domingo, 4 de agosto de 2013

Acredite, sou negro e catarinense

POR FELIPE CARDOSO

Como é bom morar em um estado que é comparado com a Europa, que tem clima europeu, que tem muitas influências da cultura de lá. Sim, é bom viver em Santa Catarina. Um estado que valoriza sua cultura, que mantém viva suas tradições.

Como é bom se sentir um pouco alemão, um pouco italiano, português, africano... Africano? Como assim? África não fica na Europa! Pois é, mas existem negros por aqui. Só que muita gente já se esqueceu ou já se acostumou com tamanha invisibilidade. E não só pelo fato da quantidade de negros no estado ser pequena, mas sim pela mídia insistir em não apresentar o negro como parte deste estado.

O erro já começa em muitos catarinenses acharem e até afirmarem que por esses lados não existiu escravidão, que por aqui o negro chegou a pouco tempo.

Por falar nisso fica aqui minha indagação: como andam os estudos sobre o estado nas salas de aulas, o que os professores ensinam sobre sua colonização? O que é passado para nossas crianças e jovens sobre a história de Santa Catarina e em que parte o negro entra nessa história? (Se é que entra).

Outro erro que vejo é o estado celebrar festas típicas de origem germânica, italiana, açoriana, que ganham proporções nacionais e até internacionais. Orgulham-se disso e fazem questão de deixar claro que as tradições por aqui são preservadas por pessoas de pele clara, cabelo liso e olho azul, que muitas vezes falam até na língua estrangeira, para deixar claro que por aqui é assim que funciona, é assim que se vive. O erro não está na comemoração em si, não está em sentir orgulho da sua história, da sua cultura. O erro está em estereotipar o estado para o mundo,excluindo a presença de índios e negros que também vivem aqui e que ajudaram e ajudam a construir a história de Santa Catarina.

Bom, você deve estar pensando: “tá, mas e daí? O que isso interfere?”

Interfere que é passado para quem não mora aqui a ideia de que no estado catarinense  não existam pessoas de cor, fora do “padrão catarinense de qualidade”. Faz com que pessoas negras que venham de fora se admirarem quando você (também negro) diz que nasceu e foi criado aqui, junto com sua família e mais um monte de negros. Dá a entender que por aqui negro não exista e nem tenha espaço e faz também com que o negro que mora aqui se sinta de alguma forma rebaixado, fora do padrão, sentindo-se no lugar errado.

Sim, de um modo sútil e sem muito alarde eu vos digo, isso é racismo. Vivemos em um estado racista.

Não acredita? Dia desses lendo alguns comentários no Facebook sobre racismo, encontrei e me identifiquei com o comentário da Fran Vasconcelos, na qual ela define racismo:

“O racismo é um sistema de sentidos material e histórico, não é subjetivo. É um modo de organização social em que uma 'raça' se sobrepõe a outra, se afirma como paradigma, se naturaliza como regra e oprime as demais. O racismo não é algo subjetivo, individual, que se manifesta entre pessoas. Ele está estruturado e inserido na sociedade, na forma como ela se organiza e se reproduz, no mercado de trabalho, na mídia, entre as vítimas da violência, entre o público do sistema carcerário, entre os pobres em todo o mundo, entre os proprietários e os não proprietários”

E o que acontece em Santa Catarina?

Muitos não ficarão surpresos e nem darão bola para o que aqui escrevo, pois já estão até cansados desse papo. Mas para outros esse debate é importante sim. Para os negros é muito importante a luta pelo espaço e não temos nem devemos nos cansar desse assunto. Também somos catarinenses, vivemos aqui, ajudamos a cada dia no crescimento do estado, temos a nossa cultura, as nossas festividades que vão além do dia da abolição e da semana da consciência negra. Nossa história não é representada em um dia, nem em uma semana. Nossa história é representada sempre, junto com a luta pela igualdade.

Sim, sou negro, joinvilense, nascido e criado aqui. Tenho orgulho da minha cor, da minha cidade e do meu estado, mesmo sabendo que com os dois últimos não é recíproco.

Felipe Cardoso é estudante de Publicidade e Propaganda

64 comentários:

  1. Ao menos reconheces o quão enfadonho é o tema.

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    1. Das duas pelo menos uma: burrice ou mau-caratismo.

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    2. Se é assim, prefiro mil vezes ser taxado de mau-caráter do que alguém que faz apologia a algo tão utópico quanto a gratuidade do transporte público, por exemplo.

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    3. Eu li direito os posts acima??? Utopia?

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    4. Não Léla, me interpretei mal. Utopia seriam cidades com transporte público gratuito na Alemanha, Reino Unido, Holanda, Japão... Esqueci-me que para a Esquerda hipócrita e demagoga latino-americana a palavra Utopia não existe no dicionário.

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    5. A esquerda adora a utopia. Está sempre atrás dela:

      "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."

      Eduardo Galeano

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  2. Felipe, interessante e necessário seu posicionamento. Para além da posição cômoda e comodista dos Marcos da vida, questionar o mito da "democracia racial" que grassa pelo Sul maravilha é absolutamente necessário.

