formada por aquilo que certa jornalista chamou “gente cheirosa” e que, claro, não compra produtos das lojas Marisa.

Então, é preciso fazer o cálculo dos negócios. Quem gostou do anúncio? Os caras do ódio. O problema é que odiadores só sabem odiar e não estão afeitos às “love brands” (categoria do marketing), aquelas marcas que interagem com o consumidor, dialogam e trocam ideias. Ops! Dialogar? Trocar ideias? É tudo o que o pessoal do ódio não quer. Nem comprar nessa loja...

O tiro no coração da marca foi ainda mais arrasador. As mulheres, gostando ou não de Lula e de Dona Marisa, não devem ter gostado. E devem achar que o slogan da empresa, “de mulher para mulher”, é papo furado. Ah... o consumidor esquece, dirão alguns. Não. O consumidor moderno não consome apenas produtos, mas também uma relação com a marca. É o beabá do marketing.

O que as empresas brasileiras devem aprender? Se querem entrar no campo da política, a posição tem que se afirmativa. O consumidor mudou. O mercado mudou. E as marcas têm que mudar, em especial quando assumem posições eticamente pouco recomendáveis. Machismo, racismo, classismo, homofobia, trabalho escravo, entre outros, não são aceitáveis.

Má publicidade? A culpa é da Marisa. A loja, claro.

É a dança da chuva.



segunda-feira, 15 de maio de 2017

Bom dia! Em que podemos atrapalhá-lo?


POR JORDI CASTAN
Há unanimidade que muitas coisas precisam mudar no país. O problema começa quando se trata de definir quais e como. Aí a unanimidade desaparece . A mesma eficiência que o governo utiliza para cobrar as multas de trânsito poderia ser utilizada para enviar o boleto do IPVA para o endereço do proprietário. Mas isso facilitaria muito a vida do contribuinte e faria desnecessário o trabalho dos despachantes. E poderia explicar porque essa proposta nunca avançará em nosso Estado. 

Outra situação que poderia ser facilmente evitada é a necessidade de reconhecer assinatura ou autenticidade de cópias de documentos em cartório. Um gasto e uma perda de tempo desnecessários a que não estão sujeitos cidadãos de muitos países. Um bom exemplo de como resolver essa situação é o que o governo implantou em Equador. A legislação dá aos funcionários públicos o estatudo de “fé pública”. Assim seus atos têm valor legal. É o princípio que permite justamente, a um agente de trânsito, multar. E em caso de confrontada a sua palavra com a dos cidadãos, você ou eu, a declaração do funcionário público tem a autorização legal para poder autenticar um documento e garantir a sua validade, algo que não pode fazer o cidadão comum.

Assim o Equador, para facilitar a vida dos cidadãos, simplificar os processos burocráticos e reduzir custos, faz valer este princípio em favor do contribuinte. Como explica o cartaz (abaixo), presente em todas as repartições públicas do país latino-americano, a lei tem como objetivo não pedir mais cópias autenticadas aos cidadãos. O contribuinte pode apresentar o original e a fotocópia de um documento e o funcionário público. Depois de comprovar que o documento e a fotocopia são idênticos, autentica a copia e  garante a sua autenticidade. Simples, rápido e fácil. O resultado é que os cartórios lá faturam menos, o Judiciário deixa de receber sua parte por selos e carimbos e a sociedade, claro, perde menos tempo e recursos a sustentar uma burocracia ineficiente e gigantesca.

Deu para entender? Simples né? Pois exemplos como estes há dezenas. Exemplos de como a burocracia estatal está mais dedicada a dificultar a vida do cidadão que a facilitá-la. Contribua, compartilhe os seus exemplos e será fácil perceber a situação. No caso de Joinville, poderíamos começar com a gincana que representa querer organizar algum evento na cidade ou querer fazer exercer os seus direitos nessa inutilidade que é a Ouvidoria da Prefeitura, que, seguindo a diretriz do alcaide, ouve mas não escuta.



