terça-feira, 17 de março de 2015

Questionamentos, explicações e decisões


POR FELIPE CARDOSO

Alguns questionamentos:

Quantos negros já seguraram um microfone e quantos já seguraram uma câmera?

Quantos negros já seguraram um diploma e quantos já levaram algemas nos punhos?

Quantos negros já desfilaram na passarela e quantos já entraram em sacos do IML?

Quantos negros já andaram com carro do ano e quantos negros já andaram de camburão?

Quantos negros possuem mansões e quantos negros possuem barracos?

Quantos negros frequentam o centro e quantos negros frequentam a periferia?

Quantos negros têm na política e quantos negros têm atrás das celas?

Quantos negros são protagonistas e quantos são subalternos nas novelas?

Quantos negros carregam sombrinhas e guarda-sol para proteger apresentadores brancos e quantos negros são apresentadores?

Quantos negros aparecem em publicidades e quantos negros estampam as páginas policiais?

Quantos negros possuem propriedades e quantos negros fazem parte do MST e MTST?

Quantos negros são patrões e quantos negros são funcionários?

Quantos negros são médicos e quantos são garis?

Temos que analisar e combater tudo isso diariamente e ainda enfrentar o mantra dos brancos nos chamando de “vitimistas”, “vão trabalhar”, “meritocracia”.

Eles faltaram algumas aulas de História e perderam muitos assuntos sobre o período escravista e pós-escravista. Eles não admitem que as consequências desse terrível período duram até hoje.

Eles não lembram que o Brasil foi o último país a sair desse sistema assassino (1888) e, mesmo após sair, não ofereceu nenhuma estrutura para os negros sobreviverem. Sem direito a saúde, educação, moradia e trabalho o negro continuou à margem, sem direitos e sem voz.

Depois de anos lutando para ganhar o que nos foi negado, até mesmo os direitos básicos, temos que ouvir ainda que “o racismo acabou”.

Na verdade eles não sabem nem o que é racismo.

“O racismo é um sistema de sentidos material e histórico, não é subjetivo. É um modo de organização social em que uma ‘raça’ se sobrepõe a outra, se afirma como paradigma, se naturaliza como regra e oprime as demais. O racismo não é algo subjetivo, individual, que se manifesta entre pessoas. Ele está estruturado e inserido na sociedade, na forma como ela se organiza e se reproduz, no mercado de trabalho, na mídia, entre as vítimas da violência, entre o público do sistema carcerário, entre os pobres em todo o mundo, entre os proprietários e os não proprietários” (Fran Vasconcelos).

E o racismo se naturalizou no Brasil justamente porque ele é negado. As pessoas não assumem o racismo, assim como não assumem a homofobia e o machismo. Assim, fica tudo maquiado, mascarado, parecendo que o mundo é perfeito… Para eles, lógico. Mas quando resolvemos colocar o dedo na ferida, os opressores tentam, de todas as formas, transformar os oprimidos em opressores para manter o status quo e não perder seus privilégios.

Eu vejo racismo em tudo porque, infelizmente, ele ainda está em todos os lugares.

A segregação racial ainda existe e os únicos que fazem “vitimismo” são os próprios brancos que ficam desesperados quando se sentem ameaçados a perderem seus privilégios.

A decisão é única: fortalecer e propagar o Movimento Negro e todas as suas vertentes. Lutar contra o genocídio da população negra, conquistar mais representatividade na política, criar medidas para acabar com as injustiças sociais, incentivar a conquista do poder para o povo.

Vamos mudar essa realidade, com ou sem seu “mimimi” opressor. Vamos cobrar cada centavo da nossa “MERITOCRACIA” de 400 anos de trabalho forçado.

7 comentários:

  1. Jesus, Maria, José!

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  2. o hino do chuva acida

    https://www.youtube.com/watch?v=MqQq_ykY_j0

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  3. onde deposito meu centavo, felipe?
    se com isso vc parar de falar merda, na boa, eu pago o centavo.

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    1. Não vamos nos calar. Pode chorar, gritar, espernear... Economize esse centavo e compre bons livros de História. Abraço.

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  4. Nossa! Quanta raiva! Quanta bobagem! Os negros merecem uma voz, uma defesa e o Brasil tem sim uma dívida histórica com eles. Agora, se dependermos dessas palavras que só transmitem ódio para mudar a situação dos negros, estamos perdidos.

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