quinta-feira, 9 de maio de 2013

Uma prisão entre Garuva e Barra Velha



POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Nenhuma cidade pode aspirar à modernidade sem uma mídia moderna, sem bons formadores de opinião e sem intelectuais que possam servir de luminares. E esse parece ser um problema para Joinville, onde a opinião pública (e publicada) aponta para a anorexia cultural, a inanidade intelectual e frouxidão de ideias.

Quando falo em cultura estou a pensar na alma coletiva da cidade: os costumes, a arte, a produção literária, a política, os mitos, a sexualidade, a economia, a forma como as pessoas leem o mundo. Uma boa formação de opinião é essencial para apontar o futuro e estimular o debate. O problema é que os formadores de opinião de Joinville padecem de um problema: uma falta de qualidade que os impede de ultrapassar as divisas de Garuva e Barra Velha.

O que eu quero dizer com isso? Não é novidade - já abordei o tema - mas a formação de opinião em Joinville é dominada por pessoas que estão prisioneiras das próprias incapacidades. Gente que passa a vida a zurzir tolices e, no entanto, até tem quem as ouça na paróquia. Mas são vozes cujo talento não vai além das divisas da cidade. Sem ser politicamente incorreto, metaforizo com o velho ditado: “vozes de burro não chegam ao céu.

Mas vamos por partes.

A MÍDIA - Em termos genéricos, é a mesma estrutura de décadas. Em que pesem as mídias digitais, que representam um avanço inquestionável, pouco mudou. Você liga o rádio e é o mesmo rame-rame que era nos último 20 ou 30 anos. Os mesmos nomes, os mesmo métodos, a mesma pequenez. E, em muitos casos, a mesma falta de cultura democrática.
Ah... houve outra mudança: também surgiu uma nova espécie de televisão, mas com escassos recursos técnicos, de produção e de criatividade. E não vamos esquecer que, nesse novos meio, os casos de maior sucesso são a transformação da televisão num rádio com imagem. Evolução? Não. Os mesmos nomes, os mesmos métodos, a mesma falta de horizontes. Mas agora com imagem.

Um dia destes o publicitário Pierre Porto fazia um lamento nas redes sociais. Nos últimos tempos, a única novidade em Joinville foi o surgimento do Chuva Ácida. Ok... não estamos aqui a falar de autopromoção ou imodéstia, até porque todos sabemos que é muito pouco e que o blog tem um peso muito relativo. O Pierre Porto tem razão: é preciso mais. Muito mais.

INTELECTUAIS - É certo que em Joinville há gente a pensar a sociedade. Mas por vezes essas pessoas acabam ilhadas a fazer monólogos, porque não há interlocutores. Não há o hábito do debate, do dissenso, do contraditório. E também são raros os nomes de referência, cuja opinião serve para balizar os debates, como acontece em outras sociedades.

Aliás, se você perguntar quem é o intelectual de referência na cidade, muita gente vai apontar o mesmo nome de 20 ou 30 anos atrás. E lembro bem que já naquela época o tal intelectual era improvável, pois a pessoa nunca produziu qualquer trabalho com qualidade digna de nota.

FORMAÇÃO DE OPINIÃO - Há um vazio (causal e casual) nesse campo. E o espaço foi ocupado por pessoas sem qualidades intelectuais, alguns com escrúpulos duvidosos e a maioria com visões de mundo que apontam para o passado. Não por acaso Joinville tem sido considerada uma cidade conservadora e provinciana. Os tais (de)formadores de opinião têm muitas culpas nesse cartório, porque apenas reproduzem ideias pífias e dos tempos de antanho.

P:S. Não venham com a conversa de que estou a “falar mal de Joinville”. Porque também é a minha cidade e obviamente desejo que ela evolua. Este texto é apenas um exercício do lídimo direito de discutir a cidade e tentar gerar debate.


