quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ubíquos


Por JORDI CASTAN

Até parece que mais de um pré-candidato nas próximas eleições municipais contratou vários sósias para poder estar presente em todos os eventos, desde reuniões de condomínio, a formaturas, batizados ou kraenzchen que possam reunir mais de quatro possuidores de título de eleitor. A onipresença em alguns casos ficou tão evidente que produz risadas. No caso mais recente a situação chegou a ser constrangedora, ao ponto de o pré-candidato insistir em querer substituir o pastor na celebração de um matrimônio, não tendo obtido êxito na empreitada. A nova investida tinha como objetivo substituir o noivo e, se não fosse pela rápida intervenção dos padrinhos e do pai da noiva, praticamente teria obtido êxito. A última tentativa foi a de beijar a noiva antes que o próprio noivo o fizesse e a sua insistência foi tanta, que acabou conseguindo e há varias fotografias como prova do fato.


A insistência com que alguns pré-candidatos buscam se promover é, por dizer o mínimo, constrangedora. Não só andam todo o dia com uma melancia pendurada no pescoço para que sua presença não possa deixar de ser notada. Também, influenciados pelos seus marqueteiros, passam a mudar de hábitos, de forma de ser, ocupam as redes sociais, tuitam desesperadamente a partir das cinco da manhã e o seguem fazendo passada a meia-noite, para mostrar que estão acordados e que a sua energia é inesgotável. Todos já tem página no Facebook, blog em que postam suas idéias e projetos e ainda participam, mesmo que seja só nos primeiros quinze minutos, de todas as conferências, oficinas e palestras possíveis e imagináveis. A contratação de assessores de toda quanto é coisa completa o pacote. Assessor de estilo, de moda, de comunicação, de mídias sociais, de mobilidade urbana, de relações internacionais, de política local. Nada escapa.


O objetivo de todo este esforço é estar presentes ou pretender estar. Mostrar um conhecimento oceânico sobre todos os temas. E dar opinião sobre tudo e para todos. Em casos extremos, alguns pré-candidatos tem dado até conselhos sobre a educação dos filhos, a roupa adequada para assistir a uma festa, sobre como curar unha encravada ou como melhorar o tempero da comida, compartilhando receitas de cozinha baixas em potássio.
Os pré-candidatos são como um produto de supermercado. A sua imagem é construída por profissionais e eles são alunos aplicados dispostos a todo para conseguir ser escolhidos pelo eleitor. O primeiro passo está sendo dado, estar onipresente no seu dia a dia. Bombardear você com a sua imagem sorridente até que você acredite que ele é quase que um parente próximo. Fique atento... ele é só um produto.

6 comentários:

  1. Jordi,
    texto muito leve e agradável de se ler!
    Parabéns :)

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  2. Guilherme,

    E olha que tem quem achou direto demais. Tem gente que anda com a sensibilidade a flor de pele

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  3. O Brasil vive uma "misologocracia" - neologismo criado pelo filósofo Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas, querendo referir-se aos regimes que têm horror à lógica, ao raciocínio e ao conhecimento, à partir da palavra "misologia", que, por sua vez, significa aversão à lógica, ao raciocínio e ao conhecimento (Houaiss).
    P.S. Agora, cá entre nós, caro Jordi, o teu texto pode até servir pra todos, mas, que foi feito sob medida, isso foi... eheheh

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  4. Jordi,
    muito bom seu texto, parabéns. De forma agradável apontou extamente aquilo que tenho notado de uns tempos pra cá. É aquela velha história, ... nunca aparceu aqui e ali, mas como estamos entrando num periodo eleitoral, se multiplicam, sabem de tudo e estão em todo lugar. Prova que por vezes há apenas o corpo presente, quase nada de envolvimento. Um grande abraço. Marcos do vale

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  5. Nico Douat,

    A sua percepção o faz imaginar que o texto foi feito sob medida, ele tem tamanho único, em alguns cabe melhor, em outros fica folgado, mate tem gente em que ficou perfeito. eheheh

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  6. Gilberto Pires Gayer2 de dezembro de 2011 09:03

    No Brasil mais do que uma profissão, a política é um ganha pão de boa parcela da população. Se aqui a gente fica horrorizado, imaginem nos sertões deste País onde até virgindade de filha é negociado. É muito triste e revoltante. Pessoas que tem oportunidade à informação usurpando o direito da grande parcela desinformada e ignorante.
    Mas observando os "produtos" locais, vemos que a grande maioria não passaria no mais grotesco exame de qualidade, pois são de material de segunda, e na maior parte, são imitações que revoltariam até o mais simples camelô. Quanto ao prazo de validade, aí é coisa de denuncia para Vigilancia Sanitária, pois quase a totalidade oferece riscos à saúde e são impróprios para o consumo.

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