quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Alguma coisa acontece entre a Beira-rio e a São João

Meme em resposta à campanha anti-pixo
POR FELIPE SILVEIRA 

Dois acontecimentos me chamaram a atenção nesta semana. O primeiro é a terrível campanha anti-pixação da prefeitura de Joinville. O segundo é o terrível ataque da pm paulista aos sem-teto da Ocupação São João. Vamos falar sobre eles...

Deve estar em algum lugar do diário oficial o valor gasto com produção e veiculação da campanha anti-pixo. O vídeo custa caro e o custo de divulgação em outdoor, rádio, TV e jornal custa uma fortuna, vocês sabem. E, apesar de não ser contra a propaganda institucional, me espanta que as prioridades sejam estas. Tanta coisa para trabalhar a conscientização da população e a gente se depara com essas coisas.

Tenho pra mim que a motivação da guarda dohleriana não está no tipo tradicional que também é atacado de tempos em tempos. Acredito que as claras mensagens políticas (o pixo tradicional, estilizado, também é político, mas aqui falo de outro), sobretudo feministas, que surgiram nas paredes e muros da região central nos últimos meses tenham causado tão onerosa reação.

No governo de Dohler, não importa se a cidade está às escuras, esburacada, com obras paradas, plano municipal de cultura desrespeitado... O que importa é que em nenhuma parede esteja escrito que “outro mundo é possível”.

Nada disso surpreende. Udo Döhler fala e trabalha para satisfazer um grupo de cidadãos muito específico, que deve ter vibrado ao dar de cara com a campanha no seu jornal favorito.

É um tipo que também deve vibrar com as cenas vistas na capital paulista nessa quarta. Fico me perguntando se tem algo que dá mais prazer a certas pessoas do que ver sem-tetos serem despejados. Duvido.

Para quem não sabe, a polícia cumpriu, com muito gás lacrimogênio, uma reintegração de posse na capital paulista. Cerca de 200 famílias ocupavam o prédio há seis meses, sendo que este estava abandonado há dez anos. Não é curioso que ninguém tenha se incomodado com o prédio vazio nos nove anos e meio anteriores?

Não é curioso que as pessoas não se incomodem com as casas e terrenos vazios que descumprem a constitucional função social da propriedade? Que não se incomodem com a invasão quando ela é feita pelos ricos? Que não se incomodem com a especulação, com o rentismo, com o abuso de autoridade, com o preconceito, com a cidade às escuras, com a falta de água?

Não! A gente gosta de ver família sem teto, criança chorando por causa de gás lacrimogênio, gay assassinado e campanha contra o pixo, pois o pixo, ah, o pixo já é vandalismo!

30 comentários:

  1. -Felipe, onde fica a tua casa? Eu gostaria de me expressar pichando o muro da tua residência, só da tua, já que isso pouco importa para você.

    -Ocupação de propriedade privada é CRIME! Ponto.

    Interessante a visão dos esquerdistas. Posso resumir o esquerdismo numa única frase: “Pode, mas não pode, é, mas não é”.

    Nós, da direita, somos mais pragmáticos:

    Pichação=crime
    Invasão=crime
    Depredação=crime

    Se o peso da justiça é maior para um grupo do que outro, vá reclamar com os legisladores e com o judiciário; a Constituição é clara e um crime não pode compensar um direito desassistido.

    Antônio.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quanta besteira...
      Vocês de direita são burros mesmo.

      Excluir
    2. Não Felipe: quem ocupa área nobre sem apanhar da polícia - em São Paulo ou em Floripa -, entre outras coisas, não é burro. A palavra é outra, mas "pragmático" é só um eufemismo pra ela.

      Excluir
    3. Passem os endereços de vocês então. Vamos criar uma página de acolhimento aos ¨desassistidos¨!!! Ou, melhor, podemos pixar na casa de vocês mensagens para acolher este pessoal! Melhor ainda, vamos todos parar de pagar contas, aluguel principalmente, assim todos seremos iguais como dizem esses bolivaristas. Mas não vamos deixar de comprar telefones novos para estarmos sempre conectados!

      Excluir
    4. "Passem os endereços de vocês...". Não saber a distinção entre espaços público e privado é um dos atestados de nosso atraso e de nossa incompetência intelectual e política.

      Excluir
    5. Acho que vc não sabe a distinção, pois tem imóveis públicos e privados pichados por esses criminosos.

      Excluir
    6. Claro, você confunde "espaços" com "imóveis" e quem não sabe a diferença sou eu. Tadinho.

      Excluir
    7. pede o endereço e nem o nome dele ele assume, fica como Anônimo.

      Excluir
  2. Trabalho na câmara municipal e todo dia passo por essas pichações que o texto se refere. Se é crime eu não sei , as leis não são preto no branco como o cidadão acima crê, mas acho essas intervenções bem bacanas, diferente daquelas pichações que é só pra marcar território. Ali na passarela Chalotte tem uma que diz "um outro mundo é possível" e outra que diz algo como "cada ser humano é um universo", bem planejadas e não sujão o visual. Sempre reparo-as tendo a ficar mais consciente, e menos no modo automático. Concordo que a campanha referida é um grande desperdício de dinheiro, o governo precisa rever suas prioridades.
    Sobre a desocupação nem vou comentar, to evitando ler qualquer coisa sobre, essa história não é nova, e faz meu estomago doer.

