sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Bolsonaristas estão feito baratas tontas

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

O governo Lula vai bem e recomenda-se. O Brasil vem colhendo uma série de bons resultados, tanto no plano interno quanto externo. Fui de férias na semana passada e fiquei uns dias na Espanha. Deu para ver que o noticiário dos nuestros hermanos vem abrindo espaços para o presidente Lula, apesar de não haver uma unanimidade. Em alguns casos, fica evidente o papel relevante do líder brasileiro no plano internacional, mas em outras situações o tom é mais crítico – os europeus não perdoam as ambiguidades do presidente no caso da invasão da Ucrânia.

Fazendo a ponte para o plano interno, as coisas também são favoráveis. Apesar de algumas resistências provocadas pelo “criptoprimeiro-ministro” Arthur Lira (que usa o seu poder de influência para barganhar e tirar vantagens), há motivos para otimismo. A economia cresce acima das expectativas, a inflação fica abaixo das previsões, o arcabouço fiscal dá garantias de estabilidade econômica, as exportações mantêm a tendência de alta. E, imaginem, a reforma fiscal pode acontecer depois de décadas de tentativas frustradas.

Mas o sucesso do governo, tanto no plano externo e interno, tem outras consequências. A oposição bolsonarista está numa tremenda enrascada. Os malucos estavam na torcida para tudo falhar e deram com os burros n´água. Dá um certo prazer constatar o fracasso da profecia de Paulo Guedes. Lembram? O iluminado ex-ministro previu que o Brasil ia virar “uma Argentina em seis meses e chegar a uma Venezuela apenas um ano e meio”. O mais hilário é ver que o tipo agora diz que o sucesso é resultado do trabalho dele. Ipiranga vai na canga.

Que fazer? Sem ideias e sem um projeto de governo, os bolsonaristas estão feito baratas tontas. E ficam agarrados à lógica da mentira. É mentir, mentir, mentir. O problema é que na maioria dos casos as mentiras tendem para o absurdo. O meu bolsonarista predileto, por exemplo, agora ataca o governo Lula com publicações sobre “orçamento secreto, cartão corporativo, queimadas da Amazónia, viagens para o exterior, vacinas (dengue), BNDES e gastos em publicidade”. É puro suco de bolsonarismo. Tudo o que Bolsonaro fez é assacado ao atual governo.

Todo governo precisa de uma oposição decente para estar alerta e corrigir cursos. Mas decência é tudo o que não se pode esperar do bolsonarismo. Sem discurso nem ideias, o que resta aos bolsonaristas é o espetáculo deprimente, como os protagonizados por gente inútil do calibre de Nikolas Ferreira, Gustavo Gayer ou o "jornalista" Alexandre Garcia. É bom ver o bolsonarismo definhar, mas também é importante ter em mente que o Brasil precisa de uma oposição séria e a sério.

É a dança da chuva.



quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Sérgio Moro cidadão honorário de Joinville. Podem rir. Ou chorar...

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Joinville nunca engana. Quando você pensa que a coisa não pode piorar... ela despenca para um buraco ainda mais fundo. E não é que a Câmara de Vereadores quer atribuir o título de cidadão honorário ao atual senador Sérgio Moro, ex-juiz incompetente da Operação Lava-Jato? O projeto foi apresentado por um vereador que atende pelo nome de Nado (PROS). É como diz a expressão popular: de onde você nada espera, daí é que nado sai.

A explicação é o fato de Moro ter atuado na comarca de Joinville, entre 1999 e 2002, com “elevada atuação técnica”. Parece brincadeira? Não é. “Em Joinville, sua atuação foi marcada a ferro na tez local e é reconhecida pelo engajamento na efetivação do Estado de Direito, com atuação lapidar, exemplar, íntegra, dotada de elevada atuação técnica, coerência, e, sobretudo, coragem para atuar com profundo respeito às leis e à Constituição”, pontuou a justificativa.

“Marcada a ferro na tez local”? Quem escreve uma tonteria destas? A coisa pretende ser uma frase de efeito, mas o único efeito que provoca é uma convulsão estilística da tão maltratada língua portuguesa. Mas até faz algum sentido, porque isso de “marcar a ferro” é coisa de gado. O problema é que o gado de Jair Bolsonaro, maioritário de Joinville, já não se alimenta do mesmo capim que os seguidores de Sérgio Moro. Os dois brigam para conquistar a invernada da extrema direita e andam às cabeçadas. 

A argumentação diz que o ex-juiz atua com “profundo respeito às leis e à Constituição”. Onde estava essa gente quando surgiu o consórcio da Vaza-Jato, liderado pelo Intercept? Lembram? Foi aquela série de reportagens que revelaram as ações muito controversas da força-tarefa da Lava Jato. Foi quando ficou escancarado o conluio entre Sérgio Moro e o promotor Deltan Dallagnol. O ex-juiz é o que podemos chamar um “depedrador” do Estado de Direito.

Por que Joinville gosta de Moro? É simples. Porque o ex-juiz fez o favor de prender Lula pouco antes das eleições de 2018 e, desta forma, estendeu o tapete para a eleição de Jair Bolsonaro. A gente pode reclamar e dizer que o “quociente intelectual” da cidade é muito baixo, mas a sua gratidão é férrea. Aliás, mesmo depois da desgraça que foi o governo de Jair Bolsonaro, a cidade resiste como um dos bastiões do bolsonarismo mais obtuso (passe a redundância).

A imprensa diz que a homenagem acontece no dia 6 de setembro, na Câmara de Vereadores de Joinville. É bom ter pressa, porque o futuro do homenageado parece turbulento. Em linguagem pouco jurídica, podemos dizer que o ex-juiz “está mais sujo do que pau de galinheiro”. Muito boa gente acredita que, ainda em 2023, o atual senador Sérgio Moro vai se tornar o ex-senador Sérgio Moro, porque a possibilidade de cassação surge forte no horizonte. E nada garante que a coisa fique por aqui.

Para finalizar, deixo aqui a minha sugestão. O vereador que propôs a distinção a Sérgio Moro também devia ser homenageado. E de forma exemplar. Ouvir umas 10 horas ininterruptas de discursos de Sérgio Moro, com a sua inconfundível voz de marreco, dicção atrapalhada e dificuldade em lidar com a língua portuguesa. Depois disso ele iria pensar duas vez antes de propor esse tipo de besteira.



sábado, 19 de agosto de 2023

Os astros estão se alinhando para Carlito Merss

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
O leitor e a leitora conhecem a expressão “os astros estão se alinhando”? É uma coisa que vem da astrologia, mas que acabou incorporada ao léxico do dia a dia das pessoas. É a expressão que melhor define a posição do ex-prefeito Carlito Merss, quando lançamos um olhar sobre as eleições para a Prefeitura de Joinville, no ano que vem. Em que consiste esse alinhamento? Numa série de fatores favoráveis que criam uma  “tempestade perfeita” (aqui no bom sentido).

