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sábado, 18 de abril de 2015

Saudações, Apolinário Ternes

POR ANDRÉ LEONARDO

Li a opinião de Apolinário Ternes no jornal A Notícia, onde defendeu o Colégio Santos Anjos por utilizar espaço público como estacionamento e não contive o desejo de responder publicamente. Respeito as palavras deste senhor e sua coragem em expor uma posição que contrária à da grande maioria e da própria legislação.

Porém, após lerem o texto de Ternes o que pensaram as mais de sete mil pessoas que passam pela avenida JK todos os dias utilizando o transporte coletivo? Eu consigo imaginar e expressarei isso buscando outros pontos de vista:

#A dona de casa, que trabalhou mais de oito horas em pé, enfrenta seu último desafio antes de chegar em casa: o trajeto. O que ela poderia pensar ao saber que alguém culpou o ponto de ônibus que ela utiliza todos os dias pela confusão na Avenida JK?

#O que o estudante que paga sua faculdade e uma das passagens mais caras do Brasil pensou? O que ele sentiu quando espremia-se dentro de um ônibus onde cada metro quadrado é disputado e como reagiu quando foi obrigado a esperar por mais de dez minutos dentro do coletivo, porque o corredor exclusivo de ônibus estava ocupado com carros parados, aguardando a saída dos alunos do colégio para o embarque.

#Também consigo imaginar um empresário, preso em seu carro no congestionamento enquanto vislumbra a linda passarela que cruza a avenida, talvez um homem com vários compromissos naquele dia, e que, por conta da fila dupla em frente ao colégio, só lhe resta ter paciência e aguardar.

São muitos casos. “Ah, o colégio chegou antes!” Opinião retrógrada que em nada respeita e valoriza a mobilidade urbana e apenas a trata com desdém e mero detalhe no cenário urbano. Os povos dos sambaquis estavam há muito tempo antes de nós todos, assim como os índios e outras populações. O respeito à história e a cultura é devido, mas isso não impede o crescimento e o favorecimento dos meios de transporte coletivo.

A escola fere sua imagem ao defender as vagas irregulares implantadas pela prefeitura. Culpabilizar o ponto de ônibus ou qualquer outra obra que vise o deslocamento de milhares de pessoas é no mínimo um equívoco absurdo. O senhor Apolinário Ternes precisa urgente estudar a legislação de trânsito e as políticas de mobilidade. Não é possível conceber a proposta de que se ganha por tempo de existência. É o cúmulo!

Queremos uma cidade que pense para todos, para o coletivo e que, acima de tudo, respeite as legislações vigentes.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Impressões sobre Joinville

POR MÁRIO MANCINI



É a maior cidade do Estado de Santa Catarina, com a maior economia, arborizada, florida (já foi mais) e, podemos até dizer, pacata para os padrões atuais. Está se tornado tão grande que consegue abranger todos os conceitos já publicados, Nossaville, Buracoville, Florville, que, por sinal, concordo com todos e acrescentaria Chuville, Carroville, Multaville, etc.

Mas é a cidade que nos acolheu, ou que escolhemos para viver, como toda cidade possui virtudes e defeitos, que serão potencializados pela administração municipal.

No caso atual, os defeitos estão saltando aos olhos, prefiro pensar que por incompetência, porque descaso seria imperdoável. A última administração colocou a cidade em um marasmo progressivo, inúmeras obras não saíram do papel, não foram concluídas ou ficaram pela metade, a atual só aprimorou o processo, com certo requinte autoritário, de certa forma, fictício.

Porém, nem tudo é ruim, principalmente o que não depende do poder público. Nos últimos 20 anos, a cidade mudou muito, para melhor; hoje conseguimos sair para almoçar após as 14h e jantar após as 23h, ainda que sejam poucas opções, mas existem, acreditem, tem que procurar.

Crescemos culturalmente, com o maior festival de dança do mundo, entramos na rota dos shows, os ingressos nem vem mais com Joinville/PR, como nos anos 80.
Ou seja, deixamos de ser a primeira chuva à esquerda, para quem vem de Curitiba.

Tudo isto para dizer que Joinville é merece respeito, elogios, etc., mas também deve saber aceitar as críticas construtivas, pois quando apontamos problemas não queremos apenas polemizar, muitas vezes apresentamos soluções, ou algo próximo disso, que, certamente, não será a ideal, mas serve, ou melhor, serviria para abrir o debate construtivo, o que raramente acontece.

