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quarta-feira, 11 de junho de 2014

O capital político de Carlito Merss


POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Quem imaginaria, há pouco menos de dois anos, que a gente ainda toparia com essa frase aí pelas redes sociais: “volta, Carlito”.  O fato é que todos a temos visto repetidas vezes nas últimas semanas. É a prova de que em política os anúncios de fins de carreira são sempre exagerados.

Não há dúvidas de que o slogan está a ser repetido pelos seguidores do ex-prefeito – o Partido dos Trabalhadores ainda mantém militantes mais fieis às ideias do que aos empregos – mas é possível notar-se também uma mudança na percepção da população joinvilense mais atenta à política local.

Carlito Merss tem vento favorável para resgatar de vez a imagem que construiu ao longo da sua carreira e que viu ameaçada pela cassação dos seus direitos políticos – já restituídos por decisão do Tribunal Superior Eleitoral – e pela sua passagem pouco feliz à frente da Prefeitura de Joinville.

Os jogos políticos são sempre cheios de fluxos e refluxos, de alianças e rompimentos, de acordos e desacordos. Mas em Joinville a coisa é levada ao extremo: os interesses pessoais eliminam quase por completo a defesa de qualquer ideário. Os aliados de hoje podem ser a faca nas costas de amanhã. É preciso estar sempre vigilante.

O ambiente é de tal forma infausto que ganha quem estiver do lado de fora. É o caso de Carlito Merss que, por estar longe dos holofotes, fica fora do alcance da mira dos seus adversários e críticos. E agora tem apenas que escolher a estratégia certa para restabelecer a sua imagem junto ao eleitorado.

Há alguns fatores capazes de beneficiar ex-prefeito na reconquista do seu espaço. Um deles é não ter que, neste momento, conviver com uma criptomídia ou paramídia que nunca disfarçou a sua hostilidade e que não lhe deu um dia de sossego enquanto esteve à frente da Prefeitura de Joinville.

O segundo é a ajudazinha que a atual administração está a dar. O fato de ainda estar em marcha lenta e de deixar  muitos eleitores preocupados mostrou que governar uma cidade como Joinville não é assim tão fácil. Nem mesmo com tudo a favor, como é o caso. Aliás, parece ser o principal motivo para um revanchista "volta, Carlito".

Enfim, o ex-prefeito tem tudo para recuperar o seu capital de imagem. E talvez a travessia do deserto não venha a ser tão longa quanto muitos vaticinaram. Diz o velho ditado que prognósticos só no fim do jogo, mas os que consideraram Carlito Merss uma carta fora do baralho talvez tenham que repensar.

Duvido que ele queira tentar uma volta à Prefeitura. Mas como já disse alguém: em política  só não vi porcos a andar de bicicleta.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

18 meses sem licitação e querem culpar a população

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

Foto: Rogerio Souza Jr/ ND Online

Um dos grandes desafios de Carlito Merss era fazer a licitação do transporte coletivo. Não conseguiu cumprir. Desde que o contrato das permissionárias Gidion e Transtusa foi assinado em 1998, todos sabiam que dentro de 15 anos se daria o vencimento do mesmo. Udo Dohler assumiu sabendo disto. Após um considerável tempo de mandato, comunicou oficialmente que não conseguiria fazer a licitação dentro do prazo legal, e uma prorrogação emergencial das permissões seria necessária. Semanas depois, um novo comunicado dava conta de que uma nova prorrogação será feita, para atender aos pedidos dos movimentos sociais de Joinville, principalmente a Frente de Luta pelo Transporte Público. A sensação das entrevistas oficiais do prefeito na mídia é a de que o povo foi o culpado, e não os 18 meses de incompetência (já com a data da primeira prorrogação) para a não-elaboração da licitação.

O jornal A Notícia do último dia 10 retrata com perfeição esta manobra, a qual parece ser um favor de Udo Dohler perante a população:

Um mês depois de ter prorrogado a concessão do transporte coletivo com as empresas Gidion e Transtusa até o meio do ano, o prefeito Udo Döhler (PMDB) admite que terá de ampliar ainda mais o prazo antes de lançar o edital para a contratação das novas empresas que irão operar o sistema. A justificativa para o atraso é o pedido do Movimento Passe Livre (MPL) de que sejam feitas pelo menos 14 audiências públicas para discutir o edital.

—Não vamos mais apressar as coisas, nem nesse assunto e nem na LOT. Se é para discutir, iremos discutir com calma. O MPL quer 14 reuniões, sugerimos fazer oito, mas se o objetivo é debater, iremos debater e levar todas as opiniões muito a sério. Mas com isso, só se descer o santo para conseguirmos lançar o edital sem esticar a concessão um pouco mais—, explica o prefeito Udo Döhler (PMDB).

Esta declaração do chefe do executivo municipal muito me estranhou, principalmente ao lembrar da lei federal que instituiu o Plano Nacional de Mobilidade Urbana (lei 12587/12). Neste documento está muito claro que todos os cidadãos possuem o direito de serem ouvidos no que diz respeito ao planejamento da mobilidade urbana municipal, conforme enciso II, art. 14 da referida lei. Ou seja: não é nenhum favor, é obrigação.

Entretanto, os 18 meses de incompetência da atual gestão (sem esquecer as falhas da gestão anterior) deveriam ser apagadas de alguma maneira. A situação mais cômoda, como sempre foi, é o jogo de palavras, muito bem articuladas pela equipe técnica que assessora as estratégias do prefeito. E a culpa caiu nos movimentos sociais, os quais apenas querem fazer a lei ser cumprida.

A tentativa de desmoralização dos movimentos é evidente e recorrente. Vale lembrar que o mesmo aconteceu (e acontece) com os movimentos contestatórios da nova LOT, costumeiramente chamados de "donos do atraso", etc. Agora continuam com a insinuação de que tudo atrasou por culpa dos outros, e não por estarem fazendo as coisas da maneira errada. Como se a atual gestão não soubesse dos preparativos necessários para se fazer uma política de transporte seguindo a legislação vigente, pois, afinal de contas, o IPPUJ está lá desde a década de 1990 para isso.

domingo, 11 de agosto de 2013

O que aprendemos na última eleição?

POR IRIO CORREA

O que o governo Udo faz até agora?

Mercado Público, Expoville, Juquiá, Zoobotânico, Abel Shultz, reformas e construção de escolas, novos postos de saúde, Minha Casa, Minha Vida, mirante do Boa Vista.  Todas essas obras foram iniciadas, planejadas ou estavam prontas para licitação desde o governo Carlito.

Tá bom, vamos reconhecer que o programa Um Computador por Aluno, em negociação pela Secretaria de Educação, foi substituído pela novidade do tablet. Algumas obras em andamento, como a Casa de Cultura, o auditório da Fundação 25 de Julho e a rua Timbó, já esbarravam e continuam esbarrando em problemas com contratos ou empreiteiras. Poderiam estar concluídas, mas não foram.