O primeiro fator é a repetição do ambiente das eleições de 2008, na altura bastante favorável. O Partido dos Trabalhadores estava no governo federal, com Luiz Inácio Lula da Silva na presidência, e isso trouxe vantagens aos candidatos petistas. A economia brasileira estava num bom momento e a sociedade brasileira respirava otimismo. Isso permitiu diminuir a resistência ao partido e contribuiu para a vitória de Merss. É sempre bom lembrar que Joinville não tem tradição de votar à esquerda.

Hoje Luiz Inácio Lula da Silva está de volta ao Governo Federal e tem mantido um bom desempenho. O que, aliás, nem chega a ser um mérito tão extraordinário se a comparação for com o seu antecessor. O governo de Jair Bolsonaro foi o mais desastroso na história do país e não há como fazer pior. O desgaste da imagem do bolsonarismo joga a favor dos candidatos do Partido dos Trabalhadores. E estão dadas as condições para crescer também no plano municipal.

O ex-presidente Jair Bolsonaro está muito enrolado com a Justiça e o seu inferno nem bem começou. É muito provável que acabe na Papuda. Os próximos meses devem ser fatais para o bolsonarismo e há indícios de que muitos – os que não são bolosnaristas raiz – já estão a saltar do barco. Para usar uma expressão popular, Bolsonaro e o bolsonarismo estão mais sujos do que pau de galinheiro.

É uma situação que pode respingar no sapatênis do atual prefeito Adriano Silva, que nunca escondeu a sua condição de bolsonarista. Tudo isso sem falar que o desempenho do atual prefeito é pífio, apesar de continuar a ter o apoio dos eleitores das classes média alta e alta. É importante considerar também que o próprio partido Novo não está bem na fotografia. É um candidato forte? Sim. Mas tem rachaduras no dique? Tem.

O que os olhos não veem o coração não sente, já diz o velho ditado. Mas se tudo correr conforme o prometido, os eleitores vão começar a ver obras do Governo Federal. Esta semana o presidente Lula anunciou as obras do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que incluem as seguintes obras em Santa Catarina:
- BR-470 (adequação Navegantes - Rio do Sul);
- BR-280 (adequação São Francisco do Sul - Jaraguá do SuI);
- BR-282 (adequação Florianópolis - São Miguel Do Oeste); 
- Nova sede do Instituto de Cardiologia;
- Mais moradias do Minha Casa, Minha Vida.
São as obras de maior vulto, mas também há ações previstas no plano do saneamento básico, educação, ciência, inclusão digital, entre outros.

Que papel Carlito Merss pode ocupar neste panorama, em especial nos projetos mais ligados à região de Joinville? Hoje o petista ocupa o cargo de Gerente de Políticas Públicas do Sebrae Nacional e desfruta de um bom trânsito em Brasília. É uma vantagem, porque a atual posição permite ter as portas abertas nos gabinetes do Governo Federal. O eleitor é sensível a este aspecto.

Outro fator que parece um pormenor, mas na prática é um “pormaior”. O fato de atualmente estar no Sebrae permite uma maior exposição midiática, o que é essencial para levar o seu nome de forma mais recorrente aos eleitores. É uma questão de inteligência comunicacional. Enfim, o universo conspira a favor do petista e, como dizem os gaúchos, “um cavalo encilhado não passa duas vezes”. É tomar as rédeas.

No entanto, há algumas questões que deixam uma eventual candidatura em suspenso. A primeira é que o próprio Carlito Merss não parece disposto a concorrer. Outro fator tem sido o baixo desempenho do partido na conquista de lugares na Câmara de Vereadores e essa é uma sustentação necessária para governar bem. E, por fim, a sua escolha também não é consensual dentro do partido, onde ainda há algumas pessoas pouco focadas na lógica das probabilidades.



segunda-feira, 31 de julho de 2023

Que tal pôr o Mercado Municipal de frente para o Cachoeira?

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Um dia destes um amigo estava a elogiar o Mercado de Lages. Segundo ele, na comparação com o mercado municipal de Joinville, o nosso leva uma sonora goleada. Aproveitei para introduzir um argumento que parece interessante, mas que nunca vi ser discutido: é preciso que o mercado local deixe de estar de costas viradas para o rio. O ambiente proporcionado pelos flamboyants é muito agradável, mas um rio acrescenta encantos e tem enorme potencial. Aliás, um passarinho contou que os flamboyants poderiam estar em risco por serem árvores exóticas.

O tema é oportuno. A Prefeitura de Joinville pretende realizar uma obra a que chama Porto Cachoeira, um parque linear urbano às margens do rio. É uma boa iniciativa, que, aliás, só peca por tardia. Ter um espaço junto ao rio deveria ser a coisa mais natural do mundo. Mas sem querer jogar água no chope, o São Tomé que habita em mim quer ver para crer. O historial da cidade na "realização" de obras de grande porte não tem seguido o melhor dos percursos ao longo dos tempos.

Um parque linear é bom, mas o rio precisa de atenção para se tornar mais agradável. E uma pequena mudança no Mercado Municipal, voltando-o para o rio, podia ser um bom início. Aliás, seria um retorno às origens. É bom lembrar que, no fim do século XIX, o comércio obrigava a cidade a estar virada para o rio. O Cachoeira tinha cais, porto, armazéns e até o moinho de trigo. Foi então que prefeito Procópio Gomes de Oliveira construiu o primeiro Mercado Público, de arquitetura açoriana.
 
Quando Luiz Henrique da Silveira assumiu a prefeitura, o prédio foi demolido para dar lugar à construção que existe hoje, um exemplar daquilo que as pessoas chamam “estilo enxaimel”. Mas não tem estilo e nem é enxaimel. Hoje o Germano Kurt Freissler é um lugar agradável, mas ainda há muitas insuficiências para fazer do lugar um espaço turístico sem restrições. O espaço tem potencial para ser um "ex-libris" da cidade. Mas isso exigiria iniciativa, investimentos e um olhar para além das eleições.

Talvez seja boa ideia mudar o "modelo". Sem retirar o ADN do local, tentar aumentar a oferta e pôr o local mais em sintonia com os mercados modernos que vão surgindo pelo mundo. Como? Não me perguntem. Eu sou apenas o gajo que passa um mês por ano em Joinville e gosta de tomar uma cerveja à beira de um rio. Os gestores públicos, que são pagos para isso, que descalcem essa bota. Afinal, é para isso que as pessoas pagam impostos: para que eles encontrem soluções. Eu apenas faço sugestões.

É a dança da chuva.

Mercado de Lages


domingo, 23 de julho de 2023

No fio do bigode

 POR JORDI CASTAN

A CAJ (Companhia Águas de Joinville) é a joia da coroa da administração municipal. Uma empresa que, se for bem administrada, fiscalizada e cobrada poderá ser motivo de orgulho para todos os joinvilenses. Como toda empresa pública, seus processos estão sujeitos as leis. A famosa lei 8666 estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Esta lei foi atualizada com a publicação da 14133. A principal diferença entre a lei 8666 e a lei 14133 é que a nova lei 14133 se adequa às novas tecnologias e às necessidades do setor público atual.

