sexta-feira, 23 de março de 2018

Lula em SC: ranço… ranço… nada mais que ranço


POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
A pequena burguesia brasileira é patética. Boa parte dela é de gente endinheirada que vai para a Europa ou Estados Unidos e fica a sonhar com a qualidade de vida de Paris, Milão, Nova Iorque ou Londres. Os caras elogiam as sociedades mais desenvolvidas e lamentam que o Brasil não consiga atingir esses mesmos padrões. Mas quando põem os pés em solo brasileiro fazem tudo ao contrário do que seria expectável.

Essa pequena burguesia não enxerga que a receita está na democracia. Parece uma abstração, mas é um fator concreto: a democracia é o elemento constitutivo das sociedades desenvolvidas. E isso significa, entre outras coisas, ter liberdade. De pensamento. De informação. De expressão. De gênero. De ir e vir. De aceder às oportunidades. Enfim, coisas que não existem no Brasil, um país que parece apostar no apartheid social.

Por que esta conversa? O objetivo é falar de uma campanha assinada por um certo MBL – Santa Catarina, que está a circular nas redes sociais. Eis a proposta: “compartilhe se você não quer Lula fazendo comício em Santa Catarina”. É uma ideia risível, ridícula mesmo (lembremos que a letra “L” da sigla significa “livre”). Mas houve mais de 6 mil partilhas. O que não espanta. Afinal, os reaças de Santa Catarina são orgulhosamente mais reaças que os outros.

Que tal pensar em termos práticos? O que essa gente ganharia por impedir Lula de falar? Nada. Então, o que isso quer dizer? Que as pessoas – a mesma pequena burguesia que citei no início – são movidas apenas pelo ódio. É ranço, ranço, nada mais que ranço. Essa gente sonha em ter uma Dinamarca, mas age de forma a ter um Sudão. O resultado só pode ser o desastre social. Os odiadores são seres odiáveis que estão a envenenar o Brasil.

É a dança da chuva.

Post que está a ser veiculado. Qual o objetivo de negar o direito à expressão?

quarta-feira, 21 de março de 2018

A morte e as mortes de Marielle Franco


“As marcas dos homicídios não estão presentes apenas nas pesquisas, nos números, nos indicadores. Elas estão presentes sobretudo no peito de cada mãe de morador de favela ou mãe de policial que tenha perdido a vida. Nenhuma desculpa pública, seja governamental ou não, oficial ou não, é capaz de acalentar as mães que perderam seus filhos. (…) Não há como hierarquizar a dor, ou acreditar que apenas será doído para as mães de jovens favelados. O Estado bélico e militarizado é responsável pela dor que paira também nas 16 famílias dos policiais mortos desde o início das UPPs”.

***

Desde julho de 2014, quando o líder quilombola Paulo Sérgio Santos foi morto a tiros no acampamento Nelson Mandela, em Helvécia, no interior da Bahia, outras 22 lideranças políticas, militantes de diferentes movimentos sociais, foram assassinadas. No dia 15 de março último, o assassinato de Marielle Franco, vereadora pelo PSOL carioca, aumentou essa estatística perversa.

A morte de Marielle, 24a vítima de execuções políticas em menos de quatro anos, teve ampla repercussão dentro e fora do Brasil, em parte pelo contexto em que ocorreu, apenas um mês depois da intervenção federal no Rio de Janeiro. Uma das facetas dessa repercussão evidenciou, uma vez mais, os imensos reservatórios de ódio – a expressão é do historiador germano-americano Peter Gay – capazes de banalizar e justificar, de maneiras as mais torpes, uma tragédia que ceifou, violentamente, duas vidas – junto com Marielle, morreu também Anderson Pedro Gomes, seu motorista.

