sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A indústria rumo à extinção

POR DOMINGOS MIRANDA
“Um país com 200 milhões de pessoas, quase continental, pode sobreviver sem indústria? Seremos um país no futuro ou um grande shopping center?” Quem disse estas palavras foi Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional e diretor da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Ele é uma das poucas vozes empresariais que vem criticando a desindustrialização do Brasil. Na década de 80, a indústria representava 25% do PIB nacional e hoje não ultrapassa 9%, o mesmo patamar de 1947.

O que chama a atenção é o comodismo dos industriais. No passado ouvíamos as vozes de um Antônio Ermírio de Morais ou de José Alencar da Silva (vice de Lula) fazendo severas críticas aos juros abusivos que beneficiam o rentismo em detrimento do setor produtivo. Hoje, Steinbruch se transformou numa voz solitária clamando no deserto.

Em Joinville, o maior centro industrial de Santa Catarina, as lideranças do setor não se manifestam com contundência sobre o assunto. O último grande protesto dos empresários foi há mais de uma década contra a possível volta da CPMF. Dos políticos, o único que tem se manifestado é o deputado Darci de Matos. Em maio de 2015 ele escreveu: “A alta taxa de juros aliada com uma infraestrutura caótica e carga tributária elevadíssima acabam tirando a competitividade da indústria brasileira. Isto não pode continuar assim. Antes que seja tarde, temos o dever de formar um movimento nacional para salvar a nossa indústria”.

Uma das razões deste comodismo dos industriais é que muitos deles também praticam o rentismo. Ficou mais fácil investir em aplicações, que trazem retorno alto e garantido, do que correr o risco de ampliar a produção da empresa, tendo que se endividar com os bancos. Há ainda uma outra anomalia. Empresas transformam-se em maquiladoras: importam o produto pronto da China e apenas colocam o rótulo como se fosse produto nacional.

Se o país quiser angariar respeitabilidade é preciso ter indústrias de ponta. Estamos voltando ao que éramos na primeira metade do século passado,  um grande exportador de comodities. A situação tende a piorar porque o Brasil está reduzindo as verbas para a área de pesquisa e desenvolvimento.

Para a população, este é um assunto que tem pouco interesse. Os consumidores buscam os produtos e pouco importa se na etiqueta esteja escrito Made in Brazil ou Made in China. Um pouquinho de nacionalismo nesta área vai bem. Só para se ter uma ideia do desmonte industrial, atualmente somos um dos maiores exportadores de minério de ferro, mas importamos a totalidade dos trilhos usados em nossas ferrovias. Só não se indigna com isso quem tem o coração de ferro.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Neonazista na Alemanha.


O problema não se resume a buracos e ciclofaixas


POR FAHYA KURY CASSINS
O que mais me revolta em Joinville é o cidadão não ser ouvido, não ter suas demandas atendidas e ser prejudicado pelas decisões e mudanças arbitrárias de uns poucos. Falamos tanto do trânsito e de buracos porque, óbvio, é o mais gritante problema que nos acompanha ao sair e voltar para casa. Mas, infelizmente, Joinville não é uma cidade onde o único problema é a sucessão de trapalhadas (para não usar outro adjetivo) com ciclofaixas, corredores de ônibus e mudança de vias.

Faz uns meses o SAD – Serviço de atendimento domiciliar, que visa atender pacientes que não têm condições de ir aos postos de saúde do bairro, com acompanhamento para situações mais graves e delicadas, tem sido desintegrado. Com a falta de enfermeiros e técnicos de enfermagem em hospital e PAs, os SAD deixam de atender para os funcionários taparem os buracos.

Aconteceu isso com o SAD do PAM Bucarein, num primeiro momento foi dito que ele atenderia no hospital São José pela proximidade com o bairro. Porém, desde então as pessoas não conseguem ser atendidas porque intermediaram o atendimento – e a demanda nunca chega lá. Não custa lembrar que o São José carece de enfermeiros, tendo alguns que cumprir turnos duplos em mais de um setor ao mesmo tempo, como Ortopedia e Neurologia.

