segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Cercar o jardim do MAJ é a solução?


POR JORDI CASTAN
Há um movimento a favor de fechar, com grade, o jardim do MAJ - Museu de Arte de Joinville. Um grupo de vizinhos do museu tem se manifestado abertamente contrário à forma como o jardim está sendo usado por grupos de jovens. Há, inclusive, acusações fortes de uso e comercialização de drogas e de consumo de bebidas alcoólicas. A única proposta apresentada até agora é a de fechar o jardim com uma grade. Em outras palavras, empurrar o problema para outro lado. Ou seja, esconder o problema em baixo do tapete.

O mau uso dos espaços públicos é um problema mais complexo e mais profundo do que poderia parecer à primeira vista. A coisa vai além, muito além da gestão destes espaços, da sua manutenção ou do seu fechamento. Espaços públicos são um problema de educação, de segurança, de cultura, de saúde pública e, principalmente, de gestão. Problemas complexos não se resolvem de forma simplória. Exigem uma abordagem multidisciplinar e o diagnóstico correto. Só assim será possível identificar corretamente o problema central e poder avaliar as causas e os efeitos.

A proposta de gradear, colocar concertinas e câmaras de monitoramento, como a forma de resolver os problemas de segurança, mostra uma superficialidade estulta dos que a defendem. Na verdade, os problemas quando não se resolvem ou pioram ou mudam de lugar. Se não houver uma ação articulada, estruturada e bem planejada para a resolução, o problema do MAJ se transferirá para outras áreas próximas, como o Parque das Aguas, o Cemitério do Imigrante ou para a Rua das Palmeiras, para citar outras áreas centrais que poderiam ser ocupadas.

Não é possível aplicar em toda Joinville a lógica que o cidadão individual aplica na sua residência. Não há como gradear todos os espaços públicos, porque os espaços públicos devem ser geridos de forma democrática. E, claro, devem estar abertos a todos. Esta é a obrigação e responsabilidade do poder público. O desafio é olhar o problema de forma global, fugir das soluções fáceis, resultado de análises superficiais. E para isso é preciso enxergar toda a cidade de forma holística, envolvendo a todos e não só construir grades que nada resolvem. 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Maledetto Rossi!!!!!!!

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Dizem que todo ser humano tem direito ao perdão. Todos, menos o Paolo Rossi. Para mim ele merecia ser julgado – e condenado – pelo crime de lesa-beleza do futebol. E vou mais longe. A punição devia ser uma tortura inspirada nestes novos tempos: o cara fechado num quarto escuro onde, a cada 30 segundos, era forçado a ouvir um coro de vuvuzelas.

O leitor que gosta do futebol bonito sabe do que estou a falar. Tudo aconteceu no dia 5 de Julho de 1982, no Estádio de Sarriá, num verão de Barcelona. A seleção brasileira, dirigida por Telê Santana, era a sensação da Copa do Mundo. E tinha uma qualidade rara. Além de ganhar os jogos de forma irretocável, ainda dava autênticos recitais de futebol.

O time brasileiro jogava por música (a gente nem ligava se o Serginho Chulapa e o Valdir Peres destoavam). E de forma tão afinada que mesmo os torcedores dos outros países pensavam que o campeão já estava encontrado. Quando, naquele dia quente, as equipes do Brasil e da Itália entraram em campo, ninguém tinha dúvidas de que seria apenas para cumprir tabela. Os italianos, mal das pernas, não eram páreo para aquele timaço.

E eis que surge esse Paolo Rossi para rasgar o script. O cara fez três gols e a Itália venceu por 3 a 2. Deve ter sido um dos dias mais tristes que eu vi no Brasil. Quem viveu o momento sabe como doeu. Não por acaso, no jogo seguinte da Itália, apareceu na torcida italiana uma faixa a dizer algo assim: “Rapazes, vocês destruíram um mito”.

Tenho uma memória firme desse dia porque fazia dois meses que era repórter de A Notícia (ainda estudante de engenharia) e lembro que a redação parecia um sepulcro. Havia muitos marmanjos, jornalistas com longa experiência, com os olhos vermelhos e marejados. E ninguém com disposição para trabalhar. Então, coube a mim fazer a “repercussão” da derrota nas ruas de Joinville. Mas, como diz a música, naquele dia “a cidade apavorada, se quedou paralisada”.

Maledetto Rossi.

Professor, um herói desprezado pela sociedade

POR DOMINGOS MIRANDA
O poeta e dramaturgo alemão Brecht, escreveu em sua peça Galileu Galilei: “Pobre do povo que precisa de herói”. E, no início de outubro, mês das crianças e dos professores, morreu heroicamente, na cidade mineira de Janaúba, a professora Helley Abreu Batista, de 43 anos. Ela lecionava numa creche municipal e lutou bravamente com o vigia que colocou fogo em uma sala de aula lotada de crianças. Mesmo com o corpo em chamas, a professora se esforçou para tirar as vítimas do meio do incêndio. Helley teve 90% do corpo queimado e dez horas depois morreu no hospital. Era casada e deixou três filhos: de um, 11 e 13 anos.

Como sempre acontece nestas horas, a tragédia fez com que as autoridades enaltecessem, com razão, aquela professora reconhecida por suas qualidades profissionais e com uma coragem e solidariedade inimagináveis. Mas, neste país onde o que mais se destaca é o farisaísmo e a hipocrisia, há muito discurso e poucas medidas práticas. Basta ver que o piso nacional dos professores, em torno de R$ 2 mil, não é respeitado na maioria dos Estados. Por outro lado, juízes e procuradores formam uma casta de marajás que recebem até R$ 100 mil por mês, muito acima do piso constitucional. Utilizam os célebres penduricalhos para burlar a lei.

A sociedade, em grande parte formada por zumbis que não sabem fazer respeitar a cidadania, permite que tais aberrações continuem existindo como se não houvesse nada de anormal. Os mesmos governantes que alegam não ter recursos para pagar o piso dos professores, se calam diante dos salários estratosféricos dos juízes. O presidente Temer, no ano passado, sancionou um reajuste de 57% para o judiciário, uma categoria com os melhores salários do país. Quando há vontade política a coisa muda de figura. O Maranhão, um dos Estados mais pobres do Brasil e administrado por um governador comunista, decidiu pagar os melhores salários para os professores da rede estadual de ensino, com piso de R$ 5 mil.

Em outros países os professores são respeitados e valorizados, mas aqui, seguindo uma tradição histórica de nunca dar destaque à educação, eles são tratados como profissionais de segunda classe. Os mestres são desrespeitados pelo governo, pelos pais e pelos alunos. Inúmeras vezes os estudantes agridem os mestres e fica tudo por isso mesmo, em um silêncio vergonhoso do restante da população.

