quarta-feira, 1 de maio de 2013

Escola pública não é lugar de oração



POR FERNANDA M. POMPERMAIER



O estado brasileiro é laico. Ponto.


A educação pública brasileira é laica. Ponto.

Laico = secular, por oposição a eclesiástico.
Secular = Relativo ou pertencente ao Estado, em contraposição ao que se refere ou pertence à Igreja. - dicionário Michaelis.

Na prática, isso significa:
1. Neutralidade = os professores não podem influenciar nenhum aluno no sentido da sua religião, em hipótese alguma.

2. Reza = Absolutamente inadmissível realizar orações de qualquer que seja o clero dentro da instituição educacional (mesmo sob o argumento de que é a religião da maioria, até porque não existe propósito em saber a religião da maioria, o que leva ao próximo ítem).

3. É uma afronta à liberdade pessoal e religiosa questionar no momento da inscrição, qual a religião do aluno. Esse é um assunto pessoal que não importa a mais ninguém, assim como a orientação sexual.

4.  A presença de símbolos religiosos, como crucifixos ou imagens, também é um desrespeito à diversidade religiosa, pois induz os alunos a pensar que apenas aquela religião é aceita. Exclui as outras denominações.

5. A instituição educacional é, por excelência, o espaço da ciência e do aprendizado, não pode dar margem à perpetuação de dogmas religiosos.

6. O objetivo da escola é incluir TODOS, não importando o credo. Todas as crianças devem se sentir bem vindas e acolhidas, por isso o ambiente deve ser neutro, de respeito e não de julgamentos.

7. A igreja, o templo, a mesquita, o terreiro, o centro,... são os espaços para as expressões religiosas (nem a escola, nem o facebook, nem o campo de futebol).

8. No início do texto eu escrevi educação pública.

Mas eu não preciso dizer nada disso aos colegas de profissão: professores, diretoras, secretário da educação,...porque são conceitos muito básicos aprendidos na faculdade e respeitados em muitos centros de educação infantil que conheci em Joinville.

Escrevi mesmo foi pra quem não é da área e talvez esteja se equivocando e misturando religião e estado, um erro que prejudica a todos.

Aliás, feliz dia do trabalhador, Sr. Udo!

Fonte: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues
Foto-http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1409899
PS.: o Projeto de Lei 5.598/2009 estabelece, em seu artigo 11, que o ensino religioso, de matrícula facultativa é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de proselitismo.

Grifo meu. Ensino religioso não é catequese.

27 comentários:

  1. Também concordo. Acho que religião não deve ser ensinada nas escolas. Cada um tem o direito de escolher qual caminho seguir, e deve ser respeitado por isso!

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    1. Isso mesmo! Obrigada pela visita, Pri.

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  2. A religião entra nos acontecimentos como as raízes de uma árvore entram na terra, até o fundo. Não é difícil a gente imaginar os excessos, o difícil é a gente imaginar o equilíbrio.Um símbolo religioso, mesmo que eu não acredite, é uma obra de arte. O estado é laico, mas não é anti-religioso. Abraços. O dia é do trabalhador e de São José Operario. Curioso!

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    1. O estado não é anti-religioso mas precisa ser neutro para acolher todos os credos. Que usem obras de arte que nao se refiram à religiões.
      É inegável a influência religiosa na nossa sociedade, mas quanto mais ela se restringir aos espaços reservados à ela, melhor.

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    2. O erro também tem sua lógica. Já pensou, fazer uma votação nacional ou até internacional, para destruir-mos o Cristo Redentor por não estar de acordo com alguns credos. A sociedade tanto deve a sua organicidade à influência religiosa, quanto um filho deve a vida a sua mãe.

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    3. É sempre a mesma história: é só falar em Estado laico e logo aparece alguém a mencionar o Cristo Redentor. Vamos deixar uma coisa clara: o Cristo Redentor é um monumento e um patrimônio públicos. Seu valor religioso é tanto quanto o da Torre Eiffel, em Paris, ou a Estátua da Liberdade, de Nova York. Nenhum.