A administração atual parece estar fechada em um casulo. Até aceita sugestões, porém de um clube muito restrito. Sabemos que democracia demais atrapalha e saber dosar é essencial, porém democratizar é necessário, em alguns casos, pode ajudar a evitar a tal “judicialização”, um neologismo do atual alcaide. Ou não?

terça-feira, 14 de abril de 2015

Por que matamos Jesus?

POR FELIPE CARDOSO

Desde já peço desculpas aos não crentes e as pessoas de outras religiões. Mas creio que esse questionamento seja o mais preciso para o momento, para a nossa reflexão.

Depois de muito tempo pensando sobre e após uma conversa com um amigo, decidi refletir um pouco sobre algo que sempre me incomodou.

Criado desde a infância na Igreja Católica, não havia período mais tenebroso e angustiante para mim do que a Semana Santa. Não por causa do desfecho trágico da história, mas sim por não entender o motivo de tanto ódio contra uma só pessoa.

Durante toda a minha permanência na igreja sempre quis entender uma coisa: por que mataram Jesus?

Várias teses surgiam e desapareciam. Depois de algumas leituras e um pouco mais de vivência no mundo pude perceber o motivo para matarem uma pessoa que hoje é cultuada e vista como boa, mas que na época causou a ira de muitas pessoas.

Por que causou a ira?

Porque era um revolucionário, mudava a estrutura da sociedade da época, mexia no status quo. Confrontava a tudo e a todos que tinham interesses individuais e não coletivo. Tinha coragem, defendia os mais pobres, lutava por justiça e igualdade.

E isso lhe custou a vida, pois desde aquela época as pessoas não se conformavam em perder privilégios para que outras pessoas tivessem oportunidades e direito de sobreviver. Desde aquela época o que importava era o ter e não o ser.

Após toda essa análise, cheguei a conclusão de que o que matou Jesus Cristo foi a hipocrisia do povo.

A mesma hipocrisia que vemos e vivenciamos hoje e, na maioria das vezes, em “defesa” do Seu santo nome.

Gadhi foi morto. Lennon, morto. Zumbi, morto. Luther King, morto. Malcolm X, morto. Amarildo, morto...

Perceba, matamos milhares de Jesus a todo o momento. Todos os que tentaram, de alguma maneira, lutar por paz, igualdade e respeito, tiveram suas vidas ceifadas. Mesma luta que Jesus teve séculos atrás.

Jesus, nada mais é, do que um socialista. Basta ler a Bíblia para perceber. Mas após a sua morte, conseguiram colocar no imaginário popular que o tal socialismo é utopia, é coisa ruim.

Porém, todos os dias têm missa ou culto para você aprender a desapegar dos bens materiais, amar o próximo e lutar por paz, amor, justiça, igualdade e tudo de melhor para o universo.

Perceba como a hipocrisia nos cerca, a mesma que matou Jesus.

Fico imaginando como Jesus Cristo reagiria a tudo isso se estivesse vivo.

Se Jesus fosse vivo hoje, certamente, entraria no Templo de Salomão e tantas outras igrejas para expulsar os cambistas, como fez no Templo de Jerusalém.

Visitaria cada igreja e aconselharia os pastores pararem de berrar e lhes ensinaria a não fazer como os hipócritas que oram de pé e em voz alta para serem vistos pelos homens. E pediria para não tirarem mais dinheiro dos fiéis, aproveitando para lembrar a todos para dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Se fosse vivo, mandaria os membros do exército de Jesus abaixar “suas espadas”, igual fez com Pedro, advertindo e lembrando-os de que seu reino não é esse.

Se estivesse vivo, Jesus Cristo andaria com os homossexuais, com os negros, com as mulheres e ensinaria a todos a perdoarem os corruptos e a lutarem por justiça.

Mas Jesus não está vivo. E não venha com o seu fanatismo tentar me dizer que ele está, porque NÃO, ele não está. Ele está morto e fazemos questão de mata-lo diariamente.

Ajudamos a mata-lo quando negamos a existência de um problema, quando negamos ajuda, quando vamos contra a mudança para o melhor. Ajudamos a matar com o nosso silêncio diante as atrocidades, com a nossa justiça seletiva, com os nossos falsos profetas, com a vingança, com o ódio, a ganância, a ignorância, a violência e tantas outras maldades que estão presentes em nossa sociedade.

Ajudamos a mata-lo fazendo tudo aquilo que Ele nos orientou a nunca fazer.

