sábado, 28 de março de 2015

Dilma, Lula, Cuba, Venezuela. Tucanos não...

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Leram o meu texto do fim de semana passado? Era sobre a Lista de Furnas, que envolvia políticos de partidos como o PSDB ou DEM. Um tema que, dizia eu, não ia emplacar na grande imprensa. O texto pretendia uma abordagem sobre as linhas editoriais seletivas, pois há órgãos da comunicação social que só gastam tinta quando se trata de detonar o Partido dos Trabalhadores (ao qual não pertenço, devo repetir).

Mas se alguém for ver os comentários ao texto, nenhum desmente ou tenta esclarecer a Lista de Furnas. Tudo o que se fez por lá foi desancar o autor do texto (argumentum ad hominem) e atacar o inimigo de sempre: o Partido dos Trabalhadores, claro. Por que isso acontece? Simples. Porque as pessoas não leem. Limitam-se a ver manchas de texto e siglas partidárias, coisas que tratam como se fossem os emblemas dos times para os quais torcem.

É por isso que nenhum comentário falou em Aécio Neves, José Serra ou Geraldo Alckmin, nomes mais sonantes na lista. Mas falaram em Petrobras, Lula, José Dirceu. É uma obsessão. Essa gente se alimenta dos headlines das revistas e jornalões e não tem capacidade mental para ler texto com mais de 10 linhas (nem 10% deles deve ter lido este texto até aqui).

Esta semana fiz um pequeno exercício no Facebook para testar a capacidade de percepção desse tipo de leitor. É zero. Usei dois exemplos de mentiras espalhadas por aí e que já foram sobejamente desmentidas. Mas o esclarecimento passou batido. Ninguém prestou a atenção e continuou a comentar - e a reproduzir - as falsidades. Um caso foi em relação a uma médica cubana e outro sobre o Bolsa Família. Vejam os fac-similes.

Eis a prova de que os comentadores das redes sociais e da blogosfera são simples boquirrotos. Falam muito e leem pouco ou nada. O leitor e a leitora que chegaram até aqui querem apostar que os comentários a este texto vão passar por Cuba ou Venezuela? E que Dilma e Lula estarão presentes? É fatal. Essas gentes nada letradas devem ter pouco o que fazer na vida e eu dou-lhes a alegria de se sentirem a participar de algo.



15 comentários:

  1. no outro post eu apenas ri do documento falso.
    vc precisa decidir se o yousself é fonte, baço. é ou não é?
    pq se for tenho que te lembrar que ele citou a tua presidente tb.

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  2. Quer dizer que não podemos criticar o PT porque os outros partidos também corrompem? Ainda batendo na mesma tecla, José?

    Quem está no poder? Quem detém a máquina? A Veja, que já fez muito o papel da PF e do MP, um veículo importantíssimo, é criticada porque mostra a realidade dos acontecimentos de quem está na evidência da política nacional. Foi assim com o PRN, com o PMDB, com o PSDB. Quando a Veja delatou o esquema de corrupção que cominou no impeachment de Collor tinha um bando de petistas e estudantes da UNE com caras pintadas nas ruas reclamando a saída de do presidente. Naquela época a Veja não era odiada pelos petistas, estranho...

    A revista Isto É, muitas vezes contrapondo a opinião da Veja, uma dezena de vezes plagiou capas e lançou, na mesma edição, reportagens que colocavam panos quentes nas denúncias da concorrente, não desmentindo, mas diminuindo a ação dela. Na semana da eleição, a tão criticada capa da Veja (Eles Sabiam de tudo!), com reportagens envolvendo as denuncias de Alberto Youssef sobre o Planalto, foi acompanhada pela edição da Isto É com investigações jornalísticas indicando que, de fato, havia relações do Planalto com o petrolão. Quando duas concorrentes convergem na mesma direção...

    Mas quais são, na sua opinião, os veículos midiáticos “isentos” que a população deve confiar? Seriam esses blogs descaradamente de esquerda , raivosos, que atacam a integridade das pessoas (também fazem alterações de imagens que você postou no texto), com faixinha vermelha no topo da página e tudo mais? A Carta Capital? Qual é a sua fonte de atualidades?

    Sim, detesto o PT. Esse partido representa tudo de pior que existe na política brasileira, porque é defendido por pessoas como você. Ninguém defende o PSDB, o PMDB, o DEM, o PSB, todos ficam chocados com a corrupção desses partidos, mas ninguém os defende, embora mantenham alguma simpatia por políticos (honestos ou não) que compõem essas siglas. Os petistas, petistas no armário e esquerdistas em geral defendem a sigla (e todos os políticos que a compõem) com unhas e dentes e fazem questão de demonstrar isso, inclusive em blogs, como um ato honroso da estereotipada e caquética esquerda blasé. “Político dentro da rodinha do PT, defendo! Políticos honestos chutados da rodinha (ou deixados de escanteio, como o Suplicy), vejo-os agora como inimigo.”

    É bom lembrar que quando do outro lado o PT sempre foi uma oposição burra, era contra tudo e contra todos. Essa sigla votou contra a Constituição, contra o Plano Real, contra o Bolsa Escola (que deu início ao Bolsa Família), hoje está na situação se mostrando um partido tão ou mais corrupto do que qualquer outro, e ainda você não admite que a imprensa e as pessoas a critiquem sem antes pesar cada ato de corrupção no país? Poupe-nos!

