terça-feira, 7 de março de 2017

Visibilidade: as histórias que as mulheres não escrevem



POR FAHYA KURY CASSINS
Uma pergunta simples pode fazer com que a resposta diga mais que qualquer pesquisa: quantos dos filmes que você assistiu tinham mulheres nos papéis principais? Nos últimos anos a discussão finalmente ganhou a devida proporção, com o engajamento de atrizes de peso de Hollywood. A presença feminina no cinema ainda é muito abaixo da dos homens, o que se explica pela predominância masculina na produção dos filmes – desde roteiristas até editores. Homens dominam os meios de produção, nas artes não é diferente.

Anos atrás surgiu a campanha por lermos mais escritoras. A Literatura também é predominantemente masculina. Discuti isso numa turma de Criação Literária, quando comentei que a presença mínima das mulheres na Literatura se devia ao serviço doméstico, ao papel de mãe, que por muito tempo era exclusivo de nós, mulheres. O único homem presente retrucou que, porém, muitos escritores também trabalhavam “fora”. E é sempre assim: homens não percebem que as mulheres enfrentam (e enfrentaram sempre) muito mais obstáculos em todas as profissões e em todas as épocas – pelo simples fato de ser o que são.

O Oscar de 2016 foi muito criticado por ter praticamente ignorado os negros nas suas indicações e o de 2017 reverberou a exclusão da presença feminina nas produções. Algumas pesquisas apontam que, porém, houve um aumento de personagens, falas e profissionais (roteiristas, diretoras, etc.) mulheres. Este aumento ainda fica aquém do que se espera de um mundo de maioria de mulheres que já superaram preconceitos e em busca de igualdade. Repare bem das próximas vezes que for assistir a um filme: quantas personagens femininas? Quantas falas e quanto tempo na tela foram dedicados a nós?

Por que nos preocupamos com isso? Porque sabemos que é preciso representação, é preciso que o mundo fale por nós – e por tantas que não têm nenhuma voz, nem dentro de casa. Filmes e livros mudam as pessoas, as fazem ser melhores e a perceberem o seu contexto. Em A Qualquer Custo (Hell or High Wather, 2016), com 4 indicações ao Oscar, há somente duas personagens femininas, em cenas brevíssimas. A atriz Viola Davis, indicada pelo seu papel em Um Limite entre Nós, (Fences, 2016), apesar de ter cenas e falas equilibradas com seu companheiro de cena, Denzel Washington (indicado a melhor ator), e a mesma importância dramática, foi indicada como Atriz Coadjuvante. Ela levou o prêmio, merecidamente se fosse como protagonista, ele não.

É como se diz, é preciso dar voz e vez. Enquanto homens não entenderem que para as mulheres é sempre mais difícil alcançar o que para eles é tão acessível, lutaremos para sermos ouvidas, vistas, representadas. E faremos isso também em solidariedade àquelas que não percebem sua situação de mordaça, pois muitas não têm consciência dos vários tipos de violência a que são submetidas todos os dias.

Vale ler:

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/elas-em-destaque-1.1714481

http://veja.abril.com.br/entretenimento/site-imdb-adota-categoria-que-exalta-filmes-feitos-por-mulheres/

11 comentários:

  1. Quando eu vou a uma livraria escolho o título, a capa e leio o prefácio do livro, dificilmente dou importância ao autor. A maioria faz isso. Há na história da literatura várias escritoras famosas: Mary Shelley, Agatha Christie, J. K. Rowling. Até as brasileiras Clarice Lispector, Nélida Piñon, Cecília Meireles entre outras. O fato das mulheres ficarem em casa com os afazeres domésticos, antes da revolução feminina, seria mais uma oportunidade para a dona de casa escrever algo ou lançar um livro, ou essa incumbência também cabia ao marido que trabalhava oito ou dez horas fora de casa? Não faz sentido.

    Não tenho os dados, mas acho até que existem mais autoras do que autores, pelo menos no Ocidente. Também não tenho os dados de vendas, mas se os Best Sellers dos autores femininos vendem menos do que os masculinos, e se levarmos em consideração que, pelo menos no Brasil, mulheres consomem mais livros do que os homens, ou os Best Sellers dos autores masculinos são melhores ou as leitoras são machistas.

