segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Joinville: por que eles querem uma cidade de merda?

POR JORDI CASTAN

Numa cidade em que mais de 70% dos domicílios não têm rede e nem tratamento de esgoto, há quem insista em adensar e verticalizar. Não entendem uma coisa simples: não há desenvolvimento sem saneamento. Assim, o futuro Joinville tem tudo para estar na merda. Literalmente, porque não é uma figura de linguagem. A depender dessa gente, o nosso futuro como cidade pode estar condenado a ser a lida diária e constante com os problemas originados pelas fezes, os excrementos e os seus similares.

Não faltam alertas de que a infraestrutura urbana não comporta o modelo de cidade que a LOT propõe. Faltam ruas para tanta Faixa Viária, mas também esgoto. Nem é preciso falar das que não tem previsão de receber saneamento básico nas próximas décadas ou daquelas ruas em que foi instalado a rede de esgoto faz menos de 24 meses.

O que dizer das ruas onde a CAJ (Companhia Águas de Joinville) instalou a rede não faz nem dois anos? Os novos empreendimentos têm que instalar fossa e filtro, um anacronismo poluente que deve ser extirpado de Joinville. Ou, então, é preciso instalar uma nova tubulação que comporte o aumento da demanda, algo não previsto no planejamento de CAJ. Imprevidência? Inépcia? Falta de planejamento? Difícil de responder.

Joinville pode ser vítima da coprofilia, essa atração patológica que muitos parecem ter por fezes e sujeira. E aí a palavra sujeira entra no seu sentido mais amplo, da corrupção, da imoralidade e da ilegalidade. A ganância exacerbada e o que há de pior no ser humano. E sobre em Joinville. Só isso nós permitiria entender por que figuras que vendem honestidade e probidade, na verdade sentem-se mais à vontade chafurdando na sujeira.

A concretizar-se o projeto da LOT, é provável que as novas gerações - para as quais a a cidade está sendo planejada - não só convivam com mais doenças, sobrecarregando ainda mais o sistema de saúde. E pode ser que acabemos criando uma geração de pessoas acostumadas a conviver com esgoto sem tratamento e excrementos até o ponto de formem parte do seu quotidiano.

E quem sabe, num futuro mais distante, estudiosos vasculhem os restos da civilização que um dia reinou nestes manguezais. E acharão restos de sambaquis construídos inteiramente de coprolitos, ruínas de torres com 20 ou mais andares, verdadeiros templos dedicados render homenagem a cobiça, modernas pirâmides de concreto e aço que converteram a cidade num ambiente lúgubre, sombrio, inóspito e insalubre.

PEQUENO GLOSSÁRIO
coprófilo
[De copr(o)- + -filo2.]
Adjetivo.
Substantivo masculino.
1.Biol. Diz-se de, ou bactéria que vive nas fezes.
2.Psiq. Que ou aquele que tem coprofilia (2).

coprofilia
[De coprófilo + -ia1.]
Substantivo feminino.
1.Biol. Condição de coprófilo.
2.Psiq. Atração patológica por sujeira, esp. por fezes e pelo ato de defecação.

coprófago
[Do gr. koprophágos.]
Adjetivo.
1.Que pratica a coprofagia.
Substantivo masculino.
2.Animal ou indivíduo que a pratica. [Sin. ger.: escatófago.]

coprofagia
[De copr(o)- + -fag(o)- + -ia1.]
Substantivo feminino.
1.Modo de alimentação dos animais que se nutrem de excremento.
2.Psiq. Estado mórbido que impele o indivíduo a comer excremento. [Sin. ger.:escatofagia.]

coprólito
[De copr(o)- + -lito.]
Substantivo masculino.
1.Paleont. Excremento fóssil.
2.Med. Massa fecal endurecida; cíbalo.

escatologia1
[De escat(o)- + -logia.]
Substantivo feminino.
1.Tratado acerca dos excrementos.

4 comentários:

  1. Mein Gott. Esse homem ficô lôco uma veíz..

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    1. Qual deles, o que alerta ou o que permite?

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  2. Jordi parece que ainda prevalece a máxima de que prefeito que investe em saneamento não se reelege.

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    1. O fim da picada seria eleger aquele que promove o adensamento e a verticalização sabendo que não há nem saneamento, nem previsão.

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