O médico e escritor Augusto Cury botou o dedo nesta ferida. Escreveu: “Os professores são heróis anônimos, fazem um trabalho clandestino. Eles semeiam onde ninguém vê, nos bastidores da mente. Aqueles que colhem os frutos dessas sementes raramente se lembram da sua origem, do labor dos que as plantaram. Ser um mestre é exercer um dos mais dignos papéis intelectuais da sociedade, embora um dos menos reconhecidos. Os alunos que não conseguem avaliar a importância dos seus mestres na construção da inteligência nunca conseguirão ser mestres na sinuosa arte de viver”.

Se a sociedade quer valorizar os professores, cobre dos seus governantes mais respeito a estes profissionais e exijam salários dignos para eles. Este será o primeiro passo para sairmos da indigência moral em que nos encontramos. Palavras duras, mas necessárias.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Ração


O caminho de pedras do litoral catarinense (parte 2)


POR FAHYA KURY CASSINS
Volto ao tema das praias “enrocadas” porque é assunto dos mais graves e ainda mais grave é o silêncio que o ronda. Como se Santa Catarina não dependesse do Turismo do litoral, como se não houvesse, ainda, um descalabro sobre as construções “à beira-mar” (aquelas sobre as dunas, restingas, costões) licenciadas de qualquer jeito ou nem isso, como se não precisássemos com urgência da conscientização dos cidadãos (seja o juiz com sua mansão ou o farofeiro) e das autoridades competentes.

Temos inúmeros exemplos. Em nome de “preservar” imóveis que foram construídos em áreas vulneráveis ou de preservação (e que usam o argumento “mas existe aqui há décadas”) as prefeituras e, em alguns casos, os donos dos imóveis decidem arbitrariamente jogar pedras nas praias. O “enrocamento” é feito até para “preservar” tubulações e postes de iluminação pública, assim como ruas. Os casos não são de hoje, como exemplo emblemático há a praia da Armação, na Capital, que passou por isso em 2010* – e este ano volta a ser um grave problema com as mesmas pobres “soluções”.

É da mesma forma que inventam molhes de qualquer jeito, para “preservar” as praias e, sem estudo nem debate nem planejamento, chegam os caminhões com enormes pedras. Para “conter” o avanço do mar, sem perceber que, também, são eles causadores desses problemas. Na Armação do Pântano do Sul havia um feixe de pedras natural entre o final sul da praia e o rio que a separa da praia do Matadeiro, através do qual era possível alcançar a Ponta da Campana na maré baixa. Não sei quem teve a brilhante ideia de construir ali um deck sobre mais pedras, o que impediu o acesso natural da água do rio com a água do mar. E foi a partir disso que os problemas na região começaram. Tudo para evitar que as pessoas molhassem o pé na travessia, ou dependessem do horário da maré.

Ano retrasado a prefeitura de Barra Velha começou a “construir” um molhe na barra do rio Itajuba. Vieram caminhões e caminhões de pedras. Dirão as más-línguas (aquelas que jamais aceitarão que são incompetentes) que não teve absolutamente nada a ver com a destruição que houve na praia do Grant, ao lado, nem com o assoreamento do rio Itajuba, nem com os últimos acontecimentos na praia contígua ao rio, das Pedras Brancas e Negras. O tal molhe é um acinte aos olhos e à paisagem, sendo muito questionado pela população e por engenheiros e demais profissionais.

Enquanto isso Balneário Camboriú apresentou proposta e projeto de alargar a faixa de areia, mesmo não tendo sido atingida gravemente pelas ressacas, apenas com ambições turísticas. Neste caso, temos o exemplo de Piçarras, depois de sucessivas ressacas na década de 1990, a cidade ficou totalmente sem faixa de areia na região central. Foi feito o alargamento da faixa de areia numa obra monumental, a cidade se reergueu, mas dez anos (o prazo de garantia da obra) depois lá estava a praia sofrendo novamente. Foi então que construíram os tais molhes (de pedras) para tentar “conter” o mar, para que ele não levasse embora a areia que fora trazida com tanto custo.

Ao mesmo tempo, vemos o surgimento de “home clubs pé na areia” em todas essas praias, com liberações duvidosas, licenciamentos alterados e promessas de “emprego e desenvolvimento”. Alguns estão mais para “home rocks” ou “home BR”. São conjuntos habitacionais que visam, principalmente, o investimento em apartamentos em condomínios com piscina, perto da praia, com incontáveis andares – e piscinas, é claro. Eu me pergunto se pouco importa que não exista, de fato, mais praia em frente a esses espigões. Pois, a julgar pelos de Piçarras, de Barra Velha e de outras praias, não haverá.

Fico admirada que no Estado não exista esta preocupação, que os profissionais competentes não sejam ouvidos, nem o Ministério Público tome atitude. Nem numa cidade como Joinville, onde uma boa parcela da cidade se desloca com frequência para o litoral que, felizmente, é tão próximo. Reclamam de estrada que não é duplicada, mas os problemas são muito piores nas praias.


* Dois links interessantes para acompanhar, visualmente inclusive, o que ocorreu na Praia da Armação do Pântano do Sul, em Florianópolis. Reparem nas informações, de promessas políticas, preocupações ambientais e certezas populares:
Armação 1
Armação 2

E informações importantes:
Considerações sobre obras de proteção

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Temer, o escravo de 594 almas

POR CHARLES HENRIQUE VOOS
Com a infeliz declaração de que "só temos a comemorar", o atual Ministro da Agricultura e empresário do setor de agrotóxicos, Blairo Maggi, explicou o sentimento do governo federal sobre as novas regras que definem a fiscalização do trabalho escravo no Brasil. Mesmo que a Secretária Nacional de Cidadania, Flávia Piovesan, diga que é um "retrocesso inaceitável", não há como negar que o Brasil acabou por regularizar o trabalho escravo. As novas burocracias impostas, e comemoradas pelos grandes empresários urbanos e agrários, praticamente impedem qualquer investigação isenta ou denúncias frutíferas. Trabalhadores nacionais e estrangeiros, do campo e da cidade, especialmente pobres e crianças (crianças!), são os mais atingidos. Estamos pagando um preço quase inimaginável para o sustento de Temer no poder.

O nosso país ainda mantém muitas heranças do período colonial, e a escravidão é uma delas. Os negros possuem um passivo social gigantesco por causa disso, apesar de grande parcela da população negar e ainda acreditar no falso discurso da meritocracia. Ainda sustentamos nossos privilégios nesta lógica de séculos atrás. Por outro lado, os dados sobre trabalho mostram algo que pouco enxergamos: nos últimos dez anos, mais de 1.500 pessoas foram libertadas de condições assim, por todo o Brasil, em média. Para piorar, agora está tudo muito bem regulamentado, mesmo que o governo fale em "novas regras para a fiscalização".



Ocorre que a deturpação de direitos sociais pelo atual governo está virando rotina, especialmente como moeda de troca para o chefe do executivo se livrar de acusações contra o seu nome. Para se livrar do primeiro pedido de Impeachment, patrocinou o Congresso com emendas e medidas provisórias que beneficiaram os representantes setores do agronegócio, das igrejas e outros setores conservadores. Não por acaso, visto que a bancada desses ramos tem uma grande relevância na composição do Congresso. A regularização do trabalho escravo, lembremos, é uma estratégia para compor com a segunda acusação, a qual já tramita pela Câmara.

