sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Lei de Ordenamento Territorial


Por JORDI CASTAN

A Câmara de Vereadores iniciou os trabalhos para analisar o projeto de Lei de Ordenamento Territorial encaminhado pelo executivo. Depois de ter dedicado dois longos anos ao analise da lei 312/10 que permitiu consolidar as diversas leis municipais que ao longo dos últimos anos converteram o planejamento urbano de Joinville numa colcha de retalhos, os vereadores tem um desafio muito maior, das suas decisões e do resultado das audiências publicas já realizadas, e das que deveriam ainda estar previstas, deverá surgir um novo cenário urbano e a cidade deverá ganhar um novo horizonte. Existe muita insegurança sobre a condução de todo o processo, há uma cobrança pela lisura dos trabalhos. Determinadas mudanças enriquecerão muito a uns e prejudicarão a outros.


Para poder entender melhor de que forma a lei impactará o valor dos imóveis, consideremos dois exemplos precisos. O ICEPA (Instituto CEPA) órgão vinculado a Secretaria de Agricultura do  Estado de Santa Catarina, divulga periodicamente os valores médios das áreas agrícolas do estado, no caso da região de Joinville uma hectare de solo agrícola tem um valor que oscila entre os R$ 10.000 e os R$ 15.000 por hectare, ou R$ 1 a R$ 1,5 por m2. Os valores podem mudar para maior de acordo com a sua localização e o tamanho da gleba, mas nada muito significativo. Quando estas áreas hoje agrícolas têm o seu uso ou o zoneamento alteradas, o preço muda rapidamente,  por exemplo nas áreas próximas a chamada curva do arroz, por citar um exemplo bem conhecido o valor passou para R$ 9,00 por m2 depois que a UFSC mostrou interesse na area e o zoneamento foi alterado,; e verdade que neste caso o acréscimo de valor foi pequeno, pouco mais de 8 vezes, menor que aqueles a que estamos acostumados em outros pontos, por ser áreas sabidamente alagáveis, boa parte da área só serve para a reprodução de batraquios, o que explica a "baixa" valorização.  Quando se trata de áreas próximas a SC – 413 na denominada Rodovia do Arroz o valor passa para mais de R$ 300.000 a hectare, graças a magica valorização que se produz pela mudança do zoneamento. Na área urbana, os valores mudam ainda mais. Uma simples mudança de gabarito de 2 para 8, 12 ou mais pavimentos pode multiplicar o valor do imóvel por quatro, dez ou mais vezes se for incluída também uma mudança no uso, permitindo usos até ontem não permitidos.

Quem ganha com estas mudanças? Claramente os proprietários dos lotes o glebas beneficiados pelas alterações. É ilegal? Claro que não, quando as mudanças são feitas de forma transparente e cumprindo a lei. Não há a menor ilegalidade. Quem se beneficia mais? Aquele que comprou pelo seu valor original, baseado no seu uso e potencial construtivo daquele momento e que em pouco tempo vê o seu capital multiplicar de forma vertiginosa, não tanto pelo seu trabalho e esforço e sim pela alteração, às vezes pontual, oportuna e caprichosa da legislação. Quer nome e sobrenome? Terá que solicitar no cartório do registro de imóveis. O importante porem é saber quem perde? E esta resposta você já conhece.

17 comentários:

