terça-feira, 21 de maio de 2013

Para onde foi a Leroy Merlin?

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

No segundo semestre do ano de 2011 uma notícia agitou o mercado construtivo de Joinville. A Leroy Merlin, multinacional do segmento da construção civil e acessórios para o lar, manifestou interesse de instalar uma de suas novas unidades em nossa cidade. O terreno, inclusive, já havia sido escolhido.

O problema na época, segundo a empresa e também a imobiliária que negociava a vinda da Leroy Merlin, era de que o zoneamento específico daquele terreno na Avenida Hermann August Lepper, esquina com a rua Itaiópolis, não permitia tal investimento, principalmente um daquele porte. A área era prioritária para instalação de prédios de interesse público (zoneamento SE6) e passou para uma área de comércios de grande porte (zoneamento C3). Desde a mudança, aprovada pelos vereadores no dia 26 de julho de 2011, a referida área pode receber:


  • Comércio de pequenos aviões,de trailers e tratores.
  • Distribuidora de bebidas ou depósito para comércio.
  • Concessionária de caminhões e de ônibus.
  • Comércio de barcos e de motores marítimos.
  • Comércio de ferro para construção.
  • Comércio de material de construção (concreto, madeira, plástico, barro cozido, cal, cimento, cerâmica e pedras).
  • Comércio de pisos (revestimento).
  • Comércio de implementos agrícolas e para máquinas e instalações mecânicas.
A mudança aconteceu para "fomentar a geração de empregos", "desenvolver a economia local", "dinamizar o entorno da Beira-Rio", conforme diziam vereadores na época. O zoneamento joinvilense, mais uma vez, era vítima de interesses particulares, principalmente oriundos do poder econômico. Uma imobiliária conseguia fazer lobby junto aos vereadores para mudar o zoneamento de seu terreno em específico. 

O jornal A Notícia, de 27 de julho de 2011 (vale ressaltar que, por enorme coincidência, o termo "leroy merlin" não aparece em nenhum sistema de buscas do site an.com.br; a pesquisa foi feita manualmente, edição por edição), evidencia muito bem os interesses dos diferentes atores envolvidos nesta manobra legislativa. Segue abaixo a íntegra da reportagem:


"Depois de muita polêmica, foi aprovado, por 11 votos a quatro, o projeto que libera a construção de comércios de grande porte na rua Hermann Lepper, na quadra da Câmara de Vereadores.

Ontem, os parlamentares se reuniram com um representante da Hacasa, imobiliária que tem terrenos na região. Ela explicou que a empresa que se mudará para a área é a multinacional francesa Leroy Merlin, que trabalha com produtos de material de construção e decoração. Antes de virar lei, ainda precisa da assinatura do prefeito Carlito Merss (PT).

Há semanas, o projeto de autoria do vereador Manoel Bento (PT) vinha tendo sua votação adiada devido a divergências entre os parlamentares que consideravam que a mudança beneficiaria poucas pessoas. Na quinta passada, depois de troca de acusações entre vereadores, representantes da Hacasa estiveram no Legislativo para uma reunião de emergência. Ontem, para sanar dúvidas, Jean Pierre Lombard, gerente da Hacasa, mostrou os detalhes do projeto aos vereadores em reunião extraordinária da Comissão de Economia.

O encontro serviu para vários vereadores mudarem de ideia e passarem a aceitar a mudança de zoneamento. “Não há como ficar contra uma proposta quando você vê a preocupação ambiental que o grupo tem”, falou José Cardozo (PPS). Manoel Bento, autor do projeto, falou da necessidade de dar oportunidade para se fazer um empreendimento em uma área vazia. “Há anos temos esse terreno livre. Se não há condição de fazer algo melhor, que seja liberado para um empreendimento que trará desenvolvimento para a cidade.”