A reforma do PA Sul foi, inclusive, usada na campanha eleitoral. Começou rapidinho, fecharam o estacionamento gratuito do terreno da esquina (e começaram a cobrar o da farmácia ao lado…), o planejamento previa que não seria fechado, pois quando pronta a primeira parte, fechariam o antigo prédio para reforma. E aí parou. Parou e disseram que as obras seriam retomadas. Quem sabe para a próxima eleição…

Aliás, vocês lembram do outro candidato da eleição passada que propôs criar uma central telefônica para agendamento de consultas? Pois é, hoje ainda, para quem não sabe, o cidadão precisa chegar antes das sete da manhã para pegar ficha. E muitas vezes não consegue. Parece uma solução tão simples: abrir agenda dos médicos do posto no sistema, algumas telefonistas e tudo ser agendado. Mas, durante a campanha eleitoral, a propaganda do atual prefeito não fez propostas para a saúde pública, só dizia que tudo ia bem.

O PAM do Bucarein, por exemplo, bairro onde moro e que concentra a maior população idosa da cidade, está há meses em reforma. Resolveram pintar, trocar umas telhas, tirar grama para fazer mais estacionamento para os médicos. A previsão era de noventa dias, agora prorrogaram para um prazo igual. E sabe o que farão? Fecharão o posto e avisaram que os atendimentos serão feitos no PAM do bairro São Marcos. Sim, avisaram, apenas. Os funcionários estão revoltados, os cidadãos também. Não cogitaram alugar algum espaço por perto para realizar os atendimentos durante o período, nem enviar para bairros mais próximos. É mais uma decisão estúpida e arbitrária que prejudicará pessoas que não têm a menor condição de arcar com deslocamentos. Ou contaremos com ônibus para levá-los nos horários das consultas?

E o pior é ouvir a população dizer que precisamos levar essas denúncias (de desmandos) e cobranças para a mídia. Porque, como sabemos, somos uma cidade grande que não conta com meios de comunicação que fazem o seu papel: estar ao lado do cidadão.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Extrema Esquerda x Extrema Direita


Cabeça cortada. 1 ano.


O nazismo de esquerda e gente que odeia pensar

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Faz muitos anos, quando ainda vivia em Joinville, ouvi um radialista da cidade dizer que o nazismo era de esquerda. O “jênio” chegou a essa conclusão porque Adolf Hitler pertencia ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Se tinha socialismo no nome, não havia dúvidas. O cara levou essa lógica ao limite e associou o ainda recente Partido dos Trabalhadores – que ele odiou desde a primeira hora – ao nazismo.

A afirmação só podia provocar risos, claro. Entre uma gargalhada e outra pensei comigo: “por sorte é só esse apoucado a aparecer com essas ideias... ninguém vai levar a sério”. E eis que mais de 20 anos depois a coisa volta a ganhar corpo. E com força. Há mesmo gente em acesos debates por causa dessa não-questão. Só em países como o Brasil, onde ninguém estuda história, esse tipo de discussão tem pernas para andar.

Não vou entrar na discussão, claro. O tema não merece um minuto do tempo de ninguém. É como entrar num debate com alguém que defende a tese de que a Terra é plana. Não faz sentido. Um debate pressupõe dois lados a argumentar e este é uma daqueles casos em que dois monólogos não fazem um diálogo. É perda de tempo quando os argumentos de um lado são respondidos pelo outro lado com clichês mal amanhados.

Mas não resisto a um comentário sobre os tipos defendem essa ideia. É que eles ressurgiram em força depois dos incidentes em Charlottesville, envolvendo militantes de extrema direita seguidores de ideais nazistas. Quem defende a maluqueira de que o nazismo é de esquerda? A turma do ódio. A turma que odeia história. A turma da escola sem partido. A turma que acredita no MBL. A turma que se “informa” pelo Facebook.

Há mais ou menos aquilo que Kostas Axelos chamou “rejeição do pensamento”. O cenário é de ascensão do anti-intelectualismo. A rejeição do pensamento invade as redes sociais e ganha contorno de uma estranha “ciência”: é tudo ao contrário. O que a pessoa não entende - e não quer entender por imperativo ideológico ou abulia intelectual - é o que ela chama esquerdismo. Enfim, é gente que se recusa a pensar.