  1. Caro Sr. Castan

    O seu artigo de hoje veio bem a calhar. Confesso que já não entendo mais nada. Onde podia, não pode mais, onde não podia, agora pode e por aí vai. Dezenas e dezenas de modificações pontuais fizeram nosso plano diretor na já conhecida "colcha de retalhos". Mas isso é chover no molhado. Todos já sabemos disso.
    Lembro quando decidi retornar à Joinville, depois de 33 anos morando em Florianópolis, onde morava no Bom Abrigo, bairro antigo e tradicional daquela cidade, e que tinha uma característica bastante interessante: enquadrava-se como residencial unifamiliar até dois pavimentos. E assim vários outros bairros tambem o eram. Isso nunca mudou, apesar da especulação imobiliária lá ser dezenas de vezes mais forte que em Joinville. A pessoa para quem vendi minha casa, continua garantida com essa clausula, ou seja, não corre o risco de amanhecer com um mastodonte de 25 andares no terreno ao lado. Pelo menos por enquanto...rsss
    Lembro que a primeira coisa que fiz, quando decidimos, minha mulher e eu, retornar à Joinville, foi tirar uma cópia da lei de uso e ocupação do solo de Joinville, mais os mapas, para assim poder ter uma idéia de quais os bairros residenciais estavam disponiveis para comprar um terreno e construir.
    Isso foi no ano de 2005.
    Para nossa surpresa, o máximo que consegui foi o que se denomina ZR1, pouquíssimas áreas, e ainda por cima não exclusivamente familiares. Isto é, mesmo sendo ZR1, permitia-se algum tipo de comércio ou empreendimentos.
    Ou seja, não existia em Joinville nenhuma área exclusivamente residencial unifamiliar. Exceto condomínios fechados que, por contrato, garantiam essa condição.
    Confesso que tive uma pontinha de decepção, pois imaginava que Joinville, com a enorme área disponível, pudesse ter um plano mais organizado e estabelecer condições de moradia mais compatíveis com sua tão propalada "qualidade de vida".
    Enfim, depois de um ano de procura e negociações, acabei me estabelecendo no Saguaçu, onde moro até hoje, com relativa tranquilidade.

    Porém, semanas atrás, lendo uma entrevista da presidente do IPPUJ, nossa flanante libélula Roberta Schiessl, falando sobre seu tema predileto, mobilidade urbana, senti-me mais uma vez ameaçado ameaçado como cidadão quando ela afirmou com todas as letras que uma das intenções do Instituto seria adensar as áreas onde a mobilidade ainda era razoável. E citou áreas do Saguaçú e América. Traduzi da seguinte forma: vamos acabar com o que ainda está bom...
    Coincidentemente, essa semana, por duas vezes no noticiário da RBS, escutei entre pasmo e apavorado, a informação de que a Câmara de Vereadores estava aprovando uma modificação sobre tamanho mínimo dos lotes. E ouvi claramente: 420 metros quadrados no América, e 240 metros quadrados no resto.

    Sr. Castan. Estarei eu ouvindo coisas? Juro por tudo que é mais sagrado que eu não havia bebido uma única gota de álcool naquele dia. Meus ouvidos estão perfeitos, segundo os últimos exames do otorrino. Tenho 61 anos de idade, e a senilidade ainda não me atingiu.
    Então, eu ouvi direito? Ou foi "barriga" da redação? O Sr. soube de algo sobre o assunto?

    Se for verdade, penso que não há mais esperança.

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  2. Roberta Noroschny Schiessl10 de dezembro de 2011 01:12

    Sr. Nelson
    A libélula flanante aqui explica que o adensamento é estimulado onde a oferta de transporte é maior, ou seja, nas faixas viárias. E o processo foi conduzido com lisura, analisado pela Procuradoria Jurídica Municipal. Notificado, o Sr. Jordi Castan não consegue apontar ilegalidade, tampouco sustentar suas acusações irresponsáveis.

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  3. Cara Dra. Roberta

    Acho que lhe devo desculpas pela denominação que utilizei a respeito de sua pessoa. Mas é sempre essa a imagem que me vem à cabeça quando a vejo ainda tão jovem, defendendo com galhardia seus pontos de vista através de uma linguagem leve, sincronizada e quase musical. É uma imagem poética, por favor não se ofenda.

    Mas isso não quer dizer que, como cidadão comum aqui no meu canto, concorde com parte de suas idéias como de resto das da gestão atual.

