quinta-feira, 24 de maio de 2018

Por que não podemos ser a Capital do Estado


POR FAHYA KURY CASSINS
A iniciativa de uma cidadã, que recolheu centenas de assinaturas, de propor a mudança da Capital do Estado, de Florianópolis para Joinville, amparada em esta ser a cidade mais populosa do Estado e, também, líder econômica foi apresentada à Assembléia Legislativa. Não é novidade quererem mudar a capital do Estado, anos atrás foi proposto Curitibanos, pela localização central, ou, talvez, por lembrar “Curitiba” no nome, capital do Estado vizinho, adorada por muitos catarinenses como se fosse a sua.

Também não é novidade a rusga histórica (e dor de cotovelo) da cidade mais populosa com a sua capital. Joinville não reconhece Florianópolis como capital do Estado. Seria interessante entender porque a Ilha de Santa Catarina é a capital, então. Basicamente por uma questão histórica, Florianópolis centrou as ações e dela surgiram os caminhos para algumas regiões do Estado, quando por aqui chegaram colonizadores e exploradores, através da navegação. Poderia ter sido São Francisco do Sul, mas não foi.

Curioso é analisar que já houve outras iniciativas do mesmo tipo. Querer a capital em Lages, por exemplo, para “descentralizar” (palavra cara ao governador, o falecido) os investimentos e tal. Insistem em dizer que Florianópolis não dá mais conta. Que mudar é favorecer outras regiões, investir em melhorias para todo o Estado, desafogar a "litoranearização", etc.. Mas, será?
Santa Catarina não deixará de ter sua população mais concentrada entre a região litorânea e o Vale, pois as cidades já estão estabelecidas. Itajaí, entre a mais populosa e a capital, cresce exponencialmente (ameaçando a liderança joinvilense, inclusive), e principalmente por causa do porto. Esperar que a mudança de capital leve desenvolvimento e investimento, assim como o interesse de pessoas, para outras regiões é ansiar por um desastre. Imagine uma capital dependendo da malha viária da região de Curitibanos e da BR 116! É de uma estupidez sem fim.

Agora imaginemos Joinville, a capital. Bem… talvez a “boa intenção” da cidadã seja de, finalmente, resolver todos os nossos problemas, porque aí o Estado assumiria a grande m@#&* na qual a cidade se transformou. Porque, claro, todas as capitais têm mobilidade urbana impecável, segurança perfeita, órgãos públicos ágeis e funcionais, etc.. E Joinville, em localização, é maravilhosa, depende de uma BR 101 afogada, via porto para São Francisco em pista simples (bem simples, por sinal), uma Serra que volta e meia fica parada por acidentes, um aeroporto pífio, e, lembremos, ainda nem é região metropolitana! (quem sabe um projeto esteja nos trilhos do outro, hein… abramos os olhos!)

Por que Joinville não pode ser a capital do Estado? Porque não temos como sediar tal empreendimento, como diriam. Reclamam do acesso via ponte para Florianópolis. E a nossa rua XV ou a Ottokar Doerffel? Esburacadas, engarrafadas, vítimas das burrices do setor de trânsito, com mudança de mão, sinaleiros e rotatórias estúpidas. Onde colocaríamos os prédios públicos necessários? Destruiríamos algumas casas históricas, mais umas fábricas, tudo no centro, e as obras não sairiam do papel (por aqui é assim). Mas teríamos estacionamentos para todos os funcionários públicos. Ou, quem sabe, os parques industriais, sem nenhum interesse, apenas para ajudar, alugariam salas para o governador, tribunal de justiça, etc.. Vejam vocês que pessoas do Estado todo viriam para cá resolver problemas, fazer solicitações, participar em processos. Poderíamos, então, apresentar nossa formidável rodoviária para todos! Sem falar nos nossos hospitais... E o que faríamos com os alagamentos? Bem, dizem que funcionários públicos não gostam de trabalhar (em Florianópolis mesmo, dizem que no Verão só trabalham até às 13h para aproveitarem as praias), então em dias de chuva o serviço público seria suspenso antecipadamente, evitando transtornos na volta do expediente.
 
