quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Clarikennedy e o clássico "empurrando com a barriga"

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

Já que poucas propostas aparecem, e a campanha se vê dominada por acusações do passado (até criminal) de alguns candidatos, vamos falar daquelas propostas que já estamos cansados de ouvir e que novamente aparecerão em 2012. E algumas destas vêm do deputado estadual (e candidato pela terceira vez) Clarikennedy Nunes, do PSD, quando ele assume que o sistema público é problemático e transfere o cidadão para a iniciativa privada, através do "cheque consulta" ou do "vale creche", propostas que ele carrega ao longo de sua trajetória.

Vale a pena lembrar, antes de continuar este texto, de que sou a favor de um Estado forte, provedor das necessidades básicas da população, garantindo todos os direitos fundamentais presentes na Constituição, como no caso da saúde e da educação. Existem várias visões acerca deste tema, mas faço questão de opinar em relação a minha, a qual mudou muito ao longo dos anos, confesso.

A partir do momento em que um candidato a prefeito assume como proposta a transferência das soluções para a iniciativa privada, ele corrobora que não conseguirá resolver os atuais problemas inerentes à prefeitura. Se não há a possibilidade de gerenciar de forma eficiente o atendimento, a solução é "comprar vagas" do setor privado, pois lá se tem a ideia de que "as coisas funcionam". Entretanto, qual a função de um prefeito? Resolver os problemas e criar novas soluções para a gestão pública, ou "empurrar com a barriga" e transferir as soluções, com vistas a um discurso demagógico de que "não importa como, mas o cidadão está com seu problema resolvido"?

Compreendo que o cidadão terá o seu atendimento efetuado, ou o seu filho na creche, seja estas políticas forem implementadas. O setor privado pode resolver as situações com uma agilidade incomparável em relação ao público. O Estado burocrata deixa creches serem interditadas, ou ainda, faltar água quente nos chuveiros dos hospitais. Porém, como cidadãos, não podemos aceitar nem o clientelismo das propostas dos candidatos, muitos menos as ineficiências da gestão pública. A grande carga de impostos serve para a implementação de políticas que atendam a todos, e não para ficar transferindo recursos financeiros, em uma espécie de "terceirização" dos serviços.

Desta maneira, votando em candidatos que proliferam este discurso, estaremos colaborando para a continuidade do sucateamento das ações públicas, olhando apenas para a ponta do iceberg. O que adianta, por exemplo, comprar uma vaga em creche particular, se a criança, quando crescer, entrará em uma escola pública sem qualidade? Ou dar uma consulta para o cidadão em um consultório privado e jogá-lo na fila de espera do SUS para uma cirurgia? Podemos assumir que o mercado controla tudo e não precisamos mais de representantes (sonho de todo o liberalismo), ou daremos importância às ações de melhoria da "coisa pública", com representantes que assumam o compromisso de melhora. Esta leitura é necessária para todas as propostas que aparecem, caro eleitor!

33 comentários:

  1. "Pagamos impostos escandinavos por serviços africanos"

    Desculpe Charles mas sou totalmente à favor do "estado mínimo" visto que "eficiência" e "público" na mesma frase, não combinam. Pelo menos não no Brasil.

    Sobre a proposta, acho que se for em caráter temporário, é até aceitável. Assim como é aceitável a proposta do Carlito de construir salas modulares.

    O Kennedy é louco mas não é bobo, ele sabe da ineficiência do estado e já está arranjando uma maneira de driblar a "burrocracia".

