segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Manual do bom manifestante

POR JORDI CASTAN



Nestes dias Joinville tem vivido a manifestação do pessoal do MPL. Os moradores do Itinga também se manifestaram contra a falta de água, interrompendo a circulação de veículos na SC 301. Moradores de diversos bairros têm se manifestado contra o estado lamentável de ruas e logradouros públicos. Os rolezinhos são um novo modelo de manifestação.

Estas manifestações legítimas têm servido para que diversos setores da sociedade se posicionassem a favor ou contra. Alguns acharam as manifestações violentas. Queimar pneus, atirar ovos e tomates ou interromper o trânsito é visto como extremamente violento em Joinville. E deixar um bairro sem água por semanas ou aumentar preços e tarifas acima da inflação não parece que preocupe tanto o joinvilense médio. Há quem tenha proposto outras formas de protesto que sejam menos perturbadoras a sociedade. Aliás, o ideal seria que nem houvesse protestos e manifestações.

Depois das manifestações multitudinárias de junho de 2013, em que o povo se lançou às ruas para, num grande evento folclórico popular, protestar contra tudo e contra todos, parecia que a rua fosse transformada no espaço democrático para que a sociedade se manifeste e possa se expressar estava definitivamente aberto. Sabemos hoje, como já era previsível, que a falta de foco e de uma pauta concreta de reivindicações trazia no seu bojo o esvaziamento do movimento.

Para os movimentos que fazem das manifestações uma forma de reivindicação e para os que ainda não tem experiência nesses temas, a editora Chuva Ácida acaba de publicar o Manual do Bom Manifestante, exclusivamente em versão digital.

O Manual do Bom manifestante é uma ferramenta imprescindível para quem quer fazer da rua o seu espaço de reivindicação e manifestação política. Entre os temas abordados com seriedade e conhecimento um dos mais interessantes é:

- Com que roupa eu vou?

Manifestantes experimentados recomendam roupas cômodas, preferivelmente com cores claras no verão e roupas mais escuras na temporada outono-inverno. A Hering lançou uma coleção de camisetas básicas para manifestações. A empresa oferece estampas personalizadas de acordo com o motivo da manifestação e para pedidos superiores a 500 camisetas, a estampagem é gratuita. Entre as imagens mais comercializadas está a de Che Guevara, que continua como campeão de vendas. As de Mao Tse Tung, praticamente  desapareceram do mercado, mas ha uma volta das imagens de Marx, tanto Karl, como Groucho. Não se recomenda usar camisas polo, e menos ainda se forem Lacoste, Tommy ou Ralph Laurent.
Se o tema é calçado, a dica é um calçado cômodo. Militantes mais aguerridos não dispensam um All Star, mas há também muito Nike. Evite marcas como Puma ou Adidas e nada de usar salto alto, não é adequado e pode provocar lesões no caso que seja preciso correr. Havaianas tampouco são recomendadas apesar da sua imagem popular.

Que cores usar?

O tema da cor está muito vinculado à moda e tendência. Há os clássicos. Nenhum mais forte que o preto e o vermelho. Sempre fica bonito que uma manifestação que se preze tenha algumas bandeiras e faixas. No caso de Joinville a escolha do vermelho e do preto tem vantagens adicionais por serem as cores do JEC. Assim que não é difícil encontrar peças de tecido com essas cores no mercado local.
Alguns movimentos específicos têm as suas cores próprias que os identificam, como o arco íris dos coletivos GLS, ou o roxo feminista, ou o verde dos ecologistas. Assim, antes de participar de alguma manifestação não deixe de informar-se de quais as cores mais recomendadas.

Tecnologia. Como usá-la ao seu favor?

Para quem quer participar ativamente de manifestações e movimentos populares há disponíveis bons aplicativos, tanto para iPhone como para Android. Há aplicativos para informar sobre os itinerários das manifestações, dos locais de concentração, dos horários de início e fim, de quais manifestações tem mais homens ou mais mulheres. Aplicativos permitem escolher a musa da manifestação e o Manigram permite publicar online as imagens mais violentas da repressão policial.
A tecnologia permite também convocar e desconvocar manifestações, twittar, facebucar e usar todas as redes sociais para que aqueles que preferem acompanhar os movimentos desde o conforto do sofá e do ar condicionado não percam um único lance e possam fazer também seus comentários.
Uma boa pedida são as câmeras Gopro, que permitem gerar imagens de alta definição e resistem a impactos. Assim é possível ter imagens de alta qualidade de cada manifestação que podem ser colocadas em Youtube.
Há aplicativos que permitem avaliar as manifestações, dar pontos e escolher as melhores, as mais divertidas, as melhor organizadas, aquelas para manifestantes mais curtidos nas batalhas e as recomendadas para quem é viciado em adrenalina.

