terça-feira, 1 de abril de 2014

50 anos, hoje


POR CLÓVIS GRUNER

Há cinco décadas o Brasil acordou sombrio. Na madrugada do dia 1º de abril de 1964, um golpe orquestrado por forças militares e civis colocava fim ao breve interregno democrático que se iniciara com o fim do Estado Novo, duas décadas antes. Uma democracia sitiada, é verdade, e em permanente estado de tensão. Frágil e confrontada pelo golpe, a ela se seguiu uma ditadura que se estendeu pelos 21 anos subsequentes, e cuja herança nos assombra ainda, como um espectro não inteiramente sepulto. O jornalista Luiz Cláudio Cunha resumiu assim o período e seu legado:  

“A conta da ditadura de 21 anos prova que ela atuou sem o povo, apesar do povo, contra o povo. Foram 500 mil cidadãos investigados pelos órgãos de segurança; 200 mil detidos por suspeita de subversão; 50 mil presos só entre março e agosto de 1964; 11 mil acusados nos inquéritos das Auditorias Militares, cinco mil deles condenados, 1.792 dos quais por “crimes políticos” catalogados na Lei de Segurança Nacional; dez mil torturados nos porões do DOI-CODI; seis mil apelações ao Superior Tribunal Militar (STM), que manteve as condenações em dois mil casos; dez mil brasileiros exilados; 4.862 mandatos cassados, com suspensão dos direitos políticos, de presidentes a governadores, de senadores a deputados federais e estaduais, de prefeitos a vereadores; 1.148 funcionários públicos aposentados ou demitidos; 1.312 militares reformados; 1.202 sindicatos sob intervenção; 245 estudantes expulsos das universidades pelo Decreto 477 que proibia associação e manifestação; 128 brasileiros e dois estrangeiros banidos; quatro condenados à morte (sentenças depois comutadas para prisão perpétua); 707 processos políticos instaurados na Justiça Militar; 49 juízes expurgados; três ministros do Supremo afastados; o Congresso Nacional fechado por três vezes; sete assembleias estaduais postas em recesso; censura prévia à imprensa, à cultura e às artes; 400 mortos pela repressão; 144 deles desaparecidos até hoje”.

Desde o começo deste ano não faltam eventos a rememorar a data e avaliar suas muitas implicações: simpósios, colóquios, programas de TV, edições e cadernos especiais na imprensa, títulos memorialísticos, acadêmicos ou grandes reportagens revisitam sob diferentes prismas o período. Não pretendo um balanço exaustivo dessa produção, nem tecer sobre a ditadura algum comentário original. Mas como brasileiro e historiador, creio que é um compromisso, além de profissional, também ético e político, contribuir para que os eventos daquele fatídico 1º de abril não sejam esquecidos. E é nesse espírito que gostaria de retomar três questões sobre o assunto, que considero fundamentais:

Um golpe contra outro golpe – Consagrou-se em alguns círculos, e não apenas militares, a versão de que o golpe de 1964 fez-se para evitar outro. Trata-se, obviamente, de uma narrativa que interessa aos responsáveis pelas mais de duas décadas de ditadura, mas que não se sustenta em nenhuma das muitas evidências históricas sobre o período. Em entrevista concedida ao CPDOC da FGV, o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira fala das muitas “provocações” que antecederam o 1º de abril, essenciais para criar um clima de animosidade e conflito necessário para justificar a tomada de poder pela direita civil e militar. E embora admita a tendência à radicalização de algumas lideranças ligadas a João Goulart, é enfático quanto à inexistência de qualquer condição ou pretensão golpista, dentro e fora do governo: a principal força de esquerda, o PCB, além de atuar na ilegalidade, tinha um perfil muito mais reformista que revolucionário.