Conheço bem a 8666, da época em que fui presidente da CONURB, empresa municipal de economia mista. Conheço menos a 14133, mas em nenhum dos seus artigos e parágrafos encontrei o termo “no fio do bigode” como forma de contratação ou de negociação ou acordo entre as partes, quando uma delas está sujeita ao cumprimento da lei. Mas de acordo com o depoimento dado na Câmara de Vereadores pelo proprietário do imóvel alugado à CAJ, tudo foi feito no "fio do bigode".

Fui estudar o significado da expressão e a época em que surgiu: o bigode era um símbolo de homem honrado, que, além de barba, tinha "vergonha na cara". Seu significado é prometer algo verbalmente, sem precisar de assinatura, e sua origem é incerta. Acredita-se que tenha surgido da frase germânica “Bei Gott”, usada em juramentos e que significa “por Deus”.

Nada de encontrar essa figura como forma válida e legal para contratação com o serviço público de produtos e serviços. Ainda para complicar, nesta época em que há tantos “homens” usando barba e bigode fica mais difícil poder assegurar que haja tanto homem honrado. Vai que duvido da honestidade de muitos que são. Mas o legislador quando não previu a contratação “no fio do bigode” deveria saber por que não o fez.

A história é simples, até simples demais. A CAJ contratou, se acreditarmos no depoimento do Sr, Arlindo Tambosi  que construiu um prédio completo para a Companhia Águas de Joinville. Sem outra garantia que o fio do bigode. No mínimo é temerário. O prédio em questão é a nova sede da CAJ localizada na região central de Joinville e foi construída sob medida para atender as demandas da Companhia, num modelo denominado BTS ou Build to Suite, numa tradução livre, construído para servir a um propósito específico.

Não vou entrar no mérito do saber se a nova sede melhorou o acesso do joinvilense, nem se representou um aumento da qualidade do atendimento ou do número de posições de atenção ao cliente porque não há ônibus passando na frente, não houve aumento do numero de posições. Portanto, até agora parece que não melhorou em nada a vida do cliente.

O processo de contratação desperta dúvidas, especialmente na forma de pago do aluguel, nos valores e nas parcelas contratadas. Está mais do que na hora de colocar luz neste esgoto em que esta se convertendo a que deveria ser motivo de orgulho para todos. Aliás, Joinville tem ainda um dos percentuais de cobertura de saneamento básico mais vergonhosos do Brasil, especialmente entre as cidades de seu porte. Quando a água da torneira deixa de ser incolor, inodora e insípida? É hora de investigar mais. 

terça-feira, 18 de julho de 2023

Se Floripa vai ter o Dia do Batman, Joinville devia ter o Dia do Riquinho

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Floripa pode vir a ter o Dia do Batman. E eu, que sou muito invejoso, fico a imaginar a criação de uma data para Joinville poder competir com a capital. Depois de um extensivo benchmarking (palavrinha que esse pessoal do Novo adora de paixão), tenho uma sugestão a fazer: que tal criar o Dia do Riquinho? Sim, aquele menino podre de rico. Não sei se vocês concordam, mas acho que tem tudo a ver com a vida política da cidade.

Riquinho é um personagem das histórias em quadrinhos criado por Alfred Harvey e Warren Kremer. É um garoto herdeiro de uma fortuna. As histórias de Richie Rich, o seu nome em inglês, geralmente envolvem aventuras a explorar o seu parque de diversões privado ou a enfrentar vilões. Olha a metáfora aí, gente: poderíamos dizer que os vilões são os caras da esquerda (geralmente pobres de marré) e o parque de diversões seria a própria cidade. Não faz sentido?

Resumindo, Riquinho é conhecido por ser uma criança rica, muito rica. É herdeiro de uma fortuna incomparável, proveniente dos negócios bem-sucedidos de seus pais e ancestrais. Na história em quadrinhos, a sua riqueza é retratada através de uma mansão gigantesca, conhecida como "Mansão Rich". Sem querer ficar repisando nas metáforas, acho que podemos fazer outra analogia com um certo prédio na avenida Hermann August Lepper, que também é muito grande.

O personagem Riquinho é tido como inteligente, tudo graças à sua educação privilegiada. Mas há um contrassenso. Se existisse em carne e osso, o rapaz seria bolsonarista, até porque é uma questão de classe. Os muito ricos – em especial de Joinville – adoram Bolsonaro. Mas não existe coisa mais desinteligente do que ser bolsonarista. Enfim, mesmo que uma pessoa seja criada com iogurte de leite de beija-flor, isso não é garantia de pensamento sofisticado.

E como o pessoal que manda na city tem o mindset nas coisas do marketing, proponho a introdução de um processo de "ritual markerting". A data (um feriado, claro) seria a 15 de dezembro, o Dia do Jardineiro, e teria um ritual: nesse dia seria implantado o costume de dar flores e livros. A ideia é inspirada na festa de Sant Jordi, o santo padroeiro da Catalunha. Lá são rosas, mas em Joinville pode ser qualquer flor. Quanto aos livros, só obras do “filósofo” Olavo de Carvalho.

Vai ser um sucesso. Chupa, Batman. Chupa, Floripa.

É a dança da chuva.

Em Floripa, Dia do Batman. Em Joinville, Dia do Riquinho



sábado, 15 de julho de 2023

Joinville não gosta de Lula, Lula gosta de Joinville

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

A notícia foi veiculada em junho. A Secretaria de Saúde de Joinville aderiu ao programa Mais Médicos, com um pedido para a contratação de 51 médicos (é um número esquisito, mas todos sabemos que 51 é uma boa ideia). O Mais Médicos, agora retomado pelo Governo Federal, é um projeto vantajoso para os municípios, já que a prefeitura paga apenas os auxílios moradia e alimentação, com o Governo Federal assumindo as outras despesas. 

Muita gente podia imaginar entraves por parte do atual Governo Federal. Afinal, Joinville é um dos redutos mais bolsonaristas do país. É irônico lembrar o azedume revanchista do ex-presidente, que discriminou os governadores da região Nordeste, onde teve menos votos. Em 2019, ele afirmou que muitos dos governadores nordestinos "são socialistas". "Eles vão ter que falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro. Caso contrário, eu não vou ter conversas com eles", disse. 

Mas no caso de Joinville não houve qualquer entrave. Ainda esta semana, apenas um mês depois, o município soube que o pedido tinha sido aprovado e que os médicos iriam ser contratados. Qual a diferença entre Bolsonaro e Lula da Silva? É que Lula segue uma lógica muito clara: o presidente governa para todos os brasileiros, mesmo os que não gostam dele e não votaram nele. Lula segue o mais elementar espírito republicano, algo que o inelegível Bolsonaro nunca praticou e sempre desprezou.

A previsão é de que os médicos do iniciem as atividades até ao final deste ano. Mas não vamos fazer de contas que  muita gente ligada à esquerda não conseguiu esconder um certo sorriso. Porque, cá entre nós, não deixa de ser um tapa com luva de pelica no pessoal que odeia o atual presidente. Lula, que é odiado, faz o bem para a cidade. Bolsonaro, que é amado e até recebeu uma machadinha, sempre cagou e andou para a cidade e nunca trouxe qualquer contributo para a vida dos joinvilenses. Ironias...

Só faltava o presidente Lula criar o programa Mais Jardineiros. Isso sim ia fazer a felicidade da administração pública em Joinville.

