quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Respeito acima de tudo: inclusive pra bandido!

POR FERNANDA POMPERMAIER

Uma das primeiras coisas que se nota ao vir para a Suécia (ou qualquer outro país escandinavo: Noruega, Finlândia e Dinamarca) é o respeito à vida.

Qualquer situação que possa representar perigo de morte é tratada com extrema seriedade. Fiquei impressionada a primeira vez que vi o tamanho do circo montado numa rodovia para avisar que adiante tinham pessoas trabalhando. Luminosos gigantescos piscando no centro da pista, cones, desvios, novos luminosos e depois de 500 metros apareciam os trabalhadores. Tudo "provisório" para ser retirado depois de 2 ou 3 dias, mas se oferece risco à vida das pessoas, vale todo o esforço.

Vida aqui é assunto muito sério e claro, é assim também com presidiários.

Os países escandinavos são referência no mundo em recuperação de presos. A percentagem de reincidência é de aproximadamente 20%, muito menos que os 55% da Inglaterra ou 60% dos Estados Unidos, (o que dizer do Brasil?). Se acontece um crime, o olhar que essa pessoa recebe das autoridades é que algo de errado aconteceu no passado para ter agido dessa forma, então vamos trabalhar para resolver. Parte-se do princípio de que essa pessoa só terá respeito por si mesma e pelos outros, a partir do momento em que as pessoas que se relacionam com ela demonstrarem respeito à ela.

De acordo com o site do sistema criminal sueco, em 2011, haviam 9463 presos no país, este com pouco mais de 9 milhões de habitantes, o que significa aproximadamente 0,10% da população. No Brasil, segundo esse artigo da BBC  são 500 mil pessoas presas e um déficit de 200 mil vagas. Considerando os 500 mil temos 0,25% de toda a população brasileira presa, ou seja, proporcionalmente temos quase 3x mais presos que na Suécia. E olha que as estatísticas na Suécia são confiáveis, diferente do Brasil. Além de que, o fato de prendê-las não significa menos criminalidade nas ruas, como sabemos bem. Aqui é comum ver mulheres andando sozinhas nas ruas à noite, fazendo caminhadas até em espaços mais vazios como parques e pequenas florestas.

A base do sistema criminal sueco está em: trabalho, educação e formação.
Os presos tem uma rotina fixa e organizada, acordam cedo, lavam suas roupas, cozinham sua comida, trabalham, estudam, tem acesso à biblioteca, espaço para visitas, acompanhamento com psicólogos, tudo com o objetivo da reabilitação e o retorno à sociedade.
O sistema criminal entende que a privação da liberdade já é uma pena suficientemente dura para qualquer ser humano.

Dispensável dizer o que eu penso do sistema (vergonhoso) penitenciário brasileiro ou, no nosso caso específico, catarinense. O video que foi ao ar pelo site do ANotícia e a especulação de que os atentados tenham sido uma reação dos presos aos mau tratos sofridos na cadeia são de embrulhar o estômago.

A polícia desrespeita o preso, o criminoso desrespeita o cidadão, o cidadão perde o respeito pela polícia e a gente vive nesse jogo de insegurança apontando dedos para culpados sem encontrar soluções.

Ainda acho que a prevenção é o melhor remédio: educação, programas sociais, assistência, respeito, inclusive para quem cometeu algum crime. A distância entre ser um criminoso ou um "cidadão comum" parece grande, mas não é não, podemos facilmente estar do outro lado das grades (ninguém aqui baixa música/filme na internet? isso é crime).
E se um dia cometermos algum delito também vamos querer ser tratados com respeito, não é?

A primeira imagem abaixo é da cadeia que fica na minha cidade, por sinal, próxima ao centro.
As outras retirei do site do governo.


Cadeia de Helsingborg
Uma cela
Espaço de trabalho.
Sala de visitas adaptada para crianças.
Cozinha
Corredor de acesso às celas.
Sala de estar .
Fonte: http://www.kriminalvarden.se/sv/Startsida-Barnsidor/Bilder/Bilder-fran-ett-fangelse/

13 comentários:

  1. suécia X brasil ?! kkkkkkk

    Acho hilário ver essas comparações do país sub-desenvolvido e sub-administrado com os países de 1° mundo, é tipo eu querer comparar economia e conforto do meu velho fusca com os carros novos ...

    Seguinte Fernanda, é só mandar alguns parlamentares brasileiros pra suécia, que lá vai "desgringolar" em menos de 1 década! kkkk

    E infelizmente não adianta muito ficar fazendo "protestinho" pelo brasil porque o povo daqui tem uma cicatriz ferrenha da época da ditadura e acha que a atual democracia é "tudo de bom" para esse país porco redigido pelos interesses da câmara/oab/e outros escalões da nata social ...

    ...E protestar porque?! brasileiro só se preocupa com o próprio rabo,carnaval e futebol! e é assim que a grande mídia doutrina a massa...

    AHH, detalhe: quer fazer uma comparação mais adequada? por favor compare o presídio industrial de JLLE(modelo no brasil) com os outros presídios estaduais! Aqui sim pode ser usado de comparação nacional! o preso tem que trabalhar pra conseguir dinheiro pra pagar os consumíveis dele enquanto se recupera!

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  2. Muitio arrego lá....

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  3. Ué, kd o povo falando que a culpa é da prefeitura? Ah, esqueci, estão ocupando cargo na prefeitura, qua qua qua qua

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  4. Vou me mudar para um presídio da Suécia. Vivem melhor do que eu.

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  5. Muito bom o artigo, é um caminho longo para o Brasil, mas não impossível

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  6. Seriam ferraduras que os condenados estariam fabricando ? ( foto legendada como espaço de trabalho )

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    1. Parece que sim, Dirk. Nao duvido. Eles aprendem a fazer trabalhos bem variados.

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  7. Ok, tudo lindo, tudo muito bom!
    Mas continuo a dizer que a idade penal precisa ser revista! :)

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  8. Se os presos adultos sao tratados como bem sabemos no Brasil e nao se recuperam, de que adianta acrescentar adolescentes e criancas nesse numero?

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  9. Um ótimo modelo a ser seguido. E concordo com vc: respeito ao próximo acima de tudo, independente de qualquer coisa. As vezes, essas pessoas que cometem crimes, são as que mais precisam de apoio.

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  10. O que os policiais fizeram em Joinville é inadmissível. Mas lidar com bandidos é uma tarefa muito difícil. Deu chance pra eles (modo geral) e já era...

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  11. Artur Queiroz de Sousa9 de fevereiro de 2013 09:03

    Gostei do artigo e achei muito oportuno. Não creio que consigamos chegar ao nível dos presídios suecos, mas com certeza, darrmos reabilitação aos presos, fazer com que eles façam sua propria comida, dê a eles instrução e orientação psicológica, receber dignamente suas visitas, é no mínimo humanizar os presídios. A parafernália que se usa, para oprimir, humilhar, e maltratar os presos, é que provoca maior revolta, e com isso a sociedade volta contra sí mesmo toda essa ira e revolta, e o ciclo persiste. Parabéns pelo trabalho.

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