Hoje em dia, igreja virou sinônimo de clube de futebol e seus seguidores, fiéis e discípulos, viraram apenas torcedores. E nesse mercado gospel e sacro disputam para ver quem é a melhor e a maior, propagando a intolerância e o ódio de gênero, classe, etnia. Enquanto os interesses de Jesus são descartados.

Acho que alguns socialistas e comunistas continuam lutando pelos mesmos ideias Dele, mesmo alguns não acreditando na Sua existência, mas são condenados e crucificados diariamente. Até mesmo o Papa Francisco assumiu isso (http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2014-06-29/papa-afirma-que-comunistas-sao-os-cristaos-nao-assumidos.html)

Se hoje estivesse vivo, Jesus morreria levantando as bandeiras do MST. Ou o espancariam até a morte por andar com homossexuais e prostitutas, ou simplesmente por ser negro. E, certamente, não teria chance de ressuscitar, pois sumiriam com o seu corpo, assim como fizeram com Amarildo.

Jesus está tentando voltar, não fisicamente, mas um pouco em cada pessoa que luta pela igualdade e pelo amor ao próximo. Mas na verdade, aqueles que se dizem seus discípulos estão crucificando milhares Dele diariamente.

Não amamos Jesus, fingimos amar. Amar vai além de palavras. O amor se demonstra com atitudes e nós sabemos que não estamos agindo... Não da maneira correta.

Enfim, apenas uma reflexão para quem está cansado de tanta hipocrisia e de tantos falsos profetas.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Plan MOB e os almoços grátis

POR JORDI CASTAN


Estranho o silêncio do IPPUJ sobre o Termo de Cooperação firmado entre uma reconhecida empresa internacional no segmento de mobilidade urbana, a EMBARQ e a Prefeitura de Joinville. Em março de 2014, a parceria entre a EMBARQ e a PMJ foi comemorada com festa, discursos e foguetório. Mas o que está difícil de entender é por que não se divulga o teor deste Termo de Cooperação tão generoso. Será que em Joinville existe almoço grátis? 

Uma entidade responsável por elaborar o Plano de Mobilidade Urbana em Nova York trouxe seu time de técnicos e especialistas para a terra dos sambaquis e trabalhou de graça durante um ano, colhendo dados, realizando análises e prognósticos, orientando a equipe técnica do IPPUJ. Participei da audiência pública sobre o Plano de Mobilidade e na mesa principal estava o representante da EMBARQ junto as autoridades. Quem leia o documento pode ficar com a impressão que o Plano de Mobilidade foi elaborado pela Embarq, com a assessoria do IPPUJ e não o contrário.

Nem a Lei de Acesso à Informação - aquela lei que obriga o agente público a ser integralmente transparente, sob pena de incidir em improbidade administrativa - tem servido para que munícipes obtivessem cópia do misterioso Termo de Cooperação da Embarq. A pesar do vereador Maycon Cesar ter feito dois pedidos de informações sobre o dito termo de cooperação, a informação ainda não chegou ao Legislativo. Claro que em se tratando do IPPUJ o cumprimento de prazos não é o forte.


Voltando à audiência pública. Foi informado - e deve estar registrado - que a Embarq não está cobrando pelo serviço. Depois, de forma rápida e pouca clara, foi acrescentado que seria remunerada com o resultado do seu trabalho. Não sei porque acho esta histária tão estranha. Trabalhar sem cobrar? No mundo da ficção os super heróis acho que não cobram nada por salvar a humanidade dos supervilões. No mundo real a única que de fato tem se dedicado a fazê-lo tem sido a Madre Teresa de Calcutá.

Nenhuma das duas imagens se quadra muito com a da Embarq, uma ONG brasileira com sede em Washington e que pode estar de olho em parte dos R$ 500 milhões que estarão disponíveis para mobilidade, verba carimbada do Ministério das Cidades, o do Ministro Kassab, que esteve por aqui nestes dias. E se fosse verdade esta hipótese, não seria essa una forma de ludibriar a lei das licitações? Porque será que este termo de cooperação técnica não aparece?

