quinta-feira, 4 de maio de 2017

Como está o caráter de Joinville? Por que a saúde vai mal


POR FAHYA KURY CASSINS
Porque em Joinville só se trabalha, não há preocupação com a Cultura, como vimos no último texto. Então, iremos mais longe. Porque só se trabalha também não devemos nos preocupar com a saúde pública, pois os trabalhadores têm plano de saúde. Não é mesmo? Joinville conta com hospitais e clínicas particulares, tudo resolvido. Não.

A situação não só é patética como preocupa num quesito especial. O prefeito é um idoso vulnerável a todas as mazelas que qualquer idoso ou todos nós que chegaremos lá estamos. Porém, o desrespeito com o idoso, em especial, é moralmente vexatório para a cidade. Não nos faltam notícias de como a saúde pública joinvilense é tratada com descaso e arrogância. Não nos faltam exemplos e experiência de como o atendimento e as condições são ruins. Não nos deixamos enganar pelas balelas da campanha eleitoral.

Se falar da Cultura em Joinville é falar para poucos, me digam se falar da saúde pública na cidade também é falar para poucos. Duvido. Para quem tem plano de saúde, sugiro ir visitar os lugares de saúde pública – hospital, PA, posto de saúde. Serei bem objetiva.

Falta fralda. Lembram que o prefeito entrou na Justiça para não ser obrigado a dar fralda para idosos, como determina lei federal? Pois é. Nosso prefeito, idoso, fez isso. E, mesmo perdendo na Justiça, simplesmente não há fralda. Não há fralda nos postos de saúde, nos hospitais. Não há remédios. Imagine você, internado (coisa que ninguém quer, ninguém vai num hospital voluntariamente “só vim aqui passar uns dias”), debilitado, e o pessoal do hospital chega e te diz “não tem o remédio que você/ou seu pai/mãe/filho precisa”. Não tem, simples assim.

Falta camisola para os pacientes. Falta lençol, querido leitor. Os exames e procedimentos não são feitos, porque não há equipamentos e funcionários o suficiente. Vocês leram bem: não há. Você só precisa realizar um procedimento e terá alta, mas passa um mês internado no hospital porque precisa “esperar” - correndo o risco de infecção, desenvolver outras doenças devido ao ambiente hospitalar.

Falta funcionário. E, como sabemos, como em todos os lugares, há ótimos profissionais – outros nem um pouco, que não deveriam em hipótese algum estar ocupando um cargo num hospital. E há a ouvidoria, para onde os próprios médicos pedem que os pacientes e seus familiares recorram porque sabem que há descaso e atrasos inadmissíveis.

As condições precárias se anunciam na estrutura em eterna reforma, sem identificação da localização e caminhos, a toda hora pessoas perdidas pelos cantos. No máximo, com sorte, você encontrará um sulfite tentando dizer onde são as coisas por lá. Corredores que não dão em lugar algum, puxadinhos com placas de ilustres ex-prefeitos, tapumes por todos os lados. 
Um salão de improviso há anos que serve de “internação”, ali na entrada da ortopedia. A sala de emergência cheia de macas onde os pacientes, às vezes, permanecem por horas e horas.

Os funcionários até deixaram recadinho...

É assim que o joinvilense é tratado. E diante das necessidades da vida, todos somos iguais. Diante da doença, não importa e não faz diferença se você tem pós-doc ou é analfabeto, se trabalha no chão de fábrica ou num escritório de advocacia. É pelo valor que dá à vida e à dignidade humanas que podemos melhor avaliar o caráter de uma pessoa. Se Joinville fosse uma pessoa, como avaliaríamos o caráter dela?

Isso é placa?

Um depósito de materiais enorme e corredores que não dão acesso

Salas vazias. Espaço sobrando?
(Obs.: texto baseado na própria experiência)

16 comentários:

  1. Crise. Morei em Portugal em 2012, um país com excelência na saúde e, mesmo lá, à época, faltavam itens básicos de conforto em hospitais públicos.
    Crise. Crise em que passam a União, Estados e Municípios.
    Quem sabe em 2018 votemos num gestor que diminua a ação do Estado nas relações espúrias com capital e invista nosso imposto em educação, saúde e segurança?
    É só deixar as paixões estupidas ideológicas de lado...

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    1. Parece-me difícil que paixões sejam deixadas de lado, até, quem diria, na Política. Mas pensar no ser humano como prioridade não é o caso de nenhum político. Obrigada pela leitura!