    Adensar, adensar, adensar. É só o que ouço ultimamente. E isso me preocupa, porque considero que uma parte importante do conceito de "qualidade de vida" é dispor de espaço vital, por mínimo que seja.
    E adensar determinadas regiões só porque ali o transporte publico ainda oferece alguma condição, não me parece algo lógico. Pelo contrário, em pouco tempo aquela área também será um problema, que se somará aos que já existem.
    Insistem tanto no uso da bicicleta (como era ha cinquenta anos atrás, e participei desse tempo) que muitos já se sentem culpados por usarem seu automóvel.
    Desenham-se dois riscos no canto da rua, e querem me convencer de que aquilo é uma "ciclovia" (que pouquíssimos usam, dado o risco à segurança que é transitar nelas)
    Temos diversos pontos de estrangulamento no nosso trânsito, onde um elevado pode ser sim a solução. E alguns até com sobras de espaço no entorno, baixando em muito a indenização.
    Mas elevados foram "demonizados" em Joinville. Até hoje não entendi a razão. Lembro de um ex-prefeito que, quando governador, ajudou a construir uma enorme e complexa rótula num ponto conhecido na zona norte.
    Esse mesmo hoje ex-governador, não levou tres meses para defender um elevado (que tanto tinha criticado) no mesmo local...Estranhas certas lógicas.
    Quando a senhora revela a intenção de gradualmente eliminar estacionamentos (mesmo que seja para melhorar o transporte público com corredores exclusivos) me preocupo, porque ao mesmo tempo não vejo nenhuma menção à criação de bolsões de estacionamento, muito menos de edificios-garagem.
    E querer convencer o cidadão a deixar o carro na garagem para andar de bicicleta ou ônibus (péssimos por sinal), me parece ser utópico, para não dizer ingênuo. Ninguém compra um carro, a maioria com grande sacrifício, para deixa-lo enferrujar na garagem. Não faz sentido.
    Mas inúmeras autoridades, não só em Joinville, insistem nisso.
    Finalmente, até porque acho que minha conversa já está ficando chata, essa questão do tamanho mínimo dos terrenos da cidade, que ouvi na RBS - 420 M2 no América e 240 M2 no resto, se confirmada, me trará pesadêlos.

    Dra. Roberta, obrigado por sua atenção. Esteja convicta do meu respeito pela Sra.
    Mas não da minha concordância.

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  4. Roberta Noroschny Schiessl10 de dezembro de 2011 13:18