É a dança da chuva.



sexta-feira, 14 de julho de 2023

Os meus filhos

POR JOSÉ ROBERTO PETERS

Amo meus filhos. São parecidos comigo e com a mãe deles, só que mais bonitos. São preparados, só que mais inteligentes. Têm qualidades e defeitos. Por isso estão preparados. Vão errar? Com certeza. Mas vão acertar muito mais. Minha filha é doutoranda, meu filho faz duas faculdades. Falam inglês, espanhol e sei lá mais que línguas. Se fossem viajar pelo mundo não seriam como eu: pra comer eu ia ter que fazer gestos ridículos de passar a mão pela barriga e meio que “abanar a língua”.

E é pra isso que a gente cria filhos: pra se virar no mundo, que é bem diferente do que era quando eu tinha a idade deles. Se eu tenho saudades do meu tempo? Não. Criar filhos hoje é mais fácil. Eles têm mais informação, mais teorias e mais acesso à informação. Imagino se meus pais vivessem no tempo do google — e não da “Barsa”, quando a gente estava em idade escolar —, onde estaríamos (eu e meus irmãos) hoje? Não porque o google é superior à Barsa, mas porque meus pais entendiam o poder da educação e da informação.

Hoje ouvi alguém no ônibus contar uma história (era uma conversa alheia) — no transporte coletivo não há como não ouvir — de uma mãe que estava tendo um problema: “Dois filhos: a filha doce e o filho rebelde, que tinham conseguido uma vaga numa ‘escola militar`”.

[Abro aqui um parêntesis (no caso usei colchetes): a escola é “militarizada” e não militar. A escola militar (das forças de segurança: polícia, exército etc.) tem um propósito: formar policiais, oficiais do exército etc. A escola militarizada tem o objetivo de “disciplinar” os alunos com: fazer tarefas, se calar ante os de hierarquia superior, não usar cabelos soltos e brincos (as meninas) ou cabelos grandes e brincos (os meninos) e que tais]. Fechado o parêntesis (ou colchetes), volto à história.

Pois bem, “a filha doce odiou. O filho rebelde amou. Ah! Dizia a que mulher que contava a história. ´As crianças de hoje — mesmo falando sobre adolescentes — não gostam de disciplina, não sabem cantar o hino nacional e não gostam de rezar`”. Parece que estas eram as atribuições que se queria na tal escola: obedecer, cantar o hino e rezar. Vai ver — e isso é um palpite — que a “filha doce” (que obedecia, sabia o hino e orava) descobriu que a vida é mais do que isso. E que o “filho rebelde” (que não obedecia, não sabia o hino e não orava) descobriu que a vida é também isso.

Ora, me lembrei de uma aula que dei em um curso de pós-graduação, em Goiânia, em que uma aluna falou que agora que a escola estava militarizada e a disciplina era outra: muito melhor. Eu perguntei sobre o aprendizado. Ela disse que “a mesma coisa de antes, ruim. Mas, pelo menos, não precisava ficar pedindo silêncio”. Isso: alunos dóceis e ainda sem aprender.

Paulo Freire dizia que educação é amor. Onde tem alguém disposto a ensinar e alguém disposto a aprender está estabelecida uma relação de educação. E a disposição para ensinar (ou aprender) é nata do ser humano (talvez a sua essência). E educar é libertar. É propor (e expor) o outro pro mundo. E o mundo é o que se vê por aí: tem de um tudo. Sonegar informação é dificultar a caminhada.

Assim, meus filhos, na medida do possível e das possibilidades — veja nessa construção: possível e possibilidades. O mesmo radical para dizer “o que demos conta” e “o que dava pra fazer” — vão até onde quiserem, mas terão que fazer a sua parte na construção e com as “armas” que demos e que têm. E estas “armas” são privilégios. Os defensores da tal meritocracia não levam em conta os privilégios. E é isso, todos deveriam ir até onde quiserem, independente do ponto de partida. Mas a gente sabe que não é bem assim. E não é só ensinar hino, obrigar a obedecer e fazer orar que vai fazer um cidadão. A vida é mais do que isso.
 
José Roberto Peters é pai de dois filhos e professor universitário.





quinta-feira, 13 de julho de 2023

Lugar de milico é nos quartéis, não nas escolas

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Mas que boa notícia. O Ministério da Educação decidiu acabar com essa coisa das escolas militares. Há quase quase 200 instituições na mira, em todo o país, e o desmanche dessa aberração bolsonarista exige alguns cuidados. É claro que já existe um certo choro e ranger de dentes, em especial dos militares que vêm atuando na gestão escolar e educacional dessas instituições. Afinal, uma graninha extra sempre calha bem. E os militares brasileiros parecem habituados à teta estatal.

“A partir desta definição, iniciar-se-á um processo de desmobilização do pessoal das Forças Armadas envolvidos em sua implementação e lotado nas unidades educacionais vinculadas ao Programa, bem como a adoção gradual de medidas que possibilitem o encerramento do ano letivo dentro da normalidade necessária aos trabalhos e atividades educativas", diz o ofício do Ministério da Educação. Traduzindo, quer dizer que lugar de milico é no quartel.

Educação é coisa séria e há muito a fazer neste caso. Ou melhor, a desfazer. Os defensores do modelo argumentam que, por impor disciplina, essas escolas trazem benefícios. É só estupidez. A disciplina é importante, mas o foco excessivo nesse aspecto não pode se sobrepor a outras áreas do conhecimento. Isso limita o desenvolvimento de habilidades acadêmicas e criativas, bem como a capacidade dos alunos de questionar e explorar diferentes ideias.

Os aspectos negativos são evidentes. A abordagem autoritária num mundo que exige pensamento crítico e criativo é o mais relevante. A hierarquia e a disciplina rígida levam a um ambiente onde a liberdade de expressão e individualidade são suprimidas. Não é pedagógico e também não aponta para a necessária vivência em democracia. O que surpreende em nada, uma vez que estamos a falar de uma iniciativa bolsonarista. E nada de bom vem de Bolsonaro.

Nem se trata de discutir a questão pedagógica. Os milicos sequer sabem o que é isso. Mas grana é grana e um extra no fim do mês seduz. Eis o problema: essas escolas estavam a se tornar um tremendo cabidão de emprego. Portanto, é melhor passar uma borracha nessa cagada. O Brasil precisa sair do atraso. O caminho precisa ser o futuro e não a volta desse fedor de 64. Voltem para os quartéis, senhores!

É a dança da chuva.



terça-feira, 11 de julho de 2023

Ei, Eduardo Bolsonaro, vai se f...

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Há coisas que nem o diabo acredita. E não é que o deputado Eduardo Bolsonaro foi associar os professores a traficantes de drogas? O tipo disse disse que os pais precisam estar atentos a professores doutrinadores e que eles podem ser piores do que quem sequestra crianças para o tráfico. A fala surpreende? Não. Estamos a falar da tática de "dog whistle", usada para mobilizar o gado.

