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segunda-feira, 16 de abril de 2018

A Joinville de gente que não reclama, só resmunga

POR JORDI CASTAN
Joinville é uma cidade singular. Poucos lugares conseguiriam sobreviver a décadas de maus governos, sem planejamento e dirigidas por legiões de ineptos. Qualquer cidade que não fosse Joinville já teria sucumbido faz tempo. Mas Joinville não. Joinville insiste teimosamente em sobreviver, em crescer e em prosperar, mesmo neste ambiente hostil em que a mediocridade viceja. Aqui o compadrio toma conta de tudo e o poder público está contaminado pela inoperância, a preguiça e ausência de uma visão estratégica para a cidade.

É importante estabelecer uma linha clara entre a cidade e seus habitantes, que são as pessoas, empresas e organizações que aqui lutam para prosperar e fazer prosperar, e a cidade e sua administração, os seus administradores e toda esta corja de gente e organizações penduradas nos seus úberes, outrora fartos e inesgotáveis. São os mesmos que veem e tratam Joinville como sua propriedade privada e a utilizam exclusivamente para seu beneficio próprio e o dos seus apaniguados.

Só uma cidade como Joinville para sobreviver. É a resiliência o que faz desta cidade um modelo a ser estudado, vivissecado e analisado. Esta capacidade de, por um lado, aceitar a inépcia e, pelo outro, superá-la. Este jeito tão joinvilense de calar e acatar. Este povo ordeiro trabalhador que suporta por anos a fio gestões incompetentes. Obras que nunca terminam. Obras que nunca começam. Obras que custam muito mais que o orçado e seguem com péssima qualidade. Prédios públicos abandonados durante lustros e décadas no mesmo centro da cidade. Avanços sobre a Cota 40. Redução das áreas verdes. Instalação de estações elevatórias de esgoto em praças públicas sem que ninguém se manifeste.

É ainda mais interessante ver como o joinvilense não gosta e até resmunga quando alguém se atreve a pôr em duvida a capacidade do gestor de plantão ou a acuidade mental de quem planeja e executa as obras públicas. Esse resmungar, tão característico dos sambaquianos, não conhece paralelo em outras sociedades que optam por se manifestar abertamente e publicamente. Aqui, desde a época da colônia, assumo que essa época colonial pertence a um passado distante e não segue sendo atual, criticar é muito mal visto. A ordem é baixar a cabeça e trabalhar, não questionar, não pensar diferente do pensamento oficial. Se não estivéssemos no século XXI, poderíamos imaginar que estamos vivendo na Alemanha nazi da década de trinta, em que qualquer um que dissentisse do fuhrer corria o risco de ser apaleado.

Vamos a seguir baixando a cabeça e trabalhar duro, porque temos que pagar os impostos, taxas e contribuições para manter azeitada essa máquina pública que nos explora e nos oprime. Viva essa resiliência que nos permite ser fortes e resistir a esta pressão infernal e superá-la. Viva Joinville, viva seu povo ordeiro e sofredor que aguenta tudo em silêncio ou, no máximo, emitindo pequenos resmungos baixinhos para não correr o risco de interromper o plácido sono do gestor. Vai que ele acorda e fica brabo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Caminho do Meio

POR AMANDA WERNER
É certo de que os horrores acontecidos na segunda guerra, nos causam repulsa até hoje. Além do Holocausto, podemos citar os campos de trabalhos forçados na Sibéria, relatados com muitos detalhes por Soljenítsin em seu Arquipélago Gulag, o Khmer Vermelho no Camboja,  as ditaduras, inclusive a nossa, e tantos outros, nos chocam e nos fazem pensar do que o ser humano foi capaz.

Foi? A história nos esclarece que não é bem assim. São fenômenos cíclicos e, quase sempre, decorrentes de crises econômicas.

O Holocausto foi feito por pessoas normais, e não monstros. Pessoas que torturavam e matavam, com os conhecidos requintes de crueldade, e depois voltavam para as suas casas, onde comiam, rezavam, e contavam historinhas para os seus filhos.

Tragédias sociais como essas corroboram nada mais do que o pior da natureza humana. Não sei se Maslow tinha razão ao hierarquizar as necessidades humanas. Fato é, de que quando falta o mínimo necessário (emprego, alimentos, moradia, segurança), o homem parece agir de forma extintiva, e sem racionalidade. E adota, sem nenhuma reflexão, comportamentos de massa.

Quando há tensão social, os sussurros emergem. Quem é de extrema direita, ou extrema esquerda, ou, quem simpatiza com alguma ideia raivosa, como ódio a grupos étnicos, gays, ao ouvir determinado rumor sobre o grupo contrário, tende a repeti-los. Até como forma de aliviar suas tensões emocionais. Esses rumores se modificam e vão se amoldando de maneira a melhor se ajustar às crenças  e antagonismos de cada um. E aos poucos, se tornam verdades para uma coletividade.

É preciso que, ao invés de buscarmos argumentos para consolidar nossos preconceitos, ao contrário, formemos a nossa opinião com base em argumentos. Sempre depois de conhecer os dois lados. A democracia, o equilíbrio, é uma noção que se adquire com o tempo.

Aceitar o desafio do conflito, as opiniões diversas, ser tolerante, é sinônimo de maturidade. A tentação da homogeneização dos pensamentos e ações, deve ser repudiada, a xenofobia, o fundamentalismo, e o sentimento de superioridade em relação aos que não pensam de forma igual, já mostraram fazer parte da receita de bolo para que o pior se repita.

Todo cuidado é pouco. A mão esquerda carregou a foice e o martelo,  já a direita, ergueu bandeiras com a suástica. E não foram fenômenos isolados. Me parece que o caminho do meio é aquele que melhor pode reger os nossos destinos.



* Segue vídeo sobre o tema