quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Novo empreendimento no Centro: feito por imbecis

POR FAHYA KURY CASSINS
Ainda nos surpreende a péssima gestão de Udo Döhler. Ontem saiu a notícia de um enorme empreendimento no modo de parceria público – privada, no centrão da cidade, a gerar lucro e benesses apenas para empresários e governo do Estado e município. Para o povo? Nada.

Novamente, como uma característica fundamental desta gestão, a população não foi ouvida. Aliás, sempre é pega de surpresa. Não há nnhum tipo de consulta pública nem nada, nem de fachada. Somos nada para esta cidade. Há tantos erros e tanta estupidez neste tal “projeto”, que mal nos foi apresentado, que fica difícil acreditar que é real. Parece um embuste.

A tal “obra do século” (só na cabeça do infeliz prefeito) é um misto frio e estragado. Meio público, meio privado, com um teatro para mil pessoas – parece que esta é a parte que se refere “ao povo” -, torres residenciais (de altíssimo padrão, se vê pela “maquete”, pois casas populares certeza que não são), uma torre para órgãos do Estado e, por fim, algo muito mal explicado como “áreas de inovação” (voltado para as empresas da cidade, provavelmente, algo bastante praticado por aqui).

O teatro, antes que venham dizer “é uma obra para o povo, para a cidade, para a arte e cultura” é só mais um espaço elitizado que terá shows da Marília Mendonça do momento a mais de R$150. Enquanto vemos ano após ano o Centreventos caindo aos pedaços e não dando conta do recado – o que seria, ainda, nossa obra mais importante em popularização da arte e da cultura. Atrás desta fachada existe a real intenção de um vice-governador empossado no apagar das luzes que saiu por aí fazendo a lambança costumeira.

Quem ganhará em construir tudo isso? Duas torres serão residenciais. Como se Joinville precisasse de mais prédios enormes de alto padrão na região central. E onde andarão estas pessoas? Por certo, não caminharão até o terminal de ônibus, ali perto. Como esta multidão de carros irá entrar e sair? Pela Nove de Março detonada com um corredor de ônibus improvisado e burro? Ou quem sabe pela Visconde de Taunay, esgoelada em sentidos opostos. O Pinho Moreira eu sei que não deve passar ali, mas e o prefeito? Nunca passa ali, às quatro da tarde mesmo? Além dos moradores, pensem numa torre só de funcionários públicos indo e vindo do trabalho – certeza que cada um irá com o seu carro. Qual o impacto disso? Teremos, depois de pronto, mais ideias geniais do nosso departamento de trânsito para solucionar o caos que se formará? Tudo sempre pode piorar.

E nosso negociador prefeito, por que não negociou espaço para os órgãos públicos municipais? Um mesmo espaço, novo e adequado, para os órgãos que entulham e sujam nosso Patrimônio Cultural como a Cidadela e a antiga Prefeitura seria perfeito para a cidade. Mas, não. Nesta grande obra, neste grande monumento, o prefeito sequer foi capaz de conseguir algo para a cidade.

Curioso pensar que não sabemos de onde, de fato, saiu todo este engodo. Quais os empresários que sairão lucrando? Que estes terrenos ficam vazios e abandonados na região central aguardando o interesse especulatório sabemos faz tempo. Quem estava de olho neste terrenão do Estado e agora conseguiu levar o peixe grande? Porque não venham, em nenhum momento, dizer que será uma obra “para a cidade” ou “para o povo”. Não somos idiotas. Mas, certeza que quem fez este projeto é um imbecil. E só alguém ainda mais imbecil para aceitar e acreditar.

Imbecil é quem quer nos fazer acreditar que esta obra é um investimento vital para Joinville “principalmente na área da cultura”. Senhor governador, vital para Joinville, na área da cultura, seria um Centro Integrado de Cultura, o CIC, nos moldes do que há em Florianópolis. Por que o Estado e o Município não unem esforços para isso? Por que até hoje nosso CEART da UDESC Joinville não saiu das promessas? Por quê? Porque vocês estão pouco se lixando para a arte e a cultura na cidade. Esta é a verdade. Vocês estão com os olhos brilhando com esta “obra do século” porque algo estão levando nisso tudo – não à toa a iniciativa privada estar envolvida.

E o pior é ver o brasileiro achando que tem mesmo que deixar de colocar dinheiro público neste tipo de obra – a burrice do liberalismo raso. É burrice, também, achar que se governa sem consultar a população – tanto que candidatos à presidência têm ganhado eleitores ao afirmar que farão plebiscitos e referendos. Que a cidade se revolte com este engodo, com esta bomba que querem detonar no coração da cidade.

9 comentários:

  1. Será feito naquele terreno vazio que hoje não tem utilidade nenhuma pra cidade?
    Quem sabe seja uma boa ideia afinal.
    Vamos acompanhar.

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    1. Certeza que será uma boa idéia (para alguém, não para a cidade).

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  2. Fahya foiste rápida e certeira.
    O jabuti subiu no toco ou tem caroço neste angú.

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    1. Sempre, né. Mas esperar que o povo perceba. Ah!

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  3. O presidente do Bolshoi está órfão de padrinho político desde a morte do Coronel do MDB. Existe projeto do Teatro Bolshoi desde o tempo do guaraná com rolha. Nem ele suporta mais o Centreventos. Ai, do nada aparece este projeto grátis? Não se preocupem com trânsito na região, duvido sobrar um palmo de terra pra estacionamento!

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    1. Toda terra em Joinville (bem localizada, com valor a subir) é fértil para estacionamento.

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  4. Bom, se um prédio com um teatro não serve a população, talvez um terreno baldio sirva ao menos para o consumo de drogas, atividades sexuais, estacionamento...
    Comeu bola, Fahya.

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    1. Teatro? Para a população? Sério mesmo que você acredita nisso?

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  5. Anônimo23 de agosto de 2018 20:52...
    cansou das orgias e encontrou Jesus. oh gloria.

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