Porque o prefeito aprovou por Decreto o Plano de Mobilidade Urbana e não o enviou para o Legislativo, através de um projeto de lei, como fizeram inúmeros municípios brasileiros (Belo Horizonte, em MG, é um bom exemplo). O prefeito de “mãos limpas” tem o dever de abrir esta Caixa-Preta e mostrar o que diz o Termo de Cooperação firmado com a Embarq. Seria interessante ver se em Joinville tem “almoço grátis” e se não tiver, qual é o problema em mostrar? Ao fim das contas documento público tem que ser público.

sábado, 11 de abril de 2015

Os milicos e a bomba gay

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Foi há algum tempo. Li, reli e treli, mas foi difícil acreditar na notícia publicada num jornal aqui do velho continente. Documentos secretos divulgados recentemente revelavam que o Pentágono teria considerado a hipótese de fabricar uma bomba sexual. Mas não tirem conclusões apressadas. Enganam-se as senhoras mais espevitadas que já estão a pensar numa espécie de “sex bomb”, um homem que seja uma autêntica máquina sexual.


O objetivo era mesmo criar uma arma de guerra. A tal bomba seria uma arma química não-letal, mas de forte efeito moral. Ou imoral. A proposta consistia em desenvolver uma espécie de bomba-afrodisíaco que faria os soldados homens atingidos nas linhas inimigas ficarem sexualmente atraídos uns pelos outros. Acredite se quiser.

Não dá para imaginar a fórmula dessa poção do amor, mas ia ser uma loucura com a viadagem* instalada nas trincheiras. Imaginem, por exemplo, uma cidade invadida por terroristas barbados, todos apaixonados uns pelos outros. É de tirar o turbante para essa ideia genial. O eixo do mal iria se tornar o eixo das malucas**.


Aliás, a tal arma teria efeitos culturais e merece uma reflexão: o que ia acontecer com aqueles fundamentalistas doidões que acreditam encontrar 75 virgens no paraíso? Sairiam de cena os homens-bomba, para dar lugar a “gays-bomba” dispostos a morrer e encontrar 75 marmanjos de barba rija no outro mundo.


BICHOS E HÁLITO - Guerra é guerra. Quando se lê a reportagem percebe-se que a engenhosidade dos militares norte-americanos não tem limites. Não contentes em espalhar a paneleirice*** nas hostes inimigas, os sujeitos estavam sempre dispostos a abrir a caixa das maldades. Outra das formas para estropiar os inimigos era a criação de armas – também químicas – que atraíssem vespas, ratos e outros bicharocos para as posições inimigas. A ideia era tornar impossível a permanência nesses lugares e conquistar terreno no campo de batalha sem nenhum esforço. Sinal dos tempos: guerras feitas com bichos e bichas****.


Os caras do Pentágono são muito imaginativos. Segundo a reportagem, um dos projetos apresentados pretendia criar um produto capaz de causar um tremendo - e duradouro - mau hálito no inimigo. A ideia era detectar os soldados que tentassem passar disfarçados entre os civis. Já fico a imaginar um ponto de checkagem. Em vez de passaporte e carteira de identidade, o teste do bafômetro: os tipos teriam que bafejar na cara dos fiscais, que receberiam treino especial para reconhecer o bafo-de-onça.


O problema é que poderia haver algumas contra-indicações. Porque se essa bomba fosse usada ao mesmo tempo que a primeira – a que transformava todos em paneleiros – o caldo ia entornar. É que ia criar muitos problemas de relacionamento. Os caras iam ficar muito chateados, porque não há nada mais broxante do que a tal da halitose. Já imaginou um terrorista barbudo a perguntar para o outro:


-      Queridinha. O que foi que você comeu? As meias do Benjamin Netanyahu?


Parece piada, mas segundo o jornal essas propostas foram feitas em 1994 por um laboratório da Força Aérea do Ohio. É por coisas como estas que os Estados Unidos são a maior potência bélica do planeta. Os milicos são pura imaginação.

É como diz o velho deitado: “Em época de guerra qualquer buraco é trincheira”.






* Hoje em dia não pode falar “viadagem”, mas o texto é meu e eu escrevo o que quiser.
** Não pode falar malucas, mas não resisti ao trocadilho "mal-malucas".
*** Paneleirice é viadagem em português de Portugal. Mas como ninguém sabe, tudo bem.
*** Também não pode falar "bicha", mas o texto é meu e eu escrevo o que quiser.

