terça-feira, 23 de abril de 2013

Araquari para quem? - Parte II

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

A cada dia que passa os interesses ficam mais difíceis de serem escondidos. Aos poucos eles são revelados pelos principais interessados. Como já alertado aqui, a cidade de Araquari irá sofrer nas próximas décadas com o interesse do grande capital, principalmente aquele articulado com negócios na área de desenvolvimento urbano. Recentemente foi divulgado na internet um vídeo de uma imobiliária com seus planos para a zona sul de Joinville e grande parte de Araquari. É sobre este vídeo que faremos a nossa análise de hoje.

video

Há, neste comercial, várias questões camufladas e que são pertinentes trazermos à tona:

Qual o motivo de uma imobiliária aparecer com um planejamento urbano "pronto", através de um grande projeto (que chega a ser assustador), sendo que a zona sul de Joinville não permite (ainda, para a felicidade de alguns) tais investimentos? E mais: a cidade de Araquari também tem suas normativas, que com certeza não contemplam as intervenções propostas. Para quê, então, anunciar intenções que vão contra a legislação vigente?

É justo que, esta imobiliária, assim como todas as outras interessadas em grandes projetos urbanos nesta região, mostrem seus grandes planos sem consultas prévias à população, como preconiza o Estatuto da Cidade? 

Para quê servem os planos diretores e outros tipos de planejamento urbano? Para referendar interesses "de ordem maior"? 

Os usos propostos contemplam as necessidades das pessoas que já moram em Araquari? Marinas, campos de golfe, grandes complexos industriais, anéis viários (engraçado o projeto não fazer menções a um sistema de transporte coletivo) e todas as outras regalias de um típico new urbanism, são, de fato, demandas sociais da atualidade daquela cidade? 

É notória a diferença entre planejamento urbano advindo do poder público e do privado, através de grandes consultorias. Enquanto o primeiro é fruto de um processo moroso, participativo (pelo menos em tese) e expressão fiel dos conflitos sociais e econômicos, o segundo é uma avalanche de ideias prontas e que sistematicamente parecem encaixar como a peça final de um quebra-cabeça. Qual modelo a região que contempla estas duas cidades irá adotar?

Há muitas perguntas e hipóteses surgindo rapidamente. Felizmente, os interesses não conseguem ficar à margem por muito tempo. Uma hora eles aparecem, do jeito que já está acontecendo. Para a zona sul de Joinville e Araquari eles estão cada vez mais claros: enriquecimento com a terra urbana (se não for urbana, a legislação muda para atender tal fator), ampliação do modelo de transporte que privilegia o automóvel, construção de grandes empreendimentos de luxo com a desculpa desenvolvimentista, segregar a população já existente em Araquari ao criar uma espécie de "velha Araquari", bem distante territorialmente da "nova Araquari", e a consolidação de situações que garantam a permanência destes investimentos transnacionais, bem como a atração de novos (já se fala em Land Rover, etc). 

Caso você, leitor, queira se informar mais sobre o assunto, basta abrir os jornais locais nas páginas de economia. É o assunto do momento. Entretanto, preciso dizer que é uma visão totalmente parcial da realidade, ou não?

17 comentários:

  1. Com o crescimento, terá escolas públicas, hospitais públicas, entre outros para todos? Ou será que Joinville terá que argar com essas despesas? E quando acabaram a isenção de impostos, daqui 20 ou 30 anos, essas "grandes empresas" continurão lá? Essa outra questão isenções, mas as despesas públicas serão argadas por quem, já que não será arrecado tanto tributos assim?

    ResponderExcluir
  2. O asfaltamento da rio do morro não é a toa. Esta proposta de "nova Araquari" é espantosa, vai contra toda a discussão do estatuto da cidade. Mas para isso já estar sendo divulgado, já há um acordo entre o loteador e os governos municipais e estadual. Logo teremos mais informações sobre este "belíssimo" empreendimento.

    ResponderExcluir
  3. ainda bem que Araquari não tem esse pessoal da LOT que é um pé no saco!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ainda bem que Araquari não é Joinville anônimo, daqui uns anos vamos ver quem perde e quem ganha com este "progressio" desenvolvimentista.

      Excluir
  4. Respostas
    1. Ainda... ahahahahahahahahaha!!

      Excluir
  5. Este vídeo é digno de ser avaliado pelo IBAMA e Ministério Público Federal, a ocupação proposta passa por cima de toda a legislação ambiental existente, principalmente as diretrizes do Plano de Gerenciamento Costeiro e legislação florestal que não permite a ocupação de restingas e manguezais. Se a poderosa família dona de todas aquelas terras pensa que pode passar por cima de todo o mundo, está muito enganada. E isto serve de lembrete às autoridades de Araquari.

    ResponderExcluir
  6. é sem duvida quem ganha é o joinvilense com esta questão da LOT.

    ResponderExcluir
  7. Não podemos esquecer que o atual Presidente da Fundema era o Secretário de Planejamento de Araquarí. Não precisa de maiores comentários.

    ResponderExcluir
  8. Além dos pontos criticados aqui, ainda é visto neste projeto o velho paradigma e ilusão quanto as vias de transporte.

    O projeto mostra duas grandes áreas distantes uma da outra e uma unica via de de acesso central.

    Se essa bagaça sair do papel, em 30 anos vai ficar com um trânsibo bosta como o de Joinville. Quando você tenta fugir do trânsito por uma lateral para tentar encotrar uma via paralela, ou é rua sem saída, ou a paralela é muito curta e dá preferência para as laterais que mais servem para inchar mais ainda o trânsito das vias principais.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. vai entender o que o sujeito quer dizer, pai amado

      Excluir
    2. ..Correto Fernando, boa análise

      Excluir
  9. Pergunto ao Charles se antes de escrever o texto, ele procurou contatar a empresa em questão? Talvez o vídeo seja superficial, compactado para ser lançado na mídia. Quem sabe não exista um projeto mais complexo por trás de tudo isso? Se eu fosse ele, manteria contato com a empresa e quem sabe, surja "Araquari - parte III", muito mais esclarecedor e que satisfaça a curiosidade geral.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ótima sugestão, mas NUNCA que a empresa em questão iria dar detalhamento sobre seu empreendimento. Faz parte do jogo da especulação...

      Excluir
  10. O comentário que enviei ontem, com sugestões não foi publicado. Alguém problema?

    ResponderExcluir
  11. digo, Algum problema?

    ResponderExcluir

O comentário não representa a opinião do blog; a responsabilidade é do autor da mensagem