quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Arborização urbana ou comédia de erros?



Por JORDI CASTAN

Leitor atento deste blog avisa sobre o plantio das árvores na Marquês de Olinda. Ele acha que está tudo errado. Outro leitor, poucos dias depois, também entra em contato e dá detalhes mais precisos. Desta vez, toca mesmo dar uma olhada. A arborização urbana não é tarefa tão complexa. Nas ruas há dois lados, o direito e o esquerdo, aliás praticamente todas as ruas tem esta característica.

No caso de Joinville, em algumas ruas a fiação elétrica, que é aérea, está em um ou outro lado e é preciso prestar atenção. Os técnicos municipais determinaram que, no lado que não tem fiação elétrica, se plantem árvores maiores e no lado com fiação elétrica se opte por árvores menores. Parece simples.

A prefeitura escolheu uma lista de árvores adequadas para arborização urbana e se estabeleceu que devem ser nativas. Definido, árvores de porte maior de um lado e as de porte menor do outro, aonde tem fiação elétrica, que é facilmente visível, até porque há postes de concreto que ajudam a identificar qual é cada lado.
Então vamos lá. Na avenida Marques de Olinda a prefeitura optou por plantar Canelinha e Magnólia Amarela, árvores de porte, de um lado, e Murta, que é um arbusto de pequeno porte, no outro.


Aparentemente tudo resolvido? Não. Tanto a Magnolia Amarela (Michelia campacha) como a Murta (Murraya paniculata) são plantas exóticas. Originárias da Ásia, vizinhas das figueiras da Beira-Rio, pelo que não é difícil imaginar que no futuro próximo grupos de puristas proponham também o seu corte e a sua troca por outras árvores nativas.  É este o problema mais grave? Claro que não. Os vizinhos estão esperando que a Celesc venha trocar os postes e a fiação de lado, porque as árvores de porte maior foram plantadas em baixo da fiação e as menores no outro lado da rua. Como os técnicos da prefeitura não cometem erros, ou tem dificuldade em reconhecê-los quando esta eventualidade acontece, devem ser os da Celesc os que erraram ao colocar a fiação do lado errado faz uns quinze anos.
Não é preciso elogiar as ações de esta administração municipal. A prefeitura conta com um nutrido grupo de assessores de comunicação que diariamente produzem notícias divulgando, elogiando e às vezes até exagerando um pouco os logros desta gestão.
Destacar o lado negativo - o que se faz ou deixa de fazer - é cansativo, tanto para quem escreve, como principalmente para quem um dia sim e outro também se depara com notícias e informações diversas divulgadas pelos meios oficiosos e pelos canais oficiais. E acaba desorientado, sem saber muito bem em quem o em que acreditar.
Mesmo as tarefas e empreitadas aparentemente mais singelas se convertem em tarefas árduas para o detentor de cargo público. O pior ainda é que a sociedade está cada dia mais atenta, fotografa, escreve, se manifesta. E as críticas adquirem uma força nunca antes imaginada pelos que, durante décadas, se acostumaram a fazer calar, a não deixar que opiniões contrárias tivessem eco e fossem divulgadas, ficando praticamente na clandestinidade.

Faz muito bem a prefeitura em se sentir injustamente criticada, porque nesta administração não se fazem as coisas como eram feitas no passado. Agora são bem feitas. A população que é excessivamente critica e exige uma perfeição inatingível 

7 comentários:

  1. Sem quere defender ninguém ou criar teoria da conspiração, mas alguém já pensou que além da simples incompetencia o problema é de sabotagem? É muita burrice selecionar tipos específicos de árvores para cada lado da rua e deixar planta errado.

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  2. Prezada Fernanda

    Quando o nivel de burrice alcança niveis insustentaveis é logico que pessoas esclarecidas como você imaginem que possa se tratar de sabotagem.

    Sabotaram os que licitaram plantas erradas
    Sabotaram os que compraram plantas erradas
    Sabotaram os que especificaram as plantas erradas
    Sabotaram os que as plantaram
    Sabotaram os que supervisionaram o plantio
    Sabotaram os que receberam a obra feita
    Sabotaram os que pagaram a obra feita

    É uma teoria da conspiração de uma complexidade equivalente a que matou e JFK mas numa escala bem menor.

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  3. Gilberto Gayer - Engº Agronomo15 de dezembro de 2011 11:18