Eis um detalhe interessante: o Brasil deve ser um dos poucos países do mundo onde a palavra “esquerdista” é usada como ofensa. No mundo civilizado não é assim. Muito pelo contrário. O mais deprimente é que essas hordas que pululam nas redes sociais são incapazes de perceber a própria ignorância. Porque não perceber o processo de subjetivação-sujeição é parte do próprio processo. Enfim, uma pescadinha de rabo na boca (o eterno retorno).

É a dança da chuva.

sábado, 12 de agosto de 2017

Burrice fenomenal ou traição nacional?

POR DOMINGOS MIRANDA
Se um ET descesse no Brasil e pedisse para entrar em contato com o nosso maior cientista não conseguiria. Simplesmente porque ele está preso e ficará atrás das grades até seus dias finais. Espantoso, mas é assim que as coisas funcionam na terra onde alguns imaginam ser mais espertos que os outros.

O almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, responsável pelo desenvolvimento de uma tecnologia 100% nacional de enriquecimento de urânio pelo método de ultracentrifugação, foi condenado a 43 anos de prisão pelo crime de corrupção durante as obras da usina nuclear Angra 3. O processo, cheio de falhas, como demonstrou o jornalista Luiz Nassif, foi conduzido pelo juiz da Lava Jato que tem notórias ligações com os serviços de informações dos EUA.

Em 1978, o almirante Othon recebeu a incumbência de iniciar os estudos para construir o primeiro submarino nuclear brasileiro e de 1979 a 1994 liderou o Programa Nuclear Paralelo, executado sigilosamente pela Marinha. Como acontece em casos semelhantes em outros países, muitas das aquisições não passam pela contabilidade oficial. Por isso soa estranho o nosso cientista ser condenado por corrupção sendo que, caso se interessasse em trabalhar no exterior, seus ganhos econômicos seriam fantásticos.

Ao fazermos a comparação com o tratamento dado pelas grandes potências a outros cientistas, veremos uma enorme disparidade com o que acontece no Brasil. O famoso cientista alemão Werner von Braun, inventor da bomba voadora V2, na Segunda Guerra Mundial, foi levado para os EUA e encarregado do nascente programa espacial americano. Von Braun era oficial da sanguinária corporação militar SS e nos seus trabalhos de pesquisa usou mão-de-obra escrava. No final da vida virou herói nacional por levar o primeiro homem à lua.

Um outro cientista alemão, Manfred von Ardenne, condecorado duas vezes pelo regime nazista,  foi capturado pelas tropas da União Soviética após a derrota do 3º Reich e conseguiu desenvolver a primeira bomba atômica naquele país comunista. Ele continuou na URSS e na Alemanha Oriental aperfeiçoando seus inventos, inclusive na área de saúde, e em 1953 recebeu o Prêmio Stalin. Portanto, em menos de uma década foi premiado por regimes políticos de características totalmente antípodas. Falou mais alto o seu conhecimento.

Um pesquisador europeu comentou que o brasileiro é um povo infantil. Uma das características da criança é ser bastante susceptível à fantasia. E, no momento, estamos acreditando que não há interesses de forças externas em inviabilizar o nosso programa nuclear para defesa. No caso dos responsáveis por trancafiar o nosso maior cientista, há duas hipóteses. Uma é o desconhecimento das forças que regem a geopolítica internacional e aí poderíamos dizer que cometem uma burrice fenomenal. No outro caso seria estarem agindo em sintonia com os interesses estrangeiros, o que caracterizaria, indubitavelmente,  um crime de lesa-pátria.

Aos brasileiros patriotas interessa a verdade. Só não podemos ficar de braços cruzados esperando o desenrolar dos fatos. Queremos o almirante Othon Pinheiro solto, como aconteceu com outros envolvidos na Lava Jato. O lugar dele é no laboratório desenvolvendo tecnologias que podem representar a independência brasileira na energia nuclear.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Criar uma nova geração de torcedores do JEC

POR ALEXANDRE PERGER
Sabe aquelas memórias que ficam cravadas no cérebro e voltam de tempos em tempos e causam aquele suspiro de saudade? Das minhas, pelas minhas contas, uns 80% estão ligadas ao futebol e, mais especificamente, ao JEC. Dessas, uns 90% tem meu pai ou meu irmão como personagens fundamentais. Em grande parte, são lembranças impregnadas pelo cheiro do espetinho de gato assado ao lado do alambrado e, claro, da pipoca, do gosto do guaraná, do balançar da arquibancada ou do barulho dos pés batendo freneticamente nas tábuas de madeiras que serviam de assento.

