quarta-feira, 24 de maio de 2017

Joinvilenses não ligam para Santa Catarina

POR FELIPE SILVEIRA
O bairrismo joinvilense é impressionante. A cidade catarinense tem no governo estadual Raimundo Colombo, alvo de diferentes pedidos de impeachment na Assembleia Legislativa. O principal secretário do governo caiu, depois de aparecer, junto ao chefe, na delação da JBS. Também apareceram na caguetagem os senadores Paulo Bauer (PSDB) e Dário Berger. Mas qual é o joinvilense que liga pra isso? Não sei se tem 10 em 500 mil.

Mas fala qualquer coisa de Joinville pra ver? “Fora, forasteiros”. Ou pior: faça uma crítica ao bairro do cidadão para ver. Recentemente criamos um movimento para mudar o nome do bairro Costa e Silva, que faz uma homenagem, bizarra, ao general-ditador. A reação tem sido violenta. Tem gente que nem sabe o que é, mas abraçou a defesa da ditadura com unhas e dentes.

O povo daqui não gosta de discutir muito as coisas. Estamos sendo explorados por duas empresas sem licitação que operam o transporte? “Sim, mas olha o tamanho de Joinville, a maior do estado blá blá blá”.

Não que Joinville não fale dos seus problemas. Porém, problema para joinvilense é buraco de rua e falta de policial. Gravidez na adolescência? Crescimento dos números da AIDS? Falta de oportunidades para os jovens? Déficit habitacional gigante? Especulação imobiliária? Gentrificação? São temas que não viralizam, que nem chega a ser pauta no debate.

O bairrismo tacanho leva a uma preguiça intelectual que nos impede o desenvolvimento social e nos leva a tomar decisões ruim. Tanto é que, se dependesse de Joinville, Aécio Neves seria eleito, assim como foram Raimundo Colombo, Paulo Bauer, Marco Tebaldi...

Vale lembrar:

Agora é hora de FORA, TEMER e DIRETAS JÁ!

Um problema sério, um conselho diferente

POR ET BARTHES
Câncer de mama? Eis uma boa forma de mostrar como se faz. É usar um homem. Uma forma divertida de tratar um assunto sério.



terça-feira, 23 de maio de 2017

Mito.


Cabeça vazia é a oficina do tinhoso (sim, aquele com a faixa presidencial)

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
O Brasil já foi considerado o país do futuro. O problema é que na prática insiste em ser um país sem futuro. Se tivesse que fazer um diagnóstico meio à pressa, diria que há uma explicação muito razoável: é que o país tem uma das piores direitas do planeta (talvez a pior). No Brasil, a direita é mais burra, mais intolerante e tem maior tendência para o irracionalismo.

A maior expressão desse estado de indigência mental está, por exemplo, nos heróis que ela escolhe. É só gente inútil do ponto de vista intelectual. Para evoluir qualquer país precisa de inteligência, bom senso e massa crítica. É tudo o que falta a essa direita. E onde os neurônios são preguiçosos, opera o besteirol. Quer exemplos práticos? Então, vamos ver alguns highligths mais recentes. Tem para todos os (des)gostos.

- Rachel Sheherazade diz que Hitler fundou o PT na Alemanha. Ah... que falta fazem umas aulinhas de história.
- Marcelo Madureira diz que foi apanhado de surpresa pela ligação de Aécio à corrupção. Zeus! Ele nunca tinha ouvido falar em Furnas, no aeroporto nas terras do tio ou nos milhões da saúde mineira?
- Lobão sai em defesa de Temer e assume a tese das gravações fraudadas. Mais alguém, além dele e do próprio Temer, acredita?
- Janaína Paschoal diz que “prometi a Tancredo Neves que olharia pelo país e confesso que acreditei que os netos dele também tinham esse sentimento”. Será que também vai ter áudio?
- João Doria rejeita Aécio Neves. “É estarrecedor um senador da República utilizar essa linguagem. Palavras de baixíssimo calão. É absolutamente lamentável”. Uai! Palavrão é corrupção.
- Diogo Mainardi dá um furo jornalístico: Joesley comprou deputados com o objetivo de impedir o impeachment de Dilma. É... pelo visto a coisa funcionou direitinho.
- Roberto Jefferson, em prisão domiciliar, mas “miraculosamente” convertido em oráculo dessa direita apatetada, diz que o PT quer diretas já porque pode ainda contar com a ajudinha das urnas eletrônicas. Hã!?
- Alexandre Frota diz que “o açougueiro da JBS é sócio de Lulinha tem Lula por trás de tudo isso”. Qual dos dois é Lulinha? O Joesley ou o Wesley?
- Carlos Bolsonaro, o filho mais atrapalhado de Jair Bolsonaro, elogia o talento do pai como gestor: “a JBS faz o maior trambique já visto com o seu dinheiro com todos os governos, via BNDES, e você falando que Bolsonaro não manja nada de economia”. Putz. Bolsonaro para ministro da Economia já!

