segunda-feira, 27 de março de 2017

Administrador de meia tigela é o que começa a obra sem saber como acaba


POR JORDI CASTAN




Ninguém teria a coragem de iniciar a construção da sua casa sem antes ter a propriedade do imóvel. É verdade que ainda temos áreas de invasão e que quando acontecem, na maioria dos casos os proprietários legais da área conseguem a reintegração de posse para evitar as ocupações ilegais. Em Joinville o próprio poder público é o que inicia obras sem ter adquirido antes a área.

O melhor exemplo, ainda que o correto fosse falar do pior exemplo, é o da malfadada duplicação da avenida Santos Dumont. O que deveria ser uma duplicação, que daria a Joinville uma avenida segura, larga e totalmente duplicada, se converteu pelo acúmulo da inépcia num arremedo de binário e duplicação. Uma caricatura do que estava previsto, por conta da falta de planejamento, da improvisação e de projetos mal feitos, que sofreram várias mudanças inclusive com a obra já iniciada.

Faltou prever os recursos para as desapropriações. Alguém imaginou que em Joinville essas coisas pudessem acontecer? Pois acontecem e a Prefeitura o máximo que fez foi esperar a doação das áreas por parte dos proprietários. Como será com as outras ruas e avenidas que precisam ser concluídas ou duplicadas como a Almirante Jaceguay, a Ottokar Doerfehl, a continuação da Marquês de Olinda? 

Alguém começaria as obras de reforma da sua casa sem ter o dinheiro? Sem ser dono do imóvel? Sem ter um projeto definido? E sem prazo para terminar? Em Joinville essa é a praxe nas obras públicas. Ninguém, com um mínimo de bom senso, trancaria o corredor ou o acesso ao quarto ou a sala durante meses a fio, menos ainda deixaria a cozinha ou o banheiro interditados por obras de reforma sem data de conclusão.

Joinville está assim de patas pra cima, arregaçada, esgarçada por obras que não avançam. Obras que se alastram como lesmas em férias. As equipes ficam mais tempo paradas que trabalhando. O que já era ruim vira um caos. A resposta da Prefeitura é o silêncio, olhar para o outro lado, fazer de conta que não acontece nada e que tudo esta perfeito. Os moradores da rua Otto Bohem sabem bem o que é conviver com a desídia e falta de gestão. Os das ruas Piratuba e Iririú também. Os da Jerônimo Coelho têm diariamente uma versão das ruínas romanas na frente da sua casa. Obras mal sinalizadas, sem cumprir as normas de segurança e oferecendo um risco alto de acidentes. Acidentes, alias que já tem custado, nesta gestão mais de uma morte. 

O poder público insiste em se fingir de morto. Apostando em que o joinvilense vai cansar, vai se acostumar, vai desistir de exercer os seus direitos. Conta com a mansidão do joinvilense, com a sua natural aversão a reclamar. E até agora tem lhe dado bom resultado. O certo é que um administrador que se preze não teria a cidade neste estado de abandono e se não fosse frouxo não se esconderia trás sua trupe de áulicos.

Vender a imagem de bom gestor é uma coisa. Ser um bom gestor é outra muito diferente. O melhor exemplo vem da administração de uma casa, onde a cada dia as famílias põem à prova as suas habilidades como administradoras. Planejam, preveem, administram e gerenciam os recursos familiares com competência e sabedoria. Gastam com critério, de acordo com a sua disponibilidade, poupam, investem e ainda sobra tempo e disposição para dar atenção e melhorar a vida de todos os membros da família.

Uma cidade não é outra coisa que uma grande família e o administrador municipal tem a obrigação e a responsabilidade de fazer o melhor para os cidadãos que aqui moram e trabalham. O resultado da gestão municipal é perceptível no cuidado e gosto de pensar em termos de capricho. Mas capricho é algo que faz anos que não vemos por aqui, assim que vamos ficar no cuidado, que já estaria de bom tamanho.

11 comentários:

  1. jordi e o vale verde?

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  2. Haveria laudas e laudas de comentários sobre esse tema. Mas vou registrar aqui apenas um. Sobre os necessários desvios do transito na obra do viaduto da Santos Dumont. É IMPERDOÁVEL a sacanagem que os responsáveis pela obra estão fazendo com os usuários daquela via. Na ida ao aeroporto, tudo bem, está razoável (embora mal iluminado). Mas no retorno ao centro a preguiça, a inércia, a incompetência e a má-fé dos organizadores atingiu o Olimpo da safadeza. Para uma "obrinha" (sim, dois caixotes de atêrro ligados por vigas prefabricadas são uma obrinha) daquele porte, qual o motivo de não se fazer um desvio lateral e encaminhar o usuário a um "tour" por todo leste/norte da cidade fazendo-o gastar quilometros de ruas intrincadas e tempo precioso? Para quem é de Joinville e conhece a região já está dificil. Imaginem agora o pobre coitado que vem de fora, do aeroporto que é obrigado a entrar numa confusão de vias com pouca sinalização, correndo o risco de para em Campo Alegre, quando só queria ir ao centro. É puro deboche meus amigos. Mais um entre tantos. A noite a coisa pega. Para quem não conhece o labirinto, é comum os pobres turistas irem parar em Pirabeiraba, Iririu ou Jardim Paraíso. E parece que a única reação dos genios da prefeitura é dizer que a solução é provisória...Acompanhei varias obras iguais a essa em varios locais do estado, principalmente na BR-101. Em NENHUMA o motoristas foi desviado a quilometros de distancia e mandado para um labirinto. Como digo sempre, não pode ser só incompetência. É tambem PROPOSITAL, enquadrando-se no conhecido conceito ipujjeano que tudo se resolverá no dia em que não houverem mais motoristas e automoveis.