Tuitaço no Chuva #5


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Pare de ajudar em casa

POR EMANUELLE CARVALHO

Frequentemente, em conversas com amigos, conhecidos e até em nossos ambientes de trabalho é relativamente comum ouvirmos a frase: “Eu me preocupo com minha mulher, ajudo bastante em casa”, ou então “Tenho um bom marido, ele me dá uma mão com as tarefas”.
Então, caro amigo te peço uma coisa:
Por favor pare agora. Pare de ajudar a sua mulher em casa. Pare de dar uma mão. Apenas pare.
Bom, eu vou explicar o motivo. Nós mulheres somos constantemente assediadas em virtude dos trabalhos domésticos. Tudo começa na infância – e a projeção de tudo isso ainda na gravidez – quando somos ensinadas que vassourinha, fogãozinho e bonecas são brinquedos exclusivamente femininos, sempre voltados a tarefas e cuidados com o lar.
É claro que ensinar a criança a cuidar de seu próprio lar é excelente, mas pera lá, nós não somos ensinadas, naturalizamos aquele serviço como sendo exclusivamente nosso, e a partir daí criamos um processo de aceitação e de negação da divisão das tarefas do outro:
_É coisa de mulher.
Ainda na infância, perdemos, antes mesmo de entender como funciona o mundo, boa parte de nosso empoderamento enquanto mulheres, quando nossos irmãos, primos e vizinhos meninos ganham legos, que estimulam a criatividade, carrinhos que ensinam todo o processo de lateralidade e diversos brinquedos que os ensinam a construir, demolir, refazer, desmanchar enquanto são sempre condicionados a entender que todo o restante do processo de cuidado e higiene são dados a nós por carma, o carma de ter sido lida pela sociedade enquanto mulher.
Muitas de nós, ainda na infância aprendemos a lavar, secar, guardar pratos e louças e no início da adolescência  já temos ‘’que aprender a cozinhar se quiser começar a namorar’’. Nossos sentimentos são condicionados a capacidade de cuidar de um lar. Nosso vigor sexual está aliado a nossa ‘’sensibilidade’’ e a capacidade de reprimir nossos desejos em prol do outro. Passamos a adolescência fazendo enxovais que contém apenas utensílios e roupas para, adivinhem? O cuidado com o lar.
No chá de panela enquanto na periferia ou nos altos condomínios as mulheres em sua maioria estão fazendo brincadeiras vexatórias, vocês homens (em uma relação heteronormativa é claro), estão fazendo despedidas de solteiro. Em qualquer festa ou atividade que haja no mundo essas analogias estarão presentes, em algum grau.
Mas você só está querendo ajudar certo? Errado.
Quando você se dispõe a ajudar a sua mulher você está assumindo seu papel de privliegiado e beneficiando-se dele, tomando-se como um ajudador e não de divisor de tarefas. As tarefas domésticas precisam ser dividas de forma igualitária. Você meu amigo homem, não ajuda é casa, você é tão responsável quanto ela nos afazeres domésticos, nos cuidados com os filhos, na responsabilidades que necessitem de cuidados de higiene e limpeza fora de casa.
 É preciso que os homens compreendam que já absorvemos e naturalizamos muitas dessas tarefas. Que já nos acostumamos a fazer trabalho dobrado no emprego para ser reconhecida como boa profissional. Que já nos acostumamos a ser a pessoa a fazer o café, levar o salgado e lavar a louça nas festinhas que tem como objetivo descontrair e esquecer o ‘’trabalho’’.

É necessário que nossos companheiros, maridos, amigos entendam que não é natural que eles esqueçam artefatos de higiene, de limpeza, comidas e outros cuidados. Não é engraçado o marido esquecer a papinha da criança. Não é nada divertido quando ele deixa a comida queimar. É extremamente estressante, porque só volta a lembrar que eles ‘’não nasceram pra fazer isso, e tudo está dando errado porque estão tentando nos ajudar’’.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Para você que é chamado de coxinha, reaça, paneleiro...


POR VANDERSON SOARES

Este blog tem uma grande variedade de escritores e voluntários que todos os dias agraciam o intelecto de seus leitores com textos que refletem a atualidade de Joinville e do Brasil de um modo geral. Às vezes textos ácidos, irônicos, cheios de bons argumentos, que nos fazem pensar em como melhorar nossa sociedade. Uma boa parcela destes escritores são assumidamente de esquerda, outros mais ao centro, nenhum de extrema direita (ainda bem!).