Das vozes que emergiram do esgoto, algumas se sobressaíram: o líder do MBL gaúcho, Felipe Pedri; o deputado federal Alberto Fraga (DEM); a desembargadora carioca Marília de Castro Neves; o também deputado e pastor Marco Feliciano. Centenas de outras se incumbiram da tarefa abjeta de difamar e caluniar Marielle Franco. Para os milicianos virtuais, a morte física perpetrada pela milícia armada – quatro tiros na cabeça – não foi suficiente. Era preciso matá-la de novo, ainda que as razões dessa segunda milícia, a das redes, não sejam exatamente as mesmas daquela, a armada.

Para esta, a vereadora e militante do PSOL era, principalmente, um incômodo político. Sua atuação, primeiro na Comissão de Direitos Humanos da Alerj, ainda como assessora do deputado Marcelo Freixo e, desde o ano passado, como parlamentar, foi pautada na defesa intransigente dos indivíduos e comunidades fragilizadas pela constante violência a que são sujeitadas.

Isso significava, entre outras coisas, denunciar a corrupção e a violência policiais e a ação das milícias, expondo suas digitais nos assassinatos e chacinas que se tornaram um lugar comum nas favelas cariocas. Significava também escancarar a participação de parte da própria força policial nas milícias, mostrando o quanto, em certa medida, uma era extensão da outra, e que a violência não é “uma exceção”. Discurso comum entre oficiais que precisam justificar a truculência desmedida de seus subordinados e as deles próprios, ela é um mal que afeta estruturalmente a corporação, de alto a baixo, resultado de nossa concepção equivocada e distorcida de polícia.

Nas redes sociais, os milicianos virtuais fizeram o que sabem fazer melhor: mentiram, distorceram, difamaram, caluniaram. A segunda morte de Marielle, a tentativa de assassiná-la, por assim dizer, simbolicamente, foi principalmente um empreendimento movido pelo ódio ao outro, sintetizado na figura de uma mulher negra, lésbica, nascida e criada na periferia, militante de esquerda e dos direitos humanos.

Contra o “Estado penal” – Mas foram principalmente o racismo e o preconceito de classe os afetos que moveram a verborragia virtual. Para as milícias que atuam nas redes, não há outra explicação possível à ascensão social e política de uma mulher negra e da periferia – Marielle nasceu e foi criada na Maré –, que não sua associação ao crime – o líder do MBL gaúcho afirmou, textualmente, que “por óbvio a vereadora tinha relações com o CV e outros. Isso é básico”.

O duplo preconceito é reforçado na afirmação, reproduzida inúmeras vezes, de que Marielle “defendia bandidos” por conta de sua militância nas comunidades periféricas. Não há retórica que disfarce o óbvio: para os seus executores virtuais, todo morador de favela é um criminoso, principalmente se negro, e estar ao lado deles na defesa de seus direitos mais básicos – como o direito à vida – é entrincheirar-se ao lado de bandidos.

Marielle Franco respondeu aos que fomentam o ódio, o preconceito de classe e o racismo quatro anos antes de ser assassinada. Em sua dissertação de mestrado em Administração Pública, “UPP – a redução da favela a três letras”, defendida na Universidade Federal Fluminense em 2014, cuja passagem serve de epígrafe a esse texto, ela identifica na implantação das UPPs, fruto da parceria dos governos petistas com os governadores Sérgio Cabral e Pezão, a continuidade do que estudiosos do tema chamam de “Estado penal”.

Os resultados nefastos desse modelo de segurança pública, que traduz exemplarmente a relação do Estado com as populações subalternizadas, não vitimiza apenas civis. Na dissertação, mas também em intervenções públicas, Marielle pontuava que a violência atingia igualmente policiais, e lembrava que o efetivo militar que atuava nos morros era composto, em sua maioria, por homens negros e pobres.

De um modo ou de outro, as vítimas preferenciais do “Estado penal” brasileiro têm a mesma cor de pele, a mesma etnia e as mesmas origens sociais e geográficas, daí a necessidade de organizar, nas palavras de um amigo muito caro, “as rebeldias de pessoas exploradas e oprimidas”, tarefa a qual ela se dedicou com afinco.