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  2. Seria cômico, me parece que ética não é marca desse prefeito, disse faltava gestão, dinheiro tinha, são frase do momento e de impacto, soa repetitivo, mais era tragedia anunciada, e vai se consolidando, são algumas das realidade que Munícipe vem enfrentando de não ter nem As, que remédio simples, pois tem muitos desempregados que não tem esse dinheiro, esse centavos, à maior e mais rica cidade do Norte do estado, esta verdadeiramente nesse escombros, à população se curva nessa penumbra, cidade priorizou outros pastas, priorizou outras etapas, para elite esqueceu de gerenciar a saúde da cidade, quem esta na secretária não entendi de nada, além dos seus antecessores e assim vamos indo, a própria saúde da cidade encontra estado terminal em um leito, se que podemos chamar isto, de mero quarto, imprensa comprada jamais ira mostrar isto, esse fotos já grande começo, falta competentes, buscar soluções aos menos ofertados, a população sofre cada dia mais, veja nenhuma emissora disse que não teremos uma verba vindo para cirurgias eletivas ( http://www.otempo.com.br/capa/brasil/pedidos-de-cirurgias-eletivas-ir%C3%A3o-para-uma-fila-%C3%BAnica-do-sus-1.1466521 ) justamente desorganização da cidade vai perder isto, por não ter essa tal fila, e critério e duvido que vamos dar famoso jeito, e vamos até que ponto vai ser romper esse estrelismo dessa gestão monologa, certamente tem muitas fatos para ser corrigidos mais que vemos cruzar braços, e culpar governador, que não repassa as verbas, é que eles não querem resolver o tal problema, percebemos que não tem solução curto prazo.

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    1. Exatamente, bom ponto, não temos nem uma imprensa que atenda o cidadão, seus interesses e direitos. É uma cidade amordaçada. Obrigada pela leitura.

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  3. Como diria Emil Cioran : "A obsessão por remédios(saúde), marca a decadência de uma civilização."
    Ao pensar sobre isto ele esta refletindo sobre a sociedade francesa que ele morava e a falta de sentido, ele como arauto do niilismo de nossos tempos.
    O pior não é sofrer mas sofrer sem sentido, não há mais sentido em trabalhar, nas há mais sentido nas nossas dores diárias,o mundo perfeito que nossa vontade deseja não chega, de frente pro abismo nossa sensibilidade dolorosa aumenta, e nossa necessidade de prazeres hedonístico para anestesiar o vazio.

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    1. Lírico até, o seu comentário. Mas ficar doente, na maioria dos casos, não se escolhe. Nem é psicológico. Obrigada pela leitura.

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  4. Sucateamento da saúde pública que está sendo perpetrada por esse pessoal que defende o estado mínimo, é o primeiro passo para a entrega do sistema para a iniciativa privada. Evidente que, fornecimento de medicamentos, tratamentos e afins, continuarão por conta do estado, no mínimo...risos. Como se diz por aí...é a privatização das receitas e a socialização das despesas. Lembrando q medicina preventiva/curativa de alta qualidade, fornecida pelo poder público, não interessa a d. helenas, unimeds e agemeds da vida. Dentro do capitalismo, saúde é mercadoria.

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    1. Não, Lemos, como todo esquerdista, acha que a guerra fria deu-se entre pinguins e ursos polares... Escutou Raul e entendeu errado!

      O Estado mínimo, saudado por liberais, quer justamente o oposto que a sua cabecinha pensa: quer investimentos majoritariamente em educação, saúde e segurança, ao contrário do capitalismo de comadres promovido pelo partido que governou o país nos últimos treze anos, que enfiou dinheiro público goela abaixo de empresários “muy amigos”.

      Aliás, basta explicar aos desmioladinhos o que é liberalismo de fato que eles libertam-se facilmente da ignorância transmitida por professores desonestos. Prevejo neste país gerações de gente honesta e que produz.

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    2. Liberais , sei que essa tese é muito batida , mas são marxistas com sinal trocado. Com esvaziamento das possibilidades utópicas do marxismo , criam soluções sobre as falhas do visão socialista/sociedade do bem estar social e afins,mas também não conseguem escapar do pensamento dialético hegeliano , essa visão linear sobre a história.
      Toda discussão politica e econômica é uma discussão pobre e ridícula sobre o homem. E a saúde é um poço sem fundo, vivemos numa sociedade hipocondríaca, que é o reflexo de nossa decadência.
      Voltemos a politica e a economia , o que elegeu a Dilma senão discurso sobre a saúde e seu apelo sobre as pessoas com os mais médicos por exemplo. O mercado também propõem uma serie indulgencias idiotas todos os dias para nossa saúde.