    ResponderExcluir
  3. Concordo com a sua opnião a respeito da ocupação.
    Mas Pixação pra mim é crime! Não sei o que se passa na cabeça de um cidadão pra adotar tal prática. Tenho muito orgulho de Joinville e odeio ver ela com pixações pra todo lado. É falta de surra

    ResponderExcluir
  4. O primeiro comentário é inacreditável! Reflete bem o porquê ações como a de SP não são combatidas. É cada babaca! "...vá reclamar com os legisladores e com o judiciário..." quem? Esses da direita que estão no poder? Estamos reclamando, este texto é um instrumento para isso.

    Ainda não vi a campanha anti-moletom com touca do Udão da Massa, mas pelos comentários do pessoal, a ACIJ tá em festa noite e dia!

    Belo texto, Van Felps!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Os legisladores e judiciários são "de direita"? Se fossem, meu amigo, as coisas no Brasil estariam muito melhor para todos.

      Excluir
    2. Valeu, Beto. Desenhou bem pro primeiro cretino.

      Excluir
  5. Felps, essa administração atual está tão sem adjetivos para qualificá-la que não há o que comentar... Se pensar muito, vomito.

    ResponderExcluir
  6. Encontrei mais um : http://s2.postimg.org/kdj4y1yp5/jacar_fritz.jpg
    gotta catch em all!!!

    ResponderExcluir
  7. Ótimo texto Felipe. Este é mais um daqueles textos que da vontade de continuar lutando.

    ResponderExcluir
  8. O que alguns chamam de ocupação é uma invasão, semelhante a que fazem os marginais quando entram na casa das famílias para roubar, sequestrar e matar.

    O velhinho aposentado, ex trabalhador quando vir sua residência invadida, ooops, OCUPADA, pode fazer o que ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O Dirk sempre profundo como um pires.
      Se tu não conhece a lei, lamento. Se fosse alguém que eu julgasse ter alguma esperança, eu me esforçaria pra dialogar, pra debater o tema. Você não vale o sacrifício. É crente e não se importa com a razão. Quer apenas pregar.

      Excluir
    2. O José Serra comparou fumar maconha com pedofilia, uma tentativa de justificar, para uma plateia de incautos carolas, porque é contra a descriminalização da primeira.

      Dirk, sua comparação consegue ser mais grosseira que a do Serra - e olha que o cara se esforçou: não há nada em comum entre famílias que ocupam um imóvel, abandonado há 10 anos, diga-se de passagem, e ladrões que invadem uma casa para roubar e sequestrar. Não há parâmetro possível de comparação entre ocupar um prédio, abandonado há 10 anos, diga-se de passagem, e invadir a casa de um velhinho aposentado. Aliás, eu o desafio a me mostrar uma única linha ou fala onde alguém ligado aos grupos de sem-teto defendeu tamanha estultice.

      Excluir
    3. Não gostaria que invadissem minha casa. de meus parentes, meus vizinhos, meus amigos, ou qualquer pessoa.

      Felipe e Clóvis, sinto muito se minha opinião ofende vossos princípios

      Excluir
    4. É impossível que tu ache que a tua casa possa ser invadida por sem-tetos. É muita falta de compreensão da questão. Eu acho que tu força isso, finge que não sabe. Mas não descarto que tu simplesmente não entenda mesmo.

      Excluir
    5. Dirk, metade das mansões da capital catarinense, com sua vista privilegiada da Lagoa da Conceição, estão construídas em áreas invadidas. Um dos mais caros resorts de Florianópolis está construído em uma área invadida. São obras ilegais.

      Por que você não se indigna com isso e não chama seus proprietários de criminosos, nem os compara aos ladrões que invadem a casa do "velhinho aposentado"?

      Me permita responder: porque eles não são pobres.

      Excluir
    6. Dirk, desculpe se a lei ofende vossos princípios mas, no caso de São Paulo, os criminosos não são mesmo os sem-teto.

      http://www1.folha.uol.com.br/colunas/raquelrolnik/2014/09/1519775-predio-vazio-ha-mais-de-dez-anos-pode.shtml

      Excluir
  9. é por causa das pixações desses desocupados que agora vamos ter uma guarda municipal para proteger espaços públicos, pagos com nossos impostos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Proteger o espaço público do público.

      Excluir
    2. Na verdade a GM é só pra multar mesmo.

      Excluir
  10. Maldade de um jornalista partidário colocar dois assuntos tão diferente em um mesmo texto. Falta espaço nesse blog? Um prédio público é tão meu quanto teu. Mas a liberdade de expressão só vale pra vocês, como sempre. Pouco importa pra vocês o que seu vizinho acha quando acorda e encontra o muro pixado com um desenho horrível que não passa qualquer tipo de mensagem. A verdade é que estamos cheios de jornalistas partidários loucos para que seu partido ganhe e chegue ao governo. Impossível discutir com esses jornalistas partidários. Eles estão aí pra defender claramente o interesse deles e que se foda a ética que deveriam ter aprendido na faculdade. Ética que também tiveram a chance de aprender no trabalho, mas sempre se acharam melhor que todos para isso. Jornalista partidário que vá defender suas convicções em uma mesa de bar com o pessoal de seu partido. Não tem crédito para ir além disso.

    ResponderExcluir

O comentário não representa a opinião do blog; a responsabilidade é do autor da mensagem