terça-feira, 14 de maio de 2013

O seu dinheiro jogado na rua

POR JORDI CASTAN

Há uma queixa, principalmente dos técnicos do IPPUJ, de pessoas que se consideram injustiçadas pelo pouco reconhecimento e até pelas críticas ao trabalho que desenvolvem. Chegam a posar de perseguidos, frente ao que não é mais que uma simples comprovação estatística  É importante que esse trabalho seja reconhecido e é a isso que nos propomos  neste texto.

Acompanhem as imagens (o primeiro conjunto de fotos se refere a obra realizada há poucos dias na Rua Padre Antônio Vieira). É evidente que a obra foi mal planejada, a rampa não atende à legislação sobre acessibilidade, o material é reaproveitado, a execução é péssima e o acabamento não deveria ser aceito se houvesse algum tipo de fiscalização. O pior é o perigo que representa o obstáculo criado, para os veículos que trafegam pela citada rua.



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O segundo conjunto de imagens, tomadas menos de uma semana depois de inaugurada a obra-mestre da nossa engenharia de tráfego, mostra que mais de um veículo já bateu nela, passou por cima do canteiro, quebrou o meio fio e que precisará ser refeita ou reformada. Alguém será responsabilizado? O mais provável é que não e que a obra seja reformada frequentemente.

Enquanto os contribuintes continuarem pagando a preço de ouro por obras de pessima qualidade e sustentando a incompetência que tem se instalado no país, seguiremos presenciando este tipo de obras mal feitas, um dreno de recursos públicos que, por mal usados, acabam sendo sempre escassos.

O prefeito Udo Dohler terá muito trabalho, com a equipe que tem se quiser mesmo cumprir o que veementemente afirmou no seu discurso de posse, quando afirmou: "Não permitiremos o desperdício de um único centavo do dinheiro público".



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A melhor parte da obra é o toque que proporciona o canteiro de flores de amor perfeito. Alguém imaginar que um canteiro de flor possa prosperar com 10 cm de barro sobre o asfalto mostra o nível de ignorância e incompetência que por aqui viceja e não acaba. É a cereja do bolo. 


O DINHEIRO DO CONTRIBUINTE - Há, entre a maioria da população, a percepção que as obras públicas projetadas e executadas em Joinville estão longe do ideal, tanto no que se refere à qualidade do projeto, quanto na contratação, fiscalização e execução.

É importante entender cada um dos passos. O projeto define o que será feito, onde será feito e de que forma será executado. Os projetos das obras públicas, em Joinville, são responsabilidade do IPPUJ. Depois do projeto pronto, a contratação compete à Secretaria de Administração, ao Ittran. Ou pode também ser responsabilidade da Fundema ou da Fundação Cultural, entre outros órgãos da administração pública que elaboram os processos licitatórios para contratar a empresa ou as empresas que executarão a obra ou serviço.

A fiscalização pode ser própria, da Prefeitura, ou contratada a terceiros. É responsabilidade da fiscalização garantir que a obra seja executada de acordo com o que foi projetado, verificando a quantidade e a qualidade dos materiais e acabamentos, para que o resultado final seja exatamente o projetado. Cabe à empresa contratada executar a obra de acordo com o projeto, nos prazos estabelecidos no contrato e pelo preço contratado.

Numa leitura rápida, fica claro que há uma boa possibilidade que o processo não funcione como o previsto e assim o resultado da maioria das obras públicas - não só em Joinville, mas em praticamente todas as cidades brasileiras - pode ser classificado entre ruim e péssimo. O maior problema, além de todos os incômodos que ocasionam estas obras mal projetadas, mal contratadas, pouco fiscalizadas e pior executadas é o desperdiço de recursos públicos. Dinheiro seu, meu, nosso, que corre pelo ralo. E além de gerar aditivos e sobrepreços exagerados na fase de construção, ainda exigem reformas e retrabalhos antes de ser inauguradas, e revitalizações ou reformas estruturais pouco tempo depois de entrar em uso.

Se nos concentrarmos em Joinville, não há uma obra pública de porte executada nos últimos 10 ou 15 anos que fique a salvo desta análise. Seja o Centreventos Cau Hansen, a Arena, a Passarela Charlot, o Megacentro Wittich Freitag na Expoville, qualquer um dos Parques do Fonplata ou das obras maiores de pavimentação e drenagem. A nível nacional a quantidade de obras que entrariam na lista é logicamente maior e os volumes envolvidos são quantiosos, desde a transposição do Rio São Francisco, passando pelas obras dos Jogos Panamericanos, sem esquecer as duplicação da BR 101 e tantas outras que com certeza estão ainda na memoria do leitor mais atento. A lista é, lamentavelmente inesgotável.