O problema dessa direita no Brasil é não ser uma força convencional, com a pretensão de ocupar lugar no arco político. Pelo contrário, essa gente está totalmente fora do eixo. É uma direita, em muitos casos extrema, que não está disposta a contribuir com soluções. É gente que gosta do fuzuê, de bagunça, de anarquia (não confundir com os anarquistas, por favor). Tudo o que pretende é impor a agenda do atraso. Enfim, cabeça vazia é a oficina do tinhoso (sim, aquele com a faixa presidencial).

É a dança da chuva.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Segurança pública: soluções simples diminuem ambiente de guerra


POR JORDI CASTAN

O tema que proponho é segurança.
No Brasil, a média é de 32,4 assassinatos por 100 mil habitantes. A ONU considera que o índice de normalidade seria de 10 a cada 100 mil. Santa Catarina apresenta uma média percentual de 7.5 mortes a cada 100 mil habitantes. Entre os números divulgados, destaque para Joinville que, com uma taxa de 7,7 por 100 mil habitantes, é a campeã do Estado. E nem tivemos maior repercussão desta noticia, que nós deixa tão malparados e apreensivos.

Destaque também para a vizinha Jaraguá do Sul, com a menor taxa de homicídios entre os municípios de maior porte, com 1.2 a cada 100 mil habitantes. A diferença entre os dois valores é tão significativa que não há nada a acrescentar. É importante destacar que os dados não se referem ao total de homicídios. Neste caso, a liderança de Joinville seria o resultado lógico de ser a cidade mais numerosa do estado. Como os dados se referem a mortes por cada 100 mil habitantes, é possível comparar alhos com alhos e bugalhos com bugalhos.

O tema da segurança - ou melhor dizendo, a falta dela - é grave. E com frequência é o principal motivo pelo qual os turistas desistem ou desconsideram o Brasil como destino turístico. A pergunta que me fizeram nestes dias, de passagem pela Colômbia: como vocês fazem? Essa pergunta vindo de um colombiano, que viveu durante mais de 50 anos uma guerra cívil no seu pais, não deixa de ser irônica.

O aumento descontrolado da violência é resultado de uma longa série de elementos e listá-los aqui não é o objetivo deste texto. Mas interessa citar exemplos que têm dado bons resultados no sentido de reduzir ou conter a violência. Exemplos simples, econômicos e que funcionam.

No Equador, todos os taxis estão equipados com duas câmaras de vídeo internas e dois botões de pânico, um para o passageiro e outro para o motorista. Como resultado, os assaltos a motoristas de táxi reduziram sensivelmente. O ultimo homicídio de um taxista em Quito foi resolvido em menos de 72 horas e os culpados presos. Tanto os taxistas como os usuários se sentem seguros e aprovam o sistema. As câmaras pertencem à municipalidade, que as instala em todos os táxis. As câmaras transmitem constantemente imagens para a central de segurança unificada. 





A ideia de unificar as policias é outro tema tabu aqui por estes lados. As imagens são projetadas na central do 911, o número da polícia no país. Se houver uma emergência, tanto o motorista como o passageiro podem acionar o botão de pânico, que dispara o alarme na central. O táxi, localizado por um sistema de GPS, a mesma tecnologia que utiliza o UBER e outros aplicativos semelhantes, informa a posição de cada carro em cada momento e permite que a polícia possa intervir.

Simples e efetivo. Aliás, vendo este exemplo lembrei de quando a Conurb administrava a rodoviária e propusemos instalar câmaras de monitoramento na área de embarque dos táxis. O objetivo evidente era o de aumentar a segurança dos taxistas. Pouco tempo antes um taxista tinha sido brutalmente assassinado. Estações rodoviárias são pontos vulneráveis de segurança. Há movimentação de passageiros honestos e também de outros passageiros que tem outros interesses e objetivos. O curioso foi a oposição dos taxistas a instalação das câmaras, na época fiquei pensando por que motivo seriam contrários a instalação de sistemas de segurança pensados para melhorar a sua e a dos passageiros.  

