sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ser liberal


POR RIKARDO SANTANA DA SILVA

Como acabar com a pobreza? Essa é uma pergunta de difícil resposta e que move muitas pessoas na tentativa de respondê-la. Muitos dizem que o problema está na desigualdade social e colocam na distribuição de renda a culpa da pobreza que ainda existe mundo afora. Outros argumentam que a dificuldade são as barreiras impostas pelos governos, o que faz com que elas não possam ser livres o suficiente para conseguirem sair da situação de miséria em que se encontram.

São duas respostas para a mesma pergunta (obviamente que extremamente condensadas aqui), a mostrar que os dois lados estão buscando uma solução para um problema que ambos admitem existir. Mas o que se observa quando estes dois grupos discutem é que não diálogo, apenas desconhecimento e clichês repetidos de um lado para outro, além de um domínio de uma discussão partidária que não tem fundo ideológico nenhum e que está mais preocupado em responder outra questão: “como conseguir mais poder?”

É preciso haver diálogos e não monólogos e xingamentos, que em grande parte ocorrem porque não há conhecimento suficiente sobre o que o outro está defendendo. Há aparentemente uma preguiça em diferenciar as diversas vertentes que cada ideologia tem e um vício em querer colocar todos num rótulo só. Eu sou liberal porque acredito que a maneira mais fácil e eficaz de se acabar com a pobreza, e assim garantir uma melhor qualidade de vida para as pessoas, é através do livre mercado, dando liberdade para as pessoas, o bem mais precioso na vida de um ser humano, pois só ela pode fazer com que todos possam alcançar a felicidade, algo subjetivo e individual. O liberalismo mostrou isso no decorrer da história, em inúmeras situações em que a liberdade de uma população se converteu em uma qualidade de vida melhor. É no mínimo curioso ver que essa ideia de liberdade pode ser considerada por muitos aqui no Brasil como a de alguém que “não se importa com os pobres”. Aliás, defender a liberdade no Brasil, é correr o risco de ser chamado de comunista, fascista e conservador na mesma discussão; e isso mostra como há um total desconhecimento do liberalismo.

UM MOVIMENTO DIVERSO - Hoje o movimento liberal é extremamente heterogêneo. Libertários de direita, libertários de esquerda, anarcocapitalistas, minarquistas, bleeding hearts, liberais conservadores entre outros grupos, discutem os problemas da nossa sociedade sob diversos pontos de vista, e a produção é constante e de grande qualidade. Blogs como o do Instituto Mises Brasil (IMB), o Portal Libertarianismo, o Mercado Popular, o Capitalismo para os Pobres, e institutos como o próprio IMB, o Instituto Liberal do Nordeste (ILIN), o Estudantes Pela Liberdade (EPL), o Ordem Livre, o Instituto Liberal, além de iniciativas como a do Partido Libertários, propagam ideias de liberdade das mais diversas vertentes. Eu mesmo participei da fundação de um instituto em Curitiba, o Instituto Bastiat, que hoje se encontra desativado, mas no pouco tempo em que existiu me mostrou que o liberalismo é muito pouco conhecido, mas tem uma boa aceitação.

O que se pode perceber nessa produção atual é que há sim uma preocupação e – principalmente – respostas para os problemas sociais atuais que são baseados na filosofia liberal. No entanto, no cenário de guerra criado por muitos articulistas (sejam eles sakamotianos contra os “coxinhas” ou constatinianos contra os “caviares”), é difícil ver esse discurso chegar a ser discutido por não liberais. Parte da culpa é dos próprios liberais, que acabam perpetuando posições que não respondem aos problemas e apenas se apoiam em muletas teóricas.

Três casos mostram isso mais claramente: o posicionamento quanto a ditadura militar, que mostra como muitas pessoas que se dizem liberais não são: afinal de contas, como alguém que defende a liberdade pode apoiar uma ditadura? É a mesma incoerência de ser contra a violência e ter Che Guevara como ídolo. A questão das cotas raciais mostra também como muitos liberais se preocupam mais em se posicionar do que em oferecer respostas às questões, pois apenas dizers que é contra não resolve os problemas que as cotas se propõem a responder – e o liberalismo tem respostas para isso, como, por exemplo, a educação livre. E talvez a questão mais emblemática, a meritocracia, que mostra uma incoerência por parte de quem a invoca em uma discussão e se diz liberal, pois, se apenas o mérito importa, o que fazer então com aquela lista embaraçosa de “ranking de liberdade econômica” que mostra como países mais livres tem qualidade de vida melhor? Além de que é bem visível que não é apenas o mérito que conta na hora de alguém conseguir alcançar seus desejos; vários fatores externos também contribuem, e a liberdade é um deles.

O que eu pretendi dizer com esse texto é que o pensamento liberal ainda é pouco estudado e lido no Brasil e para que haja um verdadeiro debate para melhorarmos as condições de vida da população em geral, é necessário que esse discurso seja melhor debatido, e que não seja confundido com outros pensamentos ou sofra com preconceitos. Além disso, também é visível que os próprios liberais tem que entender melhor a ideologia que defendem, para não receberem alguma alcunha que não mereçam. Todos ganharemos se começarmos a nos preocupar mais em melhorar a vida dos outros e menos com qual partido está no poder.

Rikardo Santana da Silva é jornalista e historiador.

53 comentários:

  1. Um texto extremamente lúcido que demonstra que as boas ações podem vir de qualquer lado do espectro ideológico. Muitos partidário de x ou y, acabam confundindo discussão de ideias com torcidas por partidos. São criatura obtusas com uma perspectiva rasa de política e economia, mas que se consideram os donos da verdade e que rotulam qualquer um que discorde de duas ideia de reacionários ou comunistas. Ambos se merecem.

