terça-feira, 22 de novembro de 2016

A história de Rosangela Müller e outros idiotas

















POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Rosangela Elisabeth Müller. Reconhece o nome? Talvez não. E se eu disser que é a mulher que confundiu a bandeira do Japão com a bandeira de um Brasil comunista? Aí fica fácil lembrar, né? Afinal, o vídeo publicado pela mulher nas redes sociais é um dos maiores micos que as nossas pobres e cansadas retinas tiveram o desprazer de ver neste ainda insipiente século (aqui).

Mas por que falar na senhora? Ora, porque ela é arquétipo pronto e acabado da estupidez que assola esse enorme circo político chamado Brasil. Rosangela é uma espécie de ponta de lança de um time que se orgulha da própria ignorância e faz da desinteligência uma forma de vida. É claro que esse tipo de gente sempre existiu (todos conhecemos alguém assim), mas as redes sociais criaram o palco onde podem zurzir as suas necedades.

No entanto, quando a esquizofrenia invade a esfera pública é preciso estar atento. Porque essa gente é violenta, anti-intelectualista, irracional e ignorante. Parecendo ser apenas picarescos, são perigosos porque atuam como hospedeiros do vírus do fascismo. Sob a aparência de inofensivos truões, aos poucos vão inoculando esse vírus na sociedade. E não se deve menosprezar o poder de despertar fascismos adormecidos.

A rejeição do pensamento está a viver o seu período de ouro. Os irracionalismos pululam aqui e acolá por todo o mundo. Mas no Brasil a febre está a atingir os estertores. E nem  é preciso ir longe para encontrar as explicações. A história recente mostra que o antipetismo, um sentimento insuflado pelas elites e pela velha mídia, acabou por se tornar uma corrente política. O antipetismo vem recheado de anti-intelectualismo.

Eis o problema. O antipetismo é uma fórmula simplória que, bem ao gosto dos fascismos, desconhece a complexidade da política. Ou seja, há uma sanha simplificadora que obriga a ver tudo em preto e branco, com um discurso construído através de clichês mal amanhados. Tudo isso, claro, mergulhado em boas doses de ódio. E é aí que mora o perigo para a democracia.

Por que Rosangela é perigosa? Porque é uma idiota motivada. É o tipo de gente que vê o mundo com o olhar limitado por viseiras. Aliás, se em tempos de digital fica mais fácil Rosangela se mostrar, também fica mais difícil se esconder. Quem der uma passadinha pelo perfil de Facebook da senhora vai ver uma pessoa a perseguir delírios. A viver simulacros militares (bater continência) e, claro, a admirar o sobrenome “Bolsonaro”.

Há gente a prever que as próximas eleições no Brasil serão entre a direita e a extrema direita. É um risco. E Jair Bolsonaro, representante do que há de mais atrasado em civilização, é um nome a ter em conta. “Não, isso não vai acontecer”, pensarão o leitor e a leitora que ainda acreditam na razão. Talvez. Mas os episódios recentes, em especial no caso de Donald Trump, nos Estados Unidos, são um aviso: se cochilar o cachimbo cai.

Como alguém já disse, o preço da liberdade é a eterna vigilância.

É a dança da chuva.


14 comentários:

  1. Baço, leio há muito suas colunas. Concordo e discordo. Mas eu tomei uma decisão. Quando vejo e escuto alguém dizer estultices, como a defesa de regimes militares, não discuto, nem opino. Parece que a ignorancia cimenta a cabeça do indivíduo.

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    1. O cara que defende um regime militar não deve ter vivido o tempo da ditadura. Se viveu... então tem um tijolo no lugar do cérebro.

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    2. Regime militar só não serve para canalha da tua qualidade josé bacinho

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    3. Juro que nesta hora preferia que fosses um "anônimo". Porque o fato de ver um cretino capaz de dizer tamanha imbecilidade e ainda assinar é preocupante. Tens um tijolo no lugar do cérebro, com certeza.

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  2. É piada isso?!

    Eu poderia usar centenas de exemplos de estúpidos esquerdistas que votaram num partido que governou o país por treze anos, surfou na inflação dos commodities, ganhou muito dinheiro, governou sem oposição por mais de metade do tempo que esteve no poder, foi aconselhado por várias instituições de respeito que não foram ouvidas, de aproximou de tudo que é mais podre na política exterior (de ditaduras comunistas a fascistas), ao invés da educação/saúde/segurança preferiu investir o capital nos grandes empresários e manter o tamanho paquidérmico do Estado.

    Hoje esses mesmos estúpidos esquerdistas exigem que o Estado adote a mesma receita de gastança desmedida que arruinou a economia do país. E mais, exigem que o governo Temer (vejam só!) taxe as grandes fortunas, coisa que o governo “socialista” do PT não fez. Não fez porque sabe as consequências da fuga de capitais, como ocorreu na França recentemente no governo de Hollande. E mais, esses esquerdistas, além de burros, são capazes de assediar adolescentes transformando-os desde cedo em pequenos tiranos que “defendem a democracia invadindo escolas e impedindo a maioria de estudar, para (vejam a coerência!) que os alunos tenham educação”.

    E ainda vem acusar alguém de “idiota motivado”? A tal Rosangela que faltou as aulas de geografia e história ao menos é adulta.

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    1. O título do texto é "A história de Rosangela Müller e outros idiotas". A Rosangela não apareceu nos comentários... só os outros idiotas. Mas no teu caso a idiotia parece ser patológica.

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  3. "O preço da liberdade é a eterna vigilância", saudades da UDN...minto, vc não era nascido, nem no tempo do Thomaz Jefferson.

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  4. Então, Baço, já comprou os toldos e blackouts? E a sombrinha para andar nas ruas?
    Afinal, o Sol pertence ao estado socialista português, nesse capitalismo selvagem (OPS!)

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    1. Anônimo, estás mais perdido que cego em tiroteio. É um comentário típico dos idiotas. Não tem história (porque há um contexto) e quer dizer apenas que só lês os headlines, nunca a notícia. Vai ler, pá! Garanto que não dói...

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  5. É o ódio pelo conhecimento que floresce no país....

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  6. o baço é a velhinha de Adeus, Lênin

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  7. Sim ela foi idiota, mas seria a ditadura tão idiota? Ou melhor seria o desejo de passarmos por um ditadura algo idiota?
    O Brasil vive uma crise? Como resolver essa crise? Qual o remédio para essa crise?
    A esquerda pode bradar, que precisamos de mais democracia, uma reforma política. E coisas do tipo. A classe politica, é capaz de mudar Esse cenário? Fazer essas mudanças? Acreditar nisso é piada.
    Vejamos a Pec 241, umas das críticas da esquerda é que ela aperta as classe de baixo.Mas classe de cima não cortaram na carne seu benefícios. Serão capazes de fazer isso? Pois não se acena nada no horizonte para tal possibilidade. A própria corrupção endêmica nos 3 poderes como pensar que eles podem ser autoregulatórios?
    O wishful thinking seria uma saída pacífica para crise, mas na realidade isso nem sempre é possível.

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    1. Desculpe, mas só li até "mas seria a ditadura tão idiota?"

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