sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A veia estalinista da Veja


POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Se tivesse descoberto as delícias do Photoshop naqueles tempos, o ditador soviético Joseph Stalin certamente iria criar uma revista semanal à qual daria o nome de “Veja”. Porque os métodos de ambos – o carniceiro e a revista – na adulteração de fotos parecem ser muito semelhantes, apesar de separados pelas diferenças técnicas.

Joseph Stalin, que por décadas governou a União Soviética com mão de ferro, não dispunha de recursos como o Photoshop e o máximo que conseguia fazer era expurgar os seus desafetos das fotografias. E muitas vezes também os expurgou da vida real. Hoje em dia não tem estudante de jornalismo que nunca tenha ouvido falar nos famosos os casos de adulterações de fotos para falsear a história.



Uma das vítimas mais famosas desse apagamento foi Leon Trotsky, que se tornou dissidente e foi extirpado em muitas fotos, em especial quando aparecia ao lado de Lenin. Aliás, este foi um dos casos em que o ditador não se contentou em simplesmente tirar o seu desafeto da fotografia. O caso só acabou em 1940, com uma picareta na cabeça de Trotsky, quando ele vivia exilado no México.

Mas o certo é que o ditador soviético fez escola. E a brasileira “Veja”, que não curte nadinha qualquer coisa que cheira a comunista, parece abrigar discípulos dessa técnica de aldrabar fotos. É o caso da montagem publicada por Ricardo Setti, onde as imagens foram alteradas para fazer o ex-presidente Lula aparecer abraçado a Rosemary Noronha, a ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo. E com a presença incômoda da própria mulher.

Todos sabemos que alguns órgãos da grande imprensa brasileira ainda hoje andam obcecados com essa caça ao homem. Mas esse clima de vale tudo para ferrar o ex-presidente já está a encher o saco. Pelo que tenho lido, o jornalista pediu desculpas publicamente. Mas parece uma reação curta e tímida quando todos sabemos estar à frente de um ato que pode ser visto como crime.




Presentes de Natal diferentes

POR GUILHERME GASSENFERTH

O Natal transformou-se na festa do consumo irracional. Vamos às compras, escolhendo produtos que vêm de países que nem sabíamos que existiam, cheios de embalagens e parafernálias que jogamos fora, com itens adicionais que nem sabemos direito para que servem.

Não quero dizer que isto é errado. Eu também dou meus presentes no Natal (família e amigos, não me desmintam agora) e sou consumista e materialista, embora num difícil processo de buscar desapegar-me. Então, sem demagogia, a ideia que sugiro é agir diferente!

Escolha produtos fabricados ou criados por aqui. Ao comprar um produto local, ajudamos a girar mais nossa economia e evitamos que vários poluentes sejam lançados na atmosfera! Menos transporte, mais sustentabilidade.

Dou também a ideia de comprarem produtos socialmente responsáveis e sustentáveis. Pesquisem para ver se os fabricantes fazem ações e projetos de responsabilidade social. Premiem as boas marcas que estão preocupadas com estas questões comprando seus produtos.

Busquem produtos artesanais. Além da beleza e do amor contido num trabalho feito à mão, existe uma simbologia bonita de apoio a um trabalho que em geral é social. Em Joinville há diversos grupos de artesanato cujos participantes dependem da venda de sua arte para a subsistência. Procure a feirinha da AJART! Inove e dê presentes diferentes.

Contudo, vou além das compras. É bom lembrar a todos, neste afã consumista que vivemos nesta época, que as melhores coisas da vida são de graça. Beijos, palavras de incentivo, sorrisos, banho de chuva ou de mar, surpresas boas, o nascer do Sol, família, as estrelas, noite de Lua cheia, a beleza das flores, a solidariedade, abraços apertados, amor, amigos... e por aí vai. Rico é quem tem e sabe apreciar e agradecer por todas estas dádivas gratuitas.

Agora que relembraram que não precisam pagar pela felicidade, posso também sugerir a vocês que pensem em novos mimos natalinos. Ao encontrar alguém querido, faça-o saber o quanto ele ou ela é importante para você. Faça uma surpresinha para entregar a quem lhe aguarda em casa. Prepare um jantar especial – a única sofisticação necessária é o carinho. Convide alguém para um passeio ou uma caminhada. Peça perdão a quem magoou. Inspire quem precisa de incentivo. Faça um trabalho voluntário. Chame um amigo que há tempos não encontrava para tomar alguma coisa. Brinque com os filhos. Pratique um ato de solidariedade com um desconhecido. Viaje e conheça um lugar novo com alguém que ama. Espalhe sementes de gentileza ao redor de si e em breve viverá num bom jardim.

Boas festas e façamos um grande 2013!