Em meio a essas lembranças tem toda a sorte de acontecimento. Tentativa frustrada de pular o alambrado aos 8 anos de idade, pedrada nas costas abafada por um guarda-chuva, encenação de mal-estar para conseguir furar a multidão que se acotovelava para entrar no Ernestão e ver a final de 2000, chuva, muita chuva na cabeça (daqueles temporais que deixam a cidade embaixo d’água), chinelo caído em meio à estrutura metálica, gols aos 50, aos 40, decepção, alegria, enfim, é muita coisa.

Mas contei essa história toda para dizer que agora carrego uma enorme responsabilidade sobre meus ombros (essa ênfase toda vem da minha cabeça, é claro). Há um mês e meio nasceu meu filho, o Ernesto. Não preciso nem dizer que desde o dia em que recebi a notícia da gravidez minha cabeça de pai torcedor já criou mil cenários em relação às cores para as quais meu filho torcerá (se é que torcerá). Minha esposa, que não nutre nem 5% do meu interesse por futebol, já avisou: não vamos (ela usou vamos, mas era pra ser você) obrigar e nem forçar a nada.

Meu lado racional do cérebro dá toda a razão para ela. O menino tem que escolher por conta própria. Mas o lado passional não gosta nem de imaginar o futuro em que o Ernesto não ligue muito para futebol e para o JEC. E nesse dilema, tentando equilibrar uma coisa e outra, cheguei a uma conclusão: não torcendo para Avaí ou Figueirense já vai dar uma alegria para o pai.

Alexandre Perger é jornalista, jequeano e editor do site O Mirante.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Os "novos" políticos


POR FAHYA KURY CASSINS
Nas pequenas vilas, assim como em diversas culturas, predominava o poder centralizado, de um só ou de sua família, por exemplo. O mecanismo funcionava acionado pelo medo, que inspirava temor em todas as ações dos mais fracos – apesar de contarem com a maioria. A força exercida por um só, entre os seus, dominava as regras, tradições e suas aplicações. É esta forma de organização social que ainda vigora em muitos países, cidades, estados e também famílias.

O temor é aplicado para evitar desgostos e desobediências. O pai ameaça o filho com o chinelo ou a cinta para que o filho faça a tarefa. O chefe insinua perda de bônus por vendas se os atrasos continuarem. É das formas mais antigas de manter as coisas em ordem e calar as insatisfações. Bom lembrar que poder centralizado e autocrático só favorece alguns poucos e desnecessário dizer que prejudica a maioria.

Um governante eleito, na nossa democracia representativa, deve, a princípio, zelar pelo bem comum (expressão da qual nem ouvimos falar). Eis o ponto chave que desmoraliza a conduta que permeia todos esses escândalos que temos visto. Enquanto deveriam zelar pelo bem comum, zelam pelos seus interesses, pelas suas contas bancárias, pelo cartão de crédito dos seus filhos, zelam pela sua continuidade na vida política. Roubar é o de menos. E vivemos amedrontados.

A sociedade em si não se mobiliza, não reclama, não revida. Somos reféns do que eles representam. Eles escolhem quem colocarão lá e quem (e quando) tirarão. Nossos interesses vivem à margem do poder. Não é de admirar que tenham surgido “novos” políticos com a capa de administradores, com o slogan de homens de sucesso com seus interesses privados, como líderes que salvarão nossa política conspurcada, diminuirão nossas mazelas e colocarão em ordem nossas finanças. São quem nós gostaríamos de ser, aqueles que não se preocupam com as contas, têm carros, casa, viajam, vestem-se bem, não suam para chegar até o dia do pagamento.

Quando no poder, demonstram o que são: autoritários. Chegaram ao sucesso sendo temidos, amedrontando seus inferiores, buscando o lucro. O bem comum só deve gerar lucro aos cidadãos. Um homem desses de sucesso não ouviu seus funcionários para chegar onde está. A Política é mais um passo de conquista pessoal, novamente o bem comum não é o ponto. Até quando as sociedades serão governadas pelo temor?