    Prezado Jordi,
    como já tive oportunidade de comentar neste blog, permaneci na gerecia da FUNDEMA que cuida, entre outras coisas de arborização, até inicio de Agosto deste ano. Cabe salientar que tinha como responsabilidade também as Unidades de Conservação (APA D. Francisca; Parques Caieira, Rolf Colin, Finder, Zoobotanico, Ilha do Morro do Amaral; ARIE do Boa Vista e a criação da nova ARIE do Iririú). Também os 10 cemitérios municipais (que é uma encrenca só...) e mais as aproximadamente 40.000 árvores públicas existentes. Como se vê, é muita coisa para uma gerencia de pouca estrutura, poucos técnicos (de arborização só eu) e poucos recursos.
    Fui responsável pelo pedido e aquisição de 3.000 mudas de árvores antes de sair. A licitação demorou mais de um ano. Compramos para os locais sem fiação sibipirunas, pau-ferro, pau-brasil, magnólias, tipuanas e alguns ingás para a beira-rio. Para as situações sem fiação aroeira-salso, canelinhas, falsa-murta, cassia-aleluia, quaresmeiras, etc. A minha função era indicar espécies, padrão e alguns locais, a licitação era feita por outro setor. Não havia indicado a Marques de Olinda.
    Infelizmente, mesmo sendo a maior biodiversidade do planeta, o Brasil não tem muita pesquisa para aproveitamento de suas espécies na arborização urbana, o que temos foi feito através de experimentalismo e pioneirismo de pessoas bem intencionadas, mas ainda á pouco se comparada ao enorme potencial que temos. Também a obtenção destas é extremamente dificil, achar espécies adequadas, no padrão certo e com a documentação que é exigida pela PMJ é tarefa árdua. Vc sabe que para formar um viveiro e obter as primeiras mudas para plantio é tarefa de mais de uma gestão, e isto não sensibiliza a classe política.
    Também não me encaixo no grupo de puristas, porém acho que temos que utilizar preferencialmente nativas por questões ecológicas e botanicas, a propria legislação reforça isto. Quando não temos estas espécies e quantidades disponíveis no mercado, temos que lançar mão de exóticas, o que não é pecado algum.
    Quanto ao plantio equivocado que tu coloca, é uma pena, pois não ficaram técnicos habilitados e/ou com experiencia no setor para executar e monitorar esta ação. Também já tinha verificado estes erros, mas a mim (felizmente) não cabe mais esta responsabilidade.
    Para finalizar, fiquei muito triste com a "limpeza" da beira-rio, deve ser por isto que o Fritz mais as garças, biguás e colhereiros estão se mandando de lá.

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  4. Errata
    na 13ª linha do meu comentário lê-se: "...situações COM fiação..."

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  5. funcionário da Fundema16 de dezembro de 2011 17:47

    Primeiramente parabéns pelo blog, não conhecia e achei muito legal, falta muito senso crítico (e de humor) nesta terra...
    Gostaria de testemunhar o que o Giba da Fundema disse, sou testemunho do que ele penou e foi boicotado neste tempo todo, o melhor que tinha a fazer era sair mesmo deste barco que está afundando.
    O esquisito é que os braços direitos do Sr. Schoene, a gerente Stela e a Diretora Raquel, que foram coniventes com toda a 'simbiose', continuam por lá como se nada tivesse acontecido...ganhando seus belos salários e atravancando o serviço. Não existem mais funcionários de carreira valorizados por aqui.
    Voltolini, por favor, dá um jeito nisso...

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  6. É grave constatar os comentários do Eng. Gilberto Gayer e deste funcionário da Fundema que por óbvias razões não se identifica.

    É natural que administrar uma cidade do porte de Joinville não é tarefa fácil. Embora vá parecer conspiracionismo, também acredito que o famoso monstro "gestão anterior" deixou algumas armadilhas para os que ora ocupam o Paço. Além disso, o conhecimento técnico é tão diversificado - numa empresa basta saber daquela área, enquanto numa prefeitura, é preciso saber de tudo.

    Contudo, os 11.500 funcionários que o maior empregador do município possui deveriam ocupar-se de questões como essa. Há gente pra fazer tudo isso que cito no parágrafo anterior, mesmo parecendo difícil.

    A distribuição do funcionalismo é totalmente equivocada. Há setores inchados, com gente saindo pelo ladrão - ops, pareceu trocadilho - enquanto outros, como o eng. Gilberto comenta, com estrutura aquém do que é necessário. Sou leigo no assunto arborização (e na grande maioria dos demais), mas é fato que se o que ele diz é verdadeiro, falta gente.

    A arborização e a área verde de um município é tema de indiscutível importância no urbanismo. Verde é qualidade de vida, saúde e estética.

    Penso que nossas ruas deveriam ser mais - e melhor - arborizadas. Como fazer eu não tenho ideia (e não sou eu quem tem que saber), mas ruas como Dr. João Colin, Papa João XXIII, Pref. Wittich Freitag (binário do Iririú), XV de Novembro (na Vila Nova), Fátima, Guanabara (próximo ao Terminal), Albano Schmidt etc. devem ser melhor cuidadas e mais arborizadas. Cadê as árvores? Cadê as flores?

    Independentemente de ser ou não a árvore certa, como é agradável circular pela Hermann August Lepper debaixo da sombra. Ajuda até a diminuir a temperatura da cidade... vem até eficiência energética de carona.

    Temos que investir em arborização e também em cabeças. Cortem-se as improdutivas e eduque-se as que prestam para alguma coisa.

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  7. Pois é, o joinvilense tem sempre que andar de guarda chuva aberto, ora pela chuva ora pelo sol. É infernal andar sob o sol fritando, não há arvores na maioria das ruas.
    A Hermanm Lepper é uma das poucas, mas lá quase não tem pedestres.
    Poderia ser criado um projeto de adoção de ruas por empresas que cuidassem da arborização, já que como foi falado a prefeitura não tem capacidade tecnica e de pessoal para tal tarefa.

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