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Você é um imbecil kkkkkkkkkk

POR LEO VORTIS


As redes sociais são um canal de expressão para aqueles que antes não tinham meios para publicitar as suas ideias (ou a falta delas). Mas nem tudo é perfeito na vida. Quando Santos Dumont inventou o avião, certamente não pensava que a sua criação se tornaria uma arma de guerra. E o mesmo aconteceu com o invento de Mark Zuckerberg.

Já escrevi aqui que as redes sociais – e o Facebook em particular –  acabaram por se tornar um lugar para mentir, caluniar e ofender. Tanto que antes não existia a pergunta: “onde você passava vergonha antes de inventarem o Facebook?”. Nem a expressão “vergonha alheia”. As redes sociais revelaram o lado mais vergonhoso das pessoas.

Uma das mais interessantes criações de terminologia das redes sociais é o “k”. As pessoas usam “kkkk” para demonstrar que estão brincando e rindo. O problema é a falsidade. É uma forma de beliscar a assoprar. Tem gente que escreve o que pensa com a intenção de ofender. Depois usa um “k” para parecer menos podre. Eis um exemplo real.

- “Kkk .. amigo tenho certeza q tudo que vc escreveu serviu certinho p os seus comentarios kkk .. Bonito e ler seus comentarios defendendo bandido etc... Mas respeito sua opniao.. Se meus comentários lhe desagradam problema e todo seu ..me bloqueia logo kk assim evito de ler suas bobagens . vai estudar um pouco .. Vai fazer bem p o seu futuro. ..”.


A transcrição é literal. O tema da discussão é o ex-presidente Lula e o sujeito mais  agressivo é um bolsonarista que vive a falar em Mito 2018. Os “kkk” são uma forma de amenizar os xingamentos. E o mais divertido: o cara comete todos os erros do mundo e ainda manda o outro estudar. É claramente um cretino... kkkkkkkkk.

As redes sociais são uma grande invenção. Pena que haja tantos psicopatas... kkkkk... bullies... kkkk... cretinos... kkkk e machos do teclado (aqueles que se sentem poderosões quando estão atrás do teclado)... kkkk.

Charges que contam a história dos presidentes



















quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lula, Moro e Lava Jato: o perigo mora ao lado

CHARLES HENRIQUE VOOS
Após o circo midiático ocorrido em Curitiba no dia de ontem (9/5), podemos contar as migalhas que restaram. Lula não foi preso, como os eufóricos paneleiros ansiavam, e ele não conseguiu dar uma "lição de democracia" no juiz, como petistas aguardavam. Foi um embate de pesos pesados - de um lado um capital político poderoso e, de outro, um personagem criado como super herói pela grande mídia e redes sociais - que culminou em um perigoso futuro, pois pode dar margem para terceiros se aproveitarem alimentados pelas indefinições ad infinitum que tríplex, delações, empreiteiros e prisões de "operadores estruturais" causam no cenário político.

Nesse jogo histórico de realinhamentos de posturas de nossa democracia, não existem rupturas. O Brasil vai sendo como pode ser, ou aos "trancos e barrancos", como já diria Darcy Ribeiro e traz consigo convergências de perigosas posturas. A independência, a formação da república, o estado novo, as diretas já e os impeachments são provas fieis disto. A "Lava Jato" pode ser a força motriz que novos grupos conservadores precisam para lançar nomes e propostas conservadoras para o país.

Enquanto as esquerdas divergem, e boa parte delas apela para o saudosismo de Lula como solução (Lula nunca conseguiu romper como prometido), a proposta que vai surgindo e ganhando a boca dos principais arquitetos dos realinhamentos é interessante, especialmente para os mais ingênuos e órfãos de novos heróis. Como os petistas "destruíram" o país, os políticos opositores a eles estão tão sujos quanto e a justiça pouco consegue fazer na terra dos milhões de Cunhas, nada melhor que lançar nomes "de bem", de empresários famosos a apresentadores de TV ricos e sucedidos. Pois eles são pessoas que "fazem o Brasil prosperar" e ajudam os mais pobres com empregos, visão e caridade.