A família Bolsonaro é um caso típico de “dark factor”. Não sabe o que é? É uma teoria da psicologia que busca descrever um conjunto de características da personalidade associadas a comportamentos e tendências ruins. Também conhecido como “D-factor", ele se baseia na ideia de que existem traços negativos que são compartilhados e que podem influenciar uma série de comportamentos antiéticos ou imorais.

Eduardo é uma expressão de Jair. Aliás, no Brasil eu me atreveria a chamar “B-Factor, numa “homenagem” à alma sombria dos Bolsonaro. O conceito surgiu de estudos que tentavam explicar o comportamento humano negativo. As conclusões são baseadas em pesquisas que identificaram uma correlação entre diferentes traços de personalidade negativos, como o narcisismo a psicopatia e o sadismo. 

O "dark factor" fala de indivíduos com traços psicopáticos que podem ir da falta de empatia a comportamentos destrutivos. Vejam lá se estes fatores não correspondem ao bolsonarismo raiz: a falta de empatia, o uso da manipulação e da mentira, o comportamento impulsivo, a busca por poder e controle ou mesmo as práticas antiéticos. Se fosse uma aposta era jackpot. 

É claro que o deputado estava a falar para os bolsonaristas. Porque ainda há muita gente receptiva a esse tipo de discurso. Aliás, sem querer psicanalisar, não foi Bolsonaro que fez essas pessoas ficarem más, ele apenas libertou a maldade que estava reprimida em cada uma delas. A identificação com líder ocorre quando os seguidores projetam suas esperanças, aspirações ou a própria maldade nessa figura. 

O exemplo dos Bolsonaro permite lançar a suspeita de que a maldade pode ser genética. É tudo ruim. E pensar que esse Eduardo Bolsonaro é considerado o "intelectual" da família. Enfim, eu, como professor, só tenho uma coisa a dizer ao deputado. E vou escolher a forma mais acadêmica e letrada possível: “Ei, Eduardo, vai se foder, seu bosta”.

É a dança da chuva. 

Eduardo Bolsonaro: a favor das armas, contra os professores


domingo, 9 de julho de 2023

Socorro! Há um comunista debaixo da cama

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

O povo de Santa Catarina morre de medo de comunismo. E há políticos que estimulam essa doideira, como a deputada Júlia Zanatta, aquela das florzinhas. Credo! A mulher é mais bolsonarista que o próprio Bolsonaro. “Os deputados que votaram pela Reforma chancelaram ao Conselho Soviético a possibilidade de editar Lei Complementar. Não existe mais Constituição no país”, afirmou. 

Conselho Soviético? Mas o tema não era a Reforma Tributária? Que raio de deambulação mental permite introduzir os sovietes na equação? Até estaria tudo bem se não estivéssemos a viver num tempo em que a União Soviética não é União e muito menos Soviética. "Todo poder aos sovietes", diria alguém com a memória num longíquo 1917. Entenderam a deputada? Não? Tudo bem. Ninguém entende. 

O irônico é que a maioria das pessoas - deputados ou não - não faz ideia do que está a falar. Porque para essa gente, sobretudo os bolsonaristas, o comunismo não é um programa político ou um sistema de governo. É apenas o bicho-papão para assustar os tolos. Os catarinenses não votam contra a esquerda, mas contra o espantalho comunista criado pelo conservadorismo. 

Santa Catarina sofre de "comunismofobia". Quando um catarinense ouve a palavra "comunismo", surta e começa a delirar. É capaz de ver perigo quando alguém propõe que os pobres tenham três refeições por dia. O cidadão imagina, cheio de horror, o dia em que vai ser obrigado a partilhar o último pedaço de bolo com o vizinho. O povo catarinense, talvez uns 70% dele, transformou o bolsonarismo em estilo de vida.

Lula é o inimigo a abater. O atual presidente é o "comuna-mor", a encarnação de todo esse medo. É como se à noite Lula se transformasse num super-vilão que sai pelas ruas obrigando todas as pessoas a usar estrelinhas do PT. E como se fosse um Freddy Krueger vermelho, que invade os sonhos burgueses para pregar o comunismo. Enfim, esses comunas são bandidos capazes de qualquer crueldade. 

E o mais divertido. Os anticomunistas falam sobre comunismo sem jamais terem lido um texto. É como um jogo de telefone sem fio, mas em vez de palavras, eles passam e repassam estereótipos e caricaturas. Imaginam barbudos comunistas tentando implantar o regime soviético. Enfim, o medo do comunismo só não é maior que a burrice voluntária desse pessoal. Ninguém faz a mais pálida ideia do que está a falar.

Quem entra numa rede bolsonarista é logo capturado pelo anticomunismo mais primário. E nem vale a pena tentar argumentar porque são estados mentais muito rudimentares. É como no “Complexo do Pombo”: discutir com essa gente é o mesmo que jogar xadrez com um pombo. Ele derruba as peças, caga no tabuleiro e sai voando a cantar vitória. Então, rir (deles) é o melhor remédio.

É a dança da chuva.



sexta-feira, 7 de julho de 2023

Ah, Santa Catarina, sua ingrata...

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Eis os fatos. Em 2023, com apenas seis meses do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o estado de Santa Catarina está a receber um volume muito considerável de verbas federais. O dinheiro está a chegar através de emendas parlamentares ou de investimentos na malha rodoviária do estado. Não deixa de ser irônico se considerarmos que Santa Catarina é considerada o mais ostensivo reduto bolsonarista do país.

Quanta diferença para o governo anterior. Mas não surpreende. Lula é um estadista, ao contrário do seu antecessor, que discriminou a região Nordeste, numa atitude revanchista pelo desempenho eleitoral pífio. Todos lembramos daquela declaração muito pouco republicana: “daqueles governadores de 'paraíba', o pior é o do Maranhão; tem que ter nada com esse cara", disse Bolsonaro para gáudio do seu gado.

Vamos falar de rodovias? Em três anos de governo de Jair Bolsonaro, entre 2020 e 2022, o investimento foi de R$ 1,1 bilhão. O governo Lula nem bem começou e em apenas seis meses destinou um total de R$ 1,3 bi. Ou seja, num curto espaço de tempo o presidente Lula fez mais do que Bolsonaro durante quase toda a sua administração. Se é que podemos chamar aquele desastre de "administração". 

Contra fatos não há argumentos. Durante o governo Bolsonaro, as obras andaram devagar, quase parando. O ex-presidente foi um inútil. E, afinal, a ligação a Santa Catarina não era amor. Era interesse nas férias. Muitas férias. Andar de jet-ski, passear de moto, pescar ou aglomerar durante a pandemia. Era preciso tirar férias de uma vida com agenda vazia em Brasilia. Fazer porra nenhuma deve ser estressante.

E que tal falar de emendas parlamentares. Há poucos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou um valor recorde de R$ 2,1 bilhões destinados às bancadas estaduais. E adivinhem. As maiores parcelas foram direcionadas para a bancada do Maranhão (R$ 171,1 milhões), com Santa Catarina ficando em segundo (R$ 147,9 milhões). Ah, Santa Catarina, sua ingrata.

