quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Diga NÃO aos elevados!

POR FELIPE SILVEIRA

Quero começar uma campanha aqui no Chuva Ácida contra uma proposta que vamos ouvir com cada vez mais freqüência até as eleições de outubro. “Diga NÃO aos elevados!” Se concordar, espalhe a ideia.

Antes de qualquer coisa é preciso esclarecer que esta é a opinião de um leigo. Gostaria que tal explicação não fosse necessária, já que o blog não é formado por especialistas, mas por gente que tem algumas opiniões sobre alguns temas. Infelizmente, algumas pessoas que comentam anonimamente neste espaço têm dificuldade pra entender coisas simples e por isso a gente se obriga a mastigar.

Continuando...

Não nego que elevados e viadutos sejam soluções para alguns problemas. Há pontos tão críticos que tais obras podem mesmo ser necessárias. No entanto, elevados e viadutos, na minha opinião, devem ser a última solução quando falamos de mobilidade. Antes de pensar em grandes – e caras – obras desse porte, é necessário pensar em diversas outras.

A primeira delas é diminuir o uso do carro. Como fazer isso? Simples, com um transporte público que tenha qualidade e seja barato (ou gratuito) e com boas condições para que os ciclistas possam usar a “zica” para as mais diversas finalidades. Ou seja, ciclovias e ciclofaixas caprichadas (e não aquelas que acabam no meio da rua), estacionamentos seguros para as bicicletas, entre outros incentivos. A própria iniciativa privada poderia pensar em promoções para quem usa o coletivo ou a bicicleta. Empresários poderiam gratificar seus funcionários e os setores de comércio e serviços poderiam fazer promoções.

Mas, claro, o processo descrito acima é mais complicado. Não é impossível, é apenas mais complicado. Por isso, vamos continuar trabalhando com a lógica do carro. Assim, acredito que a solução para o caos no trânsito é investir em soluções simples. Por exemplo, a obra que vi na semana passada em uma rotatória da avenida Beira-rio, perto da lanchonete do Gordão. Veja na foto:

A passagem que ligava a rua Padre Antônio Vieira ao Gordão foi fechada - olha ali o monte de barro! - e eu vi algumas pessoas chiarem por causa disso.  O que não elas notaram, porém, é que apenas o fato de fechar aquela passagem, eliminou um ponto onde o trânsito parava. Como era necessário esperar a vez para passar ali no horário de pico, formava-se uma fila que travava o restante da Padre Antônio Vieira. Aí essa fila ia até a rótula no fim da rua Iririú. Com a obra, além de eliminar aquele ponto que causava a fila, foi alargada a saída da Padre Antônio Vieira para a Beira-rio. Com isso, onde só passava um carro que tinha três opções, agora passam dois com duas opções de caminho, direita ou esquerda.

Essa foi uma obra que não custou praticamente nada e vai agilizar o trânsito no local. Não vai resolver, claro, porque os carros que passam mais rápido ali vão parar lá na frente, em outro ponto crítico. Mas de solução em solução as coisas vão melhorando. Assim como essa, podem haver centenas de pequenas soluções para grandes problemas em toda a cidade. Outro exemplo disso são as “mãos inglesas” que também resolveram problemas pontuais.

O problema disso tudo é que tem muita gente com mania de desmerecer essas obras. Preferem implorar por elevados, por grandes gastos. Eu, sinceramente, não sei se gostam de falar por falar ou se falta consciência mesmo do estrago que um elevado vai fazer no meio da cidade.

Para finalizar a minha pequena listinha de alternativas aos elevados, vou falar de um tipo de obra tão cara quanto um elevado, mas muito mais útil e necessária para a cidade: abertura de vias. Praticamente todo o fluxo da cidade passa pela região central e assim fica complicado mesmo. A cidade precisa de mais ligações entre suas regiões para desafogar o centro.