    Aqui em Curitiba temos um bom exemplo disso. Cidade dos muitos monumentos étnicos - há praças e parques para tudo e para todos -, a Praça Zumbi dos Palmares, homenagem à "contribuição africana" na construção do estado e de sua capital fica em um bairro afastado e não é parte do roteiro turístico da cidade. Aliás, muitos curitibanos sequer sabem da sua existência, diferentemente das praças ou parques do Japão, da Alemanha, dos italianos, ucranianos, poloneses, etc..., localizados em bairros ou regiões mais centrais ou urbanizadas, e que constam no roteiro oficial da cidade.

    Na descrição de um aluno: "depois da periferia tem uma valeta, depois da valeta, tem a praça Zumbi dos Palmares". E a coisa é ainda mais perversa porque se alguém, como o Marcos ali em cima por exemplo, vier com o papo de que a cidade prestou sua homenagem aos negros, ele não deixará de ter razão.

    Conversando com uns colegas outro dia, alguém disse que os negros não são a única minoria em Jville. É verdade. Em uma cidade que ainda se orgulha de suas origens germânicas, provavelmente italianos, suecos, holandeses, etc... são minorias. Mas a noção de minoria não é apenas numérica, ela está ligada ao contexto. E neste caso, as minorias de imigrantes e seus descendentes europeus e brancos, jamais serão minoria do mesmo modo que o são os negros.

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    1. não preciso de brancos me defendendo. vão cuidar da vida de vocês.

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    2. Você é vítima de alguma coisa? Não? Então por que acha que estamos aqui a defender alguém?

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  3. Ok. Minha esposa é baiana, é branca de cabelos pretos e olhos claros. Ela tem ascendência italiana e, assim como milhares que vivem na Bahia, faz parte de uma minoria naquele Estado. Porém a Bahia vende apenas a imagem da cultura afro-brasileira esquecendo-se das demais etnias.

    Então, porque lá a exaltação da cultura africana é vista com normalidade, ao contrário daqui com as culturas europeias?

    Acho que essa visão do “politicamente correto” já deu o que tinha de dar. As pessoas acham que ao exaltar o negro/indígena tentando diminuir outras etnias estão fazendo algo de bom, mas na verdade estão apenas acirrando diferencias étnicas/raciais que deveriam ficar no passado, gerando cada vez mais desconforto para todos. O negro, ao contrário do indígena, não é tão citado em Santa Catarina porque, de fato, forma uma minoria da população bem distribuída nas cidades, sobretudo nas litorâneas. A maior parte das festividades de origem estrangeira (que servem de chamariz para o turismo) fica nas cidades do interior do Estado, cuja maioria foi fundada e colonizada por alemães, italianos ou eslavos. Nessas cidades os negros chegaram tardiamente e em menor número.

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    1. Não deixa de ser patética essa negação ao racismo com o argumento da inversão. Acho algo "incomentável".

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    2. O racismo está na sua cabeça, Felipe.

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    3. Sabe José, deve ser por que os antepassados de sua esposa não tenham sido raptados de sua terra natal e servido de mão de obra escrava.

      Talvez "só" por isso a cultura africana é mais exaltada na Bahia...

      Aliás, de tão exaltada que é a cultura negra da Bahia, os últimos governadores baianos são brancos.

      NelsonJoi@bol.com.br

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    4. Não vou perder meu tempo respondendo ao José, porque o Nelson já disse o que era para ser dito: negro na Bahia é tão valorizado, que quem manda no Estado são os brancos. É o que dá quando se confunde folclorização com valorização.

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    5. "As pessoas acham que ao exaltar o negro/indígena tentando diminuir outras etnias estão fazendo algo de bom, mas na verdade estão apenas acirrando diferencias étnicas/raciais que deveriam ficar no passado, gerando cada vez mais desconforto para todos."

      Primeiro: não vejo nada no texto do Felipe que diminua outras etnias.

      Segundo: ninguém precisa "acirrar diferenças étnicas", porque elas já existem.

      Terceiro: não, o racismo não está na cabeça do Felipe - a qual você se refere? Ele está, por ex.:, em uma distribuição do patrimônio público que coloca praças e parques étnicos destinados à cultura europeia em bairros privilegiados e como parte do roteiro turístico da cidade, e uma praça em homenagem à cultura negra localizada em um bairro da periferia, abandonada, esquecida e desconhecida até por muitos curitibanos - como descrevi. Está em uma historiografia que nega a presença de negros e escravos, como é o caso de Joinville. Está nas piadas de mau gosto, nos salários menores pagos a negros que cumprem as mesmas funções dos brancos. Está nos anúncios de emprego que pedem "pessoas de boa aparência" e nos recrutadores que não entrevistam candidatos negros, etc..., etc..., etc...

      O racismo não está na cabeça de ninguém, Felipe. Visite uma favela e uma penitenciária; depois, vá a um bairro de classe média. Ops! Exemplo ruim. Você é bem capaz de argumentar que os negros são em maior número nas favelas e penitenciárias porque querem, afinal, a abolição já tem mais de um século e no Brasil, como diria o grande intelectual Ali Kamel, "não somos racistas".

      Pois é, tudo coisa da nossa cabeça.