Havia um ambiente de conflito, em parte decorrente da Guerra Fria e do fantasma da ameaça soviética. Se desde o início da década de 60 falava-se do “perigo comunista”, em um contexto de acirramento das tensões e posições políticas, o “perigo comunista” se transformou na ameaça de um golpe que instauraria uma “república sindicalista” aos moldes da revolução cubana. Mas fora da propaganda que ajudava a alimentar a atmosfera golpista, a realidade era diferente. Se por um lado as experiências de Cuba e da Argélia, ainda recentes, inspiraram parte da esquerda brasileira, essa mesma esquerda não tinha pretensões nem tampouco fôlego para qualquer coisa que, mesmo remotamente, sugerisse a revolução e o golpe.

Insisto: os principais grupos e lideranças de esquerda eram reformistas: falavam e defendiam a reforma agrária e as reformas de base; reivindicavam o nacionalismo contra o capital estrangeiro; produziam uma cultura que se pretendia “popular” como um meio de “desalienar” as massas demasiadamente influenciadas pelos padrões culturais tidos por imperialistas, etc... A ameaça de um “golpe comunista” é apenas mais uma mentira perpetrada pelos artífices da ditadura. Repetida tantas vezes, ainda há quem nela acredite. Mas isso não a torna uma verdade.

A ditadura não foi apenas militar – Não haveria golpe nem uma ditadura que perdurou por duas longas décadas sem a estreita colaboração de militares e civis. Foi essa aliança que sustentou a ditadura, inclusive financeiramente: hoje sabemos de empresários e grupos empresariais que levaram sua adesão ao regime para além da simpatia, ajudando a financiar a máquina da repressão que começa a funcionar já em 1964.

Também fundamental, e que finalmente tem merecido a devida atenção de pesquisadores, foi o apoio dos meios de comunicação. Desde os pequenos jornais do interior – como a joinvilense “A Noticia” –, até a chamada “grande imprensa” – “O Globo”, “Folha” e “O Estado de São Paulo”, entre outros – raras, raríssimas foram as exceções: os meios de comunicação não apenas ajudaram a fomentar o golpe, colaborando para que se instaurasse no país um ambiente de terror e temor. Consolidado o governo militar, poucos foram os que recuaram efetivamente em seu apoio inicial, declarando abertamente sua contradição. A maioria manteve-se titubeante, em parte pela ameaça da censura, mas também porque continuava a reconhecer a legitimidade do governo militar.

E há, conhecidos, aqueles casos em que o apoio perdurou ao longo dos 21 anos de ditadura, como a Rede Globo, numa relação promíscua em que os sucessivos governos foram beneficiados com o suporte midiático, tanto quanto beneficiaram empresas e empresários de comunicação. Aliás, nunca é demais lembrar que se a cultura da corrupção está, ainda hoje, impregnada na vida política do país, ela encontrou no ambiente instaurado pelo golpe de 64, um terreno fértil. Foram duas décadas de corrupção e impunidade, favorecidas ambas pela certeza arrogante que tem os governos autoritários, que nada nem ninguém os ameaçam.  

Resistências e repressão – A repressão feroz que se abateu sobre toda e qualquer forma de oposição, tem sido recentemente relativizada aqui e acolá, inclusive por alguns historiadores. Mas não há relativização possível quando se trata da garantia dos direitos humanos fundamentais, sucessivamente desrespeitados nos porões e Casas da Morte onde a ditadura humilhou, torturou e assassinou oponentes. Sobre esses, já se falou muita coisa, mas é preciso que se diga uma vez mais: nem toda oposição aos militares pegou em armas. A luta armada, aliás, representou uma ínfima parte de uma resistência que se fez também por caminhos institucionais – com a atuação do MDB, da OAB, de setores da igreja, entre outros –; intelectuais e artísticos, além das muitas tentativas de manter vivos e atuantes os movimentos sociais urbanos e rurais. A ditadura não perdoou ninguém e tratou a todos, indiscriminadamente, como criminosos e inimigos.