Mesmo assim, houve vereadores, como Osmari Fritz (PMDB), que se mantiveram contra. “Essa mudança atende ao interesse único de um empresário.” A instalação da Leroy Merlin está prevista para o final do ano. Será a 15ª loja em solo nacional e terceira da multinacional francesa no Sul do País."
 Depois da manobra (mas ainda na dependência da aprovação do Prefeito Carlito Merss), o mesmo jornal A Notícia, mas datado de 16 de agosto de 2011 (novamente o site an.com.br não liberou a matéria para o seu sistema de buscas, mas o site clicrbs.com.br aparentemente "esqueceu" de bloquear), mostrou que, de fato, a empresa tinha vontade de se instalar em Joinville. Parecia que o recado estava sendo dado via imprensa:


"A vinda da rede francesa de lojas de material de construção, jardinagem e decoração Leroy Merlin depende de uma assinatura. A instalação deve ser confirmada após a sanção do prefeito Carlito Merss ao projeto de lei que alterou o zoneamento da avenida Hermann Lepper. A imobiliária que negocia o terreno com a multinacional diz que os executivos só conseguirão ter um cronograma de implantação a partir da assinatura da lei, prevista para ocorrer até o dia 2.

O gerente da Hacasa, Jean Pierre Lombard, afirma que a Leroy Merlin estuda desde o ano passado quais terrenos disponíveis seriam interessantes para seus negócios. A preferida, a área escolhida na Hermann Lepper, ainda não teve seu contrato fechado devido às tramitações da alteração da lei de zoneamento.

A lei que autoriza a construção de lojas de grande porte na Hermann Lepper foi aprovada pela Câmara de Vereadores na sessão de 26 de julho. O documento foi enviado para o gabinete do prefeito na sexta. Na segunda-feira, as secretarias relacionadas ao projeto e a procuradoria do município foram acionadas para avaliar o texto.

O departamento de expansão da Leroy não confirma a abertura da loja de Joinville, alegando que as unidades que serão inauguradas até o início de 2012 estão definidas e as que serão abertas depois não foram informadas pela direção."
Estamos quase na metade de 2013, e a loja Leroy Merlin ainda não se instalou em Joinville. E nem há sinais disto. O terreno na Hermann Lepper continua sem a mínima movimentação de alguma instalação construtiva, tapume, ou divulgação da multinacional. Entretanto, a mudança da legislação beneficiou o dono do terreno, para cumprir a tão confusa "função social da propriedade", prevista no Estatuto da Cidade. É importante dizer que, após a aprovação do novo zoneamento, o valor de mercado do terreno mais do que dobra. Afinal, um lugar com usos restritos, somente para prédios públicos, transforma-se em uma importante área para complexas instalações comerciais. O lucro com esta ação é impressionante, com ou sem Leroy Merlin. Ao final desta resumida análise, restam quatro perguntas (o blog se coloca aberto para a resposta de todos os envolvidos, se necessária):
  1. A Leroy Merlin desistiu de Joinville?
  2. Por que o dono do terreno insistiu tanto em algo que não se concretizou?
  3. Isto foi uma manobra de especulação imobiliária?
  4. Se a Leroy Merlin não vem mais para a cidade, o dono do terreno aceita voltar o zoneamento para SE6, deixando de obter o "lucro"?
E representantes de imobiliárias estão no novo Conselho da Cidade...

37 comentários:

  1. Parabéns Charles!

    Está mostrando coragem ao mexer em um tema tão espinhoso de cara limpa.

    NelsonJoi@bol.com.br

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  2. Respostas:
    1. Provavelmente, vai abrir uma loja em Marte.
    2. Diversão.
    3. Capaz! Papai Noel me disse que não. E o Coelhinho da Páscoa confirmou.
    4. Ele vai doar o terreno para a construção de habitações populares. Mas para isso ele vai lutar para mudar o zoneamento do terreno novamente.

    Mais uma realização: MHE - Movimento Hacasa Eficiente.