Dória nem imaginava o quanto seu nome estaria cotado neste pré-2018 quando foi lançado candidato a prefeito, há alguns anos. Muito menos que conseguiria dar uma arrancada monstruosa que o levasse à vitória na capital paulista. O efeito Trump e o enfadonho Moro contribuíram para que o tucano fosse apresentado como solução. Até Roberto Justus e Luciano Huck surfaram na onda, com maior ênfase para o global. Ele gostou de brincar de eleições, e sabe como poucos que democracia é um quadro cheio de segundas intenções, nos moldes da "tiazinha" e "feiticeira" dos tempos de TV Bandeirantes.

É por isso que o perigo mora ao lado. Não está nos "petralhas" e nem na "república de Curitiba". Está naqueles que sempre encontraram falsas soluções mágicas e fantásticas para o país, sobretudo em momentos de crise e nebulosidade. Enquanto o país se divide por uma fantasia de democracia, os ratos vão tomando os porões dos espaços de decisão do poder, local onde está sentado o seu rei-mor, pronto a se sacrificar pelo bem da ninhada que há séculos domina e impede as autodestrutivas rupturas para sempre se aproveitar do poder.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Aos 199 anos, o velho barbudo continua vivo


POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Na semana passada, se fosse “imorrível” (porque imortal ele é), Karl Marx teria completado 199 anos de idade. Isso significa que no ano que vem vai ter festa das grandes. O fato é que o velho barbudo, tão anatemizado pelos que nunca o leram (e pelos que não entenderam), é um dos maiores pensadores da história. E não sou eu a dizer. É quase um consenso nos meios acadêmicos. E não só...

Um exemplo. Faz alguns anos, a respeitável BBC Radio 4, lá das terras de Sua Majestade, realizou uma votação para escolher o maior pensador de todos os tempos. Quem ganhou? Karl Marx, claro. E com uma goleada sobre o segundo colocado, o filósofo e historiador escocês David Hume (27,93% contra 12,67%). Mais atrás ficaram Wittgenstein, Nietzsche, Platão, Kant, São Tomás de Aquino, Sócrates, Aristóteles e sir Karl Popper (vá de retro).

A coisa até podia passar despercebida se não fosse a Inglaterra o país do liberalismo e da tal terceira via. Não vamos esquecer que o Reino Unido nos deu uma Margareth Thatcher e toda a herança nefasta do neoliberalismo. Portanto, não deixa de ser estranha a escolha de um pensador cujo nome ainda provoca ranger de dentes.

O mito (no sentido barthesiano) está instalado. Para desqualificar um interlocutor, é só dizer que ele é marxista. Porque é sinônimo de atraso, anacronia e fracasso. Quem publica sabe que é preciso medir as palavras ao citar Marx: quando se fala ao homem comum, quando se escreve um artigo de jornal ou mesmo quando se defende uma tese académica. Qualquer discurso que cheire ao tal marxismo é logo amaldiçoado pelos conservadores.

Depois da queda do Muro de Berlim, o neoliberalismo impôs-se como modelo sem alternativa. Modelo único, pensamento único. Todas as teses que estejam em discordância com o liberalismo econômico acabaram banidas do sistema de circulação de ideias. Qualquer pensamento dissonante é considerado datado, inoportuno. É tese sem antítese. Não há comunicação.

Mas o método de análise do velho filósofo ainda tem muita força. É preciso ler a sua obra. O problema é que os sicofantas do establishment não gostam de livros, preferem o conforto das verdades prontas. Marx falou em boa sociedade, mas nunca construiu uma cartilha para ensinar como chegar lá. Aliás, a força do seu pensamento vem justamente de ter empreendido um competente análise do capitalismo. Que ainda hoje serve como referência.

Não curto as auto-referências, mas para terminar o texto de hoje tomo a liberdade de reproduzir um excerto de um texto meu publicado aqui no caderno Anexo, do jornal A Notícia, num distante dia 18 de abril de 1993. Faz muito tempo. Nessa época já muita gente não gostava, mas as pessoas não tinham o hábito de escrever cartas anônimas para os jornais (não era tão fácil quanto escrever barbaridades nas caixas de comentários dos blogs).