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    6. Nelson, fiz uma comparação com um Estado brasileiro de maioria negra da mesma forma que o autor fez com outro de maioria branca. Não sei muito sobre os antepassados de minha esposa, mas os meus eu sei que vieram enganados da Europa, passaram fome, frio, tiveram de se adaptar a uma terra desconhecida, sem nenhuma infraestrutura e, mesmo assim, colonizaram cidades como Joinville, por exemplo. Os meus antepassados (nem os dela) não tiveram escravos, até porque a escravatura terminou oficialmente no século retrasado.

      Quando aos políticos baianos brancos, tenho certeza que existem muitos negros concorrendo aos cargos públicos e, levando em consideração que a maioria dos votantes da Bahia são negros, deixo contigo a conclusão.

      Mas, e os índios? Porque esses não são tão citados nas postagens, esses sim são minorias, inclusive em extinção. Será que é porque os índios não estão na moda? Quanto aos negros, os deixem em paz, não precisam que os defendam, são capazes por si só.

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    7. Putz! Então você acha que qualquer discussão envolvendo minorias étnicas, sejam elas negras ou indígenas, é uma questão de moda? Estamos a tratar de "coisas", então?

      Nossa! Para quem é casado com uma negra, sua mentalidade não é muito diferente da dos senhorzinhos do século XIX: se não for branco não é gente. Um viva à democracia racial brasileira.

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    8. Clóvis, você me surpreende cada vez mais.
      E minha esposa não é negra, ela é baiana, seu preconceituoso!

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    9. José, olhe essa foto com as candidatas do concurso Miss Bahia 2013. Mostre para sua esposa e contem juntos quantas negras tem na foto. Pois é, dá pra imaginar mesmo o que acontece por lá e parece não ser muito diferente daqui, não é mesmo? O racismo está na minha cabeça? Você mesmo disse que na Bahia a maioria é negra, então me diga: a que maioria essas garotas representam? (https://fbcdn-sphotos-d-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn2/248003_565099203513225_1223206504_n.jpg)

      Você leu o texto? Tem certeza? Citei os índios. Dá uma lida novamente. Ah, luta por direitos nunca foi e nunca será moda, não para mim.

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    10. José, adoro surpreender as pessoas. E sua indignação com o meu engano revela bem quem, afinal, é o preconceituoso aqui.

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    11. Parabéns, José. Até que enfim mais alguém sem respostas enlatadas sobre um assunto demasiadamente sensível que é a questão da cor nesse país hipócrita. Explicaste bem sobre pouca influência da etnia negra no Estado ao comparar SC, unidade com maior proporção de brancos do país, com a Bahia, que é o inverso.

      Clóvis, estereotipar também é preconceito.
      Aos poucos eles vão se enforcando com a própria língua. As máscaras caem.

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    12. Felipe dos Santos, sobre a fotografia das candidatas a misses da Bahia, lembro que o padrão de beleza imposto pela mídia e pelas agências de modelo é o “padrão europeu” aqui e na Cochinchina. Negros, indígenas/aborígenes, árabes e asiáticos são considerados pelo júri como “exótico”. Mas isso está mudando, pois há dois anos uma negra angolana venceu o miss universo, assim como uma brasileira chamada Deise Nunes, em 1984.

      Ainda sobre a escolha das misses brancas da fotografia, faço a mesma colocação que fiz no post das 23:13 sobre os políticos baianos brancos: certamente existiam muitos jurados negros e pardos.

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    13. José, mas se o padrão de beleza é o europeu, então a argumentação do Felipe é absolutamente justificada e coerente. E você acabou de colocar por terra sua tentativa de argumentação: não foi você quem disse que na Bahia há uma exaltação da cultura africana? Como diria Spock: fascinante.

      Marcos, se no Sul a maioria numérica é branca e, segundo você, isso justifica a invisibilidade da cultura, então explique, com base neste seu argumento, porque em um concurso de misses na Bahia, as candidatas não são negras.

      Como você vê, quem reproduz "respostas enlatadas" e acaba por se enforcar com a língua, uma vez mais, não sou eu. Mas é o que acontece quando um sujeito cuja visão de mundo não se estende para além de Pirabeiraba resolve entrar em discussões complexas.

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    14. Então eu devo me contentar com uma negra ganhando o concurso de miss universo a cada 30 anos? Onde é que se está mudando? A própria foto mostra que não está mudando. E daí que tinham muitos jurados negros e pardos?

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    15. Mas Felipe, de acordo com o José você terá muito a comemorar em 2014: a Miss Brasil será negra.

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    16. Porque o preconceito existe aqui e na Bahia, caro Watson.

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    17. Felipe, você não tem que se contentar com nada. O único direito que você tem é manifestar sua indignação, só. Ou você quer cotas para modelos e misses também? Impor goela a baixo a não vai mudar a sociedade, não vivemos numa bolha.

      Clóvis, eu disse que o padrão de beleza imposta pela mídia e pelas agências de modelos é o europeu. É um padrão de beleza, como as das mulheres gregas retratadas séculos atrás, rechonchudas. O que deseja? Que façamos uma petição para que as agências de modelos do mundo mudem o padrão? Ok, vá em frente. Não acho a argumentação do Felipe tão justificada assim, pelo menos quando ele cita o exemplo de SC. Os negros no Estado são minoria e não tiveram a mesma importância dos europeus. Ponto! Não causa estranheza a falta de tantas homenagens aos negros em praças ou repartições públicas. Os japoneses também imigraram a SC, mas quase nunca são lembrados.

