quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O aeroporto de Joinville fica em Curitiba


POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Todos os anos eu vou para Joinville nas férias. E uso o aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, como plataforma de embarque e desembarque. O chato é que, no final das contas, o tempo e a canseira de uma viagem entre Lisboa e Joinville, passando pelo Paraná, são excessivos.

Só de Lisboa a São Paulo são umas 10 horas de voo. É um tempo considerável. E como viajo de classe econômica, há uma hora em que a bunda fica quadrada e já não há posição possível. Na chegada a São Paulo, um novo check-in e mais um tempo de espera no aeroporto. Depois, mais uma hora de voo até Curitiba.

Terminado o percurso aéreo da viagem, vem a parte mais chata e que todos os joinvilenses sabem: encarar a estrada por mais umas duas horinhas. Isso se nenhum caminhão decidir se desgovernar na serra (outro problema que parece não ter fim à vista) e interromper o tráfego.

Ok... o leitor e a leitora podem estar a perguntar a razão dessa arenga. É que o texto do Charles Henrique sobre o famigerado ILS - Sistema de Aproximação por Instrumentos para o aeroporto de Joinville, publicado ontem aqui no Chuva Ácida, fez lembrar que muitas chatices poderiam ser evitadas.

Não entendo de navegação aérea, mas como usuário (meio turistão) acho intolerável que a maior cidade do Estado ainda não tenha o raio do equipamento. Ora, o ideal seria comprar passagens direto para Joinville. Mas quem já viajou para o exterior sabe que nas atuais condições não dá para confiar nos voos no aeroporto Lauro Carneiro de Loyola. Choveu, ferrou.

Aliás, não sei se alguém já se deu ao trabalho de ler sobre o aeroporto de Joinville na Wikipédia. O texto é muito esclarecedor já no primeiro parágrafo:
- “O Aeroporto de Joinville – Lauro Carneiro de Loyola é um dos maiores da Região Sul. Está localizado a 13 km do centro da cidade, a 75 km do Aeroporto de Navegantes, a 110 km do Aeroporto Internacional de Curitiba e a 163 km do Aeroporto de Florianópolis e conta com 20 voos comerciais diários”.

Não é espantoso? O aeroporto é apresentado ao mesmo tempo que destaca os aeroportos que são alternativa. É como se a Coca-Cola se apresentasse a dizer que também existe a Pepsi. Mas, pensando bem, faz algum sentido no caso do aeroporto de Joinville. Por quê? Por sempre vamos precisar de alternativa.

E a culpa é do ILS - Incompetentes Lideranças Sem-vergonha.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Os muitos ângulos de uma história

POR ET BARTHES

Primeiro parece que o punk está a fugir da polícia. Depois parece que vai roubar a valise do homem na calçada. Mas toda história tem vários pontos de vista. Neste comercial muito antigo, mas que mesmo assim vale por uma aula de jornalismo, o The Guardian mostra que só conseguimos entender o fatos quando conhecemos a história por inteiro.




E o ILS, hein?

POR CHARLES HENRIQUE

Há muito tempo que estou acompanhando uma novela joinvilense de perto: o caso ILS (aquele instrumento que auxilia os aviões em condições meteorológicas adversas). É um enrola-enrola gigantesco sobre prazos, burocracias, tipos de equipamentos... e isso tudo vem enchendo o saco do joinvilense já faz alguns anos. O que fora prometido para 2011 vai ficar para o final deste ano (aliás, feliz 2012 para todos!!), e mesmo assim não com tanta certeza. É só jogar no Google rapidamente o termo “ILS em Joinville” e ver o quanto de notícias confusas aparecem sobre este tema.