Segurança é um tema complicado no Brasil, em que cada vez temos menos claro quem está de que lado. É possível melhorar. Sim.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Marcelo Madureira: de humorista a motivo de piada

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Os eventos dos últimos anos fizeram (re)surgir uma série de personagens lamentáveis. Gente com limitações intelectuais, valores éticos maleáveis e, em alguns casos, que se orienta por comportamentos agressivos. E há um ponto comum a muitos: são pessoas que tiveram alguma projeção mediática e hoje estão no limbo.

Lobão, Roger ou Alexandre Frota, por exemplo, são ícones dessa lista de inutilidades artísticas e políticas, entre outros menos cotados. Há uma tentativa de voltar aos holofotes pela via da política. Mas a gestão de carreira parece não ser o forte dessa gente. Porque acabam sempre acantonados em discursos reacionários e intolerantes (passe a redundância). 

Mas poucos são tão patéticos quando Marcelo Madureira, que teve os seus dias no Casseta & Planeta e hoje se arrasta por aí a fazer figuras tristes. Eis o estilo do discurso: “Seu vagabundo, Lula da Silva, nós não temos medo! Sua ladrona, sua vagabunda, mentirosa, Dilma Rousseff, nós não temos medo! Seu Gilmar Mendes, nós não temos medo (…) Vagabundo!”. Zeus!!!

O problema com Marcelo Madureira é que virou motivo de piada. Isso é a morte do artista, ainda mais do humorista. E agora, depois da revelação, com provas, da corrupção de Aécio Neves, ele vem posar de “velhinha de Taubaté”: era, talvez, a única pessoa no país que não sabia dos problemas do “Mineirinho” com a corrupção.

Os filmes abaixo mostram dois momentos na vida do ex-humorista. No primeiro, defende a candidatura de Aécio Neves, sob o argumento de que o tucano “reúne todos os requisitos para ajudar a colocar este país de novo nos trilhos”. Num segundo momento, fala da decepção e da surpresa por ver Aécio Neves envolvido em problemas de corrupção.

Diz o ex-casseta: “para mim é chocante ver o candidato que eu apoiei, a pessoa que eu acreditei, estar envolvido nessas negociatas”. Pobre Marcelo. Ficou decepcionado. E surpreendido. E eis que enfim temos uma piada. Mas é o próprio Madureira o motivo. Pois então tenho um surpresa ainda maior para ele: existe uma coisa chamada Google. É só ir até lá e pesquisar “Aécio Neves corrupção”. São apenas 860 mil entradas como resultado...






quinta-feira, 18 de maio de 2017

Não dê ouvidos: o lema da gestão autossuficiente



POR FAHYA KURY CASSINS

Eu me perguntava porque uma cidade não ouve seus cidadãos. Parece-me claro que ela deva ser feita, dia a dia, para quem nela vive – e não para quem deseja mandar nela. Obviamente que os cidadãos precisam de emprego, escolas, hospitais, lugares onde trabalharão e onde gastarão seu dinheiro, fazendo a cidade prosperar. Porém, a cidade deve ser feita pensando no melhor para as pessoas, não para lucros e interesses escusos de alguns poucos. Qualquer um, longe de qualquer teoria academicista ou sociológica, pode perceber isso.

Por que, então, uma cidade ignora terminantemente seus moradores? Por que as reivindicações destes são desprezadas? E, para tentar chegar a algum lugar, o que podemos fazer para alterar a situação estabelecida?

Lembram que em Joinville havia o sistema da Ouvidoria? Bem, não dá pra dizer que resolvia, mas era alguma coisa. Lá, após um breve cadastro, você registrava a denúncia/queixa/elogio e acompanhava o processo. Visualizava para qual órgão havia sido encaminhado, qual a resposta, etc.. Nem sempre era satisfatório, mas existia um meio de comunicação. Curiosamente, às vésperas da eleição do ano passado, o sistema foi implodido. Deixou, simplesmente, de existir. Do nada, sem nenhuma explicação. Qual o interesse em mascarar o descaso com milhares de queixas e sugestões? Com o sistema fora do ar, tudo foi zerado.