    O liberalismo econômico produz riqueza pela eficácia e aprimoramento constante, porém aumenta a distância entre os mais ricos e mais pobres justamente pela vantagem inicial dos que já detém os meios para crescer. É um jogo válido, porém injusto.
    O assistencialismo social, por outro lado beneficia as classes historicamente menos privilegiadas (pobres, negros e mulheres) dando oportunidades e meios a quem nunca teve, usando o Estado como fator de redistribuição de renda e equidade social. Porém, o efeito perverso é a utilização dessa ferramenta como meio de troca para conquista de votos e o aprisionamento das classes beneficiadas em uma eterna dependência do Estado.

    Ao invés de olharmos apenas para os próprios umbigos, deveríamos trabalhar por uma sociedade mais eficaz COM justiça social. Não apenas uma coisa ou outra. Ela não são mutuamente exclusivas.

    E quem não gosta do governo federal petista, não é necessariamente reacionário, apenas os considera incompetentes e/ou corruptos.

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    1. Obrigado Andre!
      Essa preocupação, de gerar riqueza e justiça social, também é uma preocupação dos liberais, um grupo específico, os bleeding hearts libertarians (não há uma tradução padronizada) tem como lema "livre mercado e justiça social", por perceberem que só liberar o mercado não vai responder todos os problemas da noite para o dia, por isso é preciso haver uma preocupação a mais. Segue o link do blog mais importante dessa vertente (em inglês):
      http://bleedingheartlibertarians.com/

      Em português tem o Mercado Popular e o C4SS (centro para uma sociedade sem estado) que tem articulistas dessa linha:
      http://c4ss.org/content/category/portuguese
      http://mercadopopular.org/

      Eu pessoalmente não vejo o livre mercado como um criador de desigualdades mas sim o inverso, um instrumento poderoso dos mais pobres, no entanto, admito que concordo com muitos pontos dessa vertente.

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    2. O André sempre escancara o seu lado reaça (mesmo não gostando que assim o rotule) afirmando sempre que quem promove políticas sociais o faz sempre com o proposito de assistencialismo e dependencia do Estado. Não caiu a ficha ainda ou é má fé mesmo? Já esta mais que provado, por exemplo, que o bolsa-familia é um importante instrumento de política economica, ao incrementar desenvolvimento e produção em regiões onde pelo sistema liberalista seriam fadados a serem eternos currais eleitorais de coronéis que detem o poder há 300 anos. E outra, milhões de pessoas abandonam o emprego assim que possuem a oportunidade de galgar novos patamares. Na realidade o objetivo maior do programa é justamente este, OPORTUNIZAR a primeira chance, coisa que a meritocracia de voces nem passa por perto. Bater sempre na mesma tecla que é mero assistencialismo com finalidade eleitoral não convence nem seus candidatos André (Campos, Alckmin e Enébrio) que prometem até ampliar o programa! Iisto sim é finalidade meramente eleitoral...

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    3. Sérgio, um assistencialismo bem organizado e que já prepara a saída do cidadão desse programa é que seria a solução ideal, mas que talvez não interesse aos dominantes do poder. Ninguém nega a importância dos programas sociais, ainda mais em um país de péssima distribuição de renda como é o Brasil. O Bolsa Família é apenas uma dimensão de uma visão ainda mais ampla de inclusão social. A educação fundamental e o saneamento básico também deveriam fazer parte do programa, mas como os resultados são de longo prazo e não aparecem no curso de um mandato não interessam aos governantes do Brasil.
      Falar em coronéis soa até irônico, quando o maior represente do partido dos trabalhadores é aliado incondicional dos Sarneys, Barbalhos e Calheiros da vida. Não é à toa que, onde existem os maiores currais eleitorais é que estão os maiores índices de popularidade do governo petista. É o lado perverso do assistencialismo, que é muito bem utilizado pelo governo atual, mas que é veemente negado pelas cheerleaders petistas como você, Sérgio.

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    4. Aí que vc se engana André, bastaria ler os jornais e ver que o PT maranhense não coliga com o PMDB do Sarney há anos, e este ano mais uma vez vai de candidato próprio. Ou seja, não generalize quando fala de PT ou petralhas como carinhosamente nos denominam. A questão é que o PMDB, a maior prostituta partidária/eleitoral de nossa política (e que infelizmente o PT teve que coligar pois senão não governaria nestes 12 anos, mas este é assunto para outro post) abrange desde ex-guerrilheiros do MR-8 até coronéis como vc mesmo falou (não precisa ir ao Maranhão, o exemplo catarinense é bastante ilustrativo). Concordo em parte com o que falou, porém acho que ainda confunde políticas sociais com esmolas. Temos um passivo de 500 anos com pobres, negros, gays, indios, camponeses, etc, e políticas públicas também é prestar contas disto.

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    5. Para finalizar André, mais de 6 milhões de familias deixaram o bolsa-familia, o que já desmonta a sua tese que o programa é meramente assistencialista e não promove inclusão. Em relação ao saneamento, pegue os indices de investimento dos governos anteriores e os de 10 anos pra cá e terá que engolir novamente outra verdade. Se Joinville duplicou o seu medíocre indice de saneamento nos ultimos 4 anos (promete quintuplicar nos próximos dois) se deve basicamente ao governo federal.