Mas vejam a ironia. Dos 16 deputados federais de Santa Catarina, 11 votaram contra a Reforma Tributária, um projeto que a sociedade brasileira pede há quatro décadas. É um tema de interesse nacional, mas esses deputados catarinenses - todos bolsonaristas - votaram contra. Entre eles, o inenarrável Zé Trovão, representante de Joinville no Congresso Nacional. Aí é foda, Joinville. Aí é foda, Santa Catarina.

Bolsonaro veio passear, causou aglomeração e não trouxe dinheiro. Mas mesmo assim é amado pelos catarinenses.


quarta-feira, 5 de julho de 2023

Falar no diploma de Lula é só conversa para boi dormir

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

As cenas surgiram na internet, mas no início não reconheci aquele senhor idoso, muito alquebrado e com ar abatido, a dar uma entrevista no programa Roda Viva. Foi preciso pesquisar um pouco para saber que era o apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, na desinteligência dos seus 87 anos. O excerto que circulou na internet tinha a ver com o diploma de Lula. Que tédio.

O homem não foi meigo. “O senhor me explica de um presidente da República, no dia que recebe o diploma de presidente, chora e diz que é o primeiro diploma que recebeu na vida? Um homem que não tem um curso ginasial, universitário, contábil, qualquer coisa que seja, ser presidente da República? Por isso que o país está desse jeito”, disparou o senhor da praça.

É apenas ranço de classe. No Brasil, um canudo universitário é historicamente associado a um status social mais elevado. Houve tempos em que ter um diploma na parede era um privilégio reservado aos ricos. Aliás, esse é um borrão difícil de limpar no inconsciente social da pequena-burguesia endinheirada. Os ricos brasileiros precisam ter pobres à volta para se sentirem verdadeiramente ricos.

Há um pavor de classe. Se os pobres começam a ter pleno acesso ao ensino, há o risco de se desequilibrar a “ordem natural”. É importante que os pobres fiquem no lugar dos pobres. E lugar de pobre não é nas universidades. A educação precisa continuar a ser um divisor de águas na sociedade: os ricos têm diplomas, os pobres não precisam. Porque, afinal, devem permanecer na escala inferior que lhes é destinada.

A intervenção do senhor, que herdou do pai um banco inteirinho (daqueles de sentar), foi logo atacada pelo pessoal da esquerda. Lembraram que Sílvio Santos, o verdadeiro dono da praça, também não tem diploma. Mas isso é apenas whataboutism e pouco contribui para discutir o que realmente interessa. Importante lembrar que nos dois primeiros mandatos, o atual presidente criou 18 novas universidades federais e 173 campus universitários.

Importante salientar também que, durante esse período, o governo petista conseguiu duplicar o número de alunos do ensino superior no Brasil. Ou seja, a população brasileira com ensino superior passou de 8,3%, em 2002, para quase 17% da população. Para ter uma comparação, é só dizer que os números de pessoas com ensino superior em Portugal, com 35%, e Suécia, onde o número sobe aos 43%. Há muito a fazer e Lula não baixa os braços.

Portanto, falar da falta de diploma do presidente é apenas conversa para boi dormir. Tudo misturado com uma boa dose de ressentimento de classe. Porque Lula tem muita inteligência emocional e sabe ler o mundo melhor que muitos dos seus críticos. É conversa de reacionários tentando ter algum tema, num tempo em que o governo está a conseguir pôr o país nos trilhos. Além de que um apoiante de Bolsonaro nada deve à inteligência.

É a dança da chuva.



 
Em tempo: em 2012, escrevi um texto chamado “Os licenciadozinhos contra o Doutor Lu”, aqui mesmo. Dá um pulinho lá.
http://www.chuvaacida.info/2012/05/os-licenciadozinhos-contra-o-doutor.html

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Bolsonaro na Prefeitura de Joinville... já!

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Jair Bolsonaro se ferrou. Ficou inelegível e a previsão é de que o seu futuro passe pela cadeia. Desde a leitura da sentença, o choro dos bolsonaristas ainda não parou e as redes sociais estão inundadas pelas lágrimas dessa gente. Depois de tantos malfeitos, os bolsonaristas continuam na defesa do seu “mito”. Faz sentido, uma vez que “mito” e “mentira” são sinônimos. Afinal, quando algo não é verdade, a gente diz: “isso é mito”. Ou não?

Fiquei curioso para saber as reações em Joinville, onde 76,6% votaram no sujeito. Dá o que pensar: já imaginaram que entre cada 10 pessoas há 8 bolsonaristas? É uma cidade difícil para encontrar amigos com dois dedos de testa. O rio Cachoeira também deve ter transbordado com as lágrimas dessa gente. E por falar no rio e em alagamentos, uma das reações que mais chamou a atenção foi a do prefeito da cidade.

Logo após a leitura da sentença de inelegibilidade (eita palavrinha disgramada), o prefeito de Joinville (do partido que se diz novo mas é velho e se diz liberal mas é ultraconservador) vestiu a pele do rapaz cordial e insinuou que a Justiça estava a exagerar na punição. O digníssimo prefeito correu para a sua conta do Twitter em defesa de Jair Bolsonaro, mesmo sem citar o seu nome. 

“A liberdade de expressão é um direito constitucional de todos os brasileiros. É lamentável que pessoas sejam julgadas e condenadas unicamente por expressarem suas opiniões. Defendo uma democracia com liberdade de diálogo e de opiniões”. Ora, a nota do prefeito é inconsistente, banal e vazia. Ou seja, em termos de ideias é uma mão cheia de nada. Serve apenas para deixar clara a sua opção bolsonarista.

A inelegibilidade de Bolsonaro parece importante para o prefeito, porque ele raramente aparece na rede do Elon Musk. Desde 2019 foram apenas 42 tuítes sobre assuntos que sequer pedem comentários. Mas se a preocupação é tão grande, fica aqui a sugestão: arranjar um lugar para Bolsonaro no segundo escalão da administração municipal. Afinal, não são cargos “elegíveis” e a escolha podia fazer muito pelo marketing da prefeitura.

E como estou a dar a sugestão, tomo a liberdade de ir mais longe: que tal oferecer a Secretária da Saúde, uma área na qual o ex-presidente tem enorme expertise. Mas faço um aviso: tem que ser rápido, porque a cada dia que passa a porta da cadeia se abre um pouco mais para Bolsonaro. A não ser, claro, que o deputado Zé Trovão, outro representante da cidade, e os seus parceiros consigam fazer passar o projeto de anistia para o ex-presidente.

É a dança da chuva.





quarta-feira, 28 de junho de 2023

Em inglês, os caras até parecem gênios

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Pensamento é linguagem. Quando a gente está a pensar usa palavras e daí a importância de saber o valor exato de cada uma delas. É também uma forma de defesa, porque manipulação das palavras é uma das marcas do capitalismo. Ou seja, é uma estratégia ligada à construção de narrativas que visam proteger e promover os interesses econômicos e comerciais.


A introdução de léxicos estrangeiros, sobretudo do inglês, é uma prática comum no meio empresarial. Já notaram que idiotice dita em inglês fica logo parecendo uma coisa do outro mundo. Mesmo as piores sacanagens ficam parecendo obras de anjinhos. Os gurus da economia, por exemplo, usam e abusam. Duvida? Então vamos ver alguns exemplos de coisas que, em inglês, assumem significados quase inofensivos.