Pode-se dizer, hoje, que a luta armada foi um equívoco, e que aqueles que lançaram mãos às armas não pretendiam, efetivamente, a retomada da democracia, fazendo da oposição à ditadura um meio para se atingir um fim: a instauração do socialismo. Tudo isso pode ser verdade, e ainda assim nada disso justifica a violência do Estado. Primeiro, porque a correlação de forças era absurdamente desproporcional: um punhado de militantes, em sua maioria mal e parcamente armados e treinados, enfrentou o poder e o aparelho do Estado, com seus muitos mecanismos de inteligência e órgãos de vigilância, além das instituições repressivas, parte delas atuando clandestinamente. Não havia ameaça e, mesmo se ameaça houvesse, é terrorista o Estado que trata fora dos limites da lei cidadãos que, uma vez rendidos, já não oferecem nenhum tipo de resistência.

Mas não é só. Não é casual que a ousadia e a violência dos grupos armados e revolucionários aumentaram na proporção da truculência institucional, de que o AI-5, decretado no final de 1968, é o marco histórico definitivo. Nesse sentido, a ditadura não apenas forjou as condições para que parte da oposição optasse pela resistência armada. Ela forneceu as razões políticas para todas as formas de resistência que se opuseram a ela. É preciso que se diga, sem receio: é legítima a insurgência contra governos ilegais que se sustentam na e pela tirania. Sob esse ponto de vista, mesmo a luta armada traz intrínseca, apesar de seus muitos equívocos, uma aspiração que é não apenas legítima, mas democrática, ao se insurgir contra um governo, além de autoritário, ilegal, imoral, ilegítimo e corrupto, constitucional e politicamente.

***
     
Nas últimas semanas li e ouvi inúmeras manifestações a pedir uma “intervenção militar”. O ápice dessa nostalgia autoritária foi a tentativa, patética e fracassada, de reeditar a Marcha com Deus pela Família. Nas cidades onde ocorreram, marcharam lado a lado militares; religiosos exaltados e fundamentalistas; tucanos e demos principalmente do baixo clero; eleitores sem partido descontentes com o governo do PT, a quem atribuem todo o mal que há no mundo; e militantes neonazistas, entre outros. Uma fauna apenas aparentemente diversa, que nas ruas e principalmente nas redes sociais apela pelo retorno ao autoritarismo.

O Brasil vive, principalmente desde FHC e Lula, um processo de aprofundamento e consolidação democráticos. Como toda democracia, a nossa também é frágil e precária, não porque ameaçada, mas porque em permanente construção e invenção. Estar atento às suas fragilidades implica, sim, criticá-la. Mas para fazê-la avançar, não para retroceder. Precisamos de mais democracia. Nunca de menos.

32 comentários:

  1. Muito bom Clóvis, conseguiu resumir tudo num texto objetivo e com muitos "dados", conforme exigem alguns que aqui visitam. Me permita acrescentar que, embora muitas vezes a passos de tartaruga, as comissões da verdade têm um papel fundamental neste processo e são em grande parte responsáveis pela abertura de caixas pretas que existem por aí. As malas de dólares entregues ao general que traiu Jango foi uma delas.

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    1. Concordo Manoel: as Comissões desempenham um papel importante. Mas o que me incomoda é justamente o "passo de tartaruga". Dos países vizinhos - Brasil, Argentina, Paraguai, Chile - somos o que mantém com seu passado autoritário a relação mais complicada.

      Enquanto os "hermanos" julgaram e condenaram seus generais, aqui por muito pouco o parlamento não cedeu vez e palavra para o Bolsonaro fazer o elogio da barbárie. Além disso, alguma dos principais nomes da política atual vieram da ditadura e continuam a ditar as pautas e agendas governamentais: Bornhausen e ACM nos governos do PSDB; Sarney no do PT.

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  2. """APESAR DE VOCÊ, HOJE É UM NOVO DIA!""" “O dia de hoje exige que lembremos e contemos o que aconteceu. Devemos isso a todos que morreram e desapareceram, aos torturados e perseguidos, a suas famílias,

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  3. Muito bom seu texto, na minha ótica especialmente pela imparcialidade ao se referir aos personagens.

    Concordo com o fato de que nossa democracia continua frágil e precisamos avançar muito ainda.