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  3. Não sei responder nenhuma dessas perguntas. No entanto, o que mais há em Joinville é especulador, tanto de pessoas jurídicas quanto físicas. São raras as cidades no país do porte de Joinville com tantos espaços desocupados, muito deles ali, aguardando um momento “providencial”. Donos de terrenos baldios deveriam pagar muito mais impostos do que hoje, isso incentivaria o uso e adiaria a bolha imobiliária, já presente em muitas zonas da cidade. Sobre mudanças zoneamento para investimentos, sou totalmente a favor, sobretudo ao analisar o “competente” corpo técnico do IPPUJ. Com o zoneamento nas mãos do IPPUJ e a impossibilidade de alterá-lo, Joinville correria o risco de perder milhões em investimentos além da geração de milhares de empregos.

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  4. Parabéns. E principalmente nos últimos dias que o nosso maior jornaleco de bairro tem sido totalmente parcial. Publicou hoje uma opinião falando de pendenga e pressa para aprovar a LOT?
    Pressa para que? O que a cidade pode mais perder em fazer as coisas com pressa e mal pensada e pensada por poucos?
    É o fim, como disse Juarez Machado ano passado em carta aos candidatos:
    "Tudo virou estacionamento, onde em breve irão construir mais um espigão de mau gosto. A cidade está à beira de um colapso de identidade. Ficaremos igual a qualquer cidade medíocre deste enorme Brasil."
    Meus pêsames, essa cidade morreu pelas mãos de uma política vendida e com a ajuda de um imprensa podre, bairrista e pobre.

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  5. Saiu no jornal na semana passada que a Leroy Merlin e a Decathlon tiveram as licenças da Fundema liberadas e agora o processo está na Seinfra. Aqui: http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a4137241.xml&template=4191.dwt&edition=21966&section=886

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  6. Em qualquer lugar civilizado do planeta o que foi narrado pelo grande historiador Visionário Memes no post anterior do Jordi acrescido deste post do Charles seria motivo suficiente para iniciar um processo investigatório entre as relações do legislativo, executivo e imobiliária HACASA. Isto tudo sem falar na gravação do Udo ainda, que deve dar muito pano prá manga...

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    1. Em qualquer lugar civilizado...pois é aqui a civilização parece que ainda não chegou, ou chegou e foi embora.

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  7. Só uma pergunta.
    Por que o Ministerio Publico não age nesse caso, investiga ou fiscaliza, faz alguma coisa, ou se manifesta?

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  8. Parabéns Charles, pela abordagem. Alguém ouviu aquele ventríloco do CDL falando que a eleição do Conselho da Cidade superou o atraso?. É a retórica oriunda da patifaria econômica que comprou a imprensa desta Cidade. Imprensa livre? Não em Joinville.Uma frase de Confuncio resume a questão: Aquilo que não têm solução, solucionado está. Questões urbanísticas em Joinville, definitivamente, são um caso perdido.

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  9. um coisa que não entendo foi que teve associação de moradores que chegou a enviar oficio aos vereadores comunicando a metragem minima e hoje não comentam mais nada sobre isso. by Paula Marques

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  10. Não sei a quem pertence a imobiliária, porque o que vou dizer não questiona isso.
    Agora duvido que se as terras em questão pertencessem a qualquer um dos que estão criticando a especulação, não usariam da mesma prática. Afinal, a imobiliária não visa lucros? Ou ela tem que bancar o coelhinho da páscoa e distribuir ovinhos? Por trás, há impostos altíssimos a pagar e mais uma penca de encargos.

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    1. Quem quiser comprar e tiver dinheiro, que o faça, oras bolas!

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    2. Ninguém esta criticando o livre negócio de venda e compra que qualquer mortal, desde antes de Cristo, tem total direito de exercer desde que de forma legal.
      O que está sendo levantado é a relação de legislativo e executivo, entes públicos, auferindo e ajudando empresas privadas de forma especulativa em perfeita simbiose, ou seja, com benefícios em ambos os lados.
      Tudo isto em detrimento da maioria absoluta da população.
      Precisa desenhar anônimo?

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    3. Perguntem a eles. Afinal não foram vocês que os elegeram?

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  11. Eu sei pra onde foi a Leroy ...
    ....




    ....




    ....




    ....