O próprio Restaurante Popular II estava com as obras físicas concluídas e faltava apenas a licitação de equipamentos. Mesmo as obras de saneamento foram contratadas e projetadas pelo governo anterior, incluindo a nova estação da Jarivatuba, a adutora do Piraí, a estação de lodo e as obras de abastecimento e fabricação de água.

SAÚDE - E a saúde, Carlito construiu a casamata, policlínicas, almoxarifado de medicamentos, aumentou salários de médicos e enfermeiros, captou recursos para postos e UPAS.  O São José recebeu sistemas eletrônicos de prontuário, o quarto andar, climatização de unidades e controle patrimonial. Agora, pintaram as paredes, instalaram o ponto digital, que já estava contratado, e o governo Colombo aparece novamente com ajudinhas pontuais e ao que parece, novos investimentos no Regional.  O que mais além do cancelamento da UPA da Vila Nova?

Talvez a grande diferença atual seja mesmo o protecionismo do governo Colombo que, diferentemente da discriminação hostil com o governo petista, frequenta Joinville, destravou e acelerou politicamente as obras do BNDES III e do BADESC, contratos assinados pelo Prefeito Carlito. A própria duplicação da Santos Dumont era um projeto da campanha de Carlito em 2008 e que o Estado agora banca com o apoio entusiasmado dos empresários. Sobre isso, ainda acho que o binário com a Tenente Antônio João era um projeto de mobilidade que humanizaria mais a região norte, mais seguro do que um grande corredor duplo de alta velocidade no meio do povo.

Falando nisso, os projetos de mobilidade urbana do PAC cantados como conquista pela atual gestão nas fotos com a Presidenta Dilma, também foram apresentados pelo governo anterior.

CHOQUE DE GESTÃO? Ou seja, é bom, correto e saudável que haja continuidade dos projetos, mas há um continuísmo piorado na atual gestão. Piorado porque a alternância no poder suspendeu ou atrasou inúmeras obras estratégicas para a cidade. São oito meses em que o propalado choque de gestão não aconteceu. Pelo contrário, um governo que enxuga cargos estratégicos e negocia a conta gotas uma composição fisiológica com a Câmara de Vereadores só pode andar lentamente. O governo importou muitos estrangeiros que também precisam de tempo para conhecer a rotina administrativa e a cidade. A demissão linear dos cargos comissionados de carreira também atrapalhou. Muitos tiveram que voltar para evitar o apagão gerencial.

Mesmo com maioria política, midiática e parlamentar, o Executivo parece que entendeu tardiamente que fazer gestão não é só fazer gestão, é fazer política também, ou seja, dialogar permanentemente com os partidos e a sociedade os rumos do governo. É compor, negociar, ceder mas sem abdicar de decidir, o que não está acontecendo.

Algum sinal de uma grande transformação administrativa? Um governo de resultados? Indicadores de eficiência e controle de metas? Nada. Pode ser que ainda apareça algo por aí e vai ser ótimo. Mas o governo é de uma timidez política que atemoriza o futuro. A não ser que esteja em algum laboratório secreto, não se vislumbra um traço sequer do projeto de preparar a cidade para os próximos 30 anos. A própria mudança das Secretarias Regionais foi uma cópia grosseira e empobrecida do projeto que Carlito mandou para a Câmara e que foi olimpicamente arquivado pela maioria oposicionista da época. Há, esqueci, vamos ter guardas municipais, mas quem vai pagar a conta da ineficiência da Polícia Militar?

DISCURSO E MARQUETEIROS - Quando Carlito falava que não tinha dinheiro diziam que era apenas falta de gestão. Mas o PT, enfrentando calamidades, enchentes e não parando em nenhum dia o trabalho das Regionais, diminuiu proporcionalmente as dívidas e aumentou exponencialmente a arrecadação. Agora dizem que não tem dinheiro. Penalizam fornecedores, endurecem com servidores e jogam o contribuinte na cobrança judicial. Alguma diferença com o passado?

Enfim, o que acontece com o governo Udo é o mesmo que acontece com qualquer governo. O discurso eleitoral produzido por competentes marqueteiros, um financiamento eleitoral polpudo e os artifícios dublados nos estúdios de gravação, não ressoa na vida mesma da prefeitura. Vende-se ilusões para conquistar o voto, aniquila-se com os adversários com todas as armas e a sedução eleitoral está pronta. Logo, o que foi prometido não se realiza e o eleitor se frustra.

Mas alguma coisa aconteceu e o novo governo cancelou o aluguel da nova sede administrativa que iria racionalizar e reduzir gastos com a dispersão de unidades da prefeitura; foi cancelado o programa da internet livre , já com 14 antenas pela cidade; saiu do ar o site do IPTU eletrônico, que automatizava o atendimento e evitava corridas desnecessárias ao paço;  a conquista da realização dos jogos abertos foi solenemente desprezada e cancelada pelo governo eleito, com prejuízos para o esporte local; voltou o Museu da Bicicleta não se sabe como, pois o acervo é privado; o Orçamento Participativo, que era promessa, virou lembrança e ferramentas de transparência, como os cargos comissionados na internet, sumiram. Mas a proposta do Carlito da Ponte do Adhemar Garcia, já com estudos arquitetônicos em andamento no IPPUJ, e da fiação subterrânea, negociada em 2010 com a Celesc e recursos liberados em 2011, parece que irão se viabilizar com o novo e incondicional apoio do governo estadual. Inclusive o que foi proibido para o PT agora é possível com Udo como a duplicidade de um novo investimento do BADESC para obras de pavimentação.

OUTROS TEMPOS? Realmente, os tempos de Udo são outros. A hegemonia conservadora que sempre dominou os negócios e a vida política da cidade está novamente sedimentada e a imprensa feliz da vida, cordata e faceira, com o novo governo. 

Para aqueles que sabem que Joinville não é uma bolha de excelência no mundo, que estamos devendo anos de atraso em investimentos estruturais na qualidade de vida e na inclusão social, que temos problemas permanentes na saúde, na segurança, na falta de alternativas para juventude, na mobilidade urbana e que temos um déficit de democracia e controle social na cidade, dentro do moderno conceito de participação e decisão popular, cabe resistir e insistir para que tenhamos uma sociedade com opinião verdadeiramente livre e com vontade, com energia criativa para evitar o aprisionamento da liberdade pelo poder político.

Em cada eleição aprendemos um pouco. O que aprendemos na última?           