O binário da Vila Nova é o caso mais emblemático. É impossível haver apenas uma ligação entre uma região tão populosa e o resto da cidade. Aliás, duas vias será pouco. O binário da rua Tenente Antônio João com a Santos Dummont é outro caso. É maluquice querer um elevado por ali antes de saber qual será o efeito do binário.

*

Enfim, eu acredito que não há solução para o trânsito enquanto tiver essa quantidade de carro na rua. É necessário trabalhar para que as pessoas usem o carro, a bicicleta, o ônibus, o barco, o skate, o patinete. E trabalhar significa dar condições e educação para que as pessoas encarem o trânsito e a mobilidade de outra forma. Enquanto isso não for feito, pode fazer 30 elevados na cidade e nada vai adiantar.

Para encerrar a postagem, deixo uma sugestão de leitura e um convite:

Sugestão: A jornalista Natália Garcia percorreu o mundo para ver como alguns cidades-referência (Paris, Copenhague, Amsterdam) lidam com essa questão do trânsito. As impressões estão no site Cidade para pessoas.

Convite: Um grupo de ciclistas organizados de Joinville vai promover, nesta sexta-feira (24), às 18 horas, o evento Massa Crítica, “que acontece mensalmente em centenas de cidades ao redor do mundo e é aberto a todos que queiram promover as condições necessárias para o uso da bicicleta como meio de transporte no espaço urbano.” Apareça para conhecer e debater o assunto.

38 comentários:

  1. Felipe

    Ganhou o meu apoio para esta sua iniciativa.

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  2. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  3. Conforme já foi dito, há moderação de comentários. Por haver xingamento, este último foi excluído.

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  4. Concordo com a iniciativa. A construção de elevados vai totalmente de encontro às diretrizes da mobilidade urbana, que tanto falam por aí: priorizar o transporte coletivo sobre o individual e o transporte não-motorizado sobre o motorizado. Na prática acontece justamente o oposto. Corredores de ônibus e principalmente ciclovias e ciclofaixas começam no nada e terminam em lugar nenhum para não atrapalhar o trânsito dos carros! Se realmente quiserem estimular o uso do transporte coletivo e não-motorizado, devem tornar o uso do carro um verdadeiro inferno (pior do que já está), dando verdadeira prioridade para ônibus e bicicletas.

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  5. Acredito que transformar o uso do carro num inferno não seja a melhor saída, mas sim pensar em como os diferentes modais podem ser usados e relacionados. Acredito que promover a integração entre os diferentes meios de transporte seja a grande sacado. E aí não dá pra não citar Copenhague novamente, onde 1/4 das pessoas anda a pé, outro 1/4 de carro, outro de ônibus e outro de bicicleta. Olhem esse texto.

    http://cidadesparapessoas.com.br/2012/02/atravessar-a-rua-copenhague-x-sao-paulo/

    A diferença que os dinamarqueses propuseram é na maneira de pensar o transporte, aumentando a segurança e o conforto dos pedestres e ciclistas (iluminação, limpeza, área verde) e aumento o tempo que as pessoas ficam nos espaços públicos (falei disso no post de semana passada, sobre o parque da cidade).

    Taí a diferença entre priorizar elevados e priorizar as pessoas.

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    1. É, talvez eu tenha sido um pouco exagerado quando falei em tornar o uso do carro um inferno. Na verdade já é em algumas situações. O que acontece é que atualmente tudo é pensado em favor dos carros, mesmo quando se fala em "priorizar as pessoas". O exemplo das ciclofaixas é clássico. Moro na Otto Boehm, onde a ciclofaixa começa no nada e termina em lugar nenhum (e é interrompida onde há pontos de ônibus). Por quê? Para não atrapalhar os carros! O corredor de ônibus da Blumenau termina ali no Dona Helena por quê? Para não atrapalhar os carros! Por que abriram o calçadão da Rua do Príncipe? Para beneficiar os carros! Por que falam tanto em elevados? Para beneficiar os carros! Infelizmente a população só vai deixar de usar o carro quando os outros modais se tornarem realmente viáveis. Quando verem que se deslocar a pé, de bicicleta ou de ônibus (mesmo com tarifa) é mais rápido e cômodo (menos estressante) do que ficar dentro do seu carro do ano parado no congestionamento!