    Nossa constituição afirma que “todos são iguais perante a lei”, considerando este um dos pilares essenciais para a consolidação da democracia, e observando que ela está longe de ser uma realidade em todos os aspectos da sociedade como considerar que vivemos uma democracia plena, conforme a grande maioria dos políticos declara?
    Pode-se dizer que desconhecem ou ignoram a realidade do nosso povo?
    O que precisamos fazer para que isso se torne uma realidade para a nossa sociedade?

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    1. O que fazer? Não sei. Mas sei o que não fazer: reivindicar intervenções militares, fazer a apologia da ditadura, negar seu caráter bárbaro, truculento, corrupto.

      Ainda não consolidamos nossa democracia. Mas me pergunto se, de fato, iremos algum dia consolidá-la: não é próprio às democracias serem sempre inconclusas?

      Mas estou de acordo com você: um passo importante para fortalecê-la é rever a relação do Estado e suas instituições com a sociedade e os cidadãos. A democracia só tem a ganhar com a transparência.

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  4. Parabéns pelo texto

    Observa-se que grande parte do povo brasileiro demonstra ter MEDO da justiça, por esse motivo deixa até mesmo de buscar seus direitos.
    Este medo é um sentimento que vem sendo ainda passado via oral dentro das famílias, através dos pais e avós que viveram o período da ditadura e não confiam no Estado de forma alguma?
    Sempre ouvi que se faz necessário pelo menos 40 anos para que uma geração mude seus conceitos, desde que influenciados a isto. Considerando o desinteresse de grande parte dos políticos em mudanças significativas, podemos dizer que no Brasil isto poderá se prolongar?

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    1. Faz sentido sua afirmação: somos uma sociedade que ainda vive coagida pelo medo - das autoridades, do governo, do Estado. Não sei se são necessários 40 anos, mais ou menos, mas penso que um passo importante para erradicarmos essa sensação de impotência a que você se refere é encararmos nosso passado, acertarmos as contas com a ditadura.

      A política de reconciliação, expressa na Lei de Anistia, só interessa aos responsáveis pelos 20 anos de violência institucionalizada. O Brasil, a sociedade brasileira, a democracia brasileira, só perde com ela, porque permanentemente assombrados pela memória da ditadura.

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  5. Simples, direto, esclarecedor... parabéns Clóvis!

    Gostaria de saber se é possível dizer que nos meios políticos atuais, nas casas legisladoras e executivas continuam ocorrendo, ainda que dada as devidas proporções, uma “política de provocações” para desestabilizar o governo, não para “tomar” o poder (golpe), mas para exigir participar dele e exercer algum tipo de poder e influência, visando em muitos casos benefícios partidários e até mesmo pessoais? O chamado toma lá dá cá, que fica tudo como está.
    (desculpe o parágrafo tão grande)

    Podemos dizer hoje que a mídia se posiciona de maneira imparcial?

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    1. Eu não acho que a mídia seja imparcial, porque isso não existe. O problema, a meu ver, não é tanto termos uma mídia parcial, mas uma mídia desonesta, que insiste em uma imparcialidade que ela não pratica.

      E sim, acho que existe uma "política de provocações" mais ou menos nos moldes que você descreve e pelas razões que você sugere. Mas acho também que neste ano, em função das eleições, as provocações almejem algo mais além do tradicional toma lá dá cá.

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  6. É preferível as piores das democracias do que qualquer ditadura. Temos muitas lições desse tempo sombrio em que a liberdade foi destruída, os atos de violência ocorreram até entre os revolucionários que fuzilavam qualquer um que recuasse frente aos militares. Acredito que a liberdade deve triunfar em todos os aspectos e reinar o respeito ao indivíduo e suas escolhas civis e econômicas. E para os governantes fica a lição de menos corrupção e mais seriedade na vida pública, não por causa de um novo golpe militar, mas pelo simples fato do respeito ao povo e sua evolução como país.

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    1. Marco, estamos de acordo: democracias, mesmo as mais frágeis e precárias, são preferíveis aos regimes de exceção. Obrigado pela leitura.