Downsizing – Na língua dos administradores significa uma inocente redução dos níveis hierárquicos de uma empresa. Mas em linguagem de gente quer dizer que algum gestor inepto não soube fazer o seu trabalho e, para salvar o couro, teve que fechar departamentos e demitir uma porrada de gente. Há uma diferença entre dizer “o cara demitiu funcionários” ou “o administrador procedeu a um downsizing na empresa”. Em inglês, o sujeito até parece um Einstein.


Outsourcing – É a tal “terceirização”: uma empresa compra soluções a outra empresa. Ou seja, demite os seus funcionários (que tinham custos laborais e outras coisas mais), perde o know-how acumulado e passa a comprar de outro sujeito que produz com custos menores. E por vezes com os mesmos trabalhadores que foram demitidos.


Team building - É uma estratégia para motivar os trabalhadores e, desta forma, melhorar as performances no trabalho em equipe. O team building pressupõe uma série de atividades em que a colaboração entre trabalhadores e o eixo central. Na realidade são ações que contam com benefícios fiscais e pouco custam às empresas.


Outplacement – Isso acontece depois das demissões do tal downsizing. É quando se tenta recolocar um ex-trabalhador numa outra empresa. Dito em língua de gente simples quer dizer: “Nós te demitimos e estamos nos cagando para ti. Mas somos simpáticos e até indicaremos um consultor para te orientar. Também vamos escrever umas cartinhas para levares a outras empresas. No fim vais achar que nós, que te demos com o pé na bunda, somos mais bonzinhos que a Madre Teresa de Calcutá”.


Empowerment – É empoderamento em português. Significa dividir o poder de decisão com o grupo de trabalho. É uma forma de um superior se livrar de tarefas chatas e passar a batata quente para as mãos dos subordinados. E o chefe sempre tem alguém para pôr a culpa se a coisa sair mal.


Benchmarking – Parece sofisticado, né? É tomar decisões a partir do exemplo de outras empresas. Ou seja, quando um administrador não tem a menor imaginação, ele copia os outros. Copiar é mau. Mas um cara que faz “benchmarking” é capaz de acabar candidato ao Nobel de Economia (que, por sinal, é um equívoco, porque só há Nobel de Física, Química, Medicina, Literatura e Paz).


É a dança da chuva.

Or rephrasing, it's the rain dance.


Foto: Ron Lach


domingo, 25 de junho de 2023

Entender fatos complexos com tweets? Não dá...

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Há uma diferença notória entre o jornalismo brasileiro e o europeu. É a atenção que se dá ao noticiário internacional. Todos os dias um cidadão europeu é impactado por muitas horas sobre os fatos do mundo. Tudo  com analistas que vêm do próprio jornalismo, mas também de especialistas nessa área, sejam acadêmicos ou pessoas com autoridade nas áreas em discussão.

Isso não é uma realidade no Brasil. Lembro, por exemplo, que em tempos passados os grandes expoentes da análise internacional eram jornalistas como Newton Carlos, precursor do colunismo internacional na mídia brasileira, ou Clóvis Rossi, que passou a maior parte da carreira na Folha de S. Paulo. O fato é que não há uma tradição nessa área e o Brasil parece mesmo ser “periférico”.

Quando estava no jornalismo diário, houve ocasiões em que ocupei a função de editor internacional, sempre de forma pontual. Foi o suficiente para  perceber a dificuldade do trabalho, uma vez que o acesso à informação era muito limitado. O que um editor de internacional fazia era "baixar" as notícias que chegavam das agências. Não era preciso saber de geopolítica e nem mesmo falar línguas.

Há os fatos. Os jornalistas europeus têm acesso mais direto às fontes de notícias internacionais devido à proximidade geográfica com os principais centros de poder. Isso permite uma cobertura mais abrangente e detalhada dos acontecimentos globais. Além disso, muitos países europeus têm uma longa tradição de jornalismo investigativo e de qualidade.

No caso do Brasil, em primeiro lugar, a distância geográfica pode dificultar o acesso direto às fontes de notícias internacionais. Além disso, os meios de comunicação brasileiros têm uma realidade política, econômica e social específica, que pode influenciar as prioridades da cobertura jornalística. Tudo isso sem falar que o jornalismo passa por dificuldades financeiras.

Não surpreende que hoje em dia, quando temos um evento mundial como a invasão da Ucrânia, mesmo os cidadãos considerados mais instruídas estejam a patinar na análise. Isso é resultado da falta de tradição, de referências ou de uma cultura jornalística sem foco no internacional. Muitos acham possível entender fenômenos complexos com base em ideias desgarradas das redes sociais. Não dá. Tem que estudar.

Isso torna possível que uma certa “esquerda” brasileira acabe aderindo às teses da propaganda russa, uma máquina poderosíssima. Os sites de “referência” dessa esquerda estão subordinados ao ideário de Putin. Não por noções de geopolítica, mas por uma ideia simplória: "eu sou contra os EUA e vou aderir a tudo o que for contra". Mesmo que o regime de Putin seja uma ditadura. Esquerda?

Para terem uma ideia, hoje, num domingo do verão europeu, já ouvi dois programas de uma hora totalmente dedicados ao internacional. Em debate, a ação humanitária na Europa, a reconstrução e o Erasmus (programa das universidades) na Ucrânia, eleições na Espanha, tensão no Kosovo, o legado de Berlusconi e, claro, os fatos envolvendo o grupo Wagner.

Isto é apenas para deixar a ideia de que um cidadão europeu está exposto a mais horas de noticiário internacional do que os brasileiros. E que análises sérias não podem ser feitas apenas a partir de tweets ou sites que sequer têm jornalistas no exterior e limitam-se a fazer um corte e cola de serviços gratuitos (não há almoços grátis). É preciso mais, muito mais…

É a dança da chuva

Newton Carlos foi um dos expoentes do jornalismo internacional no Brasil


sexta-feira, 23 de junho de 2023

Do Titan ao Kursk, a implosão catastrófica da memória

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO 

A tragédia do Titan emocionou meio mundo. Durante dias as televisões não falaram de outra coisa, o que contribuiu para atiçar o interesse das massas. Mas todas as dúvidas foram dissipadas quando a guarda costeira dos EUA confirmou que os ocupantes do submergível haviam morrido de uma “implosão catastrófica” no fundo do Atlântico.

Sem surpresa, as redes sociais passaram a fazer circular versões, teorias e até foram desenterrar fatos históricos. Em tempos de guerra, com o foco na invasão da Ucrânia, houve quem lembrasse de uma notícia antiga: o submarino usado por James Cameron para filmar “Titanic” era russo, por ser mais seguro. Os adoradores do proto-ditador Putin celebram essa “superioridade” russa.

É apenas um problema de memória. Ninguém parece lembrar do submarino russo Kursk, que afundou no Mar de Barents, em 2000, matando toda a tripulação. Dos 118 tripulantes a bordo, apenas 23 conseguiram sobreviver inicialmente e se refugiar em uma seção danificada do submarino. No entanto, devido à lentidão no resgate, morreram todos por falta de oxigênio.