Sim, Marielle Franco foi assassinada por ser mulher, negra, lésbica, nascida e criada na periferia e militante de esquerda e dos direitos humanos; e pelos mesmos motivos, milícias virtuais a executaram nas redes. Mas suas mortes foram impulsionadas também pelo que temiam, nela, seus muitos executores: a irrupção do novo, a militância em defesa da dignidade e da vida, e contra as muitas formas de violência que, desde o Estado, precarizam principalmente os corpos de homens e mulheres pobres e negros. Nossa melhor resposta, talvez a única possível, para honrar sua memória, é não esmorecer frente à barbárie.

terça-feira, 20 de março de 2018

Direitos humanos só defendem bandidos? Brucutus acham que sim

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Imagine um símbolo da estupidez humana. Se pensou na imagem publicada no fim deste texto, acertou em cheio. O tacape com a inscrição “direitos humanos” é, muito certamente, um dos maiores símbolos da imbecilidade que campeia por aí. Aliás, o uso da palavra tacape é proposital: a intenção é fazer uma remissão para a figura do “brucutu”, gente que ainda vive nas cavernas. Fica a pergunta: de onde surgiu a ideia de que os direitos humanos servem apenas para defender bandidos?

A intenção não é lançar debates, fazer historiografia ou tentar explicar a questão dos direitos humanos. Há muita gente a fazer isso, infelizmente com poucos resultados. Interessa aqui analisar como o inconsciente social é afetado pelo mito - no sentido barthesiano, entendido como distorção da realidade. Afinal, essa realidade distorcida afeta a quem? Correndo o risco de simplificar demais, é fácil afirmar que é o tal cidadão de bem.

Qual é o perfil desse cidadão de bem? Em termos políticos, é o reacionário. Em termos culturais, é o ignorante. Em termos comportamentais, é o brucutu. A lógica dessa gente é nefasta. Dizem que os direitos humanos só servem para defender bandidos. E quem são os bandidos? No plano mental dessa gente, quase sempre negros, favelados, marginalizados. Ou seja, é uma questão de racismo, de apartheid social, de ódio de classe.

E como essa gente expressa o seu ideário? Pela poupança de neurônios. O mito é uma falsificação da realidade que obriga a evitar qualquer esforço mental. Nada que implique estudar, pesquisar ou debater é aceitável. O mito é simplificador. Vive de frases feitas. De clichês. De símbolos (como o tacape). Por quê? Porque é muito fácil entender e reproduzir a mensagem. Para um brucutu, nada é mais odiável do que pensar.

Há um pano de fundo. O brucutu é, antes de tudo, um odiador. É o portador de um sentimento vingativo, punitivista, atrabiliário. A negação dos direitos humanos é apenas a expressão do desejo de punir o outro. Enfim, são pessoas de mente tão grosseira que toda a compreensão dos direitos humanos cabe num porrete.



segunda-feira, 19 de março de 2018

O Onkel perdido em seu labirinto



POR JORDI CASTAN
Um dia anuncia pomposamente sua intenção de se candidatar ao governo do Estado. E ua aquele discurso conhecido de se colocar à disposição do partido para concorrer. Na semana seguinte, viaja até a capital e participa de reuniões de articulação política. Na outra sente a temperatura e o impacto que o pré-lançamento da sua candidatura teve e, depois de verificar que terá mais dificuldade da que tinha inicialmente imaginado, encarna a raposa de Esopo para declarar que ¨as uvas estão verdes¨. E que continua como prefeito de Joinville até o final do mandato.

A imagem do prefeito é a mesma que tem projetado desde o primeiro dia de mandato. Um discurso vazio, empolado, sem substância e sem ações que tenham o menor conteúdo. Palavras  que nada mais são mais que bolhas frágeis de sabão que a brisa e que logo estouram. Nada é mais concreto que a realidade.

