quinta-feira, 15 de junho de 2017

Copiar não é errado e faria muita diferença



POR FAHYA KURY CASSINS

Sempre achei curiosas as viagens dos nossos governantes. Vão para a Suíça, para a Alemanha, para os EUA em busca de novas ideias e soluções para as nossas cidades. Mas, até onde eu sei, não temos implantados sistemas de transportes eficientes, nem juros reduzidos, ou projetos grandiosos contra cheias, nem cidades seguras com parques (de verdade, é preciso frisar) e vida cultural em destaque.
Nem é preciso dizer que nós bancamos essas viagens. O que fazem pela sua cidade ou Estado um deputado ou um prefeito depois que voltam dessas viagens? Por que nossas cidades continuam as mesmas (ou piores) depois que eles se deliciam com os países de primeiro mundo, depois que conhecem de perto obras e projetos inovadores? Seriam tão obtusos a ponto de não entenderem o que veem lá fora, ou chegam à conclusão de que tudo aquilo “não é pra nós”?
Pois eu cortaria essas viagens. Cortaria, inclusive, as viagens para assinatura de contratos de exportação e etc.. Caso fosse possível, indicaria coisas simples aos nossos governantes. Ao Udo, por exemplo, diria para ele visitar algumas cidades vizinhas, como Itajaí, Balneário Camboriú, Blumenau e Florianópolis. Não é desmérito nenhum copiar o que funciona nos outros lugares, não é mesmo?
É lamentável que tenhamos que perder tempo discutindo buraco nas ruas. É, sim. Numa cidade de mais de 500 mil habitantes, reclamar de buraco nas ruas é como se ainda fôssemos uma vila de operários. Por isso, não entendo as faixas de sinalização e de pedestres em Joinville, por exemplo. Qual a dificuldade da Prefeitura procurar uma solução para isso? Algo que dure mais de três semanas e que façam parte das obras de asfaltamento de uma rua, pois o que vemos é uma rua recém-asfaltada que fica meses sem nenhuma (é sério) faixa pintada, sem a mínima sinalização.
Aliás, sinalização no trânsito de Joinville é grave. Para uma cidade que faz coisas nunca vistas em lugar nenhum, a sinalização deveria ser preocupação em dobro. Não é raro encontrar pessoas de outras cidades dirigindo tranquilamente nos “corredores” de ônibus, ciclofaixas sendo ignoradas, inclusive por moradores. Não é qualquer um que entende essas maravilhas do trânsito da Colônia. Precisa, sim, de legenda.

Faixa de pedestres - Fpolis


Rodoviária - Balneário Camboriú
E o que dizer da nossa rodoviária? Seria muito sonhar com uma “porta de entrada” (essa, de fato, uma porta, não aquela outra lá, “do mar”) como a de cidades como Itajaí e Balneário Camboriú? Não recebemos turistas no nível delas, mas Joinville, para quem não sabe, é uma cidade que tem enorme fluxo de pessoas que viajam toda semana para trabalhar e estudar. E os parquímetros de estacionamento? (a lenda do estacionamento rotativo: meu próximo artigo) E as calçadas?
São pequenas coisas que eu nem faço ideia como são lá nos outros continentes, mas que aqui no entorno recebem atenção – e mudam a visão do cidadão sobre o espaço onde vive.

Calçada petit-pavê - Balneário Camboriú




Parquímetro - Itajaí

6 comentários:

  1. Um belo resumo da nossa tragédia. Uma tragédia tão maior quanto mais simples são os problemas a serem resolvidos. E não são.
    Voce tem razão quando cita cidades vizinhas de onde bons exemplos podem (e devem) ser copiados. Mas isso soa como sacrilégio. Afinal, o que essas pequenas cidades do entorno poderiam ensinar "à maior do estado"? ô eterna presunção!

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  2. Não adianta viajar para um país desenvolvido, desburocratizado e liberal, e tentar trazer as tecnologias e modernidades para a nossa realidade medíocre, onde o Estado incompetente insiste em se apropriar de tudo.
    Joinville sempre foi (e vai continuar sendo) uma cidade medíocre comparada às outras urbes catarinenses, até Itajaí deixou de ser o patinho feio. Qual a diferença entre Jlle e essas cidades? Nenhuma é mais governada por esquerdistas.

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  3. A Rodoviária não é mais do município.

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  4. E os cacos de vidros nas ruas que se espalham após os acidentes de trânsito. Penso que deveria existir um "protocolo" para esse tipo de ocorrência onde, junto com o atendimento médico e policial, também fosse encaminhado para o local algumas pessoas responsáveis pela varrição da rua e calçadas. Hoje os pedaços dos veículos, principalmente de vidro, ficam espalhados pela via até serem levados pela chuva.

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    1. Em caso de poste derrubado o protocolo é o seguinte:

      Alguem comunica a CELESC
      A CELESC aciona empresa contratada para conserto
      Empresa instala novo poste, ajeita fios de luz e recolhe luminária caída.
      Moradores acionam empresas de telefonia e TV a cabo quando descobrem que estão sem sinal.
      Restauram-se fios telefonicos e tv deixando os inutilizados jogados
      Ninguém vem instalar a luminária
      A taxa da COSIP é cobrada na mesma conta da CELESC
      Prefeitura quando indagada diz ser necessário registro na OUVIDORIA
      Depois do registro na OUVIDORIA aguarde pacientemente por muitos meses, mas pague religiosamente a COSIP

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  5. Esse dias estão com pautas, nacionais e regionais deixamos de lado mesmo porque aqui 2020 teremos alguma mudança, mais diria que existe indústria de licitações, quem ganha não é melhor, e assim começa quem ganhou jamais vai fazer todo o serviço, terceiriza isto seja calçada, faixas em fim, sabemos não fez, e não fazer com aquela qualidade, que fez torna ainda pior situação, sabe que vai durar muito e novamente terá que ser refeito, fazendo ganha à ganha, todos envolvidos nessa cadeia, é assim que funciona, jamais teremos algo inovador como no exterior, o que deu certo lá aqui jamais dará por aqui, sem drama, sem muitos rodeios, nossa rodoviária somente Deus pra salvar nem parece com cidade de Joinville, pontos e assim vamos indo empurrando não sei é mais com barriga. Pode não concordar direito de cada, não sou joinvilense mais o povo apaziguador, acomodados, porque cidades vizinhas próximas, às pessoas interagem, cobram essa significativa diferença, mesmo não sendo padrões europeus ou mundial!

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