quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Acabou o Stammtisch, é hora da AnonimosFest...


POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

O tema stammtisch não é a minha praia. Aliás, até tropeço na grafia da palavra. E, se vale o depoimento, a expressão "stammtisch" sequer existia no vocabulário da cidade há 17 anos, quando deixei Joinville. Nunca ouvi falar.

O meu primeiro contato aconteceu há poucos anos, quando fui convidado para um encontro. Achei legal. Mas eu sou fácil de agradar: se tem bebida e comida, eu gosto logo. Só houve um senão. Foi meio difícil engolir o fato de os caras se afirmarem alemães, mesmo sem nunca terem posto os pés na Alemanha. Ok... a cerveja gelada ajuda a engolir essas coisas.

Não sou um especialista em stammtisch, mas a comunicação é o meu habitat. E me dou a liberdade de analisar a repercussão do texto escrito pelo Felipe Silveira. Eu disse "a repercussão", não o texto em si. Mais para falar nos excessos de alguns "anônimos", que emparedaram a discussão com posições claramente terceiro-mundistas. Nunca se sabe o que esperar de pessoas que se escondem por trás do anonimato.

Para começar, deixo aqui um estatement. O texto do Felipe tem um bom insight. É uma abordagem criativa, que foge ao blablablá comum. E, independente do teor, só isso já indicia um bom profissional de jornalismo. Hoje em dia, em qualquer profissão, a criatividade é o grande diferencial.

E por falar nisso, eis a minha primeira referência aos anônimos. Houve um deles que, em tom de ironia, chamou o Felipe de menino estudante. Mas isso diminui alguém? Não. Aliás, a importância que se dá ao diploma é uma das maiores tolices da pequena burguesia do patropi.

É claro que o diploma é importante (estudar é bem mais, claro). Mas o diploma não é uma divindade a ser venerada. Nem pode ser usado como uma afirmação de classe. Não sei se ajuda a entender, mas eu dei aulas numa das maiores universidades da Europa e nunca tive que mostrar um único canudo. Simples. Os caras conheciam o meu trabalho. E o portfólio fala por si.

Outra coisa que arrepia os neurônios é quando aparece alguém a tentar desqualificar o autor do texto com o argumento de que ele é comunista ou socialista. Meus amigos e amigas, vamos deixar isso bem claro. Ser socialista ou comunista só é defeito para quem não evoluiu do estado mental dos anos de chumbo. Ei... e isso foi no século passado e tinha o nome de ditadura. No mundo civilizado e democrático, ser socialista ou comunista significa apenas uma coisa: ter uma posição política que deve ser respeitada. Simples. Não vale como argumento.

Aborrecida também é a paulocoelhização da opinião do anônimo. Tem gente que toma o autor do texto por um pobre coitado e, numa dica de auto-ajuda, afirma que se ele deixar de ser invejoso, a vida começa a correr bem. Inveja? Mas que raios leva a pessoa a imaginar que ser bem sucedido é ter um carrão e roupas de marca? Ou que isso provoca inveja em todo mundo? Ah... Baudrillard explica.

Enfim, há muitos anônimos. E entre eles muitos intolerantes. Tantos que dava para fechar a Visconde e fazer uma AnonimosFest. O problema é que tinha que ser um baile de máscaras, porque essa gente não gosta de mostrar a cara.
Para terminar, ficam dois registros.

1. Há muitos comentários que estão de acordo com a proposta do Chuva Ácida. Sérios, ponderados, propositivos e sem ofensas pessoais. Esses são sempre bem-vindos.

2. Ah... e eu uso Nike. Mas não uso Tommy, porque na Europa é roupa de gente brega. Sinto muito se é uma má notícia.

10 comentários:

  1. Baço foi “paizão”, botou o menino no colo e avalizou a conduta.

    Como pai que sou, até achei bonito, já fiz isto com meu filho. Como empresário, achei importante, pois especialmente em começo de jornada o líder deve motivar a equipe.

    Li todos os comentários do texto “a bolha” e não consigo fazer a mesma leitura do Baço sobre estes.

