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domingo, 25 de novembro de 2018

Olavo, Bolsonaro e o governo dos idiotas

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
“Muito, mas muito mais grave que a corrupção é a questão ideológica”. A frase foi proferida por Jair Bolsonaro, há poucos dias, numa reunião partidária. É um evidente contrassenso, uma vez que ele foi eleito graças ao discurso contra a corrupção e a proposta de “mudar isso daí”. Por enquanto, os eleitores do futuro presidente estão caladinhos como ratos. Afinal, a maioria deles já percebeu que foi engabelada.

No entanto, a afirmação merece uma análise mais detida. Porque Jair Bolsonaro parece estar mesmo preocupado com as questões “ideológicas”. Em aspas porque é evidente que ele não domina o conceito de ideologia. O presidente eleito - assim como os seus eleitores - não é amigo dos livros. Tomo a liberdade de ficar pelo conceito marxiano de ideologia, que, grosso modo, afirma que ideologia é uma distorção da realidade. 

Jair Bolsonaro vive numa realidade distorcida e nem se dá conta. É por isso que pretende  substituir o que julga ser um conjunto de ideias (aquilo a que chama ideologia) pela mais obtusa das ignorâncias. E é aí que surge o nome de Olavo de Carvalho, um astrólogo charlatão que nas horas vagas vive a farsa de ser “filósofo”. O fato é que o astrólogo emplacou dois ministros no futuro governo: Ricardo Vélez Rodríguez (Educação) e Ernesto Araújo (Itamaraty).

O Brasil está entregue à distopia dos ignorantes. Bernardo Mello Franco, colunista de política do jornal “O Globo”, estabeleceu uma boa definição para o que o país está a passar: “o olavismo passou de piada a doutrina oficial de governo”. É isso. Olavo de Carvalho passou de situação de apenas ridículo para mentor dos homens do futuro governo. É impossível sair algo de bom “disso daí”.

E por falar em ridículo, deixo aqui um vídeo do Youtube onde a mente mais brilhante do futuro governo expressa a sua “sabedoria”. É apenas ridículo. O futuro do Brasil passa por um bando de idiotas a governar. E tudo seria muito cômico se não fosse trágico. Pobre Brasil! 


terça-feira, 25 de julho de 2017

Lulinha: é mentira, mas eu quero acreditar. E daí?

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
A lancha de Lulinha. O jato de Lulinha. A mansão de Lulinha. A fazenda de Lulinha. A empresa de Lulinha (Friboi, claro). E a Ferrari pintada a ouro de Lulinha. Ontem juntei todas essas tontices num post (abaixo) para o Facebook. A coisa teve milhares de partilhas e hoje, ao acordar, tinha recebido quase uma centena de pedidos de amizade. Mas...

Muitas dessas pessoas eram aquilo que a fraseologia coletiva convencionou chamar “coxinhas” e os "pobres de direita". Foi estranho. O post terminava com uma ironia acerca dos “idiotas que acreditam nessas merdas”. Ora, se o objetivo era justamente escrachar o pessoal das camisas da CBF, então deve ter rolado uma má interpretação. Ou não.

O absurdo do post é tanto que parece impossível alguém levar a sério. Mas as pessoas padecem com déficits de compreensão. Não por acaso no ano passado ficamos a saber que, de acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional, apenas 8% dos brasileiros têm condições de compreender um texto e de se expressar. Interpretar o mundo, então...

É uma incapacidade séria. Essa gente só vê o que quer. E como quer. O acesso massificado às redes sociais tornou o Brasil um lugar onde a mentira e o auto-embuste são uma forma de vida. Não importam os fatos, mas aquilo em que eu quero acreditar. É uma reedição de Nelson Rodrigues: “se os fatos estão contra mim, pior para os fatos”.

Fábio Luís Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é o alvo preferencial dessa perversidade coletiva. Qualquer absurdo, por mais inimaginável, ganha força quando associado ao nome Lulinha. O boato mais recente vai ao limite do escárnio: ele teria uma Ferrari pintada a ouro. E há quem acredite. Por quê? Porque sim. E basta.

É como se a verdade fosse uma questão de gosto, uma escolha à la carte. Qualquer conexão com os fatos e com a realidade pode ser dispensada. A minha versão é o meu casulo e ninguém me tira de lá. Lulinha tem a Ferrari. É a minha verdade e é com ela que eu quero viver. A mentira vira uma patologia. A sociedade fica cada vez mais doente.

É daí que vem o perigo. As pessoas fundam a própria identidade em miragens, ódios e amputação dos fatos. E é com essa visão distópica que vão interagir nos meios sociais. Não pode dar certo. Mentira e ódio são primos de primeiro grau. E o rebento dessa relação é o ambiente belicoso em que se tornaram relações, sejam reais ou virtuais.