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    6. Excelente, Sérgio ! Agora imagine um programa poderoso de Transferência de Renda como o Bolsa Família aliado a uma gestão eficiente, com corrupção mínima e crescimento do PIB acima de 5% (como é o que está ocorrendo em muitos países parecidos com o Brasil). Seria uma explosão de crescimento e prosperidade. Não mero assistencialismo (que é necessário, repito, mas incompleto).
      O atual governo está matando a galinha dos ovos de ouro, já que para bancar o programa assistencial precisa ter um país que cresça, que gere impostos e que aumente a confiança do investidor em colocar seu dinheiro no país.
      Hoje o que vemos são páginas e mais páginas de exemplos de incompetência e suspeitas de corrupção que mancham a imagem do Brasil e atrapalham o nosso crescimento. Copa do Mundo está aí do jeito que está. A nossa infra-estrutura continua de mal a pior. A Educação Básica é uma das piores do mundo. Mas, em contra-partida nunca pagamos tantos impostos. Não acha que seria a hora de mudar? Tentar uma nova vertente?
      Com a Carta aos Brasileiros, o Lula prometeu, se eleito, manter os fundamentos econômicos do Plano Real (meta de inflação, superavit primário e câmbio flutuante). Prometeu e foi eleito.
      Que mal tem um outro candidato que prometa manter os programas sociais de sucesso mas ser mais competente na gestão? É a mesma tática. Ele seria um aproveitador?

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    7. Excelente, André. Passamos quase incólumes às crises mundiais deste inicio de século. Países de 1º mundo amargam desempregos infinitamente maiores que o nosso, o nosso crescimento é baixo mas superior à maioria deles, criamos mais cursos técnicos e universidades em 10 anos do que nos 30 anos anteriores, a nossa carga de impostos é menor que a dos EUA.
      Nenhum dos candidatos que aí está promete manter os programas sociais e nem tem credibilidade em relação à gestão economica. Ou será que prefere o Aécio com o Erminio Fraga, aquele mesmo que colocou os nossos juros em 45%? Ou o Campos, que sucateou diversas secretarias do seu Estado em menos de 4 anos?

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    8. É impressionante a deturpação da informação que certos torcedores tem pra justificar o injustificável. O Baço deu uma boa definição no último texto dele sobre as pessoas que leem mas não conseguem entender a mensagem.

      "Países de primeiro mundo amargam desempregos infinitamente superiores que o nosso". Você está falando da Espanha, Grécia, Portugal? Eles não são países que sejam considerados exemplos em gestão pública, vamos combinar. Além disso o PIB deles é menor do que do Brasil e eles estão na Zona do Euro, ou seja, com uma moeda sobrevalorizada em relação às suas economias, o que encare seus produtos e serviços. Nosso PIB é baixo comparado com países que tem o mesmo perfil do nosso ! Nesse caso a comparação é legítima.

      "Criamos mais cursos técnico e universidade em 10 anos que nos 30 anos anteriores" - Você está falando das universidades Tabajaras que surgiram nos últimos anos, cursos à distância, etc. O que houve foi uma "flexibilização" no padrão de qualidade dos cursos, o que atraiu a iniciativa privada, com pouco dinheiro do governo, certo? Bolsas do Pronatec e do ProUni dão bastante dinheiro pras escolas e universidades privadas, mas com que qualidade. Veja a quantidade absurda de advogados formados que não passam no exame da Ordem. Imagine em todas as outras profissões. Uma piada.

      Concordo que não temos nenhum candidato bom disputando, mas a atual detentora do cargo já demonstrou que não tem condições de ser presidente, tanto que já surge, no próprio PT, um movimento "Volta Lula". Já pensou? As mina pira...


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  2. O Paraguai é um país liberal e não consta no Ranking? A Somália também. Controle zero do estado.

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    1. Anônimo, Paraguai e Somália liberais? Por que você acha isso? O ranking de liberdade econômica leva em conta diversos fatores que são todos explicados na página, você pode visitar e ver porque estes países não figuram nas primeira posições. Tem o ranking da Fraser Institute (pessoalmente, acho melhor:
      http://www.fraserinstitute.org/uploadedFiles/fraser-ca/Content/research-news/research/publications/economic-freedom-of-the-world-2013.pdf

      E da Heritage:
      http://www.heritage.org/index/
      Sobre a Somália, o país viveu por um tempo sem governo e há diversos estudos mostrando como eles se viraram por lá (e não foi um inferno não), mas hoje voltou ao domínio de um governo.

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    2. Nenhum dos dois tem sistema jurídico sólido de proteção de propriedades pessoais, por isso que não constam.

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  3. Muito bom o texto, muito lúcido e informativo. A liberdade deve ser mais entendida e exercida em nossa meio, em todos os níveis, tanto na liberdade civil como econômica. Na economia a liberdade já demonstrou sua importância e na civil ela esta melhorando, aos poucos, mas está. Ainda não temos liberdade de ir e vir com segurança, de pagar os impostos que usufruímos e o retorno esta muito, mas muito abaixo do montante que é pago. O estado mínimo deve ser uma busca constantes para não atrapalhar a economia. A meritocracia ela é ótima desde que as crianças nasçam em condições iguais, algo impossível tendo como base a grande defasagem de saneamento básico que é promessa a muitos anos pelo governo. Me incluo não nos que tem raiva do PT, mas nos que estão cansados de incompetência da classe governante.

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    1. Obrigado Marco!
      Também vejo a busca por um estado mínimo, que proteja a liberdade econômica e social, como uma bandeira importante e que eu entendo como essencial. Acho que você tocou em um ponto importante que é o do saneamento básico, que, se eu fosse indicar algo que o estado deveria fazer, seria isso, e não é feito. De fato não é ter raiva do PT e sim ter raiva da incompetência e falta de projeto de todos os governos que já surgiram por aqui.

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    2. O estado mínimo só beneficia quem não precisa do estado.
      E a pergunta é, quem não precisa do estado?
      Aliás, reformulo a pergunta, quem não precisa das políticas públicas do estado?
      Estado mínimo é o estado que arrecada muito é minimamente administrado por poucos...