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O equivocado subsídio proposto por Clarikennedy

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

Após a ressaca do réveillon, Joinville vai voltando aos poucos a sua normalidade. Caos, trânsito, acidentes, economia vibrante e excludente, pessoas nas ruas e discussões políticas acaloradas. Udo Dohler assumiu e viu de camarote Carlito Merss assinar dias antes um decreto que aumentaria a passagem de ônibus para R$ 3,00. O deputado Clarikennedy Nunes, derrotado nas últimas eleições, não perdeu a oportunidade e soltou vários outdoors pela cidade com um recado a Udo, reproduzindo uma das suas bandeiras de campanha:

"Prefeito Udo, passagem a R$ 3,00 é uma vergonha! Com o subsídio dá pra fazer R$ 2,40".

Pois bem, Udo revogou o decreto de Carlito, determinou que a passagem será R$ 2,90 e os outdoors mudaram quase que num passe de mágica:


Independente do ato de Udo, levar o cidadão joinvilense a acreditar que o subsídio, da forma proposta pelo deputado, é a melhor alternativa, torna-se uma forma equivocada de conduzir o debate. Afinal, o cidadão pagará duas vezes pelo serviço (ou o subsídio não viria dos nossos impostos?). Mas, do jeito que está no outdoor, o joinvilense pode ser levado a achar que "vai pagar menos pelo transporte coletivo". Ou estatiza-se todo o serviço, ou não se propõe um debate equivocado como este. Quem usa o serviço pagará duas vezes achando que paga apenas uma? Ah, esqueci... "colocaria frango na mesa das pessoas" mas, por outro lado, comprometeria parte do salário direto para pagamento de impostos.

Se Clarikennedy fosse tão fã do subsídio assim, estaria propondo a estatização do serviço (ou um sistema misto) para o processo licitatório. Entretanto, ele não falou nada em nenhuma das duas audiências públicas que a Prefeitura fez em 2012 para tratar sobre este tema. Muito menos citou o plano de mobilidade em sua campanha, instrumento previsto no plano diretor de 2008 e que ainda não foi confeccionado.

E ainda: se o deputado quisesse investir o dinheiro que "sobraria do gabinete do Prefeito" em algum subsídio, poderia muito bem colocar nas reformas emergenciais das escolas interditadas pela Vigilância Sanitária ou investir na construção de ciclovias por toda a cidade. Fazer jogo político com isto é feio e se tornou constrangedor ao mudar tão rapidamente os outdoors hoje de manhã.

Graças a estes debates enganosos e esdrúxulos, é notório que o planejamento urbano deve ser a principal pauta da cidade de Joinville. Várias questões surgem por todos os lados. O transporte coletivo é apenas um dos exemplos e demonstra a cara do modelo de desenvolvimento de uma cidade. Se ele é eficiente, a cidade visa um desenvolvimento urbano equilibrado. Se ele é caro, fruto de jogo partidário, ineficiente e excludente, é retrato de uma cidade segregadora que visa o desenvolvimento econômico em detrimento do urbano. Qual o modelo de cidade que nossos representantes querem?

Quase ia esquecendo: Feliz 2013 para todos!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Foi encenação?

O blog Chuva Ácida é o resultado do trabalho dos seus articulistas, dos colaboradores e, principalmente, da intervenção dos seus leitores que, com seus comentários, apoiam, questionam e alertam para alguns fatos.

Quando houve textos no blog a abordar o tema do aumento da passagem de ônibus, concedido pelo agora ex-prefeito Carlito Merss, um leitor fez o comentário muito interessante: dizia que tudo não passava de uma encenação. Será?

Eis o comentário: “só eu acho que fizeram um teatrinho com o Carlito: passagem a 3 reais, acima da inflação, aí chega o Salvador da Pátria ( O Sassá Mutema ALemon) e baixa para 2,90 ; valor este esperado por todos !!! pra mim foi armação !!! Carlito sempre disse que daria inflação pq deu a mais ??? Aí o salvador chega e começa bem o governo , por cima , se dizendo ESSE CARA SOU EU !!! hehehe e ganha crédito por alguns meses !!!
du grego”

A impressão que ficou, e que hoje também está nas redes sociais, é que tudo foi uma armação bem arquitetada. O silêncio do prefeito Udo Dohler sobre o tema, até a revogação hoje do aumento, que passou de R$ 3,00 para R$ 2,90, reforça a ideia que pode ter sido um jogo de cartas marcadas.

E você, leitor, o que acha?

domingo, 30 de dezembro de 2012

R$ 3,00

POR JORDI CASTAN

Antes que desça finalmente a cortina, o público que compõe a plateia tem oportunidade de presenciar o último ato de uma peça de teatro. Alguns consideram que se trata de uma comédia. Outros a consideram uma tragédia. Os mais entendidos afirmam, com propriedade e conhecimento, que se trata de uma tragicomédia e asseveram que é uma peça de péssima qualidade.

Os atores estão colocados em seus respectivos lugares no cenário. Cada um conhece e representa bem o seu papel. Trata-se de atores consagrados e a mesma peça já foi encenada para este mesmo público dezenas de vezes.

O grupo de atores que representa as empresas concessionárias ou permissionárias do transporte coletivo é o mais experimentado, pois reúne vários prêmios de representação. São os mais profissionaise tem mais de 30 anos de experiência no palco. O seu papel é simples e corresponde a eles o papel do vilão. Como Jack Torrance, em "O Iluminado", o capitão Robin Wallbridge, em "O Grande Motim", ou Darth Vader, no "Star Wars". Seus diálogos são curtos e não exigem grande esforço dramático. Trata,
-se de colocar sobre a mesa um valor sabidamente inaceitável,  maior que a inflação no período, e que serve só para criar um fato. O valor proposto pela empresa não tem outro objetivo que ser o bode na sala, para servir como disparador do processo.

O outro grupo de atores - ou ator, dependendo do caso - é formado pelo prefeito e, eventualmente a modo de coro, se incorpora um ou outro secretário. O objetivo é o de aparecer como defensor dos pobres e oprimidos pagadores de impostos, contribuições e tarifas abusivas. Depois de mais ou menos tempo de supostos estudos e análises, o ator principal deste grupo colocará sobre a mesa o valor que será menor que o solicitado pelas empresas e, depois de inflamados discursos, concede um aumento que repõe a inflação do período. Mesmo não agradando ao terceiro grupo envolvido na peça, será este o valor que permanecerá como válido e os atores terão cumprido seu papel na opereta que entra em cartaz cada natal.

O último grupo é formado pela plebe que paga a tarifa de ônibus resultante desta histriônica representação. O alvoroço não é maior porque a maioria dos usuários do transporte coletivo se beneficia do vale transporte e só paga uma parcela mínima do valor cobrado pela passagem. As empresas e os empresários repassaram o aumento de custo aos seus produtos e serviços e todos continuarão felizes e contentes. Cada um representando o seu papel nesta pantomina que a cada ano se apresenta num teatro perto de você.