    O cinema é ação! Os gêneros policial, thriller, terror e suspense são os mais consumidos. E as mulheres gostam desses gêneros ou preferem “Tomates Verdes Fritos”? Se as mulheres não curtem os filmes de ação e preferem drama, porque chamar uma cineasta ou dar vida a uma personagem feminina como protagonista de um filme com recursos milionários? Tem um ou outro filme de ação que é estrelado por atrizes, como Resident Evil com Milla Jovovich, ou Angelina Jolie, em Salt. São filmes razoáveis que arrecadaram muito dinheiro, mas não são consumidos por mulheres. E o machismo, se é que ele existe nesse caso, está aonde?

    Há pouco tempo fizeram um remake do filme Caça Fantasmas, porém com personagens femininas. O filme foi um fracasso esperado, porque os personagens originais eram todos homens. Estava na cara que o fato de alterarem as personagens para femininas era para atender uma “agenda”. Porém essas “agendas” não colam porque elas são de forma direta ou indireta impostas ao público.

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    1. Eu esperava por este comentário. Porque reproduz exatamente o que eu citei no texto.
      Você mesmo faz questão de dizer que "não sabe" enquanto faz afirmações temerárias. O comentário todo é imbuído de machismo e ideias atreladas a ele.
      Então a mulher, antes da "revolução", ficava em casa com os afazeres domésticos e, claro, sobrava tempo para escrever. Claro! É o máximo que um homem consegue alcançar. Além, claro, de a mulher sempre ter tido liberdade, era só ela ficar lá, lavar uma louça, trocar umas fraldas, escrever e ir até um editor para ser publicada - sem precisar ter autorização para isso, sem ter que enfrentar editores que não tinham interesse em publicar obras de mulheres, só se fosse da temática que eles queriam (algo que você deve entender bem).
      O anônimo não atinou que falei também dos meios de produção, dominados por homens. Aliás, já que mostrou-se tão inteirado de alguma coisa de Literatura e Cinema, sugiro vasculhar filmes que tratam bem dessa questão, de como as mulheres tiveram que enfrentar barreiras para serem editadas e terem suas histórias produzidas.
      É tanto, mas tanto, preconceito nos dois últimos parágrafos que eu me pergunto se você conhece alguma mulher. Porque de Cinema dá pra ver que não entende nada.
      Triste ser lembrada diariamente que existem pessoas que "pensam" como o anônimo da vez. Por isso fica tão evidente que precisamos continuar expondo a realidade diante de olhos tão ignorantes.

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    2. Claro, as mulheres vieram todas no Amistad, pobrezinhas...

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    3. Fahya, estou digitando com os pés porque minhas mãos estão ocupadas aplaudindo...

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    4. Acho que você está digitando com os pés porque não faz muita diferença.

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    5. Quem fala pro coletivo na maioria das vezes é um trolha, alguém que precisa de auto afirmação. Uma verdade fácil, corriqueira.
      As feministas acham que sabem o que as mulheres querem ? vai achando!!! Por que Infelizmente(ou felizmente) os cirurgiões plásticos , cabeleireiro, e escritoras de histórias eróticas sadomasoquistas light sabem mais.
      Das pouca certezas que tenho, são as certezas negativas,como exemplo a certeza de que as feministas são a classe de pessoa que menos entendem de mulher.
      O que ví contra o comentário do Anonimo foi apenas verborragia, e Ad hominem desnecessário e uma agressividade neurótica.
      As vezes é melhor dizer que não sabe, do que ficar arrotando pseudo virtudes,pois o que a esquerda nunca soube foi rir de suas próprias virtudes,ela se leva muito a sério pra isso. Com suas teorias de gabinete, oriundas da ciências sociais, que junta da economia são as 2 ciências mais inexatas desse mundo.

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    6. É o retrato da esquerda: "Trocar os pés pelas mãos!"

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    7. Quem falou em "feminista" ou "esquerda" (vindo de alguém que criticou um suposto "ad hominem")?
      Mas, né, o fácil e esperado "neurótico" para se referir a uma mulher. Nenhuma novidade.
      As mulheres, felizmente, sabem muito bem o que querem. (e aí é que reside o medinho de muitos... hahaha - aliás, não era pra rir?)
      Obrigada pela leitura.

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    8. Será que fui tão mal assim em falar de esquerda, mal falo dela o sectarismo e o vitimismo aparece.
      Falei do "seu" comportamento agressivo, como faria se fosse o Baço ou o Jordi, e vc já começou sendo sectária e transformando isso em uma qualificação de gênero.

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  2. Tudo pra esquerda se resume a "cotas"!
    E o mérito?... ah, o mérito é coisa de reacionário!

    Os blogueiros do Chuva Ácida "jogam pedra em avião"! KKK

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    1. Cotas? Onde foi falado isso?
      Sugiro reler o texto.

      Obrigada pela leitura.

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