      Grande coisa se alguém se surpreende pelo Felipe ser negro e catarinense, eu também ficaria surpreso se encontrasse uma amazonense loira, alva e de olhos azuis.

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    18. "Felipe, você não tem que se contentar com nada. O único direito que você tem é manifestar sua indignação, só. Ou você quer cotas para modelos e misses também? Impor goela a baixo a não vai mudar a sociedade, não vivemos numa bolha"

      Bem, se for necessário, que se crie cotas para modelos e misses negros. Vi em uma entrevista uma modelo negra falar que tinha que disputar com outra negra para ver qual das duas iria desfilar, sendo que o restante das modelos eram brancas. Você realmente acha isso justo? Se não houvesse desigualdade não seria preciso cotas, não é mesmo? Ou vai dizer que o mundo da moda e a mídia foram criados por pessoas brancas e somente elas podem ter acesso e aparecer?

      Impor goela baixo o que? Até hoje só vi negros, mulheres e índios terem que se submeter a humilhação e aceitar tudo o que era imposto, daí quando se clama por igualdade em pleno século XXI tenho que ler que não adianta "impor goela a baixo". Seria engraçado, se não fosse triste.

      "Grande coisa se alguém se surpreende pelo Felipe ser negro e catarinense, eu também ficaria surpreso se encontrasse uma amazonense loira, alva e de olhos azuis"

      Isso só mostra o quão mente fechada você é.

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    19. desiste josé, eles não vão se convencer. melhor deixar falando sozinho. e agora viraram catedráticos em bahia. mal sabem que esse discursinho não dura uma cerveja em salvador, que é uma cidade muito, mas muito diferente do resto da bahia.

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    20. Se a candidata à miss for negra e não preencher os requisitos, claro que não vai ganhar. Isso se aplica a qualquer descendência étnica. Não tem a ver com cor de pele, tem a ver com o conjunto da obra. Me poupe achar que se não ganham é porque tem outra cor. Mania de perseguição também?
      Ana

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    21. 18:14, a única pessoa aqui que reivindicou a Bahia como exemplo foi o José. E sua lamentável tentativa de argumento caiu como uma única foto.

      É como eu disse: é o que acontece quando pessoas cuja visão de mundo não vai além de Pirabeiraba se metem a argumentar sobre coisas sérias e complexas.

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    22. Este comentário foi removido pelo autor.

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    23. Em nenhum momento nos contradizemos, quem citou a Bahia foi o José, só provei pra ele que o que ele falou não estava certo, que mesmo que lá a maioria seja negra, o racismo existe.

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    24. aquela foto das misses, acompanhada do argumento do felipe, é uma bobagem.
      http://www.coracaodomundo.com.br/2012/01/ile-aiye-escolhe-sua-deusa-do-ebano.html#

      o concurso de miss para o preto de salvador não quer dizer absolutamente nada. aliás, eu achava que isso não importava para mais ningém. mas o que vale para o preto de salvador é o Deusa do Ébano. nome bonito, né?

      e o ile-aiye é um excelente exemplo que estender a mão, se unir, é melhor que lutar. era um bloco de carnaval que não aceitava o ingressos de brancos. com enfase: BRANCO NÂO DESFILAVA NO BLOCO. o que cá prá nós era um direito deles. mas era um bloco que ia definhando ano a ano. a partir de 2009 baixaram a guarda, inclusive por questões econômicas. hoje se o "branco de alma negra" quer torrar o dinheirinho dele no bloco beleza. o bloco se democratizou, abriu os braços, e hoje usa a grana que ganha com o "branco de alma negra" para também fazer trabalhos de inclusão no bairro deles, a Liberdade. mas olha, eu achava que era bem mais bonito quando o bloco era só deles, dos pretos do bairro da Liberdade.

      somos uma raça só, povo. uma coisa que me incomoda no discurso de vocês é isso de "o negro", "o índio". esses caras somos nós, velho. somos nós que não conseguimos gerar renda suficiente prá fazer a vida de todo mundo mais legal. somos um país pobre. são as nossas deficiências, as minhas, as suas, a dos felipes, dos políticos, de todo o povo que vive no brasil que gera essa situação. só discurso não deveria espiar nossas culpas.

      pq na real o problema não é cor de pele, que no fim das contas não quer dizer nada. na bahia eu era branco, aqui eu sou preto.

      o problema é a pobreza. é o pobre, não o preto, que é discriminado. as favelas em joinville tem loiros de olhos azuis, e qualquer foto de presídios da cidade mostra que preto lá dentro é minoria.

      é a nossa pobreza que deveria nos indignar. e nos meus 49 anos só vi duas maneiras decentes de acabar com a pobreza: estudando e trabalhando.

      Ah. um terço dos vereadores de salvador se declaram "negros".

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    25. "pq na real o problema não é cor de pele, que no fim das contas não quer dizer nada"

      Se não dissesse nada seriamos todos tratados igualmente e esse texto não precisaria ser escrito.