    Foi para o mesmo lugar que a futura ex-fábrica de parafusos que deveria ser transferida para um amplo terreno verde no distrito industrial e que , após conseguir as licenças ambientais, misteriosamente não se mudou para lá ! Curioso, não?!

    Querem apostar que vai sair um gigantesco empreendimento (e não uma fábrica como fora licenciado) no mesmo local daqui uns anos ?!!?!?!?


    E para quem ainda não aprendeu o truque, existe uma segunda nova fábrica de parafusos + complexo logístico sendo licenciado em um outro terreno enorme na zona sul, divisa com Araquari...

    Amplas áreas verdes suprimidas, conexão com a BR 280...

    O que falar de Araquari que ficará refém destes interesses pois tem mais de 26 Milhões de m2 do seu território nas mãos deste grupo! Tudo bem que mais da metade é APP...mas ainda sim é muito chão !!!

    http://www.araquari.sc.gov.br/2013/04/19/desenvolvimento-araquari-recebe-proposta-para-uma-nova-cidade/









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    1. se tivessem respeitado as APPs ainda tudo bem, mas estão aterrando os contribuintes do Rio Paranaguamirim, indo até quase o manguezal.

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  12. A princípio o lobby exercido pela imobiliária conforme narrado no post não constitui ilegalidade ou imoralidade alguma, até porque alterou-se o zoneamento da rua toda. Ao contrário do ocorrido com o terreno ao lado do Hotel Tannenhof há alguns anos, no qual alterou-se o zonemanto de um único terreno especificamente, caracterizando a pessoalidade da alteração legislativa. No mais, faz parte do processo democrático o conflito e pleitos que envolvem interesses particulares e coletivos, para bem ou para mal, mas que faz parte do processo isso faz. Assim como a pressão que os movimentos sociais exercem para conquistas e garantias de direitos. Cabe ao legislativo equilibrar essa balança com vistas ao interesse público, o que raramente acontece. O que mais impressiona é a mobilização dos políticos em atender as demandas do poder econômico e a morosidade/precariedade em atender as demandas populares. Aliás, o atual prefeito foi eleito justamente para isso.

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    1. Foi a melhor colocação até agora.

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  13. Só queria entender o propósito do texto. Foram relatados os fatos - que não são novidade - e foram deixadas quatro perguntas no ar:

    *A Leroy Merlin desistiu de Joinville?
    Procure a assessoria de imprensa deles. As possibilidades são infinitas.

    *Por que o dono do terreno insistiu tanto em algo que não se concretizou?
    Como ele podia saber que não ia se concretizar. Não depende das razões da tal 'desistência'?

    Isto foi uma manobra de especulação imobiliária?
    E ele estáesperando 2 anos pra faturar com a mudançano zoneamento? Sério?? Ok... Supondo que tenha sido especulação. E agora??

    Se a Leroy Merlin não vem mais para a cidade, o dono do terreno aceita voltar o zoneamento para SE6, deixando de obter o "lucro"?
    'Se....' Por que voltar ao zoneamento anterior? Não deveríamos propor a busca por um novo empreendimento que gerasse empregos para a cidade?? Ou vamos continuar batendo cabeça contra o dono do terreno para evitar que ele tenha lucro?

    Acho que ao invés de atacar o proprietário do terreno (eu não faço ideia de quem seja) e a imobiliária (que fosse qualquer uma), a crítica deveria estar voltada às sessões extraordinárias para a votação de um projeto que favoreceu tão poucos e uma investigação sobre a possível 'compra' de votos a favor. Olha... falei o que ficou velado no texto. Ai ai ai...