Sendo assim, temos um presidente que é o verdadeiro escravo, mas de 513 deputados e 81 senadores. Para se manter no poder, atende a todos os interesses de seus donos, nem que, para isso, tenha que cortar os nossos direitos. É uma luta desenfreada para realinhar conservadoramente o país. E ainda faltam a Previdência, bem como outras surpresas desagradáveis que logo virão. Com Supremo, com tudo.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

O que fazer com o golpe?


POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Um olhar mais curto permite dizer que o golpe foi um sucesso. Afinal, o objetivo foi alcançado: derrubar Dilma Rousseff e levar os golpistas ao poder. Mas parece que não foi suficiente. Se é fácil tomar o poder, mais difícil é mantê-lo. E é aí que o sol queima o vampiro. Porque vai ficando evidente para os brasileiros, cada vez mais, que o golpe tinha o objetivo de proteger os corruptos. E não o contrário, como foi o discurso da época.

Em pouco mais de um ano, a ideia de que “não foi golpe” caiu de podre. Os “negacionistas” são cada vez mais raros e resumem-se aos amblíopes políticos. Diz a frase surrada que contra os fatos não há argumentos. E os fatos confirmam, no dia a dia, o que qualquer pessoa com dois dedos de testa já sabia e que, aliás, havia sido antecipado na frase do senador Romero Jucá: “tem que mudar o governo para estancar essa sangria”.

Os fatos vêm em catadupa. O mais recente foi protagonizado pelo operador financeiro Lúcio Funaro, que entregou Eduardo Cunha. Segundo a delação premiada, o ex-deputado teria recebido uma verba de R$ 1 milhão para comprar votos pela destituição de Dilma Rousseff. Alguém duvida? A patranha é tão evidente que que os advogados da ex-presidente já anunciaram o pedido de nulidade do processo de impeachment. Deve dar em nada, claro.

O golpe está a está a se esboroar e o atual Executivo é um bom retrato disso. O presidente está refém do próprio golpismo e dos fatos que isso acarreta: enfrenta a falta de credibilidade, é incapaz de convencer da sua legitimidade e, acossado por sérias denúncias de corrupção, tenta negociar a própria sobrevivência. Parece uma comédia, mas na realidade o país vive uma tragédia: o entreguismo tem sido uma marca destes tempos.

O Congresso Nacional, formado em sua maioria por corruptos dispostos a tudo, inclusive salvar o couro de Michel Temer, demonstra não ter escrúpulos. Mas tudo tem um preço, claro. Nem é preciso ir longe. Lembram das denúncias de corrupção no caso das propinas pagas pela JBS? Diz a imprensa que a operação “salva Temer” exigiu cerca de R$ 17 bilhões, em emendas e perdões de dívidas. Dinheiro do bolso de quem?

E por fim temos o Judiciário no fundo do poço. O poder de onde deviam emanar as garantias do estado de direito tornou-se um sorvedouro de dinheiro, um mundo à parte que flutua acima dos cidadãos comuns. O STF, por exemplo, é formado por deuses num Olimpo próprio. Não por acaso perdeu o respeito da população. E o pior: não consegue se livrar do estigma de estar superpolitizado (superpartidarizado, mesmo).

Mas há quem ainda espere pela estocada final: tirar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do caminho das eleições em 2018. Essa seria a segunda parte do golpe: evitar Lula e acabar com o PT. E mesmo que isso viesse a acontecer, ainda assim o golpe seria um fracasso. Porque os golpistas não conseguiram se tornar alternativa para ocupar esse vazio. Foram com muita sede à jugular da nação e com isso fecharam a tampa do próprio caixão.

Enfim, o que o golpe conseguiu foi transformar o país numa imensa distopia. Pobre Brasil.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Hackathon. Ou como a montanha vai parir um rato

POR JORDI CASTAN
A Secretaria de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Sustentável promoveu o encontro "Hackathon Desenhos Urbanos Colaborativos - Desafio Join.Valle". Foi um momento para mostrar ideias criativas que permitam tornar a região central de Joinville mais interessante e humana. Os resultados devem ser apresentados ao prefeito Udo Döhler, em novembro.

O que parecia algo promissor, deu poucos frutos. Não há como não se decepcionar com as propostas apresentadas para revitalizar o centro da cidade. Falta ousadia, criatividade e coragem. Nenhuma das propostas é capaz de olhar para além da mesmice e da mediocridade instaladas no espírito desta Joinville que já foi e não é mais.

Gostaria de discorrer aqui sobre esse lindo exercício de diletantismo, de resultado mais que duvidoso. Propor ideias sem compromisso com a sua execução, sem envolver os atores e sem outro objetivo que discorrer sobre utopias desvinculadas de uma análise metodológica ou de um diagnóstico detalhado é pura perda de tempo.

As propostas divulgadas não passam de uma repetição dos belos projetos policromos e fantasiosos que têm sido apresentados ao longo dos anos. E que nunca tem saído do papel. Aliás, quando eventualmente são implantados se tornam uma caricatura do que tinha sido projetado. Há muitos casos que ajudam a comprovar este fato.

Os parques do Fonplata ou as obras do Rio Morro Alto são dois exemplos. A duplicação da avenida Santos Dumont e as obras de contenção das cheias do Ribeirão Mathias são exemplos mais recentes aos quais poderíamos acrescentar muitos outros, como as intermináveis obras das Ruas São Paulo ou Piratuba.

O estado de abandono de Joinville - e especialmente do centro - é não é o resultado das decisões equivocadas tomadas no passado. Pelo contrário, é mais  resultado das decisões não tomadas ao longo do tempo. Pagamos um preço cada vez mais alto pela inação, pela falta de ação que nesta gestão esta vivendo o seu ápice. A mediocridade é contagiosa. 

Vivemos numa época denominada VICA. Uma época que se caracteriza pela volatilidade de conceitos e valores, pela incerteza e pela complexidade. Uma época em que não há espaço para gestores com uma visão simplória, um tempo em que predomina a ambiguidade. Não ha espaço neste tempo para lideres autoritários, lineares, que se aferram a certezas e ainda acreditam que a terra seja plana.

A incapacidade de pensar a cidade de maneira consistente é a raiz dos males que assolam a Joinville destes tempos. Não espanta, portanto, que isso se reflita em eventos como o Hackathon. É um caso para lembrar o velho adágio: "a montanha vai parir um rato".

Quem tiver interesse em conhecer algumas propostas, clique (aqui) para ler no AN.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Jogar com a camisa 13. Dá sorte ou azar?