Se imaginava que a nova administração mudaria o cenário e que Joinville entraria numa fase em que a qualidade e a correta aplicação dos recursos públicos seria prioritária, então é bom tirar o cavalinho da chuva, porque a tônica é a mesma que em governos anteriores ou pior.

28 comentários:

  1. Jordi, talvez a solução seja seguir o exemplo deste aposentado em São Paulo. Cobrar do governo que faça bem e com poucos recursos mas também precisamos fazer a nossa parte. Quantos reclamam da falta de árvores em Joinville mas já cortaram a da frente de casa por causa das folhas?
    Silvio Cunha

    http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2013/05/1276610-aposentado-planta-16-mil-arvores-em-areas-abandonadas-na-zona-leste-de-sp.shtml

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  2. Tirar o cavalinho da "chuva ácida" !!!! Este é apenas um dos muito exemplos dos absurdos que vemos aqui, ali e acolá !

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  3. Todo político quer obras para poder mostrar que fez, não importa a qualidade ou necessidade, o importante é inaugurar.
    Infelizmente ninguem quer "perder tempo" planejando de forma consciente. Todos querem ter uma saúde e educação publica melhor mas pergunte aos governantes como isso será atingido. Vão te responder que vão construir um Posto de saúde no bairro tal outra escola, mas um planejamento efetivo não tem.
    Saúde e educação estão sendo feitos no berro, quem berra mais leva.

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  4. Sim, cadê o IPPUJ que não vê isso? Justo o IPPUJ, a cerejinha do bolo da PMJ – os intocáveis.
    Lembro que, para acessar as instalações do IPPUJ, só com uma carta assinada, selada, registrada, carimbada e avaliada do prefeito ou com o esquadrão da SWAT, tamanho o temor deles sobre algum reles mortal espionar seus projetos “ultra-mega-secretos”. Tá aí um projetos, olhem que coisa mais linda!

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    1. Quanto mais se isolam e se encastelam, mais evidenciam que não servem a sociedade a quem deveriam servir.

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  5. Do que estão reclamando, mais uma praça e área verde para a cidade...

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    1. Boa Manoel! Se fosse um pouco maior poderia ser considerado um parque.

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    2. Ué! Mas não é um parque?

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    3. Pelo padrão e tamanho é sim

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  6. PQP parem de fazer estas "obras" que são verdadeiros OBSTÁCULOS! Santa incompetênciaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  7. Dia desses camihei por uma parte concluida da rua Timbó, perto da Campos Sales. É a mesma coisa. A calçada, que já é estreita, ainda acomoda um canteiro. Com essa disposiçao, duas pessoas mal se cruzam ao andar por alí. E nos canteiros, a grama virou mato, poça de lama e deposito de coco de cachorro. Dinheiro jogado fora para ficar pior do que estava.

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  8. Jordi, não adianta, eles vão jogar a culpa no estagiário...

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    1. Sempre é bom ter a quem culpar...estagiarios são otimos para isso. No IPPUJ não deve ser diferente.

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  9. "Há, entre a maioria da população, a percepção que as obras públicas projetadas e executadas em Joinville estão longe do ideal, tanto no que se refere à qualidade do projeto, quanto na contratação, fiscalização e execução."

    É uma constatação, é um fato. E reflete a qualidade da educação da cidade. Que fique como está, combina com a mentalidade mesquinha da população.

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  10. Será que a onipresença do Udo esta falhando? Estaria ele dormindo até mais tarde? By Ácido.

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    1. O leviatã é maior do que ele imaginava.

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  11. Boa tarde a todos!

    Até que enfim alguém consegue enxergar a mesma coisa que vejo.

    O dia que eu for prefeito vou decretar a falência do IPPUJ!

    Promessa!

    NelsonJoi@bol.com.br

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    1. Tera muita gente apoiando a sua candidatura se prometer decretar a falencia do IPPUJ.

      Isso vai lhe garantir alguns votos

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    2. O IPPUJ não faliu, ainda? Se fala em diluir e colocar os "profissionais" de lá na SEPLAN.