Nosso exemplo local de antemão deveria nos preparar para as opções que virão com o mesmo rótulo de gestor, eficiente, esforçado, pulso firme. Pois estamos diante de decisões que ignoram nossas reivindicações e necessidades, diante de um poder sem diálogo. Uma cidade não é uma empresa, uma prefeitura não é um negócio. Nós não somos clientes.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Um mundo de mercados e mercadores















POR ET BARTHES
Desde o início dos tempos os seres humanos aprenderam a negociar. Se antes era a troca, depois veio o dinheiro. Se antes as pessoas se encontravam, de jeito informal, para comprar ou vender, depois surgiram os mercados. E é o conceito das imagens de hoje, que vão desde os grandes mercados até o antigo contacto pessoal.


Em Bruxelas, na Bélgica, as famosas passagens, onde estão lojas das principais marcas. (Foto: JAB)

Ainda na Bélgica - só podia - lojas com 250 marcas de cerveja. Dizem que por lá você pode beber uma marca diferente por dia... sem repetir. (Foto: JAB)

Em Budapeste, na Hungria, o mercado municipal é um festival de cores. Os pimentos são produto básico na dieta dos húngaros. (Foto: JAB)

Na China, em qualquer cidade você pode encontrar insetos preparados para uma degustação. Diz quem comeu que a coisa é saborosa. (Foto: Nuno de Paula)

No Rio Nilo, no Egito, os passeios em navios têm sempre o encontro com estes vendedores, que aparecem nos seus pequenos barcos a tentar negociar produtos típicos. (Foto: Arlete Castelo)

Em Granada, na Espanha, você pode comprar especiarias e outros produtos exatamente como eram nos tempos medievais. (Foto: JAB)

Em Marrocos, comprar nos mercados públicos nas ruas é uma tradição que se estende a quase todas as cidades. (Foto: JAB)

Na Índia, os mercados existem em praticamente todas as cidades e são bastante frequentados. O aspecto deste (Dadar) não ajuda muito. (Foto: Joana Reis)

Na Nova Zelândia, todos os anos as pessoas vão ao Festival de Comidas Selvagens para experimentar coisas como insetos. É um dos eventos mais midiáticos do país. (Foto: Steve Gwaliasi)

Em Oslo, na Noruega, você ainda pode ir ao porto e comprar peixe direto do pescador. (Foto: JAB)


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Não perca o JN sobre o ataque terrorista dos ovos


POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO


Não perca, no Jornal Nacional desta noite, uma reportagem sobre o ataque terrorista a João Dória, ontem, em Salvador.
- A Polícia Federal está a investigar o caso, que batizou de Ovo a Jato. Mas as investigações só vão apurar os fatos ocorridos a partir de 2003, ano em que Lula tirou a galinha dos ovos de ouro das mãos dos vendilhões do país.
- Durante uma palestra em que não recebeu um tostão, o procurador Deltan Dallagnol mostra um powerpoint para provar a sua convicção de que Lula é o chefe da quadrilha dos atiradores de ovos.
- O juiz Sérgio Moro vai bloquear os bens de Lula, condenado sumariamente por ser proprietário de uma granja de galinhas no Guarujá. Diz não ter provas cabais, mas sabe que Lula come omelete duas vezes por semana e que isso é suficiente.
- Miriam Leitão fala nos efeitos na economia. Diz que o preço dos ovos vai subir, mas isso não interfere na economia brasileira, que com Michel Temer finalmente vai ter crescimento de tigre.
- Em comentário especial, Carlos Alberto Sardenberg prevê que com Michel Temer à frente do país os ovos de galinha passarão a ter o tamanho de ovos de avestruz.
- Gilmar Mendes diz que o ataque tem o dedo de Lula (o mindinho) e que isso é razão mais que suficiente para o STF o impedir de concorrer à presidência em 2018. "Com Lula fora, Aécio assume o favoritismo, mesmo partindo do zero", explica.
- No seu programa de amanhã, Ana Maria Braga vai usar um colar de ovos. E vai fazer uma frittata com eles no seu momento de culinária.
- Em entrevista, a jurista Janaína Paschoal afirma que os ovos são fornecidos por Putin e chegam ao Brasil através Venezuela. Exige a intervenção de Trump.
- Jair Bolsonaro, convidado como especialista em balística para mostrar a curva hodográfica do ovo, desistiu da entrevista. Pensava que balística tivesse a ver com 7 Belo.
- O bispo Silas Malafaia vai falar sobre quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha, à luz da teoria criacionista.
- Jacob Kligerman, cirurgião que atendeu José Serra no caso da bolinha de papel, explica o efeito de um ovo a bater numa caixa craniana vazia como a de João Dória.
- O velocista Rubens Barrichello iria reproduzir um crash-test entre um ovo e uma testa humana. Mas só deve chegar ao estúdio na semana que vem...
- E uma entrevista com o próprio João Dória, que, agora com um sotaque de baiano da gema, quer mandar todos os esquerdistas para a Venezuela.