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    3. Anônimo, você diz que só beneficia quem não precisa, e eu digo justamente o inverso, o livre mercado e o estado mínimo beneficia o mais pobre, pergunte para um corporativista se ele quer livre mercado ou desregulamentação? Nem eles nem os lobistas que ganham dinheiro comprando influência governamental. Quando não há quem desequilibrar a balança a tendência é o país ser mais justo e igualitário. Também não sou ingênuo de achar que quem já detêm um poder econômico estabelecido não vai ter vantagem sobre os outros, mas há maneiras de resolver isso. Já citei em outras respostas um ramo do liberalismo que trabalha justamente com isso: liberdade de mercado pensando na justiça social. Cabe perfeitamente na ideia do estado mínimo ou do livre mercado a preocupação com aqueles que precisam do estado. Este pequeno vídeo mostra como mais liberdade econômica se reflete em maior qualidade de vida para todos. Podemos discutir melhor a partir disso.

      https://www.youtube.com/watch?v=7zD1wpx_cgE

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    4. Quanto menos dinheiro controlado pelas elites políticas de plantão, mais dinheiro no bolso de quem realmente produz que é o dito povo. O liberalismo distribui melhor a renda pq cada qual escolhe onde, como e quando gastar seus carminguás.

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  4. Meu querido, desculpe o anonimato, mas as circunstâncias me impedem de revelar meu nome.

    Procurarei ser educado em discordar de você.

    Aliás, nem discordarei, apenas digo que o contrário, menos liberalismo, seria melhor.

    E os fatos falam por si:

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/155476-bolivia-vira-nova-queridinha-do-fmi.shtml

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    1. Não entendi o que você quis dizer com a notícia Anônimo, a Bolívia é exemplo de um país com muita liberdade? Por que você acha que menos liberdade seria melhor?

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    2. Anônimo das 19:17, você prestou atenção em dois trechos do artigo que você sugeriu?
      "...em muitas questões econômicas ele se encaixa em uma tendência mais ampla que se distancia da rigidez ideológica da região".
      "...mas há preocupações. Tanto o FMI quanto o Banco Mundial afirmam que é preciso fazer muito mais para estimular investimentos privados".
      Em outros artigos sobre o tema, pode-se ler coisas assim:
      "Enquanto Morales vê a si mesmo como revolucionário, outros começaram a usar uma palavra bastante diferente para descrevê-lo: 'prudente'".
      "Em relatórios recentes, tanto o FMI quanto o Banco Mundial elogiaram a política macroeconômica 'prudente' de Morales. Grande empresa de classificação de risco, a Fitch Ratings citou sua 'gestão fiscal prudente'".
      Vale dizer que o país está se saindo bem graças a preços relativamente altos do gás natural – o produto mais importante de exportação. O grande mérito de Evo foi e está sendo o de não malbaratar esses ganhos.
      Evo não é exceção. No Peru, o presidente Ollanta Humala passou de esquerdista ardente a centrista. Em El Salvador, os candidatos presidenciais da esquerda também deslocaram-se para o centro para cortejar os eleitores. No Uruguai, o presidente José Mujica, esquerdista e ex-guerrilheiro marxista, adotou políticas econômicas favoráveis às empresas.
      Do meu ponto de vista, todos perceberam claramente o desastre venezuelano e optaram por uma guinada rumo ao centro, um pouquinho mais virtuoso.

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    3. Belo texto Rikardo. Dá gosto de ler opiniões ponderadas e, como se pode ver claramente, especialmente nas respostas aos comentários, citando fontes e disponibilizando links, muito bem fundamentadas. Parabéns!

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    4. Como ex MR8, ex socialista, ex social democrata e atual liberal-conservador (na economia-nos costumes), tive de percorrer um caminho ao mesmo tempo difícil e prazeroso, difícil na medida em que ia percebendo o quanto eram limitadas as minhas visões anteriores e quanto tempo perdi defendendo o indefensável, mas extremamente prazeroso na medida em que um mundo novo de compreensão e entendimento ia sendo aberto para mim. Para outros que queiram trilhar esse caminha, das trevas para a luz, relaciono abaixo as obras que me levaram a esse entendimento.

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    5. ALAIN PEYREFITTE
      "A Sociedade de Confiança"
      ALLAN BLOOM
      "O Declínio da Cultura Ocidental"
      ALEXIS DE TOCQUEVILLE
      "A Democracia na América"
      “O Antigo Regime e a Revolução"
      ALVARO VARGAS LLOSA
      “Manual do Perfeito Idiota Latino-americano"
      "Liberty for Latin America"
      ANN COULTER
      "How to Talk to a Liberal"
      "If Democrats Had Any Brains They'd Be Republicans"
      "Slander"
      ARTHUR HERMAN
      "A Ideia da Decadência na História Ocidental"
      "How the Scots Invented the Modern World"
      ARTHUR KOESTLER
      "O Zero e o Infinito"
      AYN RAND
      "A Revolta de Atlas"
      "A Nascente"
      "The Virtue of Selfishness"
      "Capitalism: The Unkown Ideal"
      Frédéric BASTIAT
      "A Lei"
      "Ensaios"
      BEN SHAPIRO
      "Bullies: How the Left’s Culture of Fear and Intimidation Silences America"
      BERNARD LONERGAN
      "Insight: Um Estudo do Conhecimento Humano"
      BERTRAND DE JOUVENEL
      "O Poder - História Natural de seu Crescimento"
      "The Ethics of Redistribution"
      BRUCE BAWER
      "The Victims’ Revolution"
      CARLOS RANGEL
      "Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário"
      CZESLAW MILOSZ
      "Mente Cativa"
      DAVID HOROWITZ
      “O Filho Radical”
      "Unholy Alliance"
      "The Black Book of the American Left"
      "Radicals: Portraits of a Destructive Passion"
      "The New Leviathan"
      DONALD STEWART JR.
      "O Que é o Liberalismo?"
      EDGAR MORIN
      "Cultura e Barbárie Européias"