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    2. Muito bom o video desse post:

      http://cidadesparapessoas.com.br/2011/06/copenhagen-a-cidade-das-bicicletas/

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  6. Finalmente o Felipe tem um texto elevado.

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    1. Uma das minhas maiores diversões no blog é ver a discussão do Felipe com seus discípulos anônimos :P

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    2. Concordo Guilherme. É divertido.

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  7. "Preferem implorar por elevados, por grandes gastos"
    Nem parece o carinha que defende o transporte gratuito...

    "Finalmente o Felipe tem um texto elevado." kkakakakakaka

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    1. Poxa Guilherme. Só porque você não é de escrever bobagens como o Felipe você fica "fazendo pouco" de nós...

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  8. primeiro que essa obra feita não resolucionou o problema, criando outros pontos de congestionamento. a fila de carros na pista da direita da beira rio para dobrar na itaiópolis vai absorver esse fluxo. então não sei se a ideia de transferir o mesmo fluxo resolve por completo o problema ou apenas ameniza em um só lugar.
    e segundo, que eu ando de ônibus por necessidade e um dia também terei um carro. as pessoas precisam parar de achar que o carro é um vilão. grande parte de quem, hoje, dirige um carro já se lascou andando de bicicleta na chuva/suando igual porco no sol ou esperando muito por ônibus. e é libertador não depender de horário, de condição climática, de existência de ciclovia, de possibilidade de trajeto e nem de nada disso pra ir pra casa à noite, sem contar obviamente a segurança, porque uma guria sozinha num ônibus de madrugada ou andando de bicicleta por aí a noite tem que ser bastante sortuda pra chegar tranquila. e enquanto o carro proporcionar agilidade, independência, segurança e conforto ele vai continuar nos meus sonhos e nos sonhos das pessoas que são transportadas enlatadas, segurando a mesma barra que eu. até porque os custos dele + os 15 minutos esperando no trânsitos são poucos perto do preço alto que a gente paga hoje em dia pra andar de ônibus sem a menor dignidade.

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    1. Legal. Assim podemos debater. Mesmo sendo anônima/anônimo, mesmo contrariando, veio aqui, apresentou argumentos e não ofendeu ninguém. Assim é legal. Mas, então, respondendo:

      1) Sim, uma obra como aquela transfere o fluxo. O negócio apertou mais na Itaiópolis. E eu disse isso texto, como você pode notar. Por isso que eu também disse que essa não é a única solução. É preciso tirar tanto os carros da rua (não todos, mas a presença soberana dos carros). E eu disse também que são necessárias várias soluções para vários problemas.

      No entanto, tenho certeza que aquela pequena obra resolveu um problema pontual, que era a saída da Padre Antônio Vieira. Aquele gargalo foi aberto e um problema foi resolvido. Restam outros.

      2) Eu não disse que carro é vilão. Tanto que tô dando uma sugestão para pensarmos em soluções melhores para todos - motoristas, ciclistas etc. Da mesma forma que você, eu acho o uso do carro legítimo.

      No entanto, quando a cidade for pensada para ciclistas, pedestres e usuários do transporte coletivo, isso vai mudar a vida dos motoristas para melhor também. E transformar essa maneira de pensar pode parecer difícil, mas eu acho que não é tanto assim. Por isso sugeri a leitura do site www.cidadeparapessoas.com.br.