Os processos que estavam em andamento também sumiram, e um aviso explicava que, se você quisesse saber sobre o sucedido, deveria enviar um contato pelo novo formulário ou ligar no famigerado 156. O novo sistema, por outro lado, é um formulário básico do qual você não tem acompanhamento algum. Como um “Contato” de um site ou blog qualquer. E do qual você não receberá resposta alguma. Contudo, no começo do ano (lembram?) saiu uma nota no jornal local que o Udo havia achado interessante a sugestão, via Ouvidoria, de um cidadão que sugeria a inversão dos sentidos da Blumenau e da João Colin. Estudos foram solicitados. Tudo parece tão surreal que quase nem dá pra comentar.

Fica difícil. Aí você pode tentar ir até o órgão responsável pelo problema que você tem e, com muita (mas muita) insistência alguém deixará você “protocolar” (sério, não existe um sistema unificado de protocolo, há um mero “carimbo” de uma secretária qualquer) a sua solicitação – e será uma árdua espera por qualquer tipo de resposta, o mais provável é nem saberem do que se trata. Ou você pode tentar, sei lá, me deem ideias. Porque eu realmente não sei.

Numa cidade que não realiza fiscalização, que não tem os equipamentos necessários (vide a lenda do decibelímetro), que não consulta as pessoas afetadas pelas implantações e mudanças que faz (em vias públicas, órgãos, fundações, secretarias, etc.), que não investiga denúncias, e que, enfim, ignora arrogantemente o cidadão, só resta estar jogada às obras mal feitas e ao descaso contínuo.

Às vezes a gente se ilude, como quando eu fiz este abaixo-assinado para levar pessoalmente aos responsáveis pelos transtornos no trânsito do entorno do Mercado Municipal. Porque parece que muitos cidadãos não se importam em não ser ouvidos e preferem aceitar bovinamente sua situação de súditos de uma prefeitura que, se trabalha, é só para os interesses de alguns ou para fazer lambanças que nos custam caro (em tempo, paciência, dinheiro). E quando alguém tenta fazer algo as iniciativas são igualmente desprezadas.

(o texto estava pronto e segunda-feira me deparei com o do Jordi, que vem bem a calhar, e também o último artigo da Raquel, sobre a falta de manutenção e tal: a discussão não pode morrer)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Nenhum gestor se importa com a água. Pior ainda, nem a população.

POR RAQUEL MIGLIORINI
O Jornal A Notícia desse 17 de Maio de 2017 mostra os novos financiamentos pleiteados pela Prefeitura de Joinville. O primeiro financiamento é do BID, com US$70 milhões para a macrodrenagem do rio Itaum-Açu, instalação de rede coletora de esgoto no Bairro Vila Nova e a construção do Parque Piraí, também no Vila Nova. O segundo vem do Fonplata, com US$ 40 milhões, para a construção da Ponte Adhemar Garcia/Boa Vista. Aqui a atenção tem que ser redobrada  pois estamos falando de uma área de preservação permanente (APP) com manguezais e que exige um licenciamento ambiental de alto nível, com pessoas capacitadas que visem minimizar os impactos ambientais causados pela obra.

Esses financiamentos dependem da aprovação do Senado e da Câmara de Vereadores e são processos que, embora necessários para o município, são muito complexos.

Muito mais simples, porém desdenhados pelo governo de Joinville, é o Programa de Pagamentos Por Serviços Ambientais (PSA), implantado com sucesso por muitos municípios brasileiros que se preocupam com a preservação de seus mananciais e biomas ameaçados de extinção, como a Mata Atlântica. Gestores que enxergam a importância do PSA  entendem os benefícios que a preservação traz para a cidade e quanto de recursos financeiros serão economizados futuramente. Aqui podemos abrir um parênteses para deixar claro que a instalação da rede coletora de esgoto no Vila Nova não faz parte desse tipo de visão que mencionei. Essa ação é exigência do BID para a liberação do dinheiro.

Os leitores desse blog já sabem que 70% da água consumida em Joinville vem do Rio Cubatão. Observe o curso do rio, utilizando o link do Google Maps, desde Garuva até a captação, na Estrada Dona Francisca, pela Cia. Águas de Joinville.