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  7. Desde de que o Brasil deixou de ser colônia, este é o período mais longo de nossa história sem turbulências políticas. E acho que será assim para sempre. O povo brasileiro ficou com a couraça grossa, não se deixa mais levar mais por interesses inconfessos de uma minoria. ( o único perigo é uma certa região do país que ainda não assimilou a verdadeira democracia, e continua odiando o.. brasileiro )

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    1. Luiz, é verdade: já são praticamente três décadas sem turbulências políticas - apesar da insistência de uma galera em afirmar que estamos a viver em uma ditadura socialista cubana/venezuela/coreana - dá até pra escolher. Bobagem: ainda não temos a democracia dos sonhos, mas estamos a construir, espero, uma democracia possível.

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  8. Na época, minha mãe era professora. Ministrava aulas de Educação Moral e Cívica para o 2º grau. Utilizava livros de vários autores, entre eles um livro do Exército. Propôs um debate aos alunos.

    Durante o debate, minha mãe como professora, disse que o livro em questão, o do Exército, representava um ponto de vista, e não a verdade absoluta, assim como todos os livros. E ensinou aos alunos que devem saber entender e discernir as coisas, antes de emitirem a sua opinião. E isso se aplicava sobre qualquer assunto.

    Bastou para que fosse chamada à diretoria e interrogada pelo diretor na frente de um Capitão do Exército. Foi questionada sobre o motivo de “estar falando mal do Exército”, o que, obviamente não era o caso. Após o interrogatório, o diretor a avisou que ela quase foi presa. Foi apenas a primeira vez. Na outra, ela participava de uma reunião no Colégio de Freiras onde dava aulas. A reunião era entre professores e direção. Alguns professores negociavam com a direção e ameaçavam entrar em greve. Não era o caso dela. Mas quase foi presa novamente.

    Minha mãe não era ativista e nem filiada a qualquer partido político. E quase foi presa por duas vezes. Ela relata que mesmo dentro de casa não se podia falar alto sobre o que estava acontecendo (torturas e prisões de colegas de profissão como ela, que sequer tinham envolvimento político), pois poderiam estar sendo vigiados. Relata também, que até para fazer documentos – RG e CPF, precisava da autorização de um militar.

    Apoia o retorno da ditadura quem não tem o mínimo conhecimento dos fatos. E ponto. Sugiro a leitura de “Brasil Nunca Mais”.

    Clóvis, parabéns pelo texto!

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    1. Amanda, obrigado pelo depoimento e pela leitura.

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  9. Parabéns pelo texto... síntese muito boa, dos acontecimentos daquela época.
    E estou admirado que os anônimos conservadores estejam calados e não cuspindo comentários irrelevantes só por serem do contra. Será que existe esperança de mudar uma cabeça conservadora? Abri-lá, para aceitar o diferente. Esta sempre foi a minha dúvida.

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    1. Obrigado, Rudimar. E fale baixo, os anônimos podem ouvir. :)

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  10. Há alguns anos, o Jornal Nacional referia-se a esta data como a Revolução de 31 de março. Ontem e hoje todos os telejornais da Globo falavam sobre o Golpe militar de 31 de março. Nada como um dia depois do outro. O Roberto Marinho deve estar se revirando no

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    1. Pois é... No livro sobre os 30 anos do Jornal Nacional (ou 40? Não lembro) o apoio da Globo à ditadura civil militar é tangenciado, para não dizer escamoteado. Nada como um dia depois do outro.

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  11. Saudações Clóvis, não sabia q tinhas um blog, até fuçar nos links do Desafinado Murilo. A marcha da família, cujo deus não confirmou presença, foi o evento mais surreal de todos. Não sei se o vídeo da Folha de SP teve a intenção da galhofa, mas rende boas risadas. Jornal este, que é apreciado pelo cidadão de bem. Nos últimos dias li muitas notícias sobre o Golpe, sempre um lado tentando justificar suas ações truculentas com mais brutalidade. Estes debates deviam sair do âmbito acadêmico, para desmistificar os "chavões" do senso comum contra o nefasto "perigo vermelho".
    Estamos vivendo um Olavismo Cultural?
    Abraços

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    1. Salve, Neto.
      Foi difícil escapar às opiniões que justificaram o golpe de ontem e praticamente clamaram para que ele acontecesse de novo. Felizmente, acho e espero, os cães ladram mas, neste caso ao menos, não mordem, e a tal Marcha, patética, morreu já no berço.

