quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Refundar Joinville?


POR RAFAEL JOSÉ NOGUEIRA

Artigo de Alceu Castilho (publicado no portal Fórum - leia aquiargumenta que a estratégia usada pelos estudantes de ocupar as escolas e não ir para as ruas foi acertada e genial. Legitimou sua luta, desmoralizou o governo, que ficou com uma imagem de repressor, e ainda fez os jornais que usaram a palavra “invasão” parecerem simples objetos políticos.

Pois como invadir um espaço que é deles por excelência? Como dizer que eram apenas estudantes bagunceiros que não queriam ter aulas, se eles estavam lutando pela própria escola? Mas alguns irão dizer é um movimento político. Isso é tão óbvio. Tudo é política. Os estudantes fizeram política para sobreviver. O que o governo faz não é política também? Claro que é. Afinal somos animais essencialmente políticos.

Em suma, Alceu Castilho nos diz que São Paulo foi refundada no espaço de luta política, os alunos deixaram as ruas de lado para os despolitizados e desse modo fizeram das suas escolas trincheiras e, sobretudo, o novo território de luta por seus direitos. Diante disso, me pergunto não está diante de refundarmos Joinville? Pode parecer que tudo está indo muito bem. No entanto, o atual governo do Estado há tempo vem fechando escolas e não abrindo outras.

O nosso governo vem (re)organizando as escolas há um bom tempo. Assim força os alunos a se deslocaram para outras longe de suas casas, tendo como resultado a superlotação dessas escolas, que agora suportam todos esses alunos vindos dos estabelecimentos fechados. Vamos citar apenas um exemplo em nossa cidade. O colégio Rui Barbosa foi fechado pela vigilância sanitária, o governo não demonstrou que iria fazer algo e o local vejam virou um espaço de polícia. Fala-se de “ocupação”, mas se fossem os estudantes seria “invasão”?

Não vejo contradição maior que um espaço que sempre foi voltado para a educação virar um espaço de polícia. Logo vem à tona a questão: estaria mesmo na hora dos estudantes refundarem a nossa cidade assim como fizeram os de São Paulo? Penso que sim. E do mesmo modo que os estudantes de São Paulo fizeram, que nessa reinvenção da nossa cidade o novo território de luta política sejam as escolas, espaço legítimo por excelência, todas elas de norte a sul, de leste a oeste.

Não proponho desordem total. E sim que inspirados nos estudantes paulistas que os nossos também refundem a nossa cidade. Uma nova reterritorialização da luta pelos direitos políticos.

Rafael José Nogueira é acadêmico de História

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O comentário não representa a opinião do blog; a responsabilidade é do autor da mensagem