quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O pobre comércio de uma grande cidade


POR FAHYA KURY CASSINS
Final de ano sempre tem a correria no comércio das cidades. São os presentes de Natal, a manutenção da casa, o décimo terceiro, os presentes de amigo secreto. O comércio acaba por ser a base da maioria das cidades, seja qual for a vocação dela. E as cidades devem oferecer um comércio variado, que atenda todo tipo de cidadão, de todas as classes sociais e gostos. Porém, também nisso Joinville é um atraso.

As placas de “aluga” proliferam na região central. Não há estacionamento rotativo (aquela velha história) e os novos corredores de ônibus (nada contra, mas quando é feito só em favor das empresas de ônibus a gente suspeita) atrapalham e afugentam até as grandes redes. Muitas lojas conhecidas nacionalmente nunca pisaram os pés na cidade, as redes locais oferecem os mesmos produtos, com os mesmos preços – deixando, assim, os compradores sem opção. Até os shoppings daqui, que chegaram bem atrasados, são desanimadores.

Joinville é grande, mas não tem uma rua de comércio que chegue aos pés da Brasil, de Balneário Camboriú, por exemplo. Não há na cidade nenhum empreendimento de peso no sentido de shopping ou de galerias de lojas, ou mesmo no perfil de outlets como os que tem aberto pelo Estado. É difícil, inclusive, encontrar por aqui produtos fabricados em Santa Catarina. Lembra da Leroy Merlin? Vimos o que aconteceu com a Etna.

Ficamos reféns de um comércio pobre. Uma parcela da cidade, quando pode, aproveita viagens, ou as faz intencionalmente, para comprar em outras cidades. Uma parcela ainda menor, mas daquela dominante da cidade, faz suas compras em Miami, Nova Iorque, Buenos Aires, Londres, etc. É claro que não estou a falar de nós, que temos que nos insatisfazer com nunca encontrar o que queremos e não termos sequer opções. Não se trata só do comércio de rua, mas dos shoppings, dos mercados e supermercados, de tudo.

Há alguns dias saiu a notícia que nossos deputados estaduais “afrouxaram” as regras para as feiras itinerantes – aquelas que, não podendo ser proibidas, foram restringidas. O discurso, que vem das associações comerciais como CDL, dos deputados é “para proteger” o consumidor e porque estas feiras são concorrentes desleais para o comércio das cidades, como também não geram emprego. Estas feiras acontecem no país todo, de todo tipo, desde as com produtos mais baratos e confecção até de produtos artesanais do mundo todo. Porém, em Joinville elas não têm vez. O comércio da cidade, dominador e ridículo, quer soberania sobre o que nós, cidadãos, podemos comprar.

As regras foram alteradas porque inviabilizavam até os eventos que os próprios (FCDL e Convention Boureau, por exemplo) incitadores deste disparate realizavam. Por isso, em nome dos interesses dessas organizações, mudou-se a lei para que eles possam realizar seus eventos como querem – e obter seus lucros. Somos reféns do que uma pequena parcela da sociedade decide – para o nosso bem, vejam só – enquanto são esses mesmos que só compram em Miami.

Enquanto isso, não há nenhum esforço do comércio se modernizar e oferecer produtos e preços concorrentes. Façam um exercício, entrem em umas cinco lojas de calçados só da região central da cidade (que não sejam cinco daquela mesma rede nossa velha conhecida). Vejam as opções e os preços. Vejam a qualidade dos produtos oferecidos. E pensem nos nossos deputados a nos proteger…

Não é surpresa que o comércio eletrônico venha crescendo constantemente. Porém, há que se ressalvar que a população é analfabeta funcional, principalmente on line. Não é porque tem Whatsapp no celular que sabe usar e entende muitas das opções que temos no mundo virtual. Nos EUA já existe uma discussão sobre a esterilidade e o fim dos shoppings. Porém, estamos em Joinville. A população – a maioria, da qual fazemos parte – precisa ter acesso a um comércio bom, concorrido, inteligente, com boas opções e oportunidades. Hoje ele é controlado por poucos que espantam novos interessados, que pouco oferecem porque acham que nos contentamos com ele.Do que eles têm medo, afinal?

E boa sorte a todos nós que para o Natal procuramos aspargos em Joinville… quem sabe quando formos a Miami.

5 comentários:

  1. Não vou nem entrar no mérito quanto ao péssimo atendimento das lojas pq eu sei em que condições esse povo trabalha. Até fazer faxina eles são obrigados a fazer. Cada vez que eu vejo uma funcionária com a vassoura na mão eu digo pra ela. Anota e depois bota no pau, vc é vendedora, não faxineira..c já ganha uma merreca pra ficar o dia inteiro em pé e ainda fica pilotando vassoura. Problema é q a coitada tem medo de recusar a exploração que é submetida pq precisa da merreca que ganha pra poder pagar as contas.

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    1. Ai, meudeus! "Bota no pau!", existe ainda essa frase? Por isso o país é a merda que está. Sindicalista quer receber o dele, dane-se o trabalhador. Vale ressaltar que as regras mudaram. Se não sabe nem manter o seu ambiente de trabalho organizado e limpo e quer "botar a empregadora no pau", cuidado! O sindicato do Lemos não vai te oferecer um emprego, muito menos pagar os honorários e a multa caso você, trabalhador, perca na justiça do trabalho.
      Modernização trabalhista, já não era sem tempo. E que essas múmias sindicalistas desapareçam para o bem do país.

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  2. Hoje em dia esses que ganharam muitos, nas últimas décadas, acham que são donos de toda economia joinville, digamos apenas esse exemplo de tecidos, esses produtos naturais, donos ignoram uma regra simples, custos operacionais de grande quantidades de funcionários, espaço físico de ter estabelecimento, eles acham pela quantidade total, e lucro, e esquecem qualidade, entramos no mérito das ótica, quantas tem, muitas de um, único dono, tradicional, nesse caso por sinal eu mesmo, fora mal atendido pelo próprio proprietário, que posso dizer pra resumir nosso dialogo, melhor escrita, sociedade dona francisca precisa mudar seu rumo, por essas entidades que acha que dona da vez, esse modelo que foi adotado por aqui já esta morrendo com cidade, concordo plenamente que os deputados, apenas escuta minoria, à economia da cidade, precisa ser reinventada, para ser grande, e para toda população, precisa passar mudanças rápidas, não é crise nacional, e local, certamente mesmo sendo grandes não sobreviveram, veja caso souvenir, será que vendemos tanto, quando tinha aquelas festas, como nossos vizinhos, como cidade Blumenau, essas campanhas marketing lindas não qualifica produtos, nem cidade nos compramos necessário hoje em dia, e certamente quando desejo algo inovador ou novidade buscamos fora; E mesmo quando uso camisa da cidade que visitei, eu fomento orgulho desse passeio, agora ultimamente que vejo cidade apagada em todos sentidos, associações e entidades parecem que não fizeram leitura correta situação, será que cidade somente bens duráveis, como sua marca, triste não mesmo quase tudo de fora!!

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  3. nossa, fahya, falou tuuuudo. não se encontra nada, preços absurdos, atendimento péssimo. eu acabo comprando pela internet, mas sei que não contribui em nada pra melhorar a situação da cidade :/

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  4. Um dos problemas da sociedade de mercado, é que ela causa uma frouxidão moral.Essa riqueza , o vício no consumo, a pseudo liberdade. Nada mais idiota que dar eficientemente e mais barato a todos. Criaremos um reino de idiotas. Tipo a necessidade de alcachofras! O que levou a ruína a sociedade aristocrática medieval foi o luxo, os nobres perderam a noção de virtude, o que propiciou o florescimento da a burguesia. Seria essa minha explicação dialética histórica sem o economicismo marxista.

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