quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Tragédias na noite joinvilense


POR FAHYA KURY CASSINS
No último domingo, o jornal local noticiou a morte de uma moça de dezenove anos, atropelada numa avenida da cidade. No dia seguinte, outro jornal local passou uma matéria sobre o fato. Resumiam que a jovem foi atropelada ao tentar atravessar, logo depois da meia-noite. No jornal televisivo foram exibidas algumas imagens do atendimento à jovem, porém não se via muita coisa.

A morte de uma jovem por atropelamento parece que não causou muita comoção e o que poderia ser de interesse para os jornais seria a fuga do motorista ou que ele estivesse embriagado – como não houve nada disso, esqueceram do fato. Mas os jornais deixaram de contar a história toda, uma história que as pessoas do bairro conhecem há anos e que a Polícia Militar e a Prefeitura também têm conhecimento. Porém, apesar disso, nada é feito. E agora uma jovem morreu.

Trata-se do caso de duas “baladas” famosas na cidade: Yelo e Pixels, além de pequenos bares no entorno e, por vezes, eventos no Mercado Municipal. Quase todos os finais de semana há programação nestes estabelecimentos e toda vez os problemas se acumulam. A Polícia Militar é chamada por denúncias de som abusivo dos estabelecimentos e de carros nas ruas, por venda e consumo de drogas e álcool inclusive por menores. Já foram feitas denúncias à Prefeitura pela falta de fiscalização do índice de decibéis dos estabelecimentos, pelo uso do estacionamento da loja Havan para venda e consumo de drogas, parada irregular de taxistas, etc.

Os estabelecimentos nem possuíam as placas de licenciamentos e alvarás (utilizadas após o desastre de Santa maria) e alguns possuem autorização para funcionar 24 horas por dia, como restaurante, bar, casa de shows, e tudo o mais. Ou seja, segundo a Prefeitura eles podem fazer o que bem entender – e a qualquer horário. Contudo, dezenas de leis são desrespeitadas. A Polícia Militar só diz que enviará viatura, se disponível. Mas, vejam vocês, nunca fizeram nenhuma blitz ou sequer aparecem nos horários de movimento intenso. Se eles recebem ligações sempre, já deveriam estar cientes dos problemas ali presentes, não? Não propõem ações por quê?

Nas imagens da reportagem não aparece o entorno do atropelamento. Pois bem: a rua fica lotada, carros estacionam por todos os lugares, “estacionamentos” são criados em qualquer canto, hordas de jovens e adolescentes atravessam as ruas, pessoas vendem drogas e bebidas (de origem duvidosa) escondidas em malas, casas e muros são pichados e vandalizados, o volume dos estabelecimentos é ensurdecedor à distância, carros estacionados com o volume no máximo...

Nos anos anteriores, inclusive, a avenida foi uma das primeiras colocadas no ranking de troca de postes, devido a acidentes com pessoas alcoolizadas na madrugada. Devido à má localização de um ponto de ônibus, do qual já foi solicitada a mudança, dezenas de pessoas atravessam fora da faixa, durante o dia e principalmente de madrugada. Nada é feito.

Ah, sim, dias antes do atropelamento apareceram uns funcionários e quebraram o meio-fio dizendo que iam colocar uma faixa de pedestres próximo ao local onde a moça foi atropelada – para os funcionários da tal loja (que existe há dez anos) atravessarem. A faixa, no meio da avenida, fica a cerca de trinta metros de uma outra (sem pintura) que pelo menos é numa esquina. Quando pedi explicações sobre a obra, o funcionário Ozéias disse que não deveriam rebaixar o meio-fio, pois ali era o caso (meio de uma avenida!) de uma elevada. Ou seja, nem eles sabem o que fazem.

Ninguém está propondo que acabemos com as baladas alheias. Mas o mínimo que se espera (e o bairro tem esperado há anos) é que as leis sejam respeitadas, que haja fiscalização (isso ainda existe em Joinville?), que a Prefeitura e a Polícia Militar contenham os excessos (que são do conhecimento de ambos) e que os estabelecimentos envolvidos, seja loja ou balada, tomem para si as suas responsabilidades. Das menores às maiores ações muito transtorno poderia ser evitado. E, pelo que vimos, vidas podem ser salvas.