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    6. ERIC VOEGELIN
      "A Nova Ciência da Política"
      "Modernity Without Restraint"
      "Order and History”
      ERIK von KUENHELT-LEDDIN
      "A Ameaça da Multidão"
      "Liberdade e Igualdade"
      EUGEN von BÖHM-BAWERK
      "A Teoria da Exploração do Socialismo-Comunismo"
      EUGEN ROSENSTOCK-HUESSY
      "A Origem da Linguagem"
      “Revoluções Européias”
      FRIEDRICH HAYEK
      "O caminho da Servidão"
      "The Fatal Conceit"
      "The Constitution of Liberty"
      "Desestatização do Dinheiro"
      GERTRUDE HIMMELFARB
      "Os Caminhos para a Modernidade"
      "The Moral Imagination: From Adam Smith to Lionel Trilling"
      HENRY HAZLITT
      "Economics in One Lesson"
      HERBERT SPENCER
      "The Man Versus the State"
      HERNANDO DE SOTO
      "The Mistery of Capital"
      HUGH BROGAN
      "Alexis de Tocqueville: O Profeta da Democracia"
      Wilhelm von HUMBOLDT
      "Os Limites da Ação do Estado"
      ISAIAH BERLIN
      "Estudos sobre a Humanidade"
      "Ideias políticas na era romântica"
      "Limites da utopia"
      IRVING BABBIT
      "Democracia e Liderança"
      JEAN-FRANCOIS REVEL
      "A Obsessão Antiamericana"
      JEAN SÉVILLIA
      “O terrorismo intelectual”
      JONAH GOLDBERG
      "Liberal Fascism"
      JOSÉ INGENIEROS
      "O Homem Medíocre"
      JOSÉ OSVALDO DE MEIRA PENNA
      "O Dinossauro"
      KARL POPPER
      "Em busca de um mundo melhor"
      "Sociedade Aberta e seus Inimigos"
      "O Mito do Contexto"

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    7. LEONARD READ
      "Eu, Lápis"
      LESZEK KOLAKOWSKI
      "O espírito revolucionário e Marxismo: Utopia e Antiutopia"
      LUIGI ZINGALES
      "A Capitalism for the People"
      "Salvando o Capitalismo dos Capitalistas"
      LUDWIG von MISES
      "Ação Humana"
      "A mentalidade anticapitalista"
      "As Seis Lições"
      MARK SKOUSEN
      "Vienna & Chicago: Friends or Foes?"
      MICHAEL OAKESHOTT
      "Ser Conservador"
      "Rationalism in Politics"
      "Rationalism in Politics and Other Essays"
      MICHAEL SAVAGE
      "Liberalism Is a Mental Disorder"
      MILTON FRIEDMAN
      "Capitalism and Freedom"
      "Free to Choose"
      MURRAY ROTHBARD
      "America’s Great Depression"
      NIAL FERGUSON
      "Civilization"
      OG LEME
      "Entre os Cupins e os Homens"
      OLAVO DE CARVALHO
      "A Dialética Simbólica"
      ORTEGA Y GASSET
      "Meditações do Quixote"
      "A Rebelião das Massas"
      PAUL JOHNSON
      "Tempos modernos"
      RICHARD PIPES
      "Propriedade e Liberdade"
      RICHARD M. WEAVER
      "As Ideias têm Consequências"
      ROGER KIMBALL
      “Os Radicais nas Universidades”
      ROGER SCRUTON
      "Meaning Of Conservatism"
      "The uses of pessimism"
      ROSE WILDER LANE
      "The Discovery of Freedom"
      RUSSEL KIRK
      "A Era Eliot – A imaginação Moral do Século XX"
      "A Política da Prudência"
      "So Help Me God"
      "The Conservative Mind – from Burke to Eliot"
      "Edmund Burke: A Genius Reconsidered"

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    8. SEAN HANNITY
      "Deliver Us From Evil"
      STANISLAV LUNEV
      "Through the Eyes of the Enemy"
      T.S. ELIOT
      "Notas para a definição de cultura"
      THEODORE DALRYMPLE
      "Spoilt Rotten"
      "Life at the Bottom"
      "Anything Goes"
      THOMAS DI LORENZO
      "How Capitalism Saved America"
      THOMAS SOWELL
      "Os intelectuais e a sociedade"
      "Conflito de Visões"
      ------------------------------------------------
      É isso. THE END

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    9. Dr. Álvaro Junqueira, assessor do Senador LHS, eu lhe digo que não é a quantidade de livros que o senhor tenha lido e sim o que aprendeu com eles que dirá o quem e o que o senhor é.

      No seu caso, da pessoa que não consegue esconder que precisa exacerbar a erudição para qualificar uma opinião, é visto que aprendera muito pouco.

      Aliás, sabemos como funciona a cena politica e que o trabalho dos assessores de políticos mostra mais o que pensa o "chefe" do que o que pensa o assessor.

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    10. Agora que o Dr. Álvaro foi novamente recrutado para se fazer presente por aqui, da mesma forma que o foi quando da eleição do UDO, comecei a ficar com medo que a Dilma perca a eleição.

      Talvez comecem a se repetir os fatos e manobras da "política de terrar arrasada" que o poder econômico associativo joinvilense junto com a "sociedade secreta, iniciativa, sem fins lucrativos" conseguiram implantar.

      É fácil de isso se constatar nas colunas econômicas dos jornalões da cidade, onde, durante a semana, os colonistas não conseguem esconder a quantidade de investimentos que esse país está recebendo e nos finais de semana, direcionam seus comentários para factoides de apagões e crises inexistentes.

      Fica claro esse ajuntamento de interesses (que não sei porque não classificam de quadrilha), quando em SP, com 15% de reserva de água tratada, ainda não fritaram politicamente o incipiente governador do estado.

      O motivo? Politico. Neste caso, proteger o "Geraldo" é a única alternativa para não entregar de bandeja o governo ao PT, e isso, para eles, seria um desastre.