Então, lá vai: “Nos tempos de euforia liberal, Marx se transformou em sinônimo de atraso e a simples citação do seu nome podia colocar o indivíduo do lado menos recomendável do muro. Tornou-se impossível falar acerca do pensamento do velho filósofo sem que se esbarrasse em argumentos apriorísticos cuja irracionalidade impedia qualquer discussão. Prevaleceu a histeria burra que dividia o mundo em mocinhos e bandidos (estes os que nutrissem simpatia pelo pensador alemão). Fruto de irrefreável compulsão ao reducionismo, aqui no patropi estigmatiza-se o que se julga entender por marxismo e, frase feita, joga-se tudo na lata de lixo da história. Só que qualquer pessoa com um mínimo contato com esse campo teórico sabe que Marx não se presta às simplificações pretendidas pelo senso comum”.

O pensamento do velho barbudo continua vivo. E válido. E no ano que vem, pelos 200 anos, vai ter festa da boa.

É a dança da chuva.



terça-feira, 9 de maio de 2017

Bairro Costa e Silva é nosso maior monumento à ditadura



POR IZAIAS FREIRE*

Uma hipótese que desenvolvi em recente pesquisa sobre Joinville durante o regime civil-militar instaurado em 1964 foi a de que o momento em que mais se fez sentir a repressão na cidade foi durante o governo Geisel, ao contrário dos grandes centros urbanos do país. E, no entanto, Geisel praticamente caiu no esquecimento. A memória coletiva na cidade tem em Costa e Silva a principal referência acerca das marcas do regime de 1964 em nosso passado recente. Isso talvez aconteça pelo fato de o general-ditador constituir-se no mais visível monumento à ditadura no cotidiano da cidade, afinal, não se trata de um logradouro qualquer, Costa e Silva dá nome a um de seus principais bairros.

Observe os demais monumentos à ditadura em Joinville. Poucos sabem que na galeria dos títulos honoríficos concedidos pelo legislativo da cidade figura o de cidadão honorário de Joinville dado a Médici em 1971. Quais transeuntes já se deram conta da Praça Marechal Castelo Branco no centro da cidade? Estabelecimentos de ensino como as escolas E.E.B. Presidente Médici e E.M. Presidente Castelo Branco continuam como monumentos ao regime de 1964, embora sejam estes mais transitórios: escolas são fechadas o tempo todo e junto com elas vão-se os vestígios desse passado. Quem se lembra do retrato de Geisel no Conselheiro Mafra? Quem ainda se lembra da Escola de 1° Grau 31 de Março no Iririú? São monumentos contingenciais, com o tempo deixam de existir, aos poucos tendem a desaparecer da memória coletiva. Quando a referência é um bairro, por outro lado, o monumento tende a perpetuar-se.

O monumento a Costa e Silva constitui-se, na acepção do pensador alemão Walter Benjamim, um documento à barbárie, cujo processo de transmissão tem passado de um vencedor a outro, configurando-se assim como um poder material e simbólico que tem atuado no reconhecimento público desse vencedor.

O que está em jogo na mudança de nome do bairro Costa e Silva é a identificação ou não com esse monumento. Ou seja, passados os anos, as pessoas na cidade sentem-se representadas pelo ditador que instaurou o AI-5? A população precisa decidir, a despeito de todos os inconvenientes que implicam na mudança de nome de um bairro, se quer continuar a conviver com a referência a um regime que exilava, prendia, torturava e matava seus oponentes. Se aceita manter um monumento ao autoritarismo na constelação de seu patrimônio histórico em tempos de democracia.

É fato que o legado de Costa e Silva deixou marcas para cidadãos joinvilenses: pessoas foram presas, torturadas, censuradas, investigadas, alvos dos temidos serviços de informações como o SNI e o DOPS, outras perderam emprego, entraram para “listas negras” de personas não gratas nas fábricas locais.

Embora a nossa tradição histórica tenha sido a da conciliação, está mais que na hora de abrir esse debate que só cabe a uma cultura política democrática. E não estamos a tratar de algo incomum. Essa tem sido a tendência do movimento da história nas últimas décadas. Quando os regimes autoritários caíram na Europa, seus monumentos tiveram a mesma sorte. Assim foram destruídos os monumentos nazistas, stalinistas e fascistas de um modo geral. O monumento histórico só é legítimo quando não nega as lutas e contradições que o envolveu, quando não visa naturalizar a história do vencedor sobre os vencidos.