POR MARCO CASAGRANDE
Jogador de futebol é supersticioso? Uns dizem que sim, outros que não? Mas o que dizer de uns caras que, sempre que entram em campo, fazem questão de usar o pé direito? Vestir a camisa número 13, então, é motivo de desconfiança. Nos países mais assustadiços com as coisas do outro mundo, os jogadores evitam. Em outras culturas mais racionais, nem tanto.

No Brasil, tem muita gente jurando que o 13 dá azar. Mas também houve quem invertesse essa lógica para dizer que o número dá sorte. Ninguém melhor que Mário Jorge Lobo Zagallo, o ex-jogador e treinador da seleção brasileira, para afirmar que não há azar. Afinal, como jogador ele foi campeão mundial em 1958 e 1962, vestindo a camisa 13.

E temos Pelé. O maior craque brasileiro de todos os tempos tornou a camisa 10 um símbolo. Tanto que durante muito tempo o número era reservado aos craques de qualquer time. O que poucos sabem é que quando estreou pela seleção nacional, em 1957 (um ano antes de ser campeão mundial), Pelé tinha o número 13 às costas. Seria um amuleto?

Aliás, o “rei” Pelé tinha uma admiração especial pelo craque português Eusébio, que sempre considerou um dos maiores jogadores de todos os tempos. O “Pantera Negra”, como era conhecido o moçambicano de nacionalidade portuguesa, foi dono da camisa 10 no seu clube, o Benfica, mas na seleção imortalizou a camisa número 13.

Uma história parecida é a do argentino Mario Kempes. O atacante começou a jogar pela seleção do país vizinho com o número 13. Mas em 1978, quando os argentinos conquistaram a primeira Copa do Mundo, Kempes já usava a mítica camisa 10 alviceleste, a mesma que tempos depois viria a ser de Maradona e Messi.

A lista de jogadores que fizeram sucesso com a camisa 13 é extensa. Entre os casos mais recentes está o brasileiro Maicon, que brilhou na Internazionale de Milão. E o número 13 não é estranho a Daniel Alves, seu contemporâneo de seleção. Outro é o craque alemão Michael Ballack, que usou a camisa nos clubes e na seleção da Alemanha.

E para terminar, uma curiosidade. Na Espanha o número parece ser destinado aos goleiros. É só conferir: Bravo (Barcelona), Oblak (Atlético de Madrid), Keylor Navas (Real Madrid). Podemos lembrar o goleirão Courtois, do Chelsea e da seleção belga, que jogou no Atlético. Outro é o português Beto, que jogou no Sevilha e hoje está na Turquia.

Sorte ou azar? É para quem quiser acreditar.

Pelé, Kempes, Zagallo e Eusébio: todos têm uma história com a camisa 13







Marco Casagrande é estudante de geologia em Rio Claro,
torce pelo São Paulo e é a favor
de entrar com o pé direito em campo.


A mídia ajudou no linchamento público de Cancellier

POR DOMINGOS MIRANDA
A morte do reitor Luiz Carlos Cancellier, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no dia 2 de outubro, causou repercussão em toda a sociedade e por isso merece um novo comentário. A imprensa, que teve papel de destaque no linchamento público, sente-se incomodada e começa a fazer uma autocrítica. Como é de conhecimento geral, Cancellier foi levado preso pelos policiais federais, despido, invadido em suas partes íntimas e algemado nos pés e mãos numa cela junto com presos comuns. Ele não era acusado, nem sentenciado, mas apenas investigado por um suposto desvio de dinheiro na UFSC na gestão passada. Mas a mídia vendeu a notícia repassada pela polícia e destruiu a reputação do reitor, adquirida ao longo de quatro décadas.

No dia 8 de outubro a Folha de S. Paulo publicou artigo da ombudsman Paula Cesarino Costa, sob o título “Jornalismo de ouvidos moucos”, criticando a cobertura da prisão e morte  de Cancellier. São suas palavras: “Em uma versão eletrônica, a reportagem de setembro tem hoje um sinal de Erramos, produzido 23 dias depois de sua publicação: ‘A reportagem deixou de informar que o reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, era investigado por suspeita de interferir na apuração sobre o desvio de recursos na universidade, e não pelo desvio em si’. A admissão do erro foi direto, mas insuficiente e demorada”.

A ombudsman revela que o jornal não tem correspondente em Florianópolis e por isso que as informações da primeira reportagem foram apuradas por telefone e e-mail da polícia. E ressalta: “O que interessa é refletir sobre a maneira como a mídia tem lidado com operações policiais que buscam holofotes em investigações ainda em andamento. (...) Em alguns momentos, é preciso ter coragem para publicar. Em outros, a ousadia de não publicar”.

No mesmo dia e no mesmo jornal, o experiente jornalista Elio Gaspari, autor de cinco livros sobre a ditadura militar, abordava em sua coluna dominical o caso Cancellier, com pesadas críticas. “Nos dias de hoje, proibir um reitor afastado de pisar na universidade serve apenas para humilhá-lo. Vale lembrar que a ditadura nunca proibiu os professores que cassou de entrar nas escolas.” Dias depois veio à tona mais uma arbitrariedade: a justiça proibiu, por quatro vezes, o reitor de receber ajuda espiritual. Gaspari termina seu artigo dizendo: “O reitor Cancellier tornou-se um desencanto para o Brasil da Lava Jato”.

Outro ícone do jornalismo, Kennedy Alencar, comentou em seu programa da CBN: “Esses funcionários públicos têm poder demais para usá-lo sem questionamento da sociedade. Não gostam de controle externo, algo necessário numa democracia. A imprensa, que tem o dever de ser crítica do poder, de fiscalizar os políticos, precisa ter a mesma atitude em relação a policiais, promotores e juízes. O jornalismo não pode ser correia de transmissão da polícia nem do Ministério Público. Tampouco do Judiciário”.

O direito à dignidade foi uma conquista da democracia. Autoridades não podem agir ao seu próprio arbítrio, desrespeitando normas, quando fazem suas investigações. Com a Lava Jato, por causa de uma popularidade adquirida e que começa a declinar, muitos juízes, procuradores e delegados começaram a atuar como verdadeiros déspotas, sem prestar contas a ninguém. A nota que as associações de servidores públicos que atuaram neste caso deram à sociedade foi um escárnio à população.

Diante de tantos abusos, há urgência na aprovação do  Projeto de Lei 7596/17, que tramita na Câmara desde 10 de maio e já foi aprovado pelo Senado e que define os crimes de abuso de autoridade cometidos por juízes e procuradores. O senador Roberto Requião batizou a lei que deverá entrar em vigor de Luiz Carlos Cancellier. Em discurso, Requião falou: “Deus meu, que a morte do reitor Cancellier seja o freio das arbitrariedades e do excesso das corporações que agem à margem da lei. Amém!”.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O caminho de pedras do litoral catarinense (parte 1)


POR FAHYA KURY CASSINS
Santa Catarina é conhecido mundo afora pelo turismo. Os catarinenses também movimentam o Estado com viagens internas. Muito disso se deve ao seu litoral, atraindo pelas belezas, variedades e hospitalidade. Por acompanhar e conhecer este apreço do catarinense e de tantos turistas pelo nosso litoral, assim como ser mais uma das que usufruem dele, que a situação atual me preocupa tanto.