      Voltem para Joinville, quando as manobras do grão mestre conseguiu manobrar para cassar um candidato inocente e alvejá-lo antes de ele conseguir desfazer o ataque midiático gratuito que sofreu. É isso que está se desenhando para este país, e o recrutamento de Álvaro Junqueira é a prova Cabal disto.

      E agora que o desastroso governo tucano do "menos pior", vestido de PMDB (sim, a administração do governo UDO é 100% tucana), está blindado pelo Jornalão citadino, não há alma a se levantar contra esta desastrosa forma de desmantelar a administração pública municipal.

      Os semeadores de vento sempre querem colher tempestade, pois são os únicos que se beneficiam dela. Ou não foi assim aqui em Joinville?

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    11. Olhaê, Anônimo das 10:50. Ele não leu esses livros todos. Cá para nós, o homem é fraquinho intelectualmente falando.

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    12. Obrigado pelos elogios Álvaro!

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  5. Tenho uma teoria que, com leitura da "evolução politica e social" do Junqueira, acabou de se tornar um fato:

    Para transformar um revolucionário em um conservador, basta dar a ele algo que tenha medo de perder!

    Poder, dinheiro, uma casa, um carro....

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  6. Preparem-se, NelsonJoi returned...

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  7. Olha, bem que o Jordi poderia convidar o Dr. Álvaro para escrever por aqui né?! Daria uma balanceada e ai seriam dois cancros a fazer uma junta e equilibrariam melhor o jogo de opiniões do chuva.

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  8. OLAVO DE CARVALHO! Não preciso de mais informação alguma para entender seu pensamento Sr. Álvaro, horas, OLAVO DE CARVALHO...

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  9. Sabe qual é o pior defeito dos que defende o mercado livre? Sempre querem dar seu testemunho, como se fosse um recém batizado ou dando carteiradas, para mostrar que são mais inteligentes e importantes do que as outras pessoas. Política não deve ser encarada como religião, não existe um lado correto de administração, e ela está longe de ser uma ciência exata. Da mesma forma, como alguém consegue convencer alguém de que ela está errada, xingando a pessoa, "chamando ela de pecador?". O filósofo Olavo de Carvalho tem um livro chamado "o mínimo que você precisa saber para não ser um idiota" e outro chamado "O imbecil coletivo". Um pessoa que pensa assim só escuta a voz dentro de sua cabeça, não presta atenção no que os outros dizem.
    Rikardo seu texto é excelente, você tem um pensamento coerente sobre todas estas discussões.
    Hoje acredito que a discussão entre capitalismo e socialismo se restringe ao tamanho da influência do governo no país, a ausência do governo é ruim assim como o controle absoluto. Temos que chegar num consenso sobre qual o tamanho adequado para o Brasil. Isto é complexo, pois existem várias correntes de pensamento sobre qual seria o melhor, tanto nos "capitalistas" quanto nos "socialistas".

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    1. Obrigado Rudimar!
      De fato ter certeza sobre tudo não é algo saudável. O próprio liberalismo também se baseia nessa premissa, já que não imagina uma sociedade ideal, mas sim admira a ideia da liberdade individual. Sou super favorável ao discurso amigável e saudável entre vários tipos de ideologias para que possamos pensar em soluções mais viáveis aos problemas que enfrentamos, o que lamento é que o discurso político hoje parece fugir disso e pensar mais em vender um candidato do que oferecer soluções.

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  10. Sr. Rikardo, Não mencionar em seu VC artigos para essa cloaca eletrônica. Sugiro verificar do que se trata este lixo chamado chuva ácida, ao qual alguns, como eu, ficaram viciados. Fuja enquanto pode.

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    1. Anônimo, não entendi se você foi irônico ou não, mas em todo o caso, publicar um texto aqui foi uma grande alegria para mim, conheço o blog há algum tempo e acho bem interessante, poder contribuir foi uma honra.

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  11. Saiu no Estadão: "Noruega, o país mais próspero do mundo" - http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,noruega-o-pais-mais-prospero-do-mundo,1153141,0.htm

    "(...) o modelo norueguês também tem outro componente: a forte presença do Estado em praticamente todos os campos da economia."

    "Hoje, o Estado controla a petroleira Statoil, o grupo de telecomunicações Telenor, a fabricante de fertilizantes Yara, e o maior banco do país, o DnBNor."

    "O imposto de renda é elevado, atingindo 42%."

    O que os liberais dizem a respeito?

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    1. Bem, já que é para dar esse tipo de opinião, então acredito que devemos transformar o Brasil em uma monarquia parlamentarista já que esse é o modelo aplicado na Noruega.

      Quero ver mandar um exemplo de ditadura socialista com os mesmos indicadores sociais da Noruega.

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    2. Luiz, a Noruega está sentada numa mina de ouro negro e tem uma população menor que a cidade de São Paulo, sendo assim fica bem fácil entender tudo isso. Além disso, a Noruega é quase um condomínio fechado, que faz de tudo para o bem dos habitantes que estão dentro da linha imaginária excluindo os que estão fora dela, ou seja, a imigração para lá é bem limitada, fazendo ser bem possível criar um ambiente de proteção estatal para os noruegueses, assim como um bom síndico pode fazer, se formos comparar com Hong Kong, que não tem nada e mesmo assim é rica e proporciona uma boa condição de vida para seus habitantes (ou pelo menos uma condição de vida melhor que na China continental) e que tem um fluxo migratório grande, podemos perceber que ser um país mais liberal ajuda mais do que ser mais estatal. Mesmo assim, os índices de liberdade econômica noruegueses não são baixos, o que mostra que, mesmo com altos investimentos estatais, o país ainda tem alguns sinais de liberalismo. Também é preciso dizer que sim, é possível um estado grande proporcionar uma boa condição de vida aos seus habitantes, mas é bem mais provável que isso aconteça com um estado mínimo. Segue um artigo publicado em um site liberal sobre o assunto que explica mais:

      http://www.libertarianismo.org/index.php/artigos/milagre-noruegues/

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    3. "Noruega está sentada numa mina de ouro negro e tem uma população menor que a cidade de São Paulo, sendo assim fica bem fácil entender tudo isso." - Se é bem fácil entender, é bem fácil explicar. Explique a relação entre estar sentada em petróleo e ter elevadíssimos índices sociais (considerando que outros países estão em situação semelhante e não apresentam índices tão avançados).

