sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Bandidos daqui e de outros países. Será que somos melhores?

POR DOMINGOS MIRANDA
Em minha adolescência gostava de ler histórias sobre os maiores bandidos dos Estados Unidos, tais como Al Capone, Bonnie e Clyde, Butch Cassidy e Sundance Kid, entre outros. Confesso que ficava intrigado como Al Capone que, com a ajuda de bons advogados, conseguia escapar das acusações de assassinatos, contrabando e venda de bebidas durante a Lei Seca. Mas acabou sendo preso por causa da sonegação de imposto de renda. Meio século mais tarde a mesma estupefação me acompanha ao ver o presidente Michel Temer escapar de tantas acusações contra ele.

Nunca na história deste país, um presidente em exercício do poder esteve envolvido numa série de falcatruas, junto com toda a alta cúpula política de seu governo. São nove ministros e ex-ministros alvos de inquéritos ou que já estão presos. A Polícia Federal diz que Temer é o líder de uma organização criminosa chamada de “Quadrilhão” do PMDB. A Procuradoria Geral da República apresentou duas denúncias contra o presidente da República, que foram engavetadas depois de repasse de verbas para deputados ou anistia de dívidas para a bancada ruralista. Não faltam provas, desde vídeo com mala de dinheiro até conversas telefônicas.

Mas será que somos um caso único neste quesito de governo malfeitor? Não. Pesquisando, descobrimos que na Bolívia da década de 80 houve um caso de criminosos que tomaram o poder. Em 17 de julho de 1980, o general Luiz Garcia Meza deu um golpe de Estado para derrubar a presidenta Lídia Gueiller Tejada, que era sua prima. O objetivo maior desta ação foi impedir a posse do recém-eleito presidente Hernan Siles Suazo, de esquerda.

Com a ajuda da CIA, do departamento antidrogas americano (DEA), do empresariado e da mídia boliviana, o golpe foi tramado. Durante os 13 meses de governo do ditador, houve uma série de violências, inclusive o assassinato de líderes políticos de oposição e sindicalistas. Em 1995, Luiz Garcia Meza foi levado a julgamento e condenado a 30 anos de prisão. Também pegou 30 anos de cadeia o seu ex-ministro do Interior, o coronel Luiz Arce Gomez. Ambos foram acusados por desaparecimentos de pessoas, assalto a recursos público e tráfico de cocaína a partir da própria presidência.

Os Estados Unidos sabiam do envolvimento do general com o narcotráfico, mas mesmo assim seus governantes não tiveram pudores em ajudá-lo na derrubada de uma presidenta da República. Em seu livro “The Big White Lie”, o ex-agente da DEA e escritor americano Michael Levine, descreve como a DEA e a CIA trabalharam para levar Meza e os produtores de coca ao poder.

Nesta história comparativa, o que nos anima é saber que os dois maiores responsáveis pelo governo narcotraficante da Bolívia estão mofando na cadeia. Vamos esperar que aqui aconteça o mesmo, pois temos certeza que estes traidores de nossa pátria amanhã pagarão por todos os seus crimes. Para que isso aconteça basta que cada brasileiro cumpra o seu dever nas eleições de outubro. Como dizia a canção “Aroeira”, de Geraldo Vandré:  “É a volta do cipó de aroeira/no lombo de quem mandou dar”.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Os buracos de merda de Donald Trump

POR LEO VORTIS
Shithole. Você sabe o que significa? É literalmente “buraco de merda”. Lugar que, todos sabemos, é um cu. A palavra foi usada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para dizer que desprezava os imigrantes de “shithole countries” como o Haiti, El Salvador e alguns países africanos. A expressão caiu mal, a notícia correu mundo e o presidente foi logo tachado de racista (dá para acreditar?).

O pessoal do staff da Casa Branca, como tem feito repetidamente ao longo do último ano, tentou reverter a situação. Mas às vezes a emenda sai pior que o soneto. E os tipos decidiram criar uma versão para lá de bizarra: Trump não teria dito “shithole countries”, mas sim “shithouse countries”. Ou seja, em vez de “buracos de merda” teria dito “casas de merda”. Ficou a merda. É ridículo, mas estamos a falar de um presidente que faz do ridículo o seu dia a dia.

Donald Trump reclamou daquilo que considera falta de qualidade dos imigrantes. E perguntou: por que não são os noruegueses a ir para os Estados Unidos? Ora, é só olhar para alguns dados acerca da Noruega para saber. O sistema público de saúde. A maior expectativa de vida. A maior prosperidade econômica. O sistema público de educação. A igualdade de gênero. A liberdade política e de imprensa. As 46 semanas para mulheres que dão à luz. O índice de felicidade.

Hoje em dia as ferramentas digitais permitem fazer coisas interessantes, por vezes até driblar o poder. E foi o que fez o artista Robin Bell que, munido com um projetor de luz, projetou a palavra “shithole” num lugar emblemático: a fachada da Trump Tower, em Manhattan. As imagens, transmitidas para todo o mundo pelas redes sociais, foram motivo de gáudio para aqueles que não aturam o atual inquilino da Casa Branca.