    Mais lerdo é o gato :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Discordo plenamente, o estado é ineficiente pq aqueles que foram escolhido para cuidar da "coisa pública" já entram com o pensamento de estado mínimo e aumentam a ineficiência para conseguir a privatização, passando os lucros para financiadores de campanha. O caso mais recente e gritante é o da saúde estadual, onde o secretário da saúde é ex-presidente da Unimed, teve o financiamento da campanha desta empresa e em seu primeiro ano de governo tem deixado o hospital regional largado as traças, tudo para justificar a entrega da administração do hospital para a iniciativa privada, fugindo das licitações e facilitando ainda mais a corrupção, já que não terá fiscalização, como é comum nesses casos, onde os deputados sempre fazem acordos para ser "governo" e em troca não fiscalizam nada.
      O mesmo se repete com o candidato Udo, que é acionista do hospital Dona Helena, além de ser do mesmo PMDB do secretário estadual, fica indicativo de que a saúde não tem boas chances com ele. É como deixar a raposa cuidar do galinheiro.
      Ainda podemos comparar a visão dos empresários de Joinville com a saúde com os empresários de Jaraguá do Sul. Lá em Jaraguá o hospital público ganhou pomposos investimentos privados dos grandes empresários, beneficiando a todos naquela progressista cidade. Já o empresário joinvilense vai lá e monta um hospital privado para tirar ainda mais dinheiro dos trabalhadores e seus planos e consultas particulares.

      Excluir
    2. O próprio PT, averso à privatizações aderiu a uma parceria para reforma e gestão do Complexo Expoville.(?)

      Veja você, independente da parceria beneficiar alguém, ela de fato parece a coisa mais sensata a se fazer, pois os burocratas do 'estado' não tem competência para gerir o que é público. Na minha visão político é político e administrador é administrador, que faz a coisa toda funcionar. (ou não)

      O Hospital Regional, assim como o São José, agoniza há anos, me surpreenderia saber que alguém entrou lá e mudou a qualidade do atendimento. Algo que nunca veremos um 'burocrata' fazer, pois é utópico pensar que o estado um dia vai prover saúde e educação de qualidade. Eu NÃO acredito, me deculpe.

      Excluir
  2. Com certeza, muitos dessa "iniciativa privada" são financiadores de campanhas!!

    ResponderExcluir
  3. Alessandra Debone9 de agosto de 2012 10:53

    Desde o inicio de sua campanha Kennedy, defendeu isso como uma questão emergencial, as pessoas não podem esperar uma reforma ou um concurso público para ter suas necessidades atendidas. Não sei se virão a reportagem de hoje de manhã onde 10.000 alunos estão sem aulas porque as escolas estão e reforma. Isso é o que se chama de estado forte? Onde está a eficiÊncia?

    Criticar só por criticar e sem enbasamento não faz sentido, criticar de uma forma construtiva sim faz sentido. Já que defende que o Estado deve ser o único agente provedor do bem social. Como ele deveria fazer com essas filas que estão se arrastando por anos?

    é muito fácil apenas criticar sem colocar soluções!

    ResponderExcluir
  4. Essa idéia de Estado forte é uma utopia! Quelquer um que estuda ou entende de Adm Pública sabe que é impossível o Estado sozinho suprir todas as necessidades do cidadão. As formas de resolver problemas públicos são várias e defendo que as pessoas precisam ajudar o Estado a resolvê-los isso sim é cidadania, assim como a iniciativa privada também deve ajudar!

    Vamos sair da nossa posição de conforto atrás de um computador apenas criticando!!

    ResponderExcluir
  5. Kennedy está pensando nas pessoas que estão nas filas de espera...ele quer resolver os problemas emergenciais. As pessoas não podem esperar mais!

    ResponderExcluir
  6. Meus caros! Não é demagogia querer resolver o problema da população. Você sr. Charles, fala aguardando alguma consulta?
    Então não fale contra quem sofre com o descaso desse governo
    mais do que incompetente do PT

    ResponderExcluir
  7. Charles, entendo que o bom gestor não está diretamente relacionado a "construir" tudo, mas sim de gerir, da melhor maneira o dinheiro público, visando sempre o resultado mais eficiente com o custo mais baixo.
    Caso a solução seja numa parceria público-privada, indifere, ele será bom gestor, na minha opinião, a partir do momento que utilizar os valores que dispoem de forma eficar e coerente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente! A Expoville é um exemplo disso!

      Excluir
  8. Cada vez mais os administradores públicos querem "passar a bola" daquilo que deveria ser sua responsabilidade. O "fazer" acaba ficando com a iniciativa privada aos custos de "só deus sabe quanto"
    Com isso o administrador gerencia apenas os vários sistemas, e claro, sempre levando "um" aqui e ali.
    O estranho nisso tudo é que; se as atividades fim são executadas por terceiros, o que fazem efetivamente tantos funcionários públicos, principalmente os comissionados?