Parece óbvio, pois o litoral é uma questão geográfica, exposto às condições da natureza. O problema é ver as praias “de fora” imaginando-as estáticas e sujeitas somente à nossa vontade – de ter barraca de caipirinha, espaço na areia e água do mar do jeito que eu quero. Quem ama, de fato, praia percebe que a grandiosidade da sua beleza está no movimento.

Por isso, as ressacas que atingiram o litoral catarinense nos últimos meses não deveriam causar espanto – até porque elas têm sido frequentes nos últimos anos. Deveriam, por outro lado, servir para despertar prefeitos, governador e secretários da necessidade de estudos e planejamentos abalizados por profissionais de qualidade para quais ações a curto, médio e longo prazo devem ser tomadas para preservar nosso litoral. Não é, nem de longe, o que se vê.

Rapidamente tudo se transforma num afogamento em ignorância. Não é nem “a natureza que vem tomar o que é dela”, nem o “direito irrestrito de manter meu patrimônio custe o que custar” (para a natureza). O mar é visto como um vilão a ameaçar casas e ruas. Ele é um tio malvado. E devemos, de imediato, contê-lo. Eis, infelizmente, a mentalidade predominante em Santa Catarina. A julgar pelas últimas atitudes dos setores responsáveis, em breve realmente não teremos mais praia alguma – e não será por culpa do mar, mas sim dos enormes pedregulhos que têm sido jogados indiscriminadamente na nossa faixa litorânea, sob o nome de “enrocamento”. Se isto não é um crime, então pouca coisa deve sê-lo.

Invadir áreas de restinga, construir irregularmente, construir molhes, barrar o acesso natural entre água do mar e de rios, retirada de áreas próximas a manguezais e rios, assorear rios, e muitas outras ações humanas são diretamente responsáveis pelas perdas irreparáveis que o nosso litoral tem sofrido. Atualmente as praias de Barra Velha e da Capital são as vítimas da pressa e da falta de cuidado com o que deve ser feito diante de mais uma série de ressacas. As praias de São Francisco do Sul foram as mais recentemente atingidas. Já imaginaram a Prainha “enrocada”? A única ação é jogar caminhões de pedras, para “preservar” casas, estradas, postes e tubulações. O mar, vejam só, estava lá muito antes de tudo isso…

Onde está a população a indignar-se que estão a nos tirar as belas faixas de areia? Onde está o Ministério Público que não investiga o que está sendo feito, embarga ações ainda mais danosas e propõe alterações, como a retirada, em definitivo, das casas em áreas de avanço do mar? Onde estão os profissionais como geólogos e ambientalistas a defender ações efetivas? Onde está a imprensa que se restringe a dizer o que ocorre? Ou realmente ninguém, nem mesmo quem hoje aproveitou o feriadão para curtir uma praia, se importa?
Seguem fotos para ilustrar. Porque se é difícil entender, a gente desenha. E para quem está de folga no nosso belíssimo litoral, olhe um pouco em volta. Certeza que encontrará mais exemplos. Será que poderemos aproveitar no feriadão do ano que vem?

A estrada entre a lagoa e o mar, em Barra Velha, deixou de existir.

A Praia do Tabuleiro, região central de Barra Velha, em "obras emergenciais".

O trabalho sujo feito a toque de caixa para "conter" o mar e "preservar" os imóveis na praia de Itajuba.

Onde está a praia?

Depois do serviço feito.



Links:

Ressaca em Barra Velha
Ressaca em Barra Velha G1
Jornal do Comércio
Ressaca em Florianópolis
São Francisco do Sul

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Dove tira campanha do ar. Foi racismo?

POR LEO VORTIS
O mundo digital facilita o cotidiano. Mas também complica a vida para as marcas, que precisam estar cada vez mais atentas ao que publicam. Com a internet, tudo tem maior visibilidade. A semana foi marcada pelos protestos e acusações de racismo contra a Dove por causa de um filme exibido no Facebook, nos Estados Unidos. 

Numa pela feita para as redes sociais, uma mulher negra tira uma camiseta marrom e, no seu lugar, aparece outra mulher, de pele e camisa claras. O filme não a acaba aqui, mas a confusão é apenas sobre esta parte. Porque há um outro take em que a mulher branca tira a camisa e, no seu lugar, aparece outra mulher, mas de traços asiáticos.

Algumas pessoas não veem racismo. Dizem que os publicitários apenas marcaram touca na  montagem do filme. E contra-argumentam. Uma mulher de pele escura sendo substituída por outra de pele clara é racismo, mas uma mulher de pele clara substituída por outra de pele asiática (mais escura) não gera controvérsia.

O fato é que as reações negativas dominaram as redes sociais. Os mais exaltados dizem que é claramente um anúncio racista, uma vez que a mulher negra estaria sendo “branqueada”. As críticas ganharam tamanho eco que a marca foi obrigada a emitir uma nota pedindo desculpas por ofensas causadas. E retirou o post da sua timeline.

O problema é que o fabricante tem um historial nesse campo. Há poucos anos, a marca passou por situação semelhante, quando publicou um anúncio com três mulheres, mas posicionou a mulher de pele escura sob a palavra “antes” e a de pele clara sob a palavra “depois”. Deu rolo. E a marca também teve que pedir desculpas.

E se fosse num país pobre, será que isso aconteceria? Há anos o mesmo fabricante tem um produto chamado Fair & Lovely, comercializado na Índia, que branqueia a pele. Na comunicação, a marca associa o sucesso à cor da pele. Quanto mais clara, melhor. O Fair & Lovely existe há anos e até hoje os países ocidentais nunca se queixaram. O segundo filme (abaixo) é bem claro.



terça-feira, 10 de outubro de 2017

Quem é o dono do "movimento das bichinhas livres"?

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Fernando Holiday: “Agora tem o tarado por travesti achando que é dono do MBL. Pelo amor de Deus! Volta lá para o seu filme pornô. O que que é isso? Falta de vergonha na cara, Frota”.
Alexandre Frota: “Tarado eu sou, sim. Mas não por essa sua bundinha. Entendeu, essa sua bundinha é seca. Fraca. Se boto você de quatro, você não aguenta. Você morre ali mesmo”.

É oficial. O Brasil está mesmo no fundo do poço. Não sei se esse era o plano dos golpistas, que não mediram esforços para levar essa gente para o círculo do poder. Mas o certo é que  a democracia sangra de morte no Brasil destes dias. Já não estamos a falar apenas de obscurantismo, mas no mais nefasto momento da história recente do país. A diatribe entre esses dois nomes “relevantes” da direita brasileira é a prova dessa agonia.