*Izaias Freire é Mestre em História, pesquisador da ditadura civil-militar em Joinville e membro do Movimento pra mudar o nome do bairro Costa e Silva.

Um primeiro encontro...

POR ET BARTHES

Porque há casos em que é sempre um primeiro encontro.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

A maior cidade do estado também tem os maiores problemas

POR JORDI CASTAN
Joinville vive dividida entre o seu sonho de ser grande e sua necessidade de ser melhor. Fez a pior escolha e renunciou a ser melhor, para seguir crescendo com a mesma lógica que utilizam as células cancerígenas. O resultado é o título de maior cidade do Estado. Ora, Santa Catarina é o único estado em que a capital não tem a maior população.

Ser a maior só garante que os problemas que Joinville sejam também os maiores. Os indicadores são perversos e mostram o quanto a cidade é penalizada por essa ânsia de crescer. Um crescimento sem planejamento e sem recursos. Podemos acrescentar ainda: sem ideias, sem visão e sem outro modelo que não seja o de continuar crescendo. Há, no imaginário dos dirigentes locais, a ideia consolidada que é possível seguir crescendo indefinidamente.

É um conceito que já tem sido abandonado pela maioria de cidades modernas e avançadas, que entendem que não é possível crescer sem que se estabeleçam parâmetros e indicadores de qualidade para a população. O modelo das cidades grandes é o que se baseia ainda no princípio de economia linear, aquela que precisa de recursos infinitos num mundo finito.
As cidades inteligentes estão orientadas no modelo da economia circular. Cidades pensadas para ser sustentáveis. Para ser mais econômicas e eficientes. Para oferecer mais qualidade de vida aos seus habitantes.

Os pedestres ganham mais espaço e o espaço público é planejado para permitir que haja uma menor necessidade de deslocamentos de um extremo ao outro da cidade. O transporte individual é desestimulado e é cada vez maior o número de cidades que fecham as áreas centrais aos veículos individuais. Nos próximos 10 anos, já haverá cidades que não permitirão o acesso aos carros.


Ainda há tempo para reagir, mas a mudança exigiria um esforço enorme do poder público, que parece aceitar bovinamente a sua incapacidade para fazer e fazer bem feito. Se isso não fosse suficientemente grave, ainda por cima o joinvilense tem desistido de acreditar que outra Joinville é possível. E aceita a inépcia como modelo de gestão e o tamanho como modelo de cidade.

Joinville cresce muito e continua crescendo mal. As obras públicas são mal planejadas e pior executadas. A quantidade de imóveis públicos abandonados ou em péssimo estado de manutenção é a melhor prova do descaso com que é tratada a coisa pública.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Nón faltava dinheirro, faltava xestón. Agorra é um marravilha...

POR BARON VON EHCSZTEIN
Esse pessoal da Chufa Ácida precisa de um surra de cinta. Todo dia tem alguém falando do nossa querrida prefeito. A Xordi Castan põe foto parra disser que a Boulevard Cachoeirra esdá apodrecendo. Depois tem aquela vermelhinha do Raquel Migliorrini, que fica apontando a dedo parra tudo que tem o mão do prefeiturra. Ontem foi aquela moça nova, a Fahya Curry, que teve o despautérrio de juntar a prefeito e fraldas parra idosos na mesmo texto. Nón pode ser assim, suas cretinos.

Freunde, esdou preocupado com a nossa querrida prefeito. Faz tempo que nón vejo ele e tem pessoas jurrando que ele dessaparreceu. Tem até xente imaxinando um coissa mais grave: que todo o administraçón do prefeiturra sumiu. Todo mundo. Porque o citade parece esdar abandonada. Ninguém mais aparrece. Mas deve ser mais um brilhante esdradégia da nossa querrida prefeito. Keine Antwort ist auch eine Antwort. A silêncio também fala. Eu concordo. As xestores xeniais fassem muito e falam pouco.