    Sr Nelson
    O seu nome é tão bonito! Meu pai o ostenta e também tem 63 anos. Acidentou-se ontem de moto, imagine o Sr. Fraturou fêmur, costelas e como caminhoneiro que é, calcule quanto tempo ficará sem trabalhar. Justamente meu pai a se acidentar de moto, quando a filha defende tanto o transporte coletivo e a bicicleta não é? Para lembrar a filha que nem todos andam de moto porque querem, mas é mais atrativo. Ele voltava da Volvo, cerca de meia noite, depois de entregar uma carreta em Manaus. E estava de moto emprestada, para não tirar da minha madrasta o carro, tão necessário já que moram no Jardim Esplanada, bem mal atendido pelo transporte público de Curitiba. De Curitiba? É de Curitiba. Então eu não falo ignorando o mundo real. Nosso transporte coletivo não é o melhor, tampouco nossas ciclovias. Mas nosso plano diretor, discutido em oficinas, com participação popular, manda priorizar o transporte coletivo, assim como manda priorizar o modo não motorizado sobre o motorizado. Quando se tem essa diretriz pela frente, todas as opções de política de mobilidade e, por conseguinte, investimentos, tem um norte. Eu me criei no Glória. Não na parte nobre, mas não havia um só prédio do nosso lado, apenas o salão Diana atrás, com o Baile do Solitário. Tenho certeza que se viva fosse, minha mãe detestaria um prédio do nosso lado. Faria sombra sobre a "chaise-longue" de leitura, que jazia no nosso jardim e onde ela ouvia embevecida o 3o. Movimento da 3a. Sinfonia de Bach. Provavelmente crianças brincariam barulhentas em uma piscina e a horrorizariam. Mas o nosso Plano Diretor também diz que não é para expandir o perímetro urbano e que devemos aproximar moradia do trabalho. Joinville dos meus ancestrais mudou, sr. Nelson. Minha família chegou com a barca Leontina aqui e minha vó, D.Jutta Hagemann, é aquela que identifica boa parte dos logradouros no jornal. Deveria eu aqui defender aqueles idos? Teria até um certo direito, já que os meus foram picados por borrachudos para construir Joinville. É, mas não penso assim. Então adensar foi proposto já no plano diretor e o mais lógico é fazê-lo onde a oferta de transporte coletivo é maior. É insensato ampliar o sistema viário pensando em veículos individuais para garantir que o Sr. não terá um prédio ao lado da sua casa. O sr vai sair da sua casa e ficar parado em um congestionamento. Então, uma vez feita a opção de priorizar o transporte coletivo, devemos fazer com que as pessoas morem perto dele. E devemos mais. Em lugar de gastar rios de dinheiro em elevados no meio da cidade, direcionar esses investimentos para um transporte público confortável, bons abrigos, tecnologia. Isso não quer dizer que não seja possível implantar um ou outro elevado onde não haja tantas moradias. Talvez o Sr. desejasse passar rapidamente pela Rua Marques de Olinda com Ottokar Doerfell através de um elevado. Mas vamos perguntar para os moradores daquela região se querem um elevado ali. O sr. passa, eles não. Elevado para eles equivale a um prédio ao lado da sua moradia. Mas em predios com índices urbanísticos que garantam sombreamento, ventilação e ensolação adequadas moram pessoas que não acendem fogueiras para se esquentar ou usam crack para suportar a vida. Elevado nenhum tem essas características. Os bolsões de estacionamento e edifícios garagem o próprio mercado criará diante das restições.Discorde sempre, conteste, porque assim eu posso explicar porque os técnicos pensam de uma forma e eu defendo esse posicionamento. O país é livre e o Sr pode me chamar do que lhe aprouver. Ingênua, incompetente, burra, teimosa. São injúrias, mas não me imputam crime. Eu só vou reagir quando me chamarem de corrupta, como fez o Sr. Jordi Castan. Aliás, acho muito estranho quando uma pesso honesta é acusada disso e não se indigna. A liberdade de expressão vem acompanhada em mesmo grau de responsabilidade. Mas, o Sr. não tem nada a ver com isso, pois achei graça no libélula flanante e estou a sua disposição para debatermos sempre. Cordialmente, Roberta Noroschny Schiessl

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  5. Jordi,
    o IPPUJ diz que não à ampliação do perímetro. Até aí uma concordância uníssona, com exceção da classe especuladora. O Instituto também aponta uma quantidade muito grande de vazios urbanos, capaz de abrigar outra Joinville. Todos sabemos também que boa parte destes vazios está em mão de especuladores, daí a necessidade do IPTU progressivo.
    Também aponta a necessidade de adensar eixos viários e certos bairros (Bucarein). Também aponta para instalação de industrias e apoio tecnológico ao longo da BR-101, criando marginais e acessos.
    Diante de todas estas intenções que acho corretas, por que então insistem nas ARTs (com exceção de parte da área da UFSC ao longo da BR-101), em áreas sem pressão significativa de avanço e com tantas restrições ambientais?

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  6. Prezado Alexandre

    Comparto as suas duvidas, inclusive no caso da chamada ART da UFSC o seu tamanho parece exagerado a luz do que se precisaria. Tem outros pontos escuros que a falta de mapas e informações precisas não ajudam em nada a resolver. A defesa apaixonada e intransigente que das ARTs se faz desde o setor publico, só acrescenta mais duvidas

    O papel deste blog e ajudar a esclarecer e alertar ao cidadão sobre aqueles pontos que precisam ser melhor debatidos. Evitando um açodamento que só agrega sombras aonde já há falta de luz hoje. A pesar que o processo tenha sido revestido de uma aparência democrática.

    O post só abordou a valorização e revalorização das áreas afetadas pelas mudanças mais evidentes de zoneamento. Outros pontos, como os 100 metros a lado e lado das chamadas Faixas Viarias serão ainda objeto de outro post.