      Infelizmente não se pode dizer o mesmo do Olavismo, que segue por aí, vivissimo, a seduzir incautos com alguma atração principalmente por pintos - não os filhotes da galinha, que fique claro.

      Abraços.

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  12. Se não fosse o golpe militar, seria o golpe comunista. Não adianta negar isso, pois os próprios membros dos grupos revoltosos do período luta armada admitem que a intenção era tomar o poder para instaurar um governo autoritário de esquerda = Cuba (cheio de restrições e com prisão de opositores ao regime). Entre os dois, prefiro o que aconteceu mesmo... não que tenha sido bom pro País, mas com certeza um autoritarismo de esquerda já se mostrou presente na história...

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    1. Pô, Rudimar, eu disse para você falar baixo. Viu? Os caras são como praga: você chama e os idiotas aparecem.

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    2. Os que nao concordam com voce sao iditotas. Isso é que é ser democratico !!!

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    3. Você se superestima e ao seu comentário: não chamei você de idiota porque não concorda comigo - conheço gente inteligente, que não concorda comigo, e que merece todo o meu respeito.

      Agora, quando alguém diz que prefere um governo golpista, ilegal e corrupto, que prendeu, torturou e assassinou a um golpe que nunca houve e não haveria, sob o pretexto de que esse golpe, que nunca houve nem haveria, poderia, se tivesse acontecido, ser autoritário, bom, eu não sei você, mas eu chamo isso de um comentário idiota.

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    4. Esquizofrenicos, a coisa para mim é mais simples, pois resolvi não dar mais ouvidos a vcs há muito tempo. Provem que os contrários à ditadura queriam transformar este País em Cuba ou algo do gênero. Seria muito mais fácil apresentar estas provas. Mas como vsc não tem, assim como não tem em relação à compra de votos e formação de quadrilha no caso do mensalão, o negócio é realmente ignora-los.

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  13. Desculpa ai Clóvis, da próxima vez eu não vou mais invocá-los... mas este anônimo da vez só viu a figura e comentou, não deve ter lido o seu texto... Você explicou perfeitamente a questão do golpe comunista, e ele só está escutando as vozes da cabeça dele... imitando Lobão e os Ronaldos....

    Rudimar

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  14. Nunca haverá unanimidade - e se houver, pode estar rolando algo muito perigoso por perto. Sinto que a diferença entre dar ouvidos a A ou B é o jeito que cada um lida com opiniões diferentes à sua... (e amplio isso ao voto entre PT e PSDB, sabendo que os dois são de esquerda e contra o golpe de 64).
    Comissão da verdade? Que seja TODA a verdade! E que faça sangrar a nação, pra que todos saibam, e que nada mais do que houve no período possa acontecer de novo.
    Chamar leitor de idiota é construtivo? Boa sorte.

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    1. Quando alguém diz que prefere um governo golpista, ilegal e corrupto, que prendeu, torturou e assassinou a um golpe que nunca houve e não haveria, sob o pretexto de que esse golpe, que nunca houve nem haveria, poderia, se tivesse acontecido, ser autoritário, bom, eu não sei você, mas eu chamo isso de um comentário idiota.

      Mas foi bom você tocar na comissão de verdade e exigir TODA a verdade, assim, em caixa alta. Porque os militantes que pegaram em armas para se opor à ditadura pagaram, alguns assassinados, pelos suas escolhas - foram presos, torturados, condenados, exilados.

      Nenhum deles se esconde no anonimato e, alguns reafirmando as escolhas passadas, outros reavaliando-as criticamente, todos, sem exceção, são conhecidos, amados e odiados com a mesma intensidade.

      Pergunto: onde estão os torturadores? Por que, à exemplo dos militantes armados, não mostram sua cara? Por que e do que se escondem, por que negam que foram um dia responsáveis pela tortura de centenas de homens e mulheres, se o que fizeram foi para "defender a democracia e a ordem ameaçadas"? Os militantes pagaram pelas suas escolhas, alguns deles com a vida; e os torturadores, continuarão impunes?