      "(...) a Noruega é quase um condomínio fechado" - Pensava que liberais não curtiam protecionismo, essas coisas que obstam a livre circulação de mercadorias, pessoas, dinheiro...

      Hong Kong não é um país. É uma região administrativa especial da China. E se é para relativizar, HK tem a área de Joinville e a população de uma Noruega e meia.

      "(...) é possível um estado grande proporcionar uma boa condição de vida aos seus habitantes, mas é bem mais provável que isso aconteça com um estado mínimo." - Considerando que a Noruega é o exemplo inverso, essa tua afirmação perde um pouco de credibilidade. Quais seriam os exemplos de países com pouquíssima intervenção estatal e índices sociais comparáveis aos da Noruega?

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    4. Luiz, sério que é preciso explicar? Se outros países que tem petróleo não são tão desenvolvidos como a Noruega é porque são extremamente corruptos, os noruegueses não são, ponto pra eles. No artigo que enviei junto ao comentário tem uma explicação mais detalhada sobre o petróleo na Noruega, leia lá.

      Não entendi o seu comentário "Pensava que liberais não curtiam protecionismo, essas coisas que obstam a livre circulação de mercadorias, pessoas, dinheiro..." não curtem mesmo, por isso disse isso em tom negativo. A Noruega consegue fazer um estado forte funcionar porque suas fronteiras estão fechadas, não por acaso que há nos países nórdicos em geral uma tendência forte à xenofobia, visto que os estrangeiros são vistos como ladrões, assim como moradores de condomínios de luxo enxergam os mendigos que ficam do lado de fora.

      Hong Kong é contado como país em vários índices por ter um sistema diferenciado do da China, um desses índices é o de liberdade econômica. A ilha ter "a área de Joinville e a população de uma Noruega e meia" só mostra o poder que políticas liberais tem, já que lá nem terra tem e mesmo assim consegue ser extremamente rica.

      O modelo norueguês seria extremamente difícil (diria até impossível) de ser aplicado em Hong Kong, já que eles não tem recurso nenhum para distribuir, mesmo países ricos em recursos naturais teriam dificuldades em aplicar esse modelo, visto que os custos seriam enormes e a riqueza deveria ser proporcional, colocando em termos mais claros, se fossemos dividir todo o petróleo da Noruega entre seus habitantes todos ficariam milionários, para que o Brasil pudesse acontecer o mesmo tínhamos que encontrar pré-sais no litoral inteiro. Exemplos? Talvez quase todos os países desenvolvidos no mundo tem em sua história políticas liberais que fizeram o país ter bons índices sociais, e hoje os países que mais se desenvolvem seguem essa linha. Não conheço bem a história da Noruega mas poderia apostar que tem alguma política no seu passado que foi nesse caminho (sem contar que é o 31º país mais livre economicamente do mundo, ou seja, eles não são tão intervencionistas como a reportagem pretende mostrar). Veja o ranking de liberdade econômica (http://www.fraserinstitute.org/uploadedFiles/fraser-ca/Content/research-news/research/publications/economic-freedom-of-the-world-2013.pdf) e compare com o de IDH (disponível por aí) e aí está todos os exemplos possíveis, mas dá pra fazer uma análise rápida e grosseira com dois países próximos: Chile e Venezuela. O primeiro adotou medidas de diminuição do estado e liberalização de setores da economia, o outro aumentou o estado, qual deles está em melhor situação? Detalhe: o segundo também está sentado numa mina de ouro negro.

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    5. Vejamos... poderias explicar a questão da corrupção em outros países sentados em petróleo. A Venezuela, por exemplo, onde provavelmente a corrupção se iniciou com o Chávez, né? As décadas anteriores, de políticas (neo)liberais ditadas por uma oligarquia "santa e justa" não devem contar (para você o mesmo deve valer para qualquer outro país, como o Brasil. Certo?). O caso do Chile então, que era um fantoche dos EUA (haja liberdade nisso!).

      Sobre protecionismo, é algo que os EUA entendem muito bem. Aliás, para eles protecionismo só não é bom quando vem dos outros! A liberdade econômica de poucos é a escravidão econômica de muitos (países africanos e latinos que o digam!).

      Por fim, você não trouxe nenhum exemplo de desenvolvimento social advindo de políticas liberais. Mas exemplos contrários, de retrocessos socais, são fáceis de citar. Vejamos a última crise, de 2007-2008 e seus resultados. Os ricos ficaram ainda mais ricos e os pobres... quem se importa com os pobres? ;)

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    6. um exemplo de desenvolvimento social advindo de políticas liberais é vc ter acesso a computador prá escrever no blog...

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    7. Luiz, desculpe pela sinceridade, mas seu comentário não teve sentido nenhum, você fugiu do tema e ficou bem difícil entender o que você quis dizer com tudo isso, sem contar que falou um monte de clichês, até parece que você estava esperando uma oportunidade para falar isso. Mas vamos lá, vou tentar responder o que eu entendi.

      1) A única coisa que você conseguiu dizer sobre a relação entre Venezuela e Chile mostra que você está bem desatualizado quanto as políticas dos dois países. Dizer que os governos anteriores a Chávez eram liberais só pode ser piada e em nenhum momento elogiei ou critiquei qualquer grupo político, até parece que você não leu nem o meu texto que você está comentando. O Chile é um dos países mais livres economicamente do mundo, a Venezuela um dos menos livres e tem reservas enormes de petróleo. Os índices sociais chilenos são bem maiores que os venezuelanos e uma das coisas que explica isso é a liberdade econômica. Nenhum governo venezuelano se preocupou com liberdade econômica, nenhum.