É fácil perceber do que se trata, mas se o leitor e a leitora ainda não sabem a origem dessa baixaria, estamos em meio a uma disputa para ver quem é o dono do MBL - Movimento Brasil Livre. O nível do debate - lembremos que Frota ameaça matar Holiday à pirocada - nem pode ser considerado rasteiro. É inqualificável. É indizível. É vexatório. Pobre Brasil, que sangra lentamente nas mãos destes boçais.

Qual é o butim em causa? O MBL é identificado por ser uma fábrica de mentiras (as mais escabrosas), por ter sustentação financeira a partir de fontes duvidosas e por estar ligado a partidos de direita, de forma dissimulada. No entanto, o maior problema para a sociedade é o fato de ser uma pandilha de analfabetos mirins que consegue ser seguida por analfabetos políticos adultos. É o retrato da sanidade mental do país. 

E a gritaria continua. De um lado temos um bando de moleques desvairados e ignorantes que dizem ser os donos do MBL. Do outro temos um ator pornô desvairado e ignorante que diz ser o dono do MBL (“movimento das bichinhas livres”, nas palavras do próprio Frota). A assistir tudo isso está um país abúlico, uma sociedade tão habituada à lama que já nem se revolta por ser emporcalhada.

É a dança da chuva.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Poder branco.


A fábrica de multas está de olho no seu bolso


POR JORDI CASTAN
As informações mais recentes mostram que a receita com as infrações de trânsito continua aumentando. Joinville quebra recordes de arrecadação e o trânsito segue ruim e inseguro. As ações de prevenção, sinalização e educação são praticamente inexistentes. O dinheiro some.

Provavelmente, o bando de estultos e áulicos de sempre já vai retomar o discurso que não há fábrica de multas, que a culpa é unicamente dos motoristas que não cumprem a legislação. Esse é um discurso fácil e tendencioso, mas um discurso que, no caso de Joinville, é fácil de desconstruir.

Que tal começar pelos agentes de trânsito? Primeiro para lembrar que, como não há um orçamento específico para pagar os salários, é necessário contar com os recursos provenientes das infrações para cobrir a folha. Desta forma, os agentes precisam multar para assegurar os próprios salários ao final de mês. E se estabelece um vínculo perverso que penaliza o motorista.


Semana passada, por exemplo, presenciei um fato surpreendente em Balneário Camboriú. Agentes de trânsito no meio da rua, com apito na boca dirigindo o trânsito. O fato aqui em Joinville seria inédito aqui agentes só são vistos escondidos e com um bloco na mão. Fazer fluir o trânsito em horários de pico nos gargalos de sempre não parece estar entre suas atribuições.

Lombadas eletrônicas não melhoram a segurança e só servem para multar. Vamos a outro exemplo. Na rua Prefeito Helmut Fallgatter há dois sinaleiros acionados por botoeira e duas lombadas eletrônicas de 40 km/h, mais um pardal de 60 km/h. Poderíamos iniciar uma discussão sobre os estudos técnicos, 
sobre função e utilidade, que embasaram a decisão de instalar estes equipamentos todos. Para começar, em nenhum momento a Prefeitura apresentou os pontos críticos, aqueles em que há um maior numero de acidentes e de acidentes mais graves. Nem para esta rua nem para nenhuma outra.

Apresentar esta informação inexistente com a localização de radares, lombadas eletrônicas e outros equipamentos de fiscalização e controle permitiria uma maior transparência e controle da sociedade. Publicar regularmente dados estatísticos, mostrando a redução do número de acidentes com mortes ou feridos e evidenciar a relação entre os equipamentos instalados e a melhoria da segurança, também seria uma informação relevante. Lamentavelmente tampouco está disponível. Faltando a primeira, a segunda é puro achismo. A única informação verificável é o aumento da arrecadação.

Mas voltemos à rua Helmut Fallgatter. É o caso que usarei como referência para mostrar que o objetivo do poder público é unicamente o de arrecadar. Iludem-se o que pensam que é  para aumentar a segurança, principalmente dos pedestres, que são o elemento mais vulnerável quando o tema é trânsito.

Em frente ao terminal urbano Tupy e a Escola Bahkita, foram instalados sinaleiros de botoeira. Bom lembrar que ambos têm mais de 20 anos de instalados e o seu funcionamento é simples. Tão simples que tanto uma criança de 5 anos como um agente de trânsito conseguem compreender. O sinaleiro está permanentemente em verde e quando um pedestre precisa atravessar a rua, basta premir a botoeira, que o sinal fica vermelho para os veículos e verde para os pedestres.


Simples de vez, os veículos detêm-se completamente e os pedestres atravessam. O resto do tempo, fora dos horários de escola, nos feriados, a noite, não atrapalham o fluxo normal de veículos que podem manter a velocidade estabelecida para essa rua de 60 km/h. Evidentemente que se algum motorista furar o sinal vermelho deve ser multado e essa é uma infração gravíssima.

Frente a Escola Presidente Medici e a Igreja do Evangelho Quadrangular foram instaladas duas lombadas eletrônicas de 40 km/h. Os veículos não precisam deter-se como no caso dos sinaleiros de botoeira e elas ficam la multando dia e noite, haja culto ou não, haja aula ou seja período de ferias escolares. Penalizando quem passa a mais de 40 km/h numa rua que tem velocidade prevista de 60 km/h.


Definir velocidades diferentes para uma mesma rua é uma forma de confundir o motorista. Instalar lombadas eletrônicas em lugar de optar por sinaleiros de botoeira tem um único objetivo: arrecadar mais. Porque lombadas não são mais seguras para os pedestres.


Ainda é oportuno lembrar que as faixas de pedestres frente aos quatro pontos da rua mantêm o padrão da maioria das ruas de Joinville. Ou seja, desapareceram e, quando pintadas, não duram mais de 4 ou 5 meses, mas isso tampouco importa.

Mas haverá ainda quem insistira no discurso de que não há fábrica de multas?

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Raul, Jorge Campos e as camisas coloridas dos goleiros

POR MARCELA DOMINGUES
Quando ainda estava na faculdade, um professor de design lançou um desafio para os alunos. Um trabalho sobre os uniformes de futebol. Comecei a fazer a pesquisa e, por acaso, deparei com casos interessantes. Um deles era a figura do goleiro mexicano Jorge Campos, que jogava com uniformes extravagantes. E achei que o tema podia ficar apenas nos goleiros, porque havia muita coisa interessante.

Mesmo estudando na Espanha, decidi começar a pesquisa pelo Brasil. Não havia muitos dados, mas o caso do goleiro Raul Plassmann pareceu merecer uma análise. Conta a história que, quando foi para o Cruzeiro, o jogador não tinha uma camisa que lhe servisse. Como não queria ficar desconfortável (e nem com a barriga de fora) pediu emprestada uma camisa qualquer. E só havia uma amarela.