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  3. A coisa vai de mal a pior, por exemplo o binário das ruas São Paulo e Santa Catarina, em menos de uma semana de extensão do binário, a Rua São Paulo já estava interditada pra recapeamento, justo no trecho onde havia pouco movimento antes do binário. Cadê o planejamento? Diz que a ideia de inverter o binário da João Colin e Blumenau é reflexo da falta de duplicação da Santos Dumont, ou seja, mais porcaria em cima de porcaria.

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  4. Absurdo está sendo proposto em retirar do plano viário o prolongamento da Ministro Calógeras até rua Aubé.

    São meia dúzia de lotes cujos proprietários aguardam compra pelo municipio . Milhares de Joinvillenses aguardam abertura de 500m de rua e uma ponte unindo binário do Boa Vista com Ministro calógeras e acesso da Ottokar Doerfel.

    40 anos de espera por este eixo lógico de 10km.

    Torço por uma Joinville onde no hospital regional questionado sobre caminho a seguir para BR101 possa responder: Segue toda vida reto.

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  5. E na verdade para desapropriar não precisam nem pagar em dinheiro. A prefeitura tem dezenas de terrenos que poderiam ser usados em permuta.

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  6. Quem começou a duplicação da Santos Dumont foi a gestão anterior, não é mesmo? E a obra é estadual.

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    1. E viva o Udo, né? Que responsabilidade ele tem sobre o assunto, sob a sua ótica?Nenhuma. A duplicação começou no primeiro governo dele. O Carlito não quis mexer enquanto não saíssem as desapropiações. E o que falar do binário implantado? Experimente usar a Tenente Antonio João de manhã ou no final da tarde. E quanto a obra ser Estadual, eokiko? A gestão é da prefeitura. Pára de defender o indefensável.

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    2. Que eu lembre foi assinada no governo Carlito, e obra (com o planejamento das desapropriações) é do governo estadual.

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    3. Caro anônimo, favor conferir. A duplicação estava no plano diretor desde 1973. A prefeitura tinha um projeto executivo de 2007, que teve que ser refeito pelo Governo do Estado, que assumiu totalmente a obra. A ordem de serviço para o início da obra foi feita pelo Governador Colombo em 08/02/2013 em sinal de apoiamento ao governo municipal recém empossado (http://m.an.com.br/noticias/geral/a4038648). A obra foi iniciada sem projeto executivo dos elevados, sem licença ambiental, sem propriedade dos terrenos que seriam atingidos/desapropriações (a Prefeitura sempre disse que não tinha dinheiro para desapropriações, por isso propôs o Binário com a Tenente Antônio João, que foi repudiado pela população na época, motivo pelo qual levou o prefeito a decidir pelo cancelamento da obra. Agora essa solução é adotada sem constestação). Esse mesmo problema tivemos com o binário do Vila Nova, envolvido numa briga política entre Prefeitura/Estado pela paternidade das obras. A obra só andou porque o Prefeito Carlito autorizou que o governo do Estado licenciasse as empreiteiras. Não vou dizer que houve boicote, mas a relação do Governo do Estado com Joinville, no governo Carlito, foi de elevada discriminação para o que representa a cidade no contexto catarinense.

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    4. Que fixação pelo Carlito... isso só pode ser amor mesmo!

      A responsabilidade das desapropriações sempre foi da prefeitura. Não tem como defender o Udo nessa aí. Só lamento para os cabides.

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  7. Meu caro, estou novamente aqui lendo esse seu texto que tem minha cara, e refletindo o que certamente muitos ali que utilizam avenida que hoje esta verdadeiro off road, que estão tentando chegar na hora combinada com companhia aérea, mesmo pra desembarque o passageiro em espera leva mais tempo no saguão, do que propriamente viagem aéreas pois bem esse post é uma aula-magna, parece que alguém de dentro da sua gestão quer ludibria tão gestor, induz a erros, sendo assim esta cada dia mais difícil ir e vir, não vamos nem falar que não existe linha de ônibus para concorrência com taxistas, esta claro que todos tens algum interesse em si, ao imperfeito, além de empresas instaladas ali que tem que entregar suas encomendas e seus produtos, aumento seu custo e diminuindo seus lucros, esse prefeito parece que não honra nem mesmo sua cidadania de onde veio, ora que dirá das falsas promessas, gestor ele é somente quando passa recursos aos empreiteiras, esses soltam fogos de artifícios, agora mais importante quando vai terminar, nunca se sabe, gestor em sabotar imprensa, que continua calada, muda, surda e cega, agora aquela guarda municipal continua a fazer suas vítimas, com talonário digital de multas, não existe sinalização de nada pra nada, pergunta que não querem calar, se cidade cresce onde vão construir estacionamento do aeroporto, já que pela visão do gestor e pela duplicação teremos muita gente usando via, ora senhores (a) o turista esta ficando cada dia mais distante de nossa cidade, vir aqui para ver os buracos que esta nossa cidade, flores que já não tão abundante, dança pra poucos, qual mesmo perfil de nossa cidade, eu já cansei de reclamar sim, mais sempre posso descrevo meu pitaco se ninguém mudar suas cabeças e os cabeça teremos mesmo resultado sempre caos, concordo certamente que briga também pela paternidade mais a população, não tem que ficar no meios dessa tirania, mais alguém deve ter vantagem nisso, acho posso dar uma dica os tais aditivos quem será ganha com isso somente os empreiteiros!!

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