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    26. Sou descendente de japonês e exijo também ser lembrado nas praças das cidades catarinenses. Que tal homenagear os bravos imigrantes nipônicos com um falo de 15 metros na praça das maiores cidades catarinenses, lembrando o festival "Kanamara Matsuri" que ocorre todos anos no Japão?

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  4. Texto muito bem escrito, que, de fato, mostra um pouco da exaltação a cultura germânica aqui em nosso estado.
    Mas, se me permite, gostaria de fazer uma indagação:
    Qual a sua opinião das cotas raciais para os vestibulares?
    Porque, para mim, sinceramente, parece que proporcionar tais cotas ou até mesmo fazer uso delas é uma auto-afirmação de falta de capacidade para concorrer de igual para igual. Porque, afinal, todos nós temos a plena capacidade de estudar e passar na mesma prova, sem precisar de um incentivo como esse.
    Sim, não sou negro e falo isso justamente porque tenho amigos negros e sei muito bem da capacidade dos mesmos.

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    1. Em resposta ao anonimo aí de cima:

      Sim, sou a favor de cotas para negros em vestibulares. Sou negro, estudei a vida inteira em colégio particular e passei em décimo lugar no vestibular, mas meus pais tiveram que se sacrificar muito para conseguir me manter em um colégio particular. Isso prova a capacidade do negro e comprova que somos todos iguais e devemos receber os mesmos direitos, como nós mesmos lutamos. Mas temos que analisar a história do país, o negro ainda é marginalizado e muitos ainda estão sem nenhuma esperança para o futuro. Fomos escravizados e depois jogados em favelas e esquecidos por décadas. Se você pesquisar a maioria pobre do país verá que ainda é negra. População essa que depende de escolas públicas para estudar, escolas que convenhamos não dão condições para o estudo. Você vai dizer: "mas brancos também frenquentam as mesmas escolas". Sim, eu sei, mas o governo precisava de alguma forma suprir a necessidade de consertar os erros do passado. Se você der uma pesquisada na internet sobre a comparação da quantidade de negros estudando nas universidades brasileiras em 2001 para os dias atuais, verá que houve um crescimento expressivo, que devem ser comemorados. Agora se você me perguntar se esse sistema de cotas deve durar pra sempre, te direi que sou contra, pois acredito que a educação pública tem que melhorar em todos os sentidos, a começar pela educação infantil.

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    2. Sou contrário ao sistema de cotas. Enquanto negros e indígenas entram nas universidades pelas portas dos fundos, a instituição de ensino básico, fundamental e médio continua desvalorizada. É mais barato adotar medidas afirmativas e populistas do que encarar de frente o real problema e investir na educação de base. Que tal a União inchar menos e manter os impostos nos Estados e Municípios?

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    3. Felipe, também estudei minha vida toda em colégio particular, um dos melhores da cidade. Mas, com certeza, porque meus pais suaram muito a camisa pra conseguir me proporcionar tal estudo. Então, me desculpe, a única diferença que vejo aí, se é que deve ser vista, é a raça.
      Da mesma maneira que o negro não consegue o estudo a contento na rede pública, milhares de outras pessoas, sejam elas de qualquer raça ou cultura, também não consegue.
      Na sua própria resposta você comentou que o fato do seu pai ter se sacrificado para conseguir lhe proporcionar tal estudo já comprova o quanto são capazes. SIM, concordo muito, pois meu pai, não sendo negro, também sacrificou boa parte da vida dele para pagar o nosso estudo particular, que não foi nada barato.
      Então, aí está a maior prova de que quem quer, consegue. E não, não precisa de cotas para conseguir.
      Não sou negro, mas, se assim o fosse, jamais gostaria de ingressar no curso superior através de cotas, pois, pra mim, parece que ao fazer uso deste artifício, estou quase afirmando que não tenho condições (intelectuais) de conseguir, em outras palavras, sou "menos" inteligente.

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    4. Mas como disse:"População essa que depende de escolas públicas para estudar, escolas que convenhamos não dão condições para o estudo". Quantos negros tem a oportunidade semelhante a que eu tive? Veja quantos negros estão em escolas públicas e quantos estão em escolas particulares. O ensino público é fraco e grande parte da população negra depende dela. Por isso que afirmei no final "acredito que a educação pública tem que melhorar em todos os sentidos, a começar pela educação infantil". Só assim para acabar de vez com as cotas. Ou vai negar que o ensino particular é muito superior ao público?