Banners, faixas e cartazes

Uma boa manifestação deve ter bom material de apoio, faixas, banners e cartazes, mas não só. São importantes palavras de ordem, cantos e um que outro golpe de efeito. Um Batman ou um Superman sempre alegram qualquer manifestação. Claro que nenhum super herói tem como concorrer com o apelo das meninas do Femen. Colocar algumas jovens com os seios ao ar é sucesso garantido e a possibilidade de ganhar a capa de algum jornal local é maior que a iniciativa de queimar alguns pneus.
Para manifestantes profissionais há bons sites de compras coletivas que permitem obter bons descontos na compra de banners e faixas.

Como se comportar?

Manifestações são bons lugares para paquerar. Há muita gente com tempo para uma conversinha. Sempre se conhece gente interessante, com boa conversa e não será difícil achar alguém que esteja "a fim de...". Um problema nas manifestações é que sempre pode aparecer algum político que queira sair na foto. Neste caso, é bom prestar atenção e, a menos que você forme parte dos denominados "papagaios de pirata", é recomendável se manter afastado deste tipo de gente.

Participar de uma manifestação faz bem a saúde?

É bom lembrar que as manifestações, diferentemente dos rolezinhos, se realizam ao ar livre. Como se caminha bastante e, se não houver contratempos, podem ser um bom exercício. Há sempre um risco de ter que sair correndo, ou de levar gás pimenta no rosto, mas em geral aqui em Santa Catarina as manifestações são bastante pacíficas. Há quem leve um lanche e aproveite a oportunidade para fazer um piquenique.

O que fazer e o que evitar?

Cada sociedade tem costumes que devem ser respeitados. O que na Europa seria visto com total normalidade, em Cuba ou na Coreia do Norte pode ser duramente penalizado. No caso de Joinville é preciso ser cuidadoso. Joinvilense tem dificuldade para lidar com os direitos dos outros e qualquer manifestação é vista com receio pela maioria da população. Questionar o "status quo" é um ato de ousadia extrema. Assim, queimar pneus ou interromper o trânsito é equiparado pelos setores mais conservadores da sociedade a atos de violência que requerem uma forte reação policial. Bom não confundir esse tipo de ações com as que envolvem depredação do patrimônio público ou privado.

O joinvilense tem a ideia ainda que uma carta a ouvidoria ou ao gabinete do prefeito é um ato que requer um elevado grau de ativismo e revelia e que mais que isso já é violência. Alguns mais ousados escrevem cartas aos jornais locais ou postam em Facebook ou Twitter e com isso tem a sua consciência cidadã tranquila. Inútil explicar que uma cidade muda não muda. Para que as coisas mudem é preciso mais, muito mais.

Da minha época de faculdade ficaram boas lembranças. Viver o final da ditadura franquista foi uma experiência interessante e correr na frente da polícia é sempre um deporte arriscado que requer velocidade e prática. Mas uma das frases daquela época, que permanece vigente na sociedade de hoje é: "falamos da violência dos rios, mas ninguém lembra da violência das margens que os oprimem". Na Joinville das enchentes e dos alagamentos pelo trasbordamento dos rios e córregos que tiveram suas margens reduzidas e confinadas pela violenta especulação imobiliária, a frase ganha outro sentido.

Assim se por um lado defendemos o direito de manifestação, um direito que não é permitido em todos os países. Defendemos com a mesma veemência uma atuação policial madura e equilibrada, sem excessos e sem violência de parte e parte. É bom lembrar que direito não é algo que alguém nos dá. Direito é aquilo que não podem nos tirar. Em qualquer democracia o direito de manifestar, protestar e discordar é um direito sagrado. Aliás, é um bom indicador do nível de democracia de uma sociedade.

21 comentários:

  1. Chama o pessoal de Kiev, lã da Ucrânia... Daí os caras vão ver o que é manifestação!
    Os manifestantes de Joinville são muito educados e ordeiros.

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  2. Os black bloc ja encomendaram uma duzia de camisa preta com a suastica na manga e a foto de hitler na frente, eu acho que a forma mais eficaz de protestar contra o desgoverno udo é não pagar o iptu.

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    1. Os Black Blocs são de direita? Achei que fossem de esquerda...

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    2. Nem eles sabem o que são, se dizem apoliticos, mas vi eles fazendo saudação nazista com o braço direito, isso já basta p/ saber o que eles são.

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    3. Chama o Marionetes pra dizer pra eles o que são (na verdade são massa de manobra)... Já quem não pagar iptu vai pro cartório porque o SEU (nao importa qual) vereador, concordou. E neste caso não existe bem de família. kkkkkkkkkkkkkkk

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    4. ahahahaha... Algum black block destro deve ter levantado o braço pra parar o busão e alguém apontou: nazista! nazista!