Eu tenho curiosidade sobre estas belas ideias. O que a pessoa tem na cabeça em propor a transferência da capital do Estado para Joinville? Localização é zero, infraestrutura é negativa, mentalidade da cidade, então, nem se fala. Quantidade de pessoas? É uma falácia. Posição no ranking econômico? Desde quando isso tem a ver com administração pública? Tenho pra mim que é o desespero de uma moradora que já percebeu, como todos nós, que a cidade, de tantos anos de abandono, perdeu totalmente a esperança e chafurda aguardando o colapso. Mas, certeza, querer ser capital não será nossa salvação. Só trará, aliás, mais problemas – para os quais, está provado, não temos nenhum preparo.

Podemos ir mais longe: seria a artimanha de algum paranaense para anexar Joinville, quiçá nossa Santa e Bela Catarina com as praias que eles adoram?

3 comentários:


  1. Ideia absurda.
    Joinville não tem capacidade de ser capital de coisa alguma, muito menos de um Estado. Nossos empreendedores são uma vergonha. Joinville é sui generis no Brasil por ser uma cidade média literalmente isolada, excetuando o Itinga de Araquari (que fingimos pertencer ao município vizinho) , não há conurbação alguma. Importância econômica? No andar da carruagem podemos perder o pódio para Itajaí que vem fazendo o dever de casa.

    Agora, sobre anexar Joinville e SC ao Estado vizinho, nem nos piores pesadelos!!!
    SC é um Estado que vem servindo de exemplo na administração com viés mais liberal. Menos impostos, mais liberdade, menos burocracia... Quem há dez ou cinco anos apostaria que o estado catarinense, que não tem sequer uma refinaria, estaria comercializando a gasolina mais barata do país?

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  2. Lavou a alma Fahya!

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  3. Não há necessidade de fazer Joinville a capital do estado se o objetivo for trazer desenvolvimento. Concordando com o artigo, é por uma questão histórica que Florianópolis se tornou a capital do estado. Por outro lado, somos o único estado onde a capital não concentra toda a economia. Discordo com o artigo da maneira negativa como a cidade foi retratada. Há uns sete anos deixei Joinville para vir morar no litoral, em Bombinhas. Digo que por aqui não é a maravilha de que falam. Durante a alta temporada, falta água, a cidade fede a esgoto e o trânsito é um caos. O trecho da BR 101 entre Itajaí e Florianópolis, principalmente em BC torna-se um pesadelo. As ações que tornaram as cidades de Itajaí, com o evento da volvo ocean race, e Balneário Camboriú com sua infraestrutura impecável, referência nacional, deve-se unicamente a iniciativa privada e não da ação dos governos locais. O grande problema de Joinville é que a iniciativa privada, principalmente a indústrias, apenas exploram a mão de obra local e não há nenhuma ação compensatória pelos danos que trazem a cidade. Não podemos olhar os benefícios pela questão dos empregos criados pela iniciativa privada, mas também os graves impactos da atividade industrial que essa cidade sofre há anos sem nenhuma compensação. Pensem no grave dano que o aterro de fundição Tupy vem provocando há anos na Baía da Babitonga sem que nenhuma ação fosse tomada pela mesma para mitigar esse impacto e devolver a cidade uma baía mais límpida. Não há como comparar Joinville com outras cidades de SC. A questão da conurbação das cidades da costa esmeralda e do vale de Itajaí deve-se ao tamanho. Bombinhas e BC são os menores municípios de SC. Em termos de área, são do tamanho de muitos bairros de Joinville, muito mais fácil de administrar. Joinville é sim uma cidade boa para morar e trabalhar e tem sim capacidade, principalmente de recursos naturais, água e energia, o suficiente para se tornar a uma das melhores cidades do estado.

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