quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Operação PM Ostentação no Verão


POR FAHYA KURY CASSINS
Parece que a opinião pública conta. Depois de divulgadas as informações das “férias” coletivas da polícia militar, com sumiço durante a virada de ano, eles resolveram mostrar serviço. Porque a gente sabe que a tal Operação Verão, todo ano alardeada pela imprensa e pelo Estado, é muita propaganda pra pouco resultado.

Realocar policiais de cidades do interior para o litoral é um despropósito. A população do litoral de fato aumenta, mas os problemas das cidades do interior continuam os mesmos. E o que temos visto não justifica em nada este suposto (palavra cara à imprensa para falar de culpados) aumento de efetivo nas cidades de praia.

Depois do fatídico espancamento, seguido de morte e uma investigação demorada, do indígena Marcondes Namblá, onde ficou evidente a frágil estrutura da Polícia Militar na região do litoral norte, a PM surgiu do nada em ações estranhamente ostensivas – talvez estejam com o orgulho ferido.

Mas ficar revistando jovens que estão de boa nas praias do Estado, mantê-los em situações constrangedoras diante dos turistas e veranistas, agredirem-nos e levá-los algemados (para serem soltos em seguida) não é primar pela segurança dos balneários. Além destas ações violentas e inócuas, a PM resolveu multar qualquer pequena infração de trânsito. Ficam onde há movimento intenso, onde há festas, por exemplo, e em poucas horas multam todos que, por qualquer descuido, cometem alguma erro bobo.Nem estou falando dos motoristas embriagados que saem das festas e atropelam e matam, ou dos babacas que dirigem usando o celular. Refiro-me às pequenas infrações.

Enquanto isso, pessoas aparecem assassinadas nos balneários mais tranquilos. Casas são assaltadas por quadrilhas especializadas em fazer a limpa em turistas e veranistas. Quando você tem algum problema, telefona pra PM e ouve o famoso “vamos enviar alguém, se houver viaturas disponíveis” e ninguém aparece. O tráfico de drogas que tomou as pequenas cidades do litoral continua a todo vapor, sem nenhuma grande apreensão, nenhuma investigação à altura do problema.

Nós sabemos que a PM falhou – e falha. Querer “aparecer” à beira-mar abordando jovens aumenta um problema que já é bem difícil de reverter. Aumentar a virulência com que aborda os cidadãos no dia a dia dispara nossa antipatia pelos policiais. Parece que estes policiais realocados só tiram uns dias a mais de férias nas praias, toda temporada, a aproveitar a vida, o mar, a família, os bares.

Enquanto as cidades do interior ficam ainda mais desprotegidas. Imaginem Joinville, onde durante o ano todo ouvimos a cantilena “se houver viatura”, agora, então, deve ser “poderemos atendê-lo só se algum policial vier de Barra do Sul”. Já pensou? Ainda bem que é perto – mas a BR, todo mundo conhece a situação.

7 comentários:

  1. Já fui assaltado em Itapema por um desses “jovens que estão de boa”.

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    1. Sua resposta concorda com o texto.

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    2. Em todas as praias que fui até hoje a polícia faz um ótimo trabalho. Em nenhum lugar do mundo é possível verificar tudo que ocorre, todos os homicídios e assassinatos existentes. Os “jovens de boa” muitas das vezes são vagabundos maconheiros que ficam bebendo na rua e escutando funk no volume máximo. Com certeza absoluta a polícia não leva eles algemados por nada. E tenho certeza de que você como muitas pessoas criticam sem nem saber a razão do ocorrido. Se soltam logo depois é porque a porcaria do governo atual não se preocupa em construir mais prisões, culpar o funcionário é fácil quando o patrão não dá bem bola.

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  2. Com certeza eles não estavam de boa.

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