POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
É uma tristeza ver marmanjo tendo chilique. Mas na
semana passada houve uns barbados que fliparam e pareciam adolescentes
histéricas por causa das obras na Rua das Palmeiras. O berreiro era tão alto
que fiquei com a sensação de que uma bomba atônita estava a cair sobre o centro
de Joinville.
Li, aqui mesmo no “Twitting in the Rain”, do Chuva Ácida, um exemplo interessante:
“O Carlito está destruindo a Rua das Palmeiras. Enorme buraco feito com
retroescavadeira vai derrubar tudo”. Fujam para as montanhas, joinvilenses! Dá
para imaginar a cena. O prefeito alucinado, a dirigir uma máquina escavadora de
toneladas e a mandar abaixo tudo o que aparecia pela frente.
Pensei que fosse apenas um faniquito, mas depois
percebi que a coisa fazia sentido. Afinal, Carlito é torcedor do Corinthians e
estava apenas a antecipar o jogo de ontem no Pacaembu. O objetivo era derrubar
o Palmeiras. E parece que o treino resultou, porque ontem o Palmeiras caiu. Viram? O Palmeiras e as palmeiras. Uma confusão compreensível.
Mas deixemos o futebol e voltemos à Rua das Palmeiras. Não
vou entrar em questões técnicas porque essa não é a minha praia. Ou melhor, não
é a minha alameda. Não sei o que se pretende com as obras (vejam o P.S.), mas era preciso fazer alguma coisa. Os cartões postais da cidade não
devem servir apenas para as fotografias. É essencial serem vividos.
LINHAS QUE NÃO CONVIDAM A ENTRAR - Quando
estive de férias em Joinville, no mês passado, levei uns amigos para conhecer a
Rua das Palmeiras (na verdade, foram eles a insistir) e a impressão que eles levaram não foi das
melhores. O lugar acabou por se tornar numa espécie de gueto. Aliás, o projeto
– que tem quase três décadas – pode ter ficado bonito no papel ou numa maquete,
mas na prática nunca funcionou. O lugar não é fluído, inclusivo.
Qualquer leigo como eu – que nada entende de paisagismo, urbanismo, arquitetura e
essas coisas – percebe que a praça parece uma pista de obstáculos, quando
deveria parecer um corredor. Que o traçado é estanque e não convida o visitante
a entrar. Que as linhas criam zonas de contenção. E ainda reclamam que o
pessoal da droga tenha feito da alameda um ponto de encontro.
Vou repetir. Não sei se a alameda vai ficar melhor com
as obras, mas pior não pode ficar. Aliás, fico com uma certeza: a maioria dos
críticos não deve pôr os pés na Rua das Palmeiras há muito tempo. Porque se
tivessem dado uma única caminhadinha pelo local não se sentiriam tão à vontade
para tanto estrilho.
Ah... antes de acabar, imagino que esta hora haja
gente a pensar que estou a fazer a defesa de Carlito Merss. Nada disso. Estou a
fazer o ataque aos caras – viúvas do antigo senhor do feudo – que não medem os
decibéis da própria histeria. É importante saber: quando se exagera na causa, a coisa fica inverosímil e as pessoas deixam de acreditar.
E por falar nisso, o berreiro da semana passada não
lembra o mesmo de tempos atrás, quando iniciaram as obras na JK? Era a desgraça
do paisagismo, o apocalipse do urbanismo, a falência do planejamento. Mas no
fim ficou mais bonito e funcional. Ou vai discordar?