    Eduardo, Jlle

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    1. Foda. Não é sempre que se encontra um leitor tão intelectualizado. Eu me rendo.

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    2. Que é isso, Baço? Não sou intelectualizado coisa nenhuma, você é! Capacidade de procurar (e achar!) os sete erros em imagens forjadas em discussões de facebook não é pra qualquer um.

      Eduardo, Jlle

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    3. Pois é, a história é maldosa com PT. É aquela velha fábula sobre cuspir pra cima.

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    4. Também leio editoriais. Como este a da Folha, por exemplo.

      "Prescrição, atrasos, incúria e engavetamento beneficiam políticos do PSDB acusados de irregularidades, inclusive no dito mensalão tucano

      A liberdade, como ensina o lema dos inconfidentes, será sempre desejável, mesmo que tardia. Nem sempre se pode dizer o mesmo, contudo, da Justiça.

      Uma decisão tardia pode bem ser o equivalente da iniquidade completa, e um processo que se arrasta sem condenados nem absolvidos só pode resultar no opróbrio de todos –inocentes e culpados, juízes e réus, advogados e acusadores.

      Há um ano, o Supremo Tribunal Federal encaminhou à primeira instância da Justiça de Minas Gerais o julgamento do ex-senador Eduardo Azeredo, do PSDB. Nada aconteceu desde então.

      Ex-presidente de seu partido, Azeredo é acusado de ter abastecido sua campanha ao governo de Minas, em 1998, com verbas desviadas de estatais, valendo-se de empréstimos fictícios.

      Não são mera coincidência as semelhanças desse episódio com o que viria a ser revelado no escândalo do mensalão petista, alguns anos depois. Um de seus principais personagens, o empresário Marcos Valério, havia sido também responsável pelo esquema tucano.

      Apesar de inúmeros adiamentos e dificuldades, o caso petista foi julgado no STF. Natural que inspire movimentos de revolta e consternação o fato de que, embora ocorrido alguns anos antes, seu equivalente tucano continue a repousar no regaço da Justiça mineira.

      Correndo inicialmente no Supremo, uma vez que parlamentares como Clésio Andrade (PMDB) e o próprio Azeredo figuravam entre os implicados, o processo teve de ser enviado à primeira instância: os réus tinham renunciado a seus cargos no Congresso.

      A decisão do STF, remetendo o caso a Minas Gerais, foi tomada em março de 2014. O trajeto de Brasília a Belo Horizonte consumiu cinco meses. Em 22 de agosto, o processo chega à 9ª vara criminal. Era só proceder ao julgamento; nenhuma instrução, nenhuma audiência, nada mais se requeria. Que o juiz examinasse os autos.

      Juiz? Que juiz? A titular da vara aposentou-se em janeiro; não se nomeou ninguém em seu lugar.

      Havia –e ainda há– pressa: alguns réus, dentre eles Azeredo, podem beneficiar-se da prescrição; outros envolvidos já escaparam por esse motivo.

      A lentidão mineira se soma ao caso de entravamento da Justiça ocorrido em São Paulo, para benefício de outro político do PSDB.

      Por três anos, um desembargador retardou o exame de irregularidades na gestão do hoje deputado estadual Barros Munhoz à frente da Prefeitura de Itapira. Veio a prescrição, e as suspeitas sobre crimes como formação de quadrilha e omissão de informações nem chegaram a ser julgadas.

      Não se trata, claro está, da “liberdade ainda que tardia” ostentada na bandeira de Minas Gerais. Entre essas figuras do PSDB, “impunidade na última hora” há de ser lema bem mais adequado".

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    5. A eterna rivalidade entre petistas e peessedebistas. “Se é contra o PT, é do PSDB!”

      Votei em Aécio Neves pelo conjunto da obra, pela alternação de poder e pela coerência nas propostas, não tenho simpatia nenhuma pelo cidadão. Votaria tranquilamente em Marina da Silva se ela fosse para o 2º turno. Votaria em qualquer concorrente de Dilma, porque esta mulher é uma incompetente, cercada de incompetentes de marca maior. Outro detalhe: o mensalão tucano (que é mineiro!) e o trensalão (que não é apenas tucano!) e tantas outras falcatruas que supostamente o PSDB está envolvido, não causaram tantos estragos quanto o mensalão petista e o petrolão estão causando. A justiça funciona sim, mas ela mais veloz quando envolve gigantes quantias de dinheiro público desviados. E tem o BNDES ainda, quando abrirem essa caixa de Pandora...

      Eduardo, Jlle

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    6. Mudar o foco para a leniência da justiça não diminuirá o envolvimento do partido dos trabalhadores na maior operação de desvio de dinheiro público da história.

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  3. Tá sobrando tempo, hein Baço? O dia que crescer quero o mesmo para correr atrás de postagens com imagens falsas plantadas pelos coxinhas.

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    1. Há alguns anos fiz um curso de "gestão do tempo". Acho que deve ter funcionado.

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  4. Muito engraçado...Pensei que ao menos eles liam antes de soltarem o besteirol...

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