    ResponderExcluir
  9. Vi esse vídeo ,achei interessante ,vou postar o link aqui http://www.youtube.com/watch?v=-0Z3UkWNvwI

    Rogério

    ResponderExcluir
  10. Os eleitores do Kennedy são os incultos e ignorantes.

    Qualquer pessoa com alguns neurônios treinados pelos livros e pela reflexão sabe que ele é uma farsa.

    Deste modo, lamentavelmente, este texto de nada serve, senão para alimentar o tempo dos assessores do candidato, que aqui virão.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse anônimo deve se achar o mestre da sapiência. Mas, na terra das bicicletas, sábio mesmo é quem foge do Carlito Merss do PT.

      Excluir
  11. Todo mundo achando que as iniciativas público-privadas são o que vai salvar a nação. E aqui em Portugal a gente não sabe como se livrar delas... que estão indo direto na jugular das verbas públicas...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É o que estou falando: Seria a sacnagem institucionalizada!!!

      Excluir
    2. Bem por aí Baço, não olham a longo prazo. É resultado da nossa mídia sem contraditória e da passada do PT para o centro

      Excluir
  12. Estado eficiente não é utopia, eu garanto.Também acho que ele deve ser provedor das necessidades básicas da população com qualidade.
    Na Suécia tudo funciona muito bem e há muitos anos.

    Mas dependendo do serviço, às vezes, é bom tercerizar. O negócio é analisar bem e fazer planejamentos à longo prazo. Não adianta nada se for mudar tudo a cada 4 anos.
    Aqui, as linhas gerais são iguais pra qualquer partido.

    Por exemplo: na cidade em que moro, Helsingborg, os idosos são cuidados pelo serviço público. A pessoa se inscreve na prefeitura e sem pagar nada além de seus habituais impostos, um funcionário vem à sua casa ajudar com a roupa, a limpeza da casa ou a ida ao mercado. Mas quando a pessoa não consegue mais morar sozinha por doença ou qquer motivo, ela vai pra uma casa que dá toda a assistência e é particular, mas paga pelo governo.

    Na educação, existem as escolas do governo e as escolas particulares, todas são pagas pelo governo e recebem o mesmo valor por aluno. A população não paga nada além dos impostos e as crianças estudam das 8h às 15h da tarde.

    Não se iludam.

    Nossos "representantes" são corruptos e dão jeitinho, porque nós brasileiros, somos corruptos e damos jeitinho.

    Eles são a nossa cara.

    Só vão mudar quando o povo mudar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A suécia é o 21º país no ranking mundial de liberdade econômica, enquanto Brasil é 99º. O que há de errado então? O de sempre: Péssima gestão e desperdício de dinheiro. Paga-se muito, recebe-se nada.
      Os bucocratas suecos, ao menos, sabem usar corretamente o dinheiro público.

      Excluir
  13. Infelizmente muitas pessoas ainda querem as coisas "de grátis" do governo que nada mais faz com cheque-isso e vale-qualquercoisa repassar mísera parte do que arrecada para quem o sustenta.

    Quanto menor o estado maior é a renda de cada indivíduo

    ResponderExcluir
  14. É isso Charles, concordo plenamente com voce.
    O estado deve sim garantir as necessidades básicas fundamentais para sua população. É função de um prefeito zelar para garantir estes direitos.

    Essa história de envolver a iniciativa privada para solucionar problemas na educação, são sinais de politicas neoliberais que já mostraram que não funcionam.

    AS.

    ResponderExcluir
  15. Quantos habitantes existem emm Helsingborg?

    Bom ......... não interessa.

    E aqui? Sei lá. Só sei que tem mais gente do que deveria.

    Tá tudo equivocado.