Enfim, sobre Lulinha eu sei que é mentira. Mas vou acreditar e essa vai ser a minha verdade. E daí? E termino por onde a coisa começou. É óbvio que rejeitei a “amizade” da maioria. Amigos, prefiro ter poucos mas bons...

É a dança da chuva.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Os idiotas pelo nome


JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Sou a favor de conviver com pessoas que pensam diferente. O dissenso é sempre mais instrutivo que o consenso, porque obriga a considerar o interlocutor. Nunca me importei  de partilhar espaços de discussão com quem pensa diferente. Mas há limites. O problema é que há por aí muita gente que não simplesmente não pensa.

Tem uns caras que, pela falta de leitura e incapacidade de sistematizar pensamento, simplesmente limitam-se a repetir slogans mal-amanhados. E aí não há diálogo possível. Porque o embate entre argumentos articulados e clichês papagueados é uma injustiça para quem se dá ao trabalho de pensar.
Pergunto. É possível debater quando as pessoas usam este tipo de “discurso”?

-       Vai para Cuba.
-       Bandido bom é bandido morto.
-       Bolsa Presidiário: é você quem paga.
-       Vai para a Coréia do Norte.
-       É de esquerda, mas usa iPhone.
-       Ficou com com pena? Adota um.
-       Esquerda caviar.
-       Escreve um texto sobre a Venezuela (esse é um adiantado mental que infesta os comentários aos meus textos).
-       Acorda, Brasil.
-       Agora tem até Bolsa Prostituta.
-       Esquerda burra é pleonasmo.
-       É de esquerda porque é um fracassado.

Há muito tempo estabeleci uma regra pessoal. Só vou a debate com interlocutores que respeito e que se esforçaram tanto quanto eu para formalizar pensamento (e isso, garanto, significa ler muito, comer mundo, procurar a dialética dos fatos o tempo todo). Mesmo assim ainda era capaz de admitir o convívio com opositores. Só que encheu o saco.

Qual o objetivo deste texto? Nenhum. É apenas para dizer que a partir de agora passo a chamar os idiotas pelo nome: idiotas.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Anormais, imbecis, idiotas, panacas, cretinos, energúmenos...

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Eu juro que não queria voltar ao tema. Mas às vezes surgem coisas tão imbecis que não dá para passar batido. Quem viu a imagem aí ao lado percebeu do que estou a falar. Tem gente querendo suspender o direito de voto dos beneficiários do Bolsa Família. Putz. Estarei a ser duro demais ou essa é uma das coisas mais estúpidas que apareceram nos últimos tempos?

Fico aqui a pensar. Quem foi o gênio a parir esse disparate? Quem teria a cara de pau de levar essa proposta a público? E, por fim, quem daria apoio a uma babaquice desse calibre? O pior, leitor e leitora, é que a coisa já tem mais de 4 mil partilhas na rede do Mark Zuckerberg. Pode parecer apenas uma piada de mau gosto, mas a coisa é seria. Porque os caras estão com saudade de uma ditadura à moda antiga.

Tem gente acreditando que a supressão do voto dos mais pobres torna as eleições mais justas. Faz sentido. Sem essa sujidade que são os votos dos desvalidos, a sociedade pode eleger governos como todos os governos deveriam ser: a pensar nos mais abastados e feito por políticos que estão cagando e andando para os pobres. Afinal, o país sempre foi melhor quando as coisas estavam no lugar certo: os pobres eram pobres para toda a vida e essa era a ordem natural das coisas. Fala sério.

Aliás, não resisto e dou uma ideias para melhorar o processo. Por que não impedir o voto dos negros? Por que não impedir o voto dos homossexuais? Porque não impedir o voto das mulheres? Por que não impedir o voto dos torcedores do Corinthians? De impedimento em impedimento, vai sobrar pouca gente para votar. Ou seja, só votam o idiota que teve a ideia e a multidão de idiotas que acreditaram nela e espalharam.

Sério, gente? No Brasil há pessoas que acham a suspensão da democracia uma boa ideia? Ah... e com o requinte de suspender a democracia apenas durante as eleições. É uma ideia tão estapafúrdia que não sinto a menor vontade de discutir com argumentos do mais elementar bom senso. A racionalidade é impossível e não vou desperdiçar o meu latim.


Esta parece ser uma daquelas situações em que só um montão de xingamentos serve de argumentos ajuda a extravasar a indignação: seu anormais, imbecis, idiotas, panacas, cretinos, energúmenos, patetas, parvos, estúpidos, pacóvios, lorpas, atrasados, apoucados...