      As milhões de pessoas que o visitam anualmente não vão lá em procissão, de joelhos, a pagar algum tipo de promessa ou reafirmar seu credo religioso. Vão a ele porque o vêem, a maioria, como um ponto turístico; alguns outros, como um patrimônio histórico e cultural. Em ambos os casos, o olhar e o uso que se faz do Cristo Redentor é, mais que leigo, laico. Exatamente como a Torre Eiffel ou a Estátua da Liberdade.

      Confundir seu significado com a ostentação de símbolos religiosos - tais como o crucifixo ou um Pai Nosso antes das aulas - em lugares e instituições públicas e estatais (escolas, repartições públicas, tribunais, etc...) é, na melhor das hipóteses, desconhecer os significados de laicidade e patrimônio; na pior delas, enviezar a discussão por pura má vontade.

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    4. Não exageremos. O que fizemos no passado esta feito. Faz parte da nossa historia e não precisamos nos envergonhar. Mas agora o pensamento é outro. As coisas mudam.

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    5. Caro amigo, o Rio de Janeiro é dos lugares com uma paisagem natural das mais belas do mundo. E acredito que muitas pessoas vão lá somente pela vista e, nem mesmo ligam para a imagem. Agora dizer que indo lá, olham aquilo como um amontoado de ferro ou uma louca histérica com uma tocha na mão, e não relacionam com um símbolo religioso… Meu caro, me desculpe.

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  3. Discordo. Penso que a laicidade deve preponderar nas vias administrativas e judiciais, excluindo o ensino básico e fundamental. Ora, se as escolas particulares adotam linhas pedagógicas religiosas de maioria cristã, mas também judia, porque cercear o aluno do ensino público dessa formação complementar? Além do mais, a disciplina de Religião não é catequese, não é uma doutrinação, portanto não ensina a “rezar” no ambiente escolar. O ensino de Religião visa à compreensão do fenômeno religioso como fato cultural e social, bem como uma visão global de mundo e de pessoa, promovendo o respeito às diferenças. Em tempo a extinta EMC (Educação Moral e Cívica) faz falta na grade curricular das escolas brasileiras. OBS.: Não sou professor, militar ou religioso.

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    1. Educação Moral e Cívica é coisa de militares,rezar nas escolas é coisa de Igreja Católica.É impor bobagenens ás crianças( Adão e Eva e cia ltda)!

      Concordo plenamente.Chega trevas nas escolas! Bem vindos ao século XXI!

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    2. Trevas nas escolas? Trevas são o que a sociedade está a passar com adolescentes mal educados, sem noção ética e moral, precursores de jovens e adultos maus-caracteres.

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    3. Aí o problema vem de casa!A única coisa que as aulas de religião me ensinaram,foi descobrir o que é hipocresia e picaretagem,mais nada!

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    4. Num pais de famílias tão católicas como é o Brasil, se o problema fosse religiao, ja estaria resolvido. O problema é educação mesmo. Conhecimento, ciência...é isso que falta, não crenças.

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    5. Escolas particulares com cunho religioso é problema delas, se inscreve quem quer.
      Escolas publicas devem respeitar o direito de quem está lá justamente porque escolheu a laicidade. Com um ensino sobre as religiões eu absolutamente concordo. Na forma como esta escrito na lei, respeitando a obvia diversidade religiosa do pais. Estudar o budismo, o islamismo, o catolicismo....enfim, as diversas crenças das civilizações desde os deuses gregos. Ótimo. O que nao concordo é com catequese.

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    6. O credo dos pais tem fator determinante na escolha da escola dos filhos? Será?
      Os pais matriculam seus filhos nas escolas públicas porque preferem a laicidade? É isso?