    Tem gente demais ... por que ninguém tem peito pra falar de controle de natalidade. Quanto mais peão existir, menos eles valerão, sacou?
    Se fossemos menos pedreiros (por rexemplo) muito mais bem remunerados estes seriam.
    Isso é disdribuição de renda .... não ficar dando bolsa esmola e fazendo filho a rodo. O Estado nunca conseguirá prover escola, transporte, hospital, rua e habitação descente pra tanta gente.
    Além disso, temos um vicio cultural de superpovoar as cidades. Uma porrada de cidades com 20.000 habitantes distribuiria mais qualidade de vida do que uma de 2.000.000

    Em cidades muito grandes, reduzimos a vigilancia nos governantes e nos serviços públicos.

    Além disso os valores aviltantes da especulação imobiliária inviabiliza os pequenos empreendedores .. além de ancorar uma classe média à financiamentos bancários (escravos do capital) e expulsar os menos favorecidos para uma periferia desestruturada.

    Se comparados a naufragos em mar aberto,
    Estamos nadando com pesos nos pés.
    Nossos esforços são dirigidos a nos manter na tona.
    Não conseguimos nos orientar e nem buscar uma direção.

    Da mesma forma, não conseguimos nos disvencilhar dos compromissos de sobrevivencia social para vigiar a aplicação dos recursos públicos e nem acompanhar os trabalhos de nossos governantes.

    É, meu. Né mole, não.

    Quem resolve isso?

    VOCÊ + EU + VOTO CONSCIENTE + EDUCAÇÃO

    ResponderExcluir
  16. Acho curioso os que generalizam que a iniciativa privada quer se beneficiar de licitações e etc.
    Podemos generalizar dizendo os que defendem uma política assistencialista do governo almeja uma cargo público? Pois então, generalizações de ambas as partes são errôneas.

    ResponderExcluir
  17. Estou vendo comentários bastante equivocados falando que seria utopia o Estado oferecer educação, saúde, habitação e transporte público de qualidade. Isto só é utópico em nações onde o dinheiro arrecadado é desviado no meio do caminho, e onde o Poder Público não possui gestão e planejamento.
    Acho que nos ultimos 10 anos o País conseguiu fazer uma inclusão social significativa, mas para a coisa acontecer de fato algumas medidas a mais deveriam ser feitas, por exemplo:
    - financiamento público de campanha;
    - todo o vereador, prefeito e deputados deveriam ganhar no máximo 3 salários, um mes de férias, não ter direito a foro especial e ser atendido pela SUS;
    - acabar com o voto secreto;
    - salário do judiciário, legislativo e executivo equiparados e com limite máximo de 10 salários minimos, sem aposentadorias especiais, sem beneficio mais algum;
    - dissolver o Senado;
    - corrupção ser tratada como crime hediondo;
    Quero ver se em 6 meses este País não entra nos trilhos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "...onde o Poder Público não possui gestão e planejamento"

      Esse é o Brasil! :(

      Excluir
  18. Pronto. Resolvi meu dilema. Vou votar no Manoel.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O país seria melhor "se" não houvesse corrupção.
      O país seria melhor "SE"...

      Como dizia um professor: "SE" meu pai fosse um cachorro e minha uma cadela, eu seria um cachorrinho.
      É, é complicado acreditar.

      Excluir
    2. Então tá Sérgio e Alexandre, vamos botar tudo na mão da iniciativa privada, dependendo de cartéis, de monopólios, de capital estrangeiro, de exclusão social, dos lucros exorbitantes e salários achatados, do privado sempre acima do coletivo. Será que não seria simplesmente a troca de exploradores, num caminho muito mais cruel e sem volta?

      Excluir
    3. Tudo sempre acaba no canl!!!

      Excluir
    4. O seu comentário reforça o conceito que o estado é incapaz de fazer o mais basico.
      Que é contratar bem, defender os interesses do cidadão, e aplicar bem os recursos públicos.
      Se há lucros exorbitantes é porque as agencias reguladoras são omissas.

      Excluir
    5. O maior explorador é o estado, é ele o sócio majoritário da situação, que aplica mal e, como o Jordi comentou, é omisso.

      Querer condenar o lucro é um retrocesso. Vamos condenar então o sistema tributário, que impede que empresas brasileiras sejam competitivas, paguem melhor e invistam em inovação.

      Excluir

O comentário não representa a opinião do blog; a responsabilidade é do autor da mensagem