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    5. Claro que não vou negar. As escolas de ensino público deixam muito a desejar. Se preciso, afirmo ainda, pois sou muito grato por esta oportunidade que tive, assim como você.
      É justamente aí que estou falando, o branco sofre com o ensino público, o negro, o índio, o japonês... não é exclusivo de nenhuma raça.
      Peço desculpas por ter desviado a atenção principal do tema do seu texto e mirado para o sistema de cotas, mas, acho que tem algo muito falho aí.
      As vezes, quem sabe, falta um pouco de interesse e a crença em si mesmo de vencer, onde, nessas histórias, colocar a "culpa" em toda a história de nosso país é mais fácil do que acreditar em um sonho e ir até o final.
      Nos cursos superiores de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado (aqui e fora do país), existem inúmeras ações do governo brasileiro para financiar tais estudos. Em alguns, além de ter os estudos gratuitos você ainda recebe uma bolsa para se manter, enquanto durar o curso.
      Meu irmão fez toda a sua carreira acadêmica, até mesmo o Doutorado na melhor faculdade do mundo, através disso. Será que ele só conseguiu porque é branco? Me parece que não, né? Conseguiu porque acreditou no seu sonho, e batalhou, muito. Não precisou pagar nada. A vaga estava lá, pra qualquer um, inclusive para os negros. O que falta para grande parte da população é a informação. Ou melhor, a vontade da informação, haja vista que o acesso a informação não é mais restrito, já que qualquer Smartphone tem acesso a internet, fonte de muita besteira, mas também de muita coisa boa, é só saber filtrar.
      Agora, minha pergunta final: Será mesmo que existe essa diferença toda, ou, é melhor colocar parcela da culpa toda na história de nosso país?
      Dificuldades todos nós temos, e, sempre teremos. Mas só quem quer, consegue. Então, o negócio é ir a luta.

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    6. Tudo bem, o debate vale a pena, não se preocupe em não fazer parte do tema. Vamos lá:

      Sim o sistema público é frequentados por outras raças também, mas os negros são maioria. Não sei onde você mora. Mas imagine você morando em uma favela, tendo sua aula interrompida por tiroteio. Pense em você saindo da aula e vendo traficantes vendendo drogas em frente a escola. Imagina você descer o morro as 5 h da manhã e voltar as 20 h para ganhar um salário minúsculo, enquanto o traficante tira em um dia o que você leva um mês. Pensa você morando no sertão e ter que andar 5 km a pé para pegar um ônibus ou atravessar um rio em uma canoa. Tenta se identificar com alguma dessas histórias, daí você verá que não é só lutar para conquistar, tem vários outros fatores que interferem e te impendem de prosseguir. Essas histórias são comuns para o povo negro e indígena. Você lembra do jovem negro morador da favela, que passou em medicina? Passou no Fantástico e tudo. Ele foi capaz. Mostrou para vários que foi capaz. Foi 1 em 1 milhão. Tempo depois ele foi assassinado próximo a sua casa. Então não é só lutar, tem vários fatores que impedem que esses jovens aprimorem seus conhecimentos e continuem seus estudos. Muitos começam a trabalhar cursando o ensino médio (quando chegam lá) para ajudar a sustentar a casa. Quando chegam em uma faculdade é uma vitória e as cotas permitiram isso. Pega os dados de 2001 e compara com os dias atuais que verás o tanto de jovens negros que ingressaram nas universidades após a implementação de cotas.

      O que quero falar com tudo isso é que ainda somos marginalizados e excluídos, as más influências ainda nos cercam. Respondendo a sua pergunta: SIM EXISTE ESSA DIFERENÇA. Demonstrei alguns exemplos ali em cima. Cito outro: um negro, morador de favela, que está completando o ensino médio e trabalhando para ajudar sua família a sustentar a casa, ele vai prestar vestibular ao lado de um branco, da classe média, que não precisou trabalhar, cursou escola particular, fez pré vestibular e cursos de inglês e espanhol. Os dois terão as mesmas oportunidades? Os mesmos resultados? Tem certeza?

      Parabéns para o seu irmão que aproveitou a oportunidade, fez muito bem, sucesso a ele.

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    7. Então não precisamos de cotas, e sim de melhorias na educação, saúde e segurança. Até se não forem dados melhorias a essas três áreas acredito que o sistema se torne um tiro no pé do governo. Pois um aluno que entra na universidade por cota pode vir com uma educação não tão boa quanto o aluno que venha de uma escola particular, e ai o que será feito? Cota pra cotista, ou seja, passar sem dificuldades o aluno de cota? Ou baixar o nível das universidades para estarem todos parelhos ao nível da escola publica (nível baixo). Ai pode acaba gerando mais racismo, racismo contra alunos de cotas. E depois no mercado de trabalho como será??? Ou seremos todos cabeça fechadas, que não iremos questionar o governo e seremos seus robôs?
      Acredito que temos que continuar lutando por melhorias na educação, saúde e segurança, só assim seremos esclarecidos e iguais (mesmo já sendo). E infelizmente isso não vai mudar agora, mas quem sabe o meu filho, o seu filho e os filhos dos nossos filhos sentiram esta mudança.

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    8. O governo garante a entrada dele na universidade, a partir daí é por conta própria. Ele tem que mostrar a que veio, o governo não vai aprová-lo.

      Falei sobre as melhorias no ensino na primeira resposta:
      "Agora se você me perguntar se esse sistema de cotas deve durar pra sempre, te direi que sou contra, pois acredito que a educação pública tem que melhorar em todos os sentidos, a começar pela educação infantil."

      Mas enquanto a melhora não acontece, o que será feito? Algumas medidas são necessárias, senão permanece da mesma forma.

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    9. Ok, Felipe, entendo a sua posição.