      Ali a gente pode conhecer experiências como a de Copenhague, que pra mim é a melhor. E lá o carro não é vilão, mas é parte de um sistema. Primeiro é necessário mudar a maneira de pensar, e aí poderemos mudar a nossa sociedade também. Seguem dois links indispensáveis para entender isso:

      http://cidadesparapessoas.com.br/2011/06/um-gostinho-do-que-o-cidades-para-pessoas-viu-em-copenhagen/

      http://cidadesparapessoas.com.br/2011/06/copenhagen-a-cidade-das-bicicletas/

      http://cidadesparapessoas.com.br/2011/08/nadando-nos-canais-de-copenhague/

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    2. Concordo com meu amigo Anonimo ,,, pq no Brasil temos que ir contra o "sonho Brasileiro": casa e carro na garagem ...
      Temos que pensar no coletivo não é ?? Se a maioria das pessoas querem um carro pq não se planeja para isto !!!???
      é mais fácil fazer um discurso do coletivo e no final não fazer nada !!!!

      Sugestão : Não aos elevados , Sim a um anel viário em Joi , este sim com elevados,passarelas e todo o necessário , com ciclofaixa e calha de ônibus...

      me parece que não se planeja nada para os carros ,,,, ah tem os binariozinhos........

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  9. É isso aí, cara! Por soluções pensadas, criativas e baratas. Parabéns! Tô junto na campanha!

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  10. Vixe! Complicado negar totalmente a presença de elevados, porém não vejo onde, em Joinville, eles poderiam ser instalados. A cidade necessitaria "nascer de novo"!
    E outra, sou ciclista e gostaria de poder ir ao trabalho de bicicleta todos os dias mas para isso necessitaria do mínimo de condições, a começar pela ciclovia adequada até um vestiário com ducha no trabalho. Isso já me animaria a enfrentar as variáveis do clima e o caos do trânsito.

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    1. Essa é uma boa ideia para apresentar aos patrões.

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  11. Acho que a proposta principal do texto, que traduz que temos pouca rua prá muito carro é muito importante. Mas temos que aprofunda-la. Negar simplesmente elevados me parece um pouco precipitado, acho que tem locais da cidade em que poderiam ser necessários (os grandes cruzamentos Leste-Oeste p. ex.). Assim como a questão de demonizar os carros, não é por aí. Faltam ciclovias em muitos eixos, passo na Procópio diariamente é tem um movimento intenso de ciclistas, assim como Florianópolis e Monsenhor Gercino.
    Quanto aos custos dos mesmos temos experiencias em municipios em que através de parcerias e equipe própria de projetos os custos diminuiram sensivelmente.

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    1. Era pra você ser o Seu José e confundiu no nome ou és irmão do José? :P

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    2. Sou primo dele...hehehehe

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    3. Por isso que eu não neguei elevados nem demonizei carros. Isso está no texto e está reafirmado nos meus comentários.

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  12. Alguns dizem que ser ciclista em Joinville é difícil, por causa do calor. Eu não acho! Porque suar, a gente sua até pensando. Bebendo uma gelada no boteco, também! Temos uma topografia bacana (salvo um morrinho aqui, outro ali) mas nada que uma ziquinha de marchas não resolva. O que é difícil por aqui, é o que já foi mastigado, cuspido e mastigado novamente: As porras das ciclovias que começam do nada e terminam sem dizer porquê estiveram ali. Sem contar que muitas estão apagadas e sem a proteção lateral. Não temos segurança nenhuma. E olha gente, eu ando de bike. Tem dias que para resolver assuntos, chego facinho nos 50 quilometros. E quando chove meto uma capinha de 1,99 e me largo. Quem anda de bike sabe o quanto se economiza de tempo. Mas o pior ainda, são os pedestres que usam as usam para transitar. E andam por ali como se nada fosse. Na rua XV (entre a João Colin e Blumenau) tem lado a lado calçada para pedestre e ciclista, com placas indicativas e tudo. Perguntem se alguém percebe isso? E os carros então? Estacionam sem cerimônia e se a gente reclamar, tocam o carro pra cima. As escolas deveriam adotar mais uma matéria na grade escolar: "educação no trânsito". Talvez aprendendo desde cedo, a gente consiga lidar melhor com tudo isso. O povo anda bem mal educado mesmo. Ah, eu tenho carro, mas prefiro a bike. Para mim a magrela coisa séria, de responsa. Quero deixar um lugar mais saudável para meus netos e acredite, para os seus também. Um carro não faz a diferença, eu sei. Mas se somados o meu, o seu, o dele, os deles...
    Stefana
    (a ideia de bicicletários em lugares alternativos é óootima. Eu já fui na Fuji de bike. Me olharam de lado, mas e daí? Quando paguei minha continha de R$ 113,00, ninguém me olhou de lado)