O novo Código Florestal ((Lei nº 12.651) permite, desde 2012, o desmatamento de APP em propriedades de até 4 módulos fiscais, ou seja, os pequenos produtores. Observando o curso do Rio Cubatão fica evidente o desmatamento para plantio de lavouras, eucalipto, lagoas de peixes, residências, parcelamentos irregulares. Salvo os dois últimos, os demais poderiam ter deixado a mata original ou reflorestado e serem compensados pelo PSA. A conta do prejuízo seria dividida entre todos os munícipes, que usufruiriam de água de qualidade, e não cairia só no colo do produtor. Hoje , quem paga a conta, são os cidadãos joinvillenses que bebem água com inseticidas, herbicidas, adubos químicos, antibióticos e fungicidas. E o rio recebe uma grande quantidade de solo fértil, que provoca assoreamento e a conseqüente diminuição da quantidade de água.

Foi apresentado ao prefeito Udo Döhler, ainda no primeiro mandato, um projeto para saneamento eficiente na área rural, PSA e gerenciamento de resíduos da área rural. Se pensar que o  bem mais precioso de uma cidade, água de qualidade, não é prioridade, não sei o que é gestão. Pior do que o prefeito ou a equipe gestora não se preocuparem com o assunto,  é o silêncio da população, mesmo quando alertada sobre os fatos. O que será preciso acontecer  para que esse assunto se torne pauta nas ruas da cidade, na Câmara de Vereadores, nos meios de comunicação? Pelo andar da carruagem, já é bom irmos pensando em outro financiamento que será usado  para recuperação da bacia do Cubatão. E US$ 70 milhões será troco.

A publicidade tem as suas armadilhas

POR ET BARTHES
Sobre a publicidade e a morte. No Reino Unido,
a rede de fast food McDonald’s lançou um filme em que o personagem principal é
um garoto órfão a falar com a mãe e a tentar saber se era parecido com o pai 
morto. E os dois nada têm em comum. A não ser, claro, o hambúrguer da marca.
O filme não agradou e gerou revolta nas redes
 sociais. Ao ponto de ontem a marca anunciar a retirada da campanha do ar. A
publicidade tem as suas armadilhas.

terça-feira, 16 de maio de 2017

A culpa é da Marisa. A loja, claro...

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
“Se a sua mãe ficar sem presente, a culpa não é da Marisa”. Todos vimos o anúncio das lojas Marisa, publicado no Instagram da empresa, depois do depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Lava Jato. E fica a pergunta. O que passa pela cabeça dos responsáveis pela comunicação da loja? Porque foi um raciocínio bovino.

É certo que os anúncios de oportunidade (quando se aproveita a repercussão de algum fato) exigem rapidez na decisão. E às vezes há precipitações. Mas há coisas que são óbvias. O trocadilho com o nome da loja e da mulher do ex-presidente tinha tudo para dar problemas. Até porque hoje a publicidade é mais do que fazer anúncios. É fazer “brand building” (construção da marca).

O fato é que a marca saiu chamuscada do episódio. Num ambiente de acesa bipolarização política, em troca de uma gracinha a marca alcançou a rejeição de pelo menos metade dos eleitores. E não deve ter conseguido a adesão da outra metade, formada por aquilo que certa jornalista chamou “gente cheirosa” e que, claro, não compra produtos das lojas Marisa.

Então, é preciso fazer o cálculo dos negócios. Quem gostou do anúncio? Os caras do ódio. O problema é que odiadores só sabem odiar e não estão afeitos às “love brands” (categoria do marketing), aquelas marcas que interagem com o consumidor, dialogam e trocam ideias. Ops! Dialogar? Trocar ideias? É tudo o que o pessoal do ódio não quer. Nem comprar nessa loja...

O tiro no coração da marca foi ainda mais arrasador. As mulheres, gostando ou não de Lula e de Dona Marisa, não devem ter gostado. E devem achar que o slogan da empresa, “de mulher para mulher”, é papo furado. Ah... o consumidor esquece, dirão alguns. Não. O consumidor moderno não consome apenas produtos, mas também uma relação com a marca. É o beabá do marketing.

O que as empresas brasileiras devem aprender? Se querem entrar no campo da política, a posição tem que se afirmativa. O consumidor mudou. O mercado mudou. E as marcas têm que mudar, em especial quando assumem posições eticamente pouco recomendáveis. Machismo, racismo, classismo, homofobia, trabalho escravo, entre outros, não são aceitáveis.

Má publicidade? A culpa é da Marisa. A loja, claro.

É a dança da chuva.