Neste ano, surpreendentemente, o ator que faz o papel de prefeito decidiu sobreatuar e concedeu um aumento maior que o da inflação no período. Rasgou o script e deixou a todos atônitos. Inclusive os maus da historia, que por uma vez ficaram parecendo menos ruins.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Ofereçamos flores aos rebeldes que fracassaram

POR JORDI CASTAN


O final do governo Carlito Merss e do seu PT merece ser analisado desde vários ângulos. A entrevista queconcedeu ao jornal A Noticia de Joinville mostra que, apesar do tempo transcorrido desde a sua entrada na política, a sua longa carreira política e de ter governado Joinville durante quatro anos, o prefeito não conseguiu aprender com os seus erros. Parte da dificuldade em aprender com os erros deriva do fato de não considerar como próprios os erros cometidos. É justamente este um dos seus maiores erros.

O grupo de acólitos que formou o núcleo duro do seu governo foi o que mais ajudou a cavar a sua fossa política, ao fazê-lo acreditar que não houve em Joinville outro governo melhor, mais democrático, mais participativo, que tenha realizado mais quantidade de obras e que tenha mudado tanto e de forma tão determinante o perfil da cidade.

Proponho, neste momento, que ofereçamos flores a este grupo de rebeldes que chegou ao poder depois de repetidas investidas e que, tendo conseguido alcançá-lo pelo voto, desperdiçou a oportunidade histórica. Acreditaram que seria possível governar desde a teoria, que a sociedade compreenderia a falta de experiência, que o joinvilense seria condescendente com um grupo que tentou substituir a incompetência pelo entusiasmo. Mas a paciência teve um limite. E este limite foi breve, muito breve. As críticas surgiram rapidamente quando ficou evidente que a esperança depositada no candidato não correspondia a capacidade gerencial dele e da sua equipe.

Nem no quesito participação popular e gestão democrática, que deveria ter sido o seu ponto alto, o resultado foi positivo. O OP - Orçamento Participativo, que durante anos foi uma bandeira do PT e do candidato Carlito Merss, quando militava na oposição, não conseguiu ter continuidade durante todo o seu governo. A partir da metade do seu mandato não foram convocadas novas reuniões e as obras programadas não foram executadas. Para completar, houve repetidos intentos de influenciar os projetos que deveriam ser escolhidos pelos delegados eleitos por cada região e cada bairro. O resultado foi mais frustração e descrédito.

Acabado de forma triste e melancólica  o governo Carlito Merss, só nos resta oferecer flores para homenagear este grupo de idealistas utópicos que, quando tiveram oportunidade a desperdiçaram e fizeram quando foi governo, igual ou pior que os que os antecederam, acabaram se igualando aos que tanto e durante tantos anos criticaram.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O triste fim da gestão Carlito Merss

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

Não é uma surpresa o fim da gestão Carlito Merss sem a reeleição. O cenário dos últimos quatro anos comprova que o povo não foi tão cego assim, colocando o atual Prefeito fora até da disputa pelo segundo turno em 2012. Acontece que, mesmo se não bastasse uma tragédia atrás da outra, este mês de Dezembro marca o triste fim de uma gestão que encheu a todos de esperança e não cumpriu com o desejado. E mais: um fim com sinais de crueldade.

Ao deparar-me com a entrevista concedida ontem (18/12) ao Jornal A Notícia, fiquei muito triste em ver que algumas bombas ainda incomodavam Carlito (e toda a sua gestão, consequentemente). Como no caso da LOT, o Prefeito diz que "É um atraso político (a LOT não estar aprovada). Até hoje, não sei a que interesses os senhores que moveram a ação contra o Conselho da Cidade atendem." Como um dos requerentes desta ação, só tenho uma coisa a responder ao Prefeito: meus interesses correspondem à observância da Constituição Federal de 1988, o Estatuto das Cidades e o Plano Diretor de Joinville. Simples assim.

Fico mais triste ainda ao lembrar que sonhei junto com esta gestão, pois fui integrante do corpo técnico do IPPUJ e da Secretaria de Integração e Desenvolvimento Econômico. Cargo comissionado, Supervisor I. Não preciso esconder isto, da mesma forma que não escondo que pedi para sair por não concordar com os rumos que as coisas estavam tomando. Nada mudou desde que eu saí de lá: omissões, planejamento errado e decisões totalmente equivocadas, principalmente no alto escalão da gestão.

O último presente que a gestão Carlito Merss irá proporcionar ao povo joinvilense é o adiamento da licitação do transporte coletivo (incrível como não conseguiram cumprir com a principal promessa de campanha) e o aumento da passagem de ônibus para os níveis inimagináveis dos três reais. A sorte nisso tudo é que o TSE irá julgar o caso de Carlito Merss (gastos excessivos com publicidade em ano de eleição) apenas no ano que vem. Que venha a próxima gestão, e torcer para que a cidade de Joinville não sofra mais como sofre há décadas.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Udo acertou onde Carlito mais errou: o primeiro nome confirmado no secretariado

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

As eleições chegaram ao fim, e após a vitória de Udo Dohler as atenções voltam-se para a composição de seu secretariado, bem como a eleição do próximo Presidente da Câmara de Vereadores. Ontem mesmo (7) tivemos a primeira novidade: o secretário de comunicação já está escolhido, e será o jornalista Marco Aurélio Braga. Udo acertou em cheio justamente no lugar em que Carlito Merss mais errou.

Carlito não deu atenção especial a esta secretaria, colocando como secretária uma pessoa que não é da área. Nada contra ela, mas poderia estar ocupando outras funções importantes dentro da gestão. Com isto, as estratégias de comunicação voltaram-se às coisas pequenas, sem darem importância aos grandes anseios da população (leia-se: "quando e como meus problemas serão resolvidos?"). Não nos esqueçamos que, sem uma boa relação com os jornalistas e ou "Gebailis" da vida, as críticas surgem com maior intensidade e sem as devidas respostas. A comunicação de Carlito Merss não fez a conexão necessária com as pessoas, as quais davam audiência a tudo o que vinha da imprensa, sem o contraponto. 

Os papeis foram invertidos: "institucionalizou-se" a informação ao invés da democratização desta. Um problema mais de modus operandi do que propriamente de conteúdo, afinal, a secretaria de comunicação tem ótimos funcionários de carreira. O "Carlito não faz nada" foi uma expressão tão popular quanto o "dá pra fazer", uma consequência deste afastamento do povo e que "manchou" a imagem do Prefeito. Somente outdoors ou informativos não resolvem como estratégia. E, para piorar, a candidatura de Carlito foi cassada por irregularidades na gestão da Secom, com investimentos acima da média em um ano eleitoral. Quando Carlito conseguiu fazer uma comunicação direta com as pessoas (na campanha, com preciosos minutos de TV) a sua rejeição caiu consideravelmente, porém era "tarde demais". Convenhamos que também houve uma ótima ação, principalmente na estruturação da rádio Joinville Cultural, mas isto aconteceu no período final da gestão, e desta maneira não conseguimos mensurar os impactos da referida política pública. 