    Obrigado uma vez mais pela sua contribuição.

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  7. Roberta.

    Ainda não falei sobre o tema, mas tenho um comentário a fazer acerca da tua afirmação: "quando me chamarem de corrupta". Fui eu quem deu o "ok" para o texto do Jordi em causa (a regra para publicar é ter a aprovação de outro integrante do Chuva Ácida) e nem de longe consegui fazer essa leitura que fazes. Como imaginas, para um jornalista com longa experiência em edição, como é o meu caso, uma acusação de corrupção - ainda mais pessoal, como afirmas - seria facilmente identificada. E seu eu tivesse percebido isso, é óbvio que não recomendaria a publicação do texto. Porque não é esse o objetivo do blog. Admito, na pior das hipóteses, que haja aí um caso de polissemia. Que leias o texto de forma diferente da minha. Por isso, acho que em caso de confronto vocês acabarão por discutir semântica e não fatos.
    Abraços

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  8. Roberta Noroschny Schiessl10 de dezembro de 2011 17:02

    Sr. Baço
    Estou convicta que o Sr. não identificou a afronta, mesmo porque saiu em defesa em texto posterior.Como o assunto está judicializado, não vou esmiuçar aqui, pois ainda não houve manifestação do juiz da lide. Nunca pretendi ficar imune à críticas, assumindo um cargo no executivo. Faria melhor, então, se ficasse em casa com as crianças. Mas honra é um valor que reputo importante e o juiz aqui de casa entendeu que foi agredido. Oportunidade de retratação houve e foi ignorada. Aguardemos, portanto. Cordiais Saudações

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  9. Olá, Roberta.
    Imagino que você - uma pessoa culta - tenha a noção de que a expressão "à mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta" é usada desde os tempos dos romanos. Eu próprio já a usei muitas vezes nos meus textos. E nunca se referiu a qualquer pessoa em específico. Se fosse referência a um homem (por oposição a "à mulher"), a expressão seria válida da mesma maneira. É uma figura de estilo com uma função específica: as pessoas são honestas, mas também devem parecer. O uso é genérico, pois a expressão vale mais para situações do que para pessoas.
    Vou ao Wikipedia (o Google tem 98.800 registros de uso da expressão em português): "Para a vida pessoal de César, também significava o alívio do fim das dívidas. A sua estreia como pontifex maximus ('pontífice máximo') foi marcada por um escândalo. Depois da morte de Cornélia, César casara com Pompeia, uma das netas de Sula. Como mulher do pontifex maximus e uma das mais importantes matronas de Roma, Pompeia era responsável pela organização dos ritos da Bona Dea ('Boa Deusa') em dezembro, exclusivos às mulheres e considerados sagrados. Mas durante as celebrações, Públio Clódio Pulquer conseguiu entrar na casa disfarçado de mulher. Em resposta a este sacrilégio, do qual não foi provavelmente culpada, Pompeia recebeu uma ordem de divórcio. César admitiu publicamente que não a considerava responsável, mas justificou a sua acção com a célebre máxima: 'à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta'".

    Como pode ler, trata-se apenas de uma "célebre máxima" muito usada na língua portuguesa. E foi por isso - por estar habituado a ela - que não vi qualquer referência a si no texto em causa.
    Em tempo: o texto que eu escrevi dizia que o Carlito nada tinha a ver com o assunto e que era uma questão pessoal.
    Aguardemos então.
    Abraços

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  10. Roberta Noroschny Schiessl10 de dezembro de 2011 18:35

    Sr. Baço
    Conquanto não seja tão culta quanto o Sr., a expressão conheço. Não foi o título do texto que me ofendeu e a outros integrantes do Conselho da Cidade. Vou acreditar que esse seu post mais me parece uma tentativa amistosa de suavizar o assunto. Como disse, não vou nesse espaço debater o que foi apresentado a um magistrado. Se eu estiver errada - e sempre existe essa possibilidade - é ele quem vai dizer e colocar uma pá de cal sob o tema. Antes minha face com fome amarela, que vergonha nela