A projeção na Trump Tower

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Por onde andam os "heróis" do pré-golpe (vídeo)

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO


(pode ver o filme, em vez de ler, porque o conteúdo é o mesmo)
A fase do pré-golpe produziu cenas e figuras caricatas e muita gente ganhou fama nacional. Eram conhecidas de norte a sul do país. O motivo dessa gente era sempre o ódio de classe e o ódio ao Partido dos Trabalhadores. É certo que alguns até tentavam disfarçar. Diziam que era contra a corrupção, por causa do preço da gasolina e havia até os que diziam que bandeira do Brasil jamais seria vermelha.

Bem… passado um ano do golpe, todos sabemos o que aconteceu. Deu chabu. E essas pessoas, que eram protagonistas, simplesmente desapareceram. E hoje todo mundo pergunta: por onde andam?

Uma das figurinhas é Taís Helena Galon Borges. Todos lembramos dela. É aquela senhora que aparece a gritar num posto de gasolina a dizer para os motoristas não abastecerem os seus carros. Nessa época a gasolina custava R$ 2,80. E hoje, depois de tantos reajustes, com o preço a rondar os R$ 5 reais, cadê a mulher? Nem um grito, nem um protesto, tomou chá de sumiço.

Outra figura divertida é Rosangela Elisabeth Muller. O nome não diz nada? É aquela senhora que confundiu a bandeira do Japão com a futura bandeira comunista do Brasil. Vocês lembram, com certeza, desse episódio caricato. Aliás, se derem olhadinha no Facebook da senhora, vão ver que ela e outros do time batem continência para o nada. Todos adoram essa coisa do “militar”. E, claro, elogiam Jair Bolsonaro. Só que depois das notícias das últimas semanas, quando Bolsonaro foi apanhado em contrapé,  esse pessoal deve estar com uma tremenda dor de cabeça.

Mas entre todas essas criaturas estranhas que surgiram nos últimos tempos, os meus preferidos são aqueles que fizeram a micareta do “Fora Dilma, Fora Lula, Fora PT”. Se eu ainda estivesse no jornalismo diário, essa seria uma pauta obrigatória: tentar encontrar essas pessoas e tentar saber o que passava pela cabeça delas. Se bem que a resposta não deve ser difícil. Elas não têm nada na cabeça, portanto passa tudo. Entra por um lado sai por outro. Mas mesmo assim gostaria de saber quem são, quais as motivações e onde elas se escondem hoje em dia, porque ninguém sabe onde estão. Não é estranho.

Enfim, no frigir dos ovos parece que era mesmo apenas ódio contra um partido. Ou duvidam disso?

É a dança da chuva.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Fraude


O currículo escolar: que tal discutir o que as escolas ensinam?


POR JORDI CASTAN
Faltam ainda algumas semanas para o recomeço das aulas. Fiquei pensando, agora que os filhos já estão formados, sobre o que ensinam nas escolas. Nem quero entrar no tema da Escola sem Partido, sobre o qual a minha abordagem é muito mais prosaica. O que aprendi na escola? O que aprenderam os meus filhos? E o que poderemos esperar desta geração que está hoje em idade escolar.

Percebi que na escola não se aprende nem a ter consciência que se devem pagar impostos, nem como se calculam. Menos ainda o que são e quais são os impostos, taxas e contribuições que pagamos e como retornam a sociedade. Fiquei na duvida se teríamos professores para isso e que tipo de formação seria necessária para poder abordar o tema com conhecimento e isenção.

Tampouco lembrei de ter tido aula de como votar. O que são e como funcionam os partidos políticos. Achei que os alunos poderiam aproveitar muito uma boa aula sobre a matéria. Neste ano seria especialmente útil entender como os partidos escolhem os seus candidatos, porque os bons candidatos têm tão poucas chances de se eleger ou porque há tão pouca renovação entre os candidatos.

Me faltaram também aulas sobre como escrever ou preparar um resumo, uma carta ou qualquer coisa relacionada com pedir emprego. E estas coisas teriam sido mais úteis que conhecer a fórmula química do permanganato de potássio ou do nitrato de amônia.

Em matemática, não vi qualquer aula sobre como fazer e acompanhar um orçamento doméstico, sobre como calcular o preço real de uma geladeira paga em 12 meses "sem juros". Fui me dando conta de como teria sido importante que estes temas formassem parte do currículo escolar.

Acrescentaria ainda aulas sobre todos os temas relacionadas com o sistema bancário: pagamento de contas, cálculo de empréstimos e serviços oferecidos pelos bancos. E ainda uma introdução ao cálculo simples dos juros e dos custos embutidos nas operações básicas que, como cidadãos, estamos  obrigados a realizar, nesta relação quase obrigatória que todos os cidadãos temos ou teremos um dia com o sistema bancário.

Em lugar de ter aprendido o teorema de Pitágoras, que até agora nunca utilizei no meu quotidiano, teria preferido receber aulas sobre como sair de um carro em caso de acidente ou como fazer frente às emergências do dia a dia das pessoas normais. Até aprender como comprar um carro ou uma casa me parecem temas que deveriam formar parte do currículo escolar de todas as escolas do Brasil.

Olhando para a diferencia entre o que se ensina hoje nas escolas e o que deveria se ensinar, temo que vão seguir por mais algumas décadas penando por desenvolver o país, governados por uma trupe de ignaros que não terão o menor interesse em que o modelo atual mude.