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  14. Pois é Senhores "nônimos" e anônimos. Não seria a hora de começarmos uma mobilização com dia, local e hora marcados para JUNTOS avaliarmos o que deve ser cobrado da administração municipal? Não seria a hora se ir alem do facebook e marcar presença num debate face to face?
    Vem chumbo grosso por aí .... pressão de todos os lados. Depois de decidido não adianta bater panela.
    Falta-nos união e formalização de idéias.
    Em breve teremos essa oportunidade. Num primeiro encontro poderemos formalizar nosso conceito para uma audiencia pública, onde haja espaço para debater, falar, ouvir e buscar nos entender.
    Pensem a respeito e preparem seus argumentos.
    O convite sairá em poucos dias.
    Saudações

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  15. Sugiro um abaixo assinado ....a começar pelos moradores das regiões sujeitas as alterações da Lot

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  16. CHARLES VOSS - Recebi algumas informações de boa fonte que o contrato de arrendamento já foi assinado com a LM. Diz a fonte que o contrato tem mais artigos e cláusulas do que os versículos da Bíblia. Também soube que a empresa em questão quer ainda mais do que o uso permite hoje e, para isto, está a cata de "agentes" (quase não tem esta espécie por aqui)que aprovem seu projeto acima dos índices que já foram alterados na Câmara. Em resumo, querem ainda mais área construída. Nem vou falar sobre EIV, geração de tráfego, inferno astral no centro, e outras coisas, porque posso amanhecer com a boca cheia de formiga. Então eis as respostas as suas perguntas:

    1 - A Leroy Merlin desistiu de Joinville? - NÃO!

    2 - Por que o dono do terreno insistiu tanto em algo que não se concretizou? - Porque as condições contratuais devem ser roteiro de filme de terror!

    3- Isto foi uma manobra de especulação imobiliária? - Também foi, mas só mais uma das tantas já conseguidas em outros tempos!

    4 - Se a Leroy Merlin não vem mais para a cidade, o dono do terreno aceita voltar o zoneamento para SE6, deixando de obter o "lucro"? - KKKKKKKKKKkkkkkkkk...tô chorando de tanto rir...

    5 - E representantes de imobiliárias estão no novo Conselho da Cidade... - E como as Faixas Viárias como serão aprovadas sem eles, por exemplo!

    .....KKKKKKKKkkkkkkkk, continuo rindo, para não chorar! BUÁAAAAAAAAAA!!! que m... de cidade....

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  17. Anônimos, anônimos....Olha aí que maravilha de argumentos. Ninguém, nem o Charles disse nas na excelente reportagem investigativa que não se pode ganhar dinheiro....mas a questão de fundo versa sobre honestidade, ética, probidade, lisura, transparência e algumas coisas básicas que esta sociedade local pouco se importa mas que fazem diferença em sociedades evoluídas. Porém, vivemos num lugar em que se protagoniza a autofágia urbana - Vou explicar:

    A denominação AUTOFAGIA, é oriunda da biologia. Como podemos bservar, existem diferentes formas de explicar a mesma coisa:

    Auto = por si / fagia = comer: Usamos este termo para designar o ato de auto-digestão. sf (auto+fago+ia) 1 Med: Devoração da própria carne, na demência. 2 Biol: Nutrição do corpo pela consunção de seus próprios tecidos.
    É a degradação de proteínas e organelas citoplasmáticas englobadas por vesículas do Retículo Endoplasmático que se fundem com os lisossomos.
    A manutenção da vida à custa da própria substância do indivíduo.

    Os urbanistas, utilizam tal termo para ilustrar o processo de declínio de uma cidade, seja no aspecto urbanístico, ambiental, social, político e/ou econômico.

    A falta de investimentos (ou investimentos equivocados) em educação, meio ambiente, infraestrutura, na geração de empregos, crescimento econômico, saúde; excesso de benefícios para privilegiados; projetos sem resultados a longo prazo, na história, culmina em um processo de retrocesso.

    A cidade, assim como o corpo humano, nos dá indicativos de que há algo errado com sua estrutura. Quanto maior o tempo de ação, mais doentes ficamos, quer dizer, a cidade vai adoecendo.

    E este cenário? É definitivo?

    Claro que não. Enquanto os organismos vivos das cidades, em outras palavras, NÓS, tivermos energia, saúde e de forma inteligente e organizada, seremos um antídoto poderoso para eliminarmos as mazelas oriundas das doenças que acometem nossa cidade.