      Você citou o rapaz negro, morador da favela, que passou em Medicina. Sim, ele acreditou, e conseguiu. Porque tantos outros não irão conseguir?
      Estes problemas, são problemas sociais como um todo, não única e exclusivamente para os negros. Na favela também tem muitos brancos, que sofrem diariamente com os mesmos problemas que os negros passam. São estes brancos que também enfrentam os tiroteios, os confrontos, etc...
      Aí eu pergunto, porque só os negros teriam direito a essa cota? O rapaz branco, também morador da favela, passa pelos mesmos problemas, também tem que trabalhar diariamente para ajudar com os custos da casa, e, quando vai prestar a sua prova para ingressar na curso superior, pode ser que ele não consiga, pois, mesmo morando no mesmo lugar, passando pelos mesmos problemas, e tirando a mesma nota, o rapaz negro será melhor colocado do que ele, apenas por ser negro, única e exclusivamente por isso. Aos seus olhos, isso lhe parece correto?
      Aí que está a grande questão. Mesmo que os negros sejam maioria nas favelas, não pode existir uma medida como essa direcionada para um grupo de pessoas, exclusivamente. Dá mesmo maneira que uma Lei deve ser genérica, no meu entendimento, não são só os negros que passam por tais complicações da vida, e, portanto, não só eles são merecedores dessa cota.
      Agora, se falares de cotas nas faculdades de ensino público para pessoas de baixa renda, AÍ SIM, eu concordo, pois, o "requisito" é ter baixa renda, e, portanto, menos oportunidades. Não importa se é negro, branco, japonês...

      Em uma das respostas anteriores você deu a sugestão para que eu me imaginasse no lugar de umas pessoas, então, proponho agora a mesma situação para você. Imaginamos outra situação hipotética:

      Você, branco, mora em um bairro simples, acorda cedo todos os dias para trabalhar o dia todo, e, ainda, estuda a noite.
      Seu vizinho, negro, também morador deste mesmo bairro simples, acorda todos os dias muito cedo, da mesma maneira que você, para a noite ainda estudar.
      Vocês dois buscam uma vaga em um curso. Mesmo que passem pelos mesmos problemas sociais diariamente, e, tirem a mesma nota na prova, seu vizinho, que se esforçou o mesmo tanto que você, vai passar na prova, pois é negro e entrou pelas cotas. Você, mesmo tirando a mesma nota, não entrou. É justo isso?
      O que "mede" os problema sociais é o que passamos, o que sentimos na pele. O que não pode ser usado para valorar estes problemas é a cor da pele, porque naquele determinado local a maioria é negra, por exemplo.

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    10. Gente, vamos colocar os pingos nos 'is'. Na maioria esmagadora das instituições onde as cotas foram implantadas, elas não são raciais, mas sociais e raciais.

      Trocando em miúdos: seguindo a proposta original do governo, encaminhada ao Parlamento e nunca sequer discutida por conta da má vontade de nossos congressistas, as instituições de ensino optaram por reservar uma porcentagem de suas vagas para candidatos egressos de escolas públicas - para ser mais preciso, que tenham feito todo o seu ensino fundamental e médio em escola pública. Dentro desta cota, chamada de social, há um porcentagem destinada a negros que tenham também frequentado a escola pública, porcentagem que varia de acordo com as instituições.

      Na proposta original, tal porcentagem dita racial seria calculada de acordo com os números do IBGE e contemplaria, além dos negros, outras etnias, tais como os indígenas. Além disso, a política de cota teria prazo de validade determinado - depois de um período de dez anos, eu acho (não lembro ao certo), ele seria avaliado e poderia ou não ser continuado.

      Como eu disse, o Projeto de Lei do executivo nunca foi discutido no parlamento, o que permitiu às universidades públicas adotarem políticas de cota diferenciadas. No entanto, de maneira geral mantiveram-se os critérios centrais: só entra na universidade por meio de cotas alunos que frequentaram a escola pública. O Felipe, por ex.:, se quisesse cursar PP aqui na UFPR valendo-se das cotas raciais, não poderia, porque frequentou escola particular.

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    11. Um adendo, necessário: fui professor durante 12 anos em instituição particular e desde o ano passado, leciono na UFPR. Nas particulares os alunos que entram pelo PROUNI e na pública, os cotistas, são via de regra alunos extremamente sérios e empenhados. Não há diferença significativa no desempenho acadêmico entre alunos do PROUNI e das cotas sociais e raciais em relação aos que adentram o ensino superior por conta do "mérito".

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    12. Pois é Clóvis. A maioria das pessoas se esquece-m disso e só focam na cota para negros, a própria mídia faz isso. O pior, levam pessoas a acreditar que é só entrar através de cotas, pegar o diploma e ser feliz, acham que não é preciso estudar igual a todo mundo.

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  5. Boa Anônimo das 21:24.
    Todos nós somos capazes.
    Eu sou pobre, cadê a cota dos pobres?
    Cotas para negros é a maior discriminação, só que legalizada.
    Consertar o passado? Que mania é essa? O negócio é seguir em frente e não cometer os erros do passado.
    Por acaso os EUA consertam algum erro? Eles estão lá na frente, enquanto os outros vão atrás.

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    1. 10:54, onde existem, as cotas são sociais e raciais. Informe-se.

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    2. Os EUA não consertaram e nem querem consertar. É um país racista também, ou você acha que só porque atores e cantores negros ganham destaque lá não existe racismo. Dá uma pesquisada aí que você verá que eles não estão tão a frente assim.