    Baço disse:

    “O texto do Felipe tem um bom insight. É uma abordagem criativa, que foge ao blablablá comum. E, INDEPENDENTE DO TEOR, SÓ ISSO JÁ INDICIA UM BOM PROFISSIONAL DE JORNALISMO.”

    Se a análise for bem literal... e se considerarmos que um mero “indício” representa muito pouco... até vá lá. Fora isto, tirando a palavra “indicia”, nenhum editor ou chefe de redação de jornal conceituado concordaria com tal afirmação.

    Além disto, achei que o Baço se enalteceu demais visando criar “autoridade moral” para fundamentar sua defesa. Acho até que entrou neste “papo” terciário sobre “menino estudante”, que de mal nada tem, pelo contrário, haja vista até mesmo que grande parcela dos jornalistas dos veículos impressos são estudantes, só para citar que morou na Europa (aos moldes do pensamento “Felipiano”, seria o Tommy do Baço).

    Quanto ao anonimato, são as regras do jogo não são? Se você não sabia quando entrou e esta achando muito difícil... Um jardim sempre florido não você não vai encontrar e pior seria se este Blog ficasse as moscas.

    Sugestão: Um texto sobre os falsos identificados, que acho que foram a maioria nas críticas do texto “a bolha”.

    Mas gostei do texto. Parabéns.

    Ass: Zé das Couves.

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  2. Ok que hoje a homofobia é crime. Mas isto só ocorreu pela mudança de pensamento da sociedade, em evidente evolução. Tirando a criminalidade do fato, em “alhos e bugalhos” mesmo, em brainstorn/tempestade mental, só para fomentar o debate, causando polêmica, mas visando uma polêmica positiva, se substituirmos o “comunista ou socialista” do texto por outro termo, também VALERIA A AFIRMAÇÃO DE QUE ISTO NÃO VALE DE ARGUMENTO? No caso abaixo, usei o termo homofóbico, mas para o exercício que proponho, tanto faz o termo. Poderia ser, machista, feminista, sulista entre milhares de outros.

    Este é parte original do texto do Autor:

    “Outra coisa que arrepia os neurônios é quando aparece alguém a tentar desqualificar o autor do texto com o argumento de que ele é comunista ou socialista. Meus amigos e amigas, vamos deixar isso bem claro. Ser socialista ou comunista só é defeito para quem não evoluiu do estado mental dos anos de chumbo. Ei... e isso foi no século passado e tinha o nome de ditadura. No mundo civilizado e democrático, ser socialista ou comunista significa apenas uma coisa: ter uma posição política que deve ser respeitada. Simples. Não vale como argumento.”

    Este é o mesmo texto, só que substitui as palavras em caixa alta:

    “Outra coisa que arrepia os neurônios é quando aparece alguém a tentar desqualificar o autor do texto com o argumento de que ele é HOMOFÓBICO. Meus amigos e amigas, vamos deixar isso bem claro. Ser HOMOFÓBICO só é defeito para quem não evoluiu do estado mental dos anos de chumbo. Ei... e isso foi no século passado e tinha o nome de SEGREGAÇÃO. No mundo civilizado e democrático, ser HOMOFÓBICO significa apenas uma coisa: ter uma posição PESSOAL que deve ser respeitada. Simples. Não vale como argumento.”

    O texto perde o sentido? Por que?

    Estou refletindo sobre isto... alguém poderia contribuir?

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  3. O anonimato só pode ser por vergonha de identificar-se. Meu sentimento a respeito do comentário da homofobia é de vergonha alheia.

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  4. Meu deus, esse anônimo fumou cocô?

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  5. A repercussão do texto anterior só mostra o quanto o Joinvilense é carente. Tanto de opinião quanto de discernimento.
    Também não aguenta uma crítica, porém para liberar a sua raiva, comenta no anonimato.

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  6. Eu tô AINDA - dez minutos depois da leitura - tentando entender o que o anônimo quis dizer.

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  7. Caro anônimo!
    Que porra é essa???
    Acho que você deferia tomar alguma coisa pra acalmar sua "brainstorn"! Talvez até fumar alguma coisa mesmo!
    Mas o pior é que qualquer um pode ser anônimo.

    @serginho_meurer

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