23 comentários:

  1. Sr. José Antonio Baço...(o homem q nunca vai perder o baço..rsrsrs)...brincadeiras a parte...seu texto não deixe levar uma grande quantidade de verdades...mas...como sou um ouvinte compulsivo de radio...ouço desde os meus 7 ou 8 anos...e morei do sul ao norte desse Brasil...e durmo e acordo com radio no ouvido...e ao estar acessado na internet ...estou tbm ligado em alguma radio..noto q em muitas grandes radios (Band, CBN,Gaucha...as q mais ouço) acontece a mesma coisa...sempre os mesmo formadores de opinião...e os poucos q tm aparecido...seguem uma mesma linha...mesmo estilo...então acho q de um modo geral...parece q continuam fazendo sucesso...apenas q sabem comunicar melhor e são profissionais por execelencia...aqui na nossa "Xoinfille"...é uma lastima...todos são atrelados a vida politica...e usam a "latinha" de acordo com a andança politica...e qdo estão se notabilizando...conseguem estragar tudo...se candidatando a algum cargo politico...assim particularmente acho q enquanto essa for a forma de formar opinião...estaremos olhando sópra dentro das "nossas botas" mesmo...e tenho q concordar contigo....Du Von Wolff...

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  2. Parabéns pelo texto José Baço ! Sou praticamente obrigado a fazer uma citação que acho que tem tudo a ver com a parte final do seu texto : "Segundo o mestre italiano, o pessimismo da inteligência é perfeitamente compatível com o otimismo da vontade.
    O pessimismo da vontade conduz à "resignação", que é forma mais comum de pessimismo, pois é relacionada à esfera da ação. Pessimista é aquele que espera o pior, aquele que adota postura derrotista, aquele que encara a realidade sem esperança. Em matéria de participação, a resignação é a própria negação da possibilidade de "tomar parte", interferir, alterar as circunstâncias.
    Aquele que exercita o pessimismo da inteligência, reversamente, é essencialmente um realista, pois teme o pior exatamente pelo desejo de realizar ardentemente o melhor. Em matéria de participação, sem o temor quanto à ineficácia do sistema normativo conquistado, não há realismo, mas apenas retórica sem compromisso e idealização sem conseqüência. O contrário do pessimismo da inteligência, diz o mestre italiano, não é a esperança, mas a arrogância e a imprudência.
    Ante a situação brasileira, eminentemente paradoxal, porque rica no plano normativo e pobre no plano da vivência efetiva da participação, parece prudente dar ouvidos à advertência do mestre italiano. Estudar as normas estimuladoras da participação cidadã com o entusiasmo dos que desejam a sua plena realização, mas com a consciência serena de que, no plano dos fatos, há muito terreno a percorrer."


    Leia mais: http://jus.com.br/revista/texto/2586/participacao-popular-na-administracao-publica#ixzz2SpsNvh9o

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  3. VOCÊ É UM PESSIMISTA DA INTELIGÊNCIA E UM OTIMISTA DA VONTADE ! "Segundo o mestre italiano, o pessimismo da inteligência é perfeitamente compatível com o otimismo da vontade.
    O pessimismo da vontade conduz à "resignação", que é forma mais comum de pessimismo, pois é relacionada à esfera da ação. Pessimista é aquele que espera o pior, aquele que adota postura derrotista, aquele que encara a realidade sem esperança. Em matéria de participação, a resignação é a própria negação da possibilidade de "tomar parte", interferir, alterar as circunstâncias.
    Aquele que exercita o pessimismo da inteligência, reversamente, é essencialmente um realista, pois teme o pior exatamente pelo desejo de realizar ardentemente o melhor. Em matéria de participação, sem o temor quanto à ineficácia do sistema normativo conquistado, não há realismo, mas apenas retórica sem compromisso e idealização sem conseqüência. O contrário do pessimismo da inteligência, diz o mestre italiano, não é a esperança, mas a arrogância e a imprudência.
    Ante a situação brasileira, eminentemente paradoxal, porque rica no plano normativo e pobre no plano da vivência efetiva da participação, parece prudente dar ouvidos à advertência do mestre italiano. Estudar as normas estimuladoras da participação cidadã com o entusiasmo dos que desejam a sua plena realização, mas com a consciência serena de que, no plano dos fatos, há muito terreno a percorrer."


    Leia mais: http://jus.com.br/revista/texto/2586/participacao-popular-na-administracao-publica#ixzz2SpsNvh9o

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  4. Uma curiosidade... pode responder inbox. Quem é o intelectual de referência na cidade nos últimos trintas anos. Acho que perdi parte da conversa.