Ao indicar Marco Aurélio para a sua gestão, Udo dá a devida importância para a pasta, colocando como secretário um profissional que há mais de 15 anos está no mercado joinvilense de comunicação, e é referência pelo profissionalismo. Claro que a Secom também tem funções políticas muito bem definidas, mas, ao indicar o nome de Marco Aurélio, a futura gestão dá sinais claros de reestruturação deste setor. Cabe ao novo Secretário olhar para o passado e não cometer os mesmos erros de seus antecessores, colocando a secretaria ao lado das pessoas e longe dos interesses difusos de alguns "formadores de opinião" ou do centralismo democrático tão presente na Av. Hermann Lepper nos últimos anos.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Os fatores que levaram à vitoria de Udo

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

A vitória de Udo Dohler era pouco esperada, da mesma forma que a sua candidatura, um puro boato para muitos. Os meses foram passando, e seu nome conseguiu unir um partido que há anos estava rachado. O PMDB de Joinville não encontrava um norte desde que LHS saiu da Prefeitura e foi para o Palácio d'Agronômica. Esta foi a grande vitória de Udo, pois, sem isso, não seria eleito.

Conseguiu o apoio de um partido médio da cidade (o PDT) e alguns outros, formando uma coligação modesta, longe daquelas montadas por LHS nos anos 90. Mas, com um PMDB fortalecido como há tempos não se via. A campanha começou com Udo em quarto lugar, atrás mesmo de Carlito Merss e sua péssima gestão. Com uma chapa de vereadores consistente (a qual acabou elegendo quatro pessoas) e uma propaganda eleitoral diferenciada, mostrando propostas enquanto os outros se criticavam, subiu nos índices de uma hora para a outra, passando Carlito e assustando Clarikennedy e Tebaldi, os líderes intocáveis até então.

Com os ataques diretos a Tebaldi por parte dos adversários, Udo subiu e se consolidou como a segunda força ao fim do primeiro turno. E de fato era, junto com Clarikennedy, a candidatura que mais tinha vontade de chegar ao cargo de Prefeito. Tebaldi estava sonolento e Carlito apanhava nas cordas. Leonel era a surpresa, mas não encorpou a ponto de chegar.

Udo conseguiu não cair na armadilha de revidar os ataques, principalmente aqueles que surgiram após a sua ascensão (o vídeo da mulher "amarrada" vai ficar para a história). Ao não dar mídia para seus ataques, respondendo-as, sua candidatura se consolidou como um nome que estaria no segundo turno, pois continuou mostrando propostas, e apenas isto. 

O segundo turno mostrou a inversão de estratégia do empresário, atacando diretamente o seu opositor. E foi aí que Clarikennedy perdeu. Não foi nem no aceite dos apoios de Tebaldi e Carlito. O revide aos ataques prejudicou muito a sua imagem perante o eleitorado. E essa era a única arma que restou ao Udo e a sua competente equipe (ter uma campanha rica ajuda nessas horas...), revirando todo o passado documentado da vida do deputado, e espalhando através de sua militância. Como uma bola de neve, atingiu grande parte do eleitorado. Mais uma vez, o PMDB unido fez a diferença.

Como uma boa parcela do eleitorado de Clarikennedy ainda não estava decidida sobre o seu voto (aí que se encontra o grande erro dos institutos de pesquisa, pois estes não acompanham a maleabilidade do comportamento eleitoral das pessoas), e acabou invertendo sua intenção após o revide dos ataques, e da proliferação de todo o passado revirado. Udo pode não ter sido o candidato mais coerente, e com fatos estranhos (como o da renúncia de seu salário dias antes da votação) mas sabia que o pessedista iria cair na armadilha e "dar ibope" aos ataques, evidenciando-os. O feitiço persuasivo do deputado virou contra o feiticeiro, pois não conseguiu sustentar o seu discurso incoerente demonstrado através dos ataques.

O empresário Udo, um intruso no rachado ninho peemedebista, que falava com sotaque carregado, incomodado perante os belos discursos dos adversários nos debates (muitos deles desnecessários, tema para um post futuro), representante durante anos dos empresários, indicação do coronel urbano LHS, desconhecido do povão e sem apoios substanciais no segundo turno acabou levando. O seu sucesso deve-se muito também aos erros dos outros. Carlito teve tudo na mão para se reeleger, mas não soube aproveitar. Já Tebaldi sucumbiu após anos desastrosos.

Aos aliados, cabe agora a realização de uma ótima gestão, sempre visando o melhor para a cidade. Aos adversários (principalmente Tebaldi e Carlito) é hora de repensar as atitudes E AS PESSOAS QUE OS CERCAM. Caso contrário, não terão sucesso em 2014. A cidade de Joinville tem um novo Prefeito (o primeiro nascido em Joinville desde Rolf Colin), eleito em uma campanha que entrará para a historia, duplamente: pelo baixo nível dos debates e ataques e também pela virada histórica de Udo Dohler. 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A coligação KCT e a merda

POR GUILHERME GASSENFERTH

Fisiologismo. Você sabe o que é, leitor joinvilense? É o nome chique para se falar de troca de favores, ações e projetos para benefício de interesses individuais (sempre em detrimento dos coletivos), nepotismo e oferta de cargos a apoiadores sem competência.


Nosso maravilhoso idioma deu-nos a possibilidade de juntar todas estas porcarias sob um só substantivo: fisiologismo. Não é à toa que nos remete a necessidades fisiológicas, que associamos ao que, coloquialmente, conhecemos por MERDA. 

Perdoem-me os bem educados e os recatados, mas é de merda mesmo que vamos falar. O que é esta aliança que se formou nas eleições de Joinville? O papel de fisiologista que, nos últimos anos, coube ao PMDB, local e nacionalmente, agora mudou de mãos radicalmente. Kennedy Nunes, um lunático que viveu a sua vida às nossas custas e nunca trouxe benefícios aparentes de seu “trabalho” (doeu escrever isso!) como legislador em 24 anos, juntou-se a dois candidatos que outrora (semanas atrás) desprezava: Carlito Merss e Marco Tebaldi.

Bem, de Tebaldi o que poderíamos esperar? Não bastasse ter feito merda no governo municipal (que ironia para um engenheiro sanitarista!), ter cometido o maior crime ambiental da história de Joinville e ter destruído a educação pública estadual, Marco Tebaldi se achou no direito de sair candidato de novo. Bem, pelo menos agora a população deu o troco: 4º lugar nas urnas. Volta, Tebaldi, pra Erechim!