Parece que deu sorte no jogo e então ele passou a jogar sempre com camisas dessa cor. Não sem enfrentar a gozação das torcidas, que, num tempo de machismo ainda mais evidente, viam algo de “efeminado” na escolha. Naqueles tempos havia uma cor padrão e todos os goleiros jogavam de preto. Mas Raul Plassmann não se importou com a polêmica e permaneceu no clube por 13 anos, sempre conquistando títulos com a camisa amarela.

A história de Raul vem dos anos 60 e 70 e foi um marco. Parece que depois disso nada de “revolucionário” aconteceu. Foi preciso muitos anos até surgir, no México, um outro goleiro capaz de fazer história. Não exatamente pelo bom gosto, mas pelo exotismo dos seus uniformes: o baixinho goleiro Jorge Campos. Diz quem lembra que também jogava na linha e marcava gols. Mas foram as suas camisas coloridas e largas que entraram para a história.

Houve jogos em que jogava com camisas discretas. Mas entrou para a história pela qualidade do futebol e pelos uniformes espalhafatosos. Jorge Campos era o centro das atenções. Mais do que falar, deixo aqui algumas imagens de uniformes usados pelo ídolo mexicano. Quanto a mim, tive muito gosto em fazer a pesquisa e escrever sobre o tema.

P.S. Não posso deixar de falar do goleiro da seleção da Inglaterra, David Seaman, que usou uma das camisas mais feias que já vi.

Raul, Seaman e Campos: camisas que marcaram





Marcela Domingues é designer de comunicação, graduada em Belas Artes pela Universidade de Granada (Espanha), vive no Rio de Janeiro e é torcedora do Vasco.

Tretas


Cancellier: a ditadura da toga provoca a primeira morte

POR DOMINGOS MIRANDA
A notícia da morte de Luiz Carlos Cancellier, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), causou estupefação em todos os moradores do Estado. No meu caso, senti a mesma indignação que se abatia sobre mim, nos anos duros da ditadura, quando tomava conhecimento do assassinato de mais um combatente pela liberdade. Um homem justo, sem qualquer fato que desabonasse a sua conduta pública, foi enxovalhado  ao ser levado para a prisão. O colocaram nu entre presos comuns, como se fosse um bandido contumaz. Isso foi muito para Cancellier. Ele saiu daquela masmorra alquebrado e o seu protesto contra esta injustiça foi o suicídio.

O ex-senador Nelson Wedekin, na cerimônia de despedida na UFSC, falou sobre o amigo de várias décadas. “Mãos visíveis e invisíveis o empurraram das alturas (...) Mãos que sabem o que é vingança, mas não sabem o que é justiça”. Ele denunciou os abusos desta ditadura da toga que, sob o argumento de combater a corrupção, pratica todo tipo de arbitrariedade. A presunção da inocência, princípio basilar da democracia, foi deixada de lado nestes tempos bicudos. Wedekin desabafou: “Estamos com medo das autoridades que deveriam nos proteger”. Este é o mesmo sentimento que eu tinha quando os militares estavam no poder e que volto a sentir diante do arbítrio desta casta que age à sombra da Lava Jato.

Luiz Carlos Cancellier não era acusado de nada, apenas estava sendo investigado pela Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal. A juíza que decretou a sua prisão poderia simplesmente chamá-lo para explicar a denúncia de que, supostamente, estaria obstruindo as investigações sobre irregularidades em um programa de ensino a distância na gestão anterior. A PF armou uma operação cinematográfica, com mais de 105 agentes para prender o reitor. Em seguida a mídia fez o trabalho sujo de linchamento público, sem maiores investigações, acatando tudo o que as autoridades afirmavam.

Não é assim que se combate a corrupção. Isto serve mais para colocar alguns agentes públicos em evidência na mídia. Por outro lado destrói a reputação de um profissional que durante quatro décadas trabalhou para ajudar a transformar a UFSC em uma das universidades mais conceituadas do país.

Espero que esta morte sirva para a mudança de rumo neste tipo de investigação nos mesmos moldes da Lava Jato, onde o que menos interessa são as provas. Basta apenas alguma delação para que haja o massacre público da vítima. Com a morte do jornalista Vladimir Herzog, em um quartel do Exército, em São Paulo, em 1975, houve um grande clamor contra o arbítrio. Ali foi o começo da caminhada rumo ao fim da ditadura. Acredito que agora foi dado o passo inicial para o desmonte da ditadura da toga. O povo cansou dos abusos desta casta de privilegiados que pratica todo tipo de irregularidades e não é investigada. Punição para quem ajudou a empurrar Cancellier para a morte.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

MAM


Joinville: o cenário da desolação


POR FAHYA KURY CASSINS
São tempos tristes para a cidade. Tanto para os que a amam quanto para os que não a amam (tanto assim). Talvez até mesmo para os mais privilegiados, pois esses dias vi uma BMW X4 a desviar zelosamente de todos os buracos e desníveis do asfalto pelas ruas onde passava. E não eram poucos, como sabemos. São tempos tristes quando cada notícia, cada denúncia, cada constatação nos leva a ver uma cidade que poderia ser, que poderia ter sido, mas não é. Não é a melhor. Não é a mais bonita. Não é a mais receptiva. Não é a mais feliz.

São tempos de incerteza quanto ao futuro – o futuro, claro, sempre é incerto, mas nesses tempos eles parecem ainda mais nebulosos. Os velhos hábitos, o ranço econômico e político, a estrutura social perduram e nada, absolutamente nada, nos dá uma luz no horizonte.

Escrevo com desolação. Escrevo com pessimismo. Acompanho as notícias da cidade, convivo e vivo todos os dias com as pessoas, vivo aqui. Nada de bom realmente nos faz ter um pingo de esperança. Relembrei meus artigos desde o começo do ano e quantos problemas, quanta dificuldade em termos uma cidade boa, acolhedora, cidadã, que nos respeita e ouve. Uma cidade da qual todos possam se orgulhar, não por motivos meramente apaixonados.

Os cemitérios estão em situação precária, túmulos sendo construídos a torto e a direito. Vereadores oportunistas, interesseiros. Muita propaganda em rede social. A alimentação básica das crianças (quem ainda não sabe que para muitos é o único lugar onde se alimentam?) vira piada – sim, piada. Nós fazemos piada com o que as crianças estão comendo (e deixando de comer, não esqueçam) nas escolas do município. Nessas mesmas escolas os professores são coagidos a dar aula tapando falta de profissionais, nos horários que deveriam ser dedicados às atividades inerentes do lecionar.

Nos postos de saúde, dentistas deixam de atender porque falta álcool. As obras se eternizam pelas ruas, PAs, postos de saúde e na tentativa de conter as cheias por falta de planejamento mínimo e de equipamentos básicos para os funcionários. Prédios históricos abandonados. Ginásios vazios devolvidos ao Estado. Atrasos na Cultura. Praças deterioradas. Parques sendo cercados. Idosos em eterna espera por atendimento.