      2) Países africanos que tem petróleo em abundância são ditaduras, como por exemplo Guiné-Equatorial, agora se quiser saber mais sugiro procurar no Google aí porque eu não conheço a história de todos os países do mundo e mesmo se soubesse não teria espaço aqui para fazer isso.

      3) Você não entrou nem no mérito da questão que levantei sobre a comparação entre Venezuela e Chile, até esqueceu da Noruega inclusive. A Venezuela é um dos grandes exportadores de petróleo do mundo, membro da OPEP, ou seja, em termos de petróleo é uma Noruega latina. Por que então a Venezuela, sendo bem estatista, não consegue ter níveis sociais noruegueses? Se fosse só questão de colocar o estado tocando tudo a Venezuela deveria ser o paraíso, mas não é. Como eu disse, o modelo norueguês funciona lá porque eles tem uma fonte de riqueza para sustentar isso, combinada com uma população pequena e pouca vontade de aumentá-la (sem contar que tem um bom nível de liberdade econômica). Aplicar isso em um país com grande população e sem grandes riquezas só levaria as pessoas à miséria. Países que aplicaram ideias de socialismo provam isso. E aí eu deixo uma pergunta para você, qual país que aplicou ideias liberais e ficou pobre? Não conheço nenhum, se souber me avise.

      3) Não tenho a mínima ideia do porquê você citar os EUA. É óbvio que são protecionistas, todos os países do mundo são em certa medida, o que se mede é que nível é esse protecionismo, o do Brasil é o maior do G20, ou seja, somos piores que os americanos.

      4) "A liberdade econômica de poucos é a escravidão econômica de muitos (países africanos e latinos que o digam!).", essa é frase mais clichê possível e imaginável. Primeiro porque a imensa maioria dos países africanos passam longe de serem considerados liberais, mas o inverso vemos muitos (países sendo considerados socialistas). O que diabos Nova Zelândia, Hong Kong, Austrália, Canadá, Suíça, Ilhas Maurício (na África) e Singapura tem a ver com a "escravidão econômica" de outros continentes? Só para ficar em um exemplo eu gostaria que você me respondesse uma questão: por que a Nova Zelândia é rica?

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    8. (cont.)

      5) A crise de 2008 foi causada justamente por ter uma intervenção estatal na economia, que criou uma demanda que não existia (por casas), trabalhos sobre isso é o que não faltam e economistas austríacos (Escola Austríaca de economia) já falavam sobre o perigo de crise bem antes de estourar a bolha, então você está falando besteira ao dizer que esta crise foi um "retrocesso social do liberalismo", foi causada justamente por algo que os liberais sempre criticam: intervenção estatal na economia.

      6) Luiz, você realmente não leu meu texto, mas enfim, se você quer um exemplo antigo e grande de desenvolvimento social, só peço que veja a luta contra a escravidão no século XVIII, sim, foi um movimento liberal. Mas se você quiser saber mais, mas saber mesmo, no meu texto eu indico vários sites que falam sobre isso, tendo até um ramo liberal que só pensa nisso, os bleeding hearts libertarians, mas para fechar, o liberalismo não fica atrás de bandeiras específicas ou buscando conquistas pontuais, temos os nosso ideais e lutamos para eles serem aplicados. Como o anônimo ali em cima disse, só o fato de você poder escrever aqui já mostra o desenvolvimento social que vem do liberalismo. De onde vem a ideia de liberdade de expressão? Liberdade de consciência? Propriedade privada? Todas conquistas liberais que você com certeza utiliza todos os dias e garanto que lutaria para mantê-los. Não defendemos grandes estados, defendemos indivíduos livres, indivíduos, não corporações. Para ficar mais didático possível (https://www.youtube.com/watch?v=7zD1wpx_cgE)

      Por fim, para não me alongar mais ainda, peço que você se atualize quanto as posições liberais, seguindo os sites que passei (apesar de você não ter lido nem o texto que escrevi, em que afirmei justamente o oposto do que você diz sobre "quem se importa com os pobres" nem o que eu citei sobre a questão da Noruega). Peço que tome conhecimento sobre o que você está criticando e espero que você não fale mais afirmações que mostram que você é um daqueles que só fala clichês.

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    9. Retificando o que eu disse: nós temos bandeiras e lutas pontuais sim, as mais atuais são a favor da abertura das fronteiras (tanto economicamente quanto socialmente), dos direitos dos casais homossexuais, da liberdade trabalhista, da educação livre (separação entre educação e estado), do fim dos bancos centrais, do fim das agências regulatórias, entre outras.

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    10. Rikardo, você ainda esqueceu de citar o argumento mais forte de todos. Por que cargas d'água vamos dar mais controle ao governo, estatizando ainda mais as empresas se não somos nenhum exemplo de governança corporativa? Isso sem falar nos índices de corrupção, legislação retrógrada e impunidade. Dar mais poder e dinheiro ao Estado é aumentar, e muito, o desperdício de verbas públicas e sucatear ainda mais as empresas estatizadas.
      Na Noruega pode porque lá funciona, lá a corrupção é baixíssima e lá o bandido vai preso e não fica erguendo o punho chorando a cantilena de "perseguido político".

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    11. Olha a mentalidade: Se estou ganhando é porque você está perdendo. Ou, se tem alguém ganhando, alguém está perdendo. Lamentável pois na realidade quem ganha é o estado que tira de todos e queima recursos.

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  12. Parabéns pelo texto, ultimamente nem passo perto desse blog pois, com exceção do Jordi, o resto é mera papagaiada de sempre.

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