De Carlito Merss eu gosto. Não acho que tenha feito um ótimo governo, mas o julguei satisfatório e acredito que, num segundo mandato, corresponderia às expectativas dos quase 200 mil eleitores que votaram nele, em 2008. Mimimis à parte, não deu pra ele! Vítima de uma imprensa alimentada a jabá, da impopularidade de obras como saneamento básico e da incompetência de vários de seus liderados, Carlito amargou a derrota e não conseguiu o visto da população para continuar no gabinete da Hermann Lepper, 10.

Parece que a derrota não lhes caiu bem, fazendo mal não só pro fígado, mas, principalmente, pra cabeça. Em menos de 10 dias, após a eleição, estes dois candidatos, derrotados, declaram apoio a Kennedy. Juntos, formam a sigla KCT, cunhada brilhantemente pelo nosso coblogueiro Sandro. Essa sigla é perfeita.

A coligação oportunista pra KCT seria inadmissível num sistema político sério. Bem, como falamos em seriedade, já dá pra tirar Tebaldi e Kennedy. Não tínhamos como esperar coerência ou bom senso destes dois: coerência e bom senso versus Tebaldi e Kennedy são como água e óleo. Kennedy rasgou todo o seu discurso (tão frágil que deve ter lhe bastado um peteleco) e recebeu apoio de seus alvos favoritos. Como é lindo o divino poder do perdão!

Mas Carlito Merss e o PT apoiando Kennedy Nunes? Foi um golpe duro na artéria da moralidade. É tão incompreensível quanto a galinha associar-se à raposa. Quando assumiu, Carlito foi vítima dos verborrágicos e teatrais lamentos de Kennedy Nunes, o qual retirou o apoio que ajudou Carlito a ser eleito. Mudando de lado num passe de mágica - como é próprio dos pessedistas - digo, oportunistas. Kennedy manteve relação beligerante com nosso ainda atual prefeito. Por quatro anos, Carlito foi bombardeado nas páginas do jornaleco de risível credibilidade que dá suporte ao deputado-cantor e foi corroído pela ironia destilada, como veneno, por Kennedy.

A união de PT e Kennedy seria cômica, não fosse trágica. Não é apenas pelo esquecimento das diferenças de dias atrás, mas, principalmente, pela incompatibilidade de posicionamentos, crenças e ideologias (foi duro escrever esta palavra). Na história, PT é esquerda e PSD é direita. O PT combatia o PSD. O PT tratava o PSD como o diabo! O PSD torturava e o PT buscava anistia. Como pode o PT do Lula, que ali, na praça Dario Salles, mandou extirpar os Bornhausen de nossa política, estar quatro anos depois, associado ao partido deles?

PT e PSDB, ambos nascidos do MDB, lutaram juntos pela redemocratização, pelos direitos humanos, pela anistia, pelas diretas, pela liberdade. Hoje, PT e PSDB juntaram-se à ex-ARENA não para defender ideais, mas cargos; não por um projeto político, mas por um projeto de poder; não pelo povo, mas contra o povo. É a tetodependência, como disse o Baço.

O asco que sinto neste momento é tanto que eu rasgo o que escrevi na última sexta-feira e tomo partido publicamente: anti-KCT. Eu não posso apoiar esta composição esquisita que estão fazendo debaixo dos nossos narizes, diante dos nossos olhos. Dar meu voto a eles é legitimar o ilegítimo e dizer sim ao fisiologismo. Pelo menos, juntaram-se as moscas sobre a merda. Fica claro de que lado é preciso ficar. À política nojenta, eu digo um claro e sonoro NÃO! Fica declarado, em alto nível e bom tom, meu voto em Udo Döhler.

Espero que, no dia 28, a população joinvilense (em quem eu vi alguma esperança após o quarto lugar do Tebaldi) faça, nas urnas, o papel que Lee Harvey Oswald fez nas ruas e mate, politicamente, Kennedy Nunes. 

RECOMENDO A TODOS QUE ASSISTAM À COERÊNCIA DO KENNEDY NUNES NESTE VÍDEO: http://www.youtube.com/watch?v=fPzXseuxvco

CENSURADO PELO FACEBOOK - aproveito também para mandar o link da imagem que foi censurada pelo Facebook e tirada do ar (deve estar incomodando), que mostra o deputado usando diárias de R$ 670,00 para prestigiar seus filhos no colégio. https://fbcdn-sphotos-c-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/c0.0.403.403/p403x403/578559_375584732521078_167615277_n.jpg 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Uma tríplice aliança esquizofrênica?

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

Não tenho qualquer informação de cocheira sobre os acordos para o segundo turno. Mas se alguém me perguntasse no domingo passado, logo depois da divulgação dos resultados, eu faria um raciocínio linear: Carlito Merss iria apoiar a candidatura de Udo Dohler, enquanto Marco Tebaldi ficaria ao lado de Kennedy Nunes.


Ok... ainda faz sentido continuar a acreditar nesse rearranjo eleitoral. O PSDB já confirmou o apoio a Kennedy Nunes. O que, aliás, nos dá algo para pensar: hoje em dia o apoio de Marco Tebaldi não parece ser propriamente um apoio, mas contágio. O estrago feito na sua imagem nestas eleições gerou uma rejeição que deixa um enorme ponto de interrogação sobre o seu futuro político. Será que Kennedy Nunes quer ser visto ao lado de Tebaldi? Sei não...

Pelo que a imprensa vem divulgando, a posição de Carlito só vai ser tomada na próxima semana. E como a “realpolitik” é uma caixinha de surpresas, podemos até ter um arranjo meio esquizofrênico, com o apoio a ir para Kennedy Nunes e desequilibrar a balança. Udo Dohler ficaria isolado, tendo que enfrentar uma “tríplice aliança” formada pelo PSD, PT e PSDB, mais os nanicos. E aí, em bom joinvilês, é “caixão pro Billy”.

O ainda prefeito está numa posição meio incômoda. Porque a escolha - qualquer uma - pode provocar desgastes na sua imagem. Udo Dohler ou Kennedy Nunes? Isso faz lembrar o ditado: venha o diabo e escolha. As relações de Carlito Merss com os dois têm sido azedas. Kennedy Nunes sempre trabalhou, de forma obsessiva, para detonar a imagem do atual prefeito. E o senador Luiz Henrique, que tem as mãos no leme da campanha de Udo Dohler, é acusado de interferir no episódio da cassação de Carlito Merss.

A OPÇÃO KENNEDY -
Se formos olhar os fatos dos últimos quatro anos, o apoio de Carlito Merss a Kennedy Nunes deveria ser impensável. Porque o candidato-pastor bateu, bateu e bateu no prefeito. E durante o primeiro turno bateu, bateu e continuou a bater, mesmo quando isso não fazia o menor sentido em termos estratégicos. Afinal, o atual prefeito era dado como carta fora do baralho e não representava perigo.

O fato é que não dá para ficar indiferente ao bochicho desta semana, segundo o qual havia hipóteses de Carlito Merss dar o seu apoio a Kennedy Nunes. A ideia é esquizóide, mas já vi aqui e ali alguns petistas na defesa dessa aliança. Que razões teria Carlito Merss para engolir uma composição com um sujeito que sempre o sacaneou?