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  13. Não me lembro de um primo chamado Jorge, mas aqui vale tudo e concordo com o seu comentário. É isto aí Stefana, concordo contigo, é uma questão de atitude.
    Mas voltando ao que falou o primo, moro na Zona Sul e também vejo diariamente os ciclistas arriscando a vida na Procópio, Florianópolis e Guanabara. E estes ciclistas não são os "por opção", são os que precisam por sobrevivencia mesmo. São sobre estes e suas rotas que o Poder Público tinha que se debruçar prioritariamente.

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    1. É isso mesmo, seu José! Na Procópio tem que ser malabarista, porque se entrar 5 centímetros na rua, o ônibus passa por cima. Pela região que circunda a área central de Joinville, vejo a Procópio, Blumenau, João Colin e Getúlio como um dos piores lugares para transitar de bike. O interessante é que, com boa vontade e interesse do poder público, têm espaço suficiente de calçada para fazer pelo menos, ciclofaixa. Nem que seja somente de um lado da rua.
      Também tem a Santa Catarina, Ottokar Doerffel, São Paulo e por aí vai... (Na Otto já fui atropelada duas vêzes :D)
      Stefana

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    2. Stefana,

      Para ser ciclista em Joinville é preciso reunir simultaneamente algumas características:

      Amor pelo risco
      Adicto a adrenalina
      Despreço pela vida
      Estar atento 110% do tempo
      Gostar de viver perigosamente
      Ser persistente

      Tenho certeza que você ainda acrescentará outras

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    3. PAREM !!!
      a ciclofaixa da Otto Boehm é maravilhosa !!!

      liga meu rico apto até perto da pizzaria !!!

      Eu rico , moro numa cobertura , levo meu filho para andar de motinho elétrica nesse importante espaço público !!!


      kkkkk, me desculpem a ironia !!!!

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  14. Caro Felipe, observando não ser eu, também, um urbanista - ou o que quer que se chame esse "bicho-grilo" que fica pensando no trânsito da minha rua lá no gabinete de uma prefeitura, quando não em Brasília - me dou ao direito de dar o meu "pitaco". Assim, primeiro, acho que devemos ser mais pragmáticos.
    Joinville (ainda!) tem espaços para soluções simples, como as rótulas, concordo. Concordo também que, antes da decisão de instalar o elevado, deva-se fazer estudos profundos (técnicos!) do fluxo da região e suas consequências nas regiões próximas. O grande problema de Joinville se resume às travessias. O sujeito que mora no sul e trabalha a 20km de casa, no norte, convenhamos, não deve achar agradável ter que ir de "zica" ao trabalho, a 40º de calor, mesmo que tivesse ciclovia "refrigerada". Como acho uma utopia essa tese de "diminuir carros" (coisa que vai contra quase dois terços da vontade da população, que tem e quer ter carro, ou moto!), e a lógica do carro vale, também, para o transporte coletivo, acho que os elevados são, sim, uma solução prática, barata e duradoura. Dou um exemplo: As marginhais à BR-101 poderiam se transformar em avenidas para o fluxo do trânsito norte-sul - já existe o espaço, não há necessidade de desapropriações, não tem interrupção e alguns elevados poderiam viabilizar a travessia da cidade praticamente sem interrupção por mais de 30km (não sei se o numero é esse, mas, chega perto, se considerarmos o trcho que vai do Acesso Sul até Pirabeiraba. Bastaria reforçar as entradas e deixar o trânsito fluir, nesse caso, indo direto ao destino local, sem a mistura da parte que faz a travessia. Seria a solução definitiva? Certamente que não, mas, no médio prazo seria extremamente eficaz. Você não faria isso sem elevados, mas, teria a sua utilidade justificada e a sua concentração bem definida.

