quarta-feira, 1 de junho de 2016

Questão de tempo

Olha o tipo dos caras. E eles acham que podem com a gente.
POR FELIPE SILVEIRA

A queda de Michel Temer, o Fraco, é questão de tempo. A qualquer dia acordaremos com a notícia da renúncia, prisão ou afastamento das cabeças do golpe, que já tem perdido braços e pernas dia sim outro também. Jucá, Renan, MBL, Fabiano Silveira… É o governo Temer, confiável como um bate-papo informal do Sérgio Machado.

O erro da classe dominante é achar que conhece o adversário quando não o conhece de fato. Acham que a esquerda é petista, que os votos de Dilma vêm de dependentes do Bolsa Família (que eles julgam como coitados), que a televisão constrói a narrativa predominante e que os toda aquela massa verde e amarela que encheu as ruas vai simplesmente fechar com eles. Essa massa não é militância, não é politizada e tem interesses difusos. Não dá pra esperar mais deles do que já foi tirado.

O que eles não perceberam é o tanto que o país mudou. O povo não aceita o retrocesso e está mostrando isso nas ruas e nas redes. Universidade pública, acesso universal à saúde, políticas de inclusão e de direitos para minorias só podem crescer, pois o povo não vai aceitar menos. Pode haver tentativas de retrocessos, mas Temer, o Fraco, não aguenta a pressão.

Nos últimos anos, o que se formou no Brasil foi a multidão. É o termo usado pelos filósofos Michael Hardt e Antonio Negri para descrever o sujeito histórico que vai fazer a história acontecer. Somos nós, os movimentos sociais, as feministas, o movimento negro, os secundaristas, os lgbts, os artistas e intelectuais em defesa da democracia, as organizações comunitárias das favelas e dos bairros, os quilombolas e os indígenas. A classe dominante não pode com essa multidão. A opção fascista, muito menos. Não passarão.

Aproveite as horas no poder, Temer. Estão acabando.

terça-feira, 31 de maio de 2016

A escola sem partido ensina até dedo-durismo


POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO 

O aparecimento da tal “escola sem partido” (em minúsculas) deve ser um dos episódios mais sombrios da história recente do Brasil. E olhem que o páreo é duro, porque nos últimos tempos o país tem caminhado a galope para o obscurantismo. Os conservadores alegam a existência de uma suposta “doutrinação ideológica” de esquerda nas escolas. E o que propõem em substituição? Ora, uma doutrinação ideológica da direita mais atrasada.

Os conservadores vivem um transe que os leva rejeitar tudo o que aponte para a razão, para as luzes, para o esclarecimento (por iliteracia política, confundem pensamento racional com “esquerda”). Não vamos esquecer que os modelos de ensino atuais são, em grande medida, herdeiros do ideário do Iluminismo, que, no seu momento original, falava no uso da razão para fazer evoluir a vida das pessoas. “Tem coragem para fazer uso da tua própria razão”, disse Kant.

Há muita gente a rejeitar a proposta de “escola sem partido”, sob o argumento de que é uma tentativa de impor o pensamento único. Discordo. O que está em jogo é a simples rejeição do pensamento. Ou, passe o trocadilho, a tentativa impor um único pensamento: atacar o que consideram ser a tal doutrinação de esquerda. Mas não estamos a falar da esquerda corporificada num conjunto de ideias. A esquerda dos conservadores é apenas um monstro criado pelas suas mentes supersticiosas.

O “escola sem partido” tem um site muito completo. Não é preciso aprofundar a navegação porque as coisas saltam aos olhos. Há uma rubrica chamada “flagrando o doutrinador” que, com quase duas dezenas de “ensinamentos”, estimula o espírito delator dos estudantes. Ou seja, ensina a ser dedo-duro. Mas quem pode criticar algo que está em plena sintonia com a realidade brasileira? A delação é premiada e os delatores viram heróis nacionais. Faz sentido. É quase um ensinamento de carreira.

Mas não estamos a falar de dedos-duros quaisquer. O site tem outro link chamado “planeje sua denúncia”, onde ensina uns truquezinhos que permitem aos alunos denunciar professores com método. E o mais importante: em segurança e sem correr riscos de passar por um acareamento. “Esperem, se necessário, até sair da escola ou da faculdade. Não há pressa”, ensina o site. O dedo-durismo é um prato que se come frio. Enfim, a “escola sem partido” parece propor uma versão tupiniquim da Caça às Bruxas.

Mas o ponto alto do site é mesmo o filme apresentado como o “tema musical da educação brasileira” (no final do texto). E qual é a música? Uma paródia de “A Banda”, de Chico Buarque (ironia das ironias). Mas a coisa fica ainda mais emocionante. Porque o argumento é de autoria do grande pedagogo Danilo Gentili. O refrão é suficiente para mostrar o que se passa pela cabeça desses grandes intelectuais: “estava à toa na classe o professor me chamou, pra me lobotomizar, me transformar num robô”.