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    1. José Antônio Baço. Mas, infelizmente, esse honroso cidadão joinvilense nos deixou para alçar voos mais altos no exterior. Obviamente o autor sentia-se sufocado, amordaçado e excluído, como qualquer intelectual se sentiria numa cidade desprovida de cultura e com cidadãos mentecaptos. Por sorte sobraram alguns poucos intelectuais na cidade que se reúnem toda quinta à tarde na Casa da Cultura ou em algum Grêmio Estudantil para beber chá verde, fumar charuto cubano, debater sobre a admirável política assistencialista do PT, declamar poemas de Pablo Neruda, discutir Confúncio, Sócrates, Platão, Arquimedes, Pitagoras, Herodoto, Sêneca, Zoroastro, Leonardo da Vinci, Galileu Galilei, Isac Newton, Descartes, Nels Boor, Aizemberg, Eisntein...

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    2. Léla, isso não é pergunta que se faça. Estás a ser desrespeitosa com o nosso intelectual de referência.

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    3. Porra, Marcos. Eu estava estranhando essa tua seleção de nomes. Parece ser uma lista de intelectuas estranha, feita por uma pessoa pouco habituada às letras. Tem nomes errados (quem é Nels Boor?). A bota não bate com a perdigota. E aí fui fazer uma rápida pesquisa para ver a ligação. Eis o que encontrei lá no Yahoo: QUAIS FORAM OS GRANDES PENSADORES? Melhor resposta - Escolhida por votação.
      Confúncio - Sócrates - Platão - Arquimedes - Pitagoras - Herodoto - Sêneca - Zoroastro - Leonardo da Vinci - Galileu Galilei - Isac Newton - Descartes - Nels Boor - Aizemberg - Eisntein - Padre Landel de Moura - Santos Dumont - Gandhi - Vivekananda - Paramahansa Yogananda - Ramakríshna - Elena Petstrovna Blavatski - Gurdief - Shankara Akaria - Jesus - Che Gevara - Plínio Salgado - Celso Furtado..............
      Viu o que eu disse, Marcos? Em Joinville os formadores de opinião são leitores de orelhas de livro (na melhor das hipóteses) e os debatedores fazem copy paste do Yahoo. I rest my case.

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    4. Ui,doeu!

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    5. Tem o Luiz Carlos Ternes e o Apolinário Prates!

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    6. Olá, Léla. Até tentei de responder, mas não sei como porque o blog não dá DM.

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    7. Não implica, Baço. Tem uma criatura chamada Niels Henrick David Bohr... Foi "erro de português" do Yahoo...

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    8. É dessa forma que o sr. Baço agradece a gentileza de eu tê-lo incluído no seleto grupo de intelectuais joinvilenses - com ranço e ironia? Além da maldosa observação feita por ele sobre uma inocente pesquisa de internet? Oxalá.

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    9. Salve, Marcos.
      1. Desculpe a má resposta, mas achei que estivesses a ironizar e a tentar me sacanear. Mas vejo agora que outra leitura é possível.
      2. Sobre a pesquisa no Yahoo, reforço as recomendações de cuidado. É que aquela reunião de nomes realmente não faz sentido - não tem fio condutor, não bate a bota com perdigota.
      3. Pelo meu mau feitio, fico a dever uma cerveja.

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  5. Uma pena que um dos poucos que tinham condições de ser um intelectual de destaque, reconhecido aqui em Curitiba inclusive, entrou na vida política e se perdeu. Me refiro ao Rodrigo Bornholdt

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    1. Foi sufocado pelo mestre LHS.

      Ele tem o estranho costume de identificar eminentes lideranças e as extinguir por inanição.

      Nunca consegui decifrar o motivo, mas é um fato.

      O próprio Rodrigo e o Mauro Mariani que o digam...

      NelsonJoi@bol.com.br

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    2. NelsonJoi, para mim é o mesmo motivo que leva o leão a matar os filhotes machos. Garantir a posição de macho alfa eliminando a concorrencia futura já no nascedouro.
      É a Lei da Selva, ou seria Código Ambiental?