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    2. Eles (os revoltosos pós-golpe) não se escondem agora, porque estão no poder e há democracia - não é a ideal, mas é a possível, muito bem colocado.
      Mas os assaltos e assassinatos vão ser lindamente perdoados? Ah, mas estamos em democracia graças a eles! Eu acho que não... O regime militar acabou por motivos econômicos, ela deixou de fazer sentido...
      Lembre-se que há possibilidade de alguns dos torturadores terem cumprido ordens.
      Sim, esses podiam ter lutado pela vida daqueles que seriam vítimas de truculências absurdas (alguns até o fizeram), mas na hierarquia militar não há espaço pra diálogo. Esse seria até um motivo pra não termos mais nem a Polícia Militar atuando no Brasil.
      Na atual conjuntura nacional, é até "cult" dizer que precisou ficar exilado em Cuba durante o regime militar. Mas se o comunismo lhe agrada tanto, pq voltou de lá cara pálida? Sei, foi por amor à Pátria!
      É tudo parte de um grande jogo de cena, pra manter a opinião de todos contra as forças armadas e garantir que elas vão ficar bem quietinhas, até serem desmoralizadas e, uma vez inoperantes, poder ceder espaço ao golpe da esquerda autoritária.
      Se isso chegar a acontecer eu vou lamentar, mas não vou me opor à vontade da maioria. Minha vontade não valerá a vida de INOCENTES CIVIS. Essa é a diferença entre A e B.

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    3. Vamos por partes, como diria Jack:

      1-) Aqueles que você chama de "revoltosos pós-golpe" mostram a cara desde muito antes de estarem no poder. E nem todos estão no poder.

      2-) Se você acha que a ditadura acabou apenas por razões econômicas, eu só tenho a lamentar sua profunda ignorância histórica.

      3-) Quem desmoraliza as forças armadas são as próprias forças armadas. Façam um mea culpa, assumam os erros que cometeram. Seria um jeito de começar a mostrar que os militares do presente não compactuam com as escolhas e os crimes do passado.

      4-) Os assaltos e assassinatos não foram "lindamente perdoados", como eu fiz questão de frisar logo acima. Já isso aqui foi perdoado:

      http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2014/03/21/ditadura-militar-diz-que-arrancava-dedos-dentes-e-visceras-de-preso-morto/

      5-) Sobre o "golpe da esquerda autoritária" vou entender isso como uma demonstração, ainda que um tanto bizarra, de seu senso de humor.

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  15. Theomar Fagundes Lemos5 de abril de 2014 16:08

    Quem quebrou as normas institucionais usando a violência como argumento, foram os militares golpistas. Estes, apoiados por grupos econômicos ligados ao capital internacional, pela igreja católica e sob a salvaguarda da 4ª Frota americana, deram o primeiro tiro. A opção pela resistência através das armas, embora tenha sido equivocada sob a ótica da correlação de forças, foi justa, assim como é, o direito a legítima defesa por parte do cidadão que sofre uma agressão injusta. O grupo que tomou o poder pela via antidemocrática tinha que ser expelido. Os rebeldes não conseguiram. Na minha visão, são heróis. Heróis porque abdicaram dos melhores anos de suas vidas por um ideal, por uma causa, pela democracia. Acho uma atitude repugnante tentar colocá-los na mesma vala daqueles cujos propósitos e os métodos para alcançá-los não eram, digamos, os mais dignos, da mesma forma que não seria justo condenar os partisans por conta dos inocentes atingidos no confronto com o invasor nazista. Se fossemos utilizar essa lógica de penalizar aquele que se rebela contra o opressor, por conta de seus eventuais excessos, teríamos de reescrever a história e rever, entre outros julgamentos, o tribunal de Nuremberg, para incluir neste, os excessos cometidos pelos aliados ao defender a democracia contra a tirania fascista.
    Em nome dos perseguidos pela ditadura aqui em Joinville e como filho de um deles, quero te parabenizar pelo texto.

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