O nome do jogo é política e há muitas variáveis a ter em conta. Uma delas é que uma aliança formal talvez ajudasse a resolver um problema para ambos: Kennedy Nunes não tem quadros qualificados em número suficiente para formar uma administração e Carlito Merss poderia preservar alguns lugares para a sua entourage.

E há pelo menos uma 
fortíssima razão emocional para um eventual apoio a Kennedy Nunes. É que isso produziria uma ironia: uma desforra pessoal contra Luiz Henrique, deixando Udo Dohler a lutar contra essa tríplice aliança de ADN esquizóide: estariam juntos, numa mesma trincheira, três grupos que não se bicam em termos políticos. 

A OPÇÃO UDO -
Udo Dohler vai ter que suar as estopinhas para convencer Carlito Merss. Depois do anúncio do apoio do PSDB à candidatura de Kennedy, uma eventual aliança com o candidato do PT passa a ter maior importância para o PMDB. E a posição negocial de Carlito Merss ganhou maior peso.

No entanto, é bom não esquecer que durante o primeiro turno a coisa andou crispada entre os dois. Do lado do PT, houve o episódio do filme da mulher amarrada. E há um fator interno muito forte a considerar. O time do atual prefeito teria muita dificuldade em engolir uma aliança com Luiz Henrique (mas não duvido que o senador pense que pode ganhar as eleições sozinho).

A TERCEIRA VIA – Quem conhece Carlito Merss concorda numa coisa: ele é uma pessoa íntegra que tem uma história pessoal a preservar. O que abre caminho para uma terceira hipótese. Liberar o seu pessoal e não fechar com ninguém. Obviamente terá que enfrentar a resistência dos que querem manter lugares numa futura administração. É a realpolitik.

Carlito Merss precisa calcular os riscos e afinar a mira para não dar tiros no pé. Afinal, numa composição com o PMDB acabaria refém de uma administração onde o dedo incômodo de Luiz Henrique seria preponderante. Ao fechar com Kennedy Nunes, correria o risco de naufragar numa administração que tem tudo para dar errado.

P.S.: Há um fator a considerar. É que o apoio de um candidato derrotado a outro que continua no páreo não é garantia linear de transferência de votos. O eleitor comum pode estar imune a negociatas palacianas.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Carlito persiste no erro


POR JORDI CASTAN

O prefeito Carlito Merss insiste de forma quase patológica em fazer afirmações, em público, que não correspondem a verdade.


Primeiro foi na TV da Cidade e as infelizes declarações já foram objeto de um post neste blog   "A xenofobia é coisa feia" as declarações do Sr. Carlito Merss motivaram tambem uma ação judicial-processo 0803086-66.2012.8.24.0038, promovida pelo  Advogado Gustavo Pereira, outro dos citados com frequência pelo prefeito, ocorrido no último 16 de agosto, no Juizado Especial Cível da UNIVILLE, oportunidade em que foi assegurado judicialmente direito de resposta em razão das declarações inverídicas do Prefeito Municipal Carlito Merss sobre episódio da LOT. Já na audiência foi homologado o acordo anexo e concedido o direito de resposta que confirma que as afirmações feitas pelo prefeito não procedem e surpreende ainda mais que depois de ter concordado em conceder o direito de resposta insista em repetir em outros foros as mesmas afirmações falsas.


No debate eleitoral promovido pelo jornal A Noticia, a TV COM e a SOCIESC na sexta feira dia 31 de agosto com os demais candidatos o Prefeito decidiu reproduzir as mesmas declarações ao responder a pergunta formulada pelo sociólogo Charles Henrique Voos, companheiro do bolg Chuva Ácida, o prefeito disse: “Forças do atraso, cerca de cinco pessoas, resolveram parar a cidade.” Insiste em responsabilizar pela não votação da LOT as mesmas cinco pessoas que já citou nominalmente na TV da Cidade, seria prudente que lembrasse o Sr. Prefeito o oficio do seu gabinete em que admite que seu Governo errou na condução do assunto,visto que ao ser acossado pelo Ministério Público, a Prefeitura concordou com todas as recomendações feitas pela 13a. Promotoria de Justiça.





Para facilitar a compreensão do leitor menos atento a estes temas reproduzimos o texto que como DIREITO de RESPOSTA deverá ser lido no mesmo programa em que o prefeito fez as inoportunas e improcedentes afirmações na TV da Cidade.


DIREITO DE RESPOSTA:Por acordo formulado nos autos do Processo 0803086-66.2012.8.24.0038, o Programa Condomínio e Casa, albergando o direito constitucional de resposta proporcional ao agravo invocado pelo Sr. Gustavo Pereira da Silva, Presidente da Associação de Moradores Viva o Bairro Santo Antônio, apresenta o contra-ponto das declarações prestadas pelo Sr. Carlito Merss, coadjuvadas pelo Sr. Jorge Laureno, em programa exibido no dia 14.03.2012. Inicialmente, o agravado salienta que as declarações do Sr. Carlito Merss desinformaram a população acerca dos fatos que gravitaram no embate travado na Lei de Ordenamento Territorial-PLC 69-2011, cuja votação foi suspensa pela Câmara de Vereadores em 31.01.2012.


PONTO PRIMEIRO. O Sr Carlito Merss afirmou no dia 14.03.2012 neste Programa que não se tratava de um movimento iniciado nos bairros, inexistindo a participação das associações de moradores, mas realizado por uma minoria. 


RESPOSTA: É improcedente a afirmação,pois o movimento popular foi protagonizado por mais de uma dezena de entidades, sendo que 07 (sete) entidades, entre associações de moradores e uma ONG, tomaram à frente deste processo, a saber: Associação de Moradores da Estrada da Ilha, representado pelo Sr. Ivandir Hardt;Associação de Moradores da Estrada do Oeste, representado pelo Sr. Luis Américo; Associação de Moradores e Amigos do Bairro América, representada pelo Sr. Lauri do Nascimento; Associação de Moradores do Bairro Saguaçu, representado pelo Sr. Arno Kumlehn; Associação Viva o Bairro Santo Antônio, representado pelo agravado, Sr. Gustavo Pereira da Silva; Associação de Moradores do São Marcos, representado pelo Sr. Jean; Sindicato Rural de Joinville, representado pelo Sr. Jordi Castan. 


PONTO DOIS: A ação judicial promovida está causando o atraso na Cidade porque se trata de uma questiúncula, um detalhe pequeno, sem importância. 