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    3. O problema do Rodrigo foi a água do batismo...nada a ver com o padrinho.

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    4. Nelson Jvlle, meu xará.

      Eu já cheguei a suspeitar deste motivo. Mas é surpreendente verificar que o modo de fazer isto não é algo que aponte para esta direção.

      O homem não mata na capação (quando o bezerro está ficando adulto e é hora de decidir se vai ser touro ou boi), ele embala a cria. Alça a condição de herdeiro e depois puf. Abandona.

      Veja a história do próprio Carlito que jura de pé junto que só foi caçado por que o "home" usou a sua influencia de único governador reeleito na história deste estado, para direcionar o resultado da votação no tribunal de contas do estado (órgão este em que é o governador que aponta as pessoas que vão ocupar os cargos, um exemplo é o ex deputado Herneus de Nadal).


      Voltando ao Rodrigo. Na época no PMDB, ele foi alçado a condição de herdeiro do grão mestre ,LHS, e alcançou o posto de vice do Marco Tebas e quando ia alçar voo, veio o escândalo do pai dele na secretaria da fazenda do estado. O estranho que naquela época o dito escândalo não atingiu o Rei LHS, mas sim o Rodrigo, que era filho do secretário. O mesmo foi obrigado a sair do PMDB e perdeu a condição de ungido. O resto da história todo mundo conhece...

      E o Mariani foi pior ainda. O cara foi prefeito de Rio Negrinho várias vezes, fez uma baita administração, foi o deputado estadual mais votado do estado e é trazido por LHS para Jlle para ser candidato laranja em uma eleição marcada para o Carlito ganhar.

      Ele tinha tudo para ser o Governador do estado hoje. E foi fritado por ser um forasteiro na nossa cidade.

      Eu adoro um roteiro nestes moldes, mas as vezes parece mais coisa de gangster do que de político. Não me dá coragem de acreditar que um homem tão admirado (não por mim, mas por muitos outros) agiria de uma forma tão maquiavélica.

      Nelson, se isso for verdade, na mão de quem estamos?

      Por quem fomos representados este tempo todo?

      Viu, desculpe essa desconexão de histórias, mas é ou não é um roteiro digno de O Grande Chefão???

      Só precisa de alguém mais competente do que eu para contar, quem sabe um dia um dos blogueiros do chuva não se anima???

      NelsonJoin@bol.com.br

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  6. Baço, devem existir pesquisas antropológicas, sociológicas e históricas sobre o assunto, pois na nossa vizinha Blumenau a arte e a cultura são infinitamente mais democratizadas e alavancadas, tanto pelo poder público como pela iniciativa de cidadãos e empresas. Eu começo a achar que tantos os colonizadores, como migrantes, nestas duas situações (só como exemplo), foram determinantes para esta nossa situação. Claro que o fator LHS é determinante, assim como foi comentado.

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    1. LHS, ironicamente, nascido em Blumenau.

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  7. Os textos do autor são sempe ótimos, mas os comentáristas ( principalmente esse tal de anonimo, o erudito do sitio de buscas ) são imbativeis ! Matam-me de tanto rir

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  8. Concordo com você, e acho que o caminho da solução deve acompanhar a velocidade da internet.
    Para mim o melhor modelo de negócios para desprender o anunciante do conteúdo é o do Youtube.
    O público do CA seria fiel na visualização de vídeos?

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  9. A "vocação histórica" de Joinville como pólo industrial foi o remédio e o veneno da cidade. Remédio porque gerou riqueza e a transformou na cidade mais populosa do estado (não necessariamente a "maior"). Veneno porque matou o investimento no setor de serviços (coadjuvante da Sra. Indústria) e aprisionou a educação nos cursos técnicos industriais. Isso tudo é importante, mas emperrou a geração de conteúdo intelectual. Hoje temos especialistas em Six Sigma mas ignorantes em Filosofia, Sociologia ou História.
    Aprender a pensar e a questionar é uma habilidade adquirida que, infelizmente, na cidade temos pouco. E isso acaba afetando a vida de todos, que ficamos reféns de mentes obtusas e acomodadas com o status quo.

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