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  3. Um adendo. Se for “rolesinho” vale usar vestimentas das marcas: Quiksilver, Aeropostale, Hollister, Abercrombiem, Oakley, Levi’s e Nike (só se for o Shox). Afinal, como todos sabem, são marcas populares com preços compatíveis com o orçamento de pessoas que vivem na periferia e que procuram um lugar ao Sol na famigerada “lutas de classes”.

    Em tempo, será que os “manifestantes do rolesinho” são realmente tão amados por seus defensores esquerdistas que se opõem ao consumismo considerado fútil e desenfreado?

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    1. O Mariano falou que só aceita se estiverm com bicicleta Titanium... Barra Forte Monark que se foda....

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  4. Olá!
    Desculpe a minha ignorância, mas...

    Ou muito me engano, ou observei certa ironia de sua parte.

    Corrija-me se eu estiver enganado, mas na foto que você colocou para ilustrar seu texto realmente aparece uma bandeira do PT, ou fui induzido a perceber isso?

    Você sugere o vermelho por mero acaso?

    E quanto ao você colocar que devemos ter cuidado com os “papagaios de piratas” que podem aparecer para pegar carona na reivindicação?

    Não sou a favor de partidos se manifestarem, pois neste caso, o objetivo deve ir além de questões partidárias, considerando que entre os manifestantes já encontraremos naturalmente militantes de diferentes partidos, porém com objetivos comuns.

    Ou seja, diante do proposto, não somos do vermelho ou preto, nem do arco-íris, nem do roxo, somos TODOS CIDADÃOS.
    Neste caso, as questões ultrapassam o partidarismo, o individualismo, o corporativismo, pois já são de ordem comunitária, independente até mesmo de quem esteja ou pretenda estar futuramente no poder.
    Penso eu!

    Você afirma categoricamente que: “É bom lembrar que direito não é algo que alguém nos dá. Direito é aquilo que não podem nos tirar.
    Fiquei então pensando, me perguntar, o que faço então com o direito de ir e vir dos demais cidadãos que estou prestes a “tirar”?

    Não seria mais junto, mais coerente, mais produtivo, ir onde os RESPONSÁVEIS por todo o caos estão e não ir onde o povo está, já que “Direito é aquilo que não podem nos tirar”?

    Esse não deveria ser o verdadeiro indicador de democracia?

    RESPEITO A TODOS.

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  5. Chama a polícia de Kiev, lã da Ucrânia... Daí os manifestantes vão ver o que é repressão de verdade. Os policiais de Joinville são muito educados e pacifistas. Violência gera violência! Entendeu ou quer que eu desenhe? Cada uma...

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  6. Jordi, o vosso terreno na Estrada da Iha vai virar loteamento popular filho. Aproveita.

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  7. Estrada da ilha ainda é Rural?

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  8. Por qual motivo nenhum manifestante atirou alcool 96 ao próprio corpo???? Só porque não se produz mais?

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  9. Vamos parar de papo furado. O Castan quando era jovem era filho da revolução, lutava por democracia tendo orgamos com Cuba e depois de velho continua a mesma mentalidade revolucionária. Você não tem mais idade para isso. Você anda de carrão pra cima e pra baixo, no ar condicionado, e você sabe muito bem como conseguiu isso, trabalhando, correto? Já você, fica aqui de papo furado instigando a molecada a sair de casa pra prostestar por passe livre enquanto você deve ficar em casa tomando um Red. Pare com isso Jordi. Não temos mais idade para isso. Precisamos de jovens responsáveis, trabalhadores, com sonhos de crescimento, empreendedores, estudiosos, formadores de famílias dignas com valores e morais éticos bem definidos. Seja honesto com esses meninos. Coisa mais deprimente vê-los, de forma patética, sendo presos e ligando para o vereador da sindicalista da cidade para absolvê-los. Oriente eles e pare com essa baboseira. Façam protestar por ideias dignas, como uma reforma tributária, desburocratização, diminuição do Estado ineficiênte, etc...Recado está dado.

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    1. Depois dessa...

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    2. Nunca tive paixão pela ditadura cubana...mas parece que você sabe mais que eu mesmo sobre minha vida.

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    3. depois dessa eu ensacava a viola Jordi.....

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  10. Apesar de merecer (pouquíssimos) reparos não acho que o manifesto esteja errado não. Tem cinquentao que para ficar jovem adota jeans e tênis, outros trocam uma de cinquenta e um por três de 18, o Jordi quer virar o pop star do rolezinho?

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  11. a estrada da ilha tá virando um parque industrial é só galpão.....

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