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  5. Sim..tinha esquecido que os governos liberais de 64 a 2002, transformaram o nosso amado Brasil numa referência mundial no quesito igualdade social. Saúde então, nem se fala. Padrão escandinavo. Quanto ao legado deixado pelos liberais na educação..deixa pra lá, melhor nem comentar...faria os russos corarem de vergonha.

    Exemplo da eficiência proporcionado pelo estado liberal é Joinville.
    Prova disso é o legado deixado pelos governos liberais que administraram nossa nossa manchester nos últimos 70 anos.
    Graças a eles é que hoje podemos desfrutar de uma cidade harmoniosa, administração dinâmica, planejamento urbano bem estruturado, respeito ao meio ambiente, uma população culta (apesar de só ter sido implantado o ensino público de 2º grau em 1960)..., uma camara de vereadores padrão islandês, baixa criminalidade, um sem número de opções de lazer.. e até no esporte somos referencia nacional, principalmente com nosso querido JEC, sempre nos proporcionando alegrias e levando o nome da cidade pra além mar...Obrigado, deus mercado.

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    1. Nunca houve um governo liberal no Brasil. Todos os governos, de ditadores a progressistas, sustentaram um Estado paquidérmico e deficiente: privatizavam estatais quando a coisa já não tinha conserto, apenas para fazer caixa. A propósito, o seu deus Lula, não tem nada de progressista ou liberal, é apenas um sindicalista fisiológico que transformou o Brasil num grande sindicato.

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  6. Já ia esquecendo de uma grande obra do estado liberal. Trata-se da primeira Escola Técnica Federal construída em Santa Catarina em 100 anos, o IFSC/Joinville, inaugurado em 2006. Aliás não foi uma só.. são 23 em SC e 400 no país. Todas construídas durante o governo liberal de 2002/2015. Detalhe. Com equipamentos e professores pra causar inveja a FEJ´s e UFSC´s da vida. Ahhh esses liberais...que seria da gente..

    http://www.ifsc.edu.br/institucional/6226-tres-campus-comemoraram-10-anos-de-inauguracao

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  7. Fiz transplante de fígado no São José, há 7 anos. Desde então, nunca me faltaram os medicamentos anti rejeição, que pego todos os meses, com hora marcada, na Farmácia Escola. Quando estou lá, encontro pessoas de outros municípios pegando remédios que seriam para o povo joinvilense. Se aqui está ruim, imagine nestes outros municípios, que se socorrem de Joinville.

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    1. A velha cantilena. Joinville não se gaba de ser "a maior", então, nada de mais cumprir com o dever de atender as pequenas cidades do entorno. Ou querem um hospital de ponta em cada Araquari? Não faz sentido. Até porque a Farmácia Escola, por exemplo, é atendida também pelo Estado. Obrigada pela leitura.

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  8. Respondendo o questionamento da autora, se Joinville fosse uma pessoa, esta seria um tremendo mau-caráter!!!

    Utilizando o velho jargão, cada indivíduo tem o governo que merece!!!

    Na construção da Arena Joinville eu trabalhei os últimos 6 meses, o hospital São José já era um depósito à época. Como era campanha eleitoral, foi aberta a visitação pública, centenas de joinvilenses tiveram o prazer de passear nas instalações, ainda em obras diga-se de passagem. Era nítido o prazer das pessoas, a alegria de ganhar um estádio de futebol de primeiro mundo (talvez a justificativa dos engenheiros e políticos nas viagens a França e Espanha para tirarem idéias de estádios internacionais) muitas delas inclusive nunca pisaram nela depois de entregue, mas com absoluta certeza já utilizaram o serviço do São José, e reclamaram do serviço prestado.

    Tivemos um prefeito do povo, que não conseguiu se reeleger não sei porque cargas d'água, afinal de contas foi o único na história recente a conseguir este feito. Ele prometeu na campanha um Hospital na zona sul de Joinville, anos mais tarde com o cofre vazio ele veio à público dizer aos eleitores que o Zéquinha dava conta da demanda.

    Falando em amigos do Zéquinha, cadê a trupe de Deputados e vereadores que faziam visitas rotineiras??? Estão com medo de ficar preso no elevador novamente???

    Próximo ano tá batendo à porta, melhor os assessores correrem contra o tempo se quiserem gravar imagens pra campanha.

    Como diz a canção daquele cantor falecido:

    "Mente pra mim
    É o que eu gosto
    Quanto mais você me ilude mais eu te adoro..."

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    1. Ótimo comentário! Obrigada pela leitura e pela contribuição. A Arena é um caso curioso, muito subutilizada. Outro candidato a prefeito fez propaganda de usar seus espaços vazios para um Centro de Convivência e Atendimento ao Idoso. A cidade carece deste tipo de iniciativa. O São José só existe em época de campanha mesmo.

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