João Dória, o ovo bom e o ovo mau


POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
A "ovação" a João Dória é um daqueles episódios que deixam as pessoas divididas. "Foi mal", diz o espírito republicano. "Foi bem", diz o pensamento de quem não engole o homem. Então, há uma batalha entre o anjinho e o diabinho que habitam em cada um de nós e insistem em ficar dando palpites à consciência. Eis um diálogo. O Ovo Diabinho, que gosta de um bom fuzuê, acha divertidíssima a omelete à João Dória. Já o Ovo Anjinho, que é um cara muito certinho e cumpridor das regras, acha uma atitude imprópria e pouco republicana.

Ovo Diabinho (divertido) – Viu que pontaria? Não sei quem foi, mas era certeiro. O ovo parecia um míssil teleguiado na direção da fuça do Dória.
Ovo Anjinho (vetusto) – Isso não se faz. Ele estava na Bahia como convidado.
Diabinho – Então, devia estar trabalhando em vez de fazer campanha. Aliás, campanha antecipada não é crime eleitoral?
Anjinho – É crime. Mas ele foi convidado para receber um título de cidadão sotero... soteropo... soteropolitano... eita palavra difícil.
Diabinho – Caraca, meu. Mas o que o Dória fez pelos sotero... baianos?
Anjinho – Nada. Mas o ACM Neto quer ser vice na chapa do Dória. E saíram com a conversa de que a família dele é da Bahia. Quatrocentona.
Diabinho – Uma puta sacanagem, meu. Não foi o Dória que, na Embratur, quis tornar a miséria nordestina em atração turística? Então... a Bahia fica no Nordeste.
Anjinho – Foi maus. Mas talvez ele estivesse apenas a tentar ser criativo...
Diabinho – Dória criativo? Só rindo. Os baianos tiveram muita sorte por ele não ter ido ao Pelourinho pintar aquilo tudo de cinza...
Anjinho – Ah... isso foi uma fase. Hoje ele é um homem preocupado com outras coisas, como educação, saúde...
Diabinho – ... saúde... isso faz lembrar o episódio do Serra. Aquele era um cagão. Levou com uma bolinha de papel na cabeça e teve que chamar um cirurgião, fazer tomografia e o escambau...
Anjinho – O Serra apelou. Foi imoral. Como também é imoral atirar coisas nas pessoas.
Diabinho – Ah... pára, né? Diz aí... o que é mais imoral? Atirar ovos ou demolir casas com gente dentro?
Anjinho – Isso foi um acidente...
Diabinho – Ah... e por falar nisso, achas legal aumentar o limite de velocidade na Tietê e Pinheiros e aumentar os acidentes?!?!?!
Anjinho – Ok... não foi uma boa ideia. Mas nem isso justifica jogar ovos.
Diabinho – Fazer o quê? As pessoas dão flores e ele joga fora, na cara dura e na má educação.
Anjinho – Pô, temos que ser republicanos. O que acharias se jogassem ovos no Lula ou na Dilma, por exemplo?
Diabinho – Ah ah ah. Só rindo mesmo. Esses coxinhas nunca vão pegar numa coisa que saiu do cu da galinha. Vão dizer: "Argh! Que nojo!" Só se mandarem as empregadas...
Anjinho – Mas essa confusão ajuda o Dória, porque dá visibilidade...
Diabinho – Que nada. O cabra abre a boca e só sai besteira. Parece coxinha de facebook... só sabe falar no Lula...
Anjinho – Mas ele é o candidato anti-Lula...
Diabinho – Tontice. Isso é coisa daquela revista que ninguém lê e que publicou uma foto na posição de quem está a meio de uma cagada...
Anjinho – Olha aí... não vamos baixar o nível...
Diabinho – Mas o Dória faz uma cagada atrás da outra. Aliás, sabes como acabou a conversa de ontem, depois dos ovos? O cara mandou todo mundo para a Venezuela.
Anjinho – Para a Venezuela? Como uma coisa em Salvador pode acabar na Venezuela?
Diabinho – É o pessoal do golpe. Faz de conta que não vê as merdas no Brasil e só fala em Venezuela, Venezuela, Venezuela...