    Quando digo NÓS, não refiro-me exclusivamente a eu e você. Inclui-se aí a classe dos políticos, dos empressários, dos trabalhadores, das ONG`s, e, principalmente, da sociedade organizada. Isso é NÓS.

    Atenção, (em especial aos anônimos e omissos) a cidade está se auto-consumindo, 10, 9, 8, 7, 6, .....

    Eu, enquanto cidadão de bem e em função da minha profissão, sei muito bem o que fazer para contribuir para a reversão de um cenário de autofagia urbana. Mas, como diz o ditado, uma andorinha sozinha não faz verão.

    E você? Dentro de seus princípios e formação, o que está fazendo? Você pode fazer algo? O que?

    Sob a ótica de que poucos podem tudo e muitos nada podem, vamos alimentando a burrice coletiva, virando vaquinhas de presépio, aumentando os excluídos na mesma proporção que aumentamos a acumulação de renda. Mas os anônimos, estes ventrilocos falantes, não sabem disto, pois não comendam suas mentes, são comandados. Uma pena!

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    1. Poderíamos de início proibir todo e qualquer arquiteto/urbanista que já fez parte do IPPUJ de continuar dando sua "contribuição" para a melhoria da cidade.

      Pois se esta cidade tem um instituto de pesquisa e planejamento, as pessoas que fizeram parte dele são responsáveis pela m. de planejamento urbano que enfiaram esta cidade.

      NelsonJoi@bol.com.br

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    2. legal! Só podia citar a fonte né? Aí é "fagia de texto alheio" ou isso já tem nome: http://pensarjoacaba.blogspot.com.br/2009/04/autofagia.html

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    3. Nelson,
      Eu sei o nome das pessoas que vc fala, rsrs. Pena que a gente não pode falar.

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  18. Charles gostei muito do seu texto. Gostaria de enfatizar que a dita Leroy Merlin não é a multinacional francesa que trabalha com produtos de material de construção e decoração. Ela somente comercializa, ou seja comprará em fornecedores Joinvillenses e de outras cidades e países para vender aqui. Vai sair mais dinheiro da cidade que entrar, só este fato já colocaria a questão de mudança de zoneamento em seu devido grau de inutilidade pública para qualquer vereador honesto ou bem assessorado ( pra não chamar de burro).

    Mas vamos as questões, segundo minha opinião, sem qualquer embasamento científico ou afirmação que possa ser configurada como calúnia:

    1.A Leroy Merlin desistiu de Joinville?
    Para desistir primeiro a empresa realmente deveria estar decidida a montar sua lojinha aqui. Se um simples comunicado de interesse consegue convencer tantos fiscais no legislativo temos caracterizado o relapso. Quando nas sessões da época ouvia alguns vereadores defendendo a mudança do zoneamento na minha cabeça só passavam as palavras: ladrão e burro.

    2.Por que o dono do terreno insistiu tanto em algo que não se concretizou?
    Não faço a mínima idéia, mas somando 2+2 concluo que não foi pra vender um terreninho.

    3. Isto foi uma manobra de especulação imobiliária?
    Sim, mas especulação não é sinônimo de ruindade. Especulação provém de uma espera, ruindade é quando engana-se alguém pra comprar barato e no outro dia vender caro. Usar suborno e outro meios desonenstos só merece mesmo o inferno se a justiça não punir legalmente.

    4. Se a Leroy Merlin não vem mais para a cidade, o dono do terreno aceita voltar o zoneamento para SE6, deixando de obter o "lucro"?
    Não é necessária consulta ao dono do terreno, decisões técnicas devem ser o único motivador de alterações de zoneamento.

    PS. Vereadores favoráveis não seriam necessariamente ladrões, podem ser somente burros ou manipuláveis.
    Vereadores contrários não seriam necessariamente honestos, talvez ainda estivessem negociando o preço.

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  19. olha, na verdade quem está certo é o Dr. Alvaro Cauduro que tomou a frente na Camara e falou umas verdades para este pessoal que só quer travar a cidade. parabéns Dr. Alvaro

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  20. Tem gente que é pior que o Fidel Castro quando expõe seu ponto de vista.03,04 horas de discurso! Credo!