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  11. Cara Dra. Roberta

    Tentei apresentar outros pontos de vista a respeito do nosso debate, mas estou sendo impedido de publica-los pelo blog, que alega que o texto deve ter no máximo 4096 caracteres. Reduzi-o abaixo disso, mas mesmo assim o blog não está aceitando.
    Portanto, só duas coisas a dizer: lamento o ocorrido com seu pai e espero que se recupere rapidamente.
    E obrigado pela atenção.
    Espero podermos continuar o debate oportunamente.

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  12. Nelson.
    Tente postar o comentário em duas partes ou mais.
    Abraços

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  13. Seguindo a sugestão do Sr. Baço

    Cara Dra. Roberta

    Antes de qualquer comentário, lamento pelo ocorrido com seu pai e espero que ele se recupere com a maior brevidade possivel.
    Voltando à nossa salutar discussão, posso lhe garantir que meus ancestrais também tomaram muita picada de pernilongos (borrachudos são um fenômeno mais recente, da década de 60, consequencia do nosso hábito de consumir caldo de cascudo...). Só não sei em que barca chegaram. Até já procurei no arquivo histórico, mas não encontrei referencias seguras. Eles devem ter chegado de terceira classe...
    Mas, assim como a senhora, sinto imenso orgulho deles. Pela coragem, pela insistência, pelo trabalho e principalmente pelos valores e exemplos que deixaram. Valores esses, como a senhora sabe, estão se perdendo na nossa atual sociedade, mas que, como cidadãos de boa fé, temos a obrigação de manter.
    A senhora afirma que sua falecida mãe detestaria ter um prédio ao lado de sua casa. Fique certa de que não só ela. Conheço centenas de pessoas que também detestariam. E aí a senhora foi injusta comigo, ao afirmar que seria insensato ampliar o sistema viário para que EU não corra o risco de ter um prédio ao lado da minha casa. Dra. Roberta, assim não vale! A senhora está me fazendo parecer uma pessoa extremamente egoísta que só pensa em si própria. Não sou só EU, Dra. Roberta, mas sim uma parcela significativa da população que assim pensa, haja vista a recente e magnífica "rebelião cidadã" do pessoal da rua Aquidaban que construiu um movimento vitorioso contra o que lhes ameaçava. E até onde sei, o pessoal do Glória, seu antigo bairro, segue a mesma direção.
    Dra. Roberta, no meu modo de pensar, há lugar para todos. Há espaço para arranha-céus, e tambem para bairros residenciais onde se possa viver com tranquilidade, criando crianças, cachorros e orquídeas. Acho que é exatamente para isso que existem Institutos de Planejamento Urbano nos municípios, que ultimamente vem implantando com bastante vigor o novo conceito de "Estudo de Impacto à Vizinhança", ferramenta importante para a defesa da qualidade de vida e garantia de direitos individuais dos cidadãos. Porém, a continuar com a filosofia atual, por quanto tempo poderemos ainda ostentar o título de "Cidade das Flores"? Ou "Cidade Jardim" como tão bem o disse o presidente Affonso Penna?

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  14. Continuando Dra. Roberta

