terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O gerente em tempos de crise

POR JORDI CASTAN

A cada dia surgem novas informações, e mais precisas, sobre a situação financeira da prefeitura de Joinville. É importante que se diga que, do mesmo modo que acabaram não se provando todos os milhões da divida divulgados em 2008 pelo novo governo, também há uma possibilidade que não se confirmem todos os valores divulgados agora. Mas é um fato é inequívoco: o valor da dívida aumentou nos últimos quatro anos. E a situação é pior que antes.

É justamente para administrar Joinville em tempos de tempestade que a maioria do eleitorado votou em Udo Dohler. O seu perfil como gestor e empresário levou muitos eleitores a fazerem uma escolha absolutamente racional: votar em alguém que soubesse ler um balanço, que já tivesse administrado uma empresa em situações difíceis (muitos esquecem que a Dohler nem sempre teve resultados positivos). Chegou a hora de pôr à prova a perícia do timoneiro. Ver a sua habilidade para levar a bom porto a nau desgovernada que tem sido esta cidade nos últimos anos. Aliás, é bom que se frise não ter sido só nos últimos quatro anos.

Todos nós nos achamos bons marinheiros em águas calmas, sem vento e sem ondas. Quando o vento aumenta, quando a escala Beaufort se encontra acima de 7 graus, é bom tirar os meninos do leme e poder contar com um capitão experiente. É provável que o capitão esperasse uma travessia mais tranquila, com mar mais calmo e no máximo uma brisa suave.

A situação de Joinville com receitas em crescimento e despesas fora de controle, tem tudo para piorar. O quadro generalizado de baixo crescimento econômico no país projeta redução das receitas públicas já no curto prazo. As despesas, porém, continuam aumentando, como se não houvesse amanhã. O custeio da máquina pública não conhece o bom senso e não sabe o que é diminuição de despesas. O trabalho do prefeito e da sua equipe é o de secar gelo.

Países europeus, que até ontem eram considerados ricos, hoje enfrentam uma crise econômica que os obriga a reduzir salários e benesses do funcionalismo público. A situação é tão grave que há também redução do número de funcionários e corte em serviços públicos estratégicos como saúde, educação e segurança. Aqui, no Brasil, e em Joinville concretamente, a sensação é que nada disto vai acontecer e que o baile e a festa devem continuar.

Atrasos de salários, falta de investimentos em infraestrutura ou de recursos para saúde, esporte ou educação não deveriam parecer algo tão distante da nossa realidade. E a experiência do timoneiro pode ajudar a controlar o temporal. Resta só ver como a tripulação vai responder ao desafio.

Escala Beaufort para estabelecer a velocidade do vento

16 comentários:

  1. Por esta e por outras que os 400 metros de asfalto por dia e a ponte de 1 bilhão de reais vão ficar para o próximo mandato...

    Nelsonjoi@bol.com.br

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    1. Somente corrigindo:
      - São 200m de asfalto por dia!!! Mesmo assim, é "infazivel".

      - A ponte, no orçamento inicial, custaria 200 milhões!!! O problema é que em Manaus foi feita uma com as mesmas condicionantes e custou 1 Bilhão. Também é promessa "incomprível".

      E hoje, 21-02-2013 começou a cair o castelo de areia. Udo da entreveista no AN dizendo que não vai cumprir a meta de asfaltar 200 metros de asfalto por dia!

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    2. Caro Anônimo,

      Pouca gente se toma a moléstia de analisar minimamente os números apresentados e por isso não percebem do irreal e fantasioso das promessas feitas pelos políticos durante a campanha.

      Nada melhor que uma boa dose de realismo pós-eleitoral

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  2. Acho temerário o SEU UDO recorrer ao GOV para obras em JOI , em floripa o barco tá fazendo água , as máquinas estão paradas e o timão não funciona , faz tempo !!!

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    1. É possível, ainda que improvável que o prefeito não tenha ainda aprendido a diferenciar entre as promessas de politico que oferece R$ 14 milhões e os compromissos entre cavalheiros que depois de feitos são cumpridos.

      O resultado de um erro de avaliação neste sentido pode ser desastroso.