Este texto vai pender para a direita, mesmo que eu não seja de lá. Esta semana tomei conhecimento de 2 informações e de um acontecimento que me incentivaram a vir aqui hoje defender o ponto de vista da classe média:

1) A figura logo ao final deste texto, com uma publicação de alguém desabafando que gerou milhares de compartilhamentos;

2) Sílvio Santos já foi quem mais contribuiu para o Imposto de Renda, mesmo não sendo o mais rico do país;

3)  Dilma passou, oficialmente, o poder de articulação política para Temer

Ok, concordo que os 3 pontos são um pouco aleatórios e, talvez, aparentem ser desconexos, mas tem uma íntima ligação, que tentarei expor nas linhas abaixo.

Sobre a classe média. Muitos intitulam-na de coxinhas, reaças, retrógrados e afins.  Não sou de direita, sou contra qualquer forma de preconceito, sou contra o ódio e sou a favor da igualdade de possibilidades a todos.

Defendo, em partes, as bolsas que este governo tem dado. Seus incentivos e, principalmente, a abertura do ensino superior para classes que antes tinham muito mais dificuldade para chegar lá.

O que não dá de concordar é que um cidadão de classe média, autônomo ou empresário de pequeno e médio porte seja intitulado dos nomes que falei acima, simplesmente por defender a sua realidade. A figura 1 explica um pouco do ponto de vista que quero defender.

Sem emprego gerado pelas pequenas e médias empresas de pessoas da classe média, não há emprego e assim, aqueles que financiaram sua casa no Minha Casa Minha Vida não poderão pagar suas parcelas. Se não há emprego, não pagarão as parcelas dos carros que compraram com aquela baixa do IPI, não conseguirão pagar as contas de luz que os condicionadores de ar necessitam.

Mas então você quer que os pobres continuem na masmorra e o pessoal da Casa Grande continue com seus benefícios? Não, claro que não. Sou a favor destas medidas, quando acompanhadas de estratégias sustentáveis. Agora, dá-se de tudo para um lado e colocam-se impostos sobre tudo do outro lado. A balança não se equilibra.

O governo, e os principais defensores da esquerda, atacam a classe média por irem contra algumas medidas, mas vejam, é a classe que mais trabalha e que mais produz e que, em troca, apenas recebe mais impostos pra pagar em troca de nada. Coloquei o item 2, sobre o Imposto de Renda do Sílvio Santos, para mostrar como o nossos sistema é incorreto.

No ano em que Sílvio Santos foi quem mais pagou Imposto de Renda ele nem sequer figurou entre os mais ricos do Brasil. Como pode isso? Se o Imposto de Renda é proporcional à renda, como pode o que não mais ganhou, ser o que mais pagou? O PT não estava no poder quando Sílvio foi quem mais contribuiu para o IR, mas não fez nada em seu governo para mudar isso. Continuou a esfolar a classe média e nem sequer mexeu no bolso de quem realmente tem dinheiro para contribuir. Ao invés de por em pauta a taxação das grandes fortunas, preferiu meter goela abaixo impostos para a classe média.

Repito, sou a favor de proporcionar a todos o mesmo ponto de partida. Todos tem direito a educação, saúde e alimentação adequada. Mas não apenas tirar de um lado e colocar no outro, sem pensar na sustentação destes projetos.

Entrando no item 3, quero dizer que Dilma fracassa mais a cada dia. No segundo mandato de Lula e em seu primeiro mandato, só fizeram dívidas, realizaram aquilo que defendiam como sendo o correto, mas não pensaram na continuidade disso. Não tinham cacife pra manter isso tudo.

Hoje estamos assim:
- Levy manda e desmanda na economia, de modo a conseguir pagar o rombo gerado nos últimos anos;
- Eduardo Cunha, do PMDB, presidente da Câmara dos Deputados;
- Renan Calheiros, do PMDB, presidente do Senado Federal;
- Michel Temer, do PMDB, Vice Presidente da República e Dilma, ontem mesmo, deu a ele poderes para articulação política;
- PT fez coligação com o PMDB para se eleger.

Agora eu te pergunto, você que defende com unhas e dentes o PT, Dilma e Lula. Qual é a sensação de esperar tanto tempo para estar no poder, fazer tudo aquilo que o partido defendia, não conseguir manter, endividar o governo e agora, paulatinamente, realizar uma renúncia branca, entregando o poder assim, oficialmente, ao PMDB, partido que o PT tanto atacou por tanto tempo?

A Ética dos Meios não se aplica na resposta. O PT fracassou e toda a sua história em defesa dos trabalhadores começa a cair por terra, suas teorias não mais são sustentáveis na prática, como diziam ser.