    A Sra. afirma que a Joinville dos nossos ancestrais mudou. Mas aquela Joinville era tao nefasta assim? Que seus valores ancestrais tenham que ser simplesmente ignorados?
    Valores que nos trouxeram ao que hoje somos e propalamos de peito estufado: Somos a maior, a mais rica e mais importante cidade do estado! Pessoalmente nunca gostei muito desse tom ufanista e as vezes até meio arrogante. Mas não deixa de ser verdade.
    E falando sobre o passado, lembro que as administrações municipais de Joinville sempre tiveram como norte o planejamento do futuro. Mas parece que, do prefeito Freitag pra cá, isso ficou para segundo plano.
    Mas todos sabemos que muita coisa do que foi planejado ha trinta anos atrás ainda nem saiu do papel.
    A Sra. lembrou da Avenida Marques de Olinda que está prontinha para ser realmente uma avenida, mas nem pensam em termina-la. Da Jaceguay então...melhor nem falar, para não atrapalhar o descanso do prefeito Freitag. Portanto, parte da solução para a mobilidade urbana já estava prevista ha muito tempo. Assumamos então a nossa omissão. E me incluo.
    Elevado na Ottokar? Porque não? Novamente, não só EU, mas certamente os milhares de usuários que por lá passam todos os dias tambem aprovariam. Rios de dinheiro? A desculpa é sempre essa. Mas, e quanto aos recursos empregados para consertar ruas mal construídas e péssimamente asfaltadas? Por favor, não se ofenda, pois tenho plena consciencia de que essa culpa não cabe à atual gestão, que aliás está se esforçando bastante para amenizar essa "herança maldita", assunto para outro post.

    Só mais uma coisa. Se a senhora der uma passadinha ali pela praça Dario Salles e imediações, verá, sob a luz do dia, vários jovens se entregando aos cachimbos de "crack". Varias reportagens já foram feitas ali e em outros locais da cidade. O que prova que não existe nenhuma relação entre elevados e viciados....
    E para corrigir a ultima injustiça: Em momento algum a chamei de ingênua, incompetente, burra ou teimosa. Pensando bem, teimosa talvez, mas isso é qualidade, não injúria.

    E mais uma vez, obrigado pelo seu precioso tempo.

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  15. Sr. Nelson, Dra. Roberta.
    Prazeiroso o debate de voces.
    Como morador da rua Concórdia, só peço encarecidamente, DEIXEM elevados fora disso. Minha vida seria um inferno se colocar isso na Ottokar.

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  16. Sr. Maurício,

    Obrigado pela deferencia.
    Conheço muito bem a rua onde o Sr. mora, a Concórdia. Morei ali perto, na Caçador, muitos anos atrás. Era uma rua tranquila, espaçosa, e bem construída, com paralelepípedos decentemente assentados.
    O Sr. deve saber bem o estado em que ela se encontra hoje, pois não? Semana passada o jornal AN até publicou algo a respeito na seção "Tem Solução?"
    O encarregado da prefeitura até justificou tal estado devido ao grande movimento de caminhões que por ali passam...
    Nós sabemos que isso não procede. A verdade é que a rua Concórdia foi simplesmente destruída com aquela obra inacabada de esgoto do final do governo Tebaldi, donde nunca mais voltou a ser a mesma. Buracos, ondulações e calçamento irregular.
    Depois vieram os prédios...Nos tres ultimos anos acho que já devem ter nascido uns dez. Cada um com sua cota de malfeitorias ao calçamento, acabando de vez com a paz, a insolação e o sossego dos moradores que ainda permanecem por lá.
    Sr. Maurício, permita-me discordar. Mas para mim o verdadeiro inferno é isso. A rua Concórdia é emblemática nesse sentido.
    Um elevado lá na Ottokar com a Marques, a meu ver, não vai alterar em nada o descalabro já existente na Concórdia.
    Mas penso que os técnicos e especialistas no assunto devem ter uma posição mais abalizada sobre esse assunto.
    Como cidadão usuário daquele cruzamento só posso afirmar que nem um semáforo decente foram capazes de instalar lá até agora. Quem precisa converter à esquerda na Ottokar vindo da Marques, que o diga...é risco de morte. Idem para os que vem da Gothard Kaesemodel e precisam entrar na Ottokar direção BR-101

    Grato Sr. Mauricio

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  17. Roberta N. Schiessl12 de dezembro de 2011 12:35

    Sr. Nelson e Sr. Maurício

    Muito me apraz o debate com os senhores e tenho muita disposição em continuar a fazê-lo. Para tanto, ofereço meu email de contato na Prefeitura: presidencia.ippuj@joinville.sc.gov.br. E desde já agradeço os esclarecimentos sobre os borrachudos, como é bom aprender sempre.
    Roberta Noroschny Schiessl

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