Tem umas xarropes falando que a nossa querrida prefeito esdá trabalhando no surdina parra ser governador da Estado. Gemein Gerücht ist selten erlogen. O povón diz que as boatos têm uma pouquinho de verdade. Sou contra. A nossa querrida prefeita esdá a fasser o melhor gestón do histórria do citade e tem que ficar aqui. Nón pode? Entón tem que mudar o lei, porque porque nós nón querremos mudar de prefeito. Tem que ficar até 2030, parra terminar a sua marravilhoso projeto futurrista.

Também tem xente dissendo que a nossa querrida prefeito está fazendo máxica e tirrando coelhos do cartola parra pagar os contas do prefeiturra. É mentirra. Nón faltava dinheirro, faltava xestón. Agorra tudo esdá funcionando no perfeiçón no nosso citade. Nón tem mais burraco nos ruas, as transportes são bons, a trânsito circula bem, o saúde funciona bem, as parques dos crianças nón têm mato. É por isso que a nossa querida prefeito deu esse sumidinha. Nach getaner Arbeit ist gut ruhn. Trabalho feito, descanso merrecido.

E fica uma avisso: nón acreditem no que essas cretinos da Chufa Ácida dizem, porque essa gente é meio forra do casinha (e nón pagam a ipeteú). Alle Tassen im Schrank. 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Como está o caráter de Joinville? Por que a saúde vai mal


POR FAHYA KURY CASSINS
Porque em Joinville só se trabalha, não há preocupação com a Cultura, como vimos no último texto. Então, iremos mais longe. Porque só se trabalha também não devemos nos preocupar com a saúde pública, pois os trabalhadores têm plano de saúde. Não é mesmo? Joinville conta com hospitais e clínicas particulares, tudo resolvido. Não.

A situação não só é patética como preocupa num quesito especial. O prefeito é um idoso vulnerável a todas as mazelas que qualquer idoso ou todos nós que chegaremos lá estamos. Porém, o desrespeito com o idoso, em especial, é moralmente vexatório para a cidade. Não nos faltam notícias de como a saúde pública joinvilense é tratada com descaso e arrogância. Não nos faltam exemplos e experiência de como o atendimento e as condições são ruins. Não nos deixamos enganar pelas balelas da campanha eleitoral.

Se falar da Cultura em Joinville é falar para poucos, me digam se falar da saúde pública na cidade também é falar para poucos. Duvido. Para quem tem plano de saúde, sugiro ir visitar os lugares de saúde pública – hospital, PA, posto de saúde. Serei bem objetiva.

Falta fralda. Lembram que o prefeito entrou na Justiça para não ser obrigado a dar fralda para idosos, como determina lei federal? Pois é. Nosso prefeito, idoso, fez isso. E, mesmo perdendo na Justiça, simplesmente não há fralda. Não há fralda nos postos de saúde, nos hospitais. Não há remédios. Imagine você, internado (coisa que ninguém quer, ninguém vai num hospital voluntariamente “só vim aqui passar uns dias”), debilitado, e o pessoal do hospital chega e te diz “não tem o remédio que você/ou seu pai/mãe/filho precisa”. Não tem, simples assim.

Falta camisola para os pacientes. Falta lençol, querido leitor. Os exames e procedimentos não são feitos, porque não há equipamentos e funcionários o suficiente. Vocês leram bem: não há. Você só precisa realizar um procedimento e terá alta, mas passa um mês internado no hospital porque precisa “esperar” - correndo o risco de infecção, desenvolver outras doenças devido ao ambiente hospitalar.

Falta funcionário. E, como sabemos, como em todos os lugares, há ótimos profissionais – outros nem um pouco, que não deveriam em hipótese algum estar ocupando um cargo num hospital. E há a ouvidoria, para onde os próprios médicos pedem que os pacientes e seus familiares recorram porque sabem que há descaso e atrasos inadmissíveis.

As condições precárias se anunciam na estrutura em eterna reforma, sem identificação da localização e caminhos, a toda hora pessoas perdidas pelos cantos. No máximo, com sorte, você encontrará um sulfite tentando dizer onde são as coisas por lá. Corredores que não dão em lugar algum, puxadinhos com placas de ilustres ex-prefeitos, tapumes por todos os lados. 
Um salão de improviso há anos que serve de “internação”, ali na entrada da ortopedia. A sala de emergência cheia de macas onde os pacientes, às vezes, permanecem por horas e horas.

