segunda-feira, 14 de maio de 2018

Toda censura é burra. Que o diga Chico Buarque

POR ET BARTHES
A palavra ditadura voltou a estar em foco, com os documentos da CIA, revelados na semana passada. É um momento interessante para voltar a falar no tema censura, uma marca forte dos regimes autoritários. Toda censura é burra. Todo censor é um borra-botas. Os caras são tão idiotas que acabam sempre por entrar para a anedotário das sociedades.

Há exemplos eme todos os tempos. Quando Karl Marx foi diretor do “Rheinische Zeitung”, o jornal tinha um censor fixo. Era um policial chamado Laurenz Dolleschall. Um dia o homem proibiu um anúncio da “Divina Comédia”, de Dante Alighiere. A razão? No entender do sujeito, uma coisa que é divina nada pode ter a ver com comédia.

No Brasil, até uma música romântica do cantor Waldick Soriano foi censurada. Por quê? Porque o nome era “Tortura de Amor”. O censor pensou, muito cartesianamente: “se fala em tortura, a música é subversiva”. Ok... ouvir Waldick Soriano pode ser uma tortura para muita gente, mas o homem nem se interessava muito por política.

Um dos preferidos da censura sempre foi Chico Buarque. O problema é que o compositor é um homem inteligente e os censores são sempre tontos. O caso mais clássico de drible nos censores talvez tenha sido a música “Cálice”. Os caras não perceberam a mensagem “cale-se”. É o exemplo pronto e acabado da vitória da inteligência sobre a mediocridade.

Chico Buarque chegou a suar o pseudônimo Julinho da Adelaide para aprovar as suas músicas. Um dos seus trabalhos mais interessantes é “Jorge Maravilha”, que entrou para a história por ter uma letra dedicada a Amália Lucy, filha do então presidente Ernesto Geisel. Tudo por causa da frase “ você não gosta de mim, mas a sua filha gosta”.

É um daqueles casos em que a versão é mais divertida que a realidade. Porque o próprio Chico Buarque esclareceu os fatos e disse que era apenas boato. “Aconteceu de eu ser detido por agentes de segurança (do Dops), e no elevador o cara pedir autógrafo para a filha dele. Claro que não era o delegado, mas aquele contínuo de delegado”, esclareceu.

Ouça a música. No fim ele faz um comentário sobre a filha do ditador.


14 comentários:

  1. Concordo!
    Toda censura é burra, mas o boicote, não! O último é legítimo.

    Em tempo, espero que o pseudônimo não seja usado por alguns autores do CA que gostam de usar o expediente da censura.

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  2. "Toda censura é burra. Todo censor é um borra-botas."

    Lendo este trecho, logo lembrei do Baço que censurou todos os comentários ao seu texto do dia 10 de abril: "Odiar Lula. E odiar, odiar, odiar..."

    O "Pacheco" do Chuva Ácida é um censor?

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    1. Ah... o amor pela minha pessoa. Tão bonito de ver...

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  3. Claro! Aonde posso ler bobajadas, logo pela manhã, que divertem o meu dia? Sou teu fã cara!... KKKKK

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  4. Apesar de Você me parece o melhor drible na censura. "Todo esse amor reprimido, esse grito contido, esse samba no escuro". Como vai proibir quando o galo insistir em cantar?. Tinha que ser muito tanso pra não ver que Apesar de você amanhã há de ser outro dia...

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    1. Mas ela esteve proibida no governo do Garrastazu. Só depois, como o Geisel, foi liberada. E mesmo assim...

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    2. Foi proibida tempo depois de lançada, reza a lenda que pegaram um grupo "subversivo" ouvindo a musica e só então se tocaram

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  5. Fado tropical também é ótimo exemplo. Ah essa terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal. Não se tocaram que o fascismo dominava Portugal.

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    1. Tenho a versão onde a frase "apesar da sífilis, é claro", dita pelo Ruy Guerra, foi suprimida por um "pi".

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  6. Esse Chico Buarque é um baita de um chato. Pelamordedeus!
    É a cara da esquerda caquética, o cabeça da máfia do dendê, a face do retrocesso, o que ainda ganha dinheiro com as músicas-merda da época contra a ditadura que ele tenta resgatar.

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    1. Eis a estocada final. Depois deste comentário, a carreira do Chico Buarque acabou.

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