O presidente Vladimir Putin mostrou relutância em aceitar ajuda externa para o resgate dos tripulantes. Mas à medida que o tempo passava, a pressão aumentou e ele acabou aceitando assistência internacional. No entanto, por causa dessa resistência os mergulhadores europeus só entraram em ação oito dias depois. E já era tarde.

A abordagem de Vladimir Putin em relação ao desastre do Kursk foi alvo de discussões e controvérsias, com questionamentos sobre a resposta russa. Mas hoje isso já não é assunto e a memória do Kursk representa apenas uma implosão catastrófica na memória dos adoradores de Vladimir Putin.

É a dança da chuva.

Foto: Harvey Clements

segunda-feira, 19 de junho de 2023

BRICS: o lado bom e o lado perigoso

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Há uma nova configuração geopolítica a ser formada. A lógica de uma potência hegemônica, no caso os Estados Unidos, está a ser posta em xeque com o crescimento da China. No caso do Brasil, a integração nos BRICS aponta o caminho para um novo rumo de integração econômica. Até aí tudo bem.

Se a aliança dos BRICS é boa na economia, não é possível dizer o mesmo no plano da política. O Brasil é um país que procura a consolidação de democracia, depois de se safar das atrocidades bolsonaristas, e os integrantes do BRICS não são países muito focados no respeito pelas liberdades individuais.

- A Rússia tem muitas restrições no que toca às liberdades civis, incluindo limitações à liberdade de expressão, imprensa e manifestação. Há restrições à atividade política e uma tendência de supressão da dissidência. Tudo isso sem falar que Putin decidiu invadir a Ucrânia.

- A Índia, que vinha mantendo uma democracia vibrante e uma imprensa livre, nos últimos anos tem enfrentado restrições à liberdade de expressão, especialmente em relação a críticas ao governo. Tudo isso sem falar em  questões de intolerância religiosa e censura online.

- A China tem um sistema político autoritário, com restrições significativas no plano das liberdades civis. Há censura estrita na mídia e na internet, controle sobre organizações da sociedade civil e violações dos direitos humanos em áreas como o Tibet e Xinjiang. Tudo isso sem falar nos pesadelos de Hong Kong e Macau.

- A África do Sul tem uma constituição progressista, que protege as liberdades civis. No entanto, o país enfrenta desafios, como altos níveis de criminalidade e desigualdades sociais. Na economia, os problemas no plano energético atrasam o desenvolvimento. O governo de Matamela Ramaphosa não tem conseguido oferecer respostas, apesar do respeito pelo presidente.

Isso quer dizer que o Brasil tem dividendos a tirar no plano econômico, mas é preciso ter muito cuidado no que se relaciona às questões da política. O fato é que o país está em péssimas companhias, sobretudo China, Índia e Rússia, quando o tema é a democracia. Não quer dizer que o contágio político seja uma coisa linear, mas pode causar dissensões no futuro.








sábado, 17 de junho de 2023

Brasileiros em Portugal: o quartinho da empregada

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Um jornal português anuncia que “mais de 250 mil brasileiros compraram casa em Portugal”. Mais do que isso, os investidores do patropi continuam a representar o principal filão estrangeiro para o mercado português do setor. E com destaque para um fator,  porque estamos a falar do mercado imobiliário de luxo.

É natural que essa tendência tenha provocado algumas mudanças, mesmo culturais, em Portugal. O dinheiro manda. Para satisfazer os brasileiros endinheirados, algumas construtoras começaram repensar as plantas dos imóveis para introduzir um espaço específico: o quartinho da empregada. A ideia tinha desaparecido em Portugal.

Há poucas expressões mais odiáveis do que “quartinho da empregada”. Porque é a extensão moderna da senzala de Gilberto Freyre. Na época colonial era um espaço de exploração e submissão, onde os escravos viviam em condições precárias. O "quartinho da empregada" parece ser uma repaginação dessa situação.

É cultural. Os escravos de ontem parecem ter sido substituídos pelos pobres e periféricos de hoje. E há que juntar o cheiro do patriarcado, uma vez que é raro (ou mesmo impossível) ouvir a expressão "quartinho do empregado". A casa grande patriarcal sempre aceitou a presença das mulheres, mas não dos homens.

Enfim, o quartinho da empregada é um espaço de segregação social e econômica, como era a senzala. É palco de desigualdades e relações de poder presentes na sociedade brasileira em diferentes momentos históricos. Afinal, para os endinheirados brasileiros a riqueza só faz sentido se houver pobres por perto.

Sociologias à parte, não resisto a um comentário em linguagem mais chã: essa gente vota Bolsonaro e foge para Portugal, um país neste momento governado por socialistas. Aliás, convém dizer que para os portugueses o Partido Socialista é de centro esquerda com algumas decaídas neoliberais. E, mesmo assim, no Brasil seriam considerados malfeitores comunistas do piorio.

Em tempo: as expressões "elevador social" e "elevador de serviço" também são abjetas na sua aplicação concreta.

É a dança da chuva.



quarta-feira, 14 de junho de 2023

Os vereadores de Joinville estão com tempo de sobra?

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

O melhor lugar do mundo para trabalhar deve ser a Câmara de Vereadores de Joinville. E a melhor função (tenho dúvidas se chamo “trabalho”) deve ser a de vereador. Porque, ao que parece, eles têm tempo de sobra. Afinal, é preciso "estar de varde" (expressão que aprendi em Joinville) para mandar pelo ralo o tempo que, vale lembrar, é pago pelos cidadãos.

Vejam só a utilidade desta ação. Leio, no pouco que resta da imprensa na cidade, que a Câmara de Vereadores aprovou uma moção, dirigida ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, para que encaminhe a denúncia que pede a abertura do processo de impeachment do presidente Lula. E pronto. Joinville está salva. Depois desta ação, a qualidade de vida dos joinvilenses está garantida.

O documento, apresentado pelo vereador Willian Tonezi, teve onze votos favoráveis e um previsível voto contra da vereadora Ana Lucia Martins, do Partido dos Trabalhadores. Aliás, o quórum foi tão baixo porque os demais vereadores não estavam por lá. A acusação feita na moção é de ingovernabilidade e também a condenação de algumas falas do presidente.

Gênios. Depois da hecatombe que foi o governo Bolsonaro, nos últimos quatro anos, agora é que eles enxergam “ingovernabilidade”. E foi preciso esperar apenas cinco meses. Ora, as pessoas têm direito às suas opiniões, mas não aos próprios fatos. Porque a realidade está dando o drible da vaca nos sujeitos. O governo Lula acumula resultados positivos. Bola no meio das canetas dos vereadores. Olé!

E já que recorro às metáforas do futebol, tenho uma sugestão para os vereadores. Enviem uma moção para os dirigentes do Brasileirão e peçam o impedimento do Botafogo na liderança do campeonato. Afinal, o técnico Luís Castro anda meio comunista. Olhem só o que ele disse: “Para mim (...) é o trabalho com dignidade e honestidade intelectual que conta”.

Huuummm... má citação. Agora vêm esses portugas com essa conversa de trabalhar.

É a dança da chuva.