Infelizmente em Joinville tudo é assim. Por mais tentativas de marcar reuniões que nossos representantes tiveram desde 2009 com o governo federal, parece que muita coisa não adiantou, e o tema esfriou com esse prazo que deram para a sociedade como um todo. Será que nossos representantes vão esperar 2013 chegar para aí cobrar algo que já era pra estar instalado? O aeroporto de Joinville tem um número cada vez mais crescente de passageiros, participando da fatia cada vez maior de voos regionais da Azul e da Trip e merece sim tal investimento (nem é tanto assim comparado à arrecadação da cidade).

Espero que não dêem a desculpa de que todos os investimentos em aeroportos sejam transferidos para cidades da Copa 2014, ou o pior: usar o utópico aeroporto de Araquari como motivo para postergar os investimentos por aqui. Além de não “estancarem o ferimento”, querem “deixar agonizando”. É inadmissível para uma cidade com mais de 500 mil habitantes não ter um aeroporto com equipamentos que permitam o tráfego aéreo nas mais variadas condições meteorológicas.

Por essas e outras questões que sempre apontamos por aqui é que tenho saudades de uma Joinville que nunca existiu. Fui tolo ao acreditar em certas promessas e ficar fantasiando com uma cidade que tenha um Aeroporto com ILS, uma Universidade Federal de Joinville, uma cidade que não reproduza tanto o modelo individual de transporte, entre tantos outros sonhos. Joinville é uma ótima cidade, falta pouco para torná-la melhor ainda.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Usem filtro solar


POR FELIPE SILVEIRA

Não, não quero fazer um plágio daquele famoso texto de auto-ajuda que o Pedro Bial fez a locução da versão em português. O conselho é de quem está todo queimado por ter ficado um dia inteiro exposto ao sol sem protetor. Vai por mim (ou pelo Bial): usem filtro solar! De qualquer forma, também quero deixar aqui meus conselhos e propostas (ou sei lá do que podemos chamar) para este ano que começa, afinal, é o mais importante de nossas vidas, né, já que supostamente é o último.

Neste dia em que a maioria de nós voltou ao batente e pouca gente ainda se lembra das resoluções de ano-novo, quero propor apenas uma coisa: um olhar diferente do que o habitual para cada situação. Não quero propor nada além do que um novo ângulo, uma nova perspectiva. E quero propor apenas isso porque acho que somente isso pode mudar as coisas como elas são.

De certa forma, é isso que tentamos fazer aqui no Chuva Ácida. Apresentar novos olhares é a nossa tarefa. E ser apresentado a novos olhares, dos leitores, por meio dos comentários, é a nossa vitória.

Com novos olhares podemos entender melhor quem é quem na nossa política; podemos entender que entidades empresariais interferem na política porque têm interesses bem específicos; podemos perguntar quando Joinville esteve bem para quem quer Joinville bem de novo; podemos questionar a brutalidade da perseguição aos movimentos pela habitação.

Nessa nova maneira de olhar, algumas perspectivas são importantes. Além da perspectiva da legalidade, também é importante olhar pela perspectiva da justiça. A moralidade, a igualdade e a solidariedade também são ângulos interessantes. E há muitos outros. O que não podemos é continuar com o olhar de cabresto, guiado por outras mãos. Dessa forma, vamos conseguir um olhar crítico e compreensivo, porque não basta ter um ou outro. O equilíbrio é sempre o mais importante.

No mais, desejo um feliz 2012 a todos nós e lembro mais uma vez que é o mais importante de nossas vidas. Não porque vai acabar ou porque tem eleição ou olimpíada, mas apenas pelo fato de que é o que estamos vivendo. E não esqueça o filtro solar.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Pedro Cardoso e as cotas nas universidades

POR ET BARTHES

A questão das cotas nas universidades sempre gerou muita discussão. E nem sempre o confronto de ideias ocorreu de forma razoável, baseado na sensatez. O ator Pedro Cardoso mostra o seu ponto de vista com argumentos tão simples quanto certeiros. Alguns vão concordar e outros não, mas é um discurso lúcido, onde ele reconhece que tem privilégios por causa da cor.