Os funcionários até deixaram recadinho...

É assim que o joinvilense é tratado. E diante das necessidades da vida, todos somos iguais. Diante da doença, não importa e não faz diferença se você tem pós-doc ou é analfabeto, se trabalha no chão de fábrica ou num escritório de advocacia. É pelo valor que dá à vida e à dignidade humanas que podemos melhor avaliar o caráter de uma pessoa. Se Joinville fosse uma pessoa, como avaliaríamos o caráter dela?

Isso é placa?

Um depósito de materiais enorme e corredores que não dão acesso

Salas vazias. Espaço sobrando?
(Obs.: texto baseado na própria experiência)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Entre o "não fazer" e o "fazer perfeito" está uma cidade abandonada


POR RAQUEL MIGLIORINI
A Secretaria de Administração da Prefeitura de Joinville é um caso a ser estudado por uma equipe multidisciplinar. O prefeito do vilarejo germânico se orgulha de nunca ter sido envolvido em escândalos e atribui ao "bom funcionamento" da secretaria em questão.

Muito bem. Ao abrir o Jornal A Notícia no dia 02/05, me deparo com a manchete “Abrigo Animal está ameaçado por falta de álvará de localização e pode não renovar convênio” ao lado da foto de dois lindos cãezinhos de lá. O convênio entre a prefeitura e o Abrigo ocorre desde 2006.

Em 2013, na primeira gestão de Udo Döhler, todos os convênios foram refeitos porque a secretaria disse que tudo o que havia sido feito até então estava errado e os novos funcionários, e somente eles, sabiam como fazer certo. Fico imaginando os demais servidores da pasta, como não se sentiram. Acontece que nem em 2013 , e nem nunca, o Abrigo Animal teve alvará de localização, simplesmente porque está em área irregular. O convênio é renovado anualmente e foram necessários 4 anos para que pessoas tão competentes percebessem isso? E o que farão com centenas de cães e gatos, caso resolvam levar à termo a decisão da não-renovação? A atual gestão se interessa em manter esse convênio? A questão não é somente burocrática e tem que ser resolvida. 

Numa outra situação, podemos questionar porque o elevador do Mirante, com menos de dois anos de uso, está quebrado e assim permanece. Uma secretaria competente teria feito a licitação para a manutenção do equipamento antes da inauguração, como foi solicitado. Mas, por excesso de zelo, vamos chamar assim, com os termos de referência apresentados, esse processo não aconteceu. Não somos tão bons gestores como o prefeito e mesmo assim sabemos que um aparelho parado e sem manutenção se deteriora muito mais rápido. E lá se vai nosso dinheirinho...

Nessa mesma linha temos a manutenção do Parque Morro do Finder, já mostrado aqui. O investimento feito para a revitalização da Unidade de Conservação do Bairro Bom Retiro/Iririú foi perdido pelo total abandono do local. O mirante do Finder está em processo de licitação desde 2014. Essa eficiência é demorada mesmo.

O texto do Jordi Castan, publicado no dia 1º de Maio, aqui no blog, mostra outros lugares sem manutenção e abandonados. Nem o centro da cidade escapa da deterioração. Estamos entregues a uma administração que não se envolve em escândalos não pela lisura dos processos, mas simplesmente por não fazer a máquina andar.

Tudo isso me fez lembrar da imagem dos lápis e da analogia que ela traz para essa administração: você pode ser um lápis bem bonito e bem apontado, e parecer melhor perto dos lápis gastos e sem ponta. Só vale lembrar que o lápis bonito nunca foi usado, ou nunca colocou a mão na massa.
 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Governo precisa de marido e Temer sabe fazer ovos mexidos

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Imagine que você acordou hoje numa onda de masoquismo e deseja se autoinfligir algum sofrimento. Então recomendo uma olhada na entrevista – vamos chamar assim – de Michel Temer ao apresentador Ratinho, do SBT. Porque são 30 minutos de fazer sangrar os ouvidos: um entrevistador que não sabe entrevistar, um entrevistado tão entusiasmante quanto uma fratura exposta.