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    7. Eu colocaria minha filha numa escola pública mas não numa de denominacão religiosa. É um tema importante pra mim, se é para todos os pais eu não sei. A questão é que a escola pública recebe todos os credos e deve respeitá-los sendo neutra, apresentando uma visão geral de todas as religiões.

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  4. Luiz von Dokonal2 de maio de 2013 11:05

    E eu que achava que o fundamentalismo religioso já tinha ido pra lata de lixo da história por estes lados do mundo... Com os brasileiros elegendo sistematicamente políticos ligados a igrejas, as coisas tem tudo pra piorar por aqui. Política e religião há muito se misturaram principalmente no legislativo brasileiro. Isso sem dúvida trará leis esdrúxulas ao já caótico sistema legal brasileiro. Ou alguém acredita de verdade que os pastores deputados vão apoiar o "estado laico"? Eles vão fazer aquilo que todo político faz: trazer mais poder ao grupo que o patrocina...

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    1. Sinto profunda tristeza e decepção quando leio cada novo feito desses representantes da Inquisição. Isso é falha do sistema educacional. Essa gente é burra, no nível máximo da capacidade humana. E eu culpo o PT por ter vendido até a mãe e ter aberto as portas para esses fanáticos.

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  5. Pessoal, não existe meio termo no Estado laico. A escola é o ambiente de que o Governo dispõe para realizar o seu dever de prover a educação aos seus subordinados. Igreja, instituição religiosa é outra coisa. Diria o poeta: Homem é homem, menino é menino. Os professores, resguardado o nosso maior respeito para com a relevância da profissão, são apenas o instrumento de realização do trabalho do próprio Estado. Portanto, as mascaradas orientações morais, carregadas de intuição e dogmática religiosa devem SIM ser deixadas de lado. Acredito inclusive que o "catecismo" dentro do ambiente escolar, por parte do educador, deveria ser considerado infração disciplinar por ofensa a garantia de liberdade individual.

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    1. Concordo com uma ressalva. O professor trabalha para o estado no sentido de garantir a educação de todos, não de manter suas ideologias. O professor é responsável pela emancipação do pensamento, pela construção de senso critico, pelo apreço à pesquisa, à ciência, conhecer direitos e exercer cidadania. Não somos só instrumentos não, somos agentes de mudança, mediadores entre a criança e o conhecimento.

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  6. Não sejam injustos! Estudei 12 anos em um colégio (particular) religioso e foi ótimo. Ótimo para saber o que NÃO quero da vida. Hoje me considero uma pessoa cética e com uma conduta muito melhor do que muitos ditos cristãos.

    Sofia

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  7. Só que que se mexerem no meu queijo, eu sento o braço!
    Eu não me importo com os outros, seus credos, seus medos e prefeitos.
    Gosto do que é interessante para mim.
    Se precisarem mandar uma meia dúzia de bruxos para a fogueira, eu até acendo a fogueira com uma pedra.

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  8. No meu entender, a matéria que é dada de forma incorreta, deveria ter sim ensino religiosa nas escolas, mas na forma de ensinar os alunos as diferentes religiões que exitem no mundo e o diferencial de todas elas, sem preconceito, apenas como forma de instruir o aluno, que existe diversidade.

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  9. Apenas creio que a forma que é lecionada a matéria que é equivocada, porém creio que deveria ensinar religião sim, mas apresentar aos alunos as religiões existente no mundo, como forma de enriquecer o conhecimento, sem induzir ao aluno se tal religião é ou não correta.

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  10. Concordo. O ensino público deve ser privado de influencias religiosas, porém o ensino histórico de nossas religiões deveriam ser obrigatórios.

    Todo ser humano tem o direito de conhecer sua história e a religião é parte sincrética de nossa história, pois mistura-se a ela.

    Ao termos conhecimento, podemos ter discernimento, escolha, opção e a função da escola é esta, a de ensinar.

    Nelsonjoi@bol.com.br

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