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    3. Cotas raciais? Existem mais de uma raça humana? O preconceito está na cabeça de vocês, branquelas azedos.

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  6. Texto bom com certeza...mesmo com alguns pecados na sua segunda parte...na minha humilde opinião e entendimento...tudo é resultado de Colonização..Cultura...Tradição...e Contexto...

    Hj tenho visto no Brasil uma grande presença do negro e outras minorias nos diversos contextos e atividades da sociedade...

    Acho q a luta contra o racismo e preconceito deve sempre existir para todos q se sentem a minoria e tem os seus direitos ultrajados...até no campo religioso...

    Afinal...nossa Democracia...q na politica é uma vergonha...ainda engatinha nesse quesito...

    O senso comum de que vivemos em um estado de cultura europeia...é uma piada..tentamos copiar...mas aqui...como em qualquer estado desse pais...existe muitas colonizações...culturas...tradiçoes das mais diversas...por isso somos um País totalmente diferente do Norte ao Sul...do Oeste ao Leste...só qm ja viajou por esse Brasil todo ou estudou isso sabe entender essa diversidade...e esse racismo de contexto..q não é assim tão combatido como lutas entre etnias...mas mais como fonte de comercio...turismo e cultura...
    Du Von Wolff

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  7. Existe um outro tipo de "negro" em Joinville que igualmente foi escravizado, até hoje é discriminado, e sua grande maioria habita as periferias; com exceção de poucos que obtiveram uma espécie de salvoconduto da elite de olhos azuis e se transformaram em "capatazes" ou "capitães-do-mato". Eles são os paranaenses. Mais uma etnia de pele e olhos escuros segregada nesta vila.

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    1. Não concordo. Os paranaenses vem para cá e se dão bem. A maioria consegue guardar um dinheirinho e montar um bom negócio e virar patrão de Catarina que só sabe apertar porca e parafuso de compressor na Embraco. hsuahushua.
      Isso sim é um contra comentário bem preconceituoso.

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    2. Quem, como eu, cresceu em Joinville nos anos 1970, sabe o tremendo preconceito que sofriam os paranaenses vindos do interior. E eu ressalto "interior", porque em Jville. curitibano não é paranaense, pelo menos não da mesma estirpe dos interioranos. Se isso mudou, ótimo. Mas eu, particularmente, duvido.

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  8. Se não sou negro, não sou pobre, não sou índio, jamais saberei o que é estar na pele de um negro, de um pobre, de um índio. Para mim, os comentários que afirmam que "não, não existe racismo" ou que o texto do Felipe pretende fazer um tipo de defesa, de um jeito chulo, digo a você... nada a ver. Vocé já teve alguém te olhando torto na rua, ou o segurança do shopping te encarando, já teve dificuldades para arranjar um emprego por conta da sua aparência ou se sentiu mal com uma piada sobre sua etnia? Então, meu caro, não és gabaritado para falar. Com que razão levantas a tua voz se não encaras dificuldades por conta da tua cor?

    "Ah, mas não precisa ser negro pra saber do que falo". Tem certeza, amigo? Imaginemos, então, que você pudesse trocar de lugar com um negro ou um índio, por apenas um dia, quem sabe. Consegue imaginar um diário sobre aquele dia? Imagine você entrando no supermercado, o que faz com frequência, e vendo a segurança do estabelecimento pegando o rádio para se comunicar... Arrepios de pensar que poderia ser algo com você. Adoraria ler teus registros.

    Como não sou joinvilense, nasci num estado do Sudeste, embora more aqui há 15 anos, posso afirmar: a região Sul (não sendo generalista), Joinville, vai! Joinville ainda está carregada de preconceito. Quando morava no meu estado de origem, era super normal, para mim, estudar em salas de aula com verdadeira miscigenação e diversidade. Aqui, tive pouquíssimos colegas negros em sala. Mas, o pior nem é isso: quando adolescente, comecei a frequentar a casa de alguns amigos e alguns lares percebi o quanto eram comuns as piadas racistas. Uma tristeza. Sobretudo, para mim, neta de negros. Algo tão mesquinho e pouquíssimo original.

    Não, camarada, me desculpe, mas não tem como se falar do que não se vive.

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    1. Parabéns pelo texto Felipe Cardoso!Finalmente alguém de Joinville com coragem de falar sem "dourar a pílula"..

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  9. "...em cerimônia no Palácio do Planalto, presidente sanciona Estatuto da Juventude, que tramita há nove anos no Congresso, e promete ser "só um começo" na conquista de direitos sociais para esse público; texto é uma declaração de direitos da população jovem do País, hoje com cerca de 51 milhões de pessoas; segundo Dilma, maior questão a ser enfrentada é a "violência contra a juventude negra e pobre"; para Severine Macedo, Secretária Nacional de Juventude, "esta é uma conquista de várias gerações";
    http://www.brasil247.com/+ahfaz

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  10. Sou do Nordeste e sei muito bem que existe descriminação até mesmo de quem mora na capital contra quem mora no interior. Ou seja, não importa quem ou em qual lugar, existe sempre pessoas querendo se sentir mais importantes que outras..

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