quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Da política da TV e da política da rua

POR FELIPE SILVEIRA

O primeiro debate dos presidenciáveis, que ocorreu na Band, na noite de terça-feira, 26 de agosto, não trouxe nenhuma novidade para quem já estava acompanhando as eleições. Confirmou Dilma, Marina e Aécio na disputa a tapa pelo voto, ainda mais porque o formato proposto pela emissora beneficiou os candidatos em evidência. Confirmou também o pastor Everaldo como o doido que representa o pior da internet – contra o aborto, contra o casamento gay, pela privatização de tudo etc. Luciana Genro apareceu pouco e Eduardo Jorge, embora tenha levantado bandeiras importantes, foi levado na brincadeira por causa do seu jeito.

A Band também não colaborou quando seus jornalistas de direita fizeram perguntas. Um maluco perguntou sobre os plebiscitos “bolivarianos” para Dilma, usando termos que o Rodrigo Constantino adora. Como pode?

É por isso que acredito na democratização da mídia como a reforma mais urgente. Enquanto a principal fonte de informação do país for o Jornal Nacional e os similares das outras emissores, não teremos coberturas e debates sérios. Sobre eleições e sobre qualquer coisa.

Não discutiremos segurança, apenas ficaremos com medo; não discutiremos saúde, apenas vamos consumir fast food; não discutiremos mobilidade, apenas ficaremos presos dentro em engarrafamentos quilométricos; não discutiremos direitos, apenas os negligenciaremos. 

Contra o assédio no busão
Também não discutiremos o machismo como causa da violência contra as mulheres. Preferimos achar que a culpa é do tamanho da saia ou do decote. Em Joinville, pelo menos, este debate é feito pelo movimento feminista.

O coletivo Mulher na Madrugada realiza, nesta semana, dois eventos que fazem parte da campanha “Assédio Zero no Zarcão”, cujo objetivo é “desnaturalizar o assédio no transporte público, incentivar as mulheres a denunciarem os abusos sofridos nos ônibus de Joinville e cobrar políticas públicas”.

O primeiro evento ocorre nesta quarta, 27, às 19h15, no Anfiteatro 1 da Univille (Universidade Regional de Joinville). O segundo ocorre na quinta, 28, às 19h15, no Anfiteatro da Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc. 

Muros que conscientizam e incomodam
Não é só a mídia que precisa mudar. Há muita gente que não quer a formação de cidadãos críticos, que lutem por seus direitos, inclusive nas escolas. O coletivo Pintelute realizou uma atividade, a convite de estudantes, em uma escola estadual de Joinville. O resultado é esse muro lindão aí da foto abaixo.

No entanto, o grupo informa que a escola quer transformar o muro numa parede vazia novamente. Não surpreende que tal mensagem incomode quem deseja manter tudo como está.

6 comentários:

  1. Fiquei espantado com a postura de Luciana Genro e seu discurso “anticapitalista” em pleno século XXI. Um discurso meramente acadêmico (que deveria ficar restrito a academia) vindo de uma deputada federal, que orbita o seio do funcionamento governamental, é de deixar qualquer um frustrado com a política. No debate, até a Marina colocou Luciana Genro e seu pensamento retrógrado no devido lugar.

    Tem de avisar os candidatos que não vivemos numa monarquia absolutista.

    Democratizar a mídia? A mídia já é democrática, tanto que nela existem vários tipos de pensamentos e ideologias. O que o PT quer (e você também) é amordaçar a livre manifestação do pensamento, filtrando-o para os interesses de quem está no poder. Ora, se tem deputada de estrema esquerda apresentando e votando em projetos, qual o problema com os jornalistas de direita?

    José

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    Respostas
    1. Pastor Everaldo, você por aqui.

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    2. Plínio, você por aqui.

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    3. "A midia já é democrática....". Hummmmm.....

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    4. A esquerda não sabe debater opiniões e ideologias diferentes. Os que se declaram de esquerda se acham os donos da verdade, mesmo quando sabem que estão errados. Sabem que a forma mais eficaz de combater as críticas contra o governo esquerdista é calar e controlar a mídia, como fizeram Cristina Kirchner, na Argentina, Chávez, na Venezuela e o índio Aimará, na Bolívia. Todos países que servem de “exemplos em democracia”.

      Depois de anos de crescimento inflado pela venda de commodities superfaturados, bradando aos quatro ventos que “agora o Brasil vai virar potência”, tendo pachorra de apontar o dedo para os países europeus, tentar ensinar primeiros-ministros a governar seus países e criticar bancos estrangeiros, o governo brasileiro acordou para realidade nua e crua ao constatar que estamos atrasados e ferrados comparados ao resto do mundo. As reformas econômicas que o PT tinha que fazer nesses 12 anos, com a faca e o queijo na mão, não fez, e ainda acabou com a confiança da maior empresa petrolífera do país. Não há outra coisa a fazer senão beber na fonte dos irmãos Castro, enviar bilhões de dólares para Cuba (já que as empresas “X” de Eike Batista faliram – se é que me entendem!) e adotar os princípios do regime comunista no Brasil, como fizeram Venezuela, Bolívia e Argentina.

      O Brasil não é a Bolívia, a mídia continuará livre.

      José

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  2. Caro anonimo recomendo este curto documentário que explica bem porque as concessões de rádio e tv devem ser revistas no Brasil.

    http://docverdade.blogspot.com.br/2010/02/lavante-sua-voz-2009.html

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