A pré-candidatura ao governo do Estado não passou nunca de uma quimera. Uma ideia de lunático que perdeu o contato com a realidade e toma decisões guiadas, unicamente, pela sua alienação e pelos conselhos dos áulicos de plantão que o cercam e assessoram. Em cada ato público, em cada oportunidade, o prefeito apresenta o discurso da cidade próspera e pujante. Que se destaca pelas realizações. Que cresce a olhos vistos e que os poucos problemas que enfrenta, comuns a todos os municípios do pais, são fruto da falta de recursos, da legislação ou do trabalho da oposição. Aliás, falar de oposição em Joinville é falar de algo tão irreal como a Joinville do Vale do Silício, de obras públicas sendo executadas no prazo e pelo custo orçado, da Cidade das Flores ou das bicicletas.

O prefeito está mergulhado num labirinto do qual não consegue sair. Quanto mais avança o calendário, mais se perde num labirinto profundo, escuro e impenetrável. E perambula assim, desprovido da capacidade de orientar-se e buscar conselhos fora do seu círculo de acólitos. Sem um novelo para ajudá-lo, o prefeito segue perdido, indo e voltando nas suas decisões e propostas. E  Joinville continua detida no tempo, a caminhar para trás ou a avançar em câmara lenta, ante o olhar impávido do gestor que, sendo eleito para gerenciar Joinville, acredita que sua missão seja a de gerenciar Santa Catarina.

domingo, 18 de março de 2018

Aula inaugural


Mais de 1000 pessoas lotaram o Teatro da Reitoria da UFPR na sexta (16), para assistir a aula inaugural do curso livre de extensão “O golpe de 2016: a destruição dos direitos sociais”. Proferida pelo professor e cientista político Ricardo Costa de Oliveira, e pela professora Andréa Caldas, diretora do Setor de Educação, conta com a participação de 21 professores e professoras da Universidade e outros três convidados externos. Os encontros serão retomados a partir de 09 de abril; o curso encerram no dia 27 de junho. Maiores informações no site da UFPR.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Dá para ser feliz no Brasil? O World Happiness diz que dá (veja o vídeo)

POR ET BARTHES
Quais são os países mais felizes do mundo? A resposta a essa questão está no relatório da “Felicidade Mundial” (World Happiness Report”, divulgado esta semana. A maioria dos países do Top 10 está na Europa - à exceção de Canadá, Nova Zelândia e Austrália - e os quatro primeiros lugares do ranking são ocupados por países nórdicos. Parece que nem mesmo o frio do inverno acaba com a felicidade deles.

Mas estranha é a posição do Brasil, que ocupa o 28º lugar da lista, acima de países como Japão, Espanha, Itália ou Portugal (para onde, vale lembrar, tem muito brasileiro mudando). Eis a questão. Os brasileiros têm mesmo razões para estar entre os mais felizes do mundo? Ou será que esse é um mito que vem sendo construído ao longo da história? O filme apresenta pelo menos uma razão de peso.

Quer saber mais? Então veja o filme.


quarta-feira, 14 de março de 2018

Stephen Hawking



POR SANDRO SCHMIDT

Boulos, o luto e a melancolia


POR CLÓVIS GRUNER
O PSOL confirmou sábado último (10), a pré-candidatura de Guilherme Boulos à presidência da República. O líder do MTST terá como vice a líder indígena Sônia Guajajara. À primeira vista, o nome de Boulos parece atender a uma necessidade algo pragmática, não inteiramente equivocada em termos eleitorais. O mais conhecido entre os pré-candidatos – os outros eram os economistas e professores universitários Nildo Ouriques e Plínio Jr., e o pedagogo Hamilton Assis –, ele talvez reúna as condições necessárias para “puxar votos” e aumentar a ainda tímida bancada psolista nos parlamentos estaduais e federal.

Mas esse mérito não oblitera alguns problemas, a começar pela forma como sua candidatura foi definida. Além disso, e o mais importante a meu ver, o despontar do nome de Boulos dentro do PSOL talvez encerre, definitivamente, qualquer possibilidade que ainda existia do partido se consolidar como uma opção aqueles eleitores que, como eu, ainda votam à esquerda, mas não têm intenção de votar no PT. Detenho-me um pouco mais nisso.