Anjinho – Puta que pariu... aí não. Tens um ovo aí?
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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Doente


Quanto mais desinformados melhor

POR JORDI CASTAN

Quando a gente lê uma notícia referente à obra de duplicação da Avenida Santos Dumont (aqui) imediatamente já sabe que é uma patranha.

- [Do esp. patraña, alter do esp. ant. pastraña.] Substantivo feminino. 1.Grande peta2 (1). V. mentira (1). 2.História mentirosa; história; patranhada.)?

Pois essa historia da separação das pistas da Santos Dumont com canteiros tem toda a cara de ser um caso flagrante de empulhação.

- ([De empulhar + -ção.] 
Substantivo feminino. 1. Ato ou efeito de empulhar. 2.Bras. Tapeação, embuste, logro.)

Sim estão querendo nos iludir.

- ([Do lat. illudere, com mudança de conjug.] Verbo transitivo direto. 
1.Produzir ilusão em; enganar, lograr; burlar. 2.Frustrar, baldar, defraudar. 3.Usar de subterfúgios para não cumprir; zombar. 4.Tornar menos doloroso, menos amargo; dissimular, disfarçar, enganar).

É que esse pessoal envolvido na gambiarra da duplicação da duplicação da Santos Dumont são mestres na arte de ilusão.

- ([Do lat. illusione.] Substantivo feminino. 
1.Engano dos sentidos ou da mente, que faz que se tome uma coisa por outra, que se interprete erroneamente um fato ou uma sensação; falsa aparência. 2.Sonho, devaneio, quimera. 3. Coisa efêmera, passageira. 4.Logro, burla, engano. 5.Psiq. Psic. Percepção deformada de objeto.) Mas tem que ser dito também que não há povo que goste mais de ser enganado que os moradores desta vila.

Por formação e experiência deveria defender a solução dos canteiros com flores e verde. Mas não o farei porque não parece ser a melhor solução. É só mais uma adaptação ao projeto original, com o objetivo claro de reduzir custos, ao preço de reduzir a qualidade e a segurança de motoristas e pedestres. O projeto original previa que as duas pistas de circulação seriam separadas por um canteiro com paisagismo.

Esta solução exigia uma maior largura de calha e era mais cara, porque demandava mais área a ser desapropriada. A alternativa? Propor que a separação fosse feita com barreiras “New Jersey” em concreto, mais seguras e a solução melhor para aquelas áreas em que não há espaço para colocar canteiros com a largura suficiente para oferecer segurança. Agora aparece uma nova alteração ao projeto, substituindo as “New Jersey” por um canteiro estreito com grama e flores. Uma solução muito mais econômica que as barreiras de concreto e bem menos segura.

Sorria, você está sendo enganado. De engano

- ([Dev. de enganar.] Substantivo masculino.
1.Erro causado por descuido, falta de conhecimento específico ou desatenção.2.Logro, armadilha, embuste. 3.Falsa crença, ilusão. 4.Bras. Restr. Ligação telefônica errada
). 


Outros dirão que você esta sendo engabelado.

(Engabelar. Var. de engambelar.] Verbo transitivo direto. Bras. 1.Enganar com falsas promessas, jeitosamente; enrolar. 2.Distrair; embalar.).

E dirão que o melhor conselho é sempre não acreditar nunca nas mentiras que os políticos contam. Pena que aqui na Villa haja uma legião de crédulos que gostam de ser iludidos pelos mitômanos de sempre. Acreditam tanto neles que os votam a cada eleição e os elegem e reelegem uma a outra vez. Vai gostar de ser enganado assim lá na casa do...


- ([origem controversa)] Substantivo masculino

1. [Calão]  Órgão sexual masculino.