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  3. O problema é que além disso tudo o período de pior crise da Dohler foi justamente a presidencia do sr. udo que foi escorraçado do local pelo próprio irmão que teve de retomar as rédeas para a empresa não quebrar...

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  4. Não acredito que um GESTOR PRIVADO seja um bom GESTOR PÚBLICO pois as variáveis administrativas são bem diferentes.
    é a mesma coisa que um ótimo adm da indústria automobilística ir para a farmaceutica , a alimentícia , etc... as variáveis de mercado mudam ...
    um balanço privado é bem diferente de um balancete na gestão pública...
    Baixar custos conforme o fluxo de caixa na indústria é muito mais fácil do que baixar custos num orçamento engessado da adm. pública.

    diga-se de passagem um hospital conveniado que tem a conta cliente como algo certo a receber , não é a mesma coisa que um hospital SUS onde a conta paciente não tem importância alguma !!!!

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    1. Tem razão. As variaveis são completamente diferentes, e os entraves burocráticos, jurídicos e administrativos são absurdamente maiores. Vale lembrar que esses entraves eram bem menos significativos num passado já distante.
      Mesmo assim, ainda prefiro mil vezes um gestor privado a um gestor público.
      Até porque gestores públicos de verdade são muito raros. A maioria dos que estão aí hoje, é composta de políticos incompetentes, corruptos e apadrinhados.

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    2. Acho que um GESTOR já representará um avanço.
      Nada desta conversa de gerentona, que nunca gerenciou de verdade nada.

      Que o público é diferente e mais complexo, travado e menos eficiente isso é verdade. Mas para quem tem sido governado durante décadas por gente sem a menor experiencia em gestão, acho que avançamos muito.

      O desafio esta posto, agora vamos ver o resultado.

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  5. Ok, daqui a menos de 4 anos teremos novas eleições.
    Vamos cobrar e se não pontuar, pontuamos nós nas urnas.
    E por favor siglas partidárias, nos apresentem bons nomes!

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  6. Gostei do "gerentona"....
    Acho que sei quem é...rssss
    Se bem que tem mais de uma.

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  7. Jordi, em alguns seguimentos não existe mudança nenhuma, somente uma dança de cadeira e se falta alguma é simples fabrica outra.
    E ao mudar somente de compartimento do navio não vejo como mudar seu rumo, pois significa que já estavam errando desde sempre, muda-los de local é seguir no erro....então para o barco afundar é só uma questão de tempo.

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  8. Jordi,

    além de pedir dinheiro pro GOV pra "Saúde" em vez dos JASC , foi a Brasília pedir dinheiro pra Arena e pros Ginásios ... recebeu um "aceno" do ministro (deve ter sido um sinal tipo assim : balanço da cabeça no sentido horizontal da esquerda para a direita , repetidas vezes)

    Este GESTOR está se especializando em pedir dinheiro em locais onde não há !!!
    que tal voltar pra casa e planejar algo com o que tem !???

    não adianta , não existe milagre !!!

    logo logo calma do povo acaba !!!
    a Lua de mel passa !!!
    os funcionários entram em greve !!!

    pra mim o horizonte é meio nebuloso !!!
    du grego

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    1. Du Grego,

      De novo afinado e bem afiado.

      :-)

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  9. Todos sabíamos da situação precária da prefeitura de JLLE! Inclusive o excelentíssimo prefeito!
    Não vejo nada de muito novo neste governo UDO, muitos dos seus secretários foram da Gestão Tebaldi, inclusive em áreas prioritárias como a fazenda e a saúde. Será que o UDO fará tanta diferença assim com as mesmas pessoas? Creio que não!
    Gestão não é bater na mesa e muito menos só reduzir custo (isto conta, mas não é gestão)! Pra mim, o Udo nunca foi gestor, ele é uma grife, uma marca e por trás sempre houveram pessoas de extrema competência! A gestão é irmã da inovação e sinceramente falando, a inovação passa longe do Dr Udo.
    Andy

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    1. Caro Anônimo,

      Obrigado pelo seu comentário, compartilho a mesma percepção tanto sobre o que é e o que deve ser gestão. Sinto tambem que há muito trabalho para ser feito.

      O tempo dirá se o perfil do gestor é o adequado a situação que Joinville enfrenta.

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