A preocupação ambiental inexiste – numa cidade banhada (e alagada) por rios e mar e mata Atlântica. Aliás, as ruas (ainda) alagam com qualquer chuva de algumas horas. A empáfia do governante contagia seus secretários e alguns funcionários e nenhum se importa em dar as respostas que precisamos. A greve dos funcionários em respeito ao trabalho deles e pelo cidadão não recebe apoio. Tudo isso mantém a cidade refém, nem digo do seu passado – que foi glorioso outrora. Por hoje não teremos fotos daquilo que todos vemos, todos os dias.

Por hoje, não tenho nenhuma razão específica para escrever. Nenhum caso em particular diante de uma cidade onde transbordam problemas, abandono e descaso. Todos eles permanecem os mesmos. A única coisa que me motiva, hoje, a escrever é a desolação. Quando a sensação que tenho é que nem nos esforçando conseguimos acreditar numa cidade melhor. É um ato de consciência, que acredito que todos deveríamos ter. De que adianta termos um novo supermercado, uma nova fábrica, um prêmio acolá? De que adianta um título se a imagem que nos traduz perfeitamente é a placa comemorativa que em menos de dois meses já não acende mais, bem ali no gramado da Prefeitura?

Toda batalha cansa. Vence quem tem as melhores armas.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

De boas


No cardápio das escolas de Joinville, o prato principal é a incompetência


POR JORDI CASTAN
Não se pode deixar de falar na dieta que os alunos das escolas municipais seguem à risca na merenda escolar. No estado em que frango e porco são duas das principais fontes de proteína animal, o fato é que Joinville escolheu desenvolver um cardápio baseado integralmente em sardinhas.

O cardápio tem de que ser imaginativo. De escabeche de sardinha, passando pelo arroz com sardinha ou sardinha com batata, sardinha desfiada, o sardinha em molho de tomate. É até provável que o menu inclua geleia de sardinha ou sorvete de sardinha. Mas é sempre Sarrdinha à Udo Dohler.

O resultado é que as crianças da rede municipal não têm tido acesso a outra fonte de proteína animal que não seja a sardinha, nas suas mais variadas apresentações. Quando entramos na reta final do ano escolar, falar de fazer uma nova licitação para melhorar o cardápio é pura empulhação.

Aliás, se não fossem as denúncias pertinentes dos pais dos alunos, parece que nenhuma das autoridades responsáveis pela educação e pela administração de Joinville saberia que o cardápio era tão pouco variado. Ainda bem que tem uma parcela da população que não aceita a inépcia que predomina na administração municipal e se manifesta abertamente.

Não precisamos retomar o tema da inépcia do gestor municipal. E também da sua trupe. Afinal, chamar de equipe seria um erro, porque não passam de uma trupe de saltimbancos e comediantes, que fingem que trabalham por Joinville quando na realidade estão só interessados em alcançar os seus objetivos pessoais e atender os interesses da minoria que representam.

Seria bom lembrar que inépcia é a falta absoluta de aptidão para fazer aquilo para o que estão sendo pagos para fazer. Se define também como a falta de inteligência, cujo sinônimo é o mais puro idiotismo.  São mestres do disparate, campeões do desatino. A inépcia desta gestão não pode ser ignorada, esta presente e é uma constante evidente nos quatro cantos da cidade.

Aliás, seria bom que o prefeito ou seu secretario não tentassem justificar o que não tem outra justificativa que a sua própria inépcia. Culpar a crise econômica para fornecer somente sardinha como fonte de proteína às crianças de Joinville não se sustenta como argumento.

O Fundeb, esse fundo que é o principal financiador da educação básica, cresceu 11,3% mais que a inflação até agora. Para que este valor possa ser mais bem compreendido, os servidores não receberam nem 2% de recuperação salarial até agora. E as crianças só comem sardinha nas escolas. Onde está o dinheiro da Prefeitura? Porque se a gestão não existe e o dinheiro desapareceu alguma coisa muito estranha esta acontecendo na terra dos sambaquianos.

IGNORÂNCIA E INCAPACIDADE - Há que falar em dois novos pontos que podem ajudar a explicar o porquê do desastre politico-administrativo em que Joinville está mergulhada. Aliás, é a forma de assim entender porque, no curto e médio prazo, não há saída viável para recolocar a cidade nos eixos e no caminho do desenvolvimento e da prosperidade de outrora.
Estes dois novos elementos que se somam à inépcia são a ignorância e a incapacidade. Se cada uma delas é perversa, as duas juntas têm um potencial exponencial de acabar com qualquer resquício de esperança que possa ainda ter sobrevivido.

A ignorância é essa incapacidade de compreender e, portanto, de prosseguir. A incapacidade se manifesta pela impossibilidade de agir com sucesso. Não há saída. Não há nada que funcione direito e os gestores mergulham numa nova fase a de não se sentir obrigados a dar nenhuma explicação e muito menos desculpas. Assim se acham donos e senhores dos destinos dos seus súditos.s

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Pentelhos


Sardinha e amor é uma boa slogan parra o Prefeiturra

POR BARON VON EHCSZTEIN
Guten Morgen, minha povo.
Hoxe eu querro falar no educaçón e no saúte dos nossos crianças. Nón sei se foceis ouvirón falar que os escolas de Xoinville só estón a servir sardinhas parra as nossos crianças (é sardinen, em linguagem de xente evoluída como os alemón). Schwein gehabt! É um sorte. Mas tem xente reclamando. Mas essa povinho nón tem xeito. Só querrem ver a lado feio dos coisas.

An bösen Taten lernt sich fort die Böse tart. O reflexón ajuta no compreensón. Entón fou esclarrecer. Os sardinen no refeiçón dos crianças é mais um medida da nossa querrida prefeito pensando no saúde das mais pequenos. Os sardinen têm ômega 3, que faiz bem parra a corraçón e parra a cérrebro. Entenderón? Liebe ist die beste Medizin. O amor é a melhor remédio. O lema do Prefeitura devia ser: “sardinen e amor”.

E tem mais. O Prefeiturra também esdá introdussindo o cossinha internacional nos escolas. Os sardinen fassem parte do dieta mediterrânica, que é considerrado um dos mais saudáveis da mundo. Entenderón? A nosso querrida prefeito tem o preocupaçón de introdussir uma cardápio sofisticado no alimentaçón do molecada, mas tem xente que fica chateado? Só pode ser coisa desses kommunisten subnutridas.

Ah... e eu ainda dou um suxestão parra o nossa secretárrio do educaçón. Porrr que nón tornar a “xogo do sardinen” no xogo oficial da currículo escolar. Foceis nón lembram como que é? É aquele em que a xente fica de frente para o coleguinha e põe um món em cima do outro. O que está debaixo tem que bater no que esdá em cima (tem um imagem aqui em baixo). Devia fazer campeonatos, xogos inter-escolarres e tudo mais.

É muita amor da nossa prefeito pelo bem-esdar dos crianças. Isso sim é pensar na futuro e na Xoinville daqui 30 anos. Besser reich und gesund als arm und krank. Antes rico e com saúde do que pobre e doente.


A xogo do sardinen