Simpática ao PT e a Lula, que gravou vídeo manifestando seu apoio, a candidatura de Boulos facilita uma aproximação em um eventual segundo turno, caso o partido de Lula esteja de fato no segundo turno, com ou sem ele. Em tese, os segmentos do PSOL favoráveis a uma aliança entendem que, com o líder do MTST, evitam repetir 2014, quando a liderança de Luciana Genro dificultou o apoio a Dilma. Na prática, a candidatura de Boulos não é muito diferente da de Manuela D’Avila, do PCdoB; em ambas a independência é relativa, porque demasiado próximas e pouco críticas ao PT.

Não é o tipo de coisa que me surpreende no PCdoB, mas não deixa de ser um pouco frustrante no caso do PSOL. Sempre soube dos limites, inclusive eleitorais, do partido, e sua dificuldade em inserir-se e dialogar com grupos e eleitores que não os da classe média, com quem o partido parece ter uma maior afinidade. E não ignoro que, ao menos em parte, a indicação de Boulos pode ser uma tentativa de minimizar isso.

Mas a inexistência de uma relação mais orgânica com o PSOL – ele se filiou em março, dias antes de ser indicado pré-candidato – talvez não surta o efeito esperado, com os possíveis eleitores se identificando mais com o candidato que, necessariamente, com o partido. Respeitadas as diferenças e proporções, há o risco do PSOL repetir, com Boulos, um dos principais erros do PT, o de produzir uma candidatura personalista, que mantém com o partido uma relação instrumental, quando não oportunista.

Além disso, a sua candidatura coloca o PSOL mais perto de ser “linha auxiliar do PT”, acusação lançada contra o partido pelo então candidato Aécio Neves na última campanha, e prontamente rebatida por Luciano Genro. A questão é: Boulos terá condições de negar, tão pronta e enfaticamente como Genro, se fizeram acusação semelhante ao PSOL em 2018? Creio que não. E nem é preciso muito esforço para entender por que.

A opção por lançá-lo e não qualquer outro candidato, representa a recusa do PSOL em assumir o risco de ser uma alternativa à esquerda, colocando-se em uma posição mais crítica em relação ao PT que o pariu. Que fique claro: não se trata de negar ou rechaçar aspectos positivos do legado petista, de esquecer e jogar na “lata do lixo da história” a herança de seus governos, acusação recorrente sempre que se ameaça criticar o partido e suas gestões, apontando suas contradições, seus limites e os muitos equívocos.

Mas não podemos seguir reféns do PT, entre outras coisas porque isso está a nos custar muito caro: enquanto a defesa incondicional de Lula parece ser o único projeto que realmente importa aos petistas e parte da esquerda, um governo criminoso e de criminosos continua a governar impunemente e sem enfrentar resistência alguma capaz de opor-se a ele. Em alguns meses iremos às urnas, e a esquerda ainda não disse o que pensa e propõe para a economia, a segurança pública ou o combate à corrupção, por exemplo.

Pode-se argumentar que ainda é cedo, e que isso aparecerá na hora certa. Bobagem: programas de governo são apresentados no período eleitoral; projetos para o país, não. A esquerda hoje não tem nenhuma coisa, nem outra – a exceção talvez seja o PSTU, concordemos ou não com ele; mas da perspectiva eleitoral o partido tem ainda mais dificuldades e limitações que o PSOL.

Com o declínio do PT, de um lado reduzido à liderança personalista e algo messiânica de Lula, de outro apostando que os eleitores acreditem que basta elegê-lo em outubro de 2018 para voltarmos a outubro de 2002, o PSOL tinha a chance de ser o porta-voz de inquietações e demandas que nem Lula, tampouco o PT, são hoje capazes de encampar. Mas para isso seria preciso elaborar de uma vez por todas o luto, o que o PSOL não fez. Sinal de que teremos, pela frente, uma campanha melancólica.