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  12. Jordi, sou um dos que acreditam que essa nova gestão irá mudar o cenário sim. Acredito que, com muito trabalho e perseverança esse objetivo possa ser atingido.
    A pequena amostra que voce fornece, óbviamente me decepciona ao mesmo tempo que confirma tua tese de que continua tudo na mesma.
    De minha parte, continuo esperançoso, assim como o fui na gestão Carlito, hoje enorme decepção.
    No caso do atual prefeito, penso que cinco meses é pouco tempo para traçar um horizonte.
    Tenho esperança sim.
    Mas começo a pensar em botar as barbas de molho.

    Só não sou condescendente com serviço mal feito. Esse é um assunto que deve ser debatido constantemente, ainda mais diante dos descalabros que somos obrigados a ver todos os dias, notadamente nas ações do Ittran e também, porque não? do Ippuj.
    Qualidade é obrigação. É objetivo a ser perseguido sem tréguas. É respeito ao cidadão. É princípio de vida. Temos que ressuscitar o "culto ao bem feito" que nossos ancestrais trouxeram com as barcas.

    Acho que ainda poderemos debater muito esse tema e até inclui-lo no debate promovido pelo Charles Henrique.

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    1. Nelson Jvlle,
      O "bem feito" é o minimo,não quer dizer caro. Quer dizer bem feito mesmo.
      Sem esquecer de outro tema proibido em Joinville que se chama manutenção. Alguém ouviu falar? Alguém viu?

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    2. Já que estamos conversando sobre esse tema Jordi, queria acrescentar mais um fortíssimo exemplo de descaso e de "mal feito".
      A elevação do nível do eixo das ruas, que ocorre devido ao acúmulo de sucessivas camadas de asfalto vagabundo. Tem rua que já está com mais de 50 centímetros mais alta que a guia original da calçada. Assim, elas vão ficando cada vez mais "enterradas", junto com o nível de toda a propriedade. Tem casa por aí, que já está recebendo água pluvial pela entrada da garagem.
      O problema é que não existe modo de elevar o nivel térreo de toda a casa ou edificio. Não sem demolir tudo. Pergunto: o município indenizaria tal prejuízo ao proprietário? E também pergunto até quando aceitaremos isso? Acho que somos um povo cordato demais, o que é muito bom, mas tem hora que é necessário indignar-se, minha gente. Afinal, é o nosso dinheiro que está indo pro esgoto.

      O processo iniciou quando do asfaltamento de ruas anteriormente pavimentadas à paralelepípedos. Para ficar mais rápido e barato, simplesmente despejava-se a camada de asfalto sobre as pedras e chamava-se a imprensa para "inaugurar" mais uma obra.
      Como a camada era a mais vagabunda possivel, logo se deteriorava, obrigando o próximo prefeito a despejar nova camada - vagabunda também, claro.
      E assim sucessivamente.
      Na maioria das ruas que passaram por esse processo, os "competentes" gestores sequer se preocupavam em elevar o nível dos bueiros do esgoto pluvial, formando enormes buracos rente à guia. Hoje, devido à criação das ciclofaixas (ou ciclofarsas), esse pedacinho de rua está sendo também utilizado pelos automóveis, o que já tem custado inúmeras "internações" nas felizes oficinas mecânicas da cidade.

      Nada disso aconteceria se, antes de lançar a camada asfáltica, o pavimento antigo fosse retirado, a base refeita e o nível original da rua mantido.

      Mas aí daria muito trabalho, né prefeitos?

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    3. Se a rua fosse feita dessa forma, quero dizer corretamente e seguindo a melhor técnica o custo seria mais caro.
      Seria melhor? Claro que seria melhor, mas quem esta preocupado em fazer as coisas bem feitas?

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  13. esta semana saiu mais uma matéria sobre a LOT e a Estrada da Ilha... ali existe uma parte da população devidamente representada que pede a não aprovação da referida Lei e seu respectivo avanço imobiliário na região. Outra gama de pessoas a regularização, infra estrutura e benefícios que a PMJ deveria disponibilizar (luz, conservação, fiscalização, melhorias na via (estrada), fiscalização de obras e redutores de velocidade).
    PEDRO COMAIN

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  14. Realmente Jordi, não vejo nenhuma mudança para as gestões anteriores. Basta ver as obras da Águas de Joinville, carros continuam caindo nos buracos abertos para o saneamento básico.

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    1. A cada dia que passa, esta gestão vai ficando mais parecida com qualquer outra que a antecedeu. E os eleitores que acreditaram numa mudança ficam, ou melhor, ficamos mais e mais desiludidos

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  15. Pois é,

    Cadê o coordenador da Área de Políticas para Juventude da prefeitura que não se pronuncia sobre este assunto?

    Aliás, ele faz parte do chuva!

    NelsonJoi@bol.com.br

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