RESPOSTA: É improcedente a afirmação porque atender a legislação não é algo desimportante. Além disso,existem duas ações judiciais em tramitação na Justiça sobre o assunto, a ação popular 038.12.003806-1 e uma ação civil pública 038.12.004246-8,patrocinada pelas entidades suso referidas. Convém ressaltar que a decisão judicial proferida pela Justiça não inibiu o Poder Legislativo de votar o PLC 69-2011, tão somente invalidou os Decretos de nomeação dos 140 Conselheiros do Conselho da Cidade, números 18008 e 18007, de 12.07.2011. A decisão também anulou as reuniões do Conselho Consultivo e Deliberativo do Conselho da Cidade entre os meses de Agosto e Setembro de 2011, de números, 23, 24, 25 e 26. O projeto PLC 69-2011 não foi votado por decisão do Poder Legislativo, visto que, por cautela, a Procuradoria da Câmara de Vereadores recomendou aguardar os desdobramentos.Em suma, foram detectadas inconformidades no Conselho da Cidade, ocorrendo invalidação parcial dos trabalhos realizados pelo órgão colegiado.





PONTO TRÊS: Que os autores populares possuem interesses em atrasar e deixar a Cidade como está.


RESPOSTA: É improcedente a afirmação. Aliás, competia ao Sr.Prefeito esclarecer a natureza destes alegados interesses, tornando a afirmativa sem qualquer fundamento.


PONTO QUATRO: O Procurador Geral está sendo processado em conjunto com todos os 140 Conselheiros do Conselho da Cidade. 


RESPOSTA: É improcedente a afirmação. O Procurador Geral do Município não é réu em nenhum dos dois processos citados e também não está sendo investigado em procedimento no Ministério Público. E, dentre os 140 Conselheiros, apenas 14 Conselheiros integrantes do Conselho Consultivo Deliberativo é que são réus na ação popular, por exigência do art. 3º e art. 6º.da Lei 4717-65. 


PONTO CINCO: O que está lá é o atraso, pela demora de mais de 02(dois) meses em votar a lei. 


RESPOSTA: É improcedente a afirmação, pois nenhum dos autores populares e dirigentes desejam o atraso ou prejudicar o desenvolvimento da Cidade. O crescimento de Joinville deve ser sustentável, legal e democrático- estas são as premissas deste movimento popular. Por fim, esclareça-se que o Sr. Carlito Merss, conforme o teor do Ofício de número 1209/12-GP e o Ofício 654-2012 do IPPUJ ora enviados à Promotoria de Justiça, foi instado a revogar os Decretos 18008 e 18007, de 12.07.2012 através do Decreto 18.995, de 03.05.2012 e proporcionar a completa reformulação do Conselho da Cidade, em atendimento à todas as recomendações expedidas pelo órgão do Ministério Público  de Joinville, cujo teor destes documentos serão lidos conforme segue...


A única justificativa que pode levar a compreender tão estranho e improcedente comportamento do prefeito, só poderia ser o nervosismo próprio da campanha eleitoral, acrescido do baixo desempenho da sua candidatura que em todas as pesquisas o coloca em quarto lugar e por tanto fora do segundo turno. Mesmo que seja  compreensível  este tipo de comportamento é inadmissível para quem exerce um cargo público da  importância do que ele exerce e que ainda pretende se postular a um novo mandato.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

As polêmicas pesquisas e o início da guerra eleitoral

POR CHARLES HENRIQUE VOOS

Pode parecer estranho, mas até agora não tivemos campanha eleitoral em Joinville, exceto pela movimentação frenética dos candidatos a vereador. Acompanhamos até então, por parte dos candidatos a Prefeito, ações ensaísticas sobre o que começa agora, de fato, após as pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias, as quais mostram uma evolução de Udo, uma estabilização negativa para Carlito e positiva para Clarikennedy e Leonel, e a cachoeira de Tebaldi.

A campanha eleitoral na TV, por mais que não defina o voto, faz as pessoas discutirem sobre quem votar. As informações circulam, geralmente rebatendo no líder das pesquisas, ou no candidato com maior rejeição. No caso joinvilense, Tebaldi e Carlito, respectivamente. Após algumas semanas de informações circulando, três pesquisas aparecem, com dados totalmente distintos entre si. A mais distante das outras é a pesquisa da RBS/Ibope, a qual mostra Udo na frente, algo inédito até então. Vale lembrar que os quatro pontos percentuais praticamente empatam Udo, Tebaldi e Clarikennedy, e, ainda: a pesquisa foi realizada dias 31 de agosto, 1 e 2 de setembro. Ou seja, em um final de semana, e isso influencia muito no perfil dos entrevistados que responderão à pesquisa. O perfil de pessoas que circulam pela cidade varia, de acordo com o dia da semana. Para quem tiver dúvida, a pesquisa Origem-Destino 2010 mostra bem esta realidade. Só um exemplo: aos domingos, os mais pobres e mais velhos costumam ficar em casa, e este pequeno detalhe pode interferir em uma pesquisa...

E será que o crescimento de Udo é o motivo da Gazeta de Joinville não divulgar uma pesquisa, de sua encomenda, e que foi registrada no TRE dia 23 de agosto?

Independente dos números precisos da pesquisa A, ou da pesquisa B (os assessores sempre vão acreditar naquela que dá a vantagem para o seu candidato), a questão é que temos três fatos novos:

  1. Tebaldi em queda livre;
  2. Clarikennedy chegou ao teto, pois em nenhuma pesquisa passa dos 25%;
  3. Udo cresce em todas as pesquisas.
Antes da divulgação destas pesquisas, todos os candidatos estavam acomodados e apenas fazendo indiretas, nos debates, e nos seus respectivos programas. O alvo principal era Tebaldi, invertendo agora todas as atenções para Udo Dohler. Posso estar errado, mas quem menos irá "bater" em Udo será o PT (o PT precisa olhar para si antes de bater em alguém, além de ver em Udo um histórico - e potencial - aliado). Um dos outros candidatos já está usando a questão de racismo para dar suas indiretas. A guerra está lançada, finalmente! Não se espantem se aquela história das costureiras acorrentadas aparecer por aí! Se até jornalista abobado falou de beijo entre dois homens na campanha do Leonel... não duvido de mais nada!

Nem tudo é maravilhas para os lados da Rua Alexandre Schlemm. A campanha estava sendo montada para chegar ao segundo turno, raspando na trave. Ninguém esperava o crescimento nesta fase da campanha. A prova disso é que toda a estratégia de Udo foi montada em cima de suas propostas, sem se preocupar com com os tiros apontados para Tebaldi e Carlito (o Clarikennedy não esquece Carlito em nenhum de seus programas). Agora que a situação mudou, será que a estratégia adotada por Udo será a mesma? Como irá se defender dos ataques? Tem pique para aguentar o crescimento? 

Estas e outras questões só o tempo vai responder, entretanto, os fatos novos mudam a direção do arsenal bélico de quem precisa de guerra para se manter bem nos índices. O circo finalmente vai pegar fogo, finalmente!