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    1. Nico, tenho algumas considerações a respeito do teu comentário.

      1) Temos acordo na primeira questão. Antes de pensar em instalar elevados, vamos ver quais são as outras formas de resolver os problemas. Depois disso, podemos pensar na construção dos mesmos.

      2) Concordo também que o problema são as travessias e por isso falei da abertura de vias e novas ligações entre as regiões. Obra que é tão ou mais cara quanto elevados, mas com mais utilidade.

      E sobre as marginais da BR (ou a própria BR), acredito que já sejam usadas como alternativas para quem pode. Eu conheço várias pessoas que usam. Mas não vale a pena pra todo mundo. Mas é, certamente, uma ideia a se aprimorar.

      3) Agora sou obrigado a discordar sobre a questão da diminuição dos carros. 99,999999% das cidades do mundo tão aí para provar que não há solução para o trânsito enquanto a lógica for essa do carro. O resto, como Copenhague e Amsterdam, provam o contrário.

      Vou aprofundar mais essa questão em algum texto mais pra frente, usando o exemplo de Copenhague, que mudou a maneira de pensar e hoje tem 25% das pessoas usando bike, 25% usando carro, 25% ônibus e 25% a pé (números aproximados). Lá, com o tempo, algumas pessoas passaram mesmo a fazer trajetos de 20 km, já que havia conforto e segurança no caminho.

      A diferença da proposta, Nico, é que ninguém aqui está demonizando o uso do carro. E tenho certeza que tu entendeu isso. A proposta é a do transporte intermodal.

      Eu, por exemplo, não tenho saco pra esperar o ônibus que passa perto da minha rua e também não tenho saco pra ir até o terminal a pé. Mas se eu pudesse deixar a minha bicicleta no terminal, com segurança, isso certamente me faria andar mais de ônibus. Essa é a lógica de Copenhague, por exemplo.

      Então, é claro que as pessoas desejam ter carro (muito mais do que dois terços... pode colocar 99% aí) e é claro que é muito ruim pedalar 20 km no calor de 40º. Mas também é um inferno ficar preso no trânsito e perder duas ou três horas do dia nisso. Por isso que sugiro pensarmos nas alternativas, seguir os bons exemplos (adequando à nossa realidade) e mudar a maneira de enxergar essa questão da mobilidade.

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    2. ANEL VIÁRIO JÁ !!!!

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  15. Concordo com a questão da BR-101 colocada pelo Nico, a implantação de marginais e alguns elevados já deveria ser a prioridade numero 1 do planejamento de Joinville, pois é o trecho mais impactado pelo movimento e barulho, e deveria se transformar, da divisa de Araquari até a de Garuva, numa espécie de distrito industrial linear. Não precisava mais de 300 m de cada lado da BR, muitos problemas de mobilidade, sustentabilidade e convívio de atividades poluidoras estariam resolvidos.

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  16. Boa Nico.
    Chega de "Hay Gobierno? Soy Contra!"

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    1. Pra que vir aqui falar uma merda dessa? Pra provar que não sabe ler? Provar que é burro?

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  17. Discordo da ideia de enxergar o elevado como vilão, mas concordo plenamente na solução de alternativas que sejam mais baratas e menos impactantes. Se for um elevado pra ônibus, tá valendo? :P

    Em alguns lugares, se quisermos organizar o transporte coletivo, vai precisar de elevado. Não tem escapatória, como por exemplo, a região do terminal Norte (conectar a Santos Dumont com a Beira-Rio). Se manter do jeito que está, só com umas faixas que priorizam o transporte coletivo, vai ficar só "meia boca".

    Outra, nessa questão das vias alternativas, uma que posso citar: dá pra ligar o Vila Nova ao Glória, via Benjamin Constant. Precisa só se um elevado na 101 que poderia ser incluído no PER da Autopista Litoral Sul. Existe até uma "baixada" que seria o caminho natural de tal ligação.

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