É difícil chamar Ratinho (Mouse, como escreveu Simon Romero, do “NY Times”) de entrevistador. O cara está ali no papel de levantador. Como um jogador de vôlei, limita-se a levantar a bola para Michel Temer bater. Mas Temer não bate... ou bate mal. É o retrato do atual governo: impopular, mas propenso a piorar as coisas. Ao fazer de Ratinho o seu garoto propaganda, acrescenta o toque cafona que faltava.

Não admira, portanto, que o ponto alto da entrevista tenha sido mais uma escorregadela de Temer no tema do marido e da  mulher. Ratinho levantou a bola: “Uma dona de casa, ela não pode gastar se o marido dela ganha R$ 5 mil, ela não pode gastar mais que cinco, senão ela vai quebrar o marido”. E Temer responde, de bate-pronto: “Governos precisam passar a ter marido porque daí não vai quebrar”. Dois “machos” numa conversa de café.

O atual presidente parece mesmo obcecado com a relação marido e mulher na gestão do orçamento familiar. O macho provedor, a fêmea do lar. E fala como se o governo fosse a extensão dessa sua concepção moralista. Mas quando fala em “marido”, no que estaria ele a pensar? Sou capaz de apostar que pensa na imposição da austeridade e da desregulamentação. Ops! Mas é exatamente a receita neoliberal do FMI.

Será que o namoro está a recomeçar? Parece que sim. Os responsáveis pelo fundo monetário receberam com sorrisos a promessa de mudanças estruturais, como a reforma da Previdência, afirmando que assim o Brasil sai da recessão e volta a crescer lá pelo ano 2020. Só tem um probleminha: é que o FMI mente muito para as “esposas”. Primeiro diz que a austeridade é legal para arrumar a casa, depois diz que aumenta a desigualdade.

O que fica da tal entrevista? Fora essa escorregadela, o resto é uma enorme chatice. A não ser que alguém ache importante saber que lá em casa Michel Temer sabe fazer ovos mexidos. Parece que as suas qualidades de “chef” são diretamente proporcionais às qualidades como presidente. Ah... e também há quem se divirta com a falta de intimidade do entrevistador com a língua portuguesa. Fora isso, só o tédio.

É a dança da chuva.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Vamos trabalhar?

POR JORDI CASTAN
Não passa dia sem que a assessoria da Prefeitura se gabe do horário em que o prefeito começa o seu expediente na Prefeitura. Não esta claro qual o motivo de dormir tão pouco, nem se esta falta de sono é resultado da idade ou se a insônia é por causa de ver a cidade parada e regredindo. A segunda alternativa implicaria um mínimo de responsabilidade e de preocupação e, principalmente, evidenciaria que o prefeito teria consciência do desastrado da sua gestão. Aqueles que o conhecem melhor insistem em que está convencido que a sua gestão é perfeita e não haveria quem a pudesse melhorar. Mas esta perda de contato com a realidade, em psicologia tem um nome bem definido.

Para facilitar a vida do prefeito e ajudar a melhorar a cidade, tomei a iniciativa de fotografar uma parte de Joinville, a obra que na gestão do prefeito Tebaldi se chamou pomposamente de Boulevard Cachoeira. Menos de 15 anos depois, o Boulevard está abandonado, sem manutenção e a péssima qualidade da obra feita está sendo corroída pela ferrugem e pela inépcia das gestões municipais que a sucederam.







Como o prefeito parece não enxergar nem o que tem na frente do seu escritório, estamos dando a nossa contribuição e mostrando o que precisa ser feito. Olhando para estas imagens é mais fácil entender por que a cidade está como está. Se nem o que esta na frente da própria Prefeitura é arrumado e mantido, aquilo que esteja mais longe não deve nem existir aos olhos desta "des-gestão".








De brinde acrescentamos as imagens na frente a Câmara de Vereadores, para mostrar que no quesito inépcia é uma constante na gestão de Joinville, nenhuma moção de nenhum vereador solicitando que seja recuperada a calçada frente a sede do legislativo. Tampouco nenhuma moção e muito menos denuncia para alertar para o risco que correm os pedestres que se atrevam a circular pelas margens do Cachoeira.