A coisa continua, com frases que servem apenas para ironizar – e rejeitar – nomes como Marilena Chauí, Mikhail Bakunin, Michel Foucault, Paulo Freire ou o próprio Chico Buarque, que não levou nada de direitos autorais (“o autor da paródia se isenta de qualquer remuneração sobre os direitos autorais da mesma”, explica o texto). Enfim, é um daqueles casos em que só cabe uma definição: é a ignorância petulante em ação. O problema é que muita gente leva a sério.

O CASO FROTA  - A desgraça nunca acaba. Eis uma prova factual – e cabal – da rejeição do pensamento no Brasil. Em que sociedade civilizada Alexandre Frota poderia ser considerado conselheiro para a área da Educação? É uma descarada tentativa de doutrinação. Só que a doutrina é o que há de mais atrasado.


É a dança da chuva.


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Deputado diz que pai é exemplo. Hoje o pai foi preso...

POR ET BARTHES

O pai, citado como exemplo de honestidade, foi preso nesta segunda-feira por corrupção. Trata-se do ex-deputado Nárcio Rodrigues (PSDB), preso em Belo Horizonte, numa operação da Polícia Militar, Ministério Público Estadual e Polícia Federal.



Udo Dohler está a ficar sozinho


POR JORDI CASTAN

À medida em que se aproxima a data das convenções, os partidos começam a definir melhor as composições e as alianças. O quadro fica menos nebuloso, mas ainda está conturbado e imprevisível. Não é surpresa para ninguém que o quesito articulação política não é o ponto forte do atual prefeito. E poderá custar muito caro esta falta de intimidade com o tema. Sem poder contar com a experiência e habilidade do senador Luiz Henrique, há poucas alternativas. E deixar a articulação política nas mãos não do atual prefeito parece a melhor delas.

A experiência acumulada nas eleições da ACIJ ou do Sindicato da Indústria Têxtil não servem como referência. Entre as velhas raposas da política o prefeito segue sendo visto como um aprendiz de feiticeiro. Não tem a habilidade, o conhecimento e obviamente carece da capacidade para a tarefa. Não bastasse isso, a sua gestão tem pouco ou quase nada para mostrar. Os aliados de ontem tentam não ver os seus nomes e suas imagens vinculados ao projeto da sua reeleição.

O cenário ficou definitivamente bem mais complexo. Primeiro pelo número de candidatos - caso se confirmem os nomes de todos os pré-candidatos - é praticamente impossível que a eleição possa se definir no primeiro turno. É uma eleição completamente imprevisível. Não há um claro favoritismo do atual prefeito e ter a maquina pública nas mãos não parece tão significativo como já foi no passado. O apoio inquestionável da imprensa local não está conseguindo impedir a influência das redes sociais.

O eleitor tem hoje mais acesso a outras fontes de informação e,  sem esquecer o enorme poder do jornal impresso, da rádio e da televisão, não há como ignorar o desgaste que o prefeito e sua gestão vêm sofrendo pela inoperância do seu governo, pelos problemas não resolvidos e pelas expectativas levantadas durante a campanha. Tudo junto é uma bomba prestes a explodir.

O prefeito tem conseguido convencer o PROS e o PC do B para incorporar-se ao seu projeto eleitoral. Não faltam cargos e secretarias para oferecer em troca deste apoio. Mas não parecem ser suficientemente atrativos para convencer outros partidos. No mais puro estilo toma-lá-da-cá, o prefeito e o seu partido seguem à risca as lições aprendidas na velha política. Repito, velha. Não deixa de ser surpreendente ver o PC do B aliado de Udo Dohler, mas na política brasileira tudo é possível e nada deve surpreender.

Confesso que o dia que ache o primeiro cartaz de campanha em que a foice e o martelo apareçam junto a imagem do prefeito vou fotografar e arquivar para incluir numa futura seção do Chuva Ácida de “acredite se quiser”. Minha imaginação não chega ao ponto de poder antecipar os comentários dos seus pares na ACIJ. Há opiniões desencontradas sobre o peso e os votos que os dois partidos acrescentam a sua candidatura.

A primeira surpresa, ou nem tanto, foi a aliança anunciada entre o PSB de Patricio Destro e o PSD de Darci de Matos. Sem dúvida, um duro golpe para o prefeito que contava com o apoio do seu vice. Muitos eleitores estranharão que o vice-prefeito tenha optado apoiar outro candidato e não acompanhar o projeto de Udo Dohler. Há varias leituras e nenhuma boa para o prefeito e seu projeto. As alternativas vão se reduzindo e construir alianças requer habilidades que não todos tem.


Em breve próximos capítulos desta emocionante história. 



sábado, 28 de maio de 2016

Políticos e politiquices #4

POR ET BARTHES

Há fotografias que os políticos publicam e deixam os assessores de marketing de cabelo em pé. É o caso desta imagem do vice-prefeito. Independente da boa intenção e do carinho pelo bichinho, o certo é que há muito a dizer sobre ela... em especial se for um opositor.