sexta-feira, 10 de outubro de 2014

BRANCO

POR CHARLES HENRIQUE VOOS


No primeiro turno destas eleições, conforme manifesto feito aqui no Chuva Ácida, votei na candidata do PSOL. Os motivos estão todos expostos naquele texto e pretendo segui-los. Sendo assim, creio que seja o momento de dizer o porquê do meu voto em branco no próximo dia 26.

O voto em Luciana no primeiro turno foi também um voto de protesto contra os três grandes da eleição - Dilma, Marina e Aécio, os quais monopolizaram a maioria dos debates nos últimos meses. São, também, candidatos que não representam uma "nova política". Independente de quem chegasse ao segundo turno, daria no mesmo.

Com a ida de Dilma e Aécio para o segundo turno, chegou a hora de tomar uma posição coerente com tudo aquilo que defendo. É evidente que o voto no PSDB de Aécio representa um retrocesso, não somente pelas lembranças de Fernando Henrique Cardoso, mas também por tudo o que este partido vem fazendo na história recente do Brasil em São Paulo, Minas Gerais, no Congresso Nacional e em Joinville, principalmente. 

Votar no PSDB de Aécio é concordar com o mensalão mineiro, com a falta de água em SP, com o cartel do metrô, com a intransigência da polícia nas áreas de ocupações irregulares, e todo o conservadorismo que marca os parlamentares tucanos em Brasília. Não consigo concordar com isto e nem com a filosofia dos seus aliados: Bolsonaro, Malafaia, Marina, e tantos outros. Puxando para a questão urbana, tema no qual me dedico a anos, votar em Aécio representa aceitar todo o esquema montado pelas grandes empreiteiras em prol dos tucanos nos últimos anos. É sabido sim que, quanto mais uma empreiteira injeta dinheiro em campanhas e em diretórios partidários, mais as cidades são formatadas em prol de interesses empresariais. 

E em Joinville tivemos secretário da saúde do PSDB preso por corrupção.

Somado a tudo isto, não podemos esquecer os 27 motivos para não votar em Aécio, link que faz sucesso na internet. 

Sobre a Dilma, preciso reconhecer todos os seus avanços no combate à desigualdade, combate à fome e à miséria. O Brasil tem políticas públicas reconhecidas mundialmente pela ONU e por entidades reconhecidas no estudo da desigualdade, como a Oxfam. Seria burrice de qualquer cidadão brasileiro não reconhecer este avanço. Por outro lado, e voltando à questão urbana brasileira, o governo Dilma representa o mesmo retrocesso que o seu oponente tucano. 

Os recentes incentivos às indústrias automobilísticas rasgam todos os preceitos estabelecidos no Estatuto das Cidades, juntamente com o que mais moderno vem se fazendo nos países desenvolvidos: a abolição do automóvel e o incentivo aos modos coletivos e/ou aos modos não-motorizados. Para dar suporte ao projeto da Copa do Mundo, o governo petista se aliou às grandes empreiteiras, diretamente interessadas na construção de novos estádios e suas respectivas obras de apoio (avenidas, pontes, infraestrutura para o transporte coletivo, etc). Ao mesmo passo que isso acontecia, milhares de famílias foram despejadas de suas casas sem o devido tratamento (segundo a BBC Brasil, mais de 250 mil pessoas foram afetadas). 

Por manter uma linha de coerência, creio que o ideal para quem defende a questão urbana brasileira seja, sim, o voto em branco. Antes que o leitor mais desavisado possa pensar que esta posição caminha rumo a uma neutralidade, antecipo o engano: é um posicionamento claro de que nem Dilma e nem Aécio me representam. Creio, por fim, que os dois também não representem as verdadeiras necessidades da política urbana brasileira. Independente de quem ganhar, as cidades serão as principais prejudicadas e, em consequência, os seus moradores. 

9 comentários:

  1. Você ignora os doze anos de pilhagem do PT sobre os Correios, Eletrobras e Petrobras. Bom, esperar o que de alguém que “vota em protesto” numa lunática comunista...

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  2. Negócio é guardar dinheiro e emigrar.

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  3. Anularei o meu voto, mesmo sabendo que não fará diferença nenhuma.

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  4. Para mim, sua posição é exatamente igual àqueles que decidem não aderir a greve de seu grupo, mas depois, não se sente constrangido em participar dos benefícios que ela possa render.
    Desse jeito fica fácil.

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    1. Charles podia ter passado sem essa.

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  5. Charles, e quais são suas lembranças do governo FHC? Concordo que não foi perfeito. O que não consigo compreender é como o PT e os partidos de sua base conseguem ser tão obtusos em não dar o devido crédito aos avanços obtidos no governo FHC. Controle da inflação, lei de responsabilidade fiscal (que o PT foi contra), bolsa escola (que juntamente com o auxílio gás formaram as bases do bolsa família). Entendo seu posicionamento político-partidário de votar em branco. No entanto se você quer "reconhecer todos os seus avanços no combate à desigualdade, combate à fome e à miséria", reconheça que isto começou no governo FHC e que Lula sabiamente continuou e ampliou. O mesmo Lula que se não tivesse assinado publicamente um documento comprometendo-se com a estabilidade econômica, jamais teria conseguido alçar o PT ao Planalto.

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  6. Discordo, mas respeito.
    Em minha opinião votar nulo ou branco é se omitir.

    Anderson

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  7. Mais um texto medíocre !!! Esse Sr. não vai ao supermercado ? não escuta o que está ocorrendo com a Petrobras ? vai dizer que também não sabe ? e também esqueceu dos avanços do Plano Real ?

    du Grego

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  8. http://praiadexangrila.com.br/presidente-da-fundema-marcos-schoene-e-preso/

    E o presidente da Fundema? Do PT de CArlito. Ficou na cadeia.
    E o escandalo da propaganda? Que tirou Carlito da eleição

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