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    1. se ainda fosse o discurso dele, mas o de "outrem"? Adorei o "Porém, vivemos num lugar em que se protagoniza a autofágia urbana - Vou explicar:"

      Vou explicar: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  21. Vocês conhecem essa "piada"....

    Estava o "Velho Schnaidah" vindo de São Bento com seu motorista e seu secretário particular, quando viu uma grande área verde. O mesmo mandou seu motorista parar o carro imediatamente, e já foi descendo do carro. Seu secretário sem entender a situação perguntou:

    - O que aconteceu senhor?
    - Eu querrro que você comprre toda essa árrrea aqui!
    - Isso não é possível senhor!
    - COMO ASSIM nô é possível?!?!?!?!
    - Bem senhor, essa é a cidade de Campo Alegre ... e senhor... ela já é sua!!!
    - Mein Gott! Enton preciso achar um comprador!!!
    _________________

    Outra piada?

    O homem é um Santo Antônio da Mata Atlântica!!!

    É preservação no frühstück, preservação no almoço, no cafézinho e na janta!!!!

    http://super.abril.com.br/ecologia/latifundio-verde-461546.shtml

    _________________

    Ótimo texto Charles!!!

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    1. que ironia o autor do texto da matéria da Superinteressante. Leandro Narloch não é o mesmo da saga Politicamente Incorreta da História, da Filosofia...?

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    2. Serginho, isso é lenda! Lenda porque ele ainda é proprietário de muitas áreas na região.
      Eu sei, podes ter certeza.

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  22. Verdade, eu errei em não citar o colega de Joaçaba Luiz Robério sobre a sua descrição de "autofagia urbana", que expressou a sua angustia tanto quanto eu busquei expressar a minha usando o tetxo de sua autoria. Falhei em não citar a fonte e devo me desculpar com o Robério por não citá-lo quando apropriei-me do texto, e não me causa constrangimento declarar isto, porque ele coube como uma luva para esta cidade, servindo bem aqueles que apoiam o "excelente" trabalho em curso no planejamento local do qual não faço parte. E não vou deixar de opinar, isto é certo.

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  23. Anônimo de 21 de maio de 2013 às 13:17 hrs, pelo jeito nas próximas eleições municipais, o prefeito eleito pelos votos obrigatórios da população descendente dos europeus junto com os imigrantes da colônia dona Francisca, que se diz democrática, mas não se sabe se é monarquia capitalista ou colônia capitalista do século XXI irá fatalmente eleger o reizinho da famiglia (ninguém tá dizendo que é da mafia) schneiderzinho (tem essa familia pelos lados de cá da colônia dona Francisca), pergunta pra gauchada da midia do maior jornal da paróquia se não vai se eleger mole, mole e com os troquinhos $$$ da empresariada, que ganhou de mão beijada da operariada. Se for mentira terta, pergunta pro Udozinho por que ele foi candidato a prefeito, pergunta pro pós-memoriam do Freitag por que ele ganhou um prediozinho todo bonitinho no centro nervoso e foi eleito reizinho da colônia mais coronélista destes lados do sul do mundo.

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  24. Uma vergonha para a cidade de Joinville, vereadores vendidos por merreca pra Hacasa, Udo Doeller tambèm e outro que nao fez e nao fara nada por Joinville, inclusive a Sema està uma merda, eles estao fazendo lojas e micro-empresarios tirar paineis publicitarios por ser muito grande e ter que por uma mini placa na frente da loja , enquanto uma Leroy Merlin ou outra empresa grande de fora Alem de deixarem por mega painel publicitario, capaz de ainda ir da o Rabo pros diretotes. Tem vàrias empresas locais de material construcao que tem 3, atè 4 lojas e criam jà 30 a 50 empregos, uma Leroy Merlin criarà 100 a 150 ... mas tambèm influenciarà na continuidade do crescimento das lojas locais.

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