Ou vamos esperar a repetição do que ocorreu em 2015, 2016, quando jovens foram mortos a tiros em frente a casas noturnas? Ou mais atropelamentos? Ou, quem sabe, uma versão local da tragédia de Santa Maria?

* vocês conhecem a lenda do decibelímetro da cidade?

12 comentários:

  1. Fiscalizar é um verbo que não se conjuga mais em Joinville.

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  2. Muito oportuno teu artigo Fahya. Tudo que voce relata é real e ocorre em todos os cantos da cidade. Diria mais, em todas as cidades do País. É certo que a fiscalização é precária e ineficiente. A polícia pouco faz, quer por inépcia quer por cansaço, já que a maioria de suas ações acaba duas horas depois sob a caneta de algum juiz de plantão que manda soltar os meliantes.
    Mas quero apontar aqui um elemento que poderia se posicionar melhor e ajudar mais. A Imprensa.
    Infelizmente a mídia tem se posicionado em geral a favor do infrator, tratando-o como vítima da "opressão" policial. São muito comuns os casos em que a TV mostra a ação da PM sobre esses marginaizinhos do som alto que existem às dezenas por aí. Topetudos e malcriados, confrontam os policiais e procuram de todas as formas provoca-los até que sejam obrigados a tomar medidas mais enérgicas de "contenção". Pronto! O objetivo foi atingido. Se não houver alguma equipe de TV filmando, eles mesmo filmam tudo com seus celulares e no dia seguinte, nos "jornais dos almoços", as emissoras denunciam a "violencia policial" contra os "inocentes" meninos que só queriam se divertir...(a 120 decibéis na madrugada né?)
    Eu mesmo, anos atrás, tive atendimento negado pela PM, quando o atendente alegou que não iriam atender para não serem acusados de abuso de poder, pode? Está certo que ele só me falou isso depois que passei o endereço dos infratores...(ao que parece já conheciam a figura, que na época tinha "costas quentes")
    Enfim, da forma que a midia invariavelmente age, invertendo valores e vitimizando os infratores, mais o estado de penúria que nossas Policias vivem, dificilmente esse problema se resolverá. E vai piorar certamente.
    Mas te parabenizo pelo artigo. Já sofri muitos revezes por essa causa, mas estamos juntos. Parabens

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    1. Você pegou o detalhe da questão, Nelson. Por que estes estabelecimentos passam incólumes? Será que tem costas quentes? Se tem, com quem? É de se perguntar...
      O problema da imprensa, em Joinville, é que ela sequer existe. E quando criticamos isso, "ah, bobagem". Aham.
      Ao contrário do que se diz, não é preciso violência nem opressão: apenas fiscalização e ordem (seguir as tais leis, etc.). Se a prefeitura fizesse a parte dela já reduziria em muito os problemas. Prefeitura? Oi?

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  3. A moça dando uma de opressora hoje???? Os anos vão chegando para todos..

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  4. Interessante!!! Quando este mesmo bando de marginais se reúnem no fumódromo do Maj e no Parque das Águas, que água nunca existiu diga-se de passagem, e a Guarda Municipal os coloca pra correr, vem esta mesma turma pra descer a lenha na "ordem pública".

    Agora, estão cobrando que estes mesmos "opressores" façam blitz e fiscalização????

    Juro que não entendi!!!

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    1. É o que postei acima.. a idade vai chegando....kkkk

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    2. http://www.chuvaacida.info/2017/02/o-nao-carnaval-de-joinville-por-imagens.html#comment-form

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    3. O "ih, deu nó..." refere-se ao seu "juro que não entendi". Fique com o seu nó.

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  5. Pois é, né?
    Mas quando chamam a polícia por distúrbios causados por consumo excessivo de álcool (e outras drogas) e som alto, a mesma é vista pela esquerda festiva como “interventora militar contra as liberdades da população”.
    Alguém esqueceu do que ocorreu na praça dos suíços há algum tempo, quando a